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domingo, 12 de abril de 2026

Cinquentei




Hoje completo meio século de vida.


Não é apenas um número. É um marco. Um ponto de travessia.


Cinco décadas que não cabem em datas ou lembranças isoladas, mas que se revelam na soma das escolhas, dos erros que ensinaram, das vitórias que amadureceram e, sobretudo, das pessoas que caminharam ao meu lado ao longo do tempo.


Aos 50, a vida deixa de ser uma promessa distante e passa a ser, de forma muito concreta, um patrimônio construído — com esforço, convicções, decisões e, muitas vezes, resistência.


Olho para trás com gratidão — ao menos pelo aprendizado. Pelas oportunidades, pelos desafios que me moldaram e pelas responsabilidades que me foram confiadas. Cada etapa teve seu peso e seu sentido.


Olho para frente não com a ansiedade dos que começam, mas com a consciência de quem aprendeu que o tempo não se mede apenas em anos, mas em propósito.


Se há algo que esses anos me ensinaram, é que a coerência, a dignidade e a coragem silenciosa valem mais do que qualquer reconhecimento imediato.


Sigo.


Com a mesma disposição de construir, de contribuir e de permanecer fiel àquilo que acredito — na vida pessoal e comunitária, na atuação profissional e no compromisso com a realidade que nos cerca.


A todos que, de alguma forma, fizeram parte dessa trajetória, minha sincera gratidão.


Que venham os próximos capítulos!

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Bom dia, Lua

 


O dia começa e logo pensamos no Sol. No entanto, no céu ainda podemos achar a Lua que nem sempre é captada nitidamente pelas lentes de uma câmera. Contudo, o brilho da manhã não anula a sua importância.

Diante de meus olhos, uma escola aguardando a chegada de seus alunos. Lembramos logo das crianças, dos ônibus escolares e dos professores, mas não podemos nos esquecer dos que são menos visíveis nesse ambiente, como os serventes, as merendeiras, os inspetores e o vigia. A luz já se encontra acesa nos corredores e, numa das salas do andar de cima, talvez alguém limpando e arrumando as cadeiras.

Não eram nem seis e meia quando fotografei, sendo que pouca gente andava nas ruas. Quem levantou no comecinho de uma manhã de agosto certamente tinha um compromisso. Provavelmente para garantir o pão de cada dia, ir a uma consulta médica ou se preparar para um futuro incerto.

Estamos em 2025, em pleno século XXI, e já me acho na maturidade. Encontro-me menos distante da aposentadoria do que do dia quando me livrei dos bancos escolares. No entanto, continuo matriculado na escola da vida, consciente de que muito pouco aprendemos.

No nome da escola que homenageia a digníssima mãe do meu Senhor Jesus, fixo no substantivo graça que ali consta no plural. Trata-se de algo que nos remete à Divindade que, gratuitamente, abençoou Maria assim como todo ser recebeu o dom da vida sem nada pagar em troca por isso.

Termino agora esse meu texto já quase chegando em Mangaratiba, estando ainda no ônibus da viação Reginas. Esse passeio não é de graça e nem o café que tomarei daqui a pouco na padaria. Mas o importante é que, diante de tudo, encontramos graça para viver e prosseguir, não importa o que acontecer.

Bom dia!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Quarenta mais nove



No sábado, dia 12/04, se Deus quiser (e acredito que Ele quer), completarei 49 anos de vida pós-ventre materno.

Não se trata de uma comemoração tão emblemática quanto um aniversário de quem chega ao clube dos 50, ou quando fiz 18 (maioridade penal), 30 ou 40 anos. Porém, posso dizer que será mais um aniversário para mim mesmo e as pessoas bem próximas do que uma celebração com um número maior de convidados.

Ainda que um níver de 49 passe muitas das vezes desapercebido, não podemos esquecer que se trata da despedida dos quarenta, oportunidade em que podemos perceber as mudanças durante um período de transformações físicas e psíquicas dentro da idade adulta.

Pois é. Muitos de nós chegamos garotões aos 40, com muita disposição, não querendo se afastar das coisas da juventude, seja curtindo festas ou competindo nos esportes com a galera dos 20 e dos 30, como ocorre com alguns jogadores profissionais de futebol.

