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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Refletindo sobre a necessidade da prisão





Amigos,

Gostaria de compartilhar o que penso sobre as penas privativas de liberdade, as quais tiveram suas origens nos velhos mosteiros medievais, o que, certamente, serviu de inspiração para, na segunda metade do século XVI, fosse construída em Londres aquilo que poderia ser chamada de primeira penitenciária do mundo. Era a House of Correction (“Casa da Correção”), destinada a abrigar quem vivesse na vagabundagem ou na mendicância como nos mostra Gilberto Ferreira:

“Na Inglaterra, em Bridewell, por volta do ano de 1552, protestantes se utilizaram de um velho castelo para alojar vagabundos e mendigos, cujo empreendimento em 1575 passou a chamar-se House of Correction e inspirou o legislador em 1576 a determinar que os outros condados também tivessem um estabelecimento daquela espécie. A Holanda, que não tinha galeras, criou o seu estabelecimento prisional em 1595 para homens e em 1598 para mulheres. Em 1656 foi a vez da França levantar o seu cárcere para deter vagabundos e miseráveis. Na Itália, por iniciativa do Papa Clemente XI, é construído em 1703 o Hospício de São Miguel que se destinava também a menores delinqüentes.” (Aplicação da pena. Rio de Janeiro: Forense, 1995, pág. 33)


Quando vejo pessoas raivosas querendo ver políticos presos, fico a pensar se, por acaso, a Inquisição já acabou mesmo?


Pois bem. Isso é o que indagava o meu falecido professor da faculdade, Dr. Ronaldo Leite Pedrosa de cujo livro “Direito em História” retirei importantes aprendizados.

Como juiz criminal o Dr. Pedrosa era muitas vezes questionado na Comarca de Nova Friburgo por sua aversão às prisões. Porém, nem sempre as pessoas eram capazes de alcançar os seus lógicos motivos por estarem elas emocionalmente envolvidas com os histéricos discursos pelo recrudescimento das penas, os quais continuam sendo constantemente propagados pelo sensacionalismo da mídia como se fossem a solução para a violência. Só que os argumentos do saudoso mestre sempre me pareceram bem plausíveis como podemos ler em sua obra a falar da necessidade da pena e da prisão, mencionando o milanês Cesare Bonesana, o Marquês de Beccaria (1738-1794):

“Numa época em que verificamos as estéreis e histéricas campanhas 'de lei e de ordem', quando a cada crime que envolve vítimas de destaque na sociedade se propõe o endurecimento das penas, inclusive (como se possível fosse...) a adoção da pena de morte, a leitura de BECCARIA nos faz refletir sobre a experiência do passado, que não deve ser esquecida. Não é a pena endurecida de prisão que diminuirá a criminalidade. Sabe-se bastante desgastada a afirmação de que a cadeia apenas destrói um pouco mais o ser humano. Gasta-se muito para piorar as pessoas, com o sistema carcerário.” (Direito em história. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, pág. 254)


É justamente Beccaria quem explicitou ser a necessidade o fundamento para que seja aplicada a pena restritiva de liberdade. É o que consta em sua clássica obra “Dei Delitti e delle Pene” (1766). Ali este célebre pensador, inspirado pelos ideais iluministas de sua época assim argumenta:

“Não bastava, porém, ter formado esse depósito; era preciso protegê-lo contra as usurpações de cada particular, pois tal é a tendência do homem para o despotismo, que ele procura, sem cessar, não só retirar da massa comum sua porção de liberdade, mas ainda usurpar a dos outros (…) Por conseguinte, só a necessidade constrange os homens a ceder uma parte de sua liberdade; daí resulta que cada indivíduo só consente em pôr no depósito comum a menor porção possível dela, isto é, precisamente o que era necessário para empenhar os outros a mantê-lo na posse do resto.” (Dos delitos e das penas. Tradução de Flório de Angelis. São Paulo: EDIPRO, 1993, pág. 17)


Dentro desta visão que busca resgatar valores essenciais do ser humano, pode-se concluir que a prisão de alguém apenas é justificável se for uma medida indispensável para assegurar a vida, a integridade física e a liberdade das demais pessoas dentro da sociedade. É algo que não pode ter nenhum caráter retributivo ou punitivo, mas tão somente o objetivo de impedir pessoas potencialmente perigosas de incidirem novamente em suas agressões, sendo óbvio que, em regra, não há nada de pedagógico numa cadeia.

