Faço constantemente uma pergunta: será que o namoro deveria ser tão prolongado na nossa sociedade?
Ultimamente andei acompanhando alguns comentários e postagens no site
Verbo Eterno onde pessoas costumam compartilhar seus problemas íntimos pedindo um aconselhamento pastoral. Ali pude encontrar muitos dramas dos jovens evangélicos relacionados ao sexo e um dos tópicos mais debatidos trouxe a pergunta se "carícias entre namorados é pecado?", contando já com mais de 90 manifestações de internautas até o momento acerca do assunto (a maioria de gente pedindo conselhos).
Dentre os comentários encontrados ali, pude identificar um expressivo número de pessoas se sentindo culpadas por estarem tendo relações sexuais durante o namoro. Outros mostravam-se preocupados porque determinadas carícias e intimidades estavam esquentando demais a relação, conforme relatou este(a) participante anônimo(a) com seu moderno internetês:
"Pastor tow mto angustiada
namoro á um ano e tow percebendo que
as intimidades tão acontecendo e não tow conseguindo me controlar… no começo era mais facil mas agora tow mto complicada em relação a isso… antes eu e ele buscavamos mais a Deus hj nem tanto pq até vergonha de ir a igreja eu tenhu e de tomar ceia também… pq as caricias jah começaram e jah estamos nos alisando nas partes intimas…
preciso de uma ajudaa
jah fui na psicologaa e num adiantou de nadaa
por favor me ajudee…
eu tow sofrendoo mtoo e eu naum qro q o espirito santo esteja triste comigoo"Ao ler esses dramas, pude recordar dos meus, sobretudo da época de jovem solteiro em que acabei me desviando da Igreja. Tentei responder alguns dos comentários postados mais recentes, tentando passar uma orientação com um pouco de conhecimento bíblico e experiências pessoais que pudessem trazer-lhes conforto. Procurei ao máximo evitar a hipocrisia de um religioso casado para transmitir uma sincera solidariedade.
Olhando para as loucuras cometidas no nosso evangelicalismo, em parte atribuo às lideranças a responsabilidade quanto aos dramas experimentados pelos jovens. As igrejas criaram uma redoma em torno do casamento feito no papel, tratando como pecado toda e qualquer relação fora do matrimônio formal. Criamos uma ideia de pecado individualizada e personalizada geralmente focada na traição conjugal e no sexo ilícito, esquecendo-nos de outros aspectos da integridade pessoal e coletiva.
Sem dúvida que os posicionamentos culturais adotados no meio eclesiástico acabam excluindo do convívio comunitário muitos homens e mulheres que vivem há anos numa harmoniosa relação de companheirismo, proibindo-os de participar de retiros para casados dentre outras atividades específicas. Pessoas que às vezes vivem há anos na união estável, às vezes até com filhos, chegam a ser orientadas a se privarem do contato sexual até a celebração do casamento e aí acabam abrindo uma brecha para a incontinência.
Dentro da visão bíblica, o casamento independe de qualquer formalidade para ocorrer diante de Deus e da comunidade. É claro que na comunidade israelita sempre houve a valorização de atos cerimoniais e as escolhas quase sempre ficavam a critério das famílias, não dos noivos. Logo, era o pai da noiva quem muitas das vezes determinava com quem a filha iria se casar. E as promessas de casamento (o noivado) tinha valor, bem como a celebração religiosa na comunidade.
Hoje os tempos mudaram. As mulheres podem escolher seus maridos e os namoros acontecem sem nenhuma necessidade de aprovação dos pais. Já na adolescência, a garotada já se sente livre para "ficar" com quem deseja, beijar na boca, trocar de parceiro, trocar carícias íntimas, fazer sexo, noivar, casar, divorciar, casar novamente, viver em união estável, ter amantes, praticar o homossexualismo, etc. Contudo, a Palavra de Deus continua sendo o que ela é, verdadeira como sempre, sendo que em sua essência ela continua dizendo qual a vontade do Criador para a humanidade independentemente dos costumes ou da cultura.
