O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou, nesta segunda-feira (26), um telefonema diplomático com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a proposta do chamado Conselho da Paz, uma iniciativa liderada pelos EUA para promover estabilidade na Faixa de Gaza. A conversa durou cerca de 50 minutos e, segundo informações oficiais, Lula não rejeitou a proposta, mas sugeriu mudanças estruturais para alinhar o conselho a princípios multilaterais, incluindo a limitação de seu escopo a Gaza e a inclusão da representação palestina.
Enquanto países europeus como França, Alemanha e Reino Unido já rejeitaram oficialmente o conselho, alegando que ele enfraquece a ONU e cria uma estrutura paralela de decisão, o Brasil segue uma postura diplomática e negociadora, buscando preservar espaço de influência e fortalecer sua presença no cenário global.
Diferenças entre Lula e Macron
A posição de Lula difere significativamente da do presidente francês, Emmanuel Macron. Enquanto Macron recusou de forma absoluta a participação da França, argumentando que a iniciativa americana contraria os mecanismos tradicionais da ONU, Lula opta por negociar ajustes, buscando um meio-termo que permita ao Brasil exercer influência sem comprometer princípios multilaterais.
“Não se trata de um sim automático, mas de moldar o projeto para atender aos interesses legítimos do Brasil e da Palestina”, afirmam fontes diplomáticas. Essa postura coloca Lula como mediador estratégico, tentando equilibrar relações com os EUA e com parceiros internacionais.
Potenciais vantagens para o Brasil
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Prestígio internacional: Participar do conselho com condições claras reforça a imagem do Brasil como ator independente e protagonista do Sul Global, capaz de influenciar decisões internacionais importantes.
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Defesa do multilateralismo: Ao exigir foco em Gaza e representação palestina, o Brasil pode dar legitimidade parcial à iniciativa, mostrando que defende normas internacionais e o papel da ONU.
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Oportunidade de mediação: Se bem conduzido, o Conselho da Paz pode se tornar uma plataforma diplomática para o Brasil, ampliando sua voz em questões do Oriente Médio e fortalecendo a liderança regional.
Riscos e desafios
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Críticas externas: Países europeus que rejeitaram o conselho podem questionar a participação brasileira, alegando que o conselho permanece dominando pelos EUA e fora das estruturas da ONU.
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Percepção de indecisão: Não dar um “sim” ou “não” direto pode ser interpretado como hesitação, prejudicando a imagem do governo em ambientes diplomáticos sensíveis.
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Riscos eleitorais internos: Em ano eleitoral, há chance de que setores do eleitorado interpretem a participação como desconexão com prioridades nacionais, como saúde, educação e segurança. A oposição pode explorar o tema afirmando que “Lula prioriza o conselho de Trump em vez de cuidar do Brasil”.
Cenários possíveis
- Cenário bom: A Palestina aceita participar, Trump aceita ajustes, e o conselho respeita regras multilaterais. O Brasil ganha prestígio, influência e reforça sua liderança internacional.
- Cenário médio: Ajustes aceitos parcialmente, Trump enfraquece a ONU, críticas internacionais surgem. O Brasil mantém algum protagonismo, mas precisa comunicar claramente sua estratégia para reduzir riscos internos e externos.
- Cenário ruim: Conselho dominado pelos EUA, ajustes ignorados, e outros países rejeitam participação. A imagem do Brasil pode ser prejudicada tanto internacionalmente quanto internamente, especialmente em ano eleitoral.
Estratégias de mitigação
Para maximizar ganhos e reduzir riscos, especialistas sugerem que o governo brasileiro:
- Comunique com clareza que a participação é estratégica e alinhada ao interesse nacional e ao multilateralismo.
- Articule com parceiros internacionais, especialmente países do Sul Global, para reforçar legitimidade.
- Demonstre resultados domésticos simultâneos, mostrando que o governo continua atento às demandas internas.
- Estabeleça condições de participação no conselho, garantindo transparência e supervisão internacional.
- Prepare planos de contingência, incluindo redução ou suspensão da participação caso o conselho se torne unilateral ou contrário às normas da ONU.
Conclusão
A postura de Lula frente ao Conselho da Paz de Trump revela um equilíbrio delicado entre diplomacia estratégica e riscos domésticos. Internacionalmente, o Brasil pode se consolidar como protagonista do Sul Global e defensor do multilateralismo, mas, internamente, em ano eleitoral, a percepção pública exige comunicação precisa e conexão com pautas nacionais.
A capacidade de transformar o conselho em uma ferramenta de influência legítima dependerá, portanto, de habilidade diplomática, estratégia de comunicação e articulação política, tornando o episódio um teste de liderança tanto no plano internacional quanto na política doméstica.

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