Em período eleitoral, os planos de governo não deveriam permanecer escondidos nos sistemas da Justiça Eleitoral ou ser tratados apenas como documentos burocráticos necessários ao registro das candidaturas. Eles podem ser uma ferramenta importante para que o eleitor conheça, compare e, posteriormente, cobre os compromissos assumidos por quem pretende governar.
Com esse propósito, iniciamos uma leitura cidadã dos programas apresentados pelos candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. A proposta não é dizer ao eleitor em quem votar, mas traduzir documentos muitas vezes extensos, destacar suas principais ideias e apontar questões que merecem esclarecimento durante a campanha.
Depois da análise do programa apresentado por Douglas Ruas, examinamos agora o documento do PSOL-RJ, associado à candidatura de Siri.
E, neste caso, a primeira característica chama imediatamente a atenção: o tamanho e a abrangência do programa.
São 143 páginas de propostas, organizadas em dezenas de áreas. O sumário passa por planejamento e gestão, funcionalismo público, economia, finanças, previdência, assistência social, emprego e renda, segurança pública, meio ambiente, defesa civil, saneamento, segurança alimentar, habitação, mobilidade, saúde, educação, cultura, comunicação, esporte, turismo e proteção animal, entre outros temas.
Trata-se, portanto, menos de uma seleção de algumas prioridades e mais de uma proposta abrangente de reorganização de diferentes áreas do Estado.
Qual é a visão de Estado apresentada pelo programa?
O documento deixa clara sua orientação política já na apresentação. Afirma pretender construir um Rio de Janeiro “mais justo”, tendo como fundamentos a participação popular, a justiça socioambiental e a defesa de liberdades e direitos.
Ao longo do programa, aparece uma concepção de Estado fortemente presente na prestação de serviços, no planejamento econômico e na indução do desenvolvimento, acompanhada de mecanismos de participação social.
Um exemplo é a proposta de recuperar a SEPLAG como órgão central de planejamento, criar estruturas regionais de gestão compartilhada e articular Estado e municípios em cada uma das regiões fluminenses. A Costa Verde aparece expressamente entre essas regiões.
O programa também propõe reduzir o número de secretarias e cargos em comissão, restringir contratações temporárias e fortalecer o ingresso por concurso público.
Funcionalismo ocupa posição de destaque
Diferentemente de programas que tratam os servidores apenas dentro de políticas setoriais, o documento dedica uma seção específica ao funcionalismo.
Entre os compromissos estão a realização progressiva de concursos públicos, convocação de aprovados em concursos ainda vigentes antes da abertura de novos certames, instituição de data-base e reajuste anual com recomposição das perdas inflacionárias pelo IPCA. Também são previstas negociação permanente com as entidades representativas e prioridade para servidores de carreira na ocupação de cargos comissionados.
São compromissos bastante objetivos e que certamente interessarão a uma parcela expressiva dos servidores estaduais.
Ao mesmo tempo, produzem uma pergunta inevitável: qual será o impacto financeiro dessa política e como compatibilizá-la com as demais despesas permanentes e investimentos previstos no programa?
Não basta saber que haverá concursos, data-base e recomposição inflacionária. Seria importante conhecer o custo projetado dessas medidas, sua implantação ao longo dos quatro anos e a forma pela qual seriam compatibilizadas com os limites fiscais e previdenciários do Estado.
Economia: reindustrialização e maior intervenção do Estado
Na economia, o eixo central é uma política de reindustrialização.
O programa propõe um Plano Estadual de Desenvolvimento Econômico e Reindustrialização, buscando diversificar a economia, gerar empregos formais, diminuir desigualdades regionais e reduzir a dependência das receitas do petróleo e gás. Prevê estratégias específicas para cada região, recuperação e ampliação da malha ferroviária e utilização do Estado como indutor do desenvolvimento.
Uma das propostas mais relevantes é a criação do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro — BADERJ, definido no programa como uma instituição financeira pública estadual destinada ao financiamento de médio e longo prazo de projetos estratégicos. O banco poderia apoiar empresas públicas e privadas, cooperativas, pequenos e médios empreendimentos e projetos de infraestrutura, logística, mobilidade, saúde, transição energética e desenvolvimento industrial.
