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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Um começo de Primavera ameno e tranquilo



Por aqui, as chuvas primaveris começaram cedo e, graças a elas, as temperaturas têm ficado controladas, apesar de se elevarem em alguns dias. Agora mesmo escrevo este texto vestido com um agasalho e uma calça de moletom. 

Neste último feriadão, choveu todos os dias e, apesar de Muriqui haver recebido alguns turistas e veranistas, o Distrito não encheu tanto de visitantes. Apenas notei um pouco mais de movimento de carros nas ruas e umas filas tanto no supermercado quanto no açougue, superando o habitual dos finais de semana comuns. E, no sábado que antecedeu o primeiro turno das eleições, isto é, em 06/10, deu até para Núbia sair agasalhada para almoçar e também tomarmos um sorvete.

Felizmente o tempo está suportável pois minhas horas têm sido divididas entre trabalho, alguns compromissos pessoais e presença na campanha do meu candidato a prefeito nas eleições suplementares do Município de Mangaratiba, Alan Campos da Costa (Alan Bombeiro). Pois, estando o pleito marcado para ocorrer no dia 28/10 (mesma data do segundo turno das eleições gerais), eis que nossa equipe tem feito vários momento de corpo a corpo pela cidade, muitas das vezes indo quase que de casa em casa pelas ruas mais periféricas.

Em geral, costumo ser avisado apenas das programações de campanha que ocorrem no meu Distrito, a exemplo da visita de sábado (13) à região do "Poção" e ontem (15) nas humildes localidades de Cachoeira 1 e 2, situadas do outro lado da rodovia Governador Mário Covas (BR-101). Em ambas, os trabalhos iniciaram-se com muita chuva mas que depois foram reduzindo a intensidade até pararem por uns instantes.











Eu diria que a campanha para as suplementares começou tensa em meados de agosto, enquanto a disputa estava polarizada entre o então presidente da Câmara e prefeito interino, Vítor Tenório Santos (Vitinho) e o Alan. Logo no primeiro dia de propaganda política, tive dores de cabeça com o fato da Prefeitura abusivamente haver apreendido um carro de som do sindicato onde eu trabalho e conduzido o motorista para a Delegacia. Depois, no último dia daquele mês, o governante em exercício da cidade teve a sua prisão preventiva decretada, passando a se encontrar foragido desde então.

Durante vários dias de setembro, Mangaratiba permaneceu sem prefeito. Através de um Decreto Legislativo, o vice presidente da Câmara, ver. Carlos Alberto Ferreira Graçano (Charlies da Vídeo Locadora), tomou posse do Executivo, sem ter sido antes eleito pelos seus pares e isto fez com que um vereador do meu partido, o Professor Renato Fifiu, impetrasse um mandado de segurança para obrigar o Legislativo a escolher quem seria o novo presidente do órgão, em conformidade com o parágrafo único do artigo 86 da nossa Lei Orgânica Municipal. E, por causa de uma liminar proferida pela Justiça, os edis precisaram, na sessão seguinte, eleger o novo presidente da Câmara que, por sua vez, passou a responder pelo Executivo provisoriamente. 

Curiosamente, os vereadores escolheram o próprio Charlies, o qual era vice-presidente da Câmara, de modo que, na sessão posterior, precisaram eleger entre si um outro ocupante do cargo da Mesa Diretora que ficara vago. Ou seja, legitimaram a inobservância cometida em relação ao referido dispositivo da Lei Orgânica.

De qualquer modo, eis que, a partir daí o Município tranquilizou-se. Sem uma polarização na disputa eleitoral, a campanha do meu candidato, líder nas intenções de votos, foi reduzindo as suas atividades. Além de que, como estava se aproximando o primeiro turno das eleições gerais, muitos apoiadores precisaram se dedicar mais às atividades de seus deputados, cujo pleito se deu no domingo retrasado, dia 07/10.

Dentre os candidatos que apoiei no primeiro turno das eleições gerais (clique AQUI para ler a postagem do dia 05/10), tive êxito apenas com o deputado estadual Luiz Paulo (PSDB), reeleito para mais um mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.  Sua campanha foi bem modesta, pois recebeu poucos recursos do fundo partidário se comparado a outros candidatos que nem tinham mandato. Porém, com todas as dificuldades, alcançou honrados 49.012 votos (0,64% dos válidos). 

Para esta segunda quinzena do mês, acredito que haverá um pouco mais de agito aqui em Mangaratiba. Principalmente na semana que vem, a qual antecede as suplementares e o segundo turno. Pois será o momento em que os adversários do meu candidato tentarão um crescimento de última hora. Porém, pelo que tudo indica, acredito que terminaremos mais tranquilos do que  quando começamos. Pelo menos eu espero que assim seja.


Ótima terça-feira a todos!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Parabéns a todos os professores!



Dez dias depois da data considerada pela UNESCO para festejar a aprovação de 05 de outubro de 1966 da Recomendação da UNESCO / OIT sobre o Estatuto dos Professores, comemoramos aqui no país o Dia dos Professores em 15/10. Trata-se de uma celebração que, no nosso caso, vem desde a época imperial, mais precisamente de 1827, quando Dom Pedro I baixou um Decreto responsável pela criação do Ensino Elementar no Brasil, do qual chamou "Escola de Primeiras Letras".

Pode-se dizer que, através dessa norma de quase 200 anos atrás, tornou-se obrigatório que "em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos" devessem ter suas escolas correspondentes hoje ao chamado ensino fundamental. E o decreto também continha o salário dos professores, as matérias básicas e até como os docentes deveriam ser contratados, sendo que os ordenados dos profissionais eram regulados de 200$000 a 500$000 anuais, "com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares" (art. 3º).

Contudo, apenas 120 anos depois foi que a data passou a ser celebrada em que quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de suspensão das atividades para comemorarem o dia a eles dedicado, bem como traçar novos rumos para o próximo ano. Segundo o artigo divulgado na Wikipédia,

"Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como "Caetaninho". O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pelas frases " Professor é profissão. Educador é missão" e "Em Educação, não avançar já é retroceder". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada."

