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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

De braços abertos para o turista?

Estou morando há menos de duas semanas aqui no Rio de Janeiro, cidade que sediará as Olimpíadas de 2016 e também alguns jogos do Mundial de futebol de 2014. Porém, pelo que tenho observado, ainda falta muito para o Brasil atrair uma quantidade de turistas compatível com o seu potencial e que seja comparável com os países mais visitados.

Um dia desses, pensei em levar minha esposa ao Corcovado e, ao telefonar para a empresa responsável pelo transporte de passageiros, após ter aguardado indefinidamente pelo atendimento humano, em sucessivas ligações, não obtive a informação que desejava acerca do preço do trenzinho e se eles aceitam cartão de crédito. Uma das funcionárias que pegou a minha ligação, não sabia dar a resposta e pediu que eu aguardasse.

Uns dias atrás, escrevi um texto neste blogue sobre o nosso terminal rodoviário e os insatisfatórios serviços dos táxis. E verdade seja dita, o Poder Público parece não estar investindo o suficiente em serviços de orientação ao turista e nem em capacitação da população da cidade para que os comerciantes aprendam a lidar melhor com o público.

Pensando no turismo, que é uma indústria sem chaminés e capaz de se tornar uma das melhores alternativas de desenvolvimento para a cidade, percebo que, se alguém desembarca na Rodoviária Novo Rio, verá de cara uma péssima impressão do lugar e, dificilmente, conseguirá receber as informações que necessita. Por sua vez, os taxistas dali, que poderiam aproveitar a visita de alguém de fora para oferecer passeios pela cidade, nem ao menos vislumbram esta possibilidade de negócio.

Outra coisa absurda que vejo é a impossibilidade de alguém locomover-se pela cidade utilizando a bicicleta como seu meio de transporte. Enquanto muitos brasileiros já exploraram a Europa pedalando, eis que, no Rio de Janeiro, isto é praticamente inviável. E, mesmo se um morador da cidade, arriscar ir da Zona Norte até a Zona Sul em sua bike, o risco de vida devido à ausência de uma ciclovia e o desrespeito dos motoristas de veículos automotores tornam a aventura desaconselhável.

Ora, mas será que interessa aos governantes locais investir suficientemente no transporte alternativo?

Esta manhã, fui de ônibus de Vila Isabel até Caxias e, no trajeto, observei várias faixas de protestos contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB) por ele não estar se importando com a Leopoldina, conforme prometera em campanha. Segundo os cartazes, o atual governante estaria se preocupando mais com a construção da TransCarioca do que com o saudável transporte ferroviário.

Lamentavelmente, é assim que os peemedebistas Eduardo Paes e Sérgio Cabral tratam o transporte público no Rio de Janeiro, de modo que chego a desconfiar de que estes políticos estejam privilegiando as empresas de ônibus. E, sendo assim, tenho também minhas dúvidas se uma presença maior de turistas na cidade não iria ajudar nas denúncias contra as decepcionantes autoridades locais e regionais.

Ano que vem, o Rio e os outros municípios brasileiros terão eleições, o que seria uma ótima oportunidade para o povo escolher representantes melhores. Há quem diga que a reeleição de Eduardo Paes é quase certa, o que não duvido muito, embora isto não me desanime a fazer oposição aos caciques do PMDB fluminense. E, como o mundo não vai acabar em 2012, já que o Brasil não tem estrutura suficiente para receber um evento deste porte, pretendo fazer campanha pelo voto consciente sem me vincular a qualquer partido.

De qualquer modo, a vitória nas urnas desses caras tem sido um reflexo da mentalidade e da acomodação de muitos cidadãos cariocas. Isto sem nos esquecermos do medo (irracional) de que uma Prefeitura comandada por alguém de um partido de oposição ao governador possa inviabilizar as obras dos eventos esportivos. Assim, cada vez mais estou convencido de que só revolucionaremos a cidade dando ao povo uma formação política para a cidadania, o que, inegavelmente, depende de uma educação de qualidade.

Desejo desde já boas festas a todos os que têm lido meus artigos aqui no blogue e que 2012 seja um ano de mudanças radicais. Tanto pro Rio de Janeiro quanto para o mundo todo.


OBS 1: A primeira ilustração acima refere-se à foto do Cristo Redentor, principal cartão postal da cidade, e pertence ao acervo da Riotur, tendo sido extraída de http://www0.rio.rj.gov.br/riotur/pt/atracao/?CodAtr=3903

OBS 2: A segunda imagem refere-se ao futuro trajeto da TransCarioca, um projeto metropolitano de Bus Rapid Transit da cidade do Rio de Janeiro que tem por objetivo ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. Foi extraída da Wikipédia, classificada como material de domínio público: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:NovasViasExpressasRJ.JPG

domingo, 18 de dezembro de 2011

Esculpindo vidas

“Em todo bloco de mármore vejo uma estátua como se ela estivesse de pé diante de mim, já formada e perfeita em atitude e ação. Só tenho de desbastar as paredes rudes que aprisionam a bela figura e revelá-la aos outros olhos que não podem vê-la”. (Michelângelo)


Michelângelo Buonarroti (1475-1564) foi certamente um dos maiores artistas da humanidade, sendo praticamente impossível falarmos na Renascença sem nos lembrarmos de algumas de suas famosas como Davi, Moisés, a Pietà ou O escravo moribundo. E o mais interessante era que, aos olhar para um pedaço de pedra, ele conseguia vem além daquela matéria informe figuras com formas que brotavam em sua mente criativa.

O pastor norte-americano Greg Cootsona, autor do excelente livro Aprenda a dizer não, publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão, fez um interessante estudo da vida do artista. Segundo ele, Michelângelo

“discerniu, presa dentro do bloco rígido, uma beleza que tinha de ser libertada. Assim, trabalhou com toda a genialidade e persistência que podia reunir. Desde então, o que surgiu da pedra tem admirado e fascinado os espectadores. Há quem considere a estátua de Davi a maior escultura já criada. Michelângelo desvendou a beleza através daquilo que removeu (...) descobriu que poderia criar sua escultura somente removendo aquilo de que a figura não necessitava até alcançar a beleza de sua forma inerente (...) Olhando com mais intensidade o rosto de Davi de Michelângelo, você pode ver uma projeção idealizada do artista – não sua figura real, mas a criatividade que o impulsionava (..) A precisão da visão combinada com uma incrível determinação levou Michelângelo a olhar objetivamente através do bloco informe e enxergar ali dentro a figura na qual o mármore poderia transformar-se. (extraído das páginas 25 a 29 do livro)

Igualmente, nós também podemos ser considerados uma obra-prima viva do grande Artista do Universo. Bendito seja Ele! Todavia, não somos esculturas prontas e acabadas pois estamos todos em permanente construção (e desconstrução), precisando evoluir a cada dia.

Segundo o livro de Gênesis, quando Deus criou a Terra, ela estava “sem forma e vazia” (ARA), o que pode expressar um estado anterior de desordem e caos, como se observa pela compreensão dos termos hebraicos tohu e bohu. Ou seja, no princípio, tudo ainda era uma criação que aguardava ser formada até que o movimento determinado da Vida, o ruah, o “grande vento”, foi inteligentemente moldando todo o Universo. Uma criação que, teologicamente falando, podemos dizer que é ex nihilo, isto é, “do nada”, em que apenas o Eterno transcende.

Neste sentido, vale a pena meditarmos nesta valiosa passagem bíblica:

“Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hebreus 11.3; ARA)

Uma outra tradução deste verso acima citado diz que “o mundo visível não tem sua origem em coisas manifestas” (Bíblia de Jerusalém). Isto significa que a realidade é algo muito mais abrangente do que as coisas perceptíveis pelos nossos cinco sentidos, sendo assim o visível uma mera sombra ou parte de um todo. E eu acredito que o mesmo pode ser aplicado ao ser humano quando analisado de um ponto de vista transcendente. Como o Criador de fato nos vê.

De que maneira temos olhado para nós mesmos ou para o nosso próximo?

Será que nos percebemos como blocos duros de mármore impossíveis de sermos trabalhados?

Ou será que dentro de cada um não existe uma bela pessoa desejada por Deus e que só está aguardando ser esculpida e libertada?

Precisamos permitir que o grande sopro do Criador, o Espírito Santo, trabalhe em nós sem oferecermos resistência ao projeto divino. Creio que Deus não abandona a sua criação e continua criando, expandindo o Universo, permitindo a evolução de novas formas de vida e esculpindo os corações dos homens. E isto Ele faz removendo tudo aquilo que impede a manifestação de nossa forma espiritual. A saber, retirando os rancores, a imoralidade, a inveja, a intolerância, a ignorância, o egoísmo, os maus hábitos, as máscaras e a falta de fé.

A obra divina em nossas vidas coincide com o que a Epístola aos Gálatas diz nos versos 16 ao 26 do seu capítulo 5 em que Paulo contrasta as “obras da carne” com o “fruto do Espírito”. Não que o texto estivesse se referindo ao corpo humano quando o apóstolo fala em “carne”, mas sim à nossa maldade, à “árvore do conhecimento do bem e do mal” situada dentro do nosso Éden interior, da qual muitas vezes preferimos nos alimentar ao invés de buscarmos a “árvore da vida”.

Inegavelmente esta é a grande diferença entre as obras de Michelângelo e nós que somos obra-prima de Deus. O brilhante escultor dos séculos XV e XVI não perguntava ao mármore se o material bruto queria transformar-se em Davi. Contudo, o Eterno respeita o nosso livre arbítrio e nos propõe escolher entre a vida e a morte, a benção e a maldição, o caminho estreito e o caminho largo. O seu reino está com as portas sempre abertas nos aguardando com abundante graça, cabendo à humanidade decidir se quer entrar nele ou permanecer na sua obscuridade espiritual.

Desejo que, nesta semana, você receba de Deus toda a sabedoria e a criatividade necessárias para que a divina obra se realize em seu viver, com muita paz e graça.


OBS: A imagem acima trata-se de uma foto da escultura Davi, tirada por Rico Heil, e se encontra na Galeria da Academia de Belas Artes de Florença, Itália. Foi extraída da Wikipédia na presente data.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Insatisfatório serviço de táxi na rodoviária Novo Rio


Lamentavelmente, o terminal rodoviário Novo Rio, umas das principais portas de entrada da Cidade Maravilhosa, ainda é um ponto esquecido no mapa das políticas governamentais.

Situada num local feio, fétido e poluído, a rodoviária é também um lugar isolado, sem contar com uma estação de metrô e que nem sempre pode dispor de opções confortáveis para transportar o passageiro com um padrão de qualidade satisfatório. É o que se vê, por exemplo, em relação aos serviços de táxi oferecidos ali.

Ontem (14/12/2011), ao desembarcar no terminal, pouco antes das 20 horas, fiquei por vários minutos aguardando um táxi da cooperativa para me levar até o Grajaú, mesmo pagando uma cara tarifa pré-fixada de R$ 26,00 com bandeira 2. Pois, logo após comprar o bilhete do táxi dentro da rodoviária, o consumidor ainda fica em pé numa fila no lado de fora da rodoviária esperando a sua vez de entrar no carro.

Há momentos em que é fácil conseguir um táxi comum. Mas, em outras ocasiões, não. E a fila pode durar muito tempo...

