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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Trocar Alckmin pelo centrão: um risco institucional silencioso para 2026



À medida que o debate sobre a formação da chapa presidencial de 2026 se intensifica, passou a circular nos bastidores a hipótese de substituir o atual vice-presidente Geraldo Alckmin por um nome oriundo do centrão (como MDB ou PSD). A justificativa apresentada é conhecida: ampliar a base parlamentar no Congresso Nacional. O argumento parece pragmático, mas envolve um risco institucional que não pode ser subestimado.

Em 2022, a chapa formada por Lula e Alckmin simbolizou moderação política e reconstrução institucional. Ex-adversário histórico do PT (disputou a Presidência em 2006 contra Lula), Alckmin funcionou como ponte com o setor produtivo, ajudou a reduzir a resistência do mercado e diminuiu rejeições no eleitorado de centro — fator decisivo em um ambiente de polarização extrema. Não se tratou apenas de somar votos, mas de mitigar riscos institucionais.

A substituição desse arranjo por um vice do centrão pode, de fato, garantir votos no Congresso no curto prazo. O problema é o custo dessa escolha. A experiência política recente demonstra que o risco não é, necessariamente, um impeachment imediato, mas um processo gradual de captura do Executivo por interesses fisiológicos.

O próprio governo federal é um exemplo histórico relevante. Entre 2013 e 2016, a ampliação da influência do centrão por meio de cargos estratégicos e controle orçamentário não produziu estabilidade duradoura. Ao contrário: alianças frágeis se converteram em instrumentos de chantagem política, culminando na ruptura de 2016. O impeachment da primeira mulher que chegou à Presidência não ocorreu por um único ato jurídico, mas pela combinação de crise política, isolamento institucional e erosão da base parlamentar.

Um vice oriundo do centrão não chega ao Planalto como figura neutra. Chega acompanhado de compromissos regionais, pressões por loteamento de cargos e expectativas permanentes de retribuição política. Isso tende a engessar o Executivo e reduzir sua margem de decisão autônoma. A lógica deixa de ser programática e passa a ser transacional.

Alckmin, por sua vez, não dispõe de bancada própria para pressionar o governo nem atua como operador do Congresso. Sua função é outra: estabilidade institucional, previsibilidade política e redução de ruídos. Em um sistema hiperfragmentado como o brasileiro, essa característica é um ativo — não uma fraqueza.

Estando Lula muito à frente nas pesquisas em 2026, a tentação de ampliar alianças pode se intensificar. Mas é justamente em cenários de força eleitoral que decisões estratégicas devem ser tomadas com mais cautela. O centrão apoia enquanto convém — e costuma cobrar mais caro quando identifica vulnerabilidade.

Garantir a reeleição é condição necessária. Governar exige equilíbrio institucional, previsibilidade e autonomia decisória. Trocar Alckmin pode até gerar ganhos táticos imediatos, mas Lula também estaria abrindo mão de um pilar de estabilidade cujo valor só costuma ser percebido quando já foi perdido.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Justiça reconhece tortura e determina indenização a Dilma Rousseff: um marco histórico e o dever de reparação da sociedade brasileira


Dilma em julho/2025, no Rio de Janeiro


Em 18 de dezembro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu, por unanimidade, que a União deve pagar R$ 400 mil à ex-presidenta Dilma Rousseff por danos morais decorrentes da perseguição, prisão ilegal e tortura sofridas durante a ditadura militar (1964-1985), além de assegurar reparações econômicas mensais relacionadas à perda de renda causada pela perseguição política. 

Os magistrados entenderam que, embora Dilma já tenha sido reconhecida como anistiada política pelo Estado — incluindo indenizações pagas por comissões de anistia estaduais — essa nova decisão judicial decorre de uma responsabilidade civil distinta da União, que ultrapassa os casos locais e reconhece a abrangência nacional das violações sofridas. 

O acórdão reforça ainda que as ações de reparação por violação de direitos humanos na ditadura são imprescritíveis, conforme previsto na jurisprudência brasileira (Súmula 647 do Superior Tribunal de Justiça), pois refletem lesões profundas à dignidade humana que não perdem seu caráter jurídico com o passar do tempo. 


1. Tortura, prisão e repressão: a face brutal da ditadura militar

O regime militar brasileiro (1964-1985) foi marcado por uma repressão sistemática a opositores políticos, incluindo prisões arbitrárias, tortura física e psicológica, censura e restrições de direitos civis básicos. Organizações como a Comissão Nacional da Verdade documentaram centenas de casos de abuso estatal, embora muitos ainda aguardem reconhecimento formal e justiça plena. 

No caso de Dilma Rousseff, os relatos reunidos nos autos e em comissões oficiais descrevem episódios de tortura física e psicológica, incluindo choques elétricos, pau-de-arara, afogamento simulado, isolamento e ameaças de morte, que deixaram sequelas permanentes e representam violações graves de direitos fundamentais. 


2. A indenização como ato de reconhecimento e memória

Embora nenhum valor financeiro possa reconstituir a dignidade de quem foi torturado e preso injustamente, a decisão judicial tem importância muito maior do que a cifra em si. Essa sentença:


- Reconhece legalmente a gravidade das violações cometidas pelo Estado e reafirma que a tortura e a repressão política não podem ser relativizadas ou esquecidas. 

