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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Venha para o banquete da graça na casa de Levi!



Levi, identificado também como Mateus nos evangelhos, foi um coletor de impostos que se tornou apóstolo de Jesus. Naqueles tempos, os homens que exerciam a função de cobrar os tributos para o Império Romano eram chamados de publicados e considerados como a escória de Israel. Seja porque, habitualmente, muitos deles se corrompiam ou pelo fato de apenas trabalharem para o opressor governo estrangeiro.

No lado oposto aos publicanos estavam os fariseus, tidos como a nata moral do povo israelita por viverem rigorosamente a legislação de Moisés. Estes praticavam ritualisticamente a caridade para com os pobres, faziam constantes orações e se consagravam com frequência através de jejuns. Tinham qualidades, mas os evangelhos não os consideraram como modelos a serem seguidos e os textos expuseram as contradições de comportamento que tinham.

Enquanto os religiosos fariseus mantinham-se resistentes e excessivamente críticos em relação ao ministério de Jesus, os pecadores publicanos foram capazes de receber o ensino do Mestre de coração aberto. Se para os fariseus era blasfematório o Senhor ter declarado o perdão de pecados a um homem paralítico (Lc 5:20-21), Levi parece ter se sentido honrado com o chamado de Jesus para segui-lo.

"Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me. Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu" (Lc 5:27-28; ARA)

Vejo na vocação de Levi pelo menos dois detalhes interessantes. Um é o lugar onde ele se encontrava (na coletoria), numa espécie de "antro de perdição" onde muita maracutaia deveria acontecer e o nível de corrupção ali talvez só perdesse para o Congresso brasileiro. Numa atualização ampla da mensagem bíblica, o local poderia corresponder também aos prostíbulos, às bocas de fumo e mais ainda às delegacias de polícia da "banda podre". Jesus foi então buscar o seu discípulo onde religioso nenhum de sua época gostaria de ir. E só poderia estar assentado ali quem realmente não fosse santo.

Ao chamado do Mestre, Levi respondeu prontamente abandonando tudo aquilo. Ou seja, deixou para trás a vergonhosa profissão de publicano coletor de impostos que, embora trouxesse as compensações das riquezas materiais, não supriam as necessidades de seu coração. O convite de Jesus para segui-lo no seu ministério foi entendido como opção superior incomparavelmente melhor do que manter uma vidinha ilusória anestesiada pelo dinheiro.

A amizade de Jesus tornou-se algo de elevada estima para Levi e ele resolveu compartilhar isso com seus companheiros de profissão. O amor inconfundível do Mestre foi capaz de apresentar um Deus acessível para todos os pecadores. Pouco importava qual a situação moral do homem para a sua aceitação imediata no Reino. Por isso, os publicanos passam a sentir prazer em estar com o Senhor. Ao cenário julgador e de difícil acesso onde estavam assentados os fariseus e mestres da Lei no episódio da cura do paralítico de Cafarnaum, surge uma mesa de comunhão fraternal na casa do novo discípulo. Dali os religiosos se auto-excluem murmurando:

"Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?" (v. 30)

Sem deixar a festa, Jesus respondeu metaforicamente aos que se separavam dos pecadores arrependidos e do banquete da graça:

"Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento" (vv 31-32)

É certo que o Reino não viera somente para os publicanos mas para os fariseus também a ponto de ter Jesus pregado nas sinagogas destes que era o lugar frequentado pelo religiosos. Mas será que estes tinham a consciência do médico das almas no meio deles? Ou melhor dizendo, tinham os tais uma percepção da própria necessidade espiritual de arrependimento para buscarem uma reciclagem ética?

Ao ouvirem a resposta de Jesus, aqueles religiosos nem devem ter dado conta que eram também doentes e procuraram um outro motivo para pegarem o Mestre em contradição. Tocaram na falta de jejum habitual dos discípulos ao argumento de que tanto os seguidores dos fariseus quanto os de João Batista mantinham uma frequência de orações e atos de consagração enquanto a rapaziada ali comia e bebia sem cerimônias. E a este discurso hipócrita respondeu Jesus:

"Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão" (vv 34-35)

Com esta explicação, Jesus não esvaziou o valor da prática do jejum mas teria ressaltado a necessidade de correspondência à ocasião apropriada, reprovando o modo de vida ascético de muitos religiosos. Estes demonstraram preferência pela tristeza e pelo luto, agindo com a incapacidade de saborear o arrependimento dos irmãos pecadores. Pretendiam perpetuar nas pessoas, durante um ano inteiro, os sentimentos de contrição e penitência característicos da celebração judaica do Yom Kippur ("Dia da Expiação"), única data no calendário em que a legislação de Moisés prescrevia um jejum obrigatório para os israelitas.

