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sexta-feira, 26 de maio de 2017

A polêmica sobre a internação compulsória dos dependentes químicos




Por esses dias, o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), passou a ser duramente atacado por pretender internar à força usuários de crack que ficam perambulando pelos logradouros públicos procurando por substâncias entorpecentes. O pedido do Município, que atualmente se encontra na Justiça a fim de buscar e apreender "pessoas em estado de drogadição, que vagam pelas ruas da cidade de São Paulo", encontra-se pendente de análise, mas tem sido criticado tanto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) como pela Defensoria Pública de lá. 

Na quarta-feira (24/05), os promotores de Justiça Arthur Pinto Filho, Eduardo Valério, Eduardo Dias e Luciana Bergamo, bem como os defensores públicos Rafael Lessa e Luiza Lins Veloso, concederam entrevista coletiva na sede do MPSP para explicar quais seriam as divergências das duas instituições em relação ao que vem sendo feito na cracolândia de São Paulo. Na conversa com os jornalistas, Valério enfatizou que a internação compulsória deve ser utilizada em último caso, não como medida inicial. E Luciana, por sua vez, destacou que um dos pontos não considerados pela proposta de Doria seria a singularidade. Ou seja, na opinião dela cada pessoa necessita de um tipo de atendimento específico, o que não estaria sendo observado pelo Município.

Contudo, a Prefeitura diz ser necessária a medida porque os usuários não conseguem mais se conduzir pelas próprias razões, visto que se encontram em tal estado de drogadição (na dependência de drogas), necessitando, pois, de um tratamento extremo com internação contra a vontade deles. E, segundo Doria, a compulsoriedade será o último recurso, pois antes haverá trabalhos de convencimento para que os usuários do crack aceitem procurar tratamento.  

Fato é que São Paulo vem enfrentando o difícil desafio de resolver o problema do crescimento do número de dependentes do crack, os quais se espalham por várias regiões do Município, principalmente, pelo Centro da cidade. Por conta disso, tem sido cada vez mais difícil e perigoso andar por algumas áreas da capital paulista pois os viciados ficam a vagar pelas ruas ou se juntam para fumar crack em calçadas, esquinas e praças, além de roubarem pessoas, praticarem furtos bem como invadirem residências.

Na tarde desta sexta (26/05), o Jornal Hoje da Rede Globo exibiu uma excelente reportagem mostrando como que Nova Iorque conseguiu resolver há quase trinta anos atrás o problema da epidemia do crack, sendo que lá as internações compulsórias também foram utilizadas. Pois quem não se lembra, o Bryant Park, no coração de Manhattan, entre as ruas 40 e 42, havia virado um mercado de drogas a céu aberto cercado por traficantes, viciados e mendigos nos anos 80. Atualmente, porém, a região está plenamente recuperada graças à política de tolerância zero do então prefeito novaiorquino, Rudolph W. Giuliani, em que punições automáticas foram estabelecidas para qualquer tipo de infração, como as pichações, por exemplo. 

Igualmente, acredito que, com uma legislação mais dura, combinada com uma ação policial respaldada por uma semelhante política de tolerância zero, incluindo aí a internação compulsória dos dependentes químicos, acredito ser possível mudar esse quadro desolador tanto na capital paulista como em outras cidades brasileiras. Por isso, eu aplaudo de pé as corajosas iniciativas de João Dória e espero que certas instituições de defesa dos direitos humanos não o impeçam de solucionar a situação da maneira mais objetiva e certeira para o bem de todos.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Marcelo Camargo/ Agência Brasil.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Quem poderá substituir Temer?!




Esta postagem para alguns pode parecer prematura e pra outros reacionária, mas é preciso que o país reflita sobre o assunto tendo em vista que a saída de Michel Temer é algo bem possível de ocorrer e, a meu ver, necessária para a nossa estabilização política.

Como já havia esclarecido no artigo Temer deveria ter a dignidade de renunciar, de 19 de maio de 2017, de acordo com o artigo 81 da Constituição Federal, por faltarem menos de dois anos para o fim do mandato, a eleição para um eventual mandato tampão seria feita pelos deputados e senadores no prazo de 30 (trinta) dias depois da vacância no cargo. Assim sendo, através deste pleito, é que o país teria a oportunidade de escolher um nome de consenso e totalmente livre das investigações para dar mais tranquilidade ao cenário.

