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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os órgãos de defesa do consumidor não podem restringir as denúncias do cidadão!

Nesta tarde de 06/02/2012, tive mais um problema nas relações de consumo e precisei acionar o PROCON pelo telefone 151.

Após ter levado minha esposa para fazer o seu exame de raio-X, fomos a uma das lanchonetes da rede Casa do Pão de Queijo, situada na Rua Conde de Bonfim, n.º 406, Tijuca, Rio de Janeiro (salvo engano dentro de uma loja da Leader). Após termos consumido um lanche no valor de R$ 21,80 (vinte e um reais e oitenta centavos), pagos pelo cartão de crédito Visa, decidi incluir um quindim na importância de R$ 3,00 (três reais). Núbia me falou que o doce estava uma delícia.

Oferecendo inicialmente uma nota de R$ 100,00 (cem reais), a pessoa que estava no caixa alegou não poder vender por motivo de falta de troco. Em seguida, quando apresentei o mesmo cartão de crédito, tendo o atendente chegado a passar o cartão na máquina, disse não poder aceitar um pagamento dentro da referida modalidade com tal valor, mas "só acima de dez reais". Perguntei-o se a máquina já estava programada para não receber importâncias abaixo de R$ 10,00 (dez reais) no cartão e ele me confirmou que sim. Então, acabei não podendo consumir o quindim que se encontrava à mostra na vitrine do estabelecimento.

Indignado, resolvi denunciar este caso ao PROCON do Rio de Janeiro porque a empresa em questão havia praticado duas condutas consideradas abusivas pela minha interpretação do Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal n.º 8.078/90), infringindo basicamente os incisos I e II do artigo 39 da norma. Porém, ao entrar em contato com um órgão que deveria estar protegendo a população, acabei tendo mais dor de cabeça e contrariedade, não conseguindo que a minha demanda de interesse coletivo fosse encaminhada pelo canal de atendimento telefônico no número 151.

De acordo com o funcionário do PROCON que pegou minha ligação, seria necessário que fosse fornecido o telefone da empresa reclamada. Isto porque, segundo as explicações dele, primeiramente é feito um contato telefônico do órgão com o fornecedor afim de prestar orientações sobre como devem ser as relações de consumo. Ou seja, seria dizer que a empresa não pode estabelecer limites mínimos para compras feitas com cartão de crédito e blá-blá-blá... E aí o PROCON ainda pede ao consumidor que continue cooperando na fiscalização da empresa, comparecendo novamente ao estabelecimento onde ocorreu o fato para verificar se a conduta lesiva continua se repetindo. Somente em hipótese de reincidência é que outras medidas mais sérias passariam a ser aplicadas.

Acontece que os procedimento do PROCON em seu atendimento telefônico estão restringindo o acesso do cidadão para defender os seus direitos individuais e coletivos. Pois é óbvio que nem sempre o consumidor poderá dispor do telefone do estabelecimento ou da empresa, sendo um absurdo exigir que o reclamante obtenha a informação através do serviço de auxílio às listas do 102 ou pela internet. Até porque nem sempre o fornecedor terá telefones divulgados (o comerciante nem é obrigado a ser cliente das concessionárias de telefonia) e será possível conseguir o telefone. Ainda mais tratando-se de pessoa de condição humilde, idosos, portadores de deficiência, gente sem internet. Ou mesmo do trabalhador ocupado que nem sempre tem tempo suficiente para ficar fazendo pesquisas incertas como essas.

Ora, outro absurdo praticado pelo PROCON é condicionar a sua atuação fiscalizadora posterior a um acompanhamento em campo pelo consumidor, tornando praticamente necessário o retorno do denunciante ao estabelecimento reclamado. Pois fazer isto é algo que muitas das vezes o indivíduo prefere evitar, caso ele tenha sofrido constrangimentos emocionais ou passado por situações desagradáveis. Ainda mais quando se trata de pacientes depressivos, sendo que transtornos psíquicos como depressão e síndrome do pânico são muito comuns na nossa sociedade, tornando o ser humano incapacitado para suportar uma batalha com envolvimentos fortes.

Tendo eu argumentado por vários minutos com o funcionário do PROCON que me atendeu, o mesmo veio me dizer que o órgão possui uma quantidade insuficiente de fiscais para atender as demandas dos consumidores. Daí ele ter tentado justificar a adoção de procedimentos restritivos para o recebimento de denúncias.

Pois bem. Acontece que procedimentos deste tipo são injustificáveis e devem ser banidos do Poder Público!

Se a coletividade está sofrendo um abuso (tanto pequeno quanto grande), qualquer reclamação enviada aos órgãos governamentais precisa ser recebida, conhecida, devidamente encaminhada e até mesmo estimulada. E, sendo assim, se a Administração Pública não dispõe de um número suficiente de funcionários para atuar nas solicitações feitas pelo cidadão, o jeito é abrir novos concursos públicos e ir priorizando o atendimento das demandas conforme a prioridade de cada caso. Só que uma pessoa jamais pode ser impedida de registrar a sua reclamação por não fornecer os dados completos sobre o denunciado.

A restrição no recebimento de reclamações, com base na absurda exigência do número de telefone do fornecedor, bem como de quaisquer outros dados em excesso, acaba lesionando mais ainda a sociedade e se torna uma violência institucional. Isto porque os procedimentos tacanhos adotados pelo PROCON do Rio de Janeiro importam na criação de obstáculos para que o cidadão busque os meios de defender os seus direitos, contribuindo para que haja mais conflitos, indignação e desequilíbrio social.

Diante de situações deste tipo, como poderemos acreditar na pacificação do Rio de Janeiro? Pois, se refletirmos profundamente, iremos compreender que a paz não é alcançada apenas pela ocupação militar das áreas carentes de uma cidade, mas requer também a adoção de ações eficazes que garantam os direitos do cidadão e que, por sua vez, possam concorrer para a humanização das relações sociais entre as pessoas.

No meu ponto de vista, o Rio de Janeiro tem retrocedido ultimamente nas questões que envolvem o direito do consumidor. Juízes têm rebaixado os valores das indenizações por dano moral, agências reguladoras e outros órgãos tentam convencer o cidadão lesado de que quem está errado é ele e não a empresa, além de que quase nada é feito preventivamente. Nem mesmo a aproximação de eventos esportivos como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 têm motivado uma melhora verdadeira!

De qualquer modo, como esperar que governantes com mentalidade atrasada, a exemplo dos peemedebistas Sérgio Cabral e Eduardo Paes, tenham uma visão mais profunda ou perceptível da realidade?!

Homens como esses caras e seus assessores de confiança não se importam com detalhes de grande relevância. Igualmente, eles nem pensam a política como estadistas porque os seus interesses estão mais voltados para assegurar vitória nas próximas eleições pela via do marketing e do imediatismo oportunista. Logo, órgãos como o PROCON, que compõe a Administração Pública do Estado, acabam seguindo a mesma linha medíocre dos seus superiores, contradizendo as propagandas e entrevistas de políticos divulgadas na TV para que as pessoas procurem os meios para deenderem seus interesses.

Confesso que não foi a primeira vez que encontrei dificuldades para encaminhar minhas reclamações pelo PROCON. No final do ano passado, tão logo me mudei para o Rio de Janeiro, tive problemas semelhantes com uma loja franqueada da rede Mundo Verde aqui no bairro Grajaú. Na ocasião, a pessoa responsável pelo estabelecimento não aceitou o meu pagamento com cartão de crédito porque o valor da compra era inferior a R$ 15,00 (quinze reais). E aí, quando liguei para o 151, os funcionários do PROCON exigiram que fosse fornecido o endereço completo e até a razão social do franqueado. Então, só depois de muita insistência foi que consegui que recebessem a minha denúncia dias depois do ocorrido.

