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sexta-feira, 24 de junho de 2016

O sexo como entretenimento do casal na Bíblia e na religião




Certa vez, quando ainda morava na cidade serrana de Nova Friburgo (RJ), um religioso conservador veio me falar que considerava errado o uso e a comercialização de determinados tipos de peças íntimas voltadas para a diversão sexual dos casais. Repliquei-lhe dizendo que não havia nada de pecado o homem e sua esposa terem uma vida conjugal picante, realizada com criatividade e exclusividade. Ele então reconsiderou suas posições, concordando que a prática de tais fantasias amorosas funcionaria como uma prevenção para as traições conjugais uma vez que, neste caso, o marido não precisaria procurar "fora de casa" a satisfação que encontraria em seu leito conjugal.

Nova Friburgo, como se sabe, é tida como uma das capitais da moda íntima do país. Lá se vende tanto as peças mais convencionais como aquelas que são usadas para brincadeiras amorosas. Ao andar pelo município, o turista se depara facilmente com cartazes de lindas modelos com seus belos corpos fazendo publicidade das fábricas de lingerie, algo que ajuda a aquecer as camas e a economia da cidade. Porém, embora as confecções de calcinha fossem o ganha pão de muitas famílias friburguenses, eu ouvia os religiosos reclamarem constantemente, tentando ver pecado onde não existe, como se uma roupinha sexy de enfermeira, de policial, de juíza, ou mesmo de sádica, fossem artigos "demoníacos" e "destinados à prostituição".

Penso que, se a maioria dos crentes estudasse profundamente as Escrituras Sagradas, essas pessoas de mente conservadora saberiam que a repressão sexual no casamento não tem o mínimo respaldo bíblico. E o fato do livro de Gênesis dizer "crescei e multiplicai-vos", isto jamais significou que o sexo deva ser praticado apenas com a finalidade reprodutiva. Pois, se fizermos uma análise da própria Bíblia, encontraremos uma interessante passagem em que Abimeleque, rei dos filisteus, viu através de uma janela Isaque acariciando (ou brincando) com Rebeca, sua mulher, segundo se lê em Gênesis, capítulo 26, verso 8:

"Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher." (NVI)
"E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher." (ACR)

Acontece que o verbo hebraico correspondente à palavra "acariciava", escolhida pelos tradutores, também significa brincar e vem da mesma raiz do nome de Isaque (riso), dando a entender que o patriarca hebreu e a sua esposa estavam fazendo uma brincadeira de conteúdo sexual, sem fins reprodutivos, sendo este um detalhe pouco aprofundado nos estudos bíblicos das igrejas. Aliás, para uma boa parte do público religioso, mesmo hoje em dia, ter um relacionamento picante dentro do casamento ainda é um tabu como se certa orientação do livro de Provérbios nem existisse:

"Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente." (Provérbios 5.18-19; ACR)

Para os judeus sempre prevaleceu o ideal matrimonial em que a geração de filhos é vista como uma benção divina, o que também era comum nas diversas religiões da Antiguidade. E, quanto aos muçulmanos, eles têm pensamento idêntico. Uma exceção no judaísmo talvez possam ter sido os monges essênios contemporâneos de Jesus e que viviam em comunidades isoladas dentro de um padrão de vida ascética celibatária. Porém, o que acabou prevalecendo dentro do judaísmo foi a visão dos mestres perushim (fariseus), os quais deram origem ao rabinato.

Não tenho dúvidas de que o cristianismo tomou o seu rumo repressor, com maior honra ao solteirismo do que ao casamento, por causa da influência grega dos primeiros padres (os "Pais da Igreja"). Inclusive porque a origem do celibato não é católica e muito menos judaica, mas, sim, pagã. Diferentemente dos povos do Médio Oriente, os gregos antigos foram monógamos sendo provável que o celibato fosse praticado entre eles, o que aconteceu também em Roma com as vestais, as sacerdotisas virgens que deviam manter o fogo "sagrado" sempre aceso. E, como se sabe através da História, o real motivo da proibição do matrimônio ao clero foi justamente uma questão de poder a fim de preservar a unidade dos bens da Igreja, de modo que a castidade tornou-se um alto padrão de comportamento moral para o cristianismo.

