São ricas as passagens bíblicas em que os profetas de Israel exortam o povo a se voltar para Deus. Trata-se da ideia do Teshuvá, o retorno ao caminho certo.
Quase três milênios depois em que as vozes de Isaías, Jeremias, Oséias, Zacarias e outros corajosos homens clamaram pelas estradas e vilas do antigo Israel, a mesma mensagem de apelo ao arrependimento (individual e coletivo) permanece tão atual como naqueles tempos da Bíblia. E se extende a todos os povos do nosso planeta já que o projeto divino é universal.
Tanto as pessoas devem se voltar para Deus, como também a nossa nação! Precisamos deixar a corrupção, o conformismo, a omissão nas questões sociais, o desmatamento das florestas, o desenvolvimento predatório e a violência em todas as suas formas.
Seguindo o exemplo dos profetas e de Jesus, desejo que novos evangelistas se levantem neste país e, com coragem, anunciem as boas novas da paz e do bem tal como diz o texto de Isaías 52:7. Falo de pregadores que, ao invés de fazerem proselitismo religioso ou falsas promessas de enriquecimento imediato, convoquem a nação para um arrependimento coletivo e denunciem abertamente os graves problemas que afligem o pobre, o deficiente físico, a criança, o idoso e o meio ambiente.
Para encerrar esta breve mensagem, compartilho uma excelente música de Asaph Borba - "Volta pra Deus, Israel".
Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
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domingo, 22 de janeiro de 2012
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Salmo 67: um cântico de gratidão a Deus pelas "colheitas"
"A terra deu o seu fruto,
e Deus, o nosso Deus, nos abençoa."
(Sl 67.6)
Na atualidade, como tem sido difícil as pessoas agradecerem ao Eterno pelas boas dádivas que desfrutamos?! Vivemos dias em que a humanidade falha por não reconhecer a participação de Deus na concretização dos seus projetos, ignorando até a existência do seu Criador.
Contudo, o salmo 67, notável pelo seu escopo universal, inicia com uma súplica a Deus e que faz lembrar a bênção sacerdotal (Bircat Kohanim), conforme se lê também em Números 6.25:
"Seja Deus gracioso para conosco,
e nos abençoe,
e faça resplandecer sobre nós o rosto"
(verso 1)
Ora, o que significa "resplandecer o rosto"?
Uma ideia que logo se relaciona com esta imagem seria o favor divino que produz a bem-aventurança. Assim como as plantas necessitam da luz solar para crescerem e darem frutos, nós também precisamos ser interiormente iluminados pela Presença do nosso Criador, alcançando a sabedoria espiritual inspiradora das Escrituras, o que só pode ser obtido através da graça e da bondade de Deus.
Certamente que, no decorrer do poema bíblico, o louvor de gratidão do salmista não se resume às colheitas agrícolas, em cujas festividades os israelitas recitavam, e daí a importância do selah, isto é, da pausa meditativa sugerida pelo redator. Pois, quando paramos para refletir no que existe além dessas simples palavras, compreenderemos que o poeta estava apresentando um plano de Deus para toda a humanidade.
Sem dúvida que Deus é o soberano de todas as nações e não apenas de um só país. Através da Bíblia sabemos que o povo de Israel buscou um relacionamento com Deus. Porém, o Eterno quer ser conhecido pela humanidade inteira e dar a todos graciosamente a sua salvação.
No verso dois do poema (numeração da tradução revista de João Ferreira de Almeida), o salmista fala do conhecimento do "caminho" de Deus, o que está relacionado intimamente com a salvação. E aqui cabe fazer uma indagação sobre do que precisamos ser salvos?
Sinceramente, não acredito nessas fantasias escatológicas que muitos propagam nos dias atuais, instigando o medo e promovendo um desprezo pela continuidade da vida no planeta como se tudo aqui tivesse que ser destruído e somente os crentes em Jesus habitarão uma nova Terra revestidos por um corpo celestial. Aliás, estas ideias apocalípticas nem ao menos se passavam pela cabeça do salmista quando ele compôs o poema, visto que para ele a salvação estava intimamente relacionada com a compreensão dos caminhos de Deus.