Também são propostos complexos industriais em diferentes setores, inclusive um Complexo Industrial Ferroviário e de Mobilidade e um Complexo Industrial da Saúde.
É uma concepção econômica bastante definida: o Estado não funcionaria apenas como regulador, mas também como financiador, comprador e indutor da atividade econômica.
A criação de um banco público, entretanto, exige um debate que vai muito além do valor necessário para sua capitalização inicial.
Qual seria sua natureza jurídica e seu modelo institucional? De onde viria o capital inicial e como ocorreria sua capitalização posterior? O banco receberia recursos do Tesouro, fundos públicos, operações de crédito ou outras fontes? Quais seriam os critérios para concessão de financiamentos? Quem avaliaria risco e capacidade de pagamento dos beneficiários?
Também seria importante esclarecer quais mecanismos de governança, compliance e controle seriam adotados para preservar decisões técnicas diante de pressões político-partidárias; quais limites seriam estabelecidos para subsídios, equalização de juros e operações abaixo das taxas de mercado; e quem suportaria eventuais perdas decorrentes de inadimplência.
Um banco público de desenvolvimento não depende apenas de dinheiro para começar. Depende de modelagem institucional, governança, análise de risco e capacidade de operar com segurança financeira.
Como o programa pretende enfrentar as contas estaduais?
O documento possui um capítulo próprio de finanças públicas.
A estratégia apresentada rejeita políticas de austeridade que retirem direitos e aposta na ampliação da arrecadação através do desenvolvimento econômico e da cobrança da dívida ativa, especialmente dos grandes devedores. Também propõe concurso e modernização da Procuradoria para aumentar a capacidade de recuperação desses créditos.
Em relação à dívida com a União, o programa propõe utilizar o PROPAG buscando redução dos juros e alongamento dos pagamentos, destinando a economia obtida à recuperação dos serviços públicos, valorização dos servidores e investimentos. Também pretende auditar determinadas operações relacionadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016.
Existe, portanto, uma estratégia fiscal explicitada.
Mas ainda falta transformar essa estratégia em projeções.
Quanto se espera recuperar anualmente da dívida ativa? Qual economia o Estado espera obter com o PROPAG? Qual crescimento de arrecadação seria necessário para financiar a expansão dos serviços públicos?
A questão central não é apenas saber de onde podem vir novas receitas, mas verificar se o volume esperado dessas receitas é compatível com o conjunto das despesas adicionais prometidas.
Previdência e Rioprevidência: transparência, gestão e solução financeira são coisas diferentes
A previdência dos servidores estaduais recebe tratamento específico.
O programa propõe elaborar um Plano Estadual de Previdência Social, capitalizar o Rioprevidência, acertar contas entre o fundo e o Tesouro estadual e auditar e renegociar as operações de securitização de royalties conhecidas como Rio Delaware.
Também prevê ampliar a transparência dos investimentos, com publicação mensal das aplicações realizadas, identificando instituições financeiras, valores, prazos, taxas de remuneração, classificação de risco, garantias e responsáveis pelas autorizações.
É importante, contudo, separar três dimensões diferentes.
Transparência é uma delas. Divulgar aplicações, riscos, taxas e responsáveis permite controle social e institucional sobre a administração dos recursos.
Outra dimensão é a gestão, que envolve governança do fundo, estrutura administrativa, concursos, sistemas de controle e política de investimentos.
E uma terceira, muito mais complexa, é a solução do desequilíbrio financeiro e atuarial.
Capitalizar o fundo, reconhecer valores eventualmente devidos pelo Tesouro e rever operações de securitização não são medidas que possam ser avaliadas apenas como providências administrativas. Dependem de diagnóstico atuarial, financeiro e jurídico.
Por isso, seria importante perguntar: quais passivos o programa considera existentes entre o Tesouro e o Rioprevidência? Qual seria o valor estimado desses passivos? Qual aporte seria necessário para a capitalização proposta? De onde sairiam os recursos? Qual seria o impacto dessa transferência sobre o próprio Tesouro estadual?