Mas quem seria esse nome?

Qual deve ser o perfil do novo presidente?

Que legitimidade ele teria para fazer as reformas?

E o que esperar desse período até o final de 2018?

O primeiro nome que me vem à mente seria o de Cristovam Buarque (PPS-DF). Nascido em Recife, no dia 20 de fevereiro de 1944, o senador é um engenheiro mecânico, economista, educador e professor universitário. Foi reitor da Universidade de Brasília de 1985 a 1989 e governador do Distrito Federal de 1995 a 1998. Elegeu-se para o Senado pela primeira vez em 2002, tendo sido depois Ministro da Educação entre 2003 e 2004, no primeiro mandato de Lula. Porém, rompeu com o governo e se lançou a presidente em 2006 junto com o amazonense Jefferson Peres . No pleito de 2010, foi novamente eleito para o Senado, com mandato até 2018.



Sua candidatura a presidente se justificaria porque se trata de um homem íntegro (sem estar envolvido em processos de corrupção), democrata, aberto ao diálogo, ao mesmo tempo com coerência e sensibilidade pelas questões sociais de modo que poderia ser um nome consenso entre direita e esquerda no Congresso. Sem esquecer que o seu partido, o PPS, estava integrando até pouco tempo a base do governo de Temer e se porta com responsabilidade dentro da política brasileira.

Porém, como se trataria de uma eleição indireta, a candidatura do senador não estaria comprometida em levar adiante as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo atual governo por faltar legitimidade. Com isso, o novo presidente apenas iria por esses assuntos em discussão para que a sociedade possa tomar consciência da importância de repensar as relações trabalhistas bem como de estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria, o que precisa ser feito por meio de amplos debates.

Além disso, no curto período em que o país seria governado pelo novo presidente, seria também discutida uma reforma política em que consultas populares poderão ser feitas, entre elas a ideia de mudarmos o nosso sistema presidencialista para o parlamentarismo. Isto sem esquecer da importância da cláusula de desempenho eleitoral mínimo para o funcionamento dos partidos políticos, da adoção do voto distrital misto e do fim das coligações proporcionais.

De qualquer modo, creio que o substituto de Temer precisará ser o oposto do atual governante que, lamentavelmente, tem sido, no mínimo, um sujeito complacente com a corrupção em que nenhum réu ou pessoa investigada por crimes seriam nomeadas para cargos de confiança. Pois, como o PSDB já vinha defendendo na época do impeachment de Dilma, é 

"imperativo que o novo governo assegure expressamente que todas as investigações em curso – em especial as empreendidas no âmbito da Operação Lava Jato com foco no combate à corrupção – terão continuidade, sem serem submetidas a constrangimentos de quaisquer naturezas. Também estará garantida a independência funcional dos órgãos de controle externo e interno, como CGU e TCU, e de investigação e persecução criminais, como a Polícia Federal e o Ministério Público." 

E tal assunto obviamente não é para ser posto em debate, mas, sim, para executar de imediato assim como o compromisso "com o combate incessante ao fisiologismo e à ocupação do Estado por pessoas sem critérios de competência", como também já foi defendido pelo PSDB: 

"Ministérios e cargos comissionados devem ser expressivamente reduzidos. Por outro lado, as carreiras típicas de Estado e os gestores públicos devem ser valorizados. Os cargos na administração devem ser preenchidos com base na estrita observância à qualificação técnica do indicado, tendo sempre como norma a busca pela maior eficiência no uso do recurso público e a promoção da meritocracia na administração pública, inclusive em empresas estatais, agências reguladoras e fundos de pensão. As ações do Estado devem ganhar transparência e sujeitarem-se ao escrutínio e à fiscalização da sociedade."

Na área econômica, seria mantido o rigoroso combate á inflação (Meirelles precisa continuar no comando) a fim de se preservar o poder de compra dos salários assim como os programas sociais não retrocederiam. Ou seja, o país prosseguiria na sua caminhada de redução da desigualdade e de promoção de oportunidades.