Como advogado, sei muito bem que, encaminhando as minhas solicitações por escrito, tipo usando a internet ou o protocolo dos órgãos públicos através de petições em duas vias, certamente o tratamento será outro e aí não há como impedirem o recebimento da denúncia. Porém, eu também me interesso por buscar o atendimento telefônico e aí fico conhecendo o drama do cidadão brasileiro, o qual não sabe se expressar por meio de petições e sofre todos os dias uma violência institucional dos órgãos públicos.

A meu ver, tanto o PROCON quanto outros órgãos de defesa do consumidor apenas deveriam exigir os dados necessários das partes para que a solicitação fosse registrada. Pois basta que o reclamado seja identificado pelo seu nome fantasia ou razão social e fornecida a sua localização ainda que com o endereço incompleto (o nome da rua sem o número). Já a inscrição no CNPJ, o telefone da empresa e outros dados adicionais só seriam registrados se o consumidor fosse capaz de informar.

Outra coisa que deve ser considerado é o direito do consumidor em oferecer denúncias anônimas ou pedir sigilo na divulgação de seus dados para terceiros que não seja o órgão público através do qual ele está se socorrendo. Sabe-se que, nas relações de consumo, há casos em que a pessoa deseja evitar um posterior assédio do reclamado e nem ter a sua identidade pessoal divulgada. Aí nada mais justo do que o Estado preservar a intimidade e a vida privada do indivíduo, valores estes que são tutelados pela Constituição do país, entrelaçando-se com o princípio basilar da dignidade da pessoa humana.

Como já dito, problemas na relação de consumo são causas de conflitos e, se não forem tratados, promovem a desumanização. Portanto, cabe ao Estado ser capaz de ouvir e de acolher as demandas que chegam até os órgãos públicos, proporcionando ao cidadão um atendimento mais satisfatório que, por sua vez, aumentará a confiança institucional.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sábado no Corcovado

Quando criança, na companhia de meus pais e familiares, passeei bastante pelos principais pontos turísticos do Rio, dentre os quais os morros do Corcovado e do Pão de Açúcar. Visitar estes lugares pra mim é como relembrar a infância, fazer um mergulho no passado e empreender uma releitura da paisagem geográfica sob o olhar de um homem adulto.

Para minha esposa Núbia, porém, estes lugares são uma novidade. Quando criança, seus pais não tinham condições econômicas de levá-la para conhecer esses maravilhosos cartões postais do Rio de Janeiro que muitos cidadãos do município e suas adjacências jamais pisaram a planta dos pés. Tanto é que ela só veio a subir de bondinho no Pão de Açúcar quando passamos uma tarde de março de 1999 fechando o verão no teto da Urca, indo logo depois ao Jardim Botânico. Aquele ano foi só o início do nosso namoro.

Desta vez, tomamos a decisão de subir o Corcovado repentinamente.

Eram umas nove da manhã quando o telefone tocou e a secretária do médico perguntou se Núbia poderia ir ao seu consultório pela manhã, chegando às 11 horas em Ipanema. Não apresentamos restrições e, após nos arrumarmos com rapidez, pegamos um ônibus que sai da frente do nosso prédio do Grajaú em direção ao Leblon passando pelo túnel Rebouças. Então, com menos de 50 minutos, já estávamos desembarcando num ponto da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Terminada a consulta com o homeopata, ficamos aguardando o coletivo de volta ao Grajaú na rua Visconde de Pirajá pensando no que faríamos durante a quente tarde deste último sábado. Liguei pra minha mãe, mas ela falou que não seria possível almoçarmos em sua casa porque a empregada não tinha vindo trabalhar. Então, quando menos esperávamos, passou um ônibus com destino ao bairro Cosme Velho onde fica a estação do trenzinho que segue em direção ao Corcovado transportando os passageiros para ver o monumento considerado uma das maiores maravilhas do mundo – a estátua do Cristo Redentor.

Em dezembro de 2011, cheguei a telefonar pra empresa responsável pela estrada de ferro do Corcovado afim de obter melhores informações sobre o passeio, mas o atendimento não fora satisfatório e estava muito difícil conseguir falar com alguém por aquele meio de comunicação. E eu só queria saber o preço da passagem, confirmar se eles aceitam cartão de crédito ou não para a compra do bilhete do trem, bem como se haveria algum tipo de desconto para quem é morador do Rio. Só que, na ocasião, apenas descobri o salgado valor da tarifa de R$ 43,00 (quarenta e três reais).

Sem a informação completa, fomos com a cara e com a coragem. Na carteira, eu deveria ter quase R$ 40,00 (quarenta reais) mais os cartões de crédito e da conta do ITAÚ. Porém, segui contentando-me apenas com a possibilidade de obter as informações que desejava, esperando também ver uns casarões antigos da localidade. Pois, mesmo se não conseguisse levar Núbia desta vez, poderia retornar numa próxima oportunidade com mais planejamento e aproveitaríamos para almoçar em Cosme Velho, poupando a mulher de ficar o sábado na cozinha. E demos a sorte de embarcar num ônibus ainda vazio em Ipanema porque, no caminho, o veículo foi enchendo de turistas.

Ao chegarmos em Cosme Velho, logo no começo da tarde, almoçamos num restaurante bem simples pelo preço de um estabelecimento mais requintado. O local oferece comida a quilo e pude preparar o meu prato dentro da dieta saudável que sigo sem linguiça, feijoada, frituras ou carne misturada com queijo. E, geralmente, gosto de colocar uma saladinha de alface com tomate, de modo que, neste sábado, juntei esta opção com batata calabresa, feijão, cenoura e um único pedaço de carne assada mais um mate pra matar a sede. Mesmo assim, minha consumação chegou a R$ 22,00 (vinte e dois reais).

Pensando bem, até que valeu a pena comer naquele restaurante. Inclusive porque a decoração de lá tem tudo a ver com o nosso país. No lugar tinha bambus, várias plantas, um muro de pedras e quadros exóticos formando um ambiente rústico agradável. Principalmente para o turista estrangeiro que deseja se sentir no Brasil.

Deixamos o restaurante e fomos à bilheteria da estação do Corcovado. Logo que chegamos, um monitor luminoso anunciava que a próxima partida do trem seria às 18. Os motoristas das vans que fazem ponto por ali tentavam convencer os turistas sobre a impossibilidade de usarem aquele meio de transporte no momento. Mesmo assim, fui falar pessoalmente com os funcionários da empresa já que o objetivo de minha ida ali era o de buscar informações para um futuro passeio. E, tendo constatado a possibilidade de pagar a curta viagem com o cartão Visa, insisti para que verificassem também se, por acaso, teria como encaixar duas pessoas antes da hora prevista já que Núbia não estava disposta a ficar esperando até este horário desde duas da tarde (e nem tínhamos uma quantia em dinheiro no bolso pra pagar outro transporte).

Para minha surpresa, a empresa tinha dois lugares vagos no trem das 14:20, contrariando a informação de que a próxima partida seriam às 18 horas. Então, como eu já estava ali e com o cartão de crédito em mãos, foi "sopa no mel". Comprei os bilhetes e fomos para o local de embarque disputando espaço com os turistas ali presentes, dentre os quais a maioria parecia ser de argentinos. Junto conosco subiu uma galera de Buenos Aires que estava veraneando no Rio à bordo de um cruzeiro marítimo.

Interessante foi que a maioria dos visitantes falava espanhol e não reparei a presença de nenhum norte-americano entre eles. Tinha até uns japoneses e também brasileiros vindos de diversas partes do país e daqui do Rio. No restaurante também notamos a mesma coisa, exceto uns franceses que se sentaram numa mesa ao lado da nossa. E acho que a explicação para uma maior frequência de argentinos, mesmo com o real caro, é que as pessoas do Hemisfério Norte já devem estar trabalhando ou estudando visto que as férias escolares por lá costumam ser mais extensas no meio do ano.

