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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Quem vê cara, não vê DST: previna-se



"Nenhum prazer é em si um mal, porém certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior número de males que de prazeres" (Epicuro)

Difícil de acreditar, mas ainda há pessoas dizem: "eu achei que ela/ele não tinha nada". 

Embora todo mundo tenha conhecimento de que a camisinha é o melhor instrumento para se evitar gravidez protegendo-se do contágio de doenças numa relação sexual, mesmo assim muito gente ainda decide não usar o preservativo. E olha que a TV divulga bastante as campanhas de saúde sexual, sendo que as unidades de saúde distribuem camisinhas masculinas e femininas gratuitamente, as quais são tão seguras quanto as vendidas na farmácia.

Fato é que a prevenção é também uma questão de hábito. Não adianta saber dos perigos e não fazer por onde para evitar a AIDS e outras DSTs. O ideal é que, ao sair de casa em busca de diversão, leve-se sempre no bolso (ou na bolsa) uns dois ou três preservativos e não se esquecer de apresentar na hora "H". 

E se no momento da transa a dupla descobrir que está sem camisinha? Como agir? Bem, neste caso, o melhor a fazer é conscientemente interromper a "brincadeira", vestir-se, correr até uma farmácia para comprar e depois dar continuidade. Ou então, uma das soluções pode ser a masturbação a dois, a qual é mais segura do que o sexo oral e pode ser feita com bastante criatividade.

Seja como for, evitar uma exposição à AIDS e demais DSTs trata-se de uma questão de consciência sendo que, via de regra, teremos uma vida longa pela frente para aproveitarmos muitos outros momentos com qualidade, inteligência e sem prejudicarmos a nós mesmos ou a ninguém. Basta que sejamos sábios, mantendo o domínio sobre as emoções e agindo com moderação.

Sejamos felizes!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nossos jovens deveriam trabalhar e se casar mais cedo!

Faço constantemente uma pergunta: será que o namoro deveria ser tão prolongado na nossa sociedade?

Ultimamente andei acompanhando alguns comentários e postagens no site Verbo Eterno onde pessoas costumam compartilhar seus problemas íntimos pedindo um aconselhamento pastoral. Ali pude encontrar muitos dramas dos jovens evangélicos relacionados ao sexo e um dos tópicos mais debatidos trouxe a pergunta se "carícias entre namorados é pecado?", contando já com mais de 90 manifestações de internautas até o momento acerca do assunto (a maioria de gente pedindo conselhos).

Dentre os comentários encontrados ali, pude identificar um expressivo número de pessoas se sentindo culpadas por estarem tendo relações sexuais durante o namoro. Outros mostravam-se preocupados porque determinadas carícias e intimidades estavam esquentando demais a relação, conforme relatou este(a) participante anônimo(a) com seu moderno internetês:


"Pastor tow mto angustiada
namoro á um ano e tow percebendo que
as intimidades tão acontecendo e não tow conseguindo me controlar… no começo era mais facil mas agora tow mto complicada em relação a isso… antes eu e ele buscavamos mais a Deus hj nem tanto pq até vergonha de ir a igreja eu tenhu e de tomar ceia também… pq as caricias jah começaram e jah estamos nos alisando nas partes intimas…
preciso de uma ajudaa
jah fui na psicologaa e num adiantou de nadaa
por favor me ajudee…
eu tow sofrendoo mtoo e eu naum qro q o espirito santo esteja triste comigoo"



Ao ler esses dramas, pude recordar dos meus, sobretudo da época de jovem solteiro em que acabei me desviando da Igreja. Tentei responder alguns dos comentários postados mais recentes, tentando passar uma orientação com um pouco de conhecimento bíblico e experiências pessoais que pudessem trazer-lhes conforto. Procurei ao máximo evitar a hipocrisia de um religioso casado para transmitir uma sincera solidariedade.