Dentro os quarentões, há quem nunca foi pai, como é o meu caso, mas temos também até avós de netos já adolescentes. Gente que jamais se casou e nem pretende contrair matrimônio, assim como quem já se encontra há um tempão com a mesma pessoa, ou se divorciou, construiu uma segunda família, enviuvou, faleceu, etc.

Igualmente também podemos falar do trabalho. Uns chegam nessa fase da vida e são profissionais bem sucedidos enquanto outros vivem o drama da frustração, do desemprego, da invalidez em razão de um infortúnio, ou o desafio de uma transição de carreira.

Falando de mim, eu diria que foi aos 40 que comecei a me firmar verdadeiramente na advocacia, depois de doze anos inscrito nos quadros da OAB. E sei que, nessa caminhada, as oportunidades de trabalhar sucessivamente como assessor parlamentar, advogado de um sindicato de servidores públicos, defender candidatos na Justiça Eleitoral, ser procurador de um consórcio intermunicipal de resíduos sólidos e contribuir para as atividades do Procon da cidade onde moro, trouxeram experiências adicionais importantes.

Fisicamente ainda me considero bem com 49 anos, embora já não são apenas 40. Acho que a disposição de todos nós diminui consideravelmente, principalmente se levamos uma vida sedentária e não fazemos exercícios, sendo que tenho dado sorte por me manter relativamente saudável que acredito ser graças a uma boa genética e uma alimentação quase sem comida industrializada.

Por outro lado, não posso achar que o período de 40 anos tenha praticamente se acabado para mim. Claro que não! Pois ainda falta dar mais uma volta ao redor do Sol de maneira que até abril de 2026 muita coisa ainda poderá acontecer.

Enfim, tenho pela frente 365 dias de muitas realizações, desafios, novos aprendizados e metas para serem alcançadas, de modo que não poderei festejar meio século de vida sem passar pelo 49º ano.

Não tendo chegado ainda o sábado, vamos primeiro sextar e fazer de cada momento algo único nas nossas vidas, lembrando aqui desse sábio poema:


"A idade passa

A maturidade chega

O olhar muda

O corpo envelhece

Os sonhos se renovam

A vida ganha mais forma e sentido

E apesar de tudo

Vale a pena viver cada segundo

Cada página virada."

(Fontenele)


Que a Luz de Deus sempre nos guie e a sua benção seja abundante em todo o nosso tempo!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Despedindo-me desta inesquecível cidade

Neste primeira quinzena do mês de dezembro, estou deixando a cidade, com a mudança já agendada para o dia 11/12.

Foram quase 13 anos em Nova Friburgo desde que cheguei aqui para dar continuidade aos meus estudos na área jurídica, quando me transferi do Instituto Viana Júnior, em Juiz de Fora, para o campus local da Universidade Estácio de Sá.

Praticamente a metade desse tempo na cidade passei como estudante, formando-me só no final de 2004. E, quanto à outra parte dos meus anos, foi como um profissional do Direito através do exercício da advocacia autônoma, sem escritório próprio.

Foi em Nova Friburgo que me casei, mas não com uma moça daqui. Encontrei Núbia poucas semanas após ter me mudado pra cá, em 1999, durante o Carnaval, num lugar próximo do município chamado Sana (distrito serrano de Macaé). Ela, niteroiense, também estava a passeio com suas amigas. Dali em diante, passamos a nos encontrar tanto em Nova Friburgo quanto em Niterói.

Morando aqui é que descobri o enorme prazer das caminhadas. Sem ter muito o que fazer, pois são poucas as opções de lazer tradicional na cidade, tive que inventar o meu próprio passatempo. Assim, meus primeiros anos de faculdade foram marcados por incríveis passeios solitários pelo meio rural, percorrendo trilhas, estradas de chão, caminhos por dentro de fazendas, levando às vezes uma corrida de boi, ou sendo assustado por um cachorro latindo. Porém, eu sempre estava a descobrir novidades e experiências. E, após ter andado por todos os distritos e explorado a maioria dos roteiros, vim também conhecer os outros municípios da região.

