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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Os EUA Hoje: Superpotência Indispensável ou Risco Global?


Donald Trump ao sair do Air Force One após chegar na Flórida


A atual conjuntura internacional reacendeu um debate antigo: até que ponto os Estados Unidos, com seu poder militar e econômico, representam atualmente um perigo para o mundo? Entre ações unilaterais recentes — como a intervenção na Venezuela e declarações sobre Colômbia, México, Cuba e Groenlândia — e o funcionamento de suas instituições democráticas, o cenário é complexo e exige uma análise detalhada.


Capacidade de ação

Não há dúvidas de que os EUA continuam a ser a principal potência militar global. Com um orçamento de defesa superior a US$ 1 trilhão por ano, presença em quase todos os continentes e tecnologia de ponta — incluindo forças nucleares, drones de ataque e guerra cibernética — o país possui meios para projetar poder praticamente em qualquer região do planeta.

Essa capacidade cria uma responsabilidade internacional enorme, porque qualquer decisão unilateral tem potencial de afetar a estabilidade regional ou global. O controle de recursos estratégicos, como o petróleo venezuelano, exemplifica como decisões políticas podem gerar efeitos econômicos e geopolíticos imediatos.


Limites institucionais e internos

Apesar de sua força, os EUA não são um Estado sem freios. Diferentemente de governos autoritários, suas ações externas estão sujeitas a sistemas de checagem interna:


  • Congresso: autorizações para ações militares e controle orçamentário;
  • Suprema Corte e tribunais: podem questionar abusos de poder;
  • Mídia e opinião pública: influência direta sobre decisões de guerra, diplomacia e sanções;
  • Sistema federal e burocracia: Departamentos do Estado, Defesa e Energia atuam como freios técnicos e diplomáticos.


Mesmo um presidente popular pode ter sua margem de ação limitada, sobretudo em operações militares extensas ou controle de recursos externos sem respaldo legal interno.


Impacto no mundo

Desde a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, a reação global — especialmente fora da América Latina — tem sido ampla e, em muitos casos, crítica ao uso da força sem amparo claro nas normas do direito internacional. Na Europa, países como França e Alemanha expressaram “preocupação” com a operação americana, lembrando que o uso da força contraria o princípio da não utilização da força que sustenta a ordem jurídica global, e que qualquer solução duradoura deve emergir de processos negociais e soberanos, não de ações externas. 

Organismos regionais e Estados africanos também levantaram questionamentos. O Departamento de Relações Internacionais da África do Sul, por exemplo, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que trate o episódio como uma questão urgente, reforçando que conflitos entre Estados soberanos devem ser analisados pelos mecanismos multilaterais previstos na Carta das Nações Unidas. 

Na Ásia, países como China criticaram fortemente a intervenção, afirmando que a ação dos EUA viola o direito internacional, ameaça a soberania estatal e prejudica a paz e a segurança regionais e globais.

Outros governos asiáticos optaram por uma postura mais cautelosa, enfatizando a necessidade de respeito à legalidade internacional e ao princípio da solução pacífica de conflitos, ao mesmo tempo que navegam relações econômicas e diplomáticas complexas com Washington.

Líderes europeus e instituições multilateralistas veem na operação uma ameaça à ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial, alertando que a normalização de intervenções extraterritoriais pode enfraquecer mecanismos de paz e segurança coletiva e abrir caminho para uma “lei do mais forte” como régua das relações entre Estados.

Em conjunto, essas reações refletem um entendimento crescente em diversas regiões do mundo: a soberania e o direito internacional não são meros enunciados retóricos, mas pilares essenciais para a estabilidade global — e a erosão desses princípios por meio de ações unilaterais, por mais justificadas que sejam politicamente, alimenta incertezas e tensões que podem repercutir muito além de uma crise pontual na América Latina. 

Desse modo, devemos reconhecer que, quando os EUA agem de forma unilateral ou improvisada, podem gerar:


  • Tensões internacionais: aumento de conflitos latentes, instabilidade regional e rivalidades estratégicas (ex.: Venezuela, Taiwan, Ucrânia);
  • Crises humanitárias indiretas: deslocamentos populacionais, escassez econômica ou pressões sociais;
  • Precedentes geopolíticos perigosos: outras potências podem seguir a lógica do intervencionismo se perceberem que a força sem sanção multilateral é aceitável.


Por outro lado, quando operam em coalizões ou sob normas multilaterais, os EUA desempenham papel de estabilizador global, promovendo acordos diplomáticos, missões de paz e segurança econômica.


Grupos econômicos e influências internas

Não se deve ignorar a influência de setores privados e grupos de interesse nos EUA, especialmente ligados à indústria de defesa, energia e petróleo. A pressão desses atores pode impulsionar ações externas que nem sempre correspondem ao interesse público ou ao consenso internacional. Ainda assim, o sistema institucional americano é capaz de conter excessos, seja via Congresso, tribunais ou opinião pública.


Conclusão

Embora na Segunda Guerra, sob o comando de Roosevelt, os EUA tenham atuado na defesa de um mundo livre combatendo o nazi-fascismo, a visão que se tem acerca da maior super potência global hoje caminha para o lado oposto, com o governo Trump, criando uma realidade nada confortável capaz de despertar inúmeras desconfianças.

  • Capacidade de perigo ao mundo: alta, devido à força militar e influência econômica.
  • Intenção realista de causar caos global: limitada, graças a freios internos e instituições democráticas.
  • Risco principal: decisões unilaterais isoladas ou influenciadas por interesses econômicos, sem respaldo legislativo ou internacional.


Em outras palavras, os EUA permanecem uma superpotência indispensável, mas seu poder precisa ser exercido com equilíbrio e respeito a normas internacionais. O mundo observa atentamente, consciente de que erros de cálculo ou ações motivadas apenas por interesses internos podem gerar crises de proporções globais.


💬 E você, leitor? Como vê o papel dos EUA hoje: estabilizador global ou risco real para o mundo? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.


📷: Kevin Lamarque/Reuters

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