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| Lula durante cerimônia no Planalto |
O Orçamento da União para 2026, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, trouxe preocupações significativas para programas sociais e universidades federais. Parte das emendas parlamentares incluídas no texto final inflou despesas em ano eleitoral, ao mesmo tempo em que políticas essenciais, como o Pé-de-Meia, o Auxílio Gás, bolsas da Capes e do CNPq, e até benefícios previdenciários, tiveram suas dotações reduzidas. A LOA 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, evidenciando o peso político e fiscal do tema e os riscos para o planejamento de médio prazo.
Desde a aprovação, esses cortes e desidratações de políticas públicas geraram alarme em setores da educação, ciência e assistência social. Universidades e institutos federais viram suas verbas de custeio, assistência estudantil e pesquisa serem significativamente afetadas, comprometendo a continuidade de programas estratégicos para milhões de brasileiros.
O veto presidencial
Em uma reação direta ao processo de aprovação do Orçamento, o presidente Lula vetou cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares que, segundo o governo, estavam fora dos limites legais e foram incluídas sem acordo com o Executivo. Além do veto, outros R$ 7 bilhões serão remanejados para recompor as políticas sociais desidratadas. Esse remanejamento decorre da autorização expressa na própria LOA, que permite ao Executivo anular até 30% das despesas discricionárias e realocar recursos para reforçar outras ações prioritárias, conferindo base jurídica e técnica à medida. Outros R$ 3 bilhões permanecem bloqueados até que um projeto de lei específico seja enviado e aprovado pelo Congresso para restaurar essas despesas.
Juízo sobre as emendas infladas
O governo critica as emendas infladas como uma prática de captura eleitoral do orçamento, em que parlamentares priorizam projetos e recursos com fins eleitorais em detrimento de políticas sociais essenciais.
De fato, esse tipo de inflacionamento compromete o planejamento de médio prazo, cria instabilidade fiscal e enfraquece a execução de programas estratégicos para educação, ciência, assistência social e previdência.
Impactos e perspectivas
A ação do Executivo altera o cenário inicialmente apresentado pelo Congresso:
- Para universidades e IFES: há possibilidade de recomposição parcial de recursos que haviam sido cortados, fortalecendo custeio, assistência estudantil e pesquisa científica.
- Para programas sociais: o remanejamento busca restaurar valores de programas prioritários, como Pé-de-Meia, Auxílio Gás e benefícios previdenciários, diminuindo os impactos negativos das emendas infladas.
- Disputa institucional: o episódio evidencia um embate claro entre Executivo e Legislativo, sobretudo em anos eleitorais, sobre quem define as prioridades orçamentárias do país. Vale observar que o Congresso ainda pode tentar derrubar o veto presidencial, o que reabriria a disputa sobre o destino de bilhões em políticas sociais e programas estratégicos.
Considerações finais
Enquanto o Congresso inflou emendas e reduziu recursos de programas estratégicos, o veto presidencial mostra que o controle do Executivo é fundamental para garantir a continuidade das políticas sociais e educacionais. O episódio evidencia o delicado equilíbrio entre poderes no Brasil e reforça a necessidade de transparência, planejamento responsável e respeito às prioridades legais do orçamento.
📷: Evaristo Sá/AFP/08-01-2026

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