Nesta quarta-feira, além de ter chovido na cidade (fator que aumenta a demanda pelo serviço de táxi), parece ter havido também congestionamentos no trânsito, o que são acontecimentos previsíveis e corriqueiros nas grandes cidades brasileiras. Porém, segundo me informou o motorista, as filas podem chegar a dobrar quarteirões em épocas de feriado, como se vê nos dias quentes de final e começo de ano.

Ora, como que esta cidade pretende receber turistas nos eventos esportivos agendados para a presente década?

Ou será que na cabeça do prefeito Eduardo Paes as pessoas só vão ficar andando de avião durante a Copa de 2014?

Além do mais, não é justo que pessoas idosas, gestantes e mães com criança de colo sejam atendidas em condições tão absurdas. E, sendo assim, onde é que fica o direito à prioridade desses cidadãos e a observância do princípio constitucional da dignidade do ser humano?

Refletindo sobre a maneira pouco respeitosa em que o consumidor é tratado na rodoviária do Rio, concluí ser indispensável o Poder Público obrigar as empresas prestadoras de serviços de táxi a disponibilizarem ali uma sala de espera com ar condicionado e assentos. Deste modo, ao invés do passageiro ficar em pé e com sua bagagem formando fila numa calçada imunda, o usuário aguardaria sentado numa cadeira ergometricamente correta, esperando ser chamado conforme a numeração de sua senha.

Outrossim, este tipo de serviço precisa de novas e melhores regras que, através de lei municipal, assegure mais qualidade, segurança e respeito ao consumidor. Pois, tendo em vista o preço cobrado pelos taxistas, bem como os interesses da coletividade, nossas autoridades precisam adotar medidas que reduzam a vulnerabilidade do passageiro.

Entendo que, se o órgão local com poderes de regulação puder elaborar e aplicar um eficiente plano de metas de qualidade para ser gradualmente alcançado até 2016, a situação deste tipo de transporte poderá mudar consideravelmente em todo o município do Rio. Assim, todas as empresas e cooperativas passariam a fornecer protocolos padronizados que facilitariam bastante a fiscalização pelo Poder Público e pela sociedade. Neste caso, um chamado telefônico, em condições normais, teria que ser cumprido dentro de um prazo máximo. Qualquer atraso obrigaria o fornecedor a devolver imediatamente o dinheiro pago acrescido de uma multa a ser recebida pelo consumidor para compensar a perda de tempo, sem prejuízo de uma eventual reparação por danos material ou moral. E, caso a empresa ou cooperativa trabalhe com cartões de crédito ou de débito, teria que tratar todos os seus clientes com igualdade, não podendo dar um tratamento diferenciado para aquele que paga em dinheiro ou aceitar apenas esta forma de pagamento quando a procura aumentar em razão de fato extraordinário (houve vezes em que a cooperativa de táxis na rodoviária só estava aceitando pagamentos em dinheiro porque a demanda tinha disparado).

Independente de quaisquer mudanças na legislação aplicável aos táxis, o Poder Público deve também ser mais exigente na relação contratual no tocante à prestação desse serviço em terminais rodoviários, aeroportos, estações ferroviárias e de transportes aquáticos. Não apenas por causa do alto fluxo de pessoas, mas principalmente em razão das condições específicas do passageiro que, além de estar portando bagagem, também sofre o cansaço físico decorrente da viagem e necessita de um espaço adequado para aguardar pelo seu atendimento. E aí, se a lei passar a exigir esta cláusula para fins de validade contratual, bem como houver vontade política da Prefeitura, as coisas poderão começar a mudar.


OBS: A foto acima, cuja autoria é atribuída a Eliane Carvalho, foi extraída do site da Prefeitura do Rio de Janeiro em http://www.rio.rj.gov.br/web/smtr/exibeconteudo?article-id=1426064

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Atendimento demorado da Oi Fixo em Copacabana!

Mudei-me há poucos dias para o Rio de Janeiro e já estou arrumando minhas brigas com a Telemar, empresa conhecida também como Oi Fixo.

Ontem (12/12/2011), compareci ao atendimento presencial da empresa na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul do Rio, afim de solicitar a transferência de titularidade da linha telefônica que era utilizada pela minha avó paterna, falecida em setembro deste ano, para o meu nome. O horário de chegada na loja da Oi se deu por volta das 16:18 horas, mas só consegui ser de fato atendido às 17:25 horas, tendo aguardado por um período superior a uma hora!

Acontece que o tempo de espera neste posto de atendimento da concessionária tem sido demasiadamente excessivo e viola frontalmente os direitos do consumidor e os princípios que norteiam o Plano Geral de Metas de Qualidade da ANATEL, motivo pelo qual, hoje mesmo, já registrei uma reclamação perante a agência reguladora sob o n.° 1802185.2011.

Conforme notei, através de conversas com outros consumidores presentes no local, a demora no atendimento parece ser uma constante nesta loja da empresa, valendo ressaltar que alguns serviços, como a transferência de titularidade de uma linha, só pode ser resolvidos presencialmente, tendo em vista as peculiaridades de determinados casos. Ainda mais quando o usuário encontra-se com um precário acesso à rede e sem internet ligada na sua casa, como é a minha situação nestes dias após a mudança.

De qualquer modo, a demora excessiva no tempo de espera é de todo injustificável porque causa atraso de vida ao cidadão, além de irritação, angústia, indignação, aborrecimentos, cansaço físico e outros transtornos que afetam os compromissos das pessoas. Principalmente quando estão relacionados ao trabalho do usuário que nem sempre tem a disponibilidade de ausentar-se por um período mais longo do seu emprego ou contar com algum patrão um pouquinho compreensivo.

Ora, pelo que pude observar nesta segunda-feira, eis que o posto de atendimento da empresa carece de mais funcionários para atender melhor ao público. O espaço do local chega a ser ocupado com outras atividades, sendo que a concessionária poderia muito bem ocupar toda a loja com o serviço de atendimento ao público, bem como direcionar o consumidor conforme o tipo de demanda apresentada, tendo em vista as hipóteses que precisam ser sanadas ali. Isto porque algumas solicitações, a exemplo da transferência de titularidade de uma linha, só podem ser tratadas em lojas próprias da Oi Fixo.

Como se sabe, atualmente a Oi Fixo tem procurado ampliar o seu atendimento presencial pela via da terceirização, o que tem sido um artifício para a concessionária não ter que dispor de um número maior de lojas próprias. E, no Rio de Janeiro, conforme a orientação que recebi pelo telefone na central 10331, só existiriam três lojas próprias da concessionária, as quais estariam situadas na Avenida Chile, em Copacabana e, salvo engano, em Bangu. Porém, se a informação dada pelos telefonistas procede, eis que não há nenhuma loja própria que presta o serviço Oi Atende na Zona Norte do município do Rio de Janeiro.

Prezado leitor, não dá para aceitarmos que, numa cidade no porte do Rio de Janeiro, futura sede dos jogos olímpicos de 2016, faltem postos de atendimento próprios da concessionária de telefonia fixa em bairros expressivos e populosos, os quais recebem um considerável fluxo de pessoas, a exemplo da Tijuca, Meyer ou Madureira. Pois, se uma cidade como Petrópolis, que tem uma população inferior a alguns bairros cariocas, dispõe de uma loja própria da Oi Fixo, por que este serviço, que eu chamaria de Oi NÃO Atende, não pode contar com uma loja própria na Zona Norte?

Além do demorado tempo de espera no posto de atendimento da Oi, que, por si só, já é um absurdo, deve-se considerar que o consumidor também sofre com o seu deslocamento, enfrentando trânsito, dependendo do precário transporte coletivo urbano ou tendo que achar um local adequado para estacionar o carro na rua. Isto se a pessoa não vier a pagar por um caro estacionamento no Rio, o que é caríssimo por aqui.

Acrescente-se ainda que a concessionária tem exigido que, nas hipóteses de alteração de titularidade da linha de telefone, o consumidor ainda precise fazer o reconhecimento de firma em cartório, não sendo suficiente pra eles a simples exibição dos documentos de identificação. E, com tais exigências fora do razoável, os gastos financeiros do usuário da telefonia e a perda de tempo tornam-se ainda maiores, já que o consumidor ainda tem que enfrentar outra fila no tabelionato de notas.

Será justificável tanta burrocracia só para alterar a titularidade de uma linha telefônica?

Indignado com o que assisti, resolvi ir hoje ao Ministério Público e protocolizei uma representação contra a Telemar lá no sétimo andar do número 26 da Rua Rodrigo Silva, onde está situado o atendimento das Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, visto que o problema afeta uma coletividade de cidadãos e diz respeito a um serviço essencial.

Não sei se o MP já está fazendo algo quanto ao insatisfatório atendimento da Oi Fixo aqui no Rio. É provável que sim e talvez já existam procedimentos investigatórios, termos de ajustamento de conduta ou até ação civil pública. Contudo, desejo que o problema se resolva para o bem de todos e que a Oi Fixo melhore o seu atendimento porque se trata antes de mais nada de uma questão de inteligência afim de agradar o cliente, permitindo que a vida possa fluir para todos dentro da sociedade, o que, certamente, será bom pra todo mundo. Inclusive para quem presta o serviço de telefonia.

OBS: Imagem extraída do site http://www.consumidorrs.com.br/rs2/inicial.php?case=2&idnot=15465 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Procurando por vida longe de casa...

Os noticiários de ontem divulgaram a confirmação descoberta do telescópio da NASA que encontrou um planeta gêmeo da Terra em outro sistema solar distante em uns 600 anos luz daqui e que se enquadraria naquilo que os cientistas hoje denominam de "zona habitável".

O novo astro foi batizado de Kepler 22b (em razão do nome do telescópio norte-americano) e foi visto pela primeira vez no ano de 2009, tendo sido confirmado recentemente. E, de acordo com os cientistas, este planeta irmão seria maior do que o nosso, mas teria uma translação inferior ao ano terrestre com uma rota de 290 dias ao redor de sua estrela a qual, por sua vez, seria menos quente do que o sol.

Eu que sou um admirador das pesquisas espaciais desde a infância, quando já decorava os nomes de todos os planetas do nosso sistema solar (na época Plutão ainda não tinha sido destituído), sem dúvida que eu vibrei com a notícia. Principalmente porque a descoberta tem tudo a ver com o meu discurso teológico já que defendo abertamente dentro do meio religioso a existência de vida em outros planetas.

Contudo, logo depois que li esta notícia no Yahoo e fui até a sala comunicar à minha esposa, veio em minha cabeça um insight. Pois, enquanto o telescópio da humanidade fica olhando para bem longe a procura de vida, esquecemos da abundância de vidas humanas, animais e vegetais que estão se manifestando à nossa volta.

Este lampejo de luz ocorreu-me quando, por alguns instantes, minha mulher deixou de prestar a atenção no que eu falava para apreciar a imagem de um bebê mostrado na TV. Para ela, naquele momento, o sorriso de uma criança era mais interessante do que as descobertas espaciais da Agência Espacial dos Estados Unidos!

O que o homem está procurando tão longe? Será que a vida não está tão pertinho dele? Que valor estamos dando à vida que se manifesta no nosso próximo e dentro de nós? Não estaria o nosso olhar perdido no espaço?

Além dos ecossistemas aquáticos e terrestres, temos também um universo a ser explorado e que talvez seja infinitamente maior. Trata-se da mente humana.