Essa celebração tornou-se um sucesso, tendo se espalhado não só pela cidade como também pelo restante do país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. Este, em seu artigo 3º, definia a essência e razão do feriado: 

"Para comemorar condignamente o dia do professor, aos estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias" 

Atualmente, as celebrações pelo dia do professor costumam ser bem amplas pelos municípios brasileiros, apesar de faltar uma efetiva valorização do profissional do ensino. Inclusive no que dos respeito ás metas 17 e 18 do Plano Nacional de Educação (PNE):

"Meta 17: valorizar os (as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos (as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.
Estratégias:
17.1) constituir, por iniciativa do Ministério da Educação, até o final do primeiro ano de vigência deste PNE, fórum permanente, com representação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos trabalhadores da educação, para acompanhamento da atualização progressiva do valor do piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da educação básica;
17.2) constituir como tarefa do fórum permanente o acompanhamento da evolução salarial por meio de indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, periodicamente divulgados pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE;
17.3) implementar, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, planos de Carreira para os (as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica, observados os critérios estabelecidos na Lei no 11.738, de 16 de julho de 2008, com implantação gradual do cumprimento da jornada de trabalho em um único estabelecimento escolar;
17.4) ampliar a assistência financeira específica da União aos entes federados para implementação de políticas de valorização dos (as) profissionais do magistério, em particular o piso salarial nacional profissional.

Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de Carreira para os (as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos (as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.
Estratégias:
18.1) estruturar as redes públicas de educação básica de modo que, até o início do terceiro ano de vigência deste PNE, 90% (noventa por cento), no mínimo, dos respectivos profissionais do magistério e 50% (cinquenta por cento), no mínimo, dos respectivos profissionais da educação não docentes sejam ocupantes de cargos de provimento efetivo e estejam em exercício nas redes escolares a que se encontrem vinculados;
18.2) implantar, nas redes públicas de educação básica e superior, acompanhamento dos profissionais iniciantes, supervisionados por equipe de profissionais experientes, a fim de fundamentar, com base em avaliação documentada, a decisão pela efetivação após o estágio probatório e oferecer, durante esse período, curso de aprofundamento de estudos na área de atuação do (a) professor (a), com destaque para os conteúdos a serem ensinados e as metodologias de ensino de cada disciplina;
18.3) realizar, por iniciativa do Ministério da Educação, a cada 2 (dois) anos a partir do segundo ano de vigência deste PNE, prova nacional para subsidiar os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, mediante adesão, na realização de concursos públicos de admissão de profissionais do magistério da educação básica pública;
18.4) prever, nos planos de Carreira dos profissionais da educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, licenças remuneradas e incentivos para qualificação profissional, inclusive em nível de pós-graduação stricto sensu;
18.5) realizar anualmente, a partir do segundo ano de vigência deste PNE, por iniciativa do Ministério da Educação, em regime de colaboração, o censo dos (as) profissionais da educação básica de outros segmentos que não os do magistério;
18.6) considerar as especificidades socioculturais das escolas do campo e das comunidades indígenas e quilombolas no provimento de cargos efetivos para essas escolas;
18.7) priorizar o repasse de transferências federais voluntárias, na área de educação, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planos de Carreira para os (as) profissionais da educação;
18.8) estimular a existência de comissões permanentes de profissionais da educação de todos os sistemas de ensino, em todas as instâncias da Federação, para subsidiar os órgãos competentes na elaboração, reestruturação e implementação dos planos de Carreira."

Apenas para exemplificar, eis que o vencimento pago pela Prefeitura de Mangaratiba aos docentes não chega nem à metade do o valor mínimo eles devem receber pela jornada de 40 horas semanais. Algo que foi fixado em R$ 2.455,35 pelo governo federal.

A expectativa em 2014, quando o PNE foi lançado, era a de que, até 2020, os salários dos professores da educação básica pública fossem equiparados aos salários de outros profissionais com escolaridade equivalente. No entanto, eis que a realidade brasileira encontra-se ainda bem distante disso, apesar de raras exceções como no pobre estado do Maranhão onde, no primeiro semestre do ano, o governador de lá elevou o piso da categoria a R$ 5.750,00 para 40 horas trabalhadas, tornando a remuneração dos docentes uma referência para o nosso país

Embora o estado tenha, ano a ano, subido nas avaliações que medem a vulnerabilidade da população, deve-se considerar que o Maranhão ainda é uma das nossas unidades federativas com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mediano. Porém, ao investir no profissional do ensino, dando a ele um vencimento digno e, consequentemente, uma melhor condição de trabalho, o governo regional espera alcançar um nível mais elevado de desenvolvimento.

Que outras estados e municípios nossos possam também seguir o exemplo dos maranhenses!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Lembranças dos tempos de infância



A data de 12/10, embora corresponda formalmente ao feriado nacional da santa padroeira do Brasil, que é Nossa Senhora Aparecida, também é comemorada como o Dia das Crianças.

Para mim, a infância foi uma época que começou bem nos meus primeiros anos de vida, quando fui muito feliz na companhia de meus pais. Trata-se de um tempo que ficou registrado em fotos através dos passeios pelos pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro e aniversários (ver a postagem Feliz Dia dos Pais!, de 12/08) como também nos finais de semana em família.

Além do mais, recordo que ganhava vários presentes nesse dia, o qual era quase um Natal. Aliás, eu tive inúmeros brinquedos no meu quarto até os quatro anos de idade. Pelo menos, em três ocasiões anuais (meses de abril, outubro e dezembro), recebia uma enxurrada deles tais como carrinhos, quebra-cabeças, bonecos, bolas de futebol, etc.

No entanto, parafraseando Moisés, nem só de presentes vive uma criança, mas, sim, de convívio social e de amizades. E aí confesso que, apesar do meu melhor momento ter sido na companhia de meus pais até perto dos quatro anos (quando eles vieram a se separar), tive mais contatos permanentes com os meus coleguinhas da vizinhança. Isto ocorreu quando eu eu minha mãe fomos morar com a avó e bisavó numa casa de vila de dois quartos no bairro Grajaú, Zona Norte do Rio.






De qualquer modo, antes mesmo de ser um morador da casa oito, do número 130, da Avenida Engenheiro Richard, já costumava ir lá brincar. Andava de velocípede ou de carrinho numa vila que, na época, nem tinha portão, sendo que adorava ver os passarinhos da bisa.

Com menos frequência, passeava na casa de praia da avó paterna em Muriqui, lugar onde hoje moro com Núbia. Aqui eram sempre momentos bem agradáveis estar num quintal cheio de árvores frutíferas pois mudava totalmente a rotina de uma criança que passou os seus primeiros quatro anos morando num apartamento. Os 400 metros quadrados de área não construída pareciam ser imensos e misteriosos. Um mundo a ser explorado...







