Em 17 de janeiro de 1890, nos albores da República — há exatos 136 anos —, Ruy Barbosa, então ministro da Fazenda, lançava um plano ousado para modernizar o Brasil. A proposta buscava acelerar a industrialização, expandir o crédito e injetar ideias liberais na transição do Império. O que começou como ambição iluminista revelou, porém, as fragilidades de uma nação em gestação.
O Encilhamento
O plano, conhecido como Encilhamento, provocou expansão monetária galopante, especulação em bancos e empresas fictícias, e uma bolha que terminou em inflação corrosiva. O colapso minou a confiança na jovem República, avivou tensões políticas e expôs o fosso entre progressismo e instituições débeis — ecoando o alerta do próprio Barbosa de que a liberdade econômica sem freios pode virar tirania.
Ruy Barbosa: além do Encilhamento
Ruy, contudo, transcende esse episódio. Jurista genial, baluarte do Estado de Direito, da imprensa livre e do constitucionalismo, teve papel decisivo na Constituição de 1891 e brilhou na Conferência de Haia (1907). Seu legado — lei, educação e liberdades — mostra que grandes visões colidem com os limites do tempo, mas permanecem inspiradoras.
Lições históricas
O Encilhamento simboliza os tropeços da republicanização brasileira: o choque entre modernidade importada, interesses oligárquicos e instabilidade institucional. Hoje, suas lições sobre regulação, confiança pública e o custo das ilusões financeiras continuam atuais, especialmente em tempos de crises cíclicas.
OBS: Charge retratando Ruy Barbosa, então ministro da Fazenda, tentando equilibrar as finanças do país.

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