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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Cautela diante da situação na Síria



Nesta noite de quinta-feira (29/08), o Parlamento britânico soube rejeitar a proposta do primeiro-ministro David Cameron quanto à invasão militar da Síria. Até governistas votaram contra!

Penso que fizeram bem. Eu venho acompanhando as notícias do que vem acontecendo no Oriente, sobre o uso de armas químicas pelo ditador Bashar al-Assad contra a população civil, e confesso que, em determinados momentos, fiquei favorável a uma intervenção militar estrangeira. Afinal, trata-se de um desrespeito aos direitos humanos e indaguei se o Brasil não deveria integrar uma missão das Nações Unidas junto com os Estados Unidos e outras potências. Afinal, desde a era Lula, temos pleiteado um cargo no Conselho de Segurança da ONU, não é mesmo?!

Contudo, comecei a refletir. Nem sempre as guerras são o caminho para se resolver os problemas. Ainda mais sendo na terra dos outros, em que existe a questão da soberania nacional e a inexistência de uma ordem internacional clara que autorize a instituição de uma polícia global. Então comecei a pensar a respeito de duas questões opostas:

- Num juízo de ponderação, até que ponto é importante manter a soberania de um país se o regime de Assad está cometendo verdadeiras atrocidades contra o próprio povo a ponto de 1.300 pessoas terem morrido dia 21?

- Quais as consequências que uma invasão da Síria causaria lá mesmo e em todo o Oriente Médio?

Há dez anos atrás, o então presidente George W. Bush  invadiu o Iraque fazendo uma hedionda guerra de conquista. Havia nos Estados Unidos um sentimento de histeria por causa do ataque terrorista de 11/09/2001. Muitos norte-americanos foram incapazes de raciocinar que Saddam Hussein (1937-2006) não tinha nada a ver com o episódio da derrubada das Torres Gêmeas e a soberania de um país foi agredida. O pretexto era que os iraquianos estavam produzindo armas de destruição em massa. Como resultado, a situação por lá tornou-se insustentável, principalmente depois da ocupação militar, provocando novos atentados a ponto de mataram milhares de estrangeiros no país. E até hoje não houve uma estabilização política.

Pois bem. Com a Síria não seria diferente? É certo que eles estão vivendo uma guerra civil há cerca de dois anos e o povo encontra-se dividido. Porém, há partidários do governo e, diante de uma invasão estrangeira, os tais passariam a ter apoio mais expressivo de uma parcela da população e de grupos fundamentalistas islâmicos. Deste modo, poderiam vir respostas violentas depois de ganha a guerra e seria o caos.

Concluo que o melhor a ser feito agora é orarmos pela paz no Médio Oriente e pensarmos e soluções pacíficas para o conflito. O uso de armas químicas parece incontestável, mas deve haver outros meios do Ocidente posicionar-se contra tais barbaridades ocorridas em pleno século XXI. E aí torna-se preciso agir com paciência e sabedoria para que uma ação humanitária não provoque a perda de mais vidas além das que já foram ceifadas.

Que Obama não seja precipitado!

Um comentário:

  1. O Papa Francisco, foi se encontrar na manhã desta quinta-feira com o rei da Jordânia, Abdullah II, para falar sobre o Oriente Médio e a situação da Síria. Segundo um comunicado da Sala de imprensa da Santa Sé "a via do diálogo e da negociação entre todos os intervenientes na sociedade síria, com o apoio da comunidade internacional, é a única opção para pôr fim ao conflito e à violência que todos os dias causam a perda de vidas humanas, sobretudo entre a população indefesa".

    O Papa Francisco e o rei Abdullah abordaram em seu encontro temas “de interesse comum”, em especial a promoção da paz e a estabilidade no Oriente Médio. No domingo, Francisco já tinha feito um apelo em favor da paz na Síria, diante do acirramento da situação de confronto civil no país, que poderia conduzir a uma guerra ainda maior.

    "Não é o conflito que oferece perspectivas de esperança para resolver os problemas, mas é a capacidade de encontro e de diálogo. (...) Faço apelo à Comunidade Internacional para que se mostre mas sensível a esta trágica situação e coloque todo o seu empenho para ajudar a amada nação síria a encontrar uma solução a uma guerra que semeia destruição e morte", disse Francisco.

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