Como vice de Cristovam Buarque, o Congresso poderia escolher Álvaro Dias (PV-PR). Maçom e ex-tucano, o senador estaria também numa posição de centro embora situado um pouco á direita. Em sua longa trajetória política, iniciada nos anos críticos do regime militar, foi vereador em Londrina (1968), depois deputado estadual (1970-74), deputado federal por dois mandatos (1974-82), senador (1982), governador (1986), novamente senador, nas eleições de 1998, 2006 e 2014, sendo que, atualmente, encontra-se no seu quarto mandato na Casa Legislativa com mandato até 2022.




Apesar de Cristovam Buarque e Álvaro Dias não serem do PSDB (agremiação da qual sou filiado), reconheço que, devido ao desgaste do partido sofrido pelo episódio recente envolvendo o senador Aécio Neves, causa uma certa fragilização num dos mais expressivos partidos da política brasileira. Além de que nós tucanos somos erroneamente vistos como "direita" por boa parte da sociedade, o que causaria grande polêmica para um momento tão delicado.

É certo que a esquerda irá continuar protestando incoerentemente mesmo se o Congresso eleger os dois senadores para um mandato tampão de menos de dois anos. Porém, conforme a postura que vier a ser adotada por eles, formando um governo íntegro e que combateria a corrupção, as manifestações tenderão a se esvaziar.

Finalmente, quando chegarem as eleições de 2018, a população poderá escolher que rumo quer dar ao Brasil. e esta será a oportunidade para o povo com maturidade optar conscientemente pelas reformas trabalhista e previdenciária. Várias consultas já teriam sido realizadas bem como debates amplos no meio social, permitindo uma saudável troca de ideias.


OBS: Créditos autorais das imagens acima atribuídos respectivamente a Murillo Constantino, José Cruz e Antônio Cruz.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Protestos violentos não me representam!




Não imaginava que, no protesto nacional desta quarta-feira (24/05), para o qual alguns amigos meus partiram ontem rumo a Brasília, a manifestação iria terminar em atos de violência e de vandalismo.

No meio de milhares de pessoas boas, defensoras da ordem e da decência, alguns maus elementos infiltrados resolveram depredar prédios públicos e estruturas que compõem a Esplanada na capital federal. Tais baderneiros chegaram a incendiar a área interna dos ministérios da Agricultura, do Planejamento e da Cultura. De acordo com o portal de notícias G1, 

"O primeiro prédio a ser atingido pelo fogo foi o do Ministério da Agricultura, por volta das 15h – as chamas foram extintas cerca de 40 minutos depois. Segundo o Corpo de Bombeiros, o tumulto dificultou o acesso dos carros para combater as chamas. Segundo o ministério, o prédio foi evacuado e não houve registro de feridos. O fogo atingiu o auditório no andar térreo, e fotos de ex-ministros foram quebradas. A Tropa de Choque entrou no prédio para evitar o avanço da depredação."

Informou também a reportagem, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que "sete pessoas foram detidas durante os protestos, suspeitas de dano ao patrimônio público, desacato e porte ilegal de arma". E até às 19:30 horas de hoje, já constava o registro de 49 pessoas feridas, entre manifestantes e policiais militares.

Embora eu compartilhe do mesmo sentimento de indignação dos manifestantes contra os políticos corruptos, sou contra o uso da violência. Esses indivíduos que destroem o patrimônio público não me representam e precisam ser parados pelo uso da força. Inclusive para que as demais pessoas tenham assegurado o direito de protestar pacificamente quanto às ideias que elas acreditam.

Mais do que nunca, precisamos manter a ordem e sermos pacientes nesse processo de limpeza ética da nação através da Operação Lava Jato, do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e dos pedidos de impeachment protocolados na Câmara a fim de que todos os bandidos, tanto os de esquerda como os de direita, sejam punidos pelos seus crimes. 

