![]() |
| Ricardo Stuckert/Assessoria de Imprensa |
Uma onda de pesquisas divulgadas nos últimos meses tem colocado no centro do debate eleitoral de 2026 o alegado índice de rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Levantamentos como o da Ipsos-Ipec apontam que cerca de 44% dos entrevistados teriam afirmado que “não votariam de jeito nenhum” em Lula, um percentual elevado que tem sido explorado por opositores da reeleição.
No entanto, um olhar mais atento sobre os números e a história eleitoral brasileira mostra que rejeição alta é a regra, não a exceção, e que isso não determina automaticamente o resultado de uma eleição, especialmente em um país com votação em dois turnos e forte polarização política.
Rejeição generalizada — e não exclusiva a Lula
As pesquisas mostram que Lula não é o único presidenciável com rejeição elevada. Em levantamentos amplos, nomes situados tanto à esquerda quanto à direita aparecem com índices altos de rejeição quando questionados isoladamente pelos eleitores. Por exemplo, estudos do 100% Cidades indicam que mais de 51% dos entrevistados disseram que não votariam em Lula espontaneamente, e altos percentuais de rejeição também são registrados para outros candidatos com exposição nacional.
Na pesquisa Ipsos-Ipec, Lula figurou entre os mais rejeitados, com 44% de rejeição, seguido por nomes ligados ao campo bolsonarista como Flávio Bolsonaro (35%), Eduardo Bolsonaro (32%) e Michelle Bolsonaro (30%).
Outro levantamento, da Genial/Quaest, mostrou que 58% dos entrevistados rejeitam a reeleição de Lula em 2026, mesmo quando ele ainda lidera cenários de intenção de voto em simulações de primeiro turno.
Esse padrão — de índices substanciais de rejeição — é comum em democracias polarizadas. A rejeição, por si só, não diz com quem esses eleitores votariam em um confronto concreto.
Rejeição ≠ resultado: a lógica do segundo turno
No Brasil, o segundo turno decisivo entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno não funciona como uma simples soma de rejeições. O eleitor decide entre duas opções concretas, muitas vezes optando pelo candidato que representa o menor risco percebido diante de um adversário considerado ainda menos desejável.
Nas eleições presidenciais brasileiras desde 2002, isso se repetiu: candidatos com rejeição elevada — como Lula em 2002 e 2022 ou Dilma Rousseff em 2014 — venceram no segundo turno ao consolidar votos de centro, moderados e de grupos sociais mais amplos, mesmo quando parte dos eleitores declarava não votar neles. Esse fenômeno demonstra que, em situações de confronto direto, a rejeição pode se transformar em tolerância pragmática ou em voto defensivo, não necessariamente em abstenção ou votos nulos.
Pesquisas de intenção de voto em segundo turno, como uma recente da Quaest, mostram Lula à frente de vários adversários, inclusive em cenários com Flávio Bolsonaro, vencendo por 46% a 36% em uma simulação de confronto direto.
Regiões decisivas: Nordeste, Sudeste e Sul
Os efeitos da rejeição e da intenção de voto variam significativamente pelo país:
Nordeste
A região mantém uma base eleitoral mais consolidada para Lula, com altos percentuais de intenção de voto que não se reduzem na mesma proporção em que crescem as rejeições nacionais. Mesmo quando o índice de rejeição é elevado, esse eleitorado tende a traduzir sua posição em voto pragmático no segundo turno, especialmente em contextos em que percepções sobre políticas sociais e renda pesam forte.
Sudeste
A região é decisiva por reunir grande parte do eleitorado nacional e é sensível a fatores econômicos como emprego e inflação, sendo que Minas Gerais poderá ser o pêndulo da balança, conforme já debatido num artigo anterior. Nos levantamentos por região, Lula lidera no Sudeste, mas com margens menores que no Nordeste, e o candidato de direita ou centro-direita tende a obter mais votos por ali do que em outras regiões.
Sul
No Sul, a rejeição a Lula tende a ser mais sólida e persistente. Mesmo assim, a dinâmica regional mostra que rejeição alta por si só não garante vitória ao adversário — depende de como esses votos migrariam no segundo turno e de quão fragmentado está o campo conservador.
O caso do Rio de Janeiro: fragmentação conservadora pós-2022
No Estado do Rio de Janeiro, a disputa política tem mostrado sinais de fragmentação no campo conservador desde 2022. A saída de Jair Bolsonaro do cenário eleitoral principal e o surgimento de figuras como Flávio Bolsonaro e outros nomes ligados ao bolsonarismo contribuíram para dispersar o eleitorado de direita, com diferentes lideranças competindo por influência. Essa fragmentação pode diluir a transferência de votos de um campo para outro no segundo turno, beneficiando candidatos que conseguem consolidar coalizões mais amplas — inclusive eleitorado moderado ou de centro.
Essa dispersão de preferências e de lideranças é um elemento a mais para explicar por que rejeição alta não se traduz automaticamente em derrota: o eleitorado conservador fluminense, pulverizado em múltiplos nomes desde o racha pós-2022, tem menos coesão para somar contra um candidato único no segundo turno.
📊 Nota com dados numéricos e links para pesquisas recentes
🔹 Rejeição (%) a candidatos em levantamentos recentes
| Candidato | Rejeição (%) | Fonte |
|---|---|---|
| Lula (PT) | ~44% | Ipsos-Ipec |
| Flávio Bolsonaro (PL) | ~35% | Ipsos-Ipec |
| Eduardo Bolsonaro | ~32% | Ipsos-Ipec |
| Michelle Bolsonaro | ~30% | Ipsos-Ipec |
| Vários candidatos (estimativa nacional) | ~51–53% | 100% Cidades |
🔹 Intenções de voto (cenários de primeiro turno)
| Cenário | Lula (%) | Adversário próximo (%) |
|---|---|---|
| Ipsos-Ipec (diversos cenários) | 38% | 17–23% para principais nomes da direita/centro-direita |
| Quaest (Jan/26) | 36–40% | 23–32% para Flávio Bolsonaro e outros |
| Quaest (CNN) | 34% | 28% para Bolsonaro em simulações clássicas |
Links úteis para consulta
- 📊 Ipsos-Ipec: Lula lidera todos os cenários de 2026 — https://www.ipsos.com/pt-br/lula-lidera-hoje-todos-os-cenarios-testados-para-eleicoes-de-2026
- 📊 Genial/Quaest: rejeição maior que apoio; desaprovação presidencial — https://jovempan.com.br/noticias/politica/genial-quaest-governo-lula-tem-47-de-aprovacao-e-49-de-desaprovacao.html
- 📊 100% Cidades: rejeição espontânea a presidenciáveis — https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/pesquisa-100-cidades-futura-presidente-janeiro-2026/amp/

Nenhum comentário:
Postar um comentário