Espiritualmente falando, este lugar me fez muito bem. Sem fazer loucas mistificações, posso dizer que, durante estes anos, pude olhar mais pra dentro de mim, arrepender-me de erros cometidos em Juiz de Fora, re-significar valores, retornar à fé que tinha deixado no final da adolescência e começado a lidar melhor com o álcool. E aí não posso me esquecer da força recebida de um vizinho do AA no bairro Cordoeira e também proprietário do primeiro imóvel onde morei aqui, alugando, na época, por apenas R$ 160,00 com água, luz e impostos incluídos.

Ao todo, habitei cinco residências em Nova Friburgo. Ao deixar o imóvel do seu Naélio, em agosto de 2000, fiquei uns sete meses numa casa situada no distrito de Amparo, numa área pouco afastada do perímetro urbano da vila, em estrada de terra. Depois, retornei pra sede do Município e vivi por quase dois anos numa apertada quitinete, num escadão que vai do Centro ao bairro Braunes. Dali, passei pra um lugar maior nas Braunes e numa distância menor da faculdade. Somente em meados de 2006, quando já estava casado e exercendo a advocacia, é que vim para o apartamento atual, situado numa área boa do Centro, no último andar de um prédio de cinco pavimentos sem elevador, tendo encontrado a sorte de pagar um aluguel que, hoje em dia, após os devidos reajustes, está ainda em torno dos seus R$ 400,00 mensais, sem contar condomínio e outra despesas.

Profissionalmente falando, posso dizer que, assim como a maioria dos moradores daqui, não fui muito feliz. Tentar a advocacia num mercado restrito, pobre e saturado de advogados pode tornar-se algo frustrante. E, com o tempo, veio o desânimo com a rotina da profissão e os problemas de saúde da esposa. Depois da tragédia climática de 12/01/2011, a economia regional ficou ainda pior.

Dia 27/09, vovó faleceu e herdei o seu imóvel de dois quartos onde ela residia no Rio de Janeiro, após minha tia renunciar a parte dela. Com isto, mesmo não pagando muito caro no aluguel, achei por bem voltar ao Rio, cidade onde nasci, afim de procurar melhores oportunidades de trabalho.

Sei que vou sentir saudades daqui e deste gostoso clima frio de serra que se torna bem suportável no verão, mas gelado no inverno. Também sentirei falta das deliciosas vendidas por aqui, da boa comida e da relativa tranquilidade de uma cidade de médio porte se comparada com a agitada metrópole do Rio de Janeiro.

Porém, a vida anda. Nestes dez primeiros dias do mês vou ficar absorvido com os preparativos da mudança junto com o pagamento das contas do mês e com o meu trabalho. Não sei se terei tanto tempo pra internet. Estou já transferindo os processos que tenho para outro advogado, buscando não deixar nenhuma pendência para trás e ainda me despedir de algumas pessoas. Depois da mudança, prevista para um domingo, preciso retornar outra vez para a entrega das chaves na imobiliária e, daí por diante, talvez só volte a Friburgo como turista.

Desejo o bem desta cidade e das pessoas que moram aqui. Como cidadão, tentei contribuir com minha ideias (escrevi por uns tempos no jornal local A Voz da Serra) e atuei também na política partidária até 2009, sem ter me candidatado a nada e nem ocupado cargos públicos. Assim, deixo Friburgo com a consciência limpa de que minha presença aqui tenha ajudado mais do que prejudicado, esperando que o povo friburguese possa cuidar bem deste pedacinho do nosso planeta e se reconstruir em todos os aspectos após esta última tragédia das chuvas, prevenindo-se também contra outras catástrofes naturais.

Boa sorte, Nova Friburgo!


OBS: A foto acima foi extraída do site da Câmara Municipal de Nova Friburgo em http://www.camaranf.rj.gov.br:8180/cmnf/noticias/camara-aprova-projeto-de-lei-que-proibe-a-poluicao-visual-em-nova-friburgo

sábado, 5 de novembro de 2011

Reverência pelo tempo que nos foi determinado

A transitoriedade das coisas leva-nos a um respeito reverente pelo tempo e pela existência. Temos um anseio pela eternidade, sem que possamos descobrir o início e o fim de tudo. Então aprendemos que devemos nos alegrar com as coisas boas que hoje a vida nos oferece, celebrando cada momento intensamente. E, por termos em nós este anseio de eternidade, podemos ter a certeza de que somos eternos apenas na Existência de tudo. Sem que A consideremos como um todo, somos pó no vento como diz esta velha canção do grupo Kansas, composta nos anos 70: Dust in the Wind

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não se esqueça do "filtro solar" e nem de seu Criador!