Ora, será que eram só aqueles fariseus que não gostavam de festejar? Quantos hoje no nosso meio eclesiástico não permanecem de cara triste restringindo o convívio alegre com os irmãos? Tem cada igreja por aí que só pedindo misericórdia! Fazem da Santa Ceia momentos pavorosos produzindo um sentimento de inadequação tão forte em que muitos acabam deixado de participar. Neste ano mesmo, quando eu fui visitar uma igreja presbiteriana, achei absurdo o pastor que ministrou a Ceia ter estabelecido requisitos para que alguém comesse do pão e bebesse do cálice. Só quem fosse batizado e membro de uma denominação evangélica é que estaria legitimado cear com eles. Minha esposa que frequenta um centro espírita não pôde e eu que estou sem vinculação institucional-religiosa também não me enquadrava naquelas especificações que nem a Bíblia impõe. E acho que Jesus também ficaria de fora daquele momento a meu ver mais fúnebre do que feliz.

No complemento da resposta de Jesus são inseridas duas figuras metafóricas que repetem o mesmo pensamento: da veste nova e dos odres novos. Com a presença do "noivo", tem-se a chegada do "novo" que seria a vinda do Reino. Tratava-se, pois, de um feliz momento de celebração em que, finalmente, a salvação havia chegado a todos inclusivamente. Só que para essa maravilhosa pesca de homens os odres velhos e os panos antigos da religiosidade não se prestariam. O comportamento dos fariseus era, portanto, impróprio para a ocasião.

Em relação ao texto do Evangelho de Marcos, há um proposital acréscimo de Lucas que assim diz:

"E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: O velho é excelente" (v. 39)

Pois é. Penso que aí esteja o convite de Jesus para preferirmos sempre o melhor, motivo pelo qual recuso-me retornar para certas "igrejas". Além da religiosidade não combinar com a celebração da vinda do Reino, não representa a melhor opção existencial. O vinho mais gostoso significa aderir à festa alegre anunciada pelas boas novas de Cristo para comemorarmos a inclusão de todos na nossa eucaristia permanente, comprazendo-nos na conversão dos pecadores e no apoio total dado pela comunidade aos irmãos, inclusive financeiro, se necessário.

O Reino de Deus é chegado! Isto João Batista e Jesus proclamaram em seus dias sendo que os evangelistas passaram pra frente tal anúncio. Doentes da alma e pecadores todos somos. Porém, há graça sem medida para a cura e regeneração das pessoas, motivo pelo qual não podemos mais desperdiçar o nosso tempo com religiosidade. Vamos ao banquete na casa de Levi!


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro A Vocação de São Mateus (1599-1600) do pintor Michelangelo Merisi de Caravaggio (1571-1610). A obra se encontra em Roma e foi extraída do acervo virtual da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caravaggio,_Michelangelo_Merisi_da_-_The_Calling_of_Saint_Matthew_-_1599-1600_(hi_res).jpg

7 comentários:

  1. Rodrigão, concordo com você em vários aspectos das suas ponderações, no entanto, quanto a celebração da Santa Ceia, entendo perfeitamente a recomendação de que os participantes devem está em comunhão com a sua igreja. Embora, eu iria mais além, baseada nas sérias recomendações do apóstolo Paulo:

    "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.

    Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

    Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.

    Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.

    Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.

    Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

    Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 1 Coríntios 11:26-32

    Creio que não é necessário comentar porque o ministrador da Santa Ceia, tem a obrigação de preservar de tomá-la, pessoas que realmente não estão em comunhão com o Senhor.

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    1. Prezada Guiomar,

      Boa noite!

      Observo uma contradição entre a passagem bíblica que citou e sua conclusão.

      Quando Paulo recomenda para que o homem examine a si mesmo (1Co 11:27), tal orientação é incompatível quando a irmã diz que o ministrador da Ceia deve preservar de participar "pessoas que realmente não estão em comunhão com o Senhor". Antes de mais nada, a decisão se tomará ou não os elementos da Ceia deve partir do próprio indivíduo e não de terceiro. Não há no texto qualquer embasamento que permita uma terceirização de escolha.