Da mesma forma, uma eventual renegociação das operações Rio Delaware precisaria esclarecer custos, riscos jurídicos, efeitos financeiros e eventual necessidade de negociação com credores.
Renda básica para 600 mil famílias: qual será o desenho do programa?
Entre as propostas sociais, uma das mais expressivas é a criação da Renda Básica Fluminense.
O programa pretende garantir auxílio financeiro permanente às 600 mil famílias mais pobres do estado — identificadas no texto como as 10% mais pobres — estabelecendo como teto meio salário mínimo por família, com variação conforme o número de crianças e a presença de pessoas com deficiência ou idosos. Prevê ainda expansão posterior conforme a necessidade e o aumento da arrecadação.
A proposta tem dimensão suficiente para exigir um debate próprio.
Qual seria o valor médio efetivamente pago? Qual seria o custo anual em cenários mínimo, intermediário e máximo de utilização do benefício?
Também é preciso esclarecer seu desenho operacional.
O benefício seria integralmente estadual e poderia ser acumulado com Bolsa Família e outros programas federais? Qual cadastro seria utilizado para selecionar os beneficiários? Haveria integração com o Cadastro Único? Como seriam evitadas duplicidades ou pagamentos indevidos?
Qual órgão estadual seria responsável pela execução, atualização cadastral, fiscalização e controle do programa? Haveria atualização automática dos valores? Em qual periodicidade seriam revistas renda e composição familiar?
E, principalmente, qual seria a fonte permanente de financiamento de uma transferência continuada para 600 mil famílias?
Essas questões são tão relevantes quanto o valor nominal do benefício porque definem se a política será administrativamente viável, fiscalmente sustentável e capaz de alcançar efetivamente seu público.
Segurança pública: uma abordagem diferente
O programa dedica espaço considerável à segurança pública, mas parte de uma concepção que combina atuação policial, prevenção social, direitos humanos e redução da violência.
Entre outras medidas, aparecem centros de mediação de conflitos e programas destinados a oferecer formação profissional, emprego, assistência social e psicológica a jovens envolvidos em atividades ilícitas.
Essa orientação certamente será um dos pontos de maior contraste político durante a campanha e merece ser discutida sem caricaturas.
O eleitor tem direito a perguntar não apenas qual é a filosofia da política de segurança, mas quais resultados concretos ela pretende produzir: qual a meta de redução de homicídios, roubos, domínio territorial por organizações criminosas e violência contra mulheres? Como serão enfrentadas milícias e facções? Qual será a política de efetivo, inteligência e investigação?
Em uma eleição fluminense, nenhuma política de segurança pode ser avaliada apenas por seus princípios. Ela precisa demonstrar também capacidade operacional diante da realidade concreta do Estado.
Meio ambiente como política estruturante
A agenda ambiental ocupa posição expressiva no programa.
Entre as propostas estão a reestruturação da Secretaria de Ambiente, criação de um Plano Estadual de Justiça Socioambiental e de uma Superintendência de Justiça Socioambiental articulando INEA, Defesa Civil e municípios, com atenção especial às populações de encostas, áreas inundáveis e comunidades costeiras.
Também são previstos monitoramento permanente da qualidade do ar, água e solo, recuperação de áreas degradadas e nascentes, brigadas permanentes contra incêndios e revisão de benefícios fiscais relacionados a áreas classificadas pelo programa como “zonas de sacrifício”.
Para regiões ambientalmente sensíveis como a Costa Verde, essa concepção merece atenção especial.
Aqui também será importante distinguir propostas que dependem diretamente do Governo do Estado daquelas que exigem atuação articulada com municípios, União, órgãos ambientais federais e comitês de bacia.
Mobilidade: ambição elevada e forte mudança institucional
A mobilidade é uma das áreas em que o programa vai muito além de medidas pontuais.
Há propostas de ciclovias em rodovias estaduais, ciclorrotas turísticas intermunicipais, bicicletários e integração da bicicleta aos sistemas de trem, metrô, barcas e ônibus.
Mas reduzir a proposta de mobilidade a essas medidas seria insuficiente.