Sem dúvida que a palavra caminho entra no texto como uma metáfora para a instrução divina (Torá). Logo, para que o homem possa experimentar a salvação (em sua vida terrena), ele deve fazer o seu ouvido atento à orientação que Deus lhe dá a desta maneira aprender a viver, lidando harmonicamente com os seus sentimentos e desejos.
Observa-se implícito no texto bíblico o papel messiânico de Israel. Pois, tendo a nação alcançado uma experiência no conhecimento de Deus, caberia aos judeus convidar todos os povos para a adoração do Eterno. E esta convocação trata-se de um compartilhar considerando que o outro também tem a sua forma de relacionamento com a Divindade, algo que é bem diferente dos "evangelismos" de inúmeras igrejas por aí.
Por sua vez, o universalismo do Salmo 67 respeita a diversidade cultural das nações. Cada povo permanece independente em relação ao outro. Eles não perdem seus territórios, mas apenas são julgados Deus de toda a Terra. Não se trata da imposição da fé num deus judeu, mas sim no reconhecimento da Inteligência que antecedeu o Universo e nos guia a um propósito elevado. Portanto, no versículo sete, o poema atinge o seu objetivo final que é a essência da salvação de Deus: "e todos os confins da terra o temerão".
Certamente que o "temor de Deus" não significa medo, mas sim reverência. E, quando a humanidade passar a ter respeito pela Inteligência Superior, começar a amar a Vida e a refletir sobre si mesma, ela terá alcançado a tão desejada "salvação". E, com esta compreensão, passamos a entender que o importante é sermos salvos no aqui e agora e não a ideia de que seremos salvos após a morte ou quando chegar a fim do mundo. Pois, se permitirmos que o Santíssimo graciosamente nos oriente, mostrando-nos o seu caminho, tão logo notaremos a percepção da sua doce Presença e a sua salvação.
Junto com todo esse entendimento opera o louvor. Através da celebração feita com gratidão e alegria, podemos viver no presente momento o reinado do Eterno sobre as nossas vidas. Não precisamos esperar este ou aquele acontecimento para ficarmos de bem com a vida. Para Deus não importa o valor do nosso patrimônio econômico ou moral. Tão pouco Ele está interessado em ficar anotando os nossos erros para depois nos pedir conta das condutas praticadas como se desejasse sair distribuindo punições. Deus simplesmente nos convida para o seu banquete, afim de que possamos festejar a vida ao lado do nosso irmão.
Assim, para concluir meus comentários sobre o Salmo 67, compartilho a seguir este magnífico louvor cantado por Asaph Borba em Israel denominado Selah e que foi disponibilizado no Youtube pela própria gravadora Adorarnet.
OBS: A imagem ilustrativa deste artigo foi extraída do ficheiro da Wikipédia e mostra um homem trabalhando no cultivo de arroz, tendo sido um produzida pela United States Agency for International Development, o que torna o material de domínio público - http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rice_Field.jpg
e Deus, o nosso Deus, nos abençoa."
(Sl 67.6)
Na atualidade, como tem sido difícil as pessoas agradecerem ao Eterno pelas boas dádivas que desfrutamos?! Vivemos dias em que a humanidade falha por não reconhecer a participação de Deus na concretização dos seus projetos, ignorando até a existência do seu Criador.
Contudo, o salmo 67, notável pelo seu escopo universal, inicia com uma súplica a Deus e que faz lembrar a bênção sacerdotal (Bircat Kohanim), conforme se lê também em Números 6.25:
"Seja Deus gracioso para conosco,
e nos abençoe,
e faça resplandecer sobre nós o rosto"
(verso 1)
Ora, o que significa "resplandecer o rosto"?
Uma ideia que logo se relaciona com esta imagem seria o favor divino que produz a bem-aventurança. Assim como as plantas necessitam da luz solar para crescerem e darem frutos, nós também precisamos ser interiormente iluminados pela Presença do nosso Criador, alcançando a sabedoria espiritual inspiradora das Escrituras, o que só pode ser obtido através da graça e da bondade de Deus.
Certamente que, no decorrer do poema bíblico, o louvor de gratidão do salmista não se resume às colheitas agrícolas, em cujas festividades os israelitas recitavam, e daí a importância do selah, isto é, da pausa meditativa sugerida pelo redator. Pois, quando paramos para refletir no que existe além dessas simples palavras, compreenderemos que o poeta estava apresentando um plano de Deus para toda a humanidade.