- Marca um gesto de responsabilidade institucional e histórica, ao reconhecer que políticas de violência estatal deixaram feridas duradouras nas vidas de cidadãos e cidadãs.

- Contribui para a preservação da memória democrática, ao afirmar que o Estado não renega, mas assume a sua história, inclusive seus episódios mais sombrios.


3. O processo de anistia e verdade no Brasil

Desde o fim da ditadura, o Brasil tem trilhado um caminho complexo de enfrentamento de seu passado:


Comissão de Anistia

Instituída em 2001, a Comissão de Anistia tem papel central no reconhecimento formal de pessoas que sofreram perseguições políticas durante o regime e na concessão de reparações. Em maio de 2025, a própria Comissão reconheceu por unanimidade Dilma Rousseff como anistiada política, concedendo-lhe indenização e um pedido de desculpas formal em nome do Estado. 


Comissão Nacional da Verdade

Criada em 2012, a Comissão Nacional da Verdade teve por missão investigar as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 e documentar casos de tortura, mortes e desaparecimentos forçados. Seu trabalho foi um marco para a reconstrução da memória histórica e para a legitimação de reivindicações de reparação. 


Limitações e desafios

Diferentemente de países vizinhos como Argentina e Chile — que realizaram processos de justiça transicional com julgamentos de perpetradores e comissões amplas de verdade —, o Brasil manteve uma lei de anistia que acabou protegendo muitos agentes do regime, gerando debates contínuos sobre a necessidade de responsabilização criminal e reformas institucionais. 


4. Por que a reparação importa além do valor econômico?

A decisão judicial, e iniciativas similares como a indenização à família de Vladimir Herzog ou pedidos de desculpas oficiais do Estado, são passos para:


- Dar voz às vítimas e à sua experiência histórica, superando décadas de silêncio e invisibilização. 

- Fortalecer a cultura de direitos humanos no Brasil, servindo de base para a educação pública, políticas culturais e debates democráticos.

- Promover a consciência histórica na sociedade, especialmente entre jovens e futuras gerações, para que os erros e abusos do passado não se repitam.


5. Conclusão: reparação, memória e democracia

A determinação de que a União deve pagar R$ 400 mil a Dilma Rousseff por tortura sofrida na ditadura é mais do que uma vitória jurídica isolada: é um ato de reconhecimento da dignidade humana, um registro oficial de que a violência política deixou marcas inapagáveis e um convite ao país para enfrentar sua própria história com coragem e responsabilidade.

O Estado brasileiro tem, sim, o dever histórico de compensar as vítimas da ditadura militar, mesmo sabendo que tortura, prisões políticas injustas e mortes são irreparáveis na sua totalidade. Ao fazer isso, fortalece a democracia e reafirma valores que são a antítese do autoritarismo: respeito aos direitos humanos, transparência histórica e compromisso com a verdade.


📷: Créditos de imagem atribuídos a Fernando Frazão/Agência Brasil

terça-feira, 8 de março de 2011

Parabéns, mulher!


"Débora, uma profetisa, mulher de Lapidote, liderava Israel naquela época. Ela se sentava debaixo da tamareira de Débora, entre Ramá e Betel, nos montes de Efraim, e os israelitas a procuravam, para que ela decidisse suas questões." (Juízes 4.4-5; tradução da NVI)


Neste 8 de março, no qual está sendo celebrado o Carnaval brasileiro, é também considerado o dia internacional da mulher como uma data fixa do calendário. Trata-se de um momento em que, se não fosse pela coincidência com maior festa popular do país, certamente teria mobilizado muito mais pessoas em defesa dos direitos feministas.

Mas que ocasião mais inoportuna para a comemoração de uma data tão importante e que, em 2011, caiu justamente no começo do mandato da primeira mulher presidente do país?

Apesar de não ter votado em Dilma Rousseff no dia 3 de outubro, mas sim em outra candidata, vejo que a eleição de uma mulher para ocupar a Presidência do Brasil, com 56 milhões de votos, significou de certo modo uma mudança marcante na nossa sociedade. Isto porque se trata da participação feminina em cargos de liderança, coisa que, por longos anos, foi negado no país.

Curiosamente, mais de três mil anos antes de Dilma, o povo de Israel já foi liderado por uma mulher - Débora, cujo nome de origem hebraica significa "abelha". E, de acordo com o texto bíblico citado acima, onde Débora é mencionada como "mulher de Lapidote", podemos deduzir que ela foi originalmente uma dona de casa, mas que passou a servir sua nação, sendo que em nenhuma outra passagem das Escrituras uma mulher ocupou um cargo político tão elevado.

Todavia, Débora viveu num tempo onde ainda não existiam reis e a liderança era algo conquistado ao invés de herdado. Ela, por sua notável sabedoria, era espontaneamente consultada pelas pessoas de seu povo, atendendo-as não dentro de um imponente palácio, mas sim debaixo de uma simples palmeira.

