Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
Certa vez o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), ao debater sobre a impossibilidade de provar a existência de Deus, argumentou dizendo que o homem deveria optar pela crença. Segundo o seu pensamento, se Deus não existir, o crente não sofrerá prejuízo algum quando morrer. Porém, considerando a possibilidade de Deus existir, o crente ganharia a vida eterna enquanto que o descrente perderia tudo depois da morte em tal hipótese.
Utilizando-se desta mesma lógica de Pascal, inúmeros pregadores desenvolveram argumentos bem ameaçadores nos seus discursos com a finalidade de proselitar pessoas. Ao invés de mostrarem a face bondosa de um Deus que nos ama desde a eternidade, tais "evangelistas" resolveram atrair seguidores apelando ao medo (o falacioso Argumentum ad baculum).
Neste aspecto, o pastor norte-americano William Franklin Graham Jr (mais conhecido como Billy Graham), admirado por muitos como sendo o maior pregador do século XX, também fez uso da mesma armadilha discursiva em seu aplaudido sermão "Heaven or Hell" ("Céu ou Inferno") que pode ser facilmente encontrado na internet:
"Certo dia, um agnóstico falava com um cristão. E ele disse: 'Suponha que um minuto após morrer você descubra não existir o céu'. O cristão respondeu: 'Se o céu não existisse, ainda assim teria valido a pena, em razão da alegria e da paz que tive em meu coração nessa vida cristã. Mas gostaria de lhe perguntar uma coisa. Sr. Agnóstico, suponha - apenas suponha - que você acordou e percebeu que, depois de tudo, existe realmente o inferno. Suponha que exista apenas uma chance em cem de existir o inferno. Você concederia, nesta noite, haver possivelmente uma chance em cem, de que realmente exista o inferno? Então, valeria a pena dar tudo o que você tem para escapar desse lugar chamado por Jesus de inferno'". (extraído do livro "Onde a religião termina?" do ex-frei Marcelo da Luz, pág. 111)
Penso que ao manejar estas palavras, Billy Graham não foi feliz pois demonstrou uma enorme fragilidade no seu sermão. Isto porque o argumento baseia-se nas supostas consequências negativas que os descrentes poderão sofrer caso não levantarem as mãos durante o apelo do pregador para "aceitar a Cristo", conforme costuma ocorrer no final das reuniões do evangelista. Os que não derem o assentimento às suas palavras poderão sofrer irreversíveis castigos como a perda da vida eterna, ardendo pelos séculos dos séculos nas chamas de um inferno.
Ora, alguém poderia então perguntar que deus é este que precisa intimidar as pessoas para ser crido ou obedecido? Pois, se a fé de alguém está baseada numa espécie de aposta pascaliana, não seria melhor que um deus assim nem existisse? Não seríamos muito mais felizes sabendo que podemos fazer escolhas existenciais conforme a própria consciência e nos baseando não em pregações de A, B ou C mas sim numa convicção pessoal a respeito de praticar o bem livres de qualquer ameaça?
Acontece que o Deus vivo e verdadeiro ama a todos incondicionalmente e deseja ser amado pelo que Ele é, independentemente de promessas ou bênçãos futuras oferecidas aos devotos. Seu amor sincero existe desde a eternidade dos tempos, antes da Terra e de todo o universo serem criados. Antes mesmo de sermos gerados no ventre materno, o nome de cada um de seus filhos já estava escrito no Livro de Deus e uma festa nos céus foi celebrada na ocasião do nosso nascimento sem que nada tivéssemos feito para merecer.
"Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." (Salmo 139.13-16; ARA)
Sem dúvida que este poema bíblico conduz-nos à abundante graça divina, fonte da vida para todos os homens, salvando-nos de qualquer pecado. Mesmo da própria descrença visto que nem as trevas escurecem os olhos do Eterno.
"Se digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa." (Sl 139.11-12)
Não importa em qual abismo a pessoa se encontre, pois ela pode reconciliar-se com o seu Criador a qualquer hora. E isto não precisa ser durante o culto evangelístico de uma igreja visto que pode ocorrer dentro da nossa casa, num presídio, num prostíbulo, numa boca de fumo ou nos últimos instantes da nossa vida errante a exemplo do "bom ladrão" crucificado ao lado de Jesus (ver Lucas 23.39-43). Pois somos sempre salvos pela graça divina sem que nada possamos oferecer em troca. Nem mesmo a fé que é gerada no coração do homem também pelo favor de Deus como resultado da ação do seu Espírito em nós.
Tal como no Salmo 139, cuja autoria é atribuída ao rei David, ninguém pode esconder-se do Deus onisciente. O Eterno conhece todas as nossas motivações íntimas e sabe muito bem que uma pessoa levantou as mãos durante um "apelo" feito pelo Billy Graham devido a um falho raciocínio pascaliano e não porque o novo devoto deseja de fato conhecê-lo.
"SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto.; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não me chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir. Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?" (Sl 139.1-7)
Sim! Para onde fugiremos deste amor tão grande que nos cerca? Para qual lugar?
Então pra que resistir à maravilhosa graça de Deus? Por que continuar fugindo e se trancando em si mesmo?
Mas conhecer a Deus não requer nenhum raciocínio lógico formulado por filósofos. Deus é puro amor e quer ser compreendido nesta dimensão. Não pelo medo ou pela ameaça feita pelos pregadores.