Cada ser humano tem um imenso universo dentro de si a ser conhecido. Porém, nem sempre conseguimos valorizar a vida que existe bem pertinho. Uns ainda são capazes de derramar o sangue do seu semelhante, deixar crianças morrendo de fome, queimar florestas, fazer guerras e tem aqueles que matam de outras maneiras destruindo sentimentos.

Esta noite, estando a refletir, lembrei-me de passagem do Evangelho de João quando Jesus conversa com a mulher samaritana e assim lhe diz:

"aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (Jo 4.14; ARA)

Ou, como se verifica em outra parte do mesmo Evangelho:

"Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva." (Jo 7.38; ARA)

Nada contra as pesquisas espaciais. Muito pelo contrário. Mas certamente seria ótimo se direcionássemos o nosso "telescópio" também para mais perto. Inclusive para "dentro" de nós mesmos, afim de que possamos ter um encontro verdadeiro com a Vida e compreendermos o seu significado.


OBS: A origem da imagem, exibida em diversos jornais, acima é da Agência Espacial dos Estados Unidos – NASA.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Salmo 130 cantado em hebraico

O Salmo 130 é um dos cânticos de subida (ou romagem) que os peregrinos recitavam quando se dirigiam às festas de Jerusalém, na época em que o Templo judaico ainda existia. É também um salmo penitencial e que nos transmite esperança, exprimindo confiança no Deus Eterno, redentor nosso.

A seguir compartilho um excelente vídeo do Youtube em que podemos ouvir o Salmo cantado no seu idioma original hebraico com traduções em espanhol:



"Este salmo é um queixume de um tipo especial, visto que o autor não pediu a destruição do inimigo, mas mansamente voltou-se para Deus, pedindo o perdão de seus próprios pecados" (Bíblia de Genebra)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Despedindo-me desta inesquecível cidade

Neste primeira quinzena do mês de dezembro, estou deixando a cidade, com a mudança já agendada para o dia 11/12.

Foram quase 13 anos em Nova Friburgo desde que cheguei aqui para dar continuidade aos meus estudos na área jurídica, quando me transferi do Instituto Viana Júnior, em Juiz de Fora, para o campus local da Universidade Estácio de Sá.

Praticamente a metade desse tempo na cidade passei como estudante, formando-me só no final de 2004. E, quanto à outra parte dos meus anos, foi como um profissional do Direito através do exercício da advocacia autônoma, sem escritório próprio.

Foi em Nova Friburgo que me casei, mas não com uma moça daqui. Encontrei Núbia poucas semanas após ter me mudado pra cá, em 1999, durante o Carnaval, num lugar próximo do município chamado Sana (distrito serrano de Macaé). Ela, niteroiense, também estava a passeio com suas amigas. Dali em diante, passamos a nos encontrar tanto em Nova Friburgo quanto em Niterói.

Morando aqui é que descobri o enorme prazer das caminhadas. Sem ter muito o que fazer, pois são poucas as opções de lazer tradicional na cidade, tive que inventar o meu próprio passatempo. Assim, meus primeiros anos de faculdade foram marcados por incríveis passeios solitários pelo meio rural, percorrendo trilhas, estradas de chão, caminhos por dentro de fazendas, levando às vezes uma corrida de boi, ou sendo assustado por um cachorro latindo. Porém, eu sempre estava a descobrir novidades e experiências. E, após ter andado por todos os distritos e explorado a maioria dos roteiros, vim também conhecer os outros municípios da região.

Espiritualmente falando, este lugar me fez muito bem. Sem fazer loucas mistificações, posso dizer que, durante estes anos, pude olhar mais pra dentro de mim, arrepender-me de erros cometidos em Juiz de Fora, re-significar valores, retornar à fé que tinha deixado no final da adolescência e começado a lidar melhor com o álcool. E aí não posso me esquecer da força recebida de um vizinho do AA no bairro Cordoeira e também proprietário do primeiro imóvel onde morei aqui, alugando, na época, por apenas R$ 160,00 com água, luz e impostos incluídos.

Ao todo, habitei cinco residências em Nova Friburgo. Ao deixar o imóvel do seu Naélio, em agosto de 2000, fiquei uns sete meses numa casa situada no distrito de Amparo, numa área pouco afastada do perímetro urbano da vila, em estrada de terra. Depois, retornei pra sede do Município e vivi por quase dois anos numa apertada quitinete, num escadão que vai do Centro ao bairro Braunes. Dali, passei pra um lugar maior nas Braunes e numa distância menor da faculdade. Somente em meados de 2006, quando já estava casado e exercendo a advocacia, é que vim para o apartamento atual, situado numa área boa do Centro, no último andar de um prédio de cinco pavimentos sem elevador, tendo encontrado a sorte de pagar um aluguel que, hoje em dia, após os devidos reajustes, está ainda em torno dos seus R$ 400,00 mensais, sem contar condomínio e outra despesas.

Profissionalmente falando, posso dizer que, assim como a maioria dos moradores daqui, não fui muito feliz. Tentar a advocacia num mercado restrito, pobre e saturado de advogados pode tornar-se algo frustrante. E, com o tempo, veio o desânimo com a rotina da profissão e os problemas de saúde da esposa. Depois da tragédia climática de 12/01/2011, a economia regional ficou ainda pior.

Dia 27/09, vovó faleceu e herdei o seu imóvel de dois quartos onde ela residia no Rio de Janeiro, após minha tia renunciar a parte dela. Com isto, mesmo não pagando muito caro no aluguel, achei por bem voltar ao Rio, cidade onde nasci, afim de procurar melhores oportunidades de trabalho.

Sei que vou sentir saudades daqui e deste gostoso clima frio de serra que se torna bem suportável no verão, mas gelado no inverno. Também sentirei falta das deliciosas vendidas por aqui, da boa comida e da relativa tranquilidade de uma cidade de médio porte se comparada com a agitada metrópole do Rio de Janeiro.

Porém, a vida anda. Nestes dez primeiros dias do mês vou ficar absorvido com os preparativos da mudança junto com o pagamento das contas do mês e com o meu trabalho. Não sei se terei tanto tempo pra internet. Estou já transferindo os processos que tenho para outro advogado, buscando não deixar nenhuma pendência para trás e ainda me despedir de algumas pessoas. Depois da mudança, prevista para um domingo, preciso retornar outra vez para a entrega das chaves na imobiliária e, daí por diante, talvez só volte a Friburgo como turista.

Desejo o bem desta cidade e das pessoas que moram aqui. Como cidadão, tentei contribuir com minha ideias (escrevi por uns tempos no jornal local A Voz da Serra) e atuei também na política partidária até 2009, sem ter me candidatado a nada e nem ocupado cargos públicos. Assim, deixo Friburgo com a consciência limpa de que minha presença aqui tenha ajudado mais do que prejudicado, esperando que o povo friburguese possa cuidar bem deste pedacinho do nosso planeta e se reconstruir em todos os aspectos após esta última tragédia das chuvas, prevenindo-se também contra outras catástrofes naturais.

Boa sorte, Nova Friburgo!


OBS: A foto acima foi extraída do site da Câmara Municipal de Nova Friburgo em http://www.camaranf.rj.gov.br:8180/cmnf/noticias/camara-aprova-projeto-de-lei-que-proibe-a-poluicao-visual-em-nova-friburgo

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A ideia de Deus como um “pastor”

O salmo 23 é um dos mais conhecidos da Bíblia pela fé que suas palavras transmitem ao leitor, proporcionando conforto e segurança para quem espera em Deus. Em seus seus versículos, o poeta descreve a solicitude divina para com os justos através de duas imagens, apresentando o Eterno como um pastor (versos 1 a 4) e também como um anfitrião que oferece um banquete a um convidado de honra (versos 5 a 6).

A princípio, para que possamos melhor compreender a ideia de Deus como um pastor, é importante nos familiarizarmos mentalmente com o meio ambiente seco da Palestina onde o salmista teria composto o seu belo poema no idioma hebraico. Pois, aqui no Brasil, em quase todas as nossas religiões onde a vegetação e a água costumam ser abundantes para a agropecuária (exceto o sertão nordestino), pode-se dizer que as ovelhas cuidam de si mesmas ficando soltas no pasto. Porém, em lugares semiáridos como são a nossa Caatinga e mais ainda o Oriente Médio, a presença do pastor é indispensável já que, por diversas vezes, é preciso conduzir o rebanho por horas pelas paisagens desérticas até encontrar água e pasto verde para os animais.

Sem dúvida que, nestes locais secos e de criação extensiva, as ovelhas acabam desenvolvendo uma relação de confiança em relação ao pastor, passando até a reconhecer a voz de quem lhes guia e protege. Pois, sem o pastor, as dóceis e domesticadas ovelhas simplesmente vagariam sem rumo pela hostilidade do ambiente desértico até morrerem de fome, sede, frio ou serem atacadas por um predador. Por isto, esses animais indefesos não seguem a nenhum outro que não seja o verdadeiro cuidador.

Para a história do povo israelita, guiado pelo deserto do Sinai após o êxodo egípcio, a imagem de Deus como pastor torna-se algo de fácil identificação cultural. De acordo com a Torá, os filhos de Israel viveram 40 anos sob a proteção do Eterno num ambiente. Foram milagrosamente protegidos do sol forte através de uma nuvem (durante o dia) e aquecidos por uma coluna de fogo (à noite), além de receberem o maná como alimento de domingo à sexta-feira com porção dobrada neste dia da semana para que não laborassem no Shabat. É como relata poeticamente o livro de Neemias num re-exame pós-exílico da lei mosaica:

“Todavia, tu, pela multidão das tuas misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir. E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede. Desse modo os sustentaste quarenta anos no deserto, e nada lhes faltou; as suas vestes não envelheceram, e os seus pés não se incharam.” (Ne 9.19-21; ARA)

Ora, ninguém precisa acreditar literalmente na ocorrência desses fenômenos. Toda a jornada de travessia dos israelitas pelo deserto é uma imagem da orientação do homem pela Torá em sua caminhada. Significa sermos guiados e cuidados por Deus na trajetória de vida através de uma experimentação mística, relacionando-se também com o aspecto coletivo e não se restringindo somente ao individual.

Voltando ao Salmo, cuja autoria é atribuída ao rei Davi, tem-se logo no começo o incentivo á confiança de que Deus irá suprir totalmente o seu “rebanho”, conhecendo as necessidades fundamentais das “ovelhas” melhor até do que elas mesmas. Então, tudo o que elas realmente precisam o Pastor irá lhes proporcionar ainda que nada Lhe seja pedido. E, como se vê, a grama não é seca, mas fresca, adequada para o animal deitar e repousar. Também as águas, ao invés de serem agitadas, são tranquilas e seguras, permitindo a ovelha saciar sua sede.

Tal cenário bíblico dos versos 1 e 2 parecem até a habitação celestial descrita no Apocalipse sobre a Nova Jerusalém. Porém, não é propriamente sobre o futuro que o salmista está falando, mas sim do conforto recebido no presente, capaz de levantar seus ânimos em meio às lutas do cotidiano. Assim, quando o versículo 3 fala em refrigério para a alma, certamente podemos entender isto como uma restauração das nossas forças espirituais em Deus. Isto porque é o Eterno quem sustenta a nossa vida pela sua Torá (orientação), dando-nos mais do que pão para o estômago.

