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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

O fim de uma longa República



Há exatos 2.052 anos, mais precisamente em 16 de janeiro de 27 a.C., Caio Júlio César Otaviano recebia o título de Augusto pelo Senado romano, marcando o início do Império Romano e o fim da República que existia desde o século VI a.C. 

Res Publica Romana foi um período da antiga civilização romana em que o governo operou exatamente como uma república. Começou com a queda da monarquia, tradicionalmente datada cerca de 509 a.C., e sua substituição pelo governo chefiado por dois cônsules, eleitos anualmente pelos cidadãos e aconselhados pelo Senado. 

Pode-se dizer que, ao longo de todo aquele tempo, uma complexa constituição gradualmente foi desenvolvida, centrada nos princípios de uma separação dos poderes e de freios e contrapesos. Exceto em tempos de terrível emergência nacional, ofícios públicos foram limitados por um ano, de modo que, em teoria ao menos, nenhum indivíduo pudesse exercer o poder absoluto sobre seus concidadãos.

Entretanto, no século I a.C., a República de Roma foi passando por sérias turbulências e tentativas de golpe. Antes mesmo de Júlio César, tio de Augusto, ter se tornado um ditador, outros conspiraram. Conforme relatei no texto Um célebre orador que defendeu a República romana contra um golpista da sua época..., de 05/12/2024, Lúcio Sérgio Catilina, um militar da Roma Antiga, já havia tentado derrubar o poder do Senado em 63 a.C.

Certo é que, antes de Augusto se tornar imperador, ele e dois outros militares já haviam dividido entre si a República, durante o Segundo Triunvirato, e governado como ditadores. E, com o fim do Segundo Triunvirato, em 33 a.C., Augusto restaurou a fachada externa de república livre, com o poder governamental investido no senado romano, os magistrados executivos e as assembleias legislativas. 

Fato é que, na prática, Augusto manteve seu poder autocrático sobre a República como um ditador militar, embora atuando como cônsul. Por lei, reteve um conjunto de poderes atribuídos vitaliciamente pelo Senado, incluindo o comando militar supremo e aqueles de tribuno e censor. 

Ora, quando os senadores concederam-lhe os novos títulos de augusto e príncipe, na verdade estavam assassinando a própria República. 

Vale esclarecer que o nome Augusto vem da palavra latina augure que significa "aumentar", podendo ser traduzido como "o mais ilustre", e se tratava de um título de autoridade mais de cinho religioso que político. Segundo as crenças romanas, o nome simbolizava uma marca de autoridade sobre a humanidade.

A partir de então, Augusto foi aumentando mais e mais o seu poder tornando-se de fato um imperador com autoridade sobre todos os administradores do vasto território conquistado por Roma. Até a função de magistrado ele conseguiu acumular de maneira vitalícia ao longo de seu reinado, buscando preencher os vácuos de poder que ainda pudessem lhe causar algum tipo de limitação.

Certamente que o expansionismo militar de Roma e a prosperidade alcançada proporcionaram ao imperador a estabilidade para que a civilização romana abrisse mão de seus valores republicanos, tendo o seu reinado durado até o dia 19 de agosto do ano 14 da era cristã. A essa altura, uma nova geração de jovens romanos, que não conheceram outra forma de governo distinta do principado, já dificilmente iria sonhar com um restauro da República.

Podemos dizer que o período imperial durou por cerca de 500 anos, sem que nunca mais a República fosse restaurada pelos senadores romanos, apesar das crises sucessórias que ocorreram ao longo do tempo e as mudanças de dinastias. 

Ocorre que jamais devemos nos esquecer das lições da História!

Dentro de quatro dias, na maior potência do planeta, tomará posse como 47º presidente dos Estados Unidos o empresário e político de extrema direita Donald Trump. Tendo obtido uma vitória bem expressiva nas eleições de 2024, o seu retorno à Casa Branca representa um grave risco para as democracia do seu país e para a soberania de outros países como Panamá e Dinamarca.

Penso que o momento atual de declínio da democracia nos EUA e no mundo pode ser de algum modo comparado com o fim da República de Roma posto que há um grave risco de que, semelhantemente a Putin, Orbán e o esquerdista Daniel Ortega da Nicarágua, Trump também tente mudar as regras do jogo político. Afinal, os aspirantes a autocrata sempre pisam mais fundo no acelerador da segunda vez que ascendem ao poder, devendo ser levado em conta a erosão institucional obtida no primeiro mandato somada à experiência acumulada e ao capital adicional advindo de uma segunda vitória.

Fiquemos atentos!


OBS: Imagem da estátua Augusto de Prima Porta, descoberta em 20 de abril de 1863 na Villa de Augusto, Prima Porta, Roma, a qual se encontra atualmente no Vaticano.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Escreva sua história!


"Eu nasci assim, eu cresci assim
Eu sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela, sempre gabriela (...)"

(Dorival Caymmi)


Muitas das vezes ficamos tristes porque diante de nós há uma montanha. Olhamos para o obstáculo que existe em nossas vidas, desanimamos e aí desistimos de tudo, inclusive de nós.