Confesso que já não me lembrava bem do passeio de trenzinho até o Corcovado. Quando criança, não apreciava suficientemente a paisagem pois ansiava por chegar logo lá em cima. Desta vez, contudo, busquei degustar cada momento. Tanto o percurso por dentro das matas do Parque Nacional da Tijuca como a vista que se tem da cidade do Rio de Janeiro. Até o final, são feitas duas paradas para que as outras duas locomotivas possam trafegar já que todas compartilham os mesmos trilhos. E vi muitos pés de jaca no caminho, coisa que os argentinos que estavam conosco desconheciam. Quase lá no desembarque, pegamos um trecho do qual era possível avistar o Maracanã em obras sendo preparado a um alto custo para a Copa de 2014.

Da época de minha infância até 2012, houve mudanças lá no Corcovado. Notei a construção de um elevador permitindo o acesso de pessoas com dificuldades de locomoção uma vez que antes era necessário subir escadas até o monumento do Cristo. Também soube que os automóveis e táxis já não estão podendo ir até o final da estrada de rodagem, o que obriga as pessoas a dependerem do transporte alternativo de vans. Porém, ambas as mudanças pareceram-me justas e adequadas tendo em vista a restrição de espaço.

Buscando apreciar cada local do mirante, consegui reconhecer inúmeros pontos da cidade e do estado. Lá de cima consegue-se ver as praias da Zona Sul do Rio: Flamengo, Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon. E também pudemos reconhecer as de Niterói: Icaraí, Charitas, Piratininga, Camboinhas e Itaipu, além de um pedaço da Lagoa de Maricá que é em outro município. Olhando para a baía da Guanabara e a Serra do Mar, foi possível visualizar sem dificuldades o Dedo de Deus, situado entre os municípios de Guapimirim e Teresópolis, além de outros picos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, como a Pedra do Sino e mais alguns pertencentes a Petrópolis. Até mesmo os de Nova Friburgo, como o Caledônia e Três Picos de Salinas apareciam já bem distantes ao fundo do pouco conhecido vale do rio Macacu. Com facilidade, identificamos o Pão de Açúcar, o hipódromo, a catedral carioca com sua arquitetura moderna e a arrojada a Ponte Rio-Niterói.

A multidão de turistas nos surpreendeu lá no trecho do mirante que fica de frente para o rosto da estátua. Era gente que não acabava mais e, sinceramente, não dava para ficar à vontade apreciando a paisagem. Umas pessoas nos incomodaram pedindo para sairmos de onde estávamos e elas tirarem foto umas das outras, agindo com uma enorme ansiedade como se o registro do momento fosse coisa mais importante do que degustar o presente. E para caminhar estava bem difícil em certos locais.

Outra coisa que não gostei foi dos preços e das condições de pagamento da cantina e do restaurante lá no Corcovado. Uma latinha de refrigerante custou-nos R$ 4,50 (quatro reais e cinquenta centavos). Um roubo! Sem falar que o estabelecimento nem aceitava cartões.

Ainda que o comerciante não esteja obrigado a vender seus produtos e serviços debaixo de um tabelamento, acho que valores excessivos não devem ser cobrados. Principalmente se, por razões ambientais, existem restrições para uma ampla concorrência ou para a entrada de ambulantes. E aí digo também que é até burrice os comerciantes de lá cobrarem tão caro e não aceitarem cartão de crédito. Isto porque, se as coisas fossem mais acessíveis no Corcovado, o turista permaneceria por mais tempo lá em cima consumindo. Sem esquecer do detalhe que, nos Estados Unidos, onde a dedução no imposto de renda é mais ampla do que no Brasil, muitos norte-americanos preferem realizar suas despesas usando o cartão para não terem que colecionar notas ficais quando fazem suas declarações à receita.

Infelizmente, acabamos não entrando para ver a capela que tem dentro da estátua. Para a perplexidade de Núbia, estavam cobrando a entrada de pessoas pra visitarem uma igreja. Um absurdo! Preferimos não pagar e, com isto, ficamos apreciando as coisas só do lado de fora.

Com certeza que situações como esta me causaram indignação. E o que muito me chateou foi o fato do cidadão do Rio de Janeiro não contar com uma tarifa promocional no trenzinho durante todos os meses como costuma ocorrer no meio do ano, demonstrando o insatisfatório envolvimento da Prefeitura para incentivar o turismo interno. Só que, como nós estávamos a passeio, preferi não me estressar. Afinal, o sábado foi feito para descansarmos de modo que até um cidadão consciente, às vezes, precisa cessar temporariamente com o seu ativismo social diante de fatos comuns do cotidiano ou de coisas que possam lhe trazer aborrecimentos.

Voltamos de trenzinho felizes com o passeio. Ainda no retorno, não deixei de me deliciar com aquela inesquecível paisagem em meio ao verde, dispensando também um tempinho para conversas com outros visitantes no local. Um casal de Curitiba, na estação do Corcovado, compartilhou conosco sobre a viagem turística que estavam fazendo ao Rio e nos deram informações a respeito de como ficou a região do litoral paranaense com a tragédia das chuvas do ano passado, lugar que visitamos em julho de 2001 quando fomos à paradisíaca Guaraqueçaba. Depois, quase na hora de desembarcar do vagão, fiquei conversando com um argentino sobre aspectos da mecânica do trem e terminamos falando mal dos nossos políticos latino-americanos que amam roubar o dinheiro público (eis aí uma boa semelhança com nossos hermanos). E nisto, já deveriam ser mais de 17 horas.

Às 18 horas, eu e Núbia já estávamos de volta ao Grajaú, graças ao transporte direto da linha de ônibus 422 que liga o nosso bairro ao Cosme Velho. Fomos até a casa de minha mãe. E, beneficiados com o horário de verão, comemos uma pizza marguerita por perto com o dia ainda claro. E assim encerramos o sábado satisfeitos pelo que experimentamos, mesmo sem termos levado a máquina fotográfica.




OBS: A ilustração acima e o vídeo do Youtube foram extraídos através da página da empresa responsável pelo trem do Corcovado em http://www.corcovado.com.br/index_por.html

“Curai os enfermos”

Ultimamente tenho pensado sobre os “dons de curar”, os quais podem ter se manifestado verdadeiramente nos primeiros momentos da história eclesiástica e no período bíblico.

Citando o Santo Irineu em seu livro Além de toda a crença, a historiadora Elaine Pagels trás informações de que os milagres talvez pudessem fazer parte do cotidiano da Igreja no século II ou, ao menos, integrassem os discursos dos primeiros padres:

“Curamos os doentes impondo as mãos sobre eles, e expulsamos demônios (...) Até ressuscitamos mortos, muitos dos quais continuam vivos entre nós e perfeitamente saudáveis”.

Ao comissionar os discípulos para uma espécie de estágio experimental, Jesus orientou-os a oferecer cura aos enfermos, o que consta no modo imperativo em alguns textos dos evangelhos:

“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10.8; ARA).

Novamente, após ter ressuscitado, Jesus dá a ordem evangelística aos seus seguidores (Marcos 16.15). Esta é acompanhada pela manifestação das atividades de cura, exorcismos e a fala de “novas línguas” (glossolalia?), além de uma proteção sobrenatural contra a ingestão de veneno ou picada de serpentes (versos 17 e 18).

Lendo os textos do Novo Testamento, podemos constatar que essas coisas teriam sido confirmadas tanto no ministério de Jesus quanto dos seus discípulos (ver livro de Atos dos Apóstolos). E, igualmente, nas passagens das Escrituras hebraicas (o Antigo Testamento), podemos encontrar profetas como Elias e o seu sucessor Eliseu agindo como canais de milagres para o povo de Israel, precedendo assim aos relatos dos Evangelhos.