Assim como as casas das avós, eu curtia bastante a praia onde sempre costumava fazer os meus castelos de areia. Pena que depois ficava com os ombros e o rosto ardidos por causa do sol, mas confesso que curtia pra valer. Fazia uns mergulhos e "furava" as ondas dando umas braçadas, para depois tomar um picolé, comer biscoito de polvilho ou beber um mate gelado que os ambulantes vendiam num recipiente metálico.




Além disso tudo, outros passeios incluíam visitas ao zoológico (onde eu ficava louco vendo aqueles bichos enormes), brincadeiras na pracinha do bairro, idas ao clube ou os encontros com outras crianças. Sem esquecer também das aventuras no Tivoli Park do que, infelizmente, não disponho de fotos agora.





Na hipótese de me perguntem se eu gostaria de reviver todos aqueles momentos voltando a ser criança novamente, respondo apenas que na memória, em minhas breves visitas ao passado. Pois, embora tenham sido instantes felizes, certo é que nada dura para sempre e há um aprendizado a ser alcançado. Logo, não abriria mão do que conquistei de experiências, caso fosse possível repetir aquilo que se foi.

Olhando para o futuro, não sei se será agradável um dia ficar velho, limitado e sozinho já que eu e Núbia não tivemos filhos. Porém, é estupidez rejeitar a ideia de que um dia todos iremos perecer. E, neste contexto, penso que a memória editada quanto aos bons anos vividos em cada época contribui para que qualquer momento do presente se torne significativo.

Desejando desde já um feliz dia às crianças de todo o mundo (não sei se todos os países incluem a data de 12/10 no calendário), compartilho então esta mensagem programada desde setembro para que o esquecimento ou a falta de oportunidade de "blogar" não me impeçam de fazer tempestivamente a postagem.

Tenham uma excelente sexta-feira!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Como se posicionar neste segundo turno?



Para quem é um social-democrata como eu me identifico, confesso estar sendo muito difícil escolher em qual o abismo menos fundo iremos nos enfiar depois dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, ocorrido no dia 07/10. Após 100% das urnas apuradas, foram contados 49.276.990 votos para o candidato Jair Bolsonaro (PSL) contra 31.342.005 de Fernando Haddad (PT), representando uma diferença de quase 18 milhões de sufrágios entre os dois concorrentes que irão para uma nova disputa apenas entre si no último domingo do mês (28/10). 

Se bem refletirmos acerca disso, eis que temos hoje um pleito presidencial polarizado entre esquerda e direita, cujos vices poderiam ser considerados ainda mais radicais: o general Hamilton Mourão (PRTB) e Manuela d'Ávila (PCdoB). Esta por integrar o partido comunista e aquele por haver já cogitado a hipótese de uma intervenção militar durante um pronunciamento público feito na Loja Maçônica Grande Oriente, em setembro de 2017, no Distrito Federal. Na ocasião, o colega de chapa de Bolsonaro afirmou que, se o Judiciário não fosse capaz de sanar a política existente no país, isso seria imposto pelo Exército.

Posso dizer que ambas as candidaturas não me representam e temo que qualquer um possa agravar ainda mais a nossa situação. Pois, infelizmente, creio que não saberão dialogar com toda sociedade, buscando soluções para os problemas enfrentados, os quais envolvem uma grave crise de representação, corrupção, recessão econômica, violência, bem como a má prestação dos serviços públicos. E também me parece que, dificilmente, conseguirão fazer uma reforma política. Pois, devido ao fato de estarem bem distantes do centro e quase nos extremos ideológicos, como formularão propostas capazes de agradar a sociedade de maneira ampla?

Outra coisa é que, ao mesmo tempo em que caminhamos para o segundo turno, surgem casos de violência por todo o país gerados pela intolerância política, a exemplo do assassinato do capoeirista Moa do Katendê por um seguidor do Bolsonaro em Salvador. Tivemos também a ocorrência da jovem marcada com canivete por usar adesivo com "Ele Não" na sua mochila com a bandeira LGBT em Porto Alegre, além de um professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) preso após tentar atropelar um homem que vendia camisas do candidato do PSL, e da médica que rasgou a receita da paciente idosa após ela ter dito que votou em Haddad. 

Ora, tudo isso mostra o quanto a sociedade brasileira encontra-se hoje dividida, embrutecendo-se cada vez mais e decaindo dos seus valores éticos básicos. E como se já não bastassem as fakenews rolando direto pelo esgoto da internet que é o aplicativo WhatsApp, ainda houve alguns eleitores do candidato Bolsonaro que alegram supostas irregularidades envolvendo a confiança na votação eletrônica do dia 07/10.

Na minha postagem do dia 29/09 (clique AQUI para ler), eu havia levantado a hipótese sobre a possibilidade de sofrermos um golpe de Estado, caso Bolsonaro venha a perder as eleições para o PT. E, embora alguns amigos meus achem que eu esteja "viajando na maionese", não descarto essa hipótese, ainda que outros desfechos menos infelizes venham a ocorrer.

Penso que para tomarmos uma decisão racionalmente refletida diante de uma situação onde o voto responsável não pode ser omisso, o caminho seria imaginarmos como seriam os possível acontecimentos após a votação do dia 28/10 com Haddad ou Bolsonaro ganhando as eleições.

I - CENÁRIO COM HADDAD PRESIDENTE


No caso do PT vencer,  o que seria muito difícil diante da diferença de quase 18 milhões de votos, o primeiro problema seria acalmar a militância truculenta e organizada de Bolsonaro, a qual dificilmente aceitaria o resultado por achar que teria ocorrido uma fraude. O país poderia passar por protestos, greves como a dos caminhoneiros e até confrontos armados. Os militares poderiam não querer impedir uma eventual deposição do presidente Michel Temer e aí haveria um golpe civil-militar como em 1930.

Porém, pode ser que as matérias divulgadas na mídia, juntamente com a atuação influente de várias lideranças políticas, consigam conformar essa militância de direita em que o próprio candidato derrotado aceitaria o resultado das urnas. Porém, em tal hipótese, Haddad cederia ainda mais quanto às suas propostas desagradando a esquerda que o tem apoiado. Inclusive a grupos do próprio partido. Então, caso a economia cresça, a grande maioria da população ficaria satisfeita e o seu governo se consolidaria.