De qualquer modo, mesmo discordando da conduta criminosa dos que incendiaram os nossos prédios ministeriais, não deixo de compreender os sentimentos de revolta já que os trâmites processuais são lentos, as instituições encontram-se corrompidas e o presidente insiste em se manter no cargo apesar das vergonhosas gravações que vieram à tona graças aos telejornais. Só que é necessário esperarmos os prazos legais, aceitando o cumprimento da Constituição e das demais normas jurídicas estabelecidas. 

Que se faça Justiça nesse país!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-11/apos-tumulto-no-congresso-grupo-segue-pela-esplanada-em-confronto-com-pm

domingo, 21 de maio de 2017

Um terceiro impeachment cada vez mais próximo




Na noite do último sábado (20/05), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu, por 25 votos a 1, aprovar o relatório que recomenda que a entidade ingresse com o pedido de impeachment de Michel Temer. Tal requerimento será protocolizado nos próximos dias na Câmara dos Deputados e deverá se juntar às várias outras representações que já foram apresentadas na Casa Legislativa. Só que, dessa vez, com muito maior peso devido à influência da entidade.

Na opinião do presidente nacional da OAB, o advogado Claudio Lamachia, trata-se de um momento de "tristeza". Segundo ele, 

"Estamos a pedir o impeachment de mais um presidente da República, o segundo em uma gestão de 1 ano e 4 meses. Tenho honra e orgulho de estar nessa entidade e ver a OAB cumprindo seu papel, mesmo que com tristeza, porque atuamos em defesa do cidadão, pelo cidadão e em respeito ao cidadão. Esta é a OAB que tem sua história confundida com a democracia brasileira e mais uma vez cumprimos nosso papel (...) Este é o trabalho de todos os advogados brasileiros. Agradeço aos conselheiros e diretores, assim como à Comissão que, em dois dias, foram chamados a participar de forma direta desse processo. Estamos com o sentimento correto de que agimos com responsabilidade, mas acima de tudo olhando para o Brasil, porque queremos um país melhor para nossos filhos, banindo de nossa sociedade a corrupção. O nosso partido é o Brasil e nossa ideologia, a Constituição"

Para a comissão especial da OAB que analisa o impeachment, o presidente da República infringiu o artigo 85 da Constituição da República e o artigo 116, inciso VI, da Lei Federal n.º 8.112/1990 por não ter informado à autoridade competente o cometimento de ilícitos. Pois, conforme as gravações, o empresário Joesley Batista, quando disse ao presidente haver corrompido três funcionários públicos (um juiz, um juiz substituto e um procurador da República), Temer omitiu-se quanto ao seu dever legal de agir a partir do conhecimento de prática delituosa.

Outra análise é que o presidente da República também teria procedido de maneira incompatível com o decoro exigido do cargo, condição prevista tanto na Constituição da República quanto na Lei Federal n.º 1.079/1950, por ter encontrado-se secretamente com diretor de uma empresa investigada em 05 (cinco) inquéritos. Tal reunião ocorreu em horário bem tardio, por volta das 22 horas e 45 minutos, e fora de protocolo habitual, inexistindo qualquer registro formal na agenda presidencial. 

Ocorre que, além desse decisivo envolvimento da OAB na questão, o presidente Michel Temer está perdendo rapidamente as suas condições de governabilidade. Após uma série de conversas e reuniões reservadas neste fim de semana, integrantes dos partidos da base aliada decidiram aguardar o Supremo Tribunal Federal (STF), no que diz respeito ao inquérito aberto, para definir a saída do governo Temer. Porém, as agremiações governistas não se encontram unidas e os dissidentes, em número cada vez maior, estão pressionando seus líderes para que estes se posicionem pelo rompimento.

Além do seu partido, o PMDB, Temer praticamente só pode contar formalmente com o PSDB e com o DEM já que o PPS praticamente desembarcou do governo enquanto o PSB apenas tem alguns parlamentares rebeldes que ainda permanecem na situação. E mesmo entre os tucanos já existem dissidências sendo uma delas abertas aqui no Estado do Rio de Janeiro, após a Executiva Regional ter se reunido ontem exigindo o seguinte, segundo uma nota assinada pelo deputado Otávio leite: (i) a entrega dos cargos dos ministros do PSDB; (ii) a renúncia de Temer; e (iii) não se efetivando a renúncia, que seja solicitada a abertura do processo de impeachment.