      Entretanto, no caso que mencionei neste artigo, não chegou a haver uma proibição específica do tipo a pessoa tal não poderá participar, coisa que também combato. O que assisti foi uma liderança com um título de "reverendo" estabelecendo critérios sobre quem deve tomar parte na Ceia. Segundo ele (não sei se toda a sua denominação religiosa pensa assim), somente os "pastores" teriam autoridade para ministrar a Ceia e os participantes teriam que ser evangélicos, batizados em igrejas evangélicas e em comunhão com suas igrejas, além de outras coisas que agora não me recordo. Ele não chegou a conferir se A ou B estaria enquadrado, mas deixou claro quais seriam as regras daquela casa.

      Pois bem. Eu e outras pessoas que estávamos ali pela ocasião do batismo de uma irmã compreendemos que não os enquadrávamos nos tais critérios que para mim são do homem e não de Deus. Mesmo sem estar circunstancialmente não me congregando com algum grupo na condição de membro institucional, eu me sentia em comunhão com o Senhor. Porém, tendo percebido a atitude de exclusão em relação a outras pessoas e o institucionalismo vinculado ao tal momento, concluí que aquele evento poderia ser qualquer outra coisa, menos a Ceia do Senhor.

      "Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis" (1Co 11:20)

      Assim como em Corinto cada qual tomava a sua própria ceia, banqueteando-se sem dividir com o outro, vi naquela igreja algo parecido. Não pelo excesso de comida, mas de moralismo e falsa santidade em se arrogarem donos de Deus a ponto de quererem excluir daquele símbolo de comunhão fraterna quem fosse de outro credo religioso e mesmo cristãos não evangélicos, ou que estivessem por qualquer razão desviados, ou ainda desigrejados fora da condição de membros.

      Absurdo!

      Aquilo é que eu chamaria de não discernirem o corpo do Senhor, o qual não veio chamar justos e sim pecadores ao arrependimento. Trata-se da casa lotada onde o espaço estava tomado por fariseus e mestres da lei onde a santidade dos "separados" impede que os necessitados espiritualmente se aproximem de Jesus a ponto de ser preciso criar uma via alternativa pelo telhado.

      Por causa disso, por falta de discernimento, tenho visto muitas igrejas comendo e bebendo para a própria condenação, tornando-se fracas e doentes, e não poucas dormem. E como dormem em relação à obra do Reino.

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    2. Ainda sobre o texto epistolar, compreendo que os versos citados precisam ser lidos e interpretados em conjunto com o restante da passagem da epístola que vai do versículo 17 ao 34 do capítulo 11. Isto porque, segundo a repreensão de Paulo, os coríntios estavam tomando cada um "a sua própria ceia" (v. 21), em que os ricos se banqueteavam enquanto os pobres sofriam necessidades, conduta que afronta a unidade que deveria haver entre o povo de Deus.

      Assim, ao invés de celebrarem a Ceia do Senhor, os coríntios estavam se ajuntando para festejar sem a observância do amor de Cristo, trazendo para dentro da reunião as divisões classistas existentes no meio social já que formavam grupos separados. Com isto, eles estavam perpetuando dentro da Igreja a desigualdade entre ricos e pobres que já existia no mundo de um modo até mais acentuado que nos nossos dias onde a escravidão encontra-se juridicamente abolida.

      Afim de que os destinatários de sua carta entendessem qual é o significado da celebração da Ceia, Paulo repete a tradição apostólica sobre a instituição do memorial de Cristo, quando Jesus simbolicamente afirmou "isto é o meu corpo, que é dado por vós". Ou seja, Paulo estava chamando a atenção dos coríntios acerca de coisas que muitos deles andavam ignorando e, obviamente, estavam deixando de participar da verdadeira Ceia.

      Evidente que participar exteriormente do memorial de Cristo sem estar unido em amor com os demais irmãos equivale a se colocar na mesma categoria dos que mataram a Jesus. Obviamente que não pelo simples fato de comer do pão ou de beber do cálice, mas sim pela conduta egoísta e segregadora da pessoa que continua incompreensível quanto às necessidades de seu próximo, deixando que outros membros da família de Deus passem fome enquanto ela se regala com seus prazeres pessoais.

      Ora, agir desta maneira é viver debaixo do engano religioso! É iludir a si mesmo como se estivesse participando da Ceia do Senhor, como na verdade tal pessoa está celebrando sua própria refeição - o banquete símbolo da destruição ou condenação. Logo o "castigo", ou melhor, a consequência de uma vida individualista com desamor, repercute como morte e adoecimento da alma. Porque é como se Cristo estivesse sendo novamente assassinado através do desprezo pela necessidade do irmão mais pobre.