O programa propõe reestatizar o sistema ferroviário metropolitano, encerrando o modelo de concessão privada e transferindo operação, manutenção e gestão para uma nova Empresa Pública de Transporte e Mobilidade.
Na política tarifária, propõe redução progressiva das passagens até atingir Tarifa Zero nos transportes públicos estaduais, prevendo sua implantação imediata nos trens após a reestatização e subsídio através de um Fundo Estadual de Transporte.
Também prevê expansão metroviária, incluindo Linha 3, extensão da Linha 2 para a Baixada Fluminense e recuperação e expansão da malha ferroviária para passageiros e cargas em todas as regiões do Estado.
Aqui surgem questões institucionais e financeiras centrais.
Quanto custaria reestatizar e operar diretamente o sistema ferroviário? Quais ativos, passivos, contratos e indenizações estariam envolvidos? Qual seria a necessidade anual de subsídios?
Como seria financiada a Tarifa Zero e qual impacto o aumento esperado da demanda teria sobre frota, estações, frequência e capacidade operacional?
Além disso, é necessário separar medidas de competência direta estadual daquelas que dependem de municípios, União, concessionárias ou pactuação interfederativa.
Requalificação de calçadas, integração com BRTs municipais, redes cicloviárias urbanas, grandes expansões metroferroviárias e alterações de contratos existentes não possuem necessariamente a mesma governança.
Uma política integrada de mobilidade depende justamente de explicar quem executa, quem financia e quem regula cada parte do sistema.
Educação e saúde: duas áreas que merecem leitura própria
O tamanho do programa faz com que algumas áreas não possam ser adequadamente resumidas em poucas linhas.
Só a saúde ocupa um conjunto extenso de capítulos, abrangendo planejamento, trabalhadores, cuidado, saúde mental e vigilância. A educação, por sua vez, contempla educação básica, especial, EJA, rede estadual, ensino técnico, superior e um capítulo específico sobre profissionais da educação.
Isso demonstra abrangência, mas também evidencia uma característica do documento: há um número muito elevado de compromissos.
Consequentemente, talvez a principal pergunta não seja se faltam propostas, mas quais delas serão efetivamente prioridades nos primeiros quatro anos de governo, quanto custarão e quais resultados objetivos deverão produzir até 2030.
Participação popular e transparência
Outro traço marcante é a aposta em conselhos, conferências e mecanismos de participação.
O programa propõe fortalecer conselhos estaduais, realizar consultas populares, criar uma Conferência Fluminense periódica e instituir um Gabinete Virtual para comunicação direta com os cidadãos. Também promete acesso a informações técnicas, administrativas e orçamentárias, incluindo projetos, editais, contratos e processos administrativos.
Para quem acompanha transparência pública, é uma promessa que merece ser registrada e, caso a candidatura seja vitoriosa, posteriormente cobrada.
Mas participação também precisa de desenho institucional.
Quais decisões seriam apenas consultivas e quais efetivamente deliberativas? Como evitar sobreposição entre conselhos, conferências, consultas digitais, Assembleia Legislativa e estruturas administrativas? De que maneira se asseguraria representatividade nesses espaços?
Quanto mais forte for a promessa de participação popular, mais importante será esclarecer como a participação produzirá efeitos concretos sobre as decisões do governo.
E a Costa Verde?
Embora o documento seja estadual e não apresente capítulo exclusivo para Mangaratiba ou para cada município da região, a Costa Verde é mencionada diversas vezes como unidade territorial de planejamento.
O programa pretende criar uma agência permanente de gestão compartilhada em cada região, inclusive na Costa Verde, e revisar a política de desenvolvimento regional considerando problemas como mobilidade, saneamento e segurança e as potencialidades de cada território.
Há ainda propostas concebidas para todas as regiões, incluindo a Costa Verde, como centros regionais de formação em permacultura, incubadoras de projetos sustentáveis, iniciativas de resíduos, acessibilidade, saúde e recuperação da malha ferroviária.
Isso demonstra que a região não foi esquecida no desenho territorial do programa.
Mas é necessário distinguir duas coisas.