De acordo com a narrativa bíblica, Débora foi uma verdadeira motivadora dos israelitas para que fossem vitoriosos numa importante etapa de sua história que foi a libertação do domínio opressor de Jabim, rei de Canaã. Até então, pelo período de duas décadas, parece que Israel foi uma nação tributária de um reino que teria existido na região da Galiléia cujo comandante dos exércitos chama-se Sísera.

Divinamente inspirada, Débora incentiva Baraque a liderar uma tropa de homens afim de que eles lutassem contra Sísera e libertasse o país do poder dos cananeus. E, de acordo com o relato da Bíblia, os israelitas saem vitoriosos. Só que, ao final, quem mata Sísera não é Baraque, mas sim um outra mulher chamada Jael, uma perspicaz beduína que é mencionada no texto como "mulher de Héber" (verso 21).


Nos tempos de hoje, posso ver o Brasil, semelhantemente aos israelitas, lutando contra a pobreza, o desemprego, as injustiças e a falta de segurança, bem como em relação às deficiências na escolaridade e na saúde. Porém, não acho que esta batalha seja apenas de uma mulher só como se Dilma fosse a mãe do país, pois não podemos pensar que a história seja feita apenas por heróis como se presidentes, reis ou rainhas fossem os reais responsáveis pelo êxito.

Acredito que, com a união de todo o povo, temos grandes chances de sairmos vitoriosos contra os principais problemas que afligem a nação brasileira. Penso que todo este processo vai requerer a participação não só de homens, mas também de mulheres que sejam capazes de deixar de lado a apatia afim atuarem decisivamente diante de cada questão.

Como se vê na célebre história da Bíblia, Débora era a estrategista, a pessoa que organizava a nação de Israel. Porém, foram homens e mulheres que lutaram e expulsaram o invasor, tendo sido uma simples mulher do campo quem matou o general do exército inimigo.

Igualmente, desejo que não apenas a presidenta Dilma faça a sua parte, mas também as milhões de mulheres brasileiras que são mães, filhas, avós, trabalhadoras, donas de casa, aposentadas, esposas, solteiras, viúvas, divorciadas, professoras, operárias, médicas, advogadas, juízas, policiais, etc.

Sendo assim, quero encerrar este artigo parabenizando as mulheres de todo o país e convocando-as a contribuírem corajosamente para a construção de um futuro melhor.


OBS: As imagens acima foram extraídas do site da Presidência da República em http://www.presidencia.gov.br/presidenta sendo que o crédito da foto de Dilma com a faixa presidencial deve ser atribuído a Roberto Stuckert Filho / PR.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Comentários sobre o resultado das eleições presidenciais

Se até 1930 fomos a "república do café com leite", eu diria que o Brasil de hoje está se tornando a república do café com côco...

Em 2004, quando FHC elegeu-se presidente, seu vice pefelista era do Nordeste. Em 2002, o PSDB falhou em escolher para vice do Serra uma capixaba do PMDB, enquanto que Lula aliou-se a um rico empresário mineiro sem a necessidade de ter alguém do NE em sua chapa.

Nesses últimos anos, o DEM não tinha mais a mesma força no NE e o vice de Serra foi um carioca. Já o vice de Dilma, um paulista, a candidatura governista esteve fortalecida pela grande influência que a máquina do governo federal impôs ao NE.

O resquício de mineiridade da nova presidente eleita não foi tão esquecida no seu ente federativo de origem já que, no segundo maior colégio eleitoral do país, ela teve 6,2 milhões de votos, o que demonstra o forte bairrismo por lá existente, ultrapassando o conservadorismo entranhado no interior de MG. Só que tal eleitorado foi incapaz de perceber que, com Serra na Presidência, o governo estadual tucano receberia mais recursos...

Em SP, onde Serra ganhou, a diferença neste segundo turno entre os candidatos não chegou a 2 milhões. Aliás, onde o tucano venceu com maior folga foi em SC, PR, MS, AC, RR e RO (neste mais pelo percentual do que pela diferença absoluta).

Mas por que Serra ganhou disparado nesses estados? Eu diria que, além da classe média ser proporcionalmente maior no Sul, há um anseio pelo desenvolvimento regional no Centro-Oeste que não segue a mesma lógica da parte leste do país, tratando-se de uma região onde o meio rural é bem presente na economia e responde pela maior expressão do PIB. Inclusive, em SP, tem-se também uma outra divisão regional pois o comportamento do eleitorado do interior paulista se diferencia da capital e da região litorânea.

Finalmente há que se considerar o alto índice de abstenção. Em SP, cerca de 5,8 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas enquanto que brancos e nulos, respectivamente, foram de 0,6 e 1 milhões. E, dentre os que se abstiveram, penso que podemos contabilizar um numero expressivo de eleitores da classe média conhecedores dos procedimentos de justificação do voto e que preferem viajar no feriadão de finados.

Teria sido Dilma beneficiada pela enorme abstenção, considerando que a maior parte dos que não compareceram às urnas teriam votado em José Serra?

Bem, acredito que ainda assim o resultado não se modificaria porque dentre os que se abstiveram estavam também os possíveis eleitores de Dilma.