Ainda criança, por absorver um pouco da visão do tradicionalismo católico (se bem que a minha família não era religiosa), eu aceitava os milagres de uma maneira muito restrita. Assistindo uns filmes sobre Jesus em épocas de feriados santos, a ideia que fazia era de que as curas de cegos e de paralíticos estivessem relacionadas à bondosa pessoa de Jesus por ele ser considerado Deus. Porém, como o Cristo da Igreja foi morto e, quarenta dias depois de sua ressurreição, “subiu aos céus”, meu pensamento era que as curas prodigiosas só ocorreram mesmo durante o curto tempo da encarnação.

Quando tinha 10 anos e estudava catecismo num colégio de freiras de Juiz de Fora para poder receber a “primeira comunhão”, a vovó materna tornou-se frequentadora assídua da Igreja Universal do Reino de Deus. Nas férias de meio de ano de 1986, ao passar umas semanas em sua casa no Rio de Janeiro, fiquei perplexo com as supostas cenas de curas e de exorcismos presenciadas nas reuniões da IURD. E ali foi-me apresentada uma outra ideia de milagres como sendo um acontecimento contínuo, amplo e igual aos tempos de Jesus. Deste modo, as curas propagandeadas pelo bispo Edir Macedo na rádio Copacabana pareciam manifestar-se poderosamente nos prédios dos antigos cinemas comprados pela seita, como se a igreja dele fosse a verdadeira.

Apesar de ouvir muitos “testemunhos de fé” sobre cura divina nos cultos e nas pregações da IURD, nada de especial ocorria comigo durante os momentos de “oração forte” aos quais me submetia junto com a vovó. Ao comando do pastor, eu colocava aos mãos sobre os olhos e aguardava ficar livre da miopia e dos óculos dentro de instantes. Só que nada acontecia e eu me sentia até rejeitado por Deus quando abria as pálpebras sem conseguir enxergar com nitidez os objetos e pessoas mais distantes de mi. Ficava então indagando por que outros recebiam as bençãos e eu não. E, na minha mente, considerava as hipóteses sugestionadas pelos líderes e mebros da seita de que estivesse "faltando fé" pra receber a cura.

De lá pra cá muita coisa mudou e fui amadurecendo espiritualmente, tendo me interessado bastante por estudar a Bíblia. Conheci o entendimento de outras igrejas evangélicas mais céticas às atividades de curandeirismo dos pentecostais e que, neste ponto, não se diferem muito do tradicionalismo católico. Fui pra uma igreja batista renovada que não aceitou os batismos católico e da IURD, de modo que passei pelas águas mais uma vez. E, recebendo uma sólida formação doutrinária ali, passei a aceitar a ocorrência de milagres nos dias de hoje, desde que condicionados à vontade divina e que se operariam em contextos levemente distintos daqueles vistos nos meios neo-pentecostais.

Recordo-me do dia em que a então missionária Valnice Milhomens visitou aquela igreja em que eu, desde os tempos da IURD, estava super ansioso para ser agraciado com o “batismo no Espírito Santo”, o que, por uns tempos, via até como um pré-requisito para a salvação. Na ocasião, orei ardentemente entre pessoas que se amontoavam e se apegavam umas nas outras. Aí, quando menos dei conta, estava eu deitado no chão como se uma força poderosa vindo de cima tivesse me derrubado. Nesta hora, uns irmãos vieram orar impondo as mãos sobre minha cabeça para que eu “falasse em línguas”. Só que não houve jeito, mas saí do culto sugestionado que teria recebido o tal batismo.

Semanas depois, fui duvidando daquela experiência no meu íntimo. Cheguei ao ponto de suspeitar que alguém do meu lado tivesse me movimentado enquanto orava na “busca do Espírito”, de modo que a tontura pudesse ter decorrido de uma situação indutiva sem nenhum acontecimento sobrenatural. E, por muito tempo, este questionamento colocou-me em conflitos com a minha fé de adolescente imaturo.

Não faz muito tempo, um jovem perguntou-me pela internet sobre o que consistiam as “línguas dos anjos” das quais Paulo se refere na epístola aos Coríntios (1Co 13.1).

Seriam tais línguas realmente um fato sobrenatural ou um modo de expressão usado pelo autor para escrever sobre o amor? Foi mais ou menos isto que ele quis saber conforme o teor da mensagem escrita em internetês:

“eu tenho duvida a respeito ao dom de linguas q paulo fala pq acredito q seja outro idioma pq paulo andou por varios lugares c idiomas diferentes pq acho q hashalabasuriancas eh viagem kkk e lingua dos anjos acredito q paulo fala metaforicamente + paulo fala q eh p edificaçao propria + como uma pessoa vai edificar a si mesma se ela mesma n entende o q ela fala? + paulo fala p a pessoa orar p interpretar e q a pessoa fala misterios a Deus tipo e Paulo fala q haja interprete p outras pessoas serem edificadas tipo acredito q ou seja uma parada mt sobrenatural ou eh um idioma jah existente, qual a sua opiniao em relaçao a isso?”

Respondi então ao rapaz com as palavras a seguir transcritas do meu Facebook, tendo alertado-o que, embora pudéssemos compreender melhor pela experimentação, eu duvido de muitas das manifestações que se vê por aí no meio pentecostal:

“Sinceramente não tenho muito a opinar sobre algo que careço de experimentação. Muita coisa sobre o cristianismo primitivo perdeu-se durante a história eclesiástica, assim como dos antigos hebreus (p. ex. o "transe profético" do livro de I Samuel). Existiu de fato uma "língua dos anjos" ou o autor de 1Coríntios fala apenas metaforicamente no cap. 13 sobre a excelência do amor? Não sabemos. Logo, restam-nos apenas inconclusivas hipóteses. Abraços.”

Voltando à questão da cura e refletindo sobre o que diz a Bíblia, eis que, no capítulo precedente ao amor, Paulo faz uma lista de dons espirituais concedidos por Deus. Ali, o apóstolo menciona os “dons de curar” e as “operações de milagres”, além da “variedade de línguas” e a “capacidade de interpretá-las” (ver 1Co 12.8-10), dando a entender que também são capacidades buscadas pelas próprias pessoas da congregação (verso 31a).

Ora, o que significa “procurar os dons espirituais”? E em que isto poderia ser aplicado em relação à ordem dada por Jesus para que os seus discípulos curassem os enfermos?

Sem dúvida que o emprego dos dons espirituais deve estar voltado para a satisfação das necessidades das pessoas pertencentes a uma comunidade eclesiástica. Tanto é que, no capítulo 14 da epístola, Paulo orienta os seus destinatários a buscarem o “dom de profecia” numa comparação com a utilidade (circunstancial?) das línguas. E o capítulo 13, situado entre os direcionamentos do 12 e do 14, esclarece sobre o contexto amoroso no qual as atividades espirituais devem ser desenvolvidas.

Mesmo sem experimentar ministerialmente os “dons de curar” faço aqui algumas suposições sobre o que vem a ser isto.

Estaria este dom relacionado à percepção ou ao diagnóstico do estado de saúde físico, mental e espiritual da pessoa enferma?

Por acaso o desenvolvimento de um dom de cura não teria mais a ver com a sensibilidade de quem se dispõe a promover a saúde total dos outros?

Pode-se dizer que, em suas origens, os estudos e práticas da Medicina sempre estiveram ligados à busca de explicações sobrenaturais, tal como fazia Hipócrates que viveu entre os anos 460 a 377 antes da era comum, assemelhando-se de certo modo com a percepção dos hindus e chineses. Antes dele, magos egípcios tentavam curar pessoas através de encantamentos e práticas baseadas na tradição empírica. E, na Bíblia, tem-se o diagnóstico da “lepra” pelos sacerdotes hebreus através da observação (ver capítulo 13 de Levítico).