Entretanto, o casamento formal precisa continuar sendo valorizado, mesmo que se adote uma teologia ampla de inclusão das igrejas. O matrimônio para a mulher é uma garantia jurídica na maioria dos casos, além de evitar a banalização da quebra de compromissos já que nem todos são capazes de honrar suas juras de amor.
Com base na Palavra de Deus, temos o dever de rever os costumes e modificar a cultura. Precisamos estar atentos ao sentido da instrução espiritual afim de que, diante de cada caso concreto, de cada época ou lugar, os valores corretos prevaleçam. E aí cabe não só aos teólogos e líderes religiosos, mas aos discípulos de Jesus em geral, a formatação de novos hábitos sociais que estarão de acordo com esses princípios bíblicos.
Então, o que fazer?
De acordo com o meu pragmatismo, proponho que os nossos jovens passem a se casar numa idade mais nova, antes mesmo de cursarem uma faculdade. Penso que a decadência da sociedade ocidental está associada ao improdutivo prolongamento da adolescência em que rapazes e moças permanecem tratados como crianças grandes até se firmarem no exercício profissional. Com isto, tem se tornado cada vez mais comum os homens saírem de casa depois dos 30 anos, comportamento este que se vê não apenas no Brasil, mas também em países europeus como Portugal e Itália. E, por incrível que parece, a Justiça italiana já andou condenando pais idosos a pensionarem seus marmanjos...
Contudo, vejo uma boa solução para isto tudo que é a inclusão cada vez mais cedo do jovem no mercado de trabalho junto com uma educação que forme adultos responsáveis, envolvendo tanto o ensino técnico nas escolas quanto a preparação do indivíduo para a vida (não apenas para consumir). Logo, o casamento numa idade mais nova torna-se um ingrediente fundamental para a criação dessa nova sociedade que fará dos países ocidentais culturas produtivas e com uma taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) satisfatória.
Por outro lado, digo que o mercado não perde, pois, neste caso, o consumo tenderia a aumentar. E, quanto aos sistemas previdenciários, seria a grande solução, melhor do que os governos aumentarem a idade mínima para a aposentadoria. Isto porque se tivermos um número maior de jovens trabalhando, haverá um crescimento proporcional da contribuição e, consequentemente, mais recursos disponíveis ao INSS.
Penso que a possibilidade de construir novos hábitos sociais está mais próxima das igrejas cristãs do que do próprio governo.
Se refletirmos bem, as comunidades protestantes e católicas no Brasil têm o poder de mobilizar uma significativa parcela da população do país. Isto porque padres e pastores conseguem se comunicar na linguagem que o povo fala e transmitir mensagens de encorajamento, conforme muito bem analisa o mestre em teologia da Igreja Anglicana em Uganda, Peter Okaalet:
"(...) A igreja se autossustenta; tem audiência leal, que se encontra toda semana; tem liderança previsível; atravessa barreiras geográficas, étnicas, nacionais, de gênero e outras; conta com o apoio popular e fala a linguagem do povo. Mais que isso, pode oferecer esperança além da sepultura e tem a Bíblia, um manual sagrado que já se mostrou eficaz para mudar o comportamento moral. Em tempos de desespero, o povo precisa ouvir que a mensagem da Bíblia é sobre esperança, amor e futuro (...)" - extraído do artigo
HIV/aids, publicado no
Comentário Bíblico AfricanoEm termos morais e espirituais (a parte que mais interessa aos cristãos), percebo que será um grande benefício para os nossos jovens casarem-se numa idade mais nova, mesmo que precisem do apoio da família até se estabelecerem e arcarem com despesas básicas como alimentação, moradia, vestuário, cuidados com a saúde, etc. Uma juventude casada e trabalhadora fica mais resguardada dos perigos da droga, da aids e de inúmeros pecados que tanto prejudicam a convivência humana e a comunhão com Deus.