Observa-se que, atualmente, ainda existem muitos delitos na legislação penal brasileira onde a perda da liberdade é aplicada sem que haja uma justificativa lógica. Pois, pelo fato de vivermos dentro de uma sociedade patrimonialista que legitima a propriedade privada, crimes como o furto ainda são punidos com prisão, bem como o estelionato, o tráfico de drogas, o contrabando, o desacato á autoridade, a falsa identidade, o peculato e outros tipos penais. E, isto se vê mais ainda no Código Militar onde a abrangência das condutas reprimidas desta maneira chega a ser maiores com uma equivocada finalidade disciplinar.

O pior de tudo é quando se usa da prisão preventiva arbitrariamente como um instrumento para satisfazer as angústias populares nos crimes de grande repercussão onde autoridades sensacionalistas nem ao menos respeitam o “In Dubio Pro Reo”. Pois tais atitudes têm se revelado inúteis para a solução das causas do delito praticado e, na prática, acabam sendo uma espécie de vingança onde o cidadão economicamente explorado sente-se psicologicamente compensado ao assistir na TV imagens do suposto criminoso conduzido com algemas por um camburão policial. Principalmente quando se trata de um político suspeito de ter desviado o dinheiro público, em que a corrupção é abordada como se fosse o principal motivo das problemas sociais, não um reflexo do próprio sistema injusto e desigual que governa o Brasil.

Outro aspecto igualmente nocivo das prisões tem sido a mácula imposta sobre a pessoa condenada pela Justiça. Ao deixar os portões da penitenciária, o indivíduo não consegue livrar-se facilmente da infâmia e terá uma enorme dificuldade para obter a aceitação das pessoas, conquistar um novo emprego e conviver socialmente. Logo, muitos ex-detentos acabam retornando à criminalidade por causa do preconceito e da hipocrisia ainda reinantes neste maravilhoso país onde até o fato de ser processado já se torna um enorme peso social.

Concluo este texto compartilhando a ideia de que este circo romano um dia vai ter que terminar e que a sociedade precisa tornar-se consciente de que não pode abrir mão facilmente de sua liberdade caindo na demagogia do discurso de determinados políticos oportunistas defensores da pena de morte ou do aumento das prisões. E assim espero que, ainda na primeira metade deste século XXI, venhamos a construir um futuro com poucas cadeias e menos algemas.

Finalmente, no que diz respeito ao cerceamento da liberdade do ex-presidente Lula, hoje chego a conclusão de que mante-lo na carceragem da Polícia Federal não está se mostrando necessário e nem resolvendo o problema da corrupção. Acho que ele deve sim responder por seus atos, porém sofrer uma pena que seja adequada. Talvez a prisão domiciliar neste momento seria uma solução.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em seu desabafo, Ciro reconheceu que Serra é mais preparado do que Dilma

Uma das ocasiões em que o ser humano consegue ser mais sincero nas suas afirmações é quando ele é derrotado e se sente arrasado, decepcionado e com suas expectativas frustradas. Nesta entrevista de Ciro Gomes no SBT Brasil, ele declarou que Lula perdeu a humildade, reconhecendo que José Serra é de fato o candidato mais preparado para governar o Brasil.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Críticas de César Maia ao PNDH-3

Mesmo não concordando com 100% do que César Maia diz, vejo procedência em muitas das suas críticas ao PNDH-3. Minha preocupação maior é quanto à tentativa de controle da imprensa através do governo, um passo estratégico para a implantação do regime chavista no país pelo PT e fragilizar mais ainda a democracia brasileira. Infelizmente esta mensagem não alcança a maior parte da nossa população que é capaz de trocar sua liberdade por "um prato de lentilhas". Logo, precisamos abrir os olhos porque certamente o PT não está trabalhando apenas pela eleição da Dilma, mas pretende também colocar em Brasília um número grande de congressistas de esquerda, principalmente no Senado. Em São Paulo Lula está investindo muitos recursos nos candidatos do PT e do PCdoB. Ora, será que povo brasileiro seguirá os mesmos passos de Esaú quando vendeu por tão pouco a sua primogenitura?


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Será esta a história que os nossos bisnetos contarão?

O ano era 2080 e os alunos estavam reunidos para mais uma aula de História. Sentados em meio círculo em volta de um telão interativo, todos aguardavam a professora terminar a chamada.

- Bom dia, alunos. Vocês estudaram a lição sobre o fim da era do petróleo?