Entendo que é preciso promover uma desconstrução de todos esses valores repressores e contrários à natureza trazidos pelo catolicismo e dos quais os evangélicos ainda não se libertaram. A face humana do prazer deve ser motivo de celebração e não de culpa, de modo que as carícias trocadas entre o homem e a mulher, as técnicas destinadas a promover a excitação sexual, o uso de vestes sensuais, os contraceptivos, o cunnilingus e a obtenção do orgasmo clitoriano não podem jamais ser considerados pecado.

Um ótimo final de semana a todos e aproveitem bastante para namorar!


OBS: Este artigo é uma versão atualizada e revista da publicação feita em 21/09/2011, aqui neste blogue, a qual também estou postando hoje na Confraria Teológica Logos e Mythos. Quanto à gravura acima trata-se da pintura Fazendo Amor do húngaro Mihály Zichy (1827-1906).

Apesar do Brexit, acredito na globalização




Acordamos esta sexta-feira (24/06) no Brasil com a bombástica notícia de que os eleitores do Reino Unido resolveram se separar da União Européia. Algo que, sem dúvida, vai mexer  profundamente com a economia do bloco (e do mundo), tornando-se um probleminha a mais para a recuperação financeira do nosso país.

Tudo bem que o Reino Unido deixar a UE não seria nenhum apocalipse, mas chama a nossa atenção para os recuos que a globalização ainda poderá sofrer no curso desse inevitável processo que, como acredito, ainda será retomado com maior força no futuro. Provavelmente, não demorará muito para os próprios eleitores se arrependerem da escolha feita nesta quinta (23). Segundo Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital, citado pelo portal de notícias G1, poderá haver um impacto negativo sobre a economia do Reino Unido, visto que a receita britânica deve cair sem a livre circulação de mercadorias e de pessoas entre os países do bloco:

"O Reino Unido contribui mais do que se recebe, mas se isolando no bloco essa conta talvez não vá fechar. Será muito mais difícil se ter uma receita sem o livre trânsito de mercadorias e pessoas. Esse ganho que o Reino Unido tinha com a União Europeia vai cair muito." (extraído de Reino Unido decide deixar a UE: e agora?, publicado na presente data, às 12h52, com atualização às 14h38)

Infelizmente, é através da experimentação das consequências das decisões erradas que o ser humano aprende a escolher o certo, o que precisa ser compreendido pelas mentes mais progressistas. Hoje o mundo assiste a passagem de uma onda nacionalista pelo Ocidente (temos o candidato demagogo Donald Trump nos EUA e o fortalecimento de uma direita anti-imigração em vários países europeus), porém, como se trata apenas de um agito do mar, a espiral dialética me diz que os povos de todo o planeta ainda enxergarão a necessidade de se reaproximarem.

Tomara que, no lado de cá do Atlântico, as nações sul-americanas sigam na direção oposta dos britânicos a fim de que possamos fortalecer o MERCOSUL, pensando não só no crescimento da economia como também no desenvolvimento social das populações. Não podemos desistir da globalização!

Tenham todos um ótimo final de semana.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Hannah Mckay/EPA/Agência Lusa, conforme extraído de http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-06/reino-unido-decide-sair-da-ue-e-primeiro-ministro-anuncia-renuncia

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Estaremos assistindo ao surgimento de uma nova Cuba?!




Nesta quinta-feira (23/06), o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias das Colômbia (Farc), Rodrigo Londono, reuniram-se em Havana para assinar um acordo de cessar-fogo bilateral definitivo, abrindo caminho para um tratado de paz que dê fim ao conflito que já dura mais de meio século. No episódio ocorrido na data de hoje, o grande mediador foi nada menos que o presidente cubano Raul Castro.

Refletindo a cerca da notícia, pensei como que Cuba conseguiu conquistar hoje uma posição tão importante no cenário internacional, tendo sido a sua capital escolhida para celebrar um acontecimento que podemos considerar como histórico para a nação colombiana? Afinal, até algumas décadas atrás, não era de lá que partiam os guerrilheiros "revolucionários" financiados pela ex-URSS, os quais perturbavam a ordem na América Latina e também em outros lugares do mundo!