Já um desfecho que ninguém deseja seria Haddad chegar ao governo e depois começar a praticar uma política anti-liberal e de sustentação da ditadura venezuelana, convocando uma constituinte. Com isso, ele criaria um problema ainda maior, não conseguiria governabilidade através do Legislativo e, no mínimo, perderíamos mais quatro anos sem crescimento da economia. Isto sem descartarmos a possibilidade de que, neste caso, poderia ocorrer uma cassação da chapa por motivo de uma eventual investigação eleitoral, ele e a vice serem denunciados perante o STF (pois não seria estratégico o caminho do impeachment,) ou aquela intervenção militar prometida pelo general Mourão.

II - CENÁRIO COM BOLSONARO PRESIDENTE


Mas vejamos como pode ser o Brasil com o Bolsonaro eleito presidente dia 28/10...

A melhor das hipóteses aí seria o presidente abandonar o seu jeito truculento, fazer um governo que seja o mais próximo possível do técnico, não inventar mudanças polêmicas na Constituição (e menos ainda substituir a atual carta de 1988), nem cometer a insanidade de facilitar o acesso do cidadão às armas de fogo. Teríamos uma política econômica conservadora, com um liberalismo moderado, sem tantos escândalos de corrupção, mais investimentos na segurança pública, sem grandes retrocessos na área social e tendo uma oportunidade conjuntural de crescimento como foi na década passada com Lula.

Claro que, quando se tem dinheiro e distribuição da riquezas, temos satisfação dentro de uma sociedade. Porém, se o futuro governo não for capaz de resolver o problema do desemprego e da falta de oportunidades (ou se tivermos um crescimento sem distribuição de renda), Bolsonaro precisará arrumar meios de anestesiar os efeitos da crise. Então, neste caso, poderemos assistir o mais triste quadro no Brasil com perseguições políticas, um patrulhamento ideológico dentro das escolas, na mídia e no serviço público, mais divisões na sociedade, supressão de direitos do trabalhador, repressão estatal através da Polícia, espetaculização das ações de segurança e de investigação, incitação velada à homofobia, intolerância religiosa, criminalização do comunismo, aumento das desigualdades raciais, etc.

Da mesma maneira que o PT pode ambicionar a promulgação de uma nova Constituição, não descarto que Bolsonaro ou o seu vice pretendam isso. Aliás, no mês passado, o próprio general Mourão já andou defendendo por aí a propositura de uma nova Carta, sem haver uma Assembleia Constituinte (clique AQUI para ler a matéria no jornal A Folha de São Paulo). E, sendo assim, não sabemos como seria o novo Estado brasileiro, ainda que restasse ao povo aceitar ou negar a novidade em sede de plebiscito.

CONCLUSÃO


Quero agora dizer que o mais importante pra mim não é quem irá governar o Brasil, mas, sim, se conseguiremos preservar a nossa democracia com o máximo de direitos sociais possíveis, resistindo a essa onda de direita do momento. E aí recordo de uma matéria da Época , intitulada Na cadeia, Lula admite possível derrota e diz que deixou seu legado para o Brasil, a qual li justo no dia das eleições (antes do resultado da votação) mostrando as opiniões de Lula e do José Dirceu:

"Neste sábado (6), a menos de 24 horas das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assistia a um filme na televisão de sua cela, localizada no quarto andar da sede da Polícia Federal, em Curitiba. O vídeo foi levado por advogados que tem a permissão judicial para entregar pen drives com músicas, séries e outras atrações ao preso. De calça e blusa de moletom, o petista passou o dia sozinho, já que não pode receber visitas aos finais de semana. A chuva e a temperatura em torno de 10 graus também não permitiram que ele desfrutasse das duas horas diárias de banho de sol. O mau tempo também afugentou os militantes que fazem plantão no acampamento do PT em frente à PF pedindo sua liberdade. Apenas seis militantes resistiam ao frio na véspera do primeiro turno.

A exceção no sábado de Lula foi a breve conversa que teve com os agentes da PF que levam suas refeições e fazem a segurança da porta de sua cela. No bate-papo, Lula não mudou seu comportamento: fez piadas e mostrou otimismo. No entanto, começou a admitir um assunto que até então evitava: uma possível derrota de Fernando Haddad, candidato do PT que o substituiu na disputa pelo Palácio do Planalto, para o Jair Bolsonaro, do PSL.

Segundo pessoas que conversaram com o presidente, nos últimos dias ele tem dito que sabe que deixou seu legado para o Brasil e que entrará para a história do país. Afirma ainda que esse não será o caminho de seus algozes. Lula defende que sua permanência na prisão será um grande problema num eventual governo Bolsonaro. Acredita que a visão de que ele é um preso político está consolidada no exterior e que a pressão de países estrangeiros e da ONU pela sua liberdade será crescente."

E sobre o Dirceu, assim expôs a revista:

"A cúpula do partido também passou a admitir a possibilidade de vitória de Bolsonaro. Se antes as pesquisas internas do PT mostravam que Haddad lideraria a votação ainda no primeiro turno, o mesmo não foi comprovado na véspera da eleição. Os números da própria sigla, geralmente mais otimistas do que pesquisas como Ibope e Datafolha, mostravam que o candidato do PSL chegará a um provável segundo turno na frente do ex-prefeito de São Paulo. Os dados são a pior notícia que o PT poderia receber. Sempre que chegou ao segundo turno, com Lula e depois com Dilma Rousseff, a sigla já estava na liderança.

O ex-ministro José Dirceu, que já foi condenado na Lava Jato, tem comparado o segundo turno entre Haddad e Bolsonaro à sangrenta Batalha de Stalingrado — com três meses de duração, ela foi um marco da Segunda Guerra Mundial, em 1942, quando soviéticos derrotaram as tropas alemãs de Adolf Hitler. No entanto, o petista tem defendido que a derrota pode ser o caminho de sobrevivência.  Em rodas restritas, ele afirma que se for para Haddad ser eleito e não conseguir governar, como aconteceu com Dilma Rousseff, que sofreu o impeachment em 2016, é melhor que o partido perca as eleições. Parte da sigla concorda com Dirceu e defende que o PT deixe o país sangrar com Bolsonaro voltar em um ambiente com menos rejeição e se viabilizar como opção dos eleitores."

Confesso que fiquei bem intrigado com o que li, mas depois refleti que a cúpula petista talvez prefira permanecer por mais quatro anos na oposição do que ganhar dia 28 e não assumir em 01/01. Ou então, preferem deixar de vencer  do que depois não governarem como desejam.