Naquele mesmo instante, ao comando da voz da professora, apareceu no telão um mapa do político do mundo do começo do século XXI. Foi quando Marcelo levantou a mão para perguntar.

- Que país é aquele ali na América do Sul?

- Qual deles, Marcelo?

- Um que ocupa a maior parte do continente e aparece na cor verde.

- Bem. Este aqui era o Brasil. Ainda não ensinei a vocês sobre a história desse país, mas o programa prevê duas aulas sobre a América Latina.

Luísa interrompeu:

- Brasil! Terra do samba e do futebol?

- Não só de samba e futebol. - comentou a professora - O Brasil também era uma terra de muito verde, com belas praias, uma grande diversidade de animais e de ecossistemas tropicais.

- Era lá que ficava a floresta Amazônica? - perguntou José.

- Sim. A maior parte da antiga floresta, mas que também abrangia partes da Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas, compreendendo a bacia hidrográfica daquele que era o maior rio do mundo.

- E o que aconteceu com esta floresta? - indagou novamente José.

- Foi praticamente aniquilada pela ganância humana. Os governos brasileiros deixaram que as matas fossem cortadas e queimadas. No lugar das árvores plantaram soja e capim para a criação de gado. Depois de algumas décadas, várias partes do continente se transformaram em desertos, restando uma tórrida savana e trechos de mata acompanhando o rio principal. Muitas nascentes secaram e o Amazonas perdeu um percentual do seu volume de água.

- E ninguém fez nada? Deixaram que os brasileiros destruíssem esse patrimônio natural da humanidade? - questionou Débora.

- Infelizmente, não. Algumas ONGs e ativistas protestaram, mas os presidentes e deputados do Brasil pareciam não se importar. Os órgãos ambientais fingiam que fiscalizavam e nem sempre tinham condições de agir. Havia muita corrupção naquela época e os políticos estavam só afim de roubar.

- Foi assim que o Brasil se acabou. - disse Luíza.

A professora pensou por um breve instante e comentou:

- Não, Luíza. Foi assim que o Brasil começou. Desde o século XVI, os colonizadores do Brasil só queriam saber de roubar. Proclamaram a independência e os políticos continuaram roubando. Depois veio a república e nada mudou até que, em 1989, surgiu um candidato a presidente prometendo que iria prender os corruptos. Seu slogan era "caçador de marajás".

Interpretando literalmente a voz da professora, o sistema do telão exibiu figuras desenhadas que lembravam os marajás da antiga civilização indiana.

- Já sei! A senhora vai falar do Lula, não? - interveio Pedro.

- Ainda não. Estou me referindo ao Collor. O Lula até disputou as eleições com ele, foi para o segundo turno, mas perdeu naquele ano.

Uma imagem dos presidenciáveis de 1989 apareceu no telão da sala.

- Mas deve ter sido uma decepção e tanto, professora. Imagine um cara dizer que iria acabar com os corruptos e depois resolver exterminar os marajás. Imaginem quanta gente não deve ter morrido quando o Brasil resolveu declarar guerra à Índia. - interveio Michele.

A professora ficou emudecida com as palavras da menina enquanto Rafael, um aluno repetente, caiu na gargalhada e aproveitou para descontar na colega a sua frustração:

- Sua burra! Em 1980 nem existiam mais marajás na Índia e o Brasil nunca declarou guerra a um país asiático.

Repreendendo a atitude do aluno, a professora explicou quem eram os tais marajás:

- Michele, marajá era um apelido que Collor e a imprensa da época deram às pessoas que acumulavam altos salários e aposentadorias do governo através dos favores da política, bem como os corruptos. Collor dizia que iria combater os marajás, mas se tornou mais um deles até que, em 1992, resolveram fazer seu impeachment.

- Já sei! Foram os caras-pintadas! - exclamou Luíza.

- Também. - prosseguiu a professora - Mas foi graças à mídia e aos que também estavam interessados no poder. Depois da saída do Collor, os que pediram sua cabeça também se acharam envolvidos com corrupção. Primeiro foram Ibsen Pinheiro e os "Anões do Orçamento" e, no final, a própria quadrilha do PT.

- E o Collor depois não apoiou o Lula? - perguntou Pedro.

- Exatamente! Depois do período em que foi penalizado sem poder exercer seus direitos políticos, Collor conseguiu ser eleito senador. Em 2010, quando Lula lançou Dilma Rousseff para presidente, Collor estava com ela apoiando sua candidatura no Alagoas.