A Palavra de Deus, a qual também podemos entender por “instrução” (vocábulo mais adequado do que “lei” para traduzir Torá no nosso idioma), é também o caminho de justiça pelo qual a ovelha é guiada. Ou seja, quando permitimos que o Eterno nos dirija, podemos alcançar a verdadeira paz através de uma tranquilidade e de uma serenidade no nosso interior.

A esse respeito, a Bíblia é riquíssima em exortações. Os mandamentos divinos são orientações dadas aos homens para que todos possam viver bem e em harmonia com o Universo. Isso encontra-se explícito nos cinco livros da Lei de Moisés, no Salmo 1º que fala dos caminhos do justo e do ímpio, além de inúmeros outros poemas, provérbios e advertência dos profetas:

“Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. Não te desemparem a benignidade e a fidelidade, ata-as ao pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e boa compreensão diante de Deus e dos homens. Com fia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos.” (Pv 3.1-8; ARA)

Assim como um homem honrado cumpre com a sua palavra, mais ainda a instrução do Eterno não pode falhar e Ele nos conduzirá em paz pelos caminhos da vida. Tal como a gravidade atrai o corpo ao chão, os mandamentos divinos são leis que regem metafisicamente o Universo. E aí, reverenciar a instrução torna-se o primeiro passo para alcançarmos a sabedoria interior.

Na sequência, o salmista fala sobre a ausência de receio ou de temor do mal caso viesse a andar “pelo vale da sombra da morte”, o que traduz o apoio de Deus nos nossos momentos de adversidade. Segundo o teólogo congolês Nupanga Weanzana, doutor em estudos do Antigo Testamento pela Universidade de Pretória, África do Sul, a referida expressão poderia ser um local de perigo onde as ovelhas fossem vítimas de animais selvagens “ou um vale íngreme que o rebanho precisava escalar ao se deslocar de um pasto para outro” (Comentário Bíblico Africano, pág. 639). Para ele, esta imagem também lembra a experiência de Israel em sua jornada espiritual pelo deserto do Sinai fazendo uma referência a um trecho do verso 6 do capítulo 2 do livro de Jeremias que assim diz: “e sem perguntarem: Onde está o SENHOR, que vos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum?”

Aduza-se que o “vale da sombra da morte” poderia significar também uma descrição negativa do reino dos mortos que os antigos hebreus construíram em seu imaginário coletivo. Tanto é que Jó, no auge do seu desespero, chegou a pedir para Deus deixá-lo em paz antes de partir “para a terra das trevas e de sombra da morte” (ver Jó 10.20-22). Só que para o salmista não importaria por onde ele caminhasse porque a presença envolvente do Eterno seria suficiente para protegê-lo e ampará-lo nas diversas situações.

Sinceramente, eu não vejo outra maneira de viver plenamente saudável senão através da fé.

Quando colocamos a nossa confiança em Deus, sem reservas, nenhuma situação vai nos amedrontar. É claro que não estamos isentos de sofrer com as más notícias, perdas e acontecimentos ruins porque somos humanos, não de ferro. Contudo, no momento em que tomarmos consciência da Divina Providência operando a nosso favor, passamos a desfrutar da doce paz do Eterno em nossos corações mesmo que tudo esteja desabando ao nosso redor.

Nessas horas precisamos nos lembrar bem do “bordão” e do “cajado” de Deus, instrumentos com os quais os pastores traziam de volta a ovelha desgarrada e protegiam o rebanho do ataque das feras do campo. Pois, caso um lobo surgisse repentinamente, o cajado seria capaz de afugentar o predador e até mesmo evitar uma aproximação.

Bendito cajado!

Quer nos desviemos ou passemos por dificuldades, certamente o Eterno não nos abandonará porque Ele ama o seu povo. A sua proteção e a sua provisão jamais nos faltarão. Logo, devemos prosseguir confiantes, sabendo que um banquete espiritual aqui e agora nos aguarda. E que bondade e misericórdia vão nos acompanhar todos os dias de nossas vidas, tendo em Deus o nosso lar eterno, com quem estaremos para sempre unidos.

Uma boa semana e que possamos deixar Deus nos conduzir e nos saciar completamente. Segue aí um excelente vídeo encontrado no Youtube com o Salmo 23 cantado na língua hebraica:

OBS: A imagem acima trata-se da obra "O Bom Pastor", mosaico no Mausoléu de Galla Placidia, Ravenna, datado da primeira metade do século V da era comum. Já a segunda ilustração seria uma retratação do Salmo 23 da versão King James de 1880 em que o provável autor talvez seja Edward Evans (1826-1905).

OBS 2: Este texto foi inicialmente postado no blogue Confraria Teológica em http://logosemithos.blogspot.com/2011/11/ideia-de-deus-como-um-pastor.html

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pedro e Cornélio: afinal quem evangelizou quem?

Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” (Atos dos Apóstolos 10.34-35; ARA)


É curioso como que muitos dos que se autoproclamam evangelistas arrogam-se em querer converter as outras pessoas não seguidoras de suas doutrinas ou costumes religiosos.

Posso fazer essa crítica porque já fui um cara assim. Um tremendo “mala”! E sei muito bem o que significa ter esta pretensão, alguém achando-se o dono da verdade e da razão, como se fosse o proprietário das “chaves do reino dos céus”.

Na passagem bíblica que fala sobre Pedro e Cornélio (cap. 10 de Atos dos Apóstolos), encontramos um belo exemplo de que o anúncio das Boas Novas do Reino não são propriedade de nenhum homem, seita, grupo étnico ou povo exclusivo. O Evangelho é nada mais do que a pura revelação da mensagem de Deus à humanidade, indicando o Caminho rumo ao conhecimento da Verdade e à promoção da Paz, tratando-se de algo acessível a todos. Um conhecimento que qualquer um é capaz de produzir.

Deus sempre nos leva mais além do nosso cotidiano para que possamos romper com as nossas limitações pessoais. E o episódio de Pedro e Cornélio mostra que aquela comunidade dos discípulos de Jesus, em Jerusalém, precisava vencer alguns preconceitos, afastando o etnocentrismo judaico e, assim, entender qual a dimensão da obra de Deus que fora profetizada há muitos séculos pelos profetas de Israel.

Segundo o livro de Atos, nesta época, Pedro permanecia firme no contexto do seu dia a dia, visitando as comunidades dos irmãos, curando e até ressuscitando pessoas. Contudo, Pedro necessitava de uma outra experiência para ir mais além das suas limitações e, deste modo, cumprir o glorioso chamado de Deus em sua vida.

O texto diz que, enquanto Pedro estava na cidade portuária de Jope (atual Haifa), eis que, em Cesareia, sede do governo provincial na região da Palestina, também marítima, morava um alto oficial do Império Romano chamado Cornélio.

Embora fosse estrangeiro, Cornélio residia entre os judeus e tinha um comportamento íntegro diante de Deus juntamente com toda a sua família. Pois, ao invés de oprimir o povo em nome do dominador romano, ele preferia praticar a caridade e, frequentemente, orava a Deus. Porém, por ser estrangeiro, Cornélio só deveria ser respeitado pelos moradores locais em razão de sua alta posição como autoridade e das boas ações que praticava. Isto porque, naquela época, os estrangeiros eram vistos como invasores, sendo que havia uma histórica briga entre judeus e gregos.

Apesar de sofrer todo este preconceito, Cornélio teve uma experiência sobrenatural numa certa tarde quando viu um anjo. Este, ao lhe aparecer, mandou que Cornélio enviasse mensageiros até Jope onde estava Pedro e conduzisse o apóstolo para Cesareia (At 10.5-6). Temente a Deus, Cornélio dispôs-se a obedecer prontamente a ordem transmitida pelo mensageiro.

Ocorreu que, no dia seguinte, por volta do meio dia, quando os homens enviados por Cornélio estavam a caminho de Jope, Deus falou com Pedro através de uma visão. Nosso irmão vê descer do céu, num lençol, vários animais considerados pela Lei de Moisés como impuros para a alimentação e para o sacrifício. Pedro, então, ouviu uma voz com uma ordem expressa para que ele comesse a carne de vários bichos considerados dieteticamente impuros para a alimentação de acordo com a lei mosaica (Levítico 11). Porém, por três vezes, o apóstolo recusou-se a obedecer o que lhe estava sendo falado na visão, mesmo advertido para que não considerasse como coisa comum aquilo que Deus purificou.

Sem ainda entender o significado daquela experiência, eis que chegaram os homens enviados por Cornélio à casa onde Pedro estava hospedado, quando então o apóstolo recebeu uma direção do Espírito Santo para acompanhá-los (At 10.19-20). Pedro, desta vez, obedeceu à ordem de Deus e, no dia seguinte, partiu com aqueles homens (At 10.23).

Ora, Cornélio estava com o coração totalmente aberto para compreender a Palavra de Deus e convidou seus parentes e amigos para ouvirem o que Pedro teria para compartilhar. E, embora fosse ele um homem piedoso que, continuamente, orava a Deus, não sabemos se de fato Cornélio tinha a concepção sobre a existência de uma única divindade ou se deveria adorar somente a Deus, visto que dificilmente deveria recitar a confissão monoteísta do Shema (Deuteronômio 6.4). Por ignorância, ele chegou a se prostrar diante de Pedro a fim de adorá-lo, tão logo o nosso irmão chegou (At 10.5).

Entretanto, erros ingênuos como esses jamais seriam imputados por Deus aos homens, visto que Cornélio estava com o seu coração completamente aberto para ouvir o Evangelho, aguardando apenas que alguém lhe anunciasse uma mensagem que lhe acrescentaria bastante coisa pra a sua experiência de vida.

Quebrando um forte preconceito existentes entre os judeus comuns daquela época, na região da Palestina, Pedro entrou na casa de um estrangeiro e faz ali um breve discurso sobre Jesus, mas que foi suficiente para salvar a vida daquelas pessoas que estavam presentes e com os seus ouvidos atentos para qualquer ação de Deus, a ponto de todas elas receberem instantaneamente o dom do Espírito Santo como os primeiros discípulos no dia de Pentecostes (At 10.44-46, conferir com Atos 2).

Lendo os versos 36 a 43 do capítulo 10 de Atos, percebe-se que Pedro fez menção do ministério de Jesus ocorrido entre os judeus alguns anos antes, pois se tratava ainda de um fato ainda recente na memória do povo e, na certa, conhecido por Cornélio bem como pelos demais ouvintes (At 10.37-38). Prosseguindo, Pedro falou da morte de Jesus (At 10.39), sua ressurreição (At 10.40-41), da missão recebida para pregar ao povo (At 10.42) e do perdão dos pecados (At 10.43).

Sem que fosse necessário Pedro fazer alguma citação das Escrituras hebraicas, diz o texto que o Espírito Santo foi derramado sobre aqueles receptivos ouvintes enquanto o apóstolo ainda discursava. E, mesmo sem os receptores terem ainda experimentado o ritual do batismo em águas, começaram a falar em línguas e a glorificar a Deus, confirmando que, realmente, estavam experimentando a conversão.