Neste sentido, eis que, no começo da era cristã, mesmo com os relativos avanços obtidos pelos gregos sucessores de Hipócrates, a saúde humana ainda era relacionada com a fé nos deuses, com as bênçãos e maldições decorrentes da obediência aos preceitos religiosos, a prática de rituais, sacrifícios, uso de amuletos, etc. No próprio Judaísmo antigo, podemos constatar pela leitura bíblica de que a doença era encarada como uma situação decorrente do pecado. Tanto é que, no capítulo 9 de João, o autor mostra os discípulos perguntando a Jesus se a enfermidade de um cego de nascença seria decorrente de seu próprio pecado ou de seus pais. Já em outras situações descritas pelos evangelhos, tem-se uma ligação direta entre um assédio demoníaco e o estado de saúde do sujeito.

Felizmente a Medicina avançou muito. Tanto em termo de diagnóstico quanto aos métodos de tratamento hoje empregados. Desvinculado dos dogmas religiosos, o saber científico contribuiu para libertar a humanidade de terríveis preconceitos e das maneiras equivocadas de se lidar com os problemas. Porém, a grande maioria dos nossos doutores parece ter perdido aquela sensibilidade que poderíamos chamar de visão holística, alienando-se quanto à dimensão espiritual. E isto se vê claramente quando os médicos entopem os seus paciente de remédios. Principalmente os antidepressivos e drogas para aliviar dores ou inflamações.

Acredito que, mesmo nos dias de hoje, os “dons de curar” continuam tendo lugar na nossa sociedade, funcionando como uma respeitável leitura da realidade total com possibilidade de se harmonizar com a ciência. Pois, ajudar uma pessoa a tomar consciência da relação que há entre o seu modo de vida errado e a enfermidade pode significar a cura dos doentes como talvez acontecesse nos tempos bíblicos.

Logicamente que há muita enganação nos meios daqueles que dizem oferecer curas espirituais ou falam em “métodos alternativos”. Ainda mais quando a proposta está baseada na concessão de resultados imediatos ou em barganhas financeiras, criando expectativas em torno de uma ação mágica. Uns usam os nomes de Jesus, Maria, de anjos, entidades das religiões afro, cristais, energia cósmica ou “cirurgias” de espíritos “iluminados”. Porém, há sempre uma negação da graça nesses casos.

Lembrando o já citado versículo do Evangelho de Mateus, de graça nós recebemos e, de graça, devemos compartilhar. Logo, se o conhecimento foi dado graciosamente por Deus, o exercício dos dons de curar jamais deve ser transmitido em cursos com fins lucrativos, sendo que a transmissão de conhecimentos sobre cura precisa estar baseada no amor e buscando sempre o bem das pessoas da comunidade na qual nos encontramos.

Espero que a Igreja deste século XXI possa voltar-se com sinceridade e seriedade para estudos sobre a cura para que, deste modo, comece a oferecer aquilo que de alguma maneira pode ter sido parte integrante das boas novas de Jesus.


OBS 1: A ilustração acima retrata a cura de um cego feita por Jesus. Foi pintado com óleo sobre madeira, por volta da metade do século XVII, pelas mãos do pintor francês Eustache Le Sueur (1616–1655). A obra encontra-se na galeria de imagens do palácio de Sanssouci, situado em Potsdam, Alemanha.

OBS 2: Este texto de minha autoria foi inicialmente publicado no blogue da Confraria Teológica Logos e Mythos em http://logosemithos.blogspot.com/2012/02/curai-os-enfermos.html

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Josué, o filho de Maria

Josué até então não voltara a sentir admiração pela sua mãe Maria Aparecida cujo nome de guerra era Lolita.


O NASCIMENTO DE JOSUÉ

Ora, o nascimento de Josué foi assim...

Tendo Maria perdido a virgindade aos 12 com um poderoso fazendeiro da região, ela foi expulsa da cidade por seu pai e também pelo padre local afim de que não restassem vestígios dos pecados cometidos pelo coronel. Ninguém acreditou na versão de abuso sexual contada pela pobre menina. O delegado não a ouviu considerando “fantasioso” o relato e talvez este tenha sido o principal motivo pelo qual uma cafetina da capital da província a levou, atendendo uma sugestão do prefeito nas horas em que a criança ainda vagava aos prantos pela estrada com sua boneca na mão. Sua “mãe” nada fez.

Sob os cuidados da nova “mãe”, Lolita foi instruída na arte de seduzir e de satisfazer homens. Em pouco tempo, virou a principal atração do bordel. Dentro de um ano, passando de braço em braço, tornou-se a preferida de um influente deputado. E, tendo dele engravidado, apesar de todos os cuidados, mandaram-na abortar porque o homem era casado e muito bem respeitado.

Amedrontada e desejando proteger a vida que no ventre carregava, a desaparecida Maria decidiu pegar carona com José, um amigo caminhoneiro e frequentador de outras meninas menos procuradas da casa, as quais vieram festejar sua fuga para terem de volta a clientela. Então, com cinco dias e meio de viagem, Aparecida chegou ao Rio de Janeiro, cidade onde jamais imaginava conhecer.

Vivendo agora numa favela e morando num barraco de madeira de frente para a imagem do Cristo Redentor com os seus braços sempre abertos, Lolita não se sentiu amada e respeitada pelo motorista que viera a se tornar o seu primeiro e último companheiro. Depois de ser agredida, ameaçada e várias vezes humilhada, já que faltavam vagas para ela nos orfanatos da Igreja, a adolescente procurou abrigo na casa de encontros da dona Ivete, sua terceira “mãe”. Ali, no meio de meretrizes profissionais e de travestis nasceu Josué.


A INFÂNCIA DE JOSUÉ

Mesmo sendo mãe muito nova, antes dos 15, Maria resolveu não seguir os conselhos das amigas sobre dar o filho para outra família criar. Muitos eram os meninos e meninas que, naquela época, serviam de mão-de-obra quase que escrava para a gente rica dos subúrbios carioca. Aparecida, contudo, decidiu não seguir os caminhos de seus pais e fez de tudo para cuidar do filho, omitindo sempre dele e de todos a verdadeira identidade do seu inescrupuloso pai.

Com o dinheiro que Lolita ganhava no bordel, ela sustentou Josué dando-lhe roupas, comida e remédios. Porém, quatro anos depois do menino entrar na escola, cuja mensalidade lhe custava mais do que a das outras crianças, Maria Aparecida foi demitida da casa onde trabalhava pela sua terceira “mãe” sem nenhum direito trabalhista. Um acidente no rosto tornava de pouco valor uma puta com 24 anos e ela não quis tentar a sorte com outras prostitutas no mangue para atender os clientes pobres sem adequadas condições de higiene.

Apesar de tudo, o menino sempre foi amado e querido pela sua mãe, ainda que nenhum afeto fosse capaz de superar as dores causadas pela discriminação de ser o filho de uma meretriz. Desempregada e sem nenhuma instrução, Maria retornou para a favela com Josué onde alugou outro barraco de madeira sem água encanada. Graças à indicação de uma vizinha idosa, dona do terreno onde estava construída sua residência, Cida conseguiu trabalho sem carteira assinada num apartamento na Zona Sul e ela não teve outra alternativa senão deixar Josué em casa sem nada para fazer.


O BATISMO E O MINISTÉRIO DE JOSUÉ

Cansado de tomar banho de balde e desejando uma vida melhor e diferente de sua mãe, Josué aproximou-se do padre da igreja onde costumava jogar futebol com outros meninos da favela. E, tendo o sacerdote notado a inteligência e o interesse religioso do menino, batizou-o com água na cabeça em nome da Santíssima Trindade, persuadindo-o a ingressar num seminário católico.

Respeitando a vontade do filho, embora muito triste, Cida despediu-se de Josué fazendo um simples bolo de fubá com o dinheiro da passagem de ônibus do dia seguinte. Porém, o menino nada comeu visto que estava embriagado com os doces que o padre comprava para ele na padaria com parte das ofertas arrecadadas pela paróquia. Então, saindo de estômago vazio, mas com o coração cheio de orgulho, Josué fez as malas sem nem ao menos dar um beijo naquela que fora muito mais do que sua genitora, tendo acenado somente com o olhar.