      Porém, não é muito diferente da conduta dos coríntios o que muitas "igrejas" fazem quando resolvem restringir a participação de pessoas na Ceia conforme os critérios moralistas de seus líderes. Quando um "pastor" impede que um homossexual ou um viciado em drogas celebre o memorial de Cristo, ele está limitando o banquete aos que têm alguma moeda moral, deixando de fora os que seriam mais necessitados espiritualmente. E, com isto, um religioso acaba agindo como réu do corpo e do sangue do Senhor porque está excluindo da comunhão no corpo um ser pelo qual Jesus morreu.

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    3. Continuando, o "comer indignamente" em nada tem a ver com o fato de alguém participar da Ceia do Senhor tendo ainda falhas de caráter e de comportamento, coisas que todos nós teremos todos os dias durante a nossa peregrinação na Terra. Qualquer discípulo de Jesus, à semelhança dos doze apóstolos na primeira Ceia, deve ter a consciência de que suas fraquezas pessoais vão continuar se manifestando mesmo depois de inúmeras celebrações. Então, o que deve ser refletido na ocasião do memorial de Cristo é justamente compreendermos a nossa condição de pecador e o significado da mensagem libertador do sacrifício na cruz, na qual a minha carne também tem que ser pendurada.

      Logicamente que, durante 1900 anos, não interessou às autoridades eclesiásticas trazer o verdadeiro esclarecimento sobre o sentido da Ceia. A instituição da eucaristia passou a ser utilizada como um instrumento para se incutir culpa nas pessoas por suas faltas cometidas. O "pastor" arroga-se no direito de indicar aquilo que, na sua visão moral, seria certo e errado, sem que o próprio participante do evento adquira consciência própria cerca de suas ações. E quase sempre as reprovações do líder religioso estão voltadas para falsos ideais de pureza que, na prática, são mecanismos repugnantes de repressão da sexualidade humana e uma distorção da ideia sobre santidade já que é muito fácil alguém condenar no púlpito coisas como o sexo fora do casamento formal, o fumo ou a ingestão de bebidas alcoólicas, mas ignorar a desigualdade social manifestada inúmeras vezes dentro da própria Igreja.

      Nos dias de hoje, quantos empregadores que se dizem cristãos e dão boas ofertas em suas igrejas não exploram seus empregados e conduzem seus negócios sem ética?

      Que tipo de ceia é esta em que, apesar de todos comerem juntos os elementos simbólicos do pão e do cálice durante a celebração na igreja, ninguém mais é capaz de pensar no bem estar do seu próximo e cada um só se preocupa com a satisfação das próprias necessidades?

      Acontece que não posso deixar de confessar este pecado coletivo dos cristãos nos tempos atuais. Pois a omissão da Igreja tem a condenado junto com os malfeitores que crucificaram a Jesus. Com isto, o cristianismo come e bebe para a sua própria perdição, obscurecendo o seu entendimento acerca do que é sermos um só povo e da vida baseada no amor, onde não deve mais haver diferenças sociais no meio da assembléia de Cristo.

      Oro para que a Igreja tome consciência do seu papel social e que se liberte dos moralismos hipócritas, passando a incluir na Ceia do Senhor a todos, pois foi por todos que Cristo morreu na cruz dando o seu corpo e derramando o seu precioso sangue. Que Deus abra os nossos olhos!

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  2. Bem você falou: Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento. É exatamente o pecador arrependido que pode anunciar a morte de Jesus, pois ela transformou a sua vida.

    Se crentes participam da Santa Ceia, vivendo uma vida que não condiz com o caminhar de Jesus, ele toma para a sua própria condenação. Um pecado não justifica outro.

    Paulo falou sobre a desordem, mostrando que a Santa Ceia, não significava um jantar, mas também falou sobre a seriedade do ato, do dever de cada um examinar-se a si mesmo antes de participar da mesa do Senhor. Se uma pessoa não é ensinada e participa simplesmente como um ritual, o ministro peca em não levar a congregação a compreender a grandeza do ato de comungar.

    Quando eu ministro a ceia, faço questão de levar a congregação a voltar-se para si mesma, para os seus relacionamentos de uma forma geral e para a sua comunhão com Deus. Porque a Santa Ceia não é ministrada para levar o homem a ter comunhão com Deus, mas é ministrada para relembrar a morte de Jesus que nos levou a comunhão com Ele.