- Foi por causa dela que o Brasil acabou? - quis saber Rita.

- Não só por causa da Dilma, mas sim porque o Partido dos Trabalhadores e grande parte da nação cometeram o maior erra da história - explicou com tristeza a professora.

O telão exibiu o símbolo do PT e a professora fez uma pausa.

- O Brasil não soube valorizar o que havia de mais precioso. - continuou - Por causa da ganância o governo explorou petróleo irresponsavelmente nas camadas mais profundas do Oceano Atlântico, aquecendo mais a atmosfera e matando muitas espécies marinhas. O país tornou-se um dos principais poluidores do planeta.

- Professora, essa atividade econômica não gerou riquezas para a população brasileira? - perguntou Pedro.

- Sim. Gerou riquezas, mas que não foram distribuídas, as quais ficaram nas mãos de poucos, isto é, dos políticos e das empresas que se beneficiavam com o Estado brasileiro. As verbas destinadas para o bem estar social eram desviadas, as crianças passavam de ano sem aprender direito e as pessoas morriam aguardando atendimento nos hospitais públicos.

- Então qual foi o fim do Brasil? - indagou Taís enquanto abria seu lanche de algas comestíveis cultivada artificialmente.

- Por causa do PT o país ficou com uma elevada dívida pública. A moeda estava sobrevalorizada e os importados custavam menos do que os produtos da indústria brasileira. A iniciativa privada estava sem fôlego e quase todo mundo queria ser funcionário público. Quando o mundo parou de usar petróleo, a moeda se desestabilizou e a inflação voltou. Então, com a economia quebrada e a natureza destruída, o governo precisou pedir empréstimos ao FMI. Porém, o mundo não tinha mais dinheiro e o planeta estava passando por um interminável caos devido aos problemas climáticos com ondas de 100 metros, furacões, ondas de calor intenso e enchentes. Além do mais, a sociedade internacional estava bastante insatisfeita com o Brasil. - finalizou a professora desligando o telão.

O sino tocou e todos os alunos foram para o intervalo descansar. José e Débora foram juntos para a câmara de bronzeamento.

- Eu não sabia que o mundo de nossos avós tinha se acabado por causa do Brasil. - compartilhou Débora.

- Nem eu! - disse José - Pois sempre pensava que os grandes vilões da História fossem apenas os Estados Unidos e a China. Hoje vi que o Brasil foi um dos responsáveis por estarmos vivendo confinados nesta mega-espaçonave vagando pela imensidão celeste enquanto a natureza do planeta Terra se recompõe sem a interferência do homem.

- Pode ser que daqui uns 100 anos o clima fique mais estável na Terra e aí nossos bisnetos poderão voltar a morar lá em segurança.

- Como pretendo fazer engenharia ambiental pode ser que eu tenha a oportunidade de conhecer o planeta de origem da nossa espécie viajando numa dessas missões ecológicas de reintrodução de espécies animais previstas para começar daqui uns vinte anos.

- Não quero que você vá, José. Tenho medo de te perder. Prometemos que iríamos nos casar. Além do mais, a Terra ainda está contaminada com radioatividade por causa das bombas atômicas que o Irã explodiu no Oriente Médio.

- E parece que o Brasil foi cúmplice do programa nuclear iraniano.

- Vamos tirar essa dúvida com a professora, mas parece que sim.

- Bem que poderia existir uma máquina do passado, não é mesmo?

- Mas por que, amor?

- Porque, se fosse possível voltar no tempo, eu diria para todos os brasileiros não votarem no PT nas eleições de 2010.

- E eles votariam em quem?

- Na Marina Silva do Partido Verde. Uma lista do jornal britânico "The Guardian" colocou-a como uma das 50 pessoas que podiam ajudar a salvar o planeta...

- Vamos voltar pra aula! O sino vai tocar daqui a pouco e hoje temos o teste de física daquele professor maluco.

- Não acho ele maluco. Foi o professor Heitor quem convenceu o conselho dos povos da espaçonave que não compensava viajarmos para outras constelações a procura de novos planetas habitáveis. Ele provou com a sua tese de que poderíamos viajar pelo espaço numa velocidade super rápida capaz de abreviar o tempo para os habitantes da nave, projetando-nos para o futuro.

- E estamos vagando pelo espaço do mesmo jeito!

- Tá! Mas pelo menos não iremos repetir os mesmos erros sujando os planetas dos outros.