A religião ainda iria azedar mais a relação entre o filho e a mãe. Aprendendo no seminário que o discípulo de Cristo deveria deixar a família para receber as recompensas de um suposto reino celestial, Josué resolveu cortar todos os laços com seu passado. Foi para Minas Gerais estudar sem dar nenhum aviso, tornando-se depois padre de uma cidadezinha interiorana, tão hipócrita quanto à terra semi-árida de Maria com suas grandes injustiças sociais.

Uma década e meia depois, Aparecida soube onde se encontrava o filho ao assistir uma notícia na TV do boteco onde então trabalhava. Vendeu metade das férias ao patrão e, com o adiantamento, embarcou num ônibus para o estado onde nascera Tiradentes, carregando no prato um outro bolo de fubá. Chegando ao destino, procurou por Josué, mas ele não a recebeu. Com arrogância, o padre mandou ao sacristão que despedisse sua mãe e a conduzisse até à rodoviária da cidade com um bilhete. No papel havia apenas uma citação bíblica do verso 35 do capítulo 3 do Evangelho de Marcos:

“Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Aquela dor causada no coração de Maria seria capaz de superar qualquer parto. Sentiu-se como a sua xará judia quando viu o corpo do filho morto na cruz pelos soldados romanos. Pois era como se Josué tivesse decidido morrer para ela, estando totalmente incapaz de reconhecer o amor materno.

Porém, ainda assim, Aparecida jamais desistiu de arrancar Josué do madeiro eclesiástico. Sempre que encontrava o grosseiro caminhoneiro que a trouxera para o Rio de Janeiro, pedia-lhe que enviasse notícias suas ao filho por intermédio de outros motoristas que viajavam pra Minas.

E assim o tempo passou. Mãe e filho, que não tinham tanta diferença de idade, envelheceram. Ela sempre lhe mandava recados sem respostas, os quais eram sempre transmitidos ao amoroso sacristão da paróquia, ou então por telefone para uma simpática freira, a qual havia dado o número para o caminhoneiro que viera a mando de Maria. Enquanto Josué levava uma vida asceta e amarga, averso a tudo o que lembrasse sexo e tentando se destacar no serviço da Igreja, Maria tentava se contentar em apenas saber que a saúde do fruto de seu ventre ia bem, passando a compreendê-lo melhor.


O DESPERTAMENTO DA PAIXÃO MATERNA DE JOSUÉ

Um certo dia, o padre Josué sentiu-se muito decepcionado com a religião e a nova mãe que escolhera – a Igreja. Um outro sacerdote da castidade duvidosa, por ser cantor bem popular, filho de uma família influente de Minas e amigo do bispo, foi promovido em seu lugar na hierarquia eclesiástica. Triste, Josué não se conformava pela desvalorização de seu trabalho duro nas paróquias mineiras já que fora preterido em razão do vergonhoso marketing religioso dos católicos na concorrência com os evangélicos pelo mercado de crentes. Surpreendido com a notícia, prostrou-se no altar com o templo de portas fechadas e ali ficou por horas.

Naquele mesmo instante, o telefone tocou. A jovem freira que lhe auxiliava atendeu e veio trazer a notícia ao padre. Era um recado sobre dona Aparecida que se encontrava gravemente acamada em sua casa na favela. Sua mensagem foi bem curta e dizia:

“Meu filho, se não puder me visitar, responda-me ao menos que sim ou que não e eu entenderei.”

Emudecido, Josué sentou-se nas escadas do altar e a madre, conhecendo a história secreta do sacerdote, apenas lhe disse:

- “Vá e cumpra o quinto mandamento honrando sua mãe. Creia que a Virgem vai se alegrar lá no céu ao lado do Senhor Jesus”.

Antes de escurecer, Josué foi para o Rio de Janeiro sem batina e dirigindo um automóvel do convento, chegando lá nas primeiras horas da manhã. Dona Aparecida com seus cabelos todos branquinhos e magérrima, estava em seu leito esperando o filho com um bolo de fubá sobre a mesa, feito desta vez com a ajuda da filha da vizinha. Josué entrou na casa e foi logo reconhecido pela mãe:

- “Meu filho, que bom você ter vindo! Coma uma fatia do bolo.”

- “Como soube de minha chegada, senhora?”

- “Uma amiga de Minas me contou. Sente-se e me dê um abraço.”

José beijou secamente sua mãe e esta segurou firme no braço do filho apesar da pouca força. Pelo intervalo de quase meia hora, ambos permaneceram mudos, olhando um pra cara do outro.

- “Estou morrendo, José.”

- “Não diga isto, senhora.”

- “Sinto que o meu momento é chegado e sou grata à vida por ter conseguido aguentar até você chegar.”

- “Não fale bobagens, senhora! Tenha um pingo de fé nesta hora em que lhe darei a extrema unção para que seja salva.”

- “Meu filho, por favor não faça isto comigo. Ao invés de rituais, falemos de coisas sinceras, reais e que tenham a ver com a nossa vida. Saiba que o meu amor por você sempre foi sincero”

- “Bem, senhora, já que é pra falarmos de coisas reais, então me diga olhando dentro de meus olhos contando quem é meu pai? Onde ele está?! Quero conhecer a verdade a meu respeito!”

- “Meu filho, se você ainda tem um pingo de caráter, certamente não gostará de saber quem foi seu pai e nenhum de seus avós. Nem do meu lado e muito menos do dele. E estão todos mortos e enterrados agora.”

- “Eu imploro, senhora. Diga-me quem foi este homem que sempre escondeu de mim! Era o caminhoneiro que te trouxe do Piauí ao Rio de Janeiro? Ou foram muitos os amantes que usufruíram de seu corpo sujo de pecados a ponto da senhora nem poder saber? Lamentavelmente a senhora só me decepcionou. Tenho vergonha de ter nascido de você!”

Com as emoções fora do controle por causa das duras palavras ditas pelo filho, Maria resolveu responder:

- “Seu pai, Josué, é o genitor deste político corrupto que hoje é sanador e candidato à Presidência do país, em primeiro nas pesquisas. Quando fomos apresentados, seu pai era deputado estadual e tinha mulher e filho. A família dele era de autoridades bem influentes no estado de onde vim. Quiseram que eu abortasse para não manchar o nome deles. Aí conheci o Zé e com ele fugi para o Rio...”

Nesta hora, Maria começou a tossir e a sentir falta de ar com sinais de que estava infartando. Josué gritou:

- “Minha mãe!”

- “Meu filho! Eu te amo e perdoo! Tenho orgulho porque veio até aqui e disse tudo o que pensava a meu respeito.”

Desesperado, José levantou-se e começou a pedir socorro aos vizinhos. Tentou ligar para o 192 do seu celular, mas o telefone estava fora de área por causa do relevo acidentado da favela que dificultava o sinal de pegar. E, impotente diante daquela situação, vendo-a dar seu último suspiro, não lhe restou outra opção a não ser voltar-se para a sua mãe a começar a beijá-la incessantemente.

- “Também te amo, mãezinha. Por favor, não vai!”

E assim mãe e filho despediram-se, tendo ainda muita coisa para ser dita de um para o outro. Maria Aparecida morreu.