Olhando para as loucuras cometidas no nosso evangelicalismo, em parte atribuo às lideranças a responsabilidade quanto aos dramas experimentados pelos jovens. As igrejas criaram uma redoma em torno do casamento feito no papel, tratando como pecado toda e qualquer relação fora do matrimônio formal. Criamos uma ideia de pecado individualizada e personalizada geralmente focada na traição conjugal e no sexo ilícito, esquecendo-nos de outros aspectos da integridade pessoal e coletiva.

Sem dúvida que os posicionamentos culturais adotados no meio eclesiástico acabam excluindo do convívio comunitário muitos homens e mulheres que vivem há anos numa harmoniosa relação de companheirismo, proibindo-os de participar de retiros para casados dentre outras atividades específicas. Pessoas que às vezes vivem há anos na união estável, às vezes até com filhos, chegam a ser orientadas a se privarem do contato sexual até a celebração do casamento e aí acabam abrindo uma brecha para a incontinência.

Dentro da visão bíblica, o casamento independe de qualquer formalidade para ocorrer diante de Deus e da comunidade. É claro que na comunidade israelita sempre houve a valorização de atos cerimoniais e as escolhas quase sempre ficavam a critério das famílias, não dos noivos. Logo, era o pai da noiva quem muitas das vezes determinava com quem a filha iria se casar. E as promessas de casamento (o noivado) tinha valor, bem como a celebração religiosa na comunidade.

Hoje os tempos mudaram. As mulheres podem escolher seus maridos e os namoros acontecem sem nenhuma necessidade de aprovação dos pais. Já na adolescência, a garotada já se sente livre para "ficar" com quem deseja, beijar na boca, trocar de parceiro, trocar carícias íntimas, fazer sexo, noivar, casar, divorciar, casar novamente, viver em união estável, ter amantes, praticar o homossexualismo, etc. Contudo, a Palavra de Deus continua sendo o que ela é, verdadeira como sempre, sendo que em sua essência ela continua dizendo qual a vontade do Criador para a humanidade independentemente dos costumes ou da cultura.

Entretanto, o casamento formal precisa continuar sendo valorizado, mesmo que se adote uma teologia ampla de inclusão das igrejas. O matrimônio para a mulher é uma garantia jurídica na maioria dos casos, além de evitar a banalização da quebra de compromissos já que nem todos são capazes de honrar suas juras de amor.

Com base na Palavra de Deus, temos o dever de rever os costumes e modificar a cultura. Precisamos estar atentos ao sentido da instrução espiritual afim de que, diante de cada caso concreto, de cada época ou lugar, os valores corretos prevaleçam. E aí cabe não só aos teólogos e líderes religiosos, mas aos discípulos de Jesus em geral, a formatação de novos hábitos sociais que estarão de acordo com esses princípios bíblicos.

Então, o que fazer?

De acordo com o meu pragmatismo, proponho que os nossos jovens passem a se casar numa idade mais nova, antes mesmo de cursarem uma faculdade.

Penso que a decadência da sociedade ocidental está associada ao improdutivo prolongamento da adolescência em que rapazes e moças permanecem tratados como crianças grandes até se firmarem no exercício profissional. Com isto, tem se tornado cada vez mais comum os homens saírem de casa depois dos 30 anos, comportamento este que se vê não apenas no Brasil, mas também em países europeus como Portugal e Itália. E, por incrível que parece, a Justiça italiana já andou condenando pais idosos a pensionarem seus marmanjos...

Contudo, vejo uma boa solução para isto tudo que é a inclusão cada vez mais cedo do jovem no mercado de trabalho junto com uma educação que forme adultos responsáveis, envolvendo tanto o ensino técnico nas escolas quanto a preparação do indivíduo para a vida (não apenas para consumir). Logo, o casamento numa idade mais nova torna-se um ingrediente fundamental para a criação dessa nova sociedade que fará dos países ocidentais culturas produtivas e com uma taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) satisfatória.

