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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Após cortes e remanejamentos, Lula reage: veto parcial às emendas do Orçamento 2026


Lula durante cerimônia no Planalto


O Orçamento da União para 2026, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, trouxe preocupações significativas para programas sociais e universidades federais. Parte das emendas parlamentares incluídas no texto final inflou despesas em ano eleitoral, ao mesmo tempo em que políticas essenciais, como o Pé-de-Meia, o Auxílio Gás, bolsas da Capes e do CNPq, e até benefícios previdenciários, tiveram suas dotações reduzidas. A LOA 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, evidenciando o peso político e fiscal do tema e os riscos para o planejamento de médio prazo.

Desde a aprovação, esses cortes e desidratações de políticas públicas geraram alarme em setores da educação, ciência e assistência social. Universidades e institutos federais viram suas verbas de custeio, assistência estudantil e pesquisa serem significativamente afetadas, comprometendo a continuidade de programas estratégicos para milhões de brasileiros.


O veto presidencial

Em uma reação direta ao processo de aprovação do Orçamento, o presidente Lula vetou cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares que, segundo o governo, estavam fora dos limites legais e foram incluídas sem acordo com o Executivo. Além do veto, outros R$ 7 bilhões serão remanejados para recompor as políticas sociais desidratadas. Esse remanejamento decorre da autorização expressa na própria LOA, que permite ao Executivo anular até 30% das despesas discricionárias e realocar recursos para reforçar outras ações prioritárias, conferindo base jurídica e técnica à medida. Outros R$ 3 bilhões permanecem bloqueados até que um projeto de lei específico seja enviado e aprovado pelo Congresso para restaurar essas despesas.


Juízo sobre as emendas infladas

O governo critica as emendas infladas como uma prática de captura eleitoral do orçamento, em que parlamentares priorizam projetos e recursos com fins eleitorais em detrimento de políticas sociais essenciais. 

De fato, esse tipo de inflacionamento compromete o planejamento de médio prazo, cria instabilidade fiscal e enfraquece a execução de programas estratégicos para educação, ciência, assistência social e previdência.


Impactos e perspectivas

A ação do Executivo altera o cenário inicialmente apresentado pelo Congresso:


  • Para universidades e IFES: há possibilidade de recomposição parcial de recursos que haviam sido cortados, fortalecendo custeio, assistência estudantil e pesquisa científica.
  • Para programas sociais: o remanejamento busca restaurar valores de programas prioritários, como Pé-de-Meia, Auxílio Gás e benefícios previdenciários, diminuindo os impactos negativos das emendas infladas.
  • Disputa institucional: o episódio evidencia um embate claro entre Executivo e Legislativo, sobretudo em anos eleitorais, sobre quem define as prioridades orçamentárias do país. Vale observar que o Congresso ainda pode tentar derrubar o veto presidencial, o que reabriria a disputa sobre o destino de bilhões em políticas sociais e programas estratégicos.


Considerações finais

Enquanto o Congresso inflou emendas e reduziu recursos de programas estratégicos, o veto presidencial mostra que o controle do Executivo é fundamental para garantir a continuidade das políticas sociais e educacionais. O episódio evidencia o delicado equilíbrio entre poderes no Brasil e reforça a necessidade de transparência, planejamento responsável e respeito às prioridades legais do orçamento.


📷: Evaristo Sá/AFP/08-01-2026

sábado, 29 de agosto de 2020

Que tal termos um programa assistencial de renda mínima permanente aos mais pobres?!




A experiência que muitos tiveram durante a pandemia com o recebimento de um auxílio emergencial de R$ 600,00 tem gerado interessantes debates acerca da necessidade de se converter tal benefício de assistência social em um programa de renda mínima aos mais carentes. É o que vem defendendo um grupo de mais de 160 organizações da sociedade civil, incluindo centrais sindicais, partidos políticos progressistas e institutos de pesquisa.


Em suma, a ideia é que o pagamento dos R$ 600,00 por mês torne-se um benefício permanente, o que poderia atender até 80 milhões de brasileiros. Ou seja, alcançaria um percentual de 40% da população do país!


Deste modo, mesmo depois da pandemia, todo trabalhador e trabalhadora maior de 18 anos e as mães adolescentes menores de idade passariam a ser contemplados com a renda mínima. Já a pessoa provedora da família monoparental, independente do sexo, e o responsável que possua dependente com deficiência fariam jus a duas cotas de R$ 1.200,00 do benefício. E ainda seria permitida a acumulação com outros programas sociais, a exemplo do BPC, do Bolsa Família e do ProUni.


Em termos jurídicos, há que se considerar que a renda deve ser vista como um direito humano, fundamental e indivisível dos demais. E, por sua vez, a política de renda básica precisa ser entendida como uma solução para reduzir desigualdades.


Por certo um programa desses precisará de um aumento na arrecadação e aí a implementação de um Imposto sobre Grandes Fortunas que tenham valor acima de R$ 5 milhões, com alíquotas progressivas, assim como o aumento da contribuição social sobre o lucro líquido das instituições financeiras, certamente ajudariam sem sobrecarregar a classe média. Ou seja,  estaríamos fazendo justiça social taxando apenas os mais ricos e, principalmente, os bancos...


Lamentavelmente, a nossa carga tributária tem característica regressiva e pune justamente os mais pobres. Logo, qualquer reforma dessas que promova transferências de renda deve levar em conta a possibilidade de ser paga pelos mais ricos. 


Ponderando acerca dos interesses envolvidos, considero que são mais importantes os efeitos positivos de um programa social oferecido permanentemente visto que reduziria de maneira substancial a pobreza, ampliaria a rede de proteção aos menos favorecidos, dando maior dignidade à população brasileira. Sem contar que ainda haveria consequências positivas quanto ao comércio e à produção industrial porque o dinheiro pago ao necessitado retornaria para o mercado através do consumo, gerando mais postos de trabalho.


Lutemos pela causa!