Neste domingo, protestos foram registrados em pelo menos 19 estados e também no Distrito Federal, em que manifestantes foram às ruas pedir a renúncia de Michel Temer. Os atos foram convocados pelo PT e por outros partidos, além da CUT (Central Única dos Trabalhadores), outras centrais sindicais e movimentos sociais. Na capital paulista, um grupo reuniu-se em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) a fim de pedir a saída de Temer e a realização de eleições diretas, o que não tem nenhuma base constitucional. De acordo com os organizadores, compareceram 20 mil pessoas mesmo com a chuva.

É preciso que Temer admita a gravidade da situação e aceite que o seu governo acabou, não tendo ele a mesma base popular que tiveram os ex-presidentes petistas para conseguir resistir por mais tempo. Tão pouco os seus aliados não se comportarão com a mesma insensatez praticada pelos partidos de esquerda quando se opuseram ao impeachment de Dilma no ano passado, quando, irresponsavelmente, o PT fez o país sangrar economicamente.

No meu entender, quanto mais tempo o presidente resistir, pior será. Pois a cada dia em que tenta se manter no cargo, Temer acaba instigando os movimentos de esquerda nas ruas e causa um clima de indefinição na economia enlouquecendo o mercado financeiro. Porém, caso ele venha a renunciar nos próximos dias, o Congresso poderá rapidamente fazer eleições indiretas para um mandato tampão até o fim de 2018 e buscar um nome de consenso para apaziguar a nação.


OBS: Foto ilustrativa do artigo extraída do portal do Conselho Federal da OAB na internet conforme consta em http://www.oab.org.br/noticia/55113/conselho-pleno-aprova-pedido-de-impeachment-contra-presidente-michel-temer

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Temer deveria ter a dignidade de renunciar




Desde a noite do dia 17, tenho procurado refletir sobre qual a melhor saída para a nova crise política que surgiu no país depois que veio à tona o conteúdo das delações premiadas dor irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS S.A. (controladora da marca Friboi). Na última quarta, o jornal O GLOBO noticiou pela primeira vez o que os empresários haviam informado aos investigadores da Operação Lava Jato, causando um enorme terremoto no nosso mundo político.

Nem vou comentar agora o caso indecente do Aécio Neves que, embora tenha sido o segundo colocado na última disputa presidencial, dividindo cada voto com a ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, já era considerado uma carta fora do baralho para as eleições de 2018 (atualmente o melhor nome do PSDB seria o prefeito de São Paulo, João Dória). Porém, o que muito me preocupa é a situação do Temer. Ou melhor dizendo, do comando do país daqui para frente, em termos de governabilidade, porque, a partir desta semana, passamos a ter um presidente investigado perante o Supremo Tribunal Federal por causa de gravíssimas acusações sobre uma conversa altamente comprometedora.

Diante de algo tão absurdo e repugnante, em que Joesley chega a dizer a Temer que está "segurando" dois juízes e que tem pessoa "dentro da força tarefa" da Lava Jato passando-lhe informações, o presidente não fez sequer um comentário objetivo sobre essa tentativa de driblar as investigações. Aliás, ele parece mesmo consentir com o dinheiro ilícito que o empresário estava dando ao ex-deputado Eduardo Cunha para este manter o seu silêncio. Senão vejamos o que diz a transcrição das gravações:

Temer: Tem que manter isso, viu... 

Joesley: Todo mês, também, eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado, assim, no processo assim...

Temer: [inaudível]

Joesley: Isso, isso, é, investigado. Eu não tenho ainda a denúncia. Então, aqui eu dei conta de um lado do juiz, dá uma segurada, do outro lado o juiz substituto que é um cara que ficou...

Temer: Está segurando os dois...

Joesley: É, segurando os dois. O, eu consegui um [inaudível] dentro da força tarefa que tá...

Temer: Tá lá...

Joesley: ...Também tá me dando informação. E lá que eu estou para dar conta de trocar o procurador, que está atrás de mim. Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar, e tal. O lado ruim é que se vem um cara como...