Por outro lado, digo que o mercado não perde, pois, neste caso, o consumo tenderia a aumentar. E, quanto aos sistemas previdenciários, seria a grande solução, melhor do que os governos aumentarem a idade mínima para a aposentadoria. Isto porque se tivermos um número maior de jovens trabalhando, haverá um crescimento proporcional da contribuição e, consequentemente, mais recursos disponíveis ao INSS.

Penso que a possibilidade de construir novos hábitos sociais está mais próxima das igrejas cristãs do que do próprio governo.

Se refletirmos bem, as comunidades protestantes e católicas no Brasil têm o poder de mobilizar uma significativa parcela da população do país. Isto porque padres e pastores conseguem se comunicar na linguagem que o povo fala e transmitir mensagens de encorajamento, conforme muito bem analisa o mestre em teologia da Igreja Anglicana em Uganda, Peter Okaalet:


"(...) A igreja se autossustenta; tem audiência leal, que se encontra toda semana; tem liderança previsível; atravessa barreiras geográficas, étnicas, nacionais, de gênero e outras; conta com o apoio popular e fala a linguagem do povo. Mais que isso, pode oferecer esperança além da sepultura e tem a Bíblia, um manual sagrado que já se mostrou eficaz para mudar o comportamento moral. Em tempos de desespero, o povo precisa ouvir que a mensagem da Bíblia é sobre esperança, amor e futuro (...)" - extraído do artigo HIV/aids, publicado no Comentário Bíblico Africano


Em termos morais e espirituais (a parte que mais interessa aos cristãos), percebo que será um grande benefício para os nossos jovens casarem-se numa idade mais nova, mesmo que precisem do apoio da família até se estabelecerem e arcarem com despesas básicas como alimentação, moradia, vestuário, cuidados com a saúde, etc. Uma juventude casada e trabalhadora fica mais resguardada dos perigos da droga, da aids e de inúmeros pecados que tanto prejudicam a convivência humana e a comunhão com Deus.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Uma nova onda ataca na internet: o sexting

Hoje, aos meus 34 anos e meio de idade, descobri uma nova palavra que até então jamais fazia ideia do que seria - o sexting.

O vocábulo em destaque trata-se de mais um neologismo anglicano que se incorporou à nossa língua (uma união das palavras em inglês sex e texting), referindo-se ao envio de materiais pornográficas e sensuais através de telemóveis ou computadores conectados à internet a ponto de se tornar uma prática bem comum entre adolescentes nos últimos cinco anos.

Tudo começou com a troca de mensagens de conteúdo erótico através das mensagens de texto nos telefones celulares. Depois, com as novidades tecnológicas, as imagens passaram a ser também divulgadas, em que jovens e adolescentes não tiveram restrições em exibir seus corpos nus ou seminus através de celular, e-mail, webcam, sites de relacionamento, etc.

Segundo uma pesquisa feita em fevereiro deste ano pela organização não-governamental Safernet com 2.159 crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos, foi constatado que 11% deles já experimentaram o sexting, publicando na internet mensagens íntimas ou fotos em poses sensuais. De acordo com Rodrigo Nejm, diretor da ONG, "eles querem aproveitar o momento. Não pensam que a foto pode ser vista por futuros chefes, esposas, maridos e filhos. Outro perigo ainda pior é a pornografia infanto-juvenil. Será que não sabem que as fotos vão parar em sites pornográficos".

De acordo com uma matéria publicada na Folha de São Paulo (27/05/2009), outra pesquisa feita em 2008 nos Estados Unidos apontou que 20% dos jovens norte-americanos dizem ter enviado pela internet fotos de nudez total ou parcial de si próprios. E, 39% deles afirmam ter enviado ou postado mensagens sexualmente sugestivas.

Tal comportamento é de deixar as demais gerações perplexas! Para alguns psicólogos, o fato de uma adolescente expor suas fotos íntimas na internet pode estar relacionado com o desejo de se tornar uma pessoa popular, uma espécie de auto-afirmação.