Uma das piores coisas é alguém achar que nada tem jeito e que jamais sua vida mudará. Trata-se da "síndrome de gabriela", quando compreendida sob este ponto de vista.

Aceitar que as coisas não podem ser mudadas acaba servindo de auto-justificativa para o comodismo. Torna-se uma maneira ao mesmo tempo fácil e difícil de encarar a vida. Digo fácil porque quem diz para si que as cosias não mudarão está optando hoje pela falta de ação diante de um problema. Porém, como consequência da infeliz escolha, a colheita de amanhã poderá ficar bem mais difícil.

Não temos que deixar os outros construírem a nossa realidade. Com exceção da vontade divina que é soberana, os acontecimentos externos não podem determinar como será o nosso futuro.

Ora, o Criador nos deu uma caneta diante de uma folha em branco. O papel é a nossa vida que pertence ao Eterno e a esferográfica representa o nosso poder de decisão dado por Ele. E, mesmo sendo o Todo Poderoso, em momento algum Deus tira de nós a caneta, exceto quando já não há mais papel para escrevermos.

Em seus livros, o terapeuta e escritor Augusto Cury ressalta sobre a importância de sermos autores de nossa própria história. Alguns temas escolhidos por ele para suas obras de auto-ajuda ilustram este pensamento tais como "Revolucione Sua Qualidade de Vida", "Seja Líder de Si Mesmo" e "Treinando a Emoção para Ser Feliz". Porém, os que eu mais aprecio são os cinco exemplares da "Coleção Análise da Inteligência de Cristo", tidos como um best-seller, onde o autor desenvolve suas teorias através de uma abordagem do lado psicológico e comportamental de Jesus.

De fato, Jesus foi livre nas suas escolhas e ninguém neste mundo o moldava. O Mestre dos mestres não era governado por suas emoções, mas desenvolveu a capacidade de refletir antes de tomar cada atitude. Embora pudesse ter todos os motivos para desenvolver um quadro de ansiedade ou de depressão, o Mestre da sensibilidade transmitia alegria, liberdade e segurança aos seus ouvintes. O julgamento injusto não flexibilizou o jeito de ser do Mestre da vida que, utilizando-se do silêncio, de poucas palavras e de seus olhares, gerou grande perplexidade nas pessoas. No auge da dor, quando esteve pregado na cruz, o Mestre do amor conseguiu manifestar o incondicional amor de Deus pela humanidade ao orar para que seus adversários fossem perdoados. E, com seus exemplos incomparáveis, transformou as mentes e os corações de seus discípulos (homens simples e despreparados), tornando-se o nosso Mestre inesquecível.

Em seu texto "Somos a causa e não o efeito", quando escreve acerca do poder do voto, o pensador cabalista Yehuda Berg diz que:

"(...) Tudo na sua vida é de sua responsabilidade. Quando nós não agimos proativamente diante de uma determinada questão, algo em nossa alma se fecha; nós nos tornamos abertos para a depressão, raiva e engano. Em outras palavras, nós acabamos sendo efeitos da situação. Este é o momento mais importante do ano para estar consciente de nosso poder de nos tornarmos a causa em cada aspecto de nossa vida (...)"

De 2006 para cá, divulgou-se intensamente pela internet um vídeo chamado "O segredo" que se tornou depois um filme. A mensagem teve como foco a "lei da atração", uma ideia que já havia sido exposta há mais de um século pelo escritor norte-americano Wallace Delois Wattles (1860-1911), autor do livro "A Ciência para ficar Rico". Várias pessoas então se sentiram entusiasmadas com o que ouviram. Só que, pouco tempo depois daquela grande divulgação sobre o "segredo revelado", uma boa parte do público já se encontrava frustrada e procurando cegamente um sentido para viver. Alguns até foram capazes de mudar hábitos e a maneira de encarar situações, mas ainda assim continuaram carentes de uma motivação maior, pois colocaram como alvos de vida o dinheiro, o sucesso profissional ou artístico, conseguir fama e outras coisas perecíveis, mas que não são eternas.

Jamais desprezo qualquer mensagem de auto-ajuda. Acredito, no entanto, que Deus deve estar no centro de toda pregação, pois sem Ele nada podemos fazer de modo que os nossos alvos pessoais precisam ser também os Dele. Abandonar a "síndrome de gabriela", é um passo importante pois significa supultar a mentalidade reativa de que continuaremos sempre condicionados pelas situações. Então, quando assumimos uma postura pró-ativa, torna-se indispensável ter como base os valores divinos, com uma fé focada em Jesus e sem medo dos desafios. É o que nos ensina esta famosa citação encontrada Mateus 17.20, quando o Senhor fala:

"Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte": 'Vá daqui para lá', e ele irá. Nada lhes será impossível.". (Nova Versão Internacional - NVI)

Que a exemplo de Davi, não nos acovardemos diante dos gigantes que se levantam em nossas vidas.

Um ótimo final de semana para todos!


Em Cristo,

Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz