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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Indústria brasileira e o acordo UE–Mercosul: oportunidade histórica ou risco competitivo?



O avanço político do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul reacendeu um debate crucial para o futuro econômico do Brasil: como a indústria nacional será afetada?

Enquanto parte da opinião pública teme que o país se torne apenas um exportador de commodities e um importador de produtos industrializados europeus, entidades empresariais e industriais veem o tratado com cautela, mas também como uma oportunidade estratégica.

Aprofundando meu artigo anterior União Europeia aprova acordo com Mercosul, mas ainda há obstáculos antes da efetivação, hoje debato sobre a situação da indústria nacional.


🏭 Como a indústria brasileira está reagindo

Federações industriais como FIESP, FIRJAN, FIEMG e CNI têm adotado um tom pragmático. Em linhas gerais, elas apoiam o acordo, identificando potencial para:


  • ampliar exportações industriais e agrícolas;
  • aumentar a corrente de comércio;
  • atrair investimentos estrangeiros;
  • integrar o Brasil a cadeias globais de valor;
  • fortalecer setores com vantagens estratégicas.


Ao mesmo tempo, essas entidades defendem cautela e acompanhamento técnico. Não se trata de celebração automática. Há preocupação com segmentos industriais mais vulneráveis, impacto tarifário gradual e a necessidade de preparar o parque fabril brasileiro para competir em padrões europeus de qualidade, tecnologia e sustentabilidade.

A avaliação predominante pode ser resumida em uma ideia:
👉 o acordo abre portas, mas o aproveitamento dependerá da capacidade competitiva do Brasil.


⚠️ Mas o risco existe — e ele é estrutural

Quem critica o acordo, em geral, aponta três temores centrais:


1️⃣ A indústria brasileira poderia perder espaço para produtos europeus mais competitivos.
2️⃣ O país ficaria preso ao papel de exportador de commodities.
3️⃣ A dependência tecnológica se ampliaria.


Esses receios não são irreais. Mas também é verdade que eles revelam problemas que já existem, independentemente do acordo:


  • cortes e fragilização de universidades federais e centros de pesquisa;
  • baixos investimentos nacionais em inovação e tecnologia;
  • fuga de cérebros para outros países;
  • políticas industriais instáveis;
  • produtividade menor que a de economias desenvolvidas.


A Europa não é competitiva apenas por abrir mercados — ela é competitiva porque investe pesado e continuamente em ciência, tecnologia, indústria 4.0, formação acadêmica e integração entre universidades e setor produtivo.

Se o Brasil não enfrentar essas questões, continuará vulnerável com ou sem acordo.


🏛️ O acordo “define o destino do Brasil”? Não — mas pressiona escolhas

Um erro comum no debate é ver o acordo como determinante do modelo econômico brasileiro. Ele não obriga o país a ser só fornecedor de matéria-prima nem condena a indústria ao enfraquecimento automático.

O tratado cria oportunidades e impõe desafios.
O resultado depende de políticas internas, como:


  • programas de incentivo à inovação;
  • políticas industriais inteligentes e de longo prazo;
  • fortalecimento do ensino superior e científico;
  • investimentos em tecnologia e transição energética;
  • apoio aos setores industriais mais sensíveis.


Portanto, mais importante do que dizer apenas “sim” ou “não” ao acordo é responder à pergunta essencial:
👉 o Brasil quer ser um competidor industrial tecnológico ou aceitará permanecer limitado?


🔍 O debate político ainda é legítimo — e necessário

Mesmo avançado, o acordo não está totalmente concluído. Ainda depende de etapas políticas e jurídicas, inclusive ratificação parlamentar. Isso significa que:


  • a opinião pública ainda pode influenciar;
  • parlamentos podem impor condições;
  • governos podem defender salvaguardas;
  • anexos, revisões e garantias podem ser negociados.


Em vez de uma oposição binária, setores críticos poderiam apresentar um plano B responsável, defendendo:


  • cláusulas de proteção a setores sensíveis;
  • mecanismos de revisão periódica;
  • condicionantes ambientais e sociais;
  • políticas compensatórias para modernização industrial.


Democracia madura não é apenas negar — é propor alternativas.


✅ Conclusão: risco ou oportunidade?

O acordo UE–Mercosul não é milagre, mas também não é catástrofe automática.
Ele pode:


✔️ fortalecer a economia brasileira;
✔️ abrir mercados;
✔️ elevar padrões tecnológicos;
✔️ atrair investimentos.


Mas também pode:


❌ pressionar setores frágeis;
❌ expor desigualdades competitivas;
❌ aprofundar dependência tecnológica — se nada for feito internamente.


No fim, o debate sobre o acordo é, na verdade, um debate maior: qual projeto de país o Brasil quer construir?

Seremos uma economia que inova, pesquisa, desenvolve indústria de alto valor agregado?

Ou aceitaremos, por inércia, o destino de fornecedor de commodities?


A resposta não depende apenas da União Europeia — depende sobretudo do Brasil.


📝 Temas centrais para debate no Congresso Nacional sobre o Acordo UE–Mercosul

Certamente alguns pontos exigirão atenção especial dos parlamentares:

📌 Proteção e transição industrial — definição de mecanismos de salvaguarda e defesa comercial para setores sensíveis no período de adaptação.

📌 Competitividade e inovação — reforço em políticas públicas, pesquisa, tecnologia e formação qualificada.

📌 Normas técnicas e conformidade sanitária — custos, prazos e capacidade da indústria nacional de atender às exigências europeias.

📌 Compras públicas e preferência nacional — limites, exceções estratégicas e impacto em políticas de desenvolvimento interno.

📌 Mecanismos de reequilíbrio — cláusulas que permitam revisões, compensações e proteção de interesses industriais.

📌 Sustentabilidade e regras ambientais — impactos sobre a produção, exigências de rastreabilidade e competitividade.

📌 Propriedade intelectual e digitalização — equilíbrio entre proteção, acesso a tecnologia e autonomia produtiva.

📌 Plano de desenvolvimento industrial — necessidade de o acordo dialogar com uma estratégia nacional de reindustrialização.

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