Bem interessante este vídeo "Wear Sunscreen" ("Use Filtro Solar")! Ele me fez lembrar um pouco o livro de Eclesiastes da Bíblia onde o escritor orienta-nos a discernir as espações da vida e celebrá-la com felicidade e sabedoria.

Contudo, algo falta à mensagem do vídeo: DEUS.

No último capítulo de Eclesiastes, o pregador recomenda que lembremos do nosso Criador (12.1), o que considero fundamental porque o cultivo da espiritualidade é ingrediente capaz de proporcionar ao homem uma qualidade de vida incomparável. Até pra quem levou a vida de forma errada.

Assistam o vídeo! Concordo com boa parte desta mensagem, a qual fica muito melhor se passarmos a incluir Deus nas nossas vidas:



Aguardo comentários!

OBS: Quando falo em "incluir Deus" não me refiro a nenhuma instituição religiosa, rituais ou doutrinas de igrejas. Falo da nossa experimentação pessoal, do relacionamento que precisamos descobrir diariamente com o nosso Criador e que está intimamente ligado ao respeito pela Vida.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Obrigado!


Se não fossem os acontecimentos ruins que presencio, ou experimento, possivelmente eu jamais reconheceria a minha ingratidão em relação à vida.

Na tarde desta quinta-feira (10/02/2011), estive com um senhor que, após sua cirurgia de próstata em Teresópolis, ficou meses usando uma incômoda sonda e até hoje ainda necessita usar fraldas para conter a urina. Ao nos encontrarmos na avenida principal da cidade, a primeira coisa que ele veio contar foi a benção de ter voltado a urinar que para ele tornou-se algo de grande significado.

Sua experiência lembrou-me o sufoco pelo qual passou a minha avó materna no ano passado em que, após quebrar o fêmur em abril, ter ficado internada no Hospital do Andaraí e passado por uma delicada cirurgia de prótese, ainda demorou bastante para livrar-se da tal da sonda, visto que ela contraiu infecção urinária. Então, de tempos em tempos, minha mãe pagava uma profissional de saúde que ia até a casa delas fazer a troca da sonda. E isto alongou-se por alguns meses também.

É impressionante como que uma função fisiológica do organismo, a qual muitas pessoas e animais desempenham normalmente, pode tornar-se um imensurável tormento para quem sofre de algum problema específico capaz de afetar a excreção urinária. Porém, quando uma pessoa está bem, nem sempre ela consegue parar pra pensar nestas cosias e agradecer a Deus, sendo que, não raras vezes, ainda vemos jovens desperdiçando a saúde com drogas, bebidas, anabolizantes, brigas de futebol, pegas de carro e tantas atividades perigosas. Aliás, muita gente chega a cometer suicídio diante de coisas bem banais.

O surpreendente disto tudo é que nem sempre as pessoas que já não gozam mais de tanto vigor físico são revoltadas com a vida. Pois esse senhor que operou a próstata no ano passado compartilhou ter aprendido bastante com sua experiência. Em seu relato, pareceu-me que Deus houvesse feito também uma cirurgia em seu interior. Era como se o doloroso sofrimento tivesse servido para acrisolar seu caráter e personalidade.

Devido às fortes chuvas que ocorreram em janeiro deste ano aqui na Região Serrana do Rio de Janeiro, mais de 5.500 famílias em minha cidade foram desalojadas de suas residências. Muitas perderam suas casas e agora estão vivendo em abrigos improvisados pelo governo, tendo que dormir em colchonetes espalhadas pelo chão, sem a privacidade do lar junto com desconhecidos, alimentando-se de doações, precisando observar horários específicos para deitar, fazer refeições, tomar banho, etc. Nas semanas que seguiram à tragédia, um grupo de minha igreja e mais uns jovens voluntários que vieram de uma área pobre Rio de Janeiro, vem visitando alguns destes locais onde estão morando os desabrigados, tendo o nosso pastor compartilhado que:


“Quero agradecer a cada oração e contribuição dada a cada pessoa da nossa cidade, pois precisamos deste acolhimento para manter nossas forças e motivações saudáveis. Nosso trabalho está baseado em atender pessoas diariamente em nosso espaço que precisam de mantimentos (...) Elaboramos uma rotina de cadastramento, visitas aos abrigos e comunidades, localização dos abrigos informais e grupos de famílias que ainda permanecem em locais de risco. Agora temos que trabalhar com a pressão administrativa de esvaziar as escolas que servem de abrigos para iniciar o cronograma educacional, contudo não dá para pensar neste assunto apenas pelo lado burocrático e administrativo, uma vez que estamos diante de culturas sociais específicas (...) A rotina de vida quer seguir seu curso humano e que deve ser mais justo, pois o QUE JESUS FARIA NUMA SITUAÇÃO DESSAS? Estamos olhando para as pessoas e procurando ouvi-las e através dos valores do Reino orientá-las nas decisões que são necessárias, já que a igreja não está e não deve estar no lugar do saber, mas ouvir, reconhecer e participar da vida comunitária, afinal o que significa “CAIR NA GRAÇA DO POVO”? A realidade que a gente vive de poder fazer as coisas, comprar, trabalhar, ter a nossa casa, levar nossos filhos para a escola, convidar nossos amigos para nos visitar, tomar um banho, almoçar assistindo TV e coisas do gênero, muitos não podem, pois agora vivem em abrigos improvisados e estruturados para atender o mínimo e necessário, todavia eles querem ser vistos e assistidos com mais dignidade e humanidade. O pão nosso de cada dia é muito mais que o curso de uma rotina de vida é estar diante de Deus no cotidiano difícil para reconstruir sonhos e projetos de vida e refletir sobre o que a água e a lama não levaram.” (extraído do texto "VIDA DIÁRIA E O PÃO NOSSO DE CADA DIA", de Robson Rodrigues, em http://novafriburgourgente.blogspot.com/2011/02/vida-diaria-e-o-pao-nosso-de-cada-dia.html) - o destaque em negrito é meu


Não podemos permitir que os pequenos problemas do cotidiano ou as insatisfações pessoais ofusquem a nossa visão a respeito da vida, levando-nos a murmurar, cultivar frustrações ou nos levar a pensar que somos vítimas das situações. Digo que um comportamento desses pode vir a se tornar um dos piores adoecimentos do ser humano porque rouba a alegria, a esperança, o ânimo, os sonhos e a fé. Logo, trata-se de um dos piores tipos de desamor.

Ainda assim, é nos momentos mais críticos da existência humana que muitos fazem as pazes com a vida, curam-se de seus traumas e encontram a fé. Nestas horas, as pessoas ficam sem chão e são confrontadas consigo mesmas. Seus ídolos mudos se quebram e as ilusões caem por terra, pelo que elas se deparam com a mais dura realidade que jamais se deram conta e se torna mais fácil encontrarem-se com a Verdade.

Para melhor ilustrar as palavras de minha escrita, quero compartilhar aqui a história de Vitória Martins, uma menina de Santa Catarina que é portadora de uma grave doença incomum mas que, mesmo com tamanha dificuldade, ela tem recebido força para transmitir mensagens bem significativas para as pessoas, como se pode assistir neste vídeo que já teve mais de 154 mil acessos no Youtube:



Que possamos sempre agradecer a Deus! Reconhecer que temos uma casa para morar, lembrarmos do que a saúde nos permite fazer, contemplar o por do sol, admirar a natureza e dizer “muito obrigado”.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A grande tragédia da vida!

Eis aí uma nova maneira que encontrei de expressar os 10 mandamentos...


É trágico alguém passar a vida preso dentro de si e de suas variadas cobiças.

É trágico alguém passar a vida na mentira, precisar de máscaras para relacionar-se com o próximo.

É trágico alguém passar a vida consumindo a energia alheia e não desenvolver a capacidade de se tornar um doador.

É trágico alguém passar a vida colocando os prazeres sexuais como alvo da felicidade a ponto de se tornar escravo do sexo.

É trágico alguém passar a vida cultivando inimizades e maldades em relação ao próximo.

È trágico alguém passar a vida sem vencer traumas de infância em relação aos seus pais.