De qualquer modo, não se pode esquecer que a vitória da candidata petista foi mesmo determinada pelo bom desempenho da economia brasileira. Tivemos neste ano um efeito semelhante do que aconteceu nas eleições dos anos de 1994 e 1998 em que FHC, um homem sem carisma, conseguiu aquelas duas vitórias sem precisar concorrer no segundo turno. Em 1993, a vitória de Lula era tida como algo bem provável pelos institutos de pesquisa até que o governo Itamar Franco lançou o plano real passando a controlar a inflação e a proporcionar o acesso do pobre a bens que até então só eram consumidos pela classe média.

Mas e hoje? Será que as coisas são diferentes?

Com o bom andamento da economia brasileira, dificilmente o eleitor terá motivos para mudar. E, apesar do aumento dos gastos públicos, estes ainda não estão atingindo o bem estar do cidadão pois o governo constantemente sangra a Petrobrás para aliviar seus déficits. Com o pré-sal, teremos ainda mais recursos.

Tudo isso seria muito bom se tivéssemos um partido responsável na condução do Brasil. Ter uma mulher na Presidência, diminuir a miséria e o país crescer economicamente seriam coisas maravilhosas se a política externa fosse realmente compromissada com a democracia, o que, infelizmente, não ocorre. Mahmoud Ahmadinejad e seu colega da Venezuela, o caudilho Hugo Chávez, já mandaram lembranças pra Dilma pois na certa estão mesmo apostando numa relação política mais ampla com o Brasil.

É um quadro desanimador, mas como cristão não quero perder a fé e desanimar. Sem arrependimentos, votei na Marina e depois no Serra no segundo turno. Agora só resta orar pela vida da Dilma e pelo meu país, buscando dentro da sociedade defender bons valores.

Que surjam profetas da democracia, da paz e do meio ambiente!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Edir Macedo apoia Dilma e chega a defender o aborto em público!

Chega a ser repugnante esta pregação do "bispo" Edir Macedo da Igreja Universal onde ele se diz favorável ao aborto como uma forma de planejamento familiar.

Embora a Bíblia não trate especificamente sobre a questão do aborto, mas é óbvio que a proibição está implícito no "não matarás". Tanto é que Êxodo 21.22-25 prevê a mesma pena a alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Além do mais, outras passagens bíblicas mostram que Deus se importa com o ser humano antes do seu nascimento.


"Antes de formá-lo no ventre
eu o escolhi;
antes de você nascer, eu o separei
e o designei profeta às nações".

(Jeremias 1.5; NVI)

"Tu criaste o íntimo do meu ser
e me teceste no ventre de minha mãe.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.
Tuas obras são maravilhosas!
Digo isso com convicção.
Meus ossos não estavam escondidos de ti
quando em secreto fui formado
e entretecido como nas produndezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião;
todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro
antes de qualquer deles existir".

(Salmo 139.13-16; NVI)


Com base nesses versículos (eu poderia até citar mais trechos da Bíblia), dá para compreender claramente que o aborto é uma das maiores violências contra a vida, um crime praticado contra um ser indefeso que, embora sem consciência de que está sendo assassinado, é destinatário dos planos e das bençãos de Deus.

Ora, como pode um homem dizer que prega o Evangelho de Cristo e ao mesmo tempo faz uma defesa pública do aborto?

Pode de uma mesma fonte sair água doce e água salgada?

Por acaso colhemos milho de um pé de feijão?

Curiosamente, Edir Macedo está apoiando a candidatura de Dilma Rousseff e nisto, pelo menos, acho que ele está sendo coerente em votar numa pessoa que pense como ele. Porém, em relação à Bíblia que ele carrega debaixo do braço, a mensagem pregada pelo "bispo" em púlpito é manifestamente incompatível com o que diz a Palavra de Deus.

Assista o vídeo:


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Hélio Bicudo declara apoio a José Serra!

Um dos mais renomados juristas brasileiros, Dr. Hélio Pereira Bicudo, militante dos direitos humanos, autor de livros e ex-vice prefeito de São Paulo na gestão de Martha Suplicy (2001-2004), confirmou publicamente o seu apoio ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

Para Hélio Bicudo a alternância de poder é fundamental para a democracia de um país afim de se evitar aquilo que ele chamou de "sistema mexicano de continuísmo" em que um partido, instalando-se por muito tempo no poder, contribui para aumentar o passado de corrupção.

Achei bem sensatas as suas opiniões, sendo que devemos levar em conta que a análise parte de um homem que, na sua longa trajetória de vida de 88 anos, sempre esteve ao lado da democracia (tanto é que se desfiliou do PT em 2005). Assim como ele, penso ser importante o Brasil buscar uma renovação, mesmo que estejamos alternando entre petistas e tucanos.

A seguir compartilho um vídeo extraído do Youtube onde Hélio Bicudo apresenta as justificativas de seu apoio a Serra e por que não votará na Dilma.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em seu desabafo, Ciro reconheceu que Serra é mais preparado do que Dilma

Uma das ocasiões em que o ser humano consegue ser mais sincero nas suas afirmações é quando ele é derrotado e se sente arrasado, decepcionado e com suas expectativas frustradas. Nesta entrevista de Ciro Gomes no SBT Brasil, ele declarou que Lula perdeu a humildade, reconhecendo que José Serra é de fato o candidato mais preparado para governar o Brasil.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Serra tem mostrado mais atenção com o meio ambiente do que Dilma!

