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domingo, 6 de novembro de 2022

É preciso que as prefeituras sejam atentas aos programa de assistência às famílias em situação de risco habitacional!



Estamos no período mais chuvoso da primavera em nossa região e daqui para frente as chuvas tendem a ser mais frequentes e danosas para as famílias que vivem em situação de risco habitacional. Sabemos que, praticamente, em todos os anos, o Estado do Rio de Janeiro sofre nessa época até abril com enchentes e deslizamentos de terra, o que acaba deixando inúmeras famílias desabrigadas em diversos municípios, inclusive aqui na Costa Verde.


Entretanto, pouca gente sabe que o Estado do Rio de Janeiro criou desde maio um auxílio de R$ 3 mil para vítimas de enchentes, deslizamentos, desabamentos e incêndios, conforme foi publicado o Decreto n.º 48.057 no DOERJ de 02/05/2022. Trata-se, pois, do "Cartão Recomeçar", sendo que o valor recebido pelo assistido deverá ser utilizado para a compra de materiais de construção e reforma de moradias, móveis residenciais e eletrodomésticos.


Importante ressaltar que esse benefício é destinado exclusivamente às famílias que cumpram, cumulativamente, os seguintes requisitos:


- possuam renda familiar per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar total de até três salários mínimos à época do acorrido;

- estejam inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico);

- residam em municípios em que houve reconhecimento pela Defesa Civil quanto a situação de qualquer tipo de desastres mencionado neste decreto;

- residam em imóveis diretamente atingidos por qualquer um do desastre descrito no caput, mediante comprovação por meio de atesto de setor responsável do município atingido.


Deve-se também esclarecer que os municípios afetados pelas catástrofes previstas no Decreto precisam optar pelo auxílio na execução do programa, devendo, ainda, apresentar demanda substanciada informando os dados dos familiares e das regiões atingidas.


Em meados do ano, Petrópolis entregou o Cartão Recomeçar para milhares de famílias, as quais foram identificadas durante o mutirão de revalidação dos cadastros do aluguel social realizado entre maio e junho, na sede da Prefeitura de lá.


Jamais devemos ignorar a  importância desses recursos assistenciais diante de um cenário de calamidade provocada pelas chuvas e também pela pandemia de Covid-19, a qual ainda não terminou sendo que é nos municípios que as famílias vulneráveis precisam ser atendidas. Por isso, é mais do que justificável a transferência de recursos diretamente para os cidadãos, na modalidade de benefício eventual, para que as pessoas possam adquirir bens necessários à reestruturação de sua vida tão afetada com as chuvas e também com a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus.


Torço para que não tenhamos nenhuma tragédia climática nesse período de chuvas, porém sempre é prudente haver uma devida prevenção com a destinação de recursos para tais situações a fim de que o Poder Público, nessas horas de calamidade, possa dar um enfrentamento com medidas imediatas ou de rápida implementação.


Ótimo domingo a todos!

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Uma representação da nossa impetuosidade



A imagem acima que ilustra esse texto refere-se ao quadro do artista russo Viktor Mikhailovich Vasnetsóv (1848 – 1926) denominado Os quatro Cavaleiros do Apocalipse (1887), os quais são os personagens descritos na terceira visão profética do livro bíblico de Revelação ou Apocalipse.


Arrebatado aos céus, após contemplar toda a estrutura da organização celestial de Deus, João vê em sua mão direita um rolo (manuscrito enrolado em formato cilíndrico) com sete selos (Apocalipse 5:1-2.). Em seguida Jesus Cristo (descrito como o "Leão da tribo de Judá", a "Raiz de Davi", e "um cordeiro em pé, como se tivesse sido morto") tira o rolo da mão direita daquele que está assentado sobre o trono (Apocalipse 5:5-9). Então, esses cavaleiros começam sua cavalgada por ocasião da abertura do primeiro desses "sete selos" e, a cada selo aberto, um cavaleiro aparece no total de quatro (Apocalipse 6:1-Apocalipse 7:17). 


"E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê.

E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.

E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.

E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.

E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.

E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê.

E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra."

(Apocalipse 6:1-8)


Como se sabe, o número quatro na simbologia numérica bíblica representa quadrangulação em simetria, universalidade ou totalidade simétrica, como em quatro cantos da Terra, quatro ventos. Vemos isso também em outros textos (Apocalipse 4:6; Apocalipse 7:1-2; Apocalipse 9:14; Apocalipse 20:8; Apocalipse 21:16), provavelmente tornando esses quatro Cavaleiros parte de um único evento relacionado.


Além disso, em muitas culturas, o cavalo é símbolo da impetuosidade e da impulsividade relacionadas com os desejos humanos, além de ser associado com água e fogo por serem muitas vezes incontroláveis. Também é tido como a relação com o divino servindo de guia de almas, sendo muitas vezes enterrados juntamente com seus donos. Exprime ainda vigor e virilidade, por vezes simbolizando a juventude. E, no contexto histórico, principalmente nos campos de batalha, o cavalo era treinado muitas vezes para matar soldados com suas patas ou sua boca de maneira que, nessa narrativa, esses cavalos e seus cavaleiros podem representar (e muitas interpretações os descrevem assim) uma cavalgada (campanha) com toques de guerra trazendo suas consequências por onde passam.