Sem dúvida que Deus é o soberano de todas as nações e não apenas de um só país. Através da Bíblia sabemos que o povo de Israel buscou um relacionamento com Deus. Porém, o Eterno quer ser conhecido pela humanidade inteira e dar a todos graciosamente a sua salvação.
No verso dois do poema (numeração da tradução revista de João Ferreira de Almeida), o salmista fala do conhecimento do "caminho" de Deus, o que está relacionado intimamente com a salvação. E aqui cabe fazer uma indagação sobre do que precisamos ser salvos?
Sinceramente, não acredito nessas fantasias escatológicas que muitos propagam nos dias atuais, instigando o medo e promovendo um desprezo pela continuidade da vida no planeta como se tudo aqui tivesse que ser destruído e somente os crentes em Jesus habitarão uma nova Terra revestidos por um corpo celestial. Aliás, estas ideias apocalípticas nem ao menos se passavam pela cabeça do salmista quando ele compôs o poema, visto que para ele a salvação estava intimamente relacionada com a compreensão dos caminhos de Deus.
Sem dúvida que a palavra caminho entra no texto como uma metáfora para a instrução divina (Torá). Logo, para que o homem possa experimentar a salvação (em sua vida terrena), ele deve fazer o seu ouvido atento à orientação que Deus lhe dá a desta maneira aprender a viver, lidando harmonicamente com os seus sentimentos e desejos.
Observa-se implícito no texto bíblico o papel messiânico de Israel. Pois, tendo a nação alcançado uma experiência no conhecimento de Deus, caberia aos judeus convidar todos os povos para a adoração do Eterno. E esta convocação trata-se de um compartilhar considerando que o outro também tem a sua forma de relacionamento com a Divindade, algo que é bem diferente dos "evangelismos" de inúmeras igrejas por aí.
Por sua vez, o universalismo do Salmo 67 respeita a diversidade cultural das nações. Cada povo permanece independente em relação ao outro. Eles não perdem seus territórios, mas apenas são julgados Deus de toda a Terra. Não se trata da imposição da fé num deus judeu, mas sim no reconhecimento da Inteligência que antecedeu o Universo e nos guia a um propósito elevado. Portanto, no versículo sete, o poema atinge o seu objetivo final que é a essência da salvação de Deus: "e todos os confins da terra o temerão".
Certamente que o "temor de Deus" não significa medo, mas sim reverência. E, quando a humanidade passar a ter respeito pela Inteligência Superior, começar a amar a Vida e a refletir sobre si mesma, ela terá alcançado a tão desejada "salvação". E, com esta compreensão, passamos a entender que o importante é sermos salvos no aqui e agora e não a ideia de que seremos salvos após a morte ou quando chegar a fim do mundo. Pois, se permitirmos que o Santíssimo graciosamente nos oriente, mostrando-nos o seu caminho, tão logo notaremos a percepção da sua doce Presença e a sua salvação.
Junto com todo esse entendimento opera o louvor. Através da celebração feita com gratidão e alegria, podemos viver no presente momento o reinado do Eterno sobre as nossas vidas. Não precisamos esperar este ou aquele acontecimento para ficarmos de bem com a vida. Para Deus não importa o valor do nosso patrimônio econômico ou moral. Tão pouco Ele está interessado em ficar anotando os nossos erros para depois nos pedir conta das condutas praticadas como se desejasse sair distribuindo punições. Deus simplesmente nos convida para o seu banquete, afim de que possamos festejar a vida ao lado do nosso irmão.
Assim, para concluir meus comentários sobre o Salmo 67, compartilho a seguir este magnífico louvor cantado por Asaph Borba em Israel denominado Selah e que foi disponibilizado no Youtube pela própria gravadora Adorarnet.
OBS: A imagem ilustrativa deste artigo foi extraída do ficheiro da Wikipédia e mostra um homem trabalhando no cultivo de arroz, tendo sido um produzida pela United States Agency for International Development, o que torna o material de domínio público - http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rice_Field.jpg
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Que a tua luz brilhe!