A RESSURREIÇÃO ESPIRITUAL DE JOSUÉ

Ao velório de dona Maria Aparecida compareceram muito padres e religiosos para prestarem solidariedade a Josué. Inclusive autoridades eclesiásticas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Desta vez, ao contrário das ocasiões anteriores, Josué não se envergonhou de sua mãe. Comeu a fatia do bolo de fubá que estava sobre a mesa junto com um copo de guaraná e pediu para que um frei amigo seu rezasse uma missa no dia seguinte antes do enterro, concedendo-lhe a palavra por uns instantes. Assim, Josué fez o seu último discurso como padre:

- “Conta uma lenda do Talmude babilônico que o nosso Senhor Jesus Cristo não teria sido concebido sobrenaturalmente, mas sim teria nascido por causa de um estupro. E procurando dar algum significado a esta crítica judaica ao cristianismo, fico imaginando os soldados romanos invadindo a pobre aldeia de Nazaré em que um deles teria violado o corpo de Maria contra a sua vontade. Depois disto, o homem saiu dali e se tornou senador de Roma ou procurador de alguma província...”

Furioso, o bispo olhou fulminantemente para Josué rangendo os dentes e ameaçando se levantar. Mesmo assim, percebendo a reprovação do seu superior, ele prosseguiu na fala:

- “Fico imaginando Maria sendo expulsa pelos pais, com o noivado rompido e tendo que fugir para o Egito afim de proteger o fruto de seu ventre daqueles que queriam tirar a vida do menino por razões morais ou políticas. E, sem José, fica evidente que não restaria outra alternativa para uma jovem judia daquela época senão prostituir-se pelas ruas de Alexandria...”

Indignado, o bispo interrompeu o padre Josué, acusando-o de blasfêmia e de insanidade. Depois, retiraram-se todos dali, permanecendo apenas o padre mais chegado a Josué e os amigos de Maria Aparecida que escutaram-no até o final em suas conclusões:

- “Meus irmãos. Apesar de não ser provada esta história do Talmude e a religião cristã não reconhecê-la, exceto se for para usá-la como confirmação da alegada existência de Jesus até hoje sem provas científicas, resolvi dar a ela um novo significado. Pois imaginemos que, por hipótese, esta tenha sido a versão verdadeira do nascimento de Jesus. Neste caso, é certo pensar que Maria perdeu a sua dignidade apenas porque deixou de ser virgem e precisou se prostituir para sustentar o filho? Pois hoje reconheço que a minha mãe foi uma guerreira tão combativa quanto as inúmeras Marias existentes neste nosso pobre país. E aí pouco me importa ou não se Maria concebeu Jesus sobrenaturalmente ou se foi virgem o resto da vida. Mas tem valor o fato de que ela sempre se preocupou com o bem estar do filho a ponto de impedi-lo de prosseguir em seu ministério que, certamente, só iria levá-lo à cruz, como nos contam os evangelistas. Por isso, hoje peço perdão aos céus por ter me envergonhado de minha mãe e me afastado de seu convívio até à velhice.”

Todos os convidados que permaneceram no velório aplaudiram de pé o discurso de Josué enquanto que os demais padres ficaram do lado de fora com o bispo discutindo o que fazer acerca daquele episódio escandaloso.


A ASCENSÃO DE JOSUÉ

Suspenso por tempo indeterminado de suas funções pela cúpula da Igreja Católica e proibido de pregar em público, Josué resolveu deixar o ministério religioso e ir morar no barraco onde sua mãe residia ao invés de apelar pro papa. Retornou à paróquia em Minas Gerais só para buscar os seus pertences, tendo nesta ocasião encontrado a freira e o sacristão muito tristes.

- “Irmão, iremos contigo pra favela”, disse a freira.

- “Mas eu estou deixando a igreja em definitivo, minha irmã.”

- “Não importa! Seguiremos a Cristo de um outra maneira sem sermos mais religiosos.”

- “E eu serei o seu discípulo”, complementou o sacristão.

Olhando para os dois com ternura, Josué lhes orientou:

- “Amigos, vocês ainda são jovens. Eu estou velho. Se estão dispostos a deixar a vida religiosa, retornem para seus pais. Cumpram a missão de vocês ao lado de seus familiares. Não se isolem da sociedade e procurem o casamento.”

- “José, eu quero casar com você”, declarou a freira.

- “Não faça isto, minha filha! Estou bem idoso e não posso te oferecer nada mais do que um relacionamento platônico. Neste caso você já tem um esposo melhor do que eu que é Jesus Cristo. Joguei fora o vigor da minha juventude trancando-me num seminário por não querer lidar com as minhas culpas, recalques, frustrações e transtornos emocionais. Agora vou seguir meu rumo e transmitir ao mundo as boas novas do esclarecimento e da inclusão social que só aprendi agora na velhice. Vão em paz e sigam a Deus no coração de vocês livres das amarras da religião! Aliás, os dois formariam um casal perfeito. Uma pena não poder contar o que este rapaz [o sacristão] falou-me sobre seus sinceros sentimentos no confessionário...”

Depois desta, o sacristão casou-se com a freira e ambos vieram a fundar uma ONG escola para educar crianças de condição humildade. Depois o ex-padre Josué veio a se juntar a eles no desenvolvimento de um projeto para a educação e conscientização de mulheres envolvidas com a prostituição através de aulas gratuitas de supletivo que eram lecionadas em horário especial. Todos os anos, era ele quem dava a palestra inaugural na abertura do novo período letivo, ensinando todos a viverem eticamente dentro da sociedade com ênfase na preservação da família.

Assim, Josué não foi abandonado na velhice, tendo ganhado uma nova família. Depois disto, ele ainda viveu por uma década, alcançando quase a idade de sua mãe ao desencarnar já que a diferença de idade não era tanta entre os dois.


OBS: A ilustração acima trata-se do célebre quadro La Nativité pintado pelo artista italiano Lorenzo il Vecchio Costa, o qual viveu entre 1460 e 1535. No caso, apaguei propositalmente a figura de José para tornar a imagem condizente com o texto. Informo que o material foi colhido atravé da Wikipédia, tratando-se de uma obra de domínio público e, portanto, livre de direitos autorais. Segue o endereço do site de onde extraí a gravura: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Nativit%C3%A9_de_Costa.jpg

O retorno do blogueiro

Até que enfim consegui resolver a instalação da internet em minha nova velha casa aqui no Rio!

A demora não foi culpa das empresas, mas sim por minha causa exclusiva. Achei por bem tirar férias nos dias do recesso forense viajando para o município de Mangaratiba. Absorvi-me tentando resolver as coisas necessárias relativas à mudança de Nova Friburgo pra cá e, para o bem ou para o mal, acomodei nesta situação, ficando mais tempo na casa da sogra, em Muriqui, do que no Rio durante esse mês de janeiro.

Ontem 31/01/2012 (cerca de 50 dias depois de ter me estabelecido na Cidade Maravilhosa), os caras da NET vieram instalar internet com 10 megas mais telefone. Eu havia solicitado o serviço no domingo, quando liguei para o 4004-8844, e confesso que demorei um pouco para me libertar do argumento marqueteiro da Oi de que o meu número telefônico se tratava de “uma boa linha”. Então, só depois de consultar as condições e preços das concorrentes, tendo feito uma análise adequada às minhas necessidades reais, é que resolvi ficar com a NET.

Incrível que, em menos de 48 horas, a NET veio bater na minha porta! Só que, como bem sabemos, nem tudo são flores. Depois dos instaladores terem colocado o modem retangular cheio de pontinhos luminosos e que mais parece uma torre, ainda assim a internet não pegou de imediato. Precisei abrir a minha primeira reclamação como cliente em cerca de uma hora, fazendo uma chamada para a central de atendimento. E, sendo um consumidor cascudo das empresas de telecomunicações, não hesitei em falar com o 106-21.

Na mesma tarde de ontem, um outro funcionário da empresa chegou aqui antes das 18 horas. Ajustou o modem e mexeu na configuração da rede no computador. Oferecemos cafezinho, mas ele não aceitou. E, dentro de alguns minutos, o serviço passou a funcionar normalmente, sendo que fui logo resolvendo coisas de utilidade mais imediata: acesso às publicações da OAB, emails recebidos recentemente, impressão de pagamentos bancários de contas feitos via telefone, consulta aos processos no site do Tribunal de Justiça do Rio e a confirmação de novos contatos virtuais no Facebook.