Desse modo, eu que antes havia até ingressado com uma notícia de inelegibilidade contra Bolsonaro em agosto, refleti que não valeria a pena fazer uma campanha pedindo votos para Haddad já que o próprio PT não está interessado numa vitória agora. E então, como sou filiado ao PSDB de Mangaratiba, preferi antes esperar pela decisão da Executiva Nacional do meu partido para me posicionar sobre o segundo turno das eleições. 

Tendo o PSDB decidido pela neutralidade, liberando os diretórios e os filiados para apoiarem quem eles desejarem, resolvi prestar a atenção em duas lideranças que muito estimo: FHC e Marina Silva 

Recentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, respondeu ao blogue de Bernardo Mello Franco, do jornal O GLOBO, que "nenhum dos candidatos agrada, mas Bolsonaro está excluído. Não tem sentido". E ainda acrescentou que o candidato do PSL "não tem jeito", pois é "uma folha seca que vai com o vento", alertando o ex-presidente estar "forte" a ventania. 

Outra liderança que também teve um posicionamento semelhante foi a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva. Seu partido recomendou "nenhum voto" em Bolsonaro. E, numa nota divulgada após reunião da Comissão Executiva Nacional, a Rede criticou o "projeto de poder" e a "corrupção sistemática" do PT, dizendo que não apoiará a candidatura Haddad e que será oposição ao futuro governo, seja qual for o vencedor da eleição.

Como livre pensador que sou, estou de acordo com FHC e com Marina Silva. Não porque eu precise das opiniões deles, mas, sim, pelo fato de que me identifiquei com as suas respectivas análises, considerando-as coerentes e sábias. E acrescento que todo o esforço deve ser feito para preservar a democracia brasileira como bem expôs a nota da Executiva Nacional da Rede que incluiu aí a preocupação com o meio ambiente:

"Nestas eleições, a Rede Sustentabilidade apresentou à sociedade brasileira um projeto alternativo à polarização. Frente ao ódio e à mentira, oferecemos a face da verdade e da união em prol de um Brasil mais próspero, justo e sustentável. Infelizmente, os dois postulantes no segundo turno representam projetos de poder prejudiciais ao país, atrasados do ponto de vista da concepção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético.

A Rede não se alinha e não apoia nenhum deles. A corrupção sistemática revelada pela Operação Lava Jato foi uma marca dos governos petistas, assim como de boa parcela dos parlamentares que agora estão com o Bolsonaro. Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder pouco afeito à alternância democrática.

Por outro lado, é impossível ignorar que o projeto de Bolsonaro, conforme tem sido reiteradamente afirmado, representa um retrocesso brutal e inadmissível em três pontos muito caros aos princípios e propósitos da Rede. Primeiro, promete desmontar inteiramente a estrutura de proteção ambiental existente no país, conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade brasileira e destrói pilares fundamentais para o futuro do país. Além disso, ataca os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras. Segundo, é um projeto que despreza direitos humanos e a diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência e à discriminação. Por fim, é um projeto que ameaça a democracia e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988.

Dessa forma, a Rede Sustentabilidade declara publicamente que:

1. Será oposição democrática ao governo de qualquer dos candidatos que saia vencedor do embate a que se reduziu essa eleição.

2. Não tem ilusões quanto às práticas condenáveis do PT, dentro e fora do governo. No entanto, frente às ameaças imediatas e urgentes à democracia, aos grupos vulneráveis, aos direitos humanos e ao meio ambiente, a Rede Sustentabilidade recomenda que seus filiados e simpatizantes não destinem nenhum voto ao candidato Jair Bolsonaro e, isso posto, escolham de acordo com sua consciência votar da forma que considerem melhor para o país."

Finalmente, faço apenas o comentário de que a oposição a qualquer dos novos presidentes precisará ser sempre inteligente e construtiva, sem jamais lesarmos os interesses do país. Menos ainda ser uma conduta interesseira para amanhã um partido obter um ministério ou cargos para seus afiliados. Logo, essa é a linha que pretendo seguir, sem fazer campanha a nenhum dos candidatos, mas atuando como observador das eleições, sempre denunciando as coisas erradas, a intolerância e as ideias contrárias aos interesses coletivos.

Ótima noite de quinta-feira a todos e tenham um excelente feriadão!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Uma eleição de grandes surpresas



Conforme a imprensa já noticiou amplamente desde ontem à noite, tivemos umas das mais surpreendentes eleições neste último domingo (07/10) e que impactou profundamente o quadro político brasileiro. 

Na corrida presidencial, com as urnas apuradas, Bolsonaro (PSL) teve quase 50 milhões de votos enquanto Haddad (PT) superou os 30 milhões. Ambos irão disputar o segundo turno no dia 28/10 e teremos uma rivalidade pela Presidência do país qual nunca houve desde 1930.

Por sua vez, a nova legislatura na Câmara Federal será composta por 513 deputados federais de 30 partidos diferentes, sendo que tanto o PT quanto o PSL elegeram o maior número de representantes, com os números de 56 e 52 parlamentares respectivamente. Ou seja, serão os dois partidos com mais federais eleitos, seguidos pelo PP (37), MDB (34) e PSD (34), enquanto o meu partido, o PSDB (a 3ª maior bancada eleita em 2014), caiu para a 9º colocação.
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Fato é que a voz das urnas, desta vez, mesmo sinalizando uma mudança que possa ser para pior (no caso da eleição para presidente), serve de séria advertência para a necessidade de que todos os nossos representantes possam compreender a nova política que tanto precisamos.

Podemos dizer que as eleições agora se regem por uma certa imprevisibilidade em que o político, sem ter o voto consolidado, isto é, sem haver conquistado o eleitor, como Lula e Bolsonaro quanto ao pleito presidencial, acaba caindo numa volatilidade. E aí falo do Lula porque para muitos brasileiros o governo do ex-presidente foi considerado bom, o que explica o rápido crescimento de Haddad a partir da segunda quinzena de setembro.