Durante os programas eleitorais, na campanha no primeiro turno, minha esposa constatou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, quase não falava em meio ambiente. Passei então a observar suas falas durante as apresentações na TV (não assisti todos os programas eleitorais), e observei que, apenas um dia, a petista falou brevemente sobre o desenvolvimento de tecnologias limpas, mas dentro do velho discurso desenvolvimentista que às vezes lembrava até o tempo dos militares.

No entanto, repetidas vezes, Serra tem afirmado compromissos com a defesa ambiental do país. Ontem mesmo, em Goiás, ele disse ser "um ambientalista". Ora, mesmo que o tucano esteja de olho nos eleitores da Marina (eu sou um deles), sei que realmente o governo do PSDB foi mais sensível à preservação da natureza do que esses oito anos de administração petista. Recordo-me que, durante a conferência ocorrida na Dinamarca, Dilma chegou a desautorizar o então ministro Carlos Minc sobre posições expostas pelo Brasil, conforme consta no trecho desta notícia extraída por mim do "Blog Reinaldo Azevedo" da Revista Veja:


"A ministra da Casa Civil e chefe da delegação brasileira na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Dilma Rousseff, voltou a desautorizar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao afirmar que o Brasil, em nenhum momento, pediu recursos para se adaptar às mudanças climáticas. Mais cedo, Minc, durante entrevista, dissera que o Brasil abrira mão dos recursos (...) Dilma tomou a frente de toda a discussão em torno das mudanças climáticas. No domingo, por exemplo, Minc havia agendado uma entrevista para o final da tarde. No entanto, acabou cancelando-a. Ao invés dele, quem falou, por 1h15m, foi Dilma. Minc sentou-se ao lado da ministra e, nas vezes em que tentou falar algo, foi interrompido por Dilma, que fez questão de demonstrar que tinha estudado o assunto, citando, inclusive de memória, artigos do Protocolo de Kioto, sobretudo no que se refere às obrigações dos países ricos."


Ora, só podemos de fato julgar um candidato olhando para o que ele fez quando teve nas mãos um pouco de poder. E, em Copenhague, no ano de 2009, Dilma mostrou que não é lá tão amiga da natureza...

A seguir compartilho um vídeo onde José Serra discursa sobre meio ambiente. Embora eu não tenha dúvidas de que suas posições econômicas possam prevalecer, observo uma sensibilidade maior do candidato com as questões ambientais.


sábado, 9 de outubro de 2010

Dilma defende a descriminalização do aborto!

Durante sabatina realizada pela Folha de São Paulo em outubro de 2007, Dilma Rousseff defendeu a desciminalização do aborto e confessou ser socialista. Não há como ela agora desfazer isto agora! O que foi dito pela candidata precisa ser conhecido pelo eleitor para que possamos ir às urnas conscientes das posições por ela defendidas. Como cidadão, eu não concordaria que os escassos recursos públicos do SUS fossem destinados para matar fetos e embriões inocentes.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Antes de divulgarmos algo, é importante verificar a veracidade da fonte!

Durante a campanha eleitoral do primeiro turno, recebi vários e-mails informando que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, teria dito a um repórter da revista Veja, durante a inauguração de um comitê em Minas Gerais, que "nem mesmo querendo, Cristo me tira esta vitória. As pesquisas comprovam o que estou dizendo. Vou ganhar no primeiro turno".

Confesso que me senti tentado a sair divulgando a mensagem, inclusive pensei em reproduzi-la neste blog já que estava apoiando a Marina e sou contra a permanência do PT no governo por causa de minhas convicções políticas. Só que não vi nenhum dos candidatos de oposição se aproveitando publicamente deste suposto fato, pois, evidentemente, se fosse algo incontestável, teria sido um prato cheio para Serra e Marina usarem nos seus programas de TV. Além do mais, quando é que foi que Dilma falou estas palavras? Onde está o tal repórter da Veja? Em que exemplar da revista isto chegou a ser publicado?

Felizmente, consegui controlar o impulso da carne descartando aquela mensagem e avisei uma das pessoas que tinha me mandado o e-mail sobre a ausência de fontes dessa notícia.

Ora, o fato é que muitos evangélicos saíram por aí propagando coisas sem nenhuma noção do que estavam dizendo. Agiram por emoção, seguindo orientações de seus líderes manipuladores.

Nós cristãos precisamos tomar cautelas para não igualarmos o nosso modo de atuar em campanhas à maneira como o mundo pratica. Penso que precisamos ser diferentes. Vivemos numa democracia, temos o direito de participar dela. Porém, zelar pela nossa ética e pelo embasamento de nossos argumentos é fundamental.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O segundo turno vem aí!

Acho super positivo que nestas eleições presidenciais tenhamos um segundo turno no Brasil.