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1João 4.18-19)
Assim, festejando este amor, quero encerrar minha mensagem com este maravilhoso vídeo do Asaph Borba cantando o Salmo 139.
OBS: A ilustração deste artigo refere-se a uma pintura anônima feita no século XVII sobre o grande físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês Blaise Pascal.
Valeu pela coragem em confrontar um mito como o Billy Graham, que as vezes é tido como irretocável em suas preleçõese sem a menor hipótese de ser contrariado por aqueles que tem medo de pecar contra o "ungido do Senhor".
Embora respeite o Billy Graham, pois eu o considero um homem de mente aberta dentro de sua geração em certos aspectos), como todo mundo ele também é passível de críticas. E, se comete um erro, este deve ser corrigido para que muitas pessoas não cultivem aquilo que bem colocou: "uma visão doentia do caráter de Deus".
Com uma formação batista, assim como o Billy Graham, sou hoje bem flexível e liberal na questão do batismo. Neste ponto, por exemplo, vejo que ele conseguiu desconstruir muita doutrina e foi um herói ao estabelecer o diálogo com outras denominações, inclusive com o catolicismo romano, a ponto de ser chamado de "pastor papista" pelas vozes mais fundamentalistas.
Todavia, o apelo ao medo de "céu ou inferno" não me convence e sei que isto é um grande problema mente das pessoas que, antes mesmo de Pascal, já deveriam fazer raciocínios semelhantes.
Gostaria de apresentar uma sugestão para sua análise. Que os crimes de tráfico de drogas que contenham substâncias propositalmente adicionadas para diminuir o seu preço, como o Oxi e o Crack, que danificam imediatamente a saúde do usuário, sejam também vinculados ao crime de tentativa de homicídio. Fica clara a intenção do traficante de aumentar o seu lucro através do uso de recurso adicional que potencializa e aumenta a toxicidade dos produtos que distribui. Na dificuldade ou impossibilidade em classificar o que é "puro" ou "impuro" em termos de drogas ilícitas, melhor criar uma lista nacional de nomes, definições e características. Assim fazendo, esta será uma medida que ajudará a mitigar o uso deste tipo de drogas socialmente "catastróficas" e de abrangência e repercussão imprevisíveis.
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Sou advogado e moro no estado do Rio de Janeiro - Brasil. Politicamente não me defino nem como direita e nem de esquerda, mas gosto de debater propostas. Defendo a conservação do meio ambiente e o uso racional da natureza. Luto pela defesa da saúde pública e do bem estar da sociedade em geral.
Rodrigo, que bom ler esse texto que aborda realmente o Evangelho, as "BOAS NOVAS",e não a SESSÃO TERROR.
ResponderExcluirAlguns gostam do tipo "terrorismo psicológico" para coagir as pessoas e forçar as pessoas a uma decisão equivocada.
Por isso tanta gente destroçada dentro de Igrejas, com uma visão doentia do caráter de Deus.
Acertou em cheia também na música com o Asaph Borba!
Novamente, muito bom poder ter lido esse texto, um refrigério para a alma de todos que estão cansados e sobrecarregados!!!
Um ABRAÇÃO AMIGÃO,
Franklin
Ah!! Esqueci de um detalhe.
ResponderExcluirValeu pela coragem em confrontar um mito como o Billy Graham, que as vezes é tido como irretocável em suas preleçõese sem a menor hipótese de ser contrariado por aqueles que tem medo de pecar contra o "ungido do Senhor".
Olá, Franklin!
ResponderExcluirEmbora respeite o Billy Graham, pois eu o considero um homem de mente aberta dentro de sua geração em certos aspectos), como todo mundo ele também é passível de críticas. E, se comete um erro, este deve ser corrigido para que muitas pessoas não cultivem aquilo que bem colocou: "uma visão doentia do caráter de Deus".
Com uma formação batista, assim como o Billy Graham, sou hoje bem flexível e liberal na questão do batismo. Neste ponto, por exemplo, vejo que ele conseguiu desconstruir muita doutrina e foi um herói ao estabelecer o diálogo com outras denominações, inclusive com o catolicismo romano, a ponto de ser chamado de "pastor papista" pelas vozes mais fundamentalistas.
Todavia, o apelo ao medo de "céu ou inferno" não me convence e sei que isto é um grande problema mente das pessoas que, antes mesmo de Pascal, já deveriam fazer raciocínios semelhantes.
Abraços.
Gostaria de apresentar uma sugestão para sua análise. Que os crimes de tráfico de drogas que contenham substâncias propositalmente adicionadas para diminuir o seu preço, como o Oxi e o Crack, que danificam imediatamente a saúde do usuário, sejam também vinculados ao crime de tentativa de homicídio. Fica clara a intenção do traficante de aumentar o seu lucro através do uso de recurso adicional que potencializa e aumenta a toxicidade dos produtos que distribui. Na dificuldade ou impossibilidade em classificar o que é "puro" ou "impuro" em termos de drogas ilícitas, melhor criar uma lista nacional de nomes, definições e características. Assim fazendo, esta será uma medida que ajudará a mitigar o uso deste tipo de drogas socialmente "catastróficas" e de abrangência e repercussão imprevisíveis.
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