A luz, criada no primeiro dia da criação, representa não apenas a claridade que vemos, mas também a luz de vida e alegria derramada sobre o universo. E este derramar de luz é mesmo um ato de bondade do Deus Eterno. É a base de toda a existência e que envolve todos os atos da poética narrativa bíblica caracterizando o hino de tradição sacerdotal que inicia o Bereshit (Gênesis).
Ainda dentro das Escrituras hebraicas, esta luz é também relacionada à Torá, vocábulo que não significa apenas o Pentateuco ou a "lei", mas sim a "instrução" e "orientação" divinas.
"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho." (Salmo 119.105; ARC)
Tempos depois, Jesus veio ao mundo nos ensinar que somos "luz do mundo". Ele, o Filho do Homem, não só teria se declarado como luz do mundo, mas também disse que os demais homens também são luz:
"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."
(Mateus 5.14-16; ARC)
Pode-se dizer que a proposta de Jesus aqui seria corrigir a ocultação da luz, o que pode ser entendido como causa dos problemas da humanidade. Durante o célebre Sermão da Montanha, o Mestre sugere que tornemos exposta a nossa luz afim de que o seu brilho chegue até os lugares mais sombrios da Terra que são os corações dos homens distantes de Deus e imersos em conflito.
Curiosamente Jesus não estava falando de nenhuma luz que não fosse aquela que nós mesmos já contemos, mas que se encontra encapsulada e oculta no nosso íntimo. Logo, posso entender que o dito atribuído a Jesus no 1º Evangelho fala sobre o despertar das centelhas de bondade, aquela mesma luz divina derramada no começo da criação.
Neste sentido, podemos compreender que toda a desarmonia e "escuridão" existentes hoje no mundo seriam projeções de um conflito que há dentro de nós, visto que somos o foco de emanação e origem desse desequilíbrio. Um conflito que está latente em nosso inconsciente, mas que ignoramos e não tratamos.
Portanto, eis a chave para mudarmos o mundo: removermos o conflito de dentro de nós. Pois esta é a consciência que Jesus veio despertar em seus ouvintes no Sermão do Monte ou, do contrário, seremos cegos tentando conduzir outro cego.
A seguir, compartilho uma motivadora música do cantor Asaph Borba, Deixa tua luz brilhar, disponibilizada no Youtube pela Adorarnet.
OBS: Mensagem originalmente postada no blogue Café com Gente em 02/05/2011 sob o título "Que resplandeça a luz existente no teu interior!" - http://cafecomgente.blogspot.com/2011/05/que-resplandeca-luz-existente-no-teu.html
Ainda dentro das Escrituras hebraicas, esta luz é também relacionada à Torá, vocábulo que não significa apenas o Pentateuco ou a "lei", mas sim a "instrução" e "orientação" divinas.
"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho." (Salmo 119.105; ARC)
Tempos depois, Jesus veio ao mundo nos ensinar que somos "luz do mundo". Ele, o Filho do Homem, não só teria se declarado como luz do mundo, mas também disse que os demais homens também são luz:
"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."
(Mateus 5.14-16; ARC)
Pode-se dizer que a proposta de Jesus aqui seria corrigir a ocultação da luz, o que pode ser entendido como causa dos problemas da humanidade. Durante o célebre Sermão da Montanha, o Mestre sugere que tornemos exposta a nossa luz afim de que o seu brilho chegue até os lugares mais sombrios da Terra que são os corações dos homens distantes de Deus e imersos em conflito.
Curiosamente Jesus não estava falando de nenhuma luz que não fosse aquela que nós mesmos já contemos, mas que se encontra encapsulada e oculta no nosso íntimo. Logo, posso entender que o dito atribuído a Jesus no 1º Evangelho fala sobre o despertar das centelhas de bondade, aquela mesma luz divina derramada no começo da criação.
Neste sentido, podemos compreender que toda a desarmonia e "escuridão" existentes hoje no mundo seriam projeções de um conflito que há dentro de nós, visto que somos o foco de emanação e origem desse desequilíbrio. Um conflito que está latente em nosso inconsciente, mas que ignoramos e não tratamos.