É trágico alguém passar a vida sem nunca descansar de seus desejos e delírios. Nunca parar para apreciar um por do sol, pássaros brincando ou uma música tocando.

É trágico alguém passar a vida fazendo uma rotina sem sentido suas orações, suas reuniões eclesiásticas, sua leitura bíblica e seus cânticos de louvor, a ponto de apenas expressar-se dentro de uma cultura religiosa.

É trágico alguém passar a vida construindo ídolos em seus corações, achando, por exemplo, que o dinheiro é tudo e não mais ouvir a voz de Deus.

É trágico alguém passar a vida sem Deus!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Só pela graça!

Estou lendo o livro "Sem barganhas com Deus" do reverendo Caio Fábio. Trata-se de uma obra bem diferente das que costumamos encontrar visto que o autor segue um estilo a princípio não muito conclusivo, mas com mensagens que nos fazem pensar.

Uma das coisas que muito estimo e prezo nas mensagens de Caio Fábio diz respeito à nossa dependência da graça de Deus. Uma dependência que é exclusiva, pois não somos aceitos por Deus pelo que fazemos ou pelo que temos, mas sim pela sua graça manifestada em Jesus, a revelação do seu incondicional amor pela humanidade.

Entender a mensagem da graça não requer longas leituras de livros ou de textos bíblicos. Para compreendermos o que é graça precisamos abrir mão de nossa auto-suficiência, declararmos nossa falência moral e espiritual.

Os evangélicos confessam publicamente que são salvos pela graça, mas nem sempre quem diz crer na graça salvadora já aprendeu a viver debaixo dela. A todo momento, a mente humana é tentada a se auto-justificar, a ter pena de si, achar que merece. Quando uma benção não se materializa de imediato em nossas vidas, precisamos lutar contra certas ideias equivocadas que são contrárias à dependência exclusiva da graça, pois muitos, embora não falem, pensam desta maneira: "Sou um dizimista fiel, não traio minha esposa e nunca falto aos cultos da Igreja, então por que Deus permitiu isto acontecer comigo? Por que estou sendo perseguido? Eu não mereço!"

A verdade é que passamos a nossa vida inteira pensando na graça. Mesmo depois da conversão, o crente é frequentemente testado na sua maneira de encarar a vida, de se relacionar com os irmãos e quanto aos julgamentos que faz. As quedas, os momentos de quebrantamento pessoal, as aparentes derrotas e as respostas de Deus contrariando nossos planos são, por exemplo, momentos para o nosso aprendizado.

Da mesma maneira que não merecemos o favor de Deus, pois todos são pecadores, também não podemos achar que somos isentos de passar por aflições. Aliás, Jesus não nos prometeu que neste mundo viveríamos num mar de rosas e já preveniu seus discípulos em relação às lutas que viriam, assegurando-lhes, porém, que o mundo já estava vencido por Ele.

Não há como barganhar com Deus! Não há... O homem, durante sua caminhada nesta terra, deve unicamente apoiar-se no favor de Deus, em sua misericórdia, na suficiente graça, sabendo que as perdas que enfrentamos são passageiras, que a morte nada mais é do que mera aparência e que já vivemos eternamente com Cristo.

Só pela graça!

domingo, 24 de outubro de 2010

Eternidade sem saudades

Nesta tarde de domingo, quando desci de meu apartamento para levar os filmes de volta para a locadora, fui abençoado com um agradável vento primaveril.

No entanto, a mistura dos raios solares de final de tarde com aquele sopro refrescante da natureza (nem tão frio, mas não quente), trouxe-me a sensação dos bons momentos do meu passado, despertando emoções de nostalgia.

Como seria bom se pudéssemos perpetuar as boas experiências que tivemos, as quais ocorreram naturalmente sem que tivéssemos executado tais acontecimentos. Bem que eu gostaria de celebrar a Vida com minha esposa como nos tempos em que a saúde lhe sobrava. Também viveria com mais intensidade aqueles bons momentos com parentes e amigos que já não mais se encontram comigo.

Antes que a tristeza tomasse o lugar daquelas agradáveis sensações climáticas, lembrei-me do Eterno Deus. Trouxe à memória Aquele que criou todas as coisas e cujo Reino jamais terá fim.