Reparem que não foram necessárias muitas palavras (nem “apelos pastorais”, ida numa igreja evangélica, curso pra “novos convertidos” ou imposição de mãos) para que Cornélio e aquelas pessoas experimentassem Deus. Seus corações estavam verdadeiramente abertos na expectativa de compreenderem a Palavra de Deus. E, quando receberam o dom do Espírito Santo, estava mais do que confirmado que aqueles homens, mesmo estrangeiros, poderiam ter acesso ao sagrado da mesma maneira que os primeiros discípulos, Jesus ou os antigos profetas de Israel. E, inclusive, tinham também um a mensagem para evangelizar Pedro e a Igreja.

Acredito que, com isto, Deus estava quebrando todo e qualquer preconceito étnico ou racial que pudesse existir naquela época dentro da Igreja, a qual foi formada a princípio por judeus, considerados como guardiões de uma tradição milenar dada por Moisés. Até então, é possível que muitos pensassem que a salvação fosse apenas para os israelitas que aceitassem a Cristo (At 11.18), não visualizando ainda a extensão ilimitada do plano de Deus.

Pode-se dizer que Pedro experimentou um considerável crescimento na sua vida espiritual como apóstolo e pregador da Palavra de Deus. Uma experiência que, assim como as anteriores em sua vida, levou-o a romper com suas limitações pessoais, sendo conduzido pelo Espírito Santo para alcançar um grau superior de maturidade espiritual para aperfeiçoamento seu e da Igreja. Aliás, nesta altura de sua caminhada, Pedro já não era mais aquele homem inconstante descrito nos Evangelhos. Agora, além da coragem para enfrentar multidões e autoridades, Pedro estava se tornando mais compreensivo quanto aos propósitos de Deus para a humanidade.

Ora, esta história da Bíblia nos ensina que precisamos remover de nossas mentes o preconceito, seja ele qual for. Evangelizar é, antes de mais nada, um compartilhar de ideias e de experiências. Pois, quando comunicamos ao outro o nosso aprendizado de vida, não podemos ter ouvidos de mercador para os relatos das outras pessoas, pensando de maneira pretensiosa que só nós estamos anunciando as Boas Novas.

Para quebrar mais um paradigma ainda forte na Igreja do século 21, digo que muito nós podemos aprender com pessoas de outras religiões ou que não sigam a nenhum credo. Pois certamente que o budista, o taoísta, o hinduísta, o judeu e até o muçulmano dispõem de valiosos ensinos sapiençais provenientes de suas respectivas culturas e que nos acrescentarão bastante. Mesmo as religiões de origem mais tribal como as tradições afro e indígena muito presentes na sincrética umbanda, além do candomblé que é 100% de origem negra.

Quanto aos não religiosos, nós, os seguidores de Jesus, devemos igualmente estar atentos para dialogar com aqueles que nos trazem um discurso mais científico. Precisamos neste ponto abrir nossas mentes e percebermos que Deus também fala através dos físicos, médicos, historiadores, filósofos, sociólogos, filólogos, biólogos e até sexólogos, mesmo que estes pesquisadores não frequentem igrejas e uns até se declarem ateus. Pois, nestas horas, precisamos ter humildade para recebermos através deles orientações e esclarecimentos, considerando suas experiências de vida tão importantes quanto as nossas.

Para completar, quero incluir neste rol de evangelistas os poetas, os cantores, os atores de TV (mesmo os que trabalham na Globo), os escritores e todos aqueles que se aventuram no campo das artes seculares explorando o subjetivismo. E ainda menciono os desconhecidos, as pessoas simples, o homem do campo, a dona de casa, o catador de material reciclável, a pessoa portadora de necessidades especiais e até os animais. Pois todos já têm dentro de si uma percepção do Evangelho e uma riqueza de experiências, de modo que aquilo que precisamos fazer é contribuir para que o outro também some conosco na construção de um mundo melhor. Ou seja, serem participantes da construção ou vivência do Reino de Deus aqui na Terra, conforme Jesus Cristo muito pregou.

Um abraço a todos e tenham um excelente final de semana com muita paz e descanso!


OBS: A primeira imagem acima trata-se do quadro "Pedro batizando o centurião Cornélio" (1709) do artista italiano Francesco Trevisani que viveu entre os séculos XVI e XVII. Já a segunda cuida-se de uma obra anônima da arte bizantina que mostra "Pedro e o galo", lembrando a experiência da negação do discípulo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que você entende por salvação?

Olá, amigos! Gostaria de compartilhar uns pensamentos meus aqui.

Acredito em salvação num amplo e talvez num "duplo" sentido. Tanto no "presente" quanto em relação ao "futuro", se é que o tempo de fato existe.

Somos ensinados por Jesus a sermos salvos das doenças, das emoções negativas e de todo comportamento vil, assim como somos salvos da morte física através da percepção da vida que é eterna. E, sob certo aspecto, somos salvos das nossas ficções também.

Por outro lado, esta salvação se dá tanto individualmente quanto no aspecto coletivo. Pois eu entendo que o Reino de Deus não seria numa segunda Terra e muito menos num novo Universo visível, mas sim neste mesmo planeta transformado. Ou seja, imagino a humanidade com o seu modo de pensar modificado, aprendendo a lidar melhor com o seu lado mau.

Pra mim, um fim de mundo tal como ocorre nas sensacionalistas interpretações do Apocalipse, a exemplo do livro "Deixados para trás", com arrebatamentos de pessoas, vinda do anticristo, marcação das mãos e testas dos incrédulos com o 666 e perseguição aos crentes que restarem por um governo mundial até que Jesus volte sobre as nuvens montado num cavalo branco parecem mais paranoias humanas integrantes de uma absurda teologia do medo e que ajuda a movimentar uma rentável indústria literária nos meios eclesiástico e secular.

Cada vez mais tenho percebido que a manifestação do Reino de Deus se dará imperceptivelmente aos olhos humanos até que o mundo realmente compreenda o amor ensinado pelo Messias que eu creio ser Jesus e também todos os que alcançam a consciência messiânica. E, quando houver um número bem representativo de pessoas praticando o amor, nossa atmosfera espiritual vai mudar, o que não significa perfeição total. Talvez, neste tempo, o homem estará respeitando melhor a natureza, o seu próximo e compreendendo que a sua sobrevivência e bem estar dependem também da felicidade de todos, bem como de se liberar graciosamente o perdão.

Todavia, o Reino não se restringe à fisicalidade ou à chegada desta era de amor e paz. Pois, como fica o destino das pessoas "mortas" e que continuarão a "morrer"? É aí que entra a inteligência espiritual em que aprendemos a lidar com a nossa inevitável dessoma e com a ausência dos entes queridos, coisa que o materialismo é incapaz de proporcionar.

É possível que, no futuro glorioso da humanidade, a concepção de morte (não a desencarnação) deixe de existir e ninguém fique mais excessivamente preocupado com o amanhã. Porém, quem deixar o mundo físico, continuará amparado por Deus e participando da comunidade dos justos, conforme acredito que sempre ocorreu. E daí a importância da mensagem do Evangelho ser aplicada aos que estão nesta vida, para sermos salvos do presente século e da concepção equivocada sobre a morte, não de uma fictícia ameaça de castigo para quem não concordar com o pacote de crenças oferecido pelas empresas religiosas que se autodenominam "igrejas".

Paz!


OBS: A imagem acima trata-se de uma obra do pintor alemão Hans Memling, que viveu no século XV, sendo bem de domínio público e foi extraída da Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/File:MemlingJudgmentCenter-crop.jpg

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Como combater a violência no trânsito?

Neste domingo, dia 20/11, houve uma passeata diferente em São Paulo. Pessoas reuniram-se no Parque do Ibirapuera, zona sul da capital paulista, afim de protestarem contra a violência no trânsito.

A manifestação foi organizada pelo movimento União em Defesa das Vítimas de Violência (UDVV), através de uma caminhada, contando com a participação das vítimas e de seus familiares. E, conforme pude assistir ontem pela manhã, no programa Mais Você da Ana Maria Braga, na TV GLOBO, havia um recolhimento de assinaturas com a finalidade de tornar as leis mais duras para os casos de morte no trânsito, aumentando a pena do homicídio culposo para 5 a 8 anos, além da proposta de que o teste do bafômetro seja substituído por um exame clínico.

Na verdade, trata-se de um projeto de lei de iniciativa popular que propõe as seguintes alterações na Lei nº 9.503/97 (o Código de Trânsito Brasileiro, conforme o texto do abaixo-assinado virtual:

A revogação da infração administrativa prevista no artigo 165 e seguintes (A embriaguez ao volante passa a ser somente ilícito penal e não mais ilícito administrativo); A revogação dos artigos 276 e 277 dos procedimentos administrativos previstos (O procedimento administrativo foi incorporado às infrações penais); A revogação da parte final do artigo 291, caput, bem como do parágrafo primeiro e do inciso primeiro do artigo 291 (Eliminação do enquadramento à lesão corporal culposa); Propõe a alteração do artigo 302, acrescentando os §§ 2º, 3º e 4º (Aumento da pena, a obrigatoriedade da submissão ao exame clínico e a formalização de obtenção de provas de embriaguez); Propõe a alteração da redação do caput do artigo 306, e acrescentando ainda os §§ 1º e 2º (Eliminação do mínimo de concentração de 6 (seis) decigramas, a obrigatoriedade da submissão ao exame clínico, o aumento da pena e a formalização de obtenção de provas de embriaguez. (extraído do site http://www.naofoiacidente.org/)

Em relação ao exame clínico eu concordo totalmente. Afinal, muitos condutores pegos pela polícia dirigindo embriagados simplesmente recusam-se a fazer o teste do bafômetro bem como o exame de sangue já que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo em virtude do princípio basilar do devido processo legal. Então, se acabar a relativa obrigatoriedade do bafômetro, substituindo-o pelo exame clínico, em que profissionais de saúde farão uma observação do indivíduo detido pela polícia, a sociedade estará melhor protegida contra pessoas inconsequentes que jamais deveriam tocar no volante de um carro.

Contudo, tenho reservas em relação ao aumento de pena, visto que se trata de grande ilusão da sociedade acreditar que uma punição mais severa seja capaz de influenciar a conduta das pessoas.

Atualmente, a pena máxima para o homicídio culposo, quando o agente não tem a intenção de matar, é de no máximo quatro anos. De acordo com a proposta do grupo, a pena para quem matar no trânsito estando embriagado seria elevada para cinco a oito anos. Ou seja, impediria que, neste caso, o juiz condene a uma pena alternativa. Senão vejamos a proposta do grupo que acrescenta dispositivos ao art. 302 do CTB:

§ 2º. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena será de cinco a oito anos, se o agente dirigir veículo automotor em via pública e estiver sob a influência de qualquer concentração de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos.
§ 3º. No caso da infração prevista no paragrafo anterior, todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos, será submetido a exame clínico ou perícia médico legal que, por meio técnico, permita ao médico legista certificar seu estado.
§ 4º. A embriaguez a que se refere o artigo 302, § 2º deste Código poderá ainda ser constatada pelo agente de trânsito mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios sinais de embriaguez, excitação ou torpor apresentados pelo condutor que será encaminhado para a realização do exame clínico.