Tendo em vista a divulgação de notícias tão avassaladoras, como poderá a nação fechar os olhos para fatos que são gravíssimos?!

Poderemos fingir estar tudo indo bem na política brasileira só para mantermos a governabilidade do país e Temer conseguir aprovar as suas reformas na Constituição?!

Como confiar num presidente que recebe em sua residência oficial (Palácio do Jaburu) um corrupto e mantém com ele uma conversa tão cordial, a qual claramente indicia haver um grau de cumplicidade entre ambos?!




A nota da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República que diz não ter o presidente acreditado na veracidade das declarações do empresário pelo fato do mesmo estar sendo objeto de inquérito "e por isso parecia contar vantagem", parece-me uma defesa frágil. Aliás, o posicionamento chega a ser até uma saída inteligente diante de algo que podemos situar à beira do indefensável.

Na quinta, ao falar sobre o assunto, Temer negou ter pedido a Joesley que ajudasse Cunha e afirmou que irá se manter no cargo: "Não renunciarei. Repito: não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos" (ler AQUI a íntegra do pronunciamento). Porém, nada disso foi suficiente para convencer a opinião pública! Ontem, 25 cidades de 21 estados e mais o Distrito Federal fizeram protestos pela saída do presidente tendo os manifestantes fechado a Avenida Paulista e ocorrido confrontos violentos no Rio de Janeiro. Por sua vez, a Bolsa de Valores travou, tendo caído 8,8%, e empresas perderam R$ 219 bilhões em um único dia.

Com uma popularidade tão baixa e agora com parlamentares ameaçando deixar a base aliada (ontem o PPS saiu o governo mantendo apenas o ministro da defesa), acho dificílimo Temer conseguir se rearticular. Sua insistência ao permanecer no cargo poderá ser mais traumática do que foram os meses do processo de impeachment de Dilma em 2016 já que a situação agora é muito mais séria por envolver fatos que podem ser atribuídos como crimes cometidos no exercício do atual mandato presidencial.

Ainda ontem, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), líder de seu partido, afirmou que, sem a renúncia, a solução será dar início ao processo de afastamento de Michel Temer. Segundo a opinião do congressista, "diante da recusa dos fatos", o presidente deixar o cargo seria "o gesto que se esperava para minimizar e dar mais celeridade à resolução da crise".




Concordo com o senador! Pois, com Temer renunciando, o país pode virar logo esse momento de indefinições, permitindo que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), por ser o presidente da Câmara Federal, assuma interinamente o governo e haja eleições indiretas. Isto porque, de acordo com o artigo 81 da Constituição, como faltam menos de dois anos para o fim do mandato, a eleição seria feita pelos deputados e senadores no prazo de 30 (trinta) dias depois da vacância no cargo. Então, através deste pleito, o país teria a oportunidade de escolher um nome de consenso e totalmente livre das investigações para dar mais tranquilidade ao cenário.

Vale lembrar que, numa eventual eleição indireta, deverão ser definidos os nomes dos novos presidente e novo vice-presidente da República. Quem convocaria a sessão seria o presidente do Congresso Nacional e do Senado, posto que atualmente é ocupado por Eunício Oliveira (PMDB-CE). Para concorrer ao cargo estariam aptos brasileiros natos com mais de 35 anos, devendo ser filiados a partido político e que não se enquadrem em qualquer das restrições da Lei da Ficha Limpa, tipo uma condenação por órgão colegiado, por exemplo.

Assim sendo, espero que o presidente digne-se a renunciar o quanto antes e vejamos dias melhores.

Um ótimo final de semana a todos!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Gustavo Lima/Câmara dos Deputados sendo a primeira foto extraída da EBC.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Será que também teremos impeachment nos Estados Unidos?!




Nesta segunda (15/05), nos EUA, o democrata Al Green defendeu um processo de impeachment contra Donald Trump. De acordo com o congressista norte-americano, o presidente teria obstruído a Justiça com a demissão do ex-diretor do FBI, James Comey.