Portanto, eis a chave para mudarmos o mundo: removermos o conflito de dentro de nós. Pois esta é a consciência que Jesus veio despertar em seus ouvintes no Sermão do Monte ou, do contrário, seremos cegos tentando conduzir outro cego.
A seguir, compartilho uma motivadora música do cantor Asaph Borba, Deixa tua luz brilhar, disponibilizada no Youtube pela Adorarnet.
OBS: Mensagem originalmente postada no blogue Café com Gente em 02/05/2011 sob o título "Que resplandeça a luz existente no teu interior!" - http://cafecomgente.blogspot.com/2011/05/que-resplandeca-luz-existente-no-teu.html
domingo, 29 de maio de 2011
Deus não quer apostas pascalianas!
Certa vez o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), ao debater sobre a impossibilidade de provar a existência de Deus, argumentou dizendo que o homem deveria optar pela crença. Segundo o seu pensamento, se Deus não existir, o crente não sofrerá prejuízo algum quando morrer. Porém, considerando a possibilidade de Deus existir, o crente ganharia a vida eterna enquanto que o descrente perderia tudo depois da morte em tal hipótese.
Utilizando-se desta mesma lógica de Pascal, inúmeros pregadores desenvolveram argumentos bem ameaçadores nos seus discursos com a finalidade de proselitar pessoas. Ao invés de mostrarem a face bondosa de um Deus que nos ama desde a eternidade, tais "evangelistas" resolveram atrair seguidores apelando ao medo (o falacioso Argumentum ad baculum).
Neste aspecto, o pastor norte-americano William Franklin Graham Jr (mais conhecido como Billy Graham), admirado por muitos como sendo o maior pregador do século XX, também fez uso da mesma armadilha discursiva em seu aplaudido sermão "Heaven or Hell" ("Céu ou Inferno") que pode ser facilmente encontrado na internet:
"Certo dia, um agnóstico falava com um cristão. E ele disse: 'Suponha que um minuto após morrer você descubra não existir o céu'. O cristão respondeu: 'Se o céu não existisse, ainda assim teria valido a pena, em razão da alegria e da paz que tive em meu coração nessa vida cristã. Mas gostaria de lhe perguntar uma coisa. Sr. Agnóstico, suponha - apenas suponha - que você acordou e percebeu que, depois de tudo, existe realmente o inferno. Suponha que exista apenas uma chance em cem de existir o inferno. Você concederia, nesta noite, haver possivelmente uma chance em cem, de que realmente exista o inferno? Então, valeria a pena dar tudo o que você tem para escapar desse lugar chamado por Jesus de inferno'". (extraído do livro "Onde a religião termina?" do ex-frei Marcelo da Luz, pág. 111)
Penso que ao manejar estas palavras, Billy Graham não foi feliz pois demonstrou uma enorme fragilidade no seu sermão. Isto porque o argumento baseia-se nas supostas consequências negativas que os descrentes poderão sofrer caso não levantarem as mãos durante o apelo do pregador para "aceitar a Cristo", conforme costuma ocorrer no final das reuniões do evangelista. Os que não derem o assentimento às suas palavras poderão sofrer irreversíveis castigos como a perda da vida eterna, ardendo pelos séculos dos séculos nas chamas de um inferno.
Ora, alguém poderia então perguntar que deus é este que precisa intimidar as pessoas para ser crido ou obedecido? Pois, se a fé de alguém está baseada numa espécie de aposta pascaliana, não seria melhor que um deus assim nem existisse? Não seríamos muito mais felizes sabendo que podemos fazer escolhas existenciais conforme a própria consciência e nos baseando não em pregações de A, B ou C mas sim numa convicção pessoal a respeito de praticar o bem livres de qualquer ameaça?
Acontece que o Deus vivo e verdadeiro ama a todos incondicionalmente e deseja ser amado pelo que Ele é, independentemente de promessas ou bênçãos futuras oferecidas aos devotos. Seu amor sincero existe desde a eternidade dos tempos, antes da Terra e de todo o universo serem criados. Antes mesmo de sermos gerados no ventre materno, o nome de cada um de seus filhos já estava escrito no Livro de Deus e uma festa nos céus foi celebrada na ocasião do nosso nascimento sem que nada tivéssemos feito para merecer.
"Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." (Salmo 139.13-16; ARA)
Sem dúvida que este poema bíblico conduz-nos à abundante graça divina, fonte da vida para todos os homens, salvando-nos de qualquer pecado. Mesmo da própria descrença visto que nem as trevas escurecem os olhos do Eterno.
"Se digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa." (Sl 139.11-12)
Não importa em qual abismo a pessoa se encontre, pois ela pode reconciliar-se com o seu Criador a qualquer hora. E isto não precisa ser durante o culto evangelístico de uma igreja visto que pode ocorrer dentro da nossa casa, num presídio, num prostíbulo, numa boca de fumo ou nos últimos instantes da nossa vida errante a exemplo do "bom ladrão" crucificado ao lado de Jesus (ver Lucas 23.39-43). Pois somos sempre salvos pela graça divina sem que nada possamos oferecer em troca. Nem mesmo a fé que é gerada no coração do homem também pelo favor de Deus como resultado da ação do seu Espírito em nós.
Tal como no Salmo 139, cuja autoria é atribuída ao rei David, ninguém pode esconder-se do Deus onisciente. O Eterno conhece todas as nossas motivações íntimas e sabe muito bem que uma pessoa levantou as mãos durante um "apelo" feito pelo Billy Graham devido a um falho raciocínio pascaliano e não porque o novo devoto deseja de fato conhecê-lo.
"SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto.; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não me chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir. Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?" (Sl 139.1-7)
Sim! Para onde fugiremos deste amor tão grande que nos cerca? Para qual lugar?
Então pra que resistir à maravilhosa graça de Deus? Por que continuar fugindo e se trancando em si mesmo?
Mas conhecer a Deus não requer nenhum raciocínio lógico formulado por filósofos. Deus é puro amor e quer ser compreendido nesta dimensão. Não pelo medo ou pela ameaça feita pelos pregadores.
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1João 4.18-19)
Assim, festejando este amor, quero encerrar minha mensagem com este maravilhoso vídeo do Asaph Borba cantando o Salmo 139.
OBS: A ilustração deste artigo refere-se a uma pintura anônima feita no século XVII sobre o grande físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês Blaise Pascal.
domingo, 24 de abril de 2011
Familia de Deus - Asaph Borba
Celebrando a Páscoa, gostaria de compartilhar este magnífico louvor de Asaph Borba, "Família de Deus", gravado em 2005 na cidade de Curitiba:
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Exaltando a fidelidade de Deus
É maravilhoso saber que Deus é fiel à sua Palavra. Mesmo que sejamos infiéis, Ele não pode negar-se a si mesmo e mantém firme a sua aliança.
A seguir, compartilho mais um vídeo do cantor Asaph Borba, disponibilizado no Youtube pela Adorarnet:
A seguir, compartilho mais um vídeo do cantor Asaph Borba, disponibilizado no Youtube pela Adorarnet:
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Não deixes teu sonho morrer!
Deus coloca sonhos nos nossos corações. Sonhos ministeriais para que façamos a sua vontade nesta terra e a sua Luz brilhe através de nós para a glória Dele.
Durante a caminhada, muitas coisas acontecem. Surgem dificuldades, barreiras, a rotina e aí vem o desânimo.
Mas se Deus colocou um sonho no seu coração, não deixe que nada roube isso de você.
Não importa o que aconteceu. Persevere! Siga em frente! Lute! Confie! Creia!
Expressando muito bem este sentimento, compartilho a seguir mais um louvor de Asaph Borba disponibilizado no Youtube pela própria Adorarnet.
Que Deus ressuscite os sonhos que um dia Ele gerou em seu coração!
Durante a caminhada, muitas coisas acontecem. Surgem dificuldades, barreiras, a rotina e aí vem o desânimo.
Mas se Deus colocou um sonho no seu coração, não deixe que nada roube isso de você.
Não importa o que aconteceu. Persevere! Siga em frente! Lute! Confie! Creia!
Expressando muito bem este sentimento, compartilho a seguir mais um louvor de Asaph Borba disponibilizado no Youtube pela própria Adorarnet.
Que Deus ressuscite os sonhos que um dia Ele gerou em seu coração!
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