Embora me pareça difícil José Serra crescer nas intenções de votos a ponto de poder vencer a candidata petista, não se trata de algo impossível. Ainda mais se Marina Silva vier a apoiá-lo, o que seria bem lógico já que o governo do PSDB teve muito mais respeito pelo meio ambiente do que o PT, principalmente no segundo mandato de FHC quando defendemos excelentes propostas na conferência Rio + 10 (2002).

Nos próximos dias, Dilma precisará fortalecer suas alianças e resgatar cabos eleitorais rebeldes, como o peemedebista gaúcho Pedro Simon que apoiou Marina no meio da campanha. Acredito também que ela deverá fazer concessões que reduzirão a influência do PT em seu governo e ainda necessitará dar enfrentamento aos ataques da oposição como responder mais detalhadamente às críticas de igual para igual, tendo com Serra o mesmo tempo de TV na propaganda gratuita.

Por sua vez, José Serra terá que adotar um discurso mais objetivo e que satisfaça às necessidades do seu eleitor, caso queira convencer as pessoas sobre o porquê de escolher sua candidatura sabendo que Dilma tem a seu favor o bom desempenho da economia brasileira. Assim, se o PT tem a seu favor a geração de empregos nos últimos anos, caberá ao PSDB focar na elevação do custo de vida que é inerente a todo crescimento econômico, não se esquecendo de bater no achatamento das aposentadorias que vem ocorrendo a cada ano depois do fator previdenciário.

Enquanto PT e PSDB polarizam pela quinta vez consecutiva a disputa pela cadeira número 1 do país, num período de 16 anos, como fica a situação do povo brasileiro? Não são de promessas que as pessoas vivem! Pois, enquanto os políticos se mordem e arranham no palco (tudo não passa de um teatro), pessoas estão sofrendo nas portas dos hospitais, os salários permanecem insuficientes para satisfazerem todas as necessidades básicas de um ser humano, parte da riqueza nacional é apropriada pelos impostos, os alunos vão passando de ano sem aprender corretamente, a Amazônia vai sendo saqueada por madeireiros e pecuaristas, a violência cresce, etc.

Não há como negar que, desde o breve governo de Itamar Franco, a nação vem melhorando em diversos níveis a passos lentos. A estabilidade monetária, que foi um projeto global para vários países (não só o Brasil), criou condições para que tivéssemos uma economia sustentável. E, se hoje o governo pode ordenar o crescimento brasileiro, foi porque Itamar e FHC observaram atentamente as regras traçadas pelo Consenso de Washington (1989):

- Disciplina fiscal;
- Redução dos gastos públicos;
- Reforma tributária;
- Juros de mercado;
- Câmbio de mercado;
- Abertura comercial;
- Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições;
- Privatização das estatais;
- Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas);
- Direito à propriedade intelectual.


É certo que não só o Brasil como outros países tiveram que abandonar o dogmatismo inicial de todas essas propostas, principalmente depois da crise asiática (1997) quando inúmeras bolsas asiáticas quebraram pelo mundo. Contudo, até o PT quando chegou ao poder (2003), preservou algumas dessas medidas de austeridade econômica, apesar de ter negligenciado outras.

Atualmente, com a crise na Europa, que atinge de maneira mais acentuada a Grécia, torna-se indispensável repensarmos algumas propostas que foram anteriormente praticadas afim de que o Brasil não se veja futuramente num quadro de inflação descontrolada. E, neste sentido, parece-me fundamental o futuro governo reduzir os gastos públicos e promover uma profunda reforma tributária capaz de aliviar a pesada carga dos impostos sobre o setor produtivo.

Quanto à abertura comercial e à privatização de estatais, é bom que o Brasil mantenha essas conquistas dos anos 90. E, portanto, até a exploração do pré-sal deve ser feita dentro deste conceito que tem dado certo, continua sendo aplicado pelos países escandinavos e atrai muitos investimentos privados (se bem que sou contra o país ficar sujando o meio ambiente com a extração de um combustível que tanto contribui para as alterações climáticas do efeito estufa).

Já os direitos sobre a propriedade industrial, tal regra não pode continuar sendo aplicada como absoluta quando há um conflito com o interesse social. E, neste caso, o próprio PSDB também fugiu ao padrão do Consenso de Washington quando José Serra, então ministro da saúde de FHC, quebrou as patentes dos medicamentos criando os genéricos para beneficiar inúmeros consumidores.

Finalmente, no que diz respeito ao afrouxamento de leis trabalhistas, penso que, neste aspecto, as regras do Consenso de Washington mostraram-se inadequadas, pois é necessário resgatar o respeito e a dignidade do trabalhador visto que se cuida de um ponto chave para resgatarmos a estabilidade social. A economia não pode ser colocada acima das pessoas e este foi o principal fator que gerou tantos movimentos contrários à globalização. Logo, o próximo presidente precisa compreender o quanto o trabalho e a família são importantes.

Mas será que o PSDB ainda representa uma volta a esses valores que colocaram o Brasil nos trilhos nos anos 90?