Realmente o episódio da facada, ocorrido em 06/09, mudou tudo. Pois dificultou os adversários de Bolsonaro a prosseguirem nos trabalhos de desconstrução do candidato. Explicando, a comoção causada no público impediu que os ataques contra ele nas propagandas eleitorais continuassem no mesmo ritmo agressivo. E a este respeito cito aqui os comentários feitos hoje pelo blogueiro Lauro Santos, editor do portal Notícias de Itacuruçá:

"Analisando todos os resultados no país, observa-se que, há quarenta e cinco dias, grande parte dos candidatos citados acima praticamente não tinham chances de vencer, até que sobreveio o episódio da facada no candidato Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora. O efeito desse atentado não só o empurrou para o primeiro lugar nas intenções de votos, mesmo preso a um leito hospitalar até há poucos dias. Todos os que o apoiavam também passaram a receber os reflexos da simpatia indignada do eleitorado com aquele atentado." 

Todavia, se não fosse pelo crescimento do PT, penso que jamais teriam ocorrido os esvaziamentos das candidaturas de Alckmin (PSDB) e de Marina (Rede), em que os eleitores destes acabaram migrando para Haddad e Bolsonaro, sendo que somente o Ciro Gomes (PDT) se manteve estável. E ainda houve os indecisos se definindo na última semana pelo candidato do PSL.

É certo que houve uma espécie de "efeito de Bolsonaro" em quatro regiões do país (e também um "efeito PT" nos estados nordestinos) sobre outros candidatos a governador e às casas legislativas. Tanto é que, como já dito, os dois partidos formaram as maiores bancadas do Congresso nacional, mas que ficou mais fragmentado ainda. 

Por sua vez, a ida para o segundo turno do ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) na disputa para governador daqui do Rio de Janeiro se deu também pela identificação e pelo apoio manifestado por ele a Bolsonaro. Pois, muito embora o Índio da Costa (PSD) e o André Monteiro (PRTB) também fossem apoiadores de mesmo presidenciável, nenhum desses se encaixou nos anseios do eleitor. Talvez  um por ser já conhecido e não ter credibilidade para executar as mudanças desejadas enquanto que o outro foi preterido mais pelo fato de quase ninguém saber quem ele é.

Outro detalhe interessante é que, com a internet, já não há mais tanto valor no tempo de TV a exemplo de campanhas anteriores. Pois o smartphone tornou-se hoje o substituto do velho radinho de pilha do ouvinte do século XX e o que pode ser visto num telejornal agora é encontrado instantaneamente nos inúmeros portais de notícias. E sem esquecermos de que não há mais tanta necessidade de se fazer campanhas caras.

Com os resultados de ontem, acho pouco provável o PT conseguir virar o jogo assim como o Democratas no Rio de Janeiro. Afinal, mesmo com o segundo turno, a diferença entre Haddad e Bolsonaro chega a quase 20 milhões de votos. E, aqui no estado, Wilson Witzel teve ontem mais do que o dobro dos votos válidos em relação ao ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (DEM).

É certo que nem o PT e nem DEM fluminense estão mortos. Porém, nota-se hoje uma tendência consolidada do eleitor em querer dizer não para a velha política. 

De qualquer modo, creio que a governabilidade do novo presidente deverá ser muito difícil visto que agora são 30 partidos representados na Câmara federal e 20 no Senado. Logo, qualquer um que vencer dia 28/10 precisará do "centrão" ao seu lado, o que, sob certo aspecto, não deverá ser tão ruim para poder então temperar a política brasileira hoje radicalizada.

Embora as eleições presidenciais influenciem muito pouco as suplementares de algumas pequenas cidades que escolherão novos prefeitos dia 28 (a exemplo da minha Mangaratiba), eis que a disputa do segundo turno para governador poderá causar algum efeito, caso haja um aliançamento extra-oficial dos candidatos, como já vinha ocorrendo antes. E, em nosso caso específico, durante a campanha de primeiro turno das eleições gerais, no âmbito nacional e estadual, tanto os partidos que compõem a coligação "MANGARATIBA PRECISA MUDAR" quanto os da coligação "SOMOS MUDANÇA" fecharam com Eduardo Paes. Agora, porém, ninguém deverá querer o ex-prefeito da cidade do Rio em seu palanque, mas, sim, o apoio do ex-juiz, o qual obteve aqui dentro no Município mais de 12.500 votos contra menos de 4.000 do adversário.

Vamos acompanhar como as coisas deverão se definir nesta semana, sendo certo que o segundo turno é, na verdade, uma outra eleição.

Ótimo final de segunda-feira a todos!

OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Tânia Regô e Marcelo Camargo da Agência Brasil, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/bolsonaro-e-haddad-tem-agendas-distintas-hoje 

domingo, 7 de outubro de 2018

Meu domingo de eleições



Neste primeiro domingo do mês (07/10), eu e Núbia saímos logo no comecinho da tarde para votar,. Fiz diferentemente das eleições anteriores em que tinha ido às urnas logo de manhã para ficar livre do compromisso, visto que preferi levantar da cama lá pelas dez da manhã curtindo o friozinho que fez neste final de semana, algo atípico para um outubro primaveril no litoral fluminense.

Como as nossas seções eleitorais ficam na própria rua onde moramos, isto é, no Colégio Nossa Senhora das Graças, eis que, em menos de cinco minutos chegamos até lá. Porém, logo notei que os apoiadores de alguns candidatos tinham emporcalhado a via com santinhos, sendo que alguns deles foram os santinhos da filha de um ex-deputado e presidente da Câmara Federal, mas que agora se encontra preso.


No colégio, pegamos duas pequenas filas, sendo que a de Núbia (na seção n.º 0056) demorou mais do que a minha (n.º 0051). Porém, na hora de votar, fui super rápido visto que já tinha decorado os números de todos os meus candidatos. E o que parece ter causado essa demora foi o fato de que os mesários estavam conferindo a biometria dos eleitores, tendo em vista que o DETRAN havia remetido as digitais de algumas pessoas para o TRE.



Neste momento, estou no aguardo a divulgação dos resultados oficiais, o que só poderá ocorrer após às 19 horas, tendo em vista que as eleições ainda estão acontecendo no extremo oeste do país, mais precisamente no Acre e oeste do Amazonas. Porém, segundo o acompanhamento do portal de notícias do G1, no pleito para governador aqui no Estado do Rio de Janeiro, estou surpreso com o desempenho do candidato do PSC, o ex-juiz federal Wilson José Witzel (PSC). Não esperava que ele viesse a ser tão bem votado!

Assim que tiver as informações oficiais, pretendo até amanhã escrever uma nova postagem comentando os resultados das eleições. E agora, passado o primeiro turno, devo focar mais no pleito suplementar para prefeito aqui de Mangaratiba, o qual será realizado em 28/10 (mesma data do segundo turno para governador e presidente).



Ótimo final de domingo a todos!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Como voto para o Legislativo



Várias vezes aqui já postei escrevendo sobre as eleições presidenciais que teremos no dia 07/10. Porém, no domingo, o cidadão brasileiro irá às urnas também para escolher os seus futuros deputados estaduais, deputados federais e dois senadores. 

Dois senadores? Sim! Exatamente. Pois, desta vez, serão dois representantes de cada estado que terão o mandato de oito anos. Isto é, até o final de 2026, caso não venham depois a ser eleitos para outro cargo, cassados, presos ou renunciarem.

Logicamente que isso não é o que desejamos de nenhum dos nossos representantes nas casas legislativas. Pois o que esperamos deles são atitudes de honestidade, que fiscalizem o Executivo, aprovem leis justas, discutam com propriedade os temas de interesse da coletividade, manifestem boas ideias através das proposições apresentadas, bem como mantenham um diálogo frequente e transparente com os representados.

Para este ano, confesso que resolvi apoiar quem já vem fazendo algo de concreto pela sociedade, apesar de muitos dizerem por aí ser necessário "renovar" os deputados e senadores. Assim, para deputado estadual e federal, resolvi ajudar a reeleger, respectivamente, o Luiz Paulo (n.º 45678) e o Otávio Leite (n.º 4555), ambos do meu partido.



Embora tenhamos outros candidatos em nossa nominata que nunca tiveram mandato de deputado, tenho acompanhado os trabalho desses dois e não tive a oportunidade de investir na candidatura de representantes regionais do PSDB daqui da Costa Verde que sigam uma linha com a qual eu me identifico. 

No caso do deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, trata-se de um político que tem história, com 72 anos de idade, e que vem conduzindo o seu mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) com muita sabedoria, mantendo-se firme na oposição e fiel aos seus princípios éticos. Tem se dedicado intensamente à luta contra a indústria das multas, à defesa do servidores públicos e ao combate aos abusos e arbitrariedades do Executivo Estadual, além de ser autor de mais de 70 leis aprovadas, dentre as quais destaco as seguintes:

Lei 4.886/2006: determina que os órgãos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsáveis pelo licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, considerados potencialmente poluidores, que possam causar degradação ambiental, não poderão iniciar os procedimentos inerentes à concessão da licença ambiental, caso não exista Lei que defina o zoneamento e o ordenamento do uso do solo para o município a que se destina o referido empreendimento

Lei 4943/2006: elabora o Plano Diretor Metropolitano de Resíduos Sólidos, a fim de oferecer a disposição final adequada para resíduos sólidos.

Lei 4430/2004: proíbe a comercialização de pneus importados que sejam recauchutados e remodelados no Estado do Rio

-  Lei 4952/2006: inclui nos boletins de ocorrência de acidentes de trânsito com vítimas, os procedimentos necessários para o recebimento de indenização a ser paga pelo Consórcio de Seguro Obrigatório – DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre)

Lei 5612/2009: autoriza que o Estado ofereça o programa com sugestões metodológicas como planejamento familiar, acidente de trânsito, prevenção ao uso de drogas, noções de ética, moral e cidadania.

Lei 4.582/2005: determina que os exames sejam realizados no berçário das maternidades e de hospitais públicos.

Quanto ao Otávio Leite, este tem forte atuação nas áreas do empreendedorismo, do turismo, da defesa das pessoas com deficiência, da cultura, dos esportes, da educação física e da educação em geral. Além de que ele é autor da "PEC da Música", o que deve garantir isenção de ISS para toda a produção musical, sendo os seus principais projetos de lei federal os seguintes, segundo o meu entender:

- Projeto de Lei Federal Complementar nº 467, de 2009: estabelece ajuste anual do valor de enquadramento de microempresa, de empresa de pequeno porte e do microempreendedor, bem como das tabelas anexas respectivas, e dá outras providências.

- Projeto de Lei Federal nº 5058 de 2009: institui o direito ao Brasileiro residente no exterior, de votar para Presidente e Vice-Presidente da República, Senador da República e Deputado Federal de seu estado de origem eleitoral, ou de origem natal, a seu juízo previamente definido e dá outras providências.

- Projeto de Lei Federal nº 5059 de 2009: estabelece procedimento facilitador para a acessibilidade na comunicação telefônica, através de SMP – Serviço Móvel Pessoal, para pessoa com deficiência auditiva e da fala em cumprimento ao inciso XIV do Art. 24 da Constituição Federal.

- Projeto de Lei Federal nº 5409 de 2009: estabelece que os programas de fomento, apoio e incentivo à cultura, empreendidos pela administração federal, possam se estender a atividades e projetos que objetivem o desenvolvimento do Turismo Receptivo Brasileiro, nos termos desta Lei.

- Projeto de Lei Federal nº 6520 de 2009: altera a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional – LDB, para dispor sobre educação física no ensino infantil, fundamental e médio.

- Projeto de Lei Federal Complementar nº 558, de 2010: permite a inclusão das clínicas veterinárias no SIMPLES, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

- Projeto de Lei Federal nº 249 de 2013: acrescenta dispositivos à Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, para que possam emitir títulos mobiliários nas condições que especifica, e dá outras providências.

- Projeto de Lei Federal nº 3674 de 2012: cria incentivos para a abertura e funcionamento da “Primeira Empresa”, da “Primeira Empresa para Economia Verde”, e dá outras providências.

Fora isso, Otavio Leite é o autor da alteração na lei eleitoral que obrigou os partidos políticos, no registro de candidatos no TSE, a apresentar suas promessas de campanha. Atuou como relator da Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital, que vai regulamentar as lan houses e criar parcerias delas com a Administração Pública para fins pedagógicos. Participou como membro da PEC da Reforma Tributária e articulou a aprovação dos projetos que autorizam os tribunais de Justiça a recorrerem a videoconferências para ouvir presos sem precisar tirá-los dos presídios. E devem ser destacados os seus trabalhos em prol da ratificação da Convenção internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e da sanção da Lei Geral do Turismo.

Finalmente, apresento os meus dois senadores, ambos nomes apoiados pela coligação integrada pelo PSDB: Aspásia Camargo (n.º 455) e César Maia (n.º 255). 