Entretanto, muitos casos de sexting acabam mal. Além de crianças e adolescentes estarem produzindo material que poderão ser utilizados por pedófilos exploradores da pornografia infantil, há sempre colegas de escola, ex-namorados (ou "ficantes") que agem mal intencionados procurando se aproveitar do material colhido por eles na rede de computadores. Assim, vários casos já foram parar até na Justiça, sendo que um dos mais famosos é de Daniela Cicarelli, depois que ela foi flagrada por um paparazzi tendo relações sexuais com o namorado numa praia da Espanha e as cenas foram parar num vídeo do YouTube.

A verdade é que, antes do nosso adolescente ter se tornado um refém de suas próprias fotos ou vídeos, não podemos nos esquecer que a sua educação há muito tempo foi abandonada. Não acho que a tecnologia seja a culpada, mas é certo que a nova geração sofre pela ausência de valores cristãos. Nas últimas décadas, criou-se no Ocidente uma cultura atéia e hedonista (há psicólogos que chegam a ver o sexting como um "prevenção" para DSTs e gestação não planejada), sendo certo que existe todo um mercado capaz de tirar proveitos da situação, não sendo demais lembrar que, até abril deste ano, a propaganda da Microsoft mostrava um adolescente tirando uma fotografia por dentro de sua camisa, enviando-a depois para uma colega através do telefone Kin.

Mas o que os pais podem fazer para protegerem seus filhos já que a grande maioria dos jovens faz uso frequente dos sites de relacionamento e dos comunicadores instantâneos, além de ter mais habilidade do que a geração anterior?

Entendo que os pais não podem deixar de exercer autoridade sobre os filhos, o que encontra amparo tanto na Bíblia quanto na legislação brasileira. Controlar o que a criança ou o adolescente anda vendo na internet não viola a sua privacidade, sendo às vezes uma medida necessária. Porém, o diálogo é fundamental afim de que seja explicado ao jovem sobre os riscos de determinados comportamentos e como eles poderão se proteger. Aliás, é isto que a Palavra de Deus orienta:


"Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar" (Deuteronômio 6.6-7; Nova Versão Internacional - NVI)


Mais de 3.000 anos depois, esta Torá recebida por Moisés permanece tão atual quanto na época em que os israelitas escaparam da escravidão do Egito. É preciso que os pais amem a instrução de Deus. E também é necessário que a mãe e o pai estejam dispostos a conversar desde cedo com a criança, envolvendo-se com os seus conflitos, acompanhando seus dramas e lhes transmitindo uma formação para toda a vida.

Dentro desse contexto, considero oportuno que os cristãos abracem e divulguem campanhas como esta da Safernet e do Ministério Público, as quais estão sendo divulgadas na mídia, pois se trata de uma oportunidade para a Igreja incentivar o diálogo dentro das famílias através de uma educação sempre atual capaz de promover a proximidade entre pais e filhos.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Juventude, ensino, trabalho e uma nova sociedade

Tenho visto nestas eleições vários candidatos discursando sobre o ensino técnico e profissionalizante como uma solução para inserir o jovem no mercado de trabalho.

Não discordo da proposta e acho até que o governo deveria oferecer cursos profissionalizantes que também reintegrassem trabalhadores de meia idade que hoje estão desempregados ou precisando de uma oportunidade num país onde as empresas literalmente fecham as portas para quem tem mais de 40 anos. Por outro lado, deve-se pensar sempre nos jovens a dar a eles oportunidades de inserção ativa na sociedade e no mercado de trabalho, juntamente com a possibilidade de terem uma formação global para enfrentarem a vida.

Atualmente, em que a quantidade de mão-de-obra inativa só vem crescendo, acho uma grande perda que a garotada abaixo dos 16 anos não esteja trabalhando e contribuindo para o sistema previdenciário. Muitos falam mal do trabalho do menor, mas eu vejo aspectos bem positivos, desde que não se trate de uma atividade vil e exploratória capaz de impedir o adolescente de progredir normalmente nos seus estudos. E, caso precise ficar seis horas trabalhando ou mais, muitas das vezes o jovem pode ter um aproveitamento ruim na escola.