Minha fé no Eterno fez com que minha alma recusasse toda nostalgia e comecei a pensar nas coisas que durarão para sempre, pois a existência não se resume às coisas deste mundo e a minha vida encontra-se com o Messias Jesus.

Na companhia do Santo, resolvi caminhar um pouco mais depois que devolvi os DVDs à loja. Dei uma volta por trás do quarteirão de minha casa, sentindo-me em paz e menos só enquanto passava por ruas que, durante os demais dias da semana, tornam-se mais movimentadas naquela hora do dia.

Finalmente, mais animado com a Vida, resolvi compartilhar este vislumbre da eternidade.


Então pedi:
Ó meu Deus, não me leves no meio dos meus dias.
Os teus dias duram por todas as gerações!
No princípio firmaste os fundamentos da terra,
e os céus são obras das tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás;
envelhecerão como vestimentas.
Como roupas tu os trocarás
e serão jogados fora.
Mas tu permaneces o mesmo,
e os teus dias jamais terão fim.
Os filhos dos teus servos terão uma habitação;
e os seus descendentes serão estabelecidos na tua presença.

(Salmo 102.24-28; Nova Versão Internacional - NVI)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Escolha a vida!

Pode-se dizer que abraçar a fé cristã é uma atitude bem simples, pois não exige grau de escolaridade, uma formação cultural específica ou elevado conhecimento bíblico. Porém, é algo que requer uma escolha bem radical – decidir deixar o pecado.

Na minha leitura matinal de hoje (estou estudando mais uma vez Atos dos Apóstolos), refleti sobre a infeliz escolha de Félix que, vencido pelo medo, recusou-se a aceitar Cristo:

Alguns dias depois, veio Félix com sua mulher Drusila, que era judia. Mandou chamar Paulo e ouviu-o falar sobre a fé no Cristo Jesus. Mas, como Paulo se pusesse a discorrer sobre a justiça, a continência e o julgamento futuro, Félix ficou amedrontado e interrompeu: “Por agora, retira-te. Quando tiver mais tempo, mandarei chamar-te”. (Atos 24.24-25; versão e tradução da Bíblia de Jerusalém).

Segundo o contexto da narrativa, Paulo estava preso em custódia no palácio de Herodes, na cidade de Cesareia, isto é, no Pretório, que, naqueles tempos, era utilizado como residência oficial do procurador romano. O apóstolo sofria a injusta acusação de ter profanado o templo, mas o governador recusava-se a julgar sua causa para colocá-lo em liberdade e o mantinha encarcerado com más intenções de obter ganhos financeiros (propinas) e vantagens políticas.

Marco Antonio Félix, nomeado pelo imperador Cláudio para ser procurador na província romana da Judeia, governou aquela complicada região por quase uma década, entre os anos de 52 e 59 no primeiro século. Foi casado ilegalmente com Drusila, a qual era uma linda mulher da influente família de Herodes, filha do rei Herodes Agripa I e ex-esposa do rei Aziz de Emesa, da Síria. A união com uma bela jovem da nobreza local certamente beneficiava a sua gestão, além de satisfazer seus desejos sexuais. Segundo o historiador romano Cornélio Tácito, Félix “ocupava a posição de um rei, enquanto tinha a mente de um escravo, saturada com crueldade e lascívia” (História 5.9)

Lendo atentamente o texto bíblico, parece-me que, por alguns instantes, Félix teve o desejo de ouvir Paulo pregar acerca de Jesus. Até então, o governador apenas conhecia o cristianismo como uma seita do judaísmo, mas faltava-lhe conhecer Cristo. Porém, quando o apóstolo expôs sobre “a justiça, a continência e o julgamento vindouro”, Félix deixou ser dominado pelo medo e a pregação foi por ele interrompida.

Ora, quantas pessoas um dia chegaram a assistir um culto numa igreja, ou escutaram pregações pelo rádio, mas, quando foram confrontadas com o pecado, resolveram logo se afastar para não se sentirem incomodadas!

Abraçar a fé cristã não significa mudar de religião como se estivéssemos trocando de time de futebol ou de um partido político. É preciso que também haja arrependimento, isto é, conversão das trevas para a luz.