    Cristo realmente morreu por todos, mas nem todos aceitaram o sacrifício do calvário. "Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele." João 14.21.

    Percebo que seu discurso quanto a pessoa que vive na prática do pecado, voltou a ser o mesmo de uns tempos atras. Por que Rodrigão?

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    1. Prezada irmã,

      Não é o ato de participar do memorial da Ceia indignamente que atrai a condenação da qual Paulo fala em sua epístola. É o viver de maneira errada. Os mandamentos e a instrução do Senhor foram dados para o nosso bem coo está lá em Deuteronômio 4:40:

      "Guarda, pois, os seus estatutos e os seus mandamentos que te ordeno hoje, para que te vá bem a ti e a teus filhos depois de ti e para que prolongues os dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá para todo o sempre" (ARA)

      Esse viver indignamente é bem amplo. Abrange desde uma vida individual entregue ao pecado quanto a conduta sem amor de uma comunidade eclesiástica quando esta passa a agir como os fariseus criando obstáculos de acessibilidade a Deus.

      Quem ministra a Ceia (pra mim não há necessidade de ser um "pastor" de alguma instituição) deve de fato esclarecer qual o significado daquele momento eucarístico. Eu, por exemplo, não entendo que ocorra a trans-substancialização do Corpo de Cristo como creem os católicos e vejo mais como um memorial tradicional da Igreja em que estamos anunciando a morte do Senhor além de celebrando a nossa comunhão com Deus e com os irmãos, festejando a salvação eterna, a libertação dos pecados e nossa aceitação incondicional como filhos amados pelo Pai. É um momento tão maravilhoso, uma oportunidade tão espetacular para a evangelização que, mesmo dois mil anos depois de Jesus, continuo vendo importância em repetirmos de tempos em tempos a ministração da Ceia, ainda que ela não seja condição de coisa alguma para haver a koinonia e alguns de seus atos não seja mais compreendido como eram no passado pelas primeiras gerações de cristãos.

      Entretanto, nunca podemos nos esquecer que a Ceia é do Senhor e não nossa, ou das nossas congregações. Jamais podemos restringir a participação dela apenas aos que forem membros da nossa denominação religiosa ou de um determinado segmento do cristianismo como, por exemplo, se estivesse destinada apenas aos evangélicos. Logo, se numa igreja, católicos, espíritas e pessoas desigrejadas, estejam estas desviadas ou não, deixam de ser convidadas a participarem da celebração, solidariamente eu também não comerei da mesma mesa excludente.

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    2. Provavelmente a irmã deve lembrar-se quado eu, há uns dois anos atrás, disse que ministraria a Ceia para casais de homossexuais causando espanto a muita gente no meio evangélico e confesso que não mudei de ideia. Gays e lésbicas são meus irmãos em Cristo, pelos quais nosso Senhor morreu afim de integrá-los no seu Corpo como almas redimidas iguais a todos nós pecadores. E aí considero uma incomparável oportunidade evangelística dar os elementos da Ceia a essas pessoas assim como chegar num presídio e fazer o mesmo com os detentos ali presentes e chamá-los para o banquete da graça.

      "Ah! Todos vós, os que endes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" (Isaías 55:1)

      É certo que o texto do profeta fala também para o perverso deixar o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos e se converta ao Senhor (v. 7). E, neste sentido, jamais deixaria de pregar o arrependimento e de denunciar quais as obras das trevas. Só não vou consentir que façam da Ceia um momento de exclusão, de preconceito religioso ou de imposição do institucionalismo das denominações.

      Você falou que "se uma pessoa não é ensinada e participa simplesmente como um ritual, o ministro peca em não levar a congregação a compreender a grandeza do ato de comungar". Em parte não discordo de que tanto a Ceia quanto a pregação do Evangelho devam ser ministrados com a devida seriedade conduzindo o receptor a esse auto-exame espiritual. Daí eu me importar em denunciar as obras das trevas e não consentir com elas, mas não quero assediar a consciência alheia com valores morais que podem ser só meus ou que estejam equivocados. Posso hoje não concordar com a veneração dos católicos pela Virgem Maria, nem com a comunicação mediúnica dos espíritas com pessoas desencarnadas ou com a prática de um ato homossexual, mas quem sou eu de proibir a participação dessas pessoas na Ceia que é do Senhor?

      Acho que, com essas palavras, já respondi sua pergunta, irmã.

      Paz!

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