Mas será que o trabalho não pode auxiliar na formação do menor? Se meninos e meninas com 12 anos fossem para um trabalho-estágio por até quatro horas diárias numa empresa perto de casa, nossos adolescentes não seriam beneficiados com tal experiência?

Acho que a resposta vai depender do tipo de atividade, das condições de trabalho e da quantidade de horas laboradas pelo adolescente.

A empresa que contrata o menor deveria ser um apêndice da escola. Um local onde o jovem recebesse parte da sua formação para se tornar no futuro mão-de-obra especializada e não ter tantas dificuldades na hora de arranjar o seu primeiro emprego.

Contudo, não é apenas disto que o nosso país precisa, caso queira formar verdadeiros cidadãos capazes de contribuir para a construção de uma grande nação. Entendo que a escola precisa ajudar na formação do caráter do indivíduo, estabelecendo regras respeitosas de comportamento que tornem o indivíduo responsável.

Em falar na responsabilidade, acho que este é um grande problema da juventude de hoje. Mesmo depois dos 18 ou 21 anos, parece que a adolescência vai sendo prolongada até o rapaz ou a moça sair da faculdade, fato que tem criado adultos imaturos de maneira que não só no Brasil como em países da Europa Ocidental encontramos pessoas com mais de 30 anos vivendo com os pais e sendo sustentadas por eles.

Ora, e se os jovens passassem a se casar mais cedo, por volta dos 17 anos, como ocorria com mais frequência há 100 anos atrás?

Penso que esta seria uma grande solução para formar adultos responsáveis, bem como diminuir o contato dos jovens com as drogas e o sexo ilícito. Porém, seria necessário o mercado disponibilizar oportunidades de trabalho para esses jovens casais e o governo dar condições para que o rapaz pudesse sair mais cedo da casa dos pais.

Atualmente não só o Brasil como a sociedade ocidental em geral encontram-se em evidente decadência que se manifesta também na crise previdenciária. Em países europeus, fascistas apresentam como solução fechar as fronteiras e o recrudescimento de leis contra a imigração estrangeira. Já os liberais continuam propondo mudanças nas regras da aposentadoria que acabam aumentando o tempo de contribuição do trabalhador. Só que poucos têm coragem para enfrentar os graves equívocos cometidos pelas políticas de bem estar do menor.

Alguns que estiverem lendo este texto poderão pensar que estou sendo um nazista em relação aos nossos jovens. Mas não é nada disto que eu quero propor. Tenho hoje uma forte preocupação com o envolvimento da juventude com o crime, o que tem suas explicações na ociosidade de quem é sustentado apenas para estudar, armazenando energias que poderiam estar sendo gastas numa empresa e no casamento.

Há que se considerar que o sexo é algo que faz muito bem para qualquer indivíduo. Uma boa frequência de relações sexuais, inclusive para os jovens, é importante para a saúde física e mental. Logo, se um rapaz se casa aos 17 com uma menina da mesma faixa etária, ele estará canalizando sua energia sexual de maneira saudável, ficando menos vulnerável à aids, à violência e ao consumo de álcool ou de drogas, bem como passaria seu tempo cultivando objetivos de vida produtivos como melhorar no emprego, comprar coisas para o lar, criar os filhos, etc.

Se quisermos que o Brasil tenha futuro, entendo ser indispensável refletirmos sobre questões como essas pois do jeito que está as coisas só tendem a piorar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pensamentos sobre o Livro de Rute



Uma interpretação do Livro de Rute tem causado algumas polêmicas no meio cristão ultimamente. Trata-se da passagem em que Rute, seguindo as orientações de sua sogra, Noemi, aproxima-se de Boaz com uma certa dose de ousadia, sendo sugerido que talvez eles tivessem chegado a um envolvimento sexual antes do casamento.