De acordo com esta reportagem da Folha de São Paulo, eis que um dos manifestantes, entrevistado pelos jornalistas, assim se manifestou:

"Só existem duas formas de mudar um comportamento: pela conscientização ou pela punição. A conscientização vai acontecer, mas ela é muito lenta, demorada. E eu não posso fechar os olhos para o que vejo no dia a dia (...) Hoje todo mundo usa o cinto, não por estarem todos conscientizados, mas porque é lei e obrigatório. Precisamos fazer a mesma coisa com a bebida, com uma lei mais rígida, e esperando que daqui a 50 anos as pessoas se conscientizem (...) Hoje a pessoa que comete homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar, vai pegar no máximo quatro anos de cadeia. No Brasil, com até quatro anos [de prisão], ela paga uma pena alternativa. Queremos que essa pena seja alterada para cinco a oito anos, ou seja, que se agrave pelo fato de ela estar embriagada." (extraído de http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1009352-caminhada-no-ibirapuera-lembra-vitimas-de-acidentes-em-sp.shtml)

Respeito a opinião dele, mas, sinceramente, não acho que este seja o caminho!

Se por um lado a vida não pode ser banalizada, não se pode achar que lotar as cadeias seja solução para tornar a convivência social mais segura e preventiva. Ainda mais no sistema carcerário brasileiro em que os estabelecimentos penitenciários são verdadeiras escolas do crime e que muito pioram a condição do indivíduo, tornando-o ainda mais revoltado e com sérias dificuldades de se reintegrar profissionalmente depois quando deixa o presídio.

Não podemos nos esquecer que a necessidade deve ser o fundamento para que seja aplicada a pena restritiva de liberdade. É o que nos ensina Cesare Bonesana, o Marquês de Beccaria (1738-1794) em sua clássica obra Dei Delitti e delle Pene (1766):

"Não bastava, porém, ter formado esse depósito; era preciso protegê-lo contra as usurpações de cada particular, pois tal é a tendência do homem para o despotismo, que ele procura, sem cessar, não só retirar da massa comum sua porção de liberdade, mas ainda usurpar a dos outros (...) Por conseguinte, só a necessidade constrange os homens a ceder uma parte de sua liberdade; daí resulta que cada indivíduo só consente em pôr no depósito comum a menor porção possível dela, isto é, precisamente o que era necessário para empenhar os outros a mantê-lo na posse do resto." (Dos delitos e das penas. Tradução de Flório de Angelis. São Paulo: EDIPRO, 1993, pág. 17) - destacou-se

Ora, a prisão de alguém apenas é justificável se for uma medida indispensável para assegurar a vida, a integridade física e a liberdade das demais pessoas dentro da sociedade. É algo que não pode ter nenhum caráter retributivo ou punitivo, mas tão somente o objetivo de impedir pessoas potencialmente perigosas de incidirem novamente em suas agressões, sendo óbvio que, em regra, não há nada de pedagógico numa cadeia.

Assim, entendo que aumentar a pena para mais de quatro anos é até válido. Porém, o mínimo para os casos em questão não pode ser de cinco anos! Pois é preciso que o magistrado, analisando cada caso particularmente, possa decidir se o fato é hipótese de conceder pena alternativa ou de tomar a medida extrema que seria mandar o sujeito pra uma cadeia.

Lamentavelmente, a prisão tem sido um meio de segregar as camadas mais pobres da população brasileira com menos renda e deficiência educacional. Porém, desde o século XIX, em seu livro A finalidade do direito, o jurista alemão Rudolf von Ihering (1818-1892) já considerava como irresponsável aplicar penas quando houvesse meios suficiente para a concretização do direito. Pois, do contrário, a própria sociedade viria a sofrer as consequências de estar se privando de uma parcela da sua liberdade.

Tal raciocínio de Ihering eu relaciono a outra proposta defendida pelo grupo paulista. De acordo com a ideia do abaixo-assinado, o artigo 306 do CTB passaria a ter a seguinte redação:

Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.
Penas - reclusão, de um a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
§ 1º. No caso da infração prevista no artigo 306, todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos, será submetido a exame clínico ou perícia médico legal que, por meio técnico, permita ao médico legista certificar seu estado.
§ 2º. A embriaguez a que se refere o artigo 306 deste Código poderá ainda ser constatada pelo agente de trânsito mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios sinais de embriaguez, excitação ou torpor apresentados pelo condutor que será encaminhado para a realização do exame clínico.

Embora não possamos abrandar a gravidade do caso quanto à conduta de alguém dirigir bêbado, penso que tudo se revolveria muito bem pelas
vias administrativas se as medidas adequadas fossem bem aplicadas. Deste modo, basta que se imponha a proibição do motorista infrator obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo novamente. E, somente nos casos de reincidência, e se o condutor embriagado estiver inabilitado, é que se aplicaria a restrição da liberdade da pessoa porque aí sim ela se torna uma ameaça em potencial para a vida, a integridade física dos outros, bem como para o convívio social.

Precisamos aprender a encarar esses problemas com maturidade, sem transportarmos as nossas dores emocionais para o debate político e muito menos nos deixarmos levar pelos inflamados discursos em favor do recrudescimento das penas. Sei que é difícil para alguém que, por exemplo, tenha perdido num acidente de trânsito a mãe, o pai, um irmão ou até um filho conseguir raciocinar de um modo multidimensional, colocando-se mesmo que por uns instantes na situação do lesionador. Só que, se não formos capazes de alargar a nossa visão, poderemos estar contribuindo para a criação de uma armadilha contra nós mesmo, abrindo mais espaços para o desenvolvimento de uma inescrupulosa indústria que muito se aproveita do Direito Penal, envolvendo autoridades corruptas, advogados criminalistas e a mídia sensacionalista.

Esta é a minha opinião, mesmo respeitando profundamente as iniciativas da União em Defesa das Vítimas de Violência e apoiando outras propostas do grupo.

OBS: A imagem acima foi extraída do blogue da UDVV em http://www.keikoota.com.br/blog/?p=461

sábado, 19 de novembro de 2011

O que você diria às mães de Chico Xavier?

Este mês, eu e Núbia alugamos o filme “As mães de Chico Xavier”, o qual foi assistido por mais de meio milhão de pessoas nos cinemas brasileiros.

Inspirado no livro “Por trás do véu de Ísis”, do jornalista Marcel Souto Maior, que trata da biografia do médium mineiro, o filme fala sobre as dores de duas mulheres, Ruth (Via Negromonte) e Elisa (Vanessa Garbelli), que perderam tragicamente seus filhos. E conta também sobre o drama de uma outra mãe, a professora Lara (Tainá Muller) que, encontrando-se grávida, pensavam em cometer um aborto. Todas, por uma razão particular, resolvem procurar o auxílio de Chico Xavier que, na obra, é representando pelo ator Nelson Xavier, de modo que elas vêm a ser consoladas pelas supostas mensagens do além psicografadas pelo médium.

Embora eu me posicione contra qualquer tentativa de comunicação com espíritos de pessoas mortas, por motivo de reverência à orientação texto bíblico da lei mosaica, seria um ignorante caso negasse o conforto recebido pelas pessoas quando elas procuram os “poderes” de um médium e ouvem palavras que tranquilizam suas consciências. Afinal, escutar uma uma mensagem de que o parente desencarnado encontra-se bem “do outro lado” pode proporcionar algum alívio para problemas emocionais relacionados à culpa, à saudade e o inconformismo gerados pela maneira imatura como lidamos com as nossas perdas.

Contudo, fico a indagar sobre até que ponto essa tarefa consoladora, praticada por décadas por Chico Xavier e outros médiuns, não se tornaram uma muleta psicológica?

Será que faz bem pra saúde mental uma pessoa ficar atrás de tais mensagens e depois guardar as cartas psicografadas como relíquias, prendendo-se ainda mais às lembranças do passado?

Em 1959, assim que Francisco de Paula Cândido Xavier (1910-2002) passou a viver em Uberaba, a convite do médico Waldo Vieira, a cidade tornou-se a “Meca” do espiritismo brasileiro. Vários empreendimentos espíritas surgiram em função da atividade do médium, passando a movimentar uma inegável indústria da literatura psicográfica com mais de 400 livros publicados, tendo sido escritas mais de 20 mil cartas atribuídas aos espíritos. Em torno da sua casa, multidões aglomeravam-se na expectativa de obterem um lenitivo por intermédio daquele santo popular, atraindo para o Triângulo Mineiro um novo tipo de turismo religioso.

“No mesmo período, Chico Xavier conheceu o jovem médico e médium Waldo Vieira, em parceria com quem psicografou diversas obras em comum, até à ruptura de ambos, alguns anos depois. Em 1959, estabeleceu residência em Uberaba, onde viveu até ao fim de seus dias. Continuou a psicografar inúmeras obras, passando a abordar os temas que marcam a década de 1960, como o sexo, as drogas, a questão da juventude, a tecnologia, as viagens espaciais e outros. Uberaba, por sua vez, tornou-se centro de peregrinação informal, com caravanas a chegar diariamente, de pessoas com esperança de um contato com parentes falecidos. Nesse período, popularizam-se os livros de "mensagens": cartas ditadas a familiares por espíritos de pessoas comuns. Prosseguem também as campanhas de distribuição de alimentos e roupas para os pobres da cidade.” (extraído do artigo sobre a biografia do Chico Xavier na Wikipédia)

Certamente que este trabalho consolatório tem um enorme potencial para manter dependências e repressões no sujeito assistido pelo médium. Isto porque, na maioria das vezes, as pessoas não estão dispostas a encarar certos tipos de confrontos que as levarão a experimentar crises e, consequentemente, um crescimento espiritual ou consciencial. Psicografar cartas aos parentes do falecido acaba tornando-se muitas das vezes mais uma forma de exploração da emotividade, da passividade e das carências alheias.

Na Bíblia, há uma interessante passagem em que o rei Saul procurou secretamente os serviços de uma mulher necromante para consultar-se com o espírito do profeta Samuel. Ele estava enfrentando uma guerra contra os filisteus (nação vizinha a Israel situada em Gaza) e, ao invés de concentrar-se na solução do problema e encarar a si mesmo a respeito de suas escolhas erradas, desejou buscar uma resposta imediata para aquela situação deixando vencer-se pelo medo do exército adversário. Ele até procurou obter resposta através dos profetas de seu povo, mas o texto conta que Deus nada lhe falou pois, ao que parece, tudo o que o obstinado governante precisava saber já lhe tinha sido dito anteriormente por intermédio de Samuel (quando este ainda vivia) e pelos acontecimentos experimentados.

Curiosamente, desta vez, Deus permitiu que Samuel falasse com Saul através de um método que era proibido em Israel pela Lei de Moisés – a consulta aos mortos, conforme as orientações dadas pela Torá (Deuteronômio 18.10-12). E, assim que o espírito de Samuel foi invocado, o rei prostrou-se com o rosto no chão e teve uma surpresa:

“Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, por que os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se desviou de mim e já não me responde, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei para que me reveles o que devo fazer. Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desemparou e se fez teu inimigo? Por que o SENHOR fez para contigo como, por meu intermédio, ele te dissera; tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi. Como tu não deste ouvidos à voz do SENHOR e não executaste o que ele, no furor da sua ira, ordenou contra Amaleque, por isso, o SENHOR te fez, hoje, isto. O SENHOR entregará também a Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus filhos estareis comigo; e o acampamento de Israel o SENHOR entregará nas mãos dos filisteus.” (1 Samuel 28.15-19; ARA)

A verdade é algo do qual não podemos fugir e nem negar. Saul perdeu o reino, a vida e a vida dos seus filhos porque se recusava a aceitar aquilo que sempre estivera diante de seus olhos, resistindo rebeldemente à vontade divina. Para ele não houve jeito. Mesmo tentando se iludir a vida inteira, o monarca deparou-se com a dura realidade e foi alcançado pelo poder soberano de Deus mesmo num campo escuro em que a religião israelita não admitia a sua prática. E o texto bíblico deixa bem claro que a experiência não se baseou em charlatanice ou que se tratou de uma intervenção demoníaca, mas que foi um fenômeno ocorrido debaixo da soberania divina e que não permitiu a prestação de nenhum consolo a Saul (lembra um pouco o episódio de Balaão quando este foi impedido pelo anjo de amaldiçoar Israel).