Pode-se perceber que a atitude de Félix assemelhava-se com a de Herodes, o qual, vivendo uma relação adulterina com Herodias, esposa de seu irmão Felipe, após ter sido confrontado com as firmes pregações de João Batista, determinou a prisão do profeta e o seu posterior assassinato. Entretanto, os Evangelhos contam que Herodes teve um certo respeito temeroso por João e penso que ele até mesmo o admirasse:

Assim, Herodias o odiava e queria matá-lo. Mas não podia fazê-lo, porque Herodes temia João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo; e quando o ouvia, ficava perplexo. Mesmo assim gostava de ouvi-lo. (Marcos 6.19-20; Nova Versão Internacional - NVI)

Que infeliz escolha faz o homem quando recusa arrepender-se e aceitar a salvação de Cristo para continuar se alimentando das migalhas de prazeres oferecidos pelo pecado! Pessoas deixam de experimentar a vida no Reino de Deus porque preferem continuar com um relacionamento ilícito, um trabalho desonesto ou se apegando a posições sociais que de nada lhe adiantarão quando descerem às sepulturas e muito menos poderão acrescentar algum significado às nossas vidas.

Que fim levaram Félix e Drusila? E quais benefícios eles fizeram em favor da humanidade? Uma nota na “Bíblia da Mulher” que dei de presente para a minha esposa conta que o seu final foi trágico:

“A vida de Drusila foi vergonhosa e desperdiçada. Antes de completar 41 anos, teve uma morte horrível e violenta. Enquanto estava com o único filho, Agripa, em Pompéia, o Vesúvio entrou em erupção, sepultando debaixo de toneladas de lava incandescente as cidades de Pompéia e Herculano, assim como Drusila e seu filho.”

Contudo, ao lado dos equivocados exemplos de vida, encontro não só na Bíblia como na vida real pessoas que, corajosamente, resolveram deixar o pecado para andarem com Deus. Recordo-me de um homem que, após frequentar várias reuniões de um grupo de estudo bíblico, abriu o seu coração e compartilhou conosco que tinha um relacionamento duplo com duas mulheres. Uma era sua esposa e a outra a amante. Em seu coração, ele já não se sentia mais satisfeito em permanecer com aquela situação, mas temia que a verdade viesse à tona a ponto de destruir seu casamento. Então, após o ouvirmos, oramos por ele. Dias depois, ele abriu o jogo com a amante e decidiu ficar só com a esposa, desfrutando a cada dia a incomparável aventura de caminhar com Jesus.

A maior dificuldade de tomar a decisão certa está dentro de nós e creio ser este o único obstáculo que precisamos superar na nossa escolha diária de seguir a Cristo. No livro de Deuteronômio, Moisés transmite a orientação sobre optar por obedecer a Deus encorajando os israelitas com estas palavras:

“O que hoje lhes estou ordenando não é difícil fazer, nem está além do seu alcance. Não está lá em cima no céu, de modo que vocês tenham que perguntar: “Quem subirá ao céu para trazê-lo e proclamá-lo a nós a fim de que lhe obedeçamos?” Nem está além do mar, de modo que vocês tenham que perguntar: “Quem atravessará o mar para trazê-lo e, voltando, proclamá-lo a nós a fim de que lhe obedeçamos?” Nada disso! A palavra está bem próxima de vocês; está em sua boca e em seu coração; por isso poderão obedecê-la (…) “Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e seus filhos vivam,” (Dt 30.11-14,19; NVI)

Será que vale a pena continuar vivendo sob o domínio do pecado e separado de uma vida com Deus? Certamente que não!

Em sua última noite na terra, após ter ceado, Jesus disse aos seus discípulos: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6; ARA). Também no mesmo Evangelho, o autor nos fala a respeito de Jesus: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (João 1.4).

Mesmo que o homem tenha feito as mais erradas escolhas, ele tem a grande chance de voltar-se para Deus através da fé em Jesus, o qual morreu em nosso lugar, levando os nossos pecados. Quando foi pregado na cruz, Jesus cumpriu a nossa pena e morreu e nossa morte afim de que todo aquele que o aceitar possa restaurar o relacionamento com o Criador.

Que possamos a cada dia escolher a Vida e nos convertermos a todo instante, exercendo nossa fé em Jesus!