Quase todos rejeitam a tese, mas há uma minoria que afirma que sim. Entretanto, vejamos o que diz a tradução do nosso texto bíblico em português, segundo a Nova Versão Internacional (NVI):

“Certo dia, Noemi, sua sogra, lhe disse: “Minha filha, tenho que procurar um lar seguro, para a sua felicidade. Boaz, senhor das servas com quem esteve, é nosso parente próximo. Esta noite ele estará limpando cevada na eira. Mas não deixe que ele perceba você até que tenha comido e bebido. Quando ele for dormir, note bem o lugar em que ele se deitar. Então vá, descubra os pés dele e deite-se. Ele lhe dirá o que fazer”. Respondeu Rute: Farei tudo o que você está me dizendo”. Então ela desceu para a eira e fez tudo o que a sua sogra lhe tinha recomendado. Quando Boaz terminou de comer e beber, ficou alegre e foi deitar-se perto do monte de grãos. Rute aproximou-se sem ser notada, descobriu os pés dele, e deitou-se. No meio da noite, o homem acordou de repente. Ele se virou e assustou-se ao ver uma mulher deitada a seus pés. “Quem é você?”, perguntou ele. “Sou sua serva Rute”, disse ela. “Estenda a sua capa sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.” (3.1-9)

Igualmente, na edição revista e atualizada de João Ferreira de Almeida, talvez a versão da Bíblia mais utilizada no Brasil hoje em dia, a tradução também manteve a expressão “descobriu os pés”, conforme se lê no versículo 7: “Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então, chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.”

Com toda sinceridade (não escondo a minha falta de conhecimento a respeito do idioma original das Escrituras hebraicas), jamais posso aqui afirmar cabalmente o que significa o termo “descobrir os pés”, mas continuo guardando minhas reservas sobre a certeza das alegações quanto à suposta relação sexual entre Boaz e Rute que alguns reputam ter ocorrido naquele dia em que todos estavam comemorando colheita da cevada na eira do bisavô do rei Davi.

Todo estudo bíblico requer cautela. E, sendo assim, considero prudente investigarmos o contexto que envolvem os acontecimentos da época afim de que possamos buscar conclusões fundamentadas.

O Livro de Rute fala da história de um casal com dois filhos que migrou da cidade judia de Belém para o país de Moabe (a fértil região da Transjordânia). Por causa de um período de fome, Elimeleque deixou a terra da promessa e veio a falecer num país estrangeiro. Seus dois filhos, Malom e Quiliom, ao invés de seguirem o costume de procurar esposas israelitas, casaram-se com mulheres moabitas, Rute e Orfa. Entretanto, Malom e Quiliom também vieram a morrer de modo que Noemi tornou-se uma viúva sem filhos.

Naqueles tempos, a vida de uma viúva não era nada fácil. Se ela fosse jovem ainda poderia arranjar um novo casamento. Se tivesse filhos, seu sustento dependeria da assistência de seu descendente. Mas, se fosse uma mulher idosa e sem filhos, poucas chances teria de sobreviver, ainda mais num país estrangeiro onde lhe faltariam parentes mais próximos para prestar algum tipo de ajuda. E, por causa disto, muitos órfãos e viúvas passavam necessidades numa sociedade onde as mulheres tinham poucos direitos e ainda não disputavam o mercado de trabalho com os homens.

Prevenindo determinadas situações de risco social, a lei mosaica adotava mecanismos que evitariam o desamparo total às viúvas sem filhos, impondo à própria família do marido o dever de prestar a assistência. Deste modo, a Torá acolheu o costume do casamento de levirato que já existia entre os povos do Oriente, assim determinando em Deuteronômio:

“Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem filhos, então, a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará, e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado. O primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o nome deste não se apague de Israel. Porém, se o homem não quiser tomar sua cunhada, subirá esta à porta, aos anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não quer exercer para comigo a obrigação de cunhado. Então, os anciãos da sua cidade devem chamá-lo e falar-lhe; e, se ele persistir e disser: Não quero tomá-la, então sua cunhada se chegará a ele na presença dos anciãos, e lhe descalçará a sandália do pé e lhe cuspirá no rosto, e protestará, e dirá: Assim se fará ao homem que não quer edificar a casa de seu irmão; e o nome de sua casa se chamará em Israel: A casa do descalçado.” (ARA, Dt 25.5-10)

Voltando à história de Rute, eis que a narrativa prossegue informando que Noemi resolveu retornar para sua terra em Belém de Judá. Orfa conformou-se em deixá-la e permaneceu em Moabe, na certa retornando para a casa dos seus pais. Rute, porém, insistiu em acompanhar sua sogra, escolhendo o seu povo e também o seu Deus, o que foi uma verdadeira decisão de fé, sem saber o que lhe aguardaria na terra de seu falecido marido.

Pobre, retornou Noemi para Belém e, como não tinha recursos para comprar alimento, Rute precisou pedir aos fazendeiros da redondeza que lhe deixasse apanhar as espigas de cevada caídas pelo campos, conforme outro mecanismo de proteção social previsto por Moisés (Levítico 19.9-10; 23.22). Por acaso, Rute acabou entrando justamente nas terras de um parente do marido de Noemi que se chamava Boaz.

Tendo notado a presença de Rute nas suas roças de cereais, Boaz agiu generosamente com ela, permitindo não só a sua permanência naquelas terras como lhe ofereceu segurança, água para beber (em regiões do Oriente Médio este é um bem precioso) e alimento em quantidade suficiente tanto para Rute quanto para Noemi. Tal postura demonstra que Boaz era realmente um homem justo, pois conhecia também os seus deveres sociais como um parente próximo que tinha a obrigação de amparar pessoas do seu meio familiar nas situações críticas.


“Assim, passou ela [Rute] à companhia das servas de Boaz, para colher, até que a sega da cevada e do trigo se acabou; e ficou com a sua sogra.” (Rt 2.23)

Bem, com as explicações dadas até aqui, penso que temos uma certa base para compreendermos um pouco do que pode ter se passado no polêmico episódio do capítulo 3 do Livro de Rute, quando ela, ousadamente, descobre os pés de Boaz e se deita ao seu lado na eira.

Apesar do profeta Oseias ter se referido às eiras de cereais como lugares onde ocorriam frequentes imoralidades sexuais (Os 9.1), provavelmente por ocasião das festas de colheita durante a primavera do Hemisfério Norte, parece ser incompatível com o estilo de vida de um homem piedoso como Boaz incentivar o pecado da prostituição dentro de suas terras. E o próprio texto comprova a sua integridade quando Boaz havia dado ordens aos seus servos para que não a molestassem (Rt 2.9) e ainda se espantou quando acordou com uma mulher deitada aos seus pés (Rt 3.8).

Considerando uma possível interpretação literal, o ato de Rute ter descoberto os pés de Boaz pode ter sido um convite de casamento, lembrando-o acerca das obrigações quanto ao levirato, conforme a passagem citada em Deuteronômio 25.5-10. Numa época em que poucos conheciam a escrita, as pessoas também se comunicavam através de atitudes simbólicas de modo que a retirada dos calçados de Boaz por Rute, enquanto ele dormia, poderiam simbolizar um alerta quanto aos compromissos do parente próximo com a família dos falecidos Elimeleque e Malom.

Inegavelmente, a atitude de Rute foi bem diferente das práticas feitas pelas filhas de Ló (Gn 19.30-38), as quais, precisando gerar descendentes após a destruição de Sodoma, decidiram embriagar o próprio pai para dele conceberem, o que explica a origem incestuosa dos moabitas. O envolvimento entre Boaz e Rute baseou-se num relacionamento de compromisso e de amor, tendo tudo ocorrido conforme os planos de Deus. E, mesmo que Rute tenha se aproximado de Boaz com ousadia naquela eira, o que importa?