Há uma célebre frase no Evangelho de João 8.32 que admiro muito. Cuida-se deste conhecido dito que é atribuído a Jesus e muito citado nas pregações: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Ainda que o ministério de Jesus tivesse tido um aspecto consolador, no sentido de proporcionar curas e alívios para as pessoas, ele também confrontava os seus ouvintes, levando-os ao esclarecimento. E, quanto a isto, Jesus pagou um preço muito caro porque vários discípulos deixaram de segui-lo. Pois para o Mestre não bastava que alguém ficasse estagnado com uma emocionada gratidão por ter recebido alguma bênção ou ter presenciado milagres, visto que o seu desejo sempre foi o de levar os seus seguidores a uma experiência real de conversão. Um processo que inclui o autoconhecimento, a re-significação dos valores existenciais e a análise sistemática de nossa consciência, estimulando a responsabilidade pessoal e a maturidade ética.

Sem dúvida que o trabalho de Jesus também era bem diferente de muitos líderes religiosos de hoje, isto é, da tarefa consoladora que se vê frequentemente nos confessionários católicos e gabinetes pastorais das igrejas evangélicas. Pois, o que geralmente padres e pastores fazem é trocar o esparadrapo da ferida para que o paciente sempre retorne, ao invés de curarem com o medicamento capaz de cicatrizar ainda que provocando dores e ardências. Aliás, a este respeito o gênio universal da literatura russa, Leão Tolstoi (1828-1910), retrata muito bem em seu festejado conto “A morte de Ivan Ilitch” descrevendo a ineficaz extrema unção recebida pelo personagem de seu livro:

“Veio o padre e ouviu a confissão. Ivan Ilitch relaxou-se, sentiu como que um atenuamento das suas dúvidas e, consequentemente, dos seus sofrimentos. Baixou sobre ele um pequenino raio de esperança e entrou a pensar no ceco e nos meios de curá-lo. Comungou com os olhos cheios de lágrimas. Quando de novo o deitaram, após a comunhão, mostrou-se aliviado por uns instantes e reacendeu-se nele a pequena chama da esperança (…) Seu vestido, seu porte, sua fisionomia, o tom da sua voz, tudo lhe dizia: 'Não é nada disto. Tudo aquilo que você viveu, e ainda vive, é falsidade, empulhação, que esconde de você a vida e a morte'. E apenas pensou isto, reanimou-se nele o seu ódio e, com o ódio, os sofrimentos físicos e, a par deles, a certeza do fim próximo e inevitável. E uma nova sensação verrumava-o, transpassava-o, sufocava-o.” (tradução de Marques Rebêlo)

Voltando à pergunta do texto, o que você diria às mães que procuraram o Chico Xavier?

Que mensagem podemos dar a uma mulher que perdeu prematuramente o seu filho por causa do envolvimento deste com as drogas?

Como ajudar a outra mãe, que perdeu o seu filho ainda criança, a vencer todo aquele sofrimento?

Confesso que não disponho de fórmulas para ajudar os outros a vencerem o sofrimento, mas tenho aprendido a lidar com as minhas perdas através da consciência do amor e da graça de Deus, o que me leva a buscar uma percepção multidimensional da existência. Mas para isto é necessário fé, crermos nAquele que é o começo e o fim de tudo, de Quem viemos e para Quem retornaremos.

Certamente que o desenvolvimento desta fé não pode basear-se em concepções doutrinárias já criadas pelos homens acerca da Divindade. Ela deve nascer da nossa própria experimentação e do conhecimento relacional com o Eterno. Não se baseia em provas ou em mágicas, mas na resposta que damos com sensibilidade aos acenos que a vida faz.

Em sua clássica obra, “O Santo”, Rudolf Otto (1869-1937) descobriu por trás de todas as religiões do planeta uma experiência primária que ele chamou de “numinosa” (derivada do latim numem), a qual não pode ser reduzida a nenhuma outra categoria. A palavra numem seria não só um antigo vocábulo para a Divindade como significa “acenar com a cabeça”.

Quando nos tornamos atentos para a Realidade Divina presente em todas as coisas e em todas as pessoas, as quais, ocasionalmente, “acenam para nós com a cabeça”, percebemos o Mistério Sagrado, podendo dele participar. E um dos resultados dessa experimentação de Deus é a convicção íntima de que o Eterno encontra-se em tudo e em todos. Assim, quer morramos ou vivamos, estamos sempre Nele. Não há um “lado de lá” como se fossem dois mundos pois o que existe é só uma Realidade na qual todos estamos inseridos de maneira bondosa e graciosa, chamados para sermos participantes de uma única Vida manifestada de diversas formas. Só que a nossa percepção muitas das vezes é restritas e, em inúmeros momentos, recusamo-nos a ver ou aceitar.

Tudo o que buscamos e necessitamos já está em Deus que é Eterno, não em sombras de um passado ou de projeções futurísticas. Ao adorarmos o nosso Criador, em contato direto e verdadeiro com Ele, sem dependermos de quaisquer intermediários, recebemos algo muito mais completo do que os efeitos lenitivos e compensatórios de uma consulta com mestres, pastores, padres ou médiuns. Pois somos renovados diretamente pelo Autor de toda a vida, o Pai das Luzes, a Inteligência Superior que, com sua elevada sabedoria, estabeleceu amorosamente o Universo com suas leis, tendo aprovado toda a obra criada confirmando que “tudo era bom”.

Que possamos viver livres desse sacrum commercium que vende fórmulas fajutas para amenizar o sofrimento humano. Precisamos a cada dia buscar a elevação da nossa consciência e vislumbrarmos experimentalmente a nossa unidade com o Deus Eterno. E assim, seremos nutridos unicamente pelo Verbo Divino, pela Luz que emana do Criador e pela presença do seu Espírito Santo. Pois, como disse o salmista, “em Ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz”. (Sl 36.9; ARA)

A seguir, compartilho um interessante vídeo em que o ex-companheiro de Chico Xavier, o médico Waldo Vieira, fala acerca das mensagens psicografadas supostamente recebidas pelo médium mineiro:

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Petição contra a hidrelétrica de Belo Monte

A sociedade brasileira deveria participar mais desta luta e se opor à construção da usina de Belo Monte e outras que devem surgir na Amazônia nos próximos anos. Chega de jogar fora o dinheiro público! Vamos investir em energias alternativas que é o que o país tanto precisa. Por isto, estou divulgando este vídeo do Movimento Gota D'água muito bem elaborado pelos artistas das telenovelas e incentivando as pessoas a participarem assinando esta petição eletrônica: http://www.movimentogotadagua.com.br/assinatura

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A divisão do Pará em três estados: será que não existe outra alternativa?

Em 11 de dezembro, os 4,8 milhões de eleitores paraenses serão obrigados a comparecer às urnas (ou justificarem a ausência) para dizerem se concordam ou não com a divisão do território do estado em duas novas unidades da federação: Tapajós e Carajás.

Desde sexta-feira (11/11), iniciou-se a propaganda eleitoral lá, com 40 minutos diários nas emissoras de rádio e de TV, proporcionando o direito de voz às frentes favorável e contrária ao desmembramento. E, no dia do plebiscito, os paraenses terão que responder às seguintes perguntas: "Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado de Carajás?" e "Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Tapajós?". O número 77 vai corresponder à resposta "sim" para qualquer uma das perguntas. E, por sua vez, o número 55 será usado para o "não".

Com apenas 144 municípios, o Pará é o segundo maior estado do país e dispõe de uma enorme área de 1.248.042,515 km², sendo pouco maior que Angola. Sua população é superior a 7,3 milhões de habitantes, dentre os quais 2,1 milhões vivem na região metropolitana de Belém. Logo, existe alguma possibilidade de que a maioria do eleitorado decida pelo "sim", ainda que, no momento, as pesquisas demonstrem que a população entrevistada seja contrária à separação.

Um dos fortes argumentos a favor da separação é que os governos paraenses têm sido incapazes de promover uma assistência satisfatória aos lugares da região oeste do estado. Questões importantes relacionadas à saúde, educação, infraestrutura e meio ambiente não são adequadamente tratadas. E aí, uma das expectativas dos separatistas é que, havendo um aumento dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), hipoteticamente ficará mais fácil combater tais problemas que, como bem sabemos, são estruturais.

Embora a divisão do Pará possa abrir espaço para novas oportunidades, entendo que é preciso que cada eleitor tenha os dois pés no chão quando for votar. Caso o "sim" ganhe, sabe-se que o maior estado em termos territoriais (Tapajós) terá o menor PIB (estima-se uns R$ 6,4 bilhões). Sabe-se que, atualmente, as principais forças da economia do Pará são a extração de minério e de madeira, além da agricultura, pecuária, indústria e turismo. Então, se Tapajós for transformado em nova unidade federativa, vai ter que sobreviver basicamente da Mineração Rio do Norte, da futura Usina de Belo Monte e do desmatamento da floresta amazônica. E diga-se de passagem que nessas áreas a serem separadas estão alguns dos municípios com maiores índices desmatamento na Amazônia Legal, dentre os quais podemos citar Altamira, Pacajá, Novo Progresso, Novo Repartimento e São Félix do Xingu. Todos integram uma lista prioritária para o combate à devastação florestal montada pelo Ministério do Meio Ambiente.

Há quem diga que "dinheiro chama dinheiro" e que "miséria atrai miséria". Eu, mesmo não absolutizando estes conceitos, concordo que um problema pode muito bem provocar outros e, neste sentido, visualizo um quadro muito negativo para a região oeste do Pará, caso ocorra a divisão. Tanto para a questão ambiental quanto em relação à segurança. Pois já que faltará um aparelho produtivo a Tapajós, a sua dependência econômica da extração madeireira e do avanço predatório das pastagens sobre a floresta se tornará cada vez maior, assim como haverá mais apoio em favor da destrutiva construção de Belo Monte. Já em termos de segurança, fica a indagação se o novo estado não se tornará por muitos anos um paraíso para traficantes de drogas e de animais silvestres que contrabandearão as nossas riquezas pelas fronteiras internacionais.

Penso que as demandas sociais e as reivindicações autonomistas das comunidades são justas e devem ser verdadeiramente contempladas. Acredito que, através de uma efetiva participação do cidadão, com consciência, ética e união das pessoas, a região do oeste paraense pode dar enfrentamento aos seus problemas e prosseguir rumo a um desenvolvimento sustentável compatível com o ecossistema amazônico.

Certamente que o tema da divisão do Pará tem a ver com a realidade do Brasil inteiro e este debate abre portas para encontrarmos uma solução jurídica que talvez ponha fim aos movimentos emancipacionistas. Proponho, por exemplo, uma descentralização administrativa do Pará através de autarquias territoriais.