Durante esses dias de acesso restrito ao computador, nos quais andei entrando no blogue pelas barulhentas lan-houses e na tumultuada casa de minha mãe, escrevi bastante textos nos meus dois caderninhos de rascunho. Mas agora, com internet em casa, pretendo ir digitando e liberando aos poucos as mensagens escritas neste período, respeitando a paciência dos leitores e o meu tempo que continua bem comprometido ainda. Logo, não vai dar pra estar aqui sempre e nem restabelecer de imediato o mesmo ritmo de visita aos blogues dos amigos como costumava fazer antes.

Dentre os textos que digitei, estão reflexões filosóficas, espirituais, políticas e o compartilhamento de experiências recentes nas semanas que sob certo aspecto posso chamar de férias. E tem também mais uma historinha que escrevi numa inspiradora manhã quando estava na casa da sogra nesse mês de janeiro que acabou de acabar.

Aguardem novas postagens!


OBS 1: Chamei minha atual residência de “nova velha casa” porque já morei aqui com a minha finada avó paterna entre o final da década de 80 e o comecinho dos anos 90.

OBS 2: A imagem do logotipo da NET parece ter caído no domínio público, de modo que eu a capturei num outro blogue chamado Idade Certa. Não acho que a alta diretoria da Embratel vai se importar pelo uso espontâneo de sua logomarca num simples blogue como o meu. Afinal, não estou falando mal deles e nem recbendo para fazer propaganda. Porém, caso pisem na bola amanhã, eu meto o pau! Também, se me pedirem pra tirar o logo daqui, não tem problema. E, para manter a transparência, informo que a fonte da ilustração encontra-se neste interessante artigo cuja leitura eu recomendo: http://www.idadecerta.com.br/blog/?tag=sky

domingo, 22 de janeiro de 2012

Volta pra Deus, Brasil!

São ricas as passagens bíblicas em que os profetas de Israel exortam o povo a se voltar para Deus. Trata-se da ideia do Teshuvá, o retorno ao caminho certo.

Quase três milênios depois em que as vozes de Isaías, Jeremias, Oséias, Zacarias e outros corajosos homens clamaram pelas estradas e vilas do antigo Israel, a mesma mensagem de apelo ao arrependimento (individual e coletivo) permanece tão atual como naqueles tempos da Bíblia. E se extende a todos os povos do nosso planeta já que o projeto divino é universal.

Tanto as pessoas devem se voltar para Deus, como também a nossa nação! Precisamos deixar a corrupção, o conformismo, a omissão nas questões sociais, o desmatamento das florestas, o desenvolvimento predatório e a violência em todas as suas formas.

Seguindo o exemplo dos profetas e de Jesus, desejo que novos evangelistas se levantem neste país e, com coragem, anunciem as boas novas da paz e do bem tal como diz o texto de Isaías 52:7. Falo de pregadores que, ao invés de fazerem proselitismo religioso ou falsas promessas de enriquecimento imediato, convoquem a nação para um arrependimento coletivo e denunciem abertamente os graves problemas que afligem o pobre, o deficiente físico, a criança, o idoso e o meio ambiente.

Para encerrar esta breve mensagem, compartilho uma excelente música de Asaph Borba - "Volta pra Deus, Israel".

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Blogueiro de Férias

Certamente que os meus leitores mais assíduos, e que costumam comentar as mensagens deste blogue, devem ter notado a minha ausência por estes dias.

Mudei-me de cidade no dia 11 de dezembro e ainda não me preocupei em instalar a internet na nova residência. Desde então, fiz alguns acessos à rede na casa de minha mãe até às vésperas do Natal e, em 27/12, viajei pra Muriqui, distrito de Mangaratiba (RJ). E, como na casa da sogra não tem computador, resta-me procurar os serviços das lan-houses na sede do município ou em Itaguaí. Isto porque não encontrei nenhum local de acesso público à internet na localidade onde estou veraneando.

Por um lado, é ótimo ficar sem internet em casa. Pelo menos por uns tempos. Pois assim agente fica mais disponível para passear, caminhar junto à natureza, conforme fiz na manhã desta quarta-feira (04/01), ir à praia, estar com a família (não apenas de corpo presente), molhar as plantas no quintal e até mesmo assistir um pouquinho de TV.

Nesta primeira terça-feira do ano (03/01), aproveitei para registrar uma denúncia contra a concessionária AMPLA no site do Ministério Público quando estive em Itaguaí. O motivo é que, em Muriqui, só existe uma opção para pagamento da fatura de energia elétrica – a agência dos Correios. Se o sistema da ECT não está funcionando, o consumidor é obrigado a viajar até Mangaratiba ou Itaguaí pra não ficar inadimplente (caso ele não pague pelo telefone, internet ou no auto-atendimento do Bradesco).

Assim, até que tenho tentado descansar, mas nem sempre consigo. No dia que viajei do Rio de Janeiro pra cá, eu e minha esposa precisamos arrumar um escândalo na rodoviária Novo Rio porque a empresa Costa Verde Transportes não estava deixando agente embarcar com a nossa gata de estimação Sofia. Deitei então na frente do ônibus e também acionei o DETRO, sendo que o problema só veio a ser resolvido com a chegada da fiscalização meia hora depois do horário previsto para a partida do terminal. Entramos no veículo aplaudidos pelos demais passageiros.

Pouca gente sabe, mas viajar com o animal de estimação é um direito do consumidor! Algo que, em alguns estados, a exemplo do Rio Grande do Sul, já está sendo disciplinado por lei. Porém, no meu entender, nem há necessidade de previsão legal. Pois, desde que o bicho esteja devidamente vacinado, com o atestado válido do veterinário e acomodado numa gaiola adequada, entendo que em hipótese alguma a empresa pode impedir o embarque.

Ainda pretendo retornar ao assunto sobre viagens com animais aqui no blogue. Só que, nesta semana, estou curtindo os meus últimos dias de férias garantidos pelo recesso judiciário (período entre 20/12 a 06/01 em que a Justiça pára no Brasil) em que os prazos processuais ficam suspensos. Nesta próxima segunda (09/01), tentarei voltar com a esposa e a gata pela mesma empresa Costa Verde e temo que eu vá acabar tendo problemas conforme o e-mail de resposta da mensagem enviada para o SAC deles no dia 03/01. E, de qualquer modo, vou ter que viajar pro Rio na referida data porque, na terça-feira (10/01), já tenho atividades laborais agendadas logo pela manhã. Portanto, o melhor a fazer é aproveitar intensamente o momento já que as férias de advogado autônomo duram muito pouco e tenho bastante coisa pra estudar pro concurso do Tribunal de Justiça do Rio.


OBS 1: Como blogueiro e facebookeiro, talvez eu raramente possa acessar a internet até que os cabos sejam instalados no apartamento onde estou morando no Grajaú, Zona Norte do Rio. Ao retornar, inevitavelmente vou precisar da rede de computadores, sem a qual não consigo acessar as minhas publicações e emails profissionais. Afinal, vou ter que acompanhar, através da ajuda de um colega, cerca de vinte processos lá de Nova Friburgo onde morava há menos de um mês. E hoje em dia fica bem difícil comunicar sem a internet e seus recursos de digitalização de documentos, consulta ao andamento das ações, etc. Caso em consiga passar no concurso para o Tribunal de Justiça (TJ), cujas provas estão previstas pra março (edital saiu recentemente), terei que deixar e, em compensação, ganharei 30 dias de férias conforme ainda garante o Estatuto dos Servidores do Estado.

OBS 2: A foto acima foi extraída do site da Prefeitura de Mangaratiba na internet. Desta vez, não trouxemos nossa máquina...