Atualmente, infelizmente temos visto o oposto nas relações entre homens e mulheres. As pessoas trocam determinados tipos de afeto e se relacionam sexualmente sem que haja qualquer tipo de compromisso. Sem estarem de fato se amando, as pessoas “ficam” numa só ocasião e depois um descarta o outro como se fosse objeto de consumo. Já não se vê mais santidade nos namoros e a relação sexual tornou-se algo banalizado, praticado num contexto meramente carnal onde se busca apenas o prazer.

Nos dias de hoje, para muita gente o casamento tornou-se mais uma celebração festiva do que um acontecimento de importância espiritual. Por motivo de tradição, é comum as pessoas casarem-se nas igrejas, mas nem sempre elas têm a consciência do compromisso que aquela união representa. Com pouco tempo de matrimônio, muita gente quebra a aliança com seu cônjuge pelos mais fúteis motivos.

Tenho pra mim, que o casamento não acontece apenas dentro das igrejas ou nos cartórios de registro civil. Em termos espirituais, basta que haja a união entre um homem e uma mulher para que o casamento ocorra perante Deus. Daí, tenho seguido a interpretação de que pessoas que já vivem em união estável devem ser acolhidas como se casadas fossem nas nossas comunidades cristãs, de maneia que devemos reconhecer e prestigiar a aliança já existente entre elas.

Alguém talvez possa perguntar: a Bíblia não rejeita a fornicação? Sim e este vocábulo é expresso nas nossas traduções em português, mas é preciso distinguir um casal que não assinou os papéis matrimoniais do comportamento imoral adotado pelo mundo em que pessoas solteiras transam sem nenhum compromisso umas com as outras. E, neste sentido, se, por acaso, houve algum envolvimento sexual entre Rute e Boaz antes do matrimônio, o que não acredito, obviamente que, nesta hipótese, estaríamos diante de uma situação bem diferente do que se vê hoje em dia por aí (na cultura judaica daqueles tempos até a violação de um noivado era considerada crime de adultério).

Finalmente, deixo a indagação se os acontecimentos da história de Rute foram mesmo coisas do acaso? Acredito claramente que não! Segundo a narrativa do livro, Boaz e Rute tiveram um filho, ao qual chamaram de Obede. Este veio a ser o pai de Jessé e, por sua vez, o bisavô do rei Davi. No Evangelho de Mateus, o autor faz menção expressa de Rute na genealogia do Messias de modo que uma simples história de fé tem grande relevância para as raízes humanas de Jesus.

Como se sabe, o Evangelho de Mateus não cita todos os ancestrais do Messias, pois omite vários nomes. Porém, propositadamente, o autor escolhe o nome de quarenta e dois ascendentes que se divide em três grupos: do patriarca Abraão até Davi, do primeiro monarca judeu até o último rei que foi deportado para o exílio na Babilônia e do cativo rei Jeconias até Jesus. No meio dos nomes de homens, são mencionadas algumas mulheres: a cananeia Tamar, a ex-prostituta Raabe, a moabita Rute, Bate-Seba com quem Davi traiu Urias e judia Maria que gerou o Cristo através de um nascimento virginal. Já o nome da perversa rainha Atália, mãe do rei Acazias, que tentou destruir a descendência da casa real de Judá, nem é citada pelo escritor de Mateus.

Creio que por mais simples que sejam determinados fatos, como o casamento entre um homem e uma mulher ou a procura de um emprego, não podemos deixar de ver o plano de Deus se cumprindo nos pequenos detalhes da vida. Através de gente humilde e, desconhecida, vieram grandes reis e sacerdotes de maneira que não podemos achar que coisas do nosso cotidiano sejam insignificantes para Deus. Assim, quem ainda não se casou, por exemplo, é importante pedir a direção de Deus para que a escolha seja conforme a vontade Dele, lembrando-se da história de Rute.


OBS: A ilustração inserida no artigo refere-se ao quadro Rute e Boaz pintado por Julius Schnorr von Carolsfeld (1828).