Sobre a Aspásia, eu a conheci na campanha de 2002, quando ela foi candidata ao governo do Estado pelo Partido Verde (PV). Além de socióloga e professora, considero-a uma ambientalista atuante e que já teve mandatos Legislativo: vereadora duas vezes na cidade do Rio de Janeiro (2004-2010) e deputada na ALERJ (2011-2014).

E, em relação ao César Maia, trata-se de uma figura pública conhecida em quase todo o país, visto que já foi prefeito da cidade do Rio de Janeiro. É o pai do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia e vem disputando uma vaga no Senado desde 2010. Atualmente, exerce um segundo mandato consecutivo de vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e acredito que, desta vez, será eleito. Aliás, o seu nome vem aparecendo em primeiro lugar nas pesquisas.


Tendo em vista o preocupante quadro de polarização na sociedade brasileira, em que corremos o sério risco de que algum presidente vindo dos extremos da política governe o Brasil, precisamos eleger candidatos de centro ao Legislativo. Pois, quer venhamos a ser governado por Bolsonaro ou pelo PT, poderemos preservar os valores democráticos da nossa república através dos parlamentares.

Portanto, desejo a todos que tenham um excelente final de semana, ficando na torcida para que as eleições sejam tranquilas e bem sucedidas em todo o país.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A quem deve ser dado o "voto útil"?



Daqui a três dias, 140 milhões de brasileiros estarão indo às urnas a fim de escolher o próximo presidente do Brasil. Ou, conforme indicam as pesquisas de opinião, quem serão os dois nomes que irão disputar o segundo turno das eleições previstos para 28/10.

Nessa reta final, surge então a ideia do chamado "voto útil", também conhecido como voto tático, que seria a definição do eleitor por um determinado candidato que não seja de seu interesse apenas para que um outro concorrente rejeitado deixe de vencer o pleito. Trata-se, pois, de uma estratégia que muitas das vezes pode dar certo ou ser um "tiro no pé".

Segundo a pesquisa IBOPE divulgada nesta quarta-feira (03/10), na qual foram ouvidos 3.010 eleitores na segunda-feira e na terça-feira, estes foram os seguintes resultados que, a princípio, isolam os dois primeiros colocados dos demais presidenciáveis:

- Jair Bolsonaro (PSL): 32%

- Fernando Haddad (PT): 23%

- Ciro Gomes (PDT): 10%

- Geraldo Alckmin (PSDB): 7%

- Marina Silva (Rede): 4%

- João Amoêdo (Novo): 2%

- Henrique Meirelles (MDB): 2%

- Alvaro Dias (Podemos): 1%

- Cabo Daciolo (Patriota): 1%

- Guilherme Boulos (PSOL): 0%

- Vera Lúcia (PSTU): 0%

- João Goulart Filho (PPL): 0%

- Eymael (DC): 0%

- Branco/nulos: 11%

- Não sabe/não respondeu: 6%  

Ocorre que tanto o primeiro colocado quanto o segundo já acumulam uma alta rejeição. A de Bolsonaro seria de 42% enquanto a do petista 37%. Ou seja, há eleitores que não aceitam a figura grotesca do deputado do PSL, considerado uma mistura do Presidente norte-americano com o filipino, Rodrigo Duterte (conhecido por encorajar os cidadãos a matarem toxicodependentes), ao mesmo tempo em que outros não suportariam a volta do PT.

Assim, devido a esse isolamento dos dois primeiros colocados, há eleitores que já se antecipam numa prematura decisão por Bolsonaro, o qual vem pedindo o voto útil contra o PT com a justificativa de se evitar um "desgaste" no segundo turno: 

"Você tem como pegar até dentro da própria família, alguém que vai anular o voto ou vai votar em branco ou em outro candidato, que pratique o voto útil, vote na gente. Nós devemos resolver essa fatura no primeiro turno, para não termos o desgaste no segundo turno" 

Porém, trata-se de um raciocínio equivocado! Pois, conforme as simulações das pesquisas, Bolsonaro perderia para Haddad no segundo turno, assim como não ganharia de Ciro Gomes e nem de Alckmin. Senão vejamos os números de hoje do IBOPE divulgados pelo portal de notícias G1, com margem de erro de dois pontos percentuais:




Por sua vez, fica evidenciada que um nome de centro teria mais chances de êxito, sendo que Bolsonaro ainda não teria condições de definir já no primeiro turno a sua vitória. Isto porque, se formos calcular os votos válidos, em que são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos, os números seriam estes:

- Jair Bolsonaro (PSL): 38%

- Fernando Haddad (PT): 28%

- Ciro Gomes (PDT): 12%

- Geraldo Alckmin (PSDB): 8%

- Marina Silva (Rede): 4%

- João Amoêdo (Novo): 3%

- Henrique Meirelles (MDB): 2%

- Alvaro Dias (Podemos): 2%

- Cabo Daciolo (Patriota): 2%

- Guilherme Boulos (PSOL): 1%

- Vera Lúcia (PSTU): 0%

- João Goulart Filho (PPL): 0%

- Eymael (DC): 0%

Portanto, como o Bolsonaro não terá condições de receber mais da metade dos votos válidos para vencer no primeiro turno, fica bem claro que o melhor candidato para derrotar Haddad, em  dia 28/10, seria um concorrente de centro. Porém, teria que ser o terceiro ou o quarto colocado nas pesquisas, desde que o presidenciável se mostre capaz de unir o país.

Verdade seja dita é que nenhuma pessoa de bem quer ver o Brasil novamente governado pelo PT e tão pouco passando por um indesejável retrocesso histórico de extrema direita. Incluive, como bem expôs Geraldo Alckmin a um grupo de empresários em São Paulo, Bolsonaro poderá ser ainda pior do que se Haddad vencer.

De qualquer modo, mesmo considerando que nenhum presidenciável deverá abrir mão de sua candidatura em benefício de outro, continua sendo prematuro dar o voto útil em favor de um dos dois primeiros. Pois todos os que estão na disputa precisam pontuar em termos de sufrágios e fazer dos números obtidos em primeiro turno um quantitativo de negociação de apoio para uma nova composição de forças visando a obtenção de um resultado prático na votação de 28/10 tanto para presidente quanto para governador. E aí, mesmo se não for possível ter um candidato moderado no segundo turno, pode-se pensar em temperar as duas candidaturas.

Que haja sensatez e sabedoria do eleitor nestes últimos dias que antecedem as eleições!