Uma coisa é a Costa Verde aparecer nominalmente como uma das regiões nas quais determinada política estadual será organizada.
Outra é existir um conjunto de compromissos específicos, territorialmente definidos e quantificados para a Costa Verde.
Esses compromissos ainda não aparecem com a mesma clareza.
Quais seriam, por exemplo, as prioridades para Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty? Que investimentos seriam destinados à mobilidade regional? Haveria projetos específicos para a Rio-Santos, transporte intermunicipal, saneamento, prevenção de deslizamentos, proteção costeira, turismo, pesca artesanal ou infraestrutura de saúde?
Na economia, o programa determina que sejam formuladas estratégias próprias para cada região, considerando vocações produtivas, infraestrutura, recursos naturais e necessidades sociais.
A pergunta, portanto, não é se a Costa Verde está presente no programa. Está.
A pergunta é: o que concretamente essa presença significará em investimentos, projetos, prioridades e metas para a região?
Um programa extenso também precisa estabelecer prioridades
Talvez esta seja a principal conclusão de uma primeira leitura cidadã.
O programa apresentado pelo PSOL tem uma característica evidente: não sofre de falta de propostas. Em inúmeras áreas, chega a níveis de detalhamento pouco comuns em documentos eleitorais.
Mas justamente essa abrangência cria seu principal desafio.
É possível realizar tudo isso em quatro anos?
Criar um banco estadual de desenvolvimento, estabelecer renda básica para centenas de milhares de famílias, recompor anualmente salários de servidores, realizar concursos, reestatizar o sistema ferroviário, caminhar para a Tarifa Zero, ampliar políticas sociais, reindustrializar o Estado, investir em infraestrutura, fortalecer serviços públicos e executar simultaneamente dezenas de novos programas exigirá recursos financeiros, capacidade administrativa, articulação institucional e escolhas.
Governar também significa estabelecer prioridades.
Por isso, algumas perguntas deveriam acompanhar Siri durante a campanha:
Quais são as dez primeiras medidas que adotaria? Quanto custará seu programa? Quais despesas permanentes serão criadas? De onde virão os recursos?
No caso do BADERJ: qual será sua modelagem institucional, capitalização inicial, governança e política de risco?
Na Previdência: qual é o diagnóstico atuarial, quais passivos seriam reconhecidos entre Tesouro e Rioprevidência e qual aporte financeiro seria necessário?
Na Renda Básica Fluminense: quanto custará anualmente, qual cadastro será utilizado e como ela se articulará com os benefícios federais?
Na mobilidade: quanto custariam a reestatização ferroviária e a Tarifa Zero e de onde virão os subsídios necessários à operação?
Na segurança, saúde e educação: quais metas objetivas deverão ser alcançadas até 2030?
E na Costa Verde: quais projetos concretos, valores e cronogramas transformarão a presença nominal da região no programa em política pública efetiva?
Essas perguntas não diminuem o programa. Ao contrário: ajudam a transformá-lo em compromisso verificável.
Ler antes de comparar
Esta análise não pretende comparar neste momento o programa de Siri com o de Douglas Ruas, Eduardo Paes, Anthony Garotinho ou qualquer outro candidato.
A comparação terá seu momento.
Antes dela, parece mais justo que cada programa seja examinado individualmente, com seus méritos, prioridades, lacunas e questões ainda sem resposta.
Quando todos os principais candidatos tiverem apresentado seus documentos, será possível submetê-los à mesma régua: segurança, saúde, educação, desenvolvimento econômico, meio ambiente, mobilidade, funcionalismo, equilíbrio fiscal, previdência, transparência, políticas regionais, governança e capacidade de execução.
Essa talvez seja uma contribuição simples, mas importante para as eleições de 2026.
Em vez de começar perguntando qual candidato tem o melhor programa, podemos começar por uma questão anterior: o que, afinal, cada candidato está propondo fazer com o Estado do Rio de Janeiro?
Conhecer essa resposta é uma das melhores formas de qualificar o voto — e de preservar, depois da eleição, aquilo que frequentemente se perde com o fim da campanha: a memória dos compromissos assumidos perante o eleitor.