Quanto às cores dos cavalos, elas dizem muito dos respectivos cavaleiros como:


- Branco: Pureza, santidade, régio;

- Vermelho: Sangue, assassinato, guerra;

- Preto: Obscuridade, peste, maldição;

- Amarelo: Corpo em decomposição, morte.


Já os seus apetrechos mostram característica a respeito do papel que desempenham ou a consequência de sua cavalgada:


- Arco e coroa: Símbolo da guerra e do poder;

- Espada: Principal arma dos exércitos antigos, usada como símbolo de assassinato;

- Balança: No contexto denota desigualdade ou injustiça (no caso de alimento);

- Jarra: Traz a peste dentro.


Outro detalhe é a ordem em que são chamados, significando para muitos uma sucessão progressiva. Isto porque eles não são chamados ao mesmo tempo.


Pois bem. Muitos que alimentam uma escatologia do medo já andam dizendo por aí que, com a guerra na Ucrânia, o segundo selo teria sido aberto, com o argumento de que o primeiro teria sido a pandemia da Covid-19...


Sinceramente, não concordo em nada com essa visão baseada em fatos do momento e revelando um oportunismo de ocasião. Pois, além de não seguir a tal ordem (critério fundamental para os que se apegam a uma tosca literalidade), tais "intérpretes" se esquecem de que a visão do autor do Apocalipse representa uma constante na história da nossa espécie.


Indiscutível que a humanidade sempre conviveu com seus impetuosos conflitos que, por sua vez, causam guerras, trazem fome e morte. Porém, isso é algo que pode e deve ser entendido como transitório diante de um prometido futuro glorioso que o Apocalipse identifica como a vida dos justos ressurretos na "Nova Jerusalém".


Como para mim é o simbolismo da visão que deve nortear o intérprete do Texto Sagrado, vejo justamente que a proposta do livro recai sobre o nosso esforço de superação desses nossos trágicos momentos até que alcancemos os "novo céu" e "nova terra".


Não acredito num deus que vai destruir a sua própria criação. Porém, a vocação da humanidade é progredir para alcançar um estágio superior de relacionamentos, quando saberemos lidar melhor com os nossos desejos, evitando que, ao tentar satisfazê-los, sejamos conduzidos por essa impetuosidade destrutiva que tanto nos assola.


Ótimo domingo a todos e todas!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Um dia trágico na história de Nova Friburgo




Na manhã desta quarta-feira (12/01/2011), acordei com um helicóptero sobrevoando os céus de minha cidade (coisa rara de se ver num lugar do interior).

Choveu forte a madrugada toda. Eu mal tinha dormido por causa do barulho dos trovões e, por vezes, levantei para ir ao banheiro e beber água. Verifiquei numa das ocasiões que o meu apartamento estava sem luz. Senti fome e lembrei de comer a gelatina na geladeira antes que o doce derretesse. Voltava para a cama mas não conseguia entrar em acordo com a coberta para ajustar-me à temperatura do ambiente.

Logo que levantei, ouvi o barulho do tal helicóptero. Olhei pela janela e fiquei perplexo ao reparar que uma parte dos morros que circundam o centro da cidade tinha desabado. Uma tragédia havia acontecido poucos metros de minha residência.

Dentro de alguns instantes, eu teria um compromisso marcado com o meu cliente, agendado para às 8:40. Tratava-se de uma perícia judicial na área de engenharia, referente a um caso de deslizamento de terra ocorrido em janeiro de 2007 aqui na cidade. Juntos, eu e ele iríamos acompanhar o trabalho do perito engenheiro no local do acidente.

Contrariando meus hábitos de higiene, saí para trabalhar sem banho tomado porque não tinha luz para esquentar a água. Comi um pão de forma com mel e fui.

Ao colocar os pés no lado de fora da rua foi chocante. A portaria do meu prédio e as calçadas encontravam-se cobertas de lama. Vários paralelepípedos e tampas dos bueiros tinham sido deslocados. Porém, o pior eu ainda haveria de testemunhar.

Segui pela Praça Getúlio Vargas que mais parecia devastada por uma guerra. Era lama e água empoçada por todos os lados. Na medida em que eu caminhava em direção ao rio Bengalas, os estragos ficavam cada vez piores. Circulavam poucos carros, mas a todo instante ouvia-se o barulho das sirenes de uma viatura do Corpo de Bombeiros, da Polícia ou da Defesa Civil. As lojas ficaram inundadas de água e em alguns estabelecimentos o nível subiu bem mais do que um metro.