Com toda a sinceridade, tenho dúvidas se os tucanos de hoje não cometerão muitos dos pecados da gastança praticados pelo PT e que a tão aguardada reforma tributária ainda continuará para um outro governo. Contudo, de uma coisa tenho certeza. Um presidente do PSDB respeitará mais as liberdades políticas e o meio ambiente. FHC foi um excelente presidente para o regime democrático e conseguiu que, neste aspecto, a Constituição Federal de 1988 se tornasse uma realidade.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Críticas de César Maia ao PNDH-3

Mesmo não concordando com 100% do que César Maia diz, vejo procedência em muitas das suas críticas ao PNDH-3. Minha preocupação maior é quanto à tentativa de controle da imprensa através do governo, um passo estratégico para a implantação do regime chavista no país pelo PT e fragilizar mais ainda a democracia brasileira. Infelizmente esta mensagem não alcança a maior parte da nossa população que é capaz de trocar sua liberdade por "um prato de lentilhas". Logo, precisamos abrir os olhos porque certamente o PT não está trabalhando apenas pela eleição da Dilma, mas pretende também colocar em Brasília um número grande de congressistas de esquerda, principalmente no Senado. Em São Paulo Lula está investindo muitos recursos nos candidatos do PT e do PCdoB. Ora, será que povo brasileiro seguirá os mesmos passos de Esaú quando vendeu por tão pouco a sua primogenitura?


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Será esta a história que os nossos bisnetos contarão?

O ano era 2080 e os alunos estavam reunidos para mais uma aula de História. Sentados em meio círculo em volta de um telão interativo, todos aguardavam a professora terminar a chamada.

- Bom dia, alunos. Vocês estudaram a lição sobre o fim da era do petróleo?

Naquele mesmo instante, ao comando da voz da professora, apareceu no telão um mapa do político do mundo do começo do século XXI. Foi quando Marcelo levantou a mão para perguntar.

- Que país é aquele ali na América do Sul?

- Qual deles, Marcelo?

- Um que ocupa a maior parte do continente e aparece na cor verde.

- Bem. Este aqui era o Brasil. Ainda não ensinei a vocês sobre a história desse país, mas o programa prevê duas aulas sobre a América Latina.

Luísa interrompeu:

- Brasil! Terra do samba e do futebol?

- Não só de samba e futebol. - comentou a professora - O Brasil também era uma terra de muito verde, com belas praias, uma grande diversidade de animais e de ecossistemas tropicais.

- Era lá que ficava a floresta Amazônica? - perguntou José.

- Sim. A maior parte da antiga floresta, mas que também abrangia partes da Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas, compreendendo a bacia hidrográfica daquele que era o maior rio do mundo.

- E o que aconteceu com esta floresta? - indagou novamente José.

- Foi praticamente aniquilada pela ganância humana. Os governos brasileiros deixaram que as matas fossem cortadas e queimadas. No lugar das árvores plantaram soja e capim para a criação de gado. Depois de algumas décadas, várias partes do continente se transformaram em desertos, restando uma tórrida savana e trechos de mata acompanhando o rio principal. Muitas nascentes secaram e o Amazonas perdeu um percentual do seu volume de água.

- E ninguém fez nada? Deixaram que os brasileiros destruíssem esse patrimônio natural da humanidade? - questionou Débora.

- Infelizmente, não. Algumas ONGs e ativistas protestaram, mas os presidentes e deputados do Brasil pareciam não se importar. Os órgãos ambientais fingiam que fiscalizavam e nem sempre tinham condições de agir. Havia muita corrupção naquela época e os políticos estavam só afim de roubar.

- Foi assim que o Brasil se acabou. - disse Luíza.

A professora pensou por um breve instante e comentou:

- Não, Luíza. Foi assim que o Brasil começou. Desde o século XVI, os colonizadores do Brasil só queriam saber de roubar. Proclamaram a independência e os políticos continuaram roubando. Depois veio a república e nada mudou até que, em 1989, surgiu um candidato a presidente prometendo que iria prender os corruptos. Seu slogan era "caçador de marajás".

Interpretando literalmente a voz da professora, o sistema do telão exibiu figuras desenhadas que lembravam os marajás da antiga civilização indiana.

- Já sei! A senhora vai falar do Lula, não? - interveio Pedro.

- Ainda não. Estou me referindo ao Collor. O Lula até disputou as eleições com ele, foi para o segundo turno, mas perdeu naquele ano.

Uma imagem dos presidenciáveis de 1989 apareceu no telão da sala.

- Mas deve ter sido uma decepção e tanto, professora. Imagine um cara dizer que iria acabar com os corruptos e depois resolver exterminar os marajás. Imaginem quanta gente não deve ter morrido quando o Brasil resolveu declarar guerra à Índia. - interveio Michele.

A professora ficou emudecida com as palavras da menina enquanto Rafael, um aluno repetente, caiu na gargalhada e aproveitou para descontar na colega a sua frustração:

- Sua burra! Em 1980 nem existiam mais marajás na Índia e o Brasil nunca declarou guerra a um país asiático.

Repreendendo a atitude do aluno, a professora explicou quem eram os tais marajás:

- Michele, marajá era um apelido que Collor e a imprensa da época deram às pessoas que acumulavam altos salários e aposentadorias do governo através dos favores da política, bem como os corruptos. Collor dizia que iria combater os marajás, mas se tornou mais um deles até que, em 1992, resolveram fazer seu impeachment.

- Já sei! Foram os caras-pintadas! - exclamou Luíza.

- Também. - prosseguiu a professora - Mas foi graças à mídia e aos que também estavam interessados no poder. Depois da saída do Collor, os que pediram sua cabeça também se acharam envolvidos com corrupção. Primeiro foram Ibsen Pinheiro e os "Anões do Orçamento" e, no final, a própria quadrilha do PT.

- E o Collor depois não apoiou o Lula? - perguntou Pedro.

- Exatamente! Depois do período em que foi penalizado sem poder exercer seus direitos políticos, Collor conseguiu ser eleito senador. Em 2010, quando Lula lançou Dilma Rousseff para presidente, Collor estava com ela apoiando sua candidatura no Alagoas.

- Foi por causa dela que o Brasil acabou? - quis saber Rita.

- Não só por causa da Dilma, mas sim porque o Partido dos Trabalhadores e grande parte da nação cometeram o maior erra da história - explicou com tristeza a professora.

O telão exibiu o símbolo do PT e a professora fez uma pausa.

- O Brasil não soube valorizar o que havia de mais precioso. - continuou - Por causa da ganância o governo explorou petróleo irresponsavelmente nas camadas mais profundas do Oceano Atlântico, aquecendo mais a atmosfera e matando muitas espécies marinhas. O país tornou-se um dos principais poluidores do planeta.

- Professora, essa atividade econômica não gerou riquezas para a população brasileira? - perguntou Pedro.

- Sim. Gerou riquezas, mas que não foram distribuídas, as quais ficaram nas mãos de poucos, isto é, dos políticos e das empresas que se beneficiavam com o Estado brasileiro. As verbas destinadas para o bem estar social eram desviadas, as crianças passavam de ano sem aprender direito e as pessoas morriam aguardando atendimento nos hospitais públicos.

- Então qual foi o fim do Brasil? - indagou Taís enquanto abria seu lanche de algas comestíveis cultivada artificialmente.

- Por causa do PT o país ficou com uma elevada dívida pública. A moeda estava sobrevalorizada e os importados custavam menos do que os produtos da indústria brasileira. A iniciativa privada estava sem fôlego e quase todo mundo queria ser funcionário público. Quando o mundo parou de usar petróleo, a moeda se desestabilizou e a inflação voltou. Então, com a economia quebrada e a natureza destruída, o governo precisou pedir empréstimos ao FMI. Porém, o mundo não tinha mais dinheiro e o planeta estava passando por um interminável caos devido aos problemas climáticos com ondas de 100 metros, furacões, ondas de calor intenso e enchentes. Além do mais, a sociedade internacional estava bastante insatisfeita com o Brasil. - finalizou a professora desligando o telão.

O sino tocou e todos os alunos foram para o intervalo descansar. José e Débora foram juntos para a câmara de bronzeamento.

- Eu não sabia que o mundo de nossos avós tinha se acabado por causa do Brasil. - compartilhou Débora.

- Nem eu! - disse José - Pois sempre pensava que os grandes vilões da História fossem apenas os Estados Unidos e a China. Hoje vi que o Brasil foi um dos responsáveis por estarmos vivendo confinados nesta mega-espaçonave vagando pela imensidão celeste enquanto a natureza do planeta Terra se recompõe sem a interferência do homem.

- Pode ser que daqui uns 100 anos o clima fique mais estável na Terra e aí nossos bisnetos poderão voltar a morar lá em segurança.

- Como pretendo fazer engenharia ambiental pode ser que eu tenha a oportunidade de conhecer o planeta de origem da nossa espécie viajando numa dessas missões ecológicas de reintrodução de espécies animais previstas para começar daqui uns vinte anos.

- Não quero que você vá, José. Tenho medo de te perder. Prometemos que iríamos nos casar. Além do mais, a Terra ainda está contaminada com radioatividade por causa das bombas atômicas que o Irã explodiu no Oriente Médio.

- E parece que o Brasil foi cúmplice do programa nuclear iraniano.

- Vamos tirar essa dúvida com a professora, mas parece que sim.

- Bem que poderia existir uma máquina do passado, não é mesmo?

- Mas por que, amor?

- Porque, se fosse possível voltar no tempo, eu diria para todos os brasileiros não votarem no PT nas eleições de 2010.

- E eles votariam em quem?

- Na Marina Silva do Partido Verde. Uma lista do jornal britânico "The Guardian" colocou-a como uma das 50 pessoas que podiam ajudar a salvar o planeta...

- Vamos voltar pra aula! O sino vai tocar daqui a pouco e hoje temos o teste de física daquele professor maluco.

- Não acho ele maluco. Foi o professor Heitor quem convenceu o conselho dos povos da espaçonave que não compensava viajarmos para outras constelações a procura de novos planetas habitáveis. Ele provou com a sua tese de que poderíamos viajar pelo espaço numa velocidade super rápida capaz de abreviar o tempo para os habitantes da nave, projetando-nos para o futuro.

- E estamos vagando pelo espaço do mesmo jeito!

- Tá! Mas pelo menos não iremos repetir os mesmos erros sujando os planetas dos outros.