De acordo com a Constituição Federal em seu artigo 25, parágrafo 3º, os estados podem, mediante lei complementar, instituir tanto regiões metropolitanas quanto as microrregiões. Estas, segundo define o Texto Maior, seriam circunscrições "constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum". Em outras palavras, seriam grupos de municípios limítrofes que apresentam certa homogeneidade e problemas administrativos comuns.

Até aí, não haveria nenhuma novidade. Pois, se entrarmos na página do governo paraense na internet, encontraremos lá um mapa interativo com várias regiões administrativas que, em razão de suas respectivas dimensões territoriais, deveriam ser chamadas de macrorregiões, não de micro. E as maiores delas são justamente as que estão no centro-oeste: Xingu, Tapajós e Baixo Amazonas. Já no Sudeste, tem-se Araguaia e Carajás.

Ora, e se as regiões administrativas pudessem ser tratadas como autarquias territoriais, dando aos cidadãos mais autonomia e democracia para decidir? Pois, assim como a União pode criar os seus territórios, os estados também poderiam buscar uma descentralização geográfica em que as suas unidades regionais passariam a ter um órgão colegiado com poderes deliberativos compostos por representantes eleitos diretamente pelo povo, conforme lei estadual. Seriam as Câmaras Regionais.

Assim como o Território Federal não é um ente federativo, as Regiões Administrativas Estaduais, quando forem dotadas de personalidade jurídica pelo legislador constitucional (através de uma emenda à Carta Magna), passariam a ser regidas por uma Lei Orgânica, cujo projeto seria aprovado pela Câmara Regional e promulgado pela Assembleia Legislativa. O administrador regional poderia ser eleito diretamente ou indicado pelo governador, neste caso com aprovação da Câmara Regional. Já o Poder Judiciário continuaria estadual, assim como os serviços da Defensoria Pública, do Ministério Público e das polícias civil e militar.

Certamente que esta ideia não resolveria os conflitos pelos recursos financeiros. Daí, vejo como solução o Brasil adotar o voto distrital ou então permitir que as constituições dos estados opcionalmente o façam, bem como criar um Poder Legislativo bicameral. Nesta hipótese, o Pará poderia ter um "senado estadual", o que seria condizente para um estado que tem um território maior do que muitos países do mundo, além de uma população de certo modo representativa.

De qualquer modo, não me iludo nem com o plebiscito ou com as ideias que estou propondo. A verdade é que os problemas do Pará, assim como do Brasil inteiro, têm raízes éticas, educacionais, estruturais, econômicas e culturais. Não basta apenas desmembrarmos estados ou reformularmos os sistemas se as pessoas continuam sendo a causa da própria infelicidade. O cidadão precisa adotar uma nova postura em relação à política. Novos valores de riqueza precisam ser idealizados. Precisamos ser mais participativos quanto à administração do dinheiro público. E, acima de tudo, aprendermos a agir honestamente deixando de lado o individualismo e dando lugar à consciência coletiva.

Como alguém que analisa o Pará de fora e que já esteve lá andando pela Transamazônica e navegando pelos rios Xingu e Amazonas, sei o quanto o interior paraense é pobre. Ainda assim, se pudesse votar no dia 11 de dezembro, optaria pelo "não", sabendo que. E, se fosse um parlamentar no Congresso Nacional, teria rejeitado esta ideia radical de plebiscito cuja proposta nada mais é tapar o sol com a peneira. Porque melhor para os cidadãos paraenses que jamais houvesse esta cara consulta popular porque, mesmo se a divisão do Pará não for aprovada, ficará ainda mais difícil propor uma solução alternativa por causa da arrogância dos políticos vencedores que não desejarão mudanças.

Que haja mais esclarecimento, sensibilidade e consciência na nossa República que hoje completa 122 anos!


OBS: A primeira imagem (da bandeira do Pará) foi extraída da página do governo paraense. Já a segunda, encontrada na Wikipédia, foi originalmente extraída da Agência Brasil e sua autoria é atribuída a Wilson Dias. Já a terceira ilustração trata-se de uma foto tirada na viagem que eu e Núbia fizemos à Amazônia, salvo engano fotografada em Gurupá (PA).

domingo, 13 de novembro de 2011

"Se Deus está conosco, por que tanto sofrimento?"

Certamente você já se deparou com pessoas formulando abertamente tais perguntas e até mesmo possa ter se questionado e jamais exposto aquilo que pensou. Mas saiba que, milênios antes dos ateus da era contemporânea fazerem indagações deste tipo, a Bíblia relata que um homem chamado Gideão teve a coragem de jogar este sentimento na cara do Anjo do SENHOR.

"Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o SENHOR é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram dizendo: Não nos fez o SENHOR subir do Egito? Porém, agora, o SENHOR nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas." (Juízes 6.13; ARA)

Em outras traduções do Texto Massorético, estas mesmas palavras atribuídas a Gideão mostram-se ainda mais rudes do que na versão revista e atualizada de João Ferreira de Almeida:

"e Guidon disse-lhe: 'Por favor, meu senhor, se o Eterno está conosco, por que nos sobreveio tudo isto? Onde estão todos os Seus milagres, que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Eterno subir do Egito? Pois agora o Eterno nos abandonou e nos deu na mão dos midianitas'" (Sêfer)

"Gedeão lhe respondeu: "Eu te peço, meu Senhor! Se Iahweh está conosco, donde vem tudo quanto nos acontece? Onde estão todos os prodígios que os nossos pais nos contavam dizendo: 'Não nos fez Iahweh subir do Egito?' E agora Iahweh nos abandonou e nos deixou cair sob o poder de Madiã..." (Bíblia de Jerusalém)

Embora o Anjo do SENHOR não responda a Gideão, a resposta parece ter sido dada pelo redator de Juízes nos versos de 7 a 10 do capítulo 6. De acordo com a narrativa bíblica, os israelitas tinham se afastado de Deus e, por consequência da prática de coisas más "aos olhos" do Eterno, passaram a ser subjugados pelos midianitas e outros povos nômades que pareciam viver do saque das nações sedentarizadas.

Dentro do contexto religioso dos povos sedentários do antigo Oriente Próximo, os quais viviam da agropecuária, havia o costume idolátrico de cultuar Baal. Debaixo de árvores consideradas sagradas, como o carvalho onde o Anjo do SENHOR apareceu a Gideão, eram oferecidos sacrifícios para as divindades cananeias na vã expectativa de se obter resultados melhores nas próximas colheitas.

Além disso, a narrativa relata que a opressão dos midianitas, embora tenha durado sete anos, parece ter sido mais dura que as anteriores. Tanto é que, temendo os seus adversários, os israelitas precisavam esconder nas grutas os estoques de alimentos para não serem totalmente roubados pelos adversários. E ninguém ousava tomar uma providência prática, de modo que as tribos de Israel andavam desunidas e cada vez mais se alienando dentro da emburrecida adoração baalista.

Ora, a pior opressão não é aquela que está fora de nós, mas sim dentro. E, neste caso, Gideão foi um homem inconformado com a realidade em que vivia. Ele, sendo pobre e explorado pelos estrangeiros em sua própria terra, demonstrou não gostar muito daquela conversinha mole dos religiosos e foi até capaz de duvidar da aparição sobrenatural do Anjo do SENHOR, considerada como uma teofania por muitos teólogos.

Num interessante paralelo com Moisés, Gideão é convocado para uma missão humanamente impossível. De modo algum ele é censurado por Deus por agir com sua maneira rude de manifestar as suas dúvidas quanto à Divina Providência. E, em todas as vezes que fala com o Eterno, o maior dos juízes de Israel é encorajado a lutar numa guerra santa contra os inimigos do seu povo:

"Então, se virou o SENHOR para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura não te enviei eu?" (Jz 6.14; ARA)

Num precioso relacionamento de intimidade entre Gideão e Deus, um coloca o outro a prova. Depois de pedir o sinal do velo e o orvalho, afim de que a sua missão fosse autenticada por um milagre (Jz 6.36-40), Deus então reduz o número do exército de Gideão para atacar o inimigo com tão somente 300 homens (Jz 7.1-8). E o êxito de sua campanha militar ocorre de maneira surpreendente. Depois que Gideão soube do temor infundido no adversário (Jz 7.9-15), os midianitas foram vencidos sem que ocorresse a princípio nenhum combate físico, pelo que foram tomados pelo pânico do Deus de Israel (Jz 7.19-22).

Por mais que um relato sobre guerra santa venha chocar a moral de um leitor do século XXI, não se pode ignorar a essência espiritual que se encontra ali. A Bíblia é um ótimo livro para expor com riqueza de detalhes o comportamento humano, sem nada a esconder sobre as falhas de caráter de seus personagens, mesmo em relação aos líderes de Israel. E, por sua vez, a guerra santa, necessária para a sobrevivência dos povos antigos, torna-se hoje uma ilustração da batalha que travamos dentro de nós mesmos e nos nossos relacionamentos com a sociedade em busca da justiça.

Pode-se dizer que a realização da justiça é algo inseparável do Reino de Deus, a respeito do qual Jesus muito pregou. E o estabelecimento deste Reino se faz tanto através da intervenção milagrosa de Deus como também guarda uma relação com o agir do seu povo aqui na Terra, executando-se através de nós a missão apostólica de anunciar ao mundo as boas novas da graça. Se bem que a vinda dessa nova realidade não vem com aparência exterior e já foi começada há muito tempo (Lucas 17.20-21).

Certamente que, nesta luta sagrada contra o mal, Deus não quer que sejamos covardia. Mesmo dentro do refinamento ético que a evolução dos tempos nos impõe, afim de nos abstermos atualmente de qualquer tipo de derramamento de sangue, é preciso ter a mesma disposição de Gideão para enfrentarmos os problemas pessoais e da coletividade.

Como podemos ler nos capítulos 6, 7 e 8 de Juízes, Gideão evoluiu em relação ao argumento de que a nação de Israel tinha sido abandonada por Deus. Após libertar-se interiormente do ópio da idolatria religiosa, ele partiu para o enfrentamento da realidade e mobilizou a sua comunidade para enfrentar os invasores.

Igualmente, também precisamos da mesma atitude de Gideão. Temos que romper com o viciante conformismo no qual o Brasil hoje se encontra, "deitado eternamente em berço esplêndido". Pois, afinal, conforme está lá em Mateus 11.12, o Reino "é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele" (ARA). Ou, numa versão sem eufemismo, o Reino "é assaltado com violência; são violentos os que o arrebatam" (TEB).


OBS: A ilustração acima refere-se à pintura do artista sacro holandês Maarten van Heemskerck que viveu entre 1498 e outubro 1574. O quadro, pintado por volta de 1550, retrata o personagem bíblico Gideão agradecendo a Deus pelo milagre do orvalho (passagem de Juízes 6.36-40) e se encontra no Museu de Belas Artes de Estrasburgo, localizado na Alsácia francesa. Já a imagem à esquerda cuida-se de um auto-retrato que, originalmente, foi pintado junto com o Coliseu. Maarten van Heemskerck ficou conhecido por suas representações das Sete Maravilhas do Mundo, tendo sido ele filho de uma família de pequenos agricultores em Heemskerk, norte da Holanda.