Pela visão parcial do deslizamento de terra que havia observado da janela de casa e com tanta movimentação das equipes de salvamento, não podia nutrir expectativas muito positivas do que pudesse ter ocorrido durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Não podia imaginar que o barulho que tanto despertava meu sono talvez não fossem apenas os trovões, mas sim terríveis desabamentos de grandes proporções, destruindo casas, prédios, igrejas, ruas e hospitais, atingindo tanto favelas como áreas nobres da cidade. Algo incomparável com as enchentes de 2007, 2005 e de anos anteriores.

Aquelas cenas de destruição que logo de manhã eu estava presenciando ensinavam para mim que, quando chegam as tragédias, elas não avisam o dia e a hora, de modo que apenas podemos prever a época em que eventos deste tipo podem vir a suceder. Contudo, nesta quarta-feira cinzenta, eu estava vivendo um pouco daquilo que podemos imaginar ser um cenário apocalíptico. Era como se eu estivesse no terremoto do Haiti, nos bombardeios da segunda guerra mundial ou fosse vizinho das torres gêmeas do WTC no dia 11 de setembro de 2001.

Às vezes parece que vivemos mesmo num mundo de Alice. Temos nossos sentimentos e consciências anestesiados por um contato artificial com as coisas, sem darmos conta da realidade em que nos encontramos. Não só as programações da TV e a internet distraem nossas mentes, como as comodidades proporcionadas pela tecnologia e a prestação contínua de serviços essenciais fazem-nos esquecer facilmente do ambiente instável onde edificamos as cidades.

Nesta quarta-feira 12, experimentei por longas horas o que é ficar sem luz, sem telefone, sem serviços de transporte e sem condições para trabalhar, o que é de menos em face de tantas tragédias. Vi minha cidade parar e, por um fato da natureza, precisei abandonar um compromisso sem a possibilidade de estabelecer a comunicação através do celular. Também não pude transmitir nenhuma notícia aos meus parentes no Rio de Janeiro, os quais já estavam preocupados desde o dia anterior quando os telejornais tinham informado o desabamento de um prédio no bairro Olaria.

Tristes dias têm sido estes que já começamos a presenciar nas primeiras décadas do século XXI, mostrando-nos um cenário desolador que, pelas previsões dos cientistas ambientalistas, aponta para um período repleto de tragédias climáticas, capazes de por em dúvida a continuidade da espécie humana no planeta. Ou seja, cuida-se de um novo tempo que não só vem confirmar o cumprimento de antigas profecias, mas também denunciar o principal responsável pelas infelizes catástrofes – o homem (nós).

Nestas horas há quem culpe Deus e até blasfeme contra o Nome do Santo. Eu, porém, só posso ser grato ao meu Criador pela sua bondade para comigo, sabendo que Ele entregou uma terra perfeita à humanidade e que s temos destruído com nossa ambição desmedida. Isto porque, ao violarmos as leis da natureza, atraímos um retorno contra nós mesmos, sem que a tempestade faça acepção de pessoas. Pois, quando uma tromba d'água desce, morre o rico assim como morre o pobre e a enxurrada pode levar tanto o poluidor quanto o ambientalista, o justo junto com o pecador, bastando que se esteja em condições de vulnerabilidade.

Após ter aguardado infrutiferamente o meu cliente no local marcado, decidi voltar para casa. Permanecer na rua, junto com uma multidão de curiosos só contribuiria para atrapalhar ainda mais o trabalho dos agentes da Defesa Civil. Aquele tratava-se de um dia mal e ninguém poderia prosseguir nas suas atividades normais. Nada que estivesse ao meu alcance poderia ser feito pelas vítimas e seus familiares, a não ser calar-me, respeitar o sofrimento de meu próximo e ser grato a Deus pela oportunidade de continuar vivo.


OBS 1: O fornecimento de energia só foi retornando a partir da noite de 12/01 (na minha rua a luz chegou na tarde 13/01). O comércio ficou praticamente fechado por todo o dia 12. No dia 13, algumas portas se abriram e ontem (14) já tinha mais estabelecimentos funcionando com longas filas para as pessoas entrarem em mercados, padarias e farmácias. Até hoje não se aceitava pagamento pelo cartão de crédito e não tinha como tirar dinheiro no caixa eletrônico dos bancos que ainda estão fechados. Os serviços de transporte, telefonia, abastecimento de água e internet pararam. Até o momento já foram contabilizados mais de 200 mortos, sendo grande a quantidade de gente desabrigada e desalojada. Só hoje (15) é que consegui acessar a internet. Felizmente eu e minha esposa Núbia estamos todos bem!


OBS 2: As pessoas em minha cidade estão precisando de várias coisas, dentre as quais água mineral, alimentos não perecíveis e de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, cesta básica, colchonetes, cobertores, kits de higiene pessoal e fraldas descartáveis, etc. Minha igreja está buscando uma ação coordenada e os contatos podem ser feitos com o Pr. Robson Rodrigues pelo telefone (22) 9213-3016 e um fixo no Rio de Janeiro (21)3079-0626.


OBS 3: Contamos com as orações de todos!