Segundo reportagem da edição de hoje do jornal New York Times, Trump havia pedido a Comey que encerrasse uma investigação sobre a suposta ligação de Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional, com a Rússia. Tal pedido teria sido feito em uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, no mês de fevereiro, um dia após a renúncia de Flynn.

Fato é que nos EUA essa conduta de Trump está repercutindo muito mal contra a sua imagem. Uma pesquisa publicada hoje pela empresa Public Policy Polling aponta que 48% dos americanos querem o início de um processo de impeachment contra o presidente. E esta porcentagem é maior do que os 41% que se opõem a Trump responder a um julgamento político, sendo a margem de erro da pesquisa de 3,7%.

Em duas ocasiões o Congresso norte-americano chegou a iniciar o "impeachment" dos presidentes Andrew Johnson (1829-1837) e Bill Clinton (1993-2001), porém nunca finalizou. Porém, o caso mais marcante da História dos EUA parece ter sido a renúncia de Richard Nixon no ano de 1974 quando o presidente se viu diante da possibilidade de um julgamento político.

Vamos aguardar e torcer para que toda a verdade venha à tona. Afinal, como escreveu a líder dos democratas na Câmara em seu Twitter, "se as reportagens são verdadeiras, a tentativa de Trump de acabar com a investigação do FBI sobre Flynn é uma agressão contra o Estado de Direito".


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Peter Foley/Agência Lusa

Aguardando o retorno de um amigo




Com muita ansiedade é que Mangaratiba aguarda a volta de um de seus mais valorosos guerreiros. Trata-se do ex-vereador Alan Campos da Costa, mais conhecido popularmente como o nosso amigo Alan Bombeiro.

Após ter disputado as eleições de 2016 para prefeito e concluído o seu mandato na Câmara Municipal, Alan viajou com sua família para os Estados Unidos onde passou alguns meses trabalhando com o suor do seu rosto no duro inverno do Hemisfério Norte.

Embora algumas pessoas maldosas tenham feito ataques covardes nas redes sociais sobre a sua ausência na cidade, fato é que inexistem argumentos contra a dignidade do nosso companheiro que jamais agiu como mais um desses políticos profissionais. Pois, como sabemos, é comum haver candidatos derrotados a prefeito nos municípios do Estado do Rio de Janeiro passarem a viver às custas do governo, ocupando cargos de assessoria no Palácio da Guanabara. Porém, não é este o caso de Alan que concluiu honrosamente o seu mandato apresentando projetos, indicações e discutindo assuntos de interesse da coletividade.

A todo momento sou perguntado se Alan pretende retornar para disputar eventuais eleições suplementares relativas ao pleito municipal de 2016. Porém, apesar da ação de impugnação da candidatura do prefeito estar tramitando perante o TSE, não houve nenhuma decisão da Justiça até o momento que determine a anulação dos votos da chapa Aarão-Brandão. Logo, o recurso especial interposto pelo Ministério Público Eleitoral pode ser provido ou não pelos sete magistrados que compõem o Tribunal, sendo que nada disso muda a nossa maneira de fazer política.

Infelizmente nem todas as pessoas compreendem que política não se faz apenas em função das próximas eleições ou quando estamos exercendo transitoriamente um cargo eletivo. Aliás, para uma pessoa estar dentro da política nem é preciso filiar-se a um partido, bastando que tal indivíduo se disponha a acompanhar e a debater propostas de interesse da coletividade. Algo que está ao alcance de qualquer cidadão comum, desde o mais humilde até aquele que possui seus diplomas de pós-graduação porque todos temos direito a expressar as nossas ideias.

Todavia, importa mesmo é que Alan está retornando e a sua volta será muito importante para o grupo que o apoiou em 2016. Afinal, precisamos continuar unidos em torno das propostas que temos no PSDB para o Município e para o Brasil. a fim de contribuirmos para a construção de uma Mangaratiba melhor de se viver. Ou seja, cultivarmos um pensamento otimista, proativo, para que juntos façamos a diferença.





Seja bem vindo, Alan, e saiba que Mangaratiba o recebe de braços abertos.

Tamos juntos!


OBS: Fotos acima tiradas no começo de 2016 quando recebemos a visita do deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) em Mangaratiba.