O fato é que a sorte de Cuba mudou com a simpatia inteligente de Barack Obama que, em março deste ano, visitou a ilha. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack prometeu em seu discurso que iria trabalhar com o Congresso americano para derrubar o embargo econômico ao país ao mesmo tempo em que pediu mais liberdade para o povo cubano.

Desde 24 de fevereiro de 2008, quando Fidel Castro renunciou por motivo de saúde, o seu irmão Raúl tem promovido importantes reformas econômicas, como o incentivo a mais investimentos estrangeiros e mudanças estruturais a fim de que o país possa produzir mais alimentos, reduzindo a dependência das importações (ainda que o regime ainda esteja fechado no campo político). Trata-se de algo que devemos considerar como um verdadeiro avanço.

Posso estar me equivocando, mas não descarto a hipótese de que, dentro dos próximos anos, os cubanos possam surpreender o mundo e ainda se colocarem à frente dos Estados hispano-americanos seguidores de regimes ditos "bolivarianistas", tais como Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela. Neste país vizinho, o ditador Nicolás Maduro continua buscando a todo momento criar manobras para se manter no poder a fim de impedir que a oposição possa ir conquistando legitimamente os espaços.

Todavia, apesar do mal estar que Colômbia e Venezuela tiveram num passado recente (quando Hugo Chávez chegou a atuar como aliado da Farc), Raul Castro provou hoje que deseja promover a paz no continente, sendo hoje um estadista que não trás mais consigo os resquícios da ultrapassada Guerra Fria. Por isso, é fundamental que o governo interino do Brasil saiba reconhecer a nova Cuba que está surgindo a fim de que a nossa diplomacia não cometa um ato burro de direitismo reacionário azedando as suas relações com a nação cubana.

Concluo esse texto chamando a atenção para a importância da abertura econômica para que um país possa ir se abrindo politicamente. Acredito que Cuba já poderia ser hoje uma democracia caso os Estados Unidos tivessem acabado, desde os anos 90, com o vergonhoso bloqueio imposto ao país porque favoreceria o diálogo, fazendo com que as próprias lideranças cubanas começassem a rever seus posicionamentos. Porém, como a História não se escreve com a partícula "se", espero ver uma mudança positiva ocorrendo nos rumos tanto de Cuba como das Américas.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos à Alejandro Ernesto/EPA da Agência Lusa, na qual aparecem o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, cumprimentando-se em frente ao presidente de Cuba, Raúl Castro.

A Cedae já tinha que estar privatizada!




Conforme noticiou o RJTV, na noite desta quarta-feira (22/06), para o Rio de Janeiro conseguir alívio quanto à dívida que tem com a União será preciso cumprir medidas duras, entre as quais as privatizações de estatais e o congelamento de reajuste dos servidores. E, como se sabe, o dinheiro da venda da Cedae bem que poderia ser usado para abater parte do valor devido à União, o qual hoje chega a estratosféricos R$ 52,4 bilhões.

Penso que, se os estados e municípios querem viabilizar a modernização e a expansão necessárias ao atendimento da sociedade brasileira, há que se buscar parceiras entre o setor público e privado. E isto se torna uma alternativa para a aplicação dos investimentos necessários ao saneamento básico através do sistema de concessões.

Lamentavelmente, aqui no RJ convivemos com situações negativas caracterizadas pelo mal atendimento prestado nas faixas de renda mais baixas da população do estado e em regiões menos desenvolvidas. Com frequência, ocorrem perdas nos serviços de água em função de vazamentos, sendo que o fornecimento em muitos lugares ainda ocorre de forma intermitente. E para a nossa vergonha, boa parte dos esgotos coletados são lançados in natura ou sem tratamento adequado nos mares, rios, nascentes ou no solo, sendo comum a utilização da rede coletora de águas pluviais para tal fim.

Ora, nós consumidores carecemos de um atendimento mais adequado visto que somos vítimas de serviços deficientes e de um tratamento precário quanto às reclamações e reparos. Aqui em Mangaratiba, por exemplo, a Cedae é umas das empresas que o cidadão local mais reclama onde os problemas de falta d'água já se tornaram crônicos no verão por causa do aumento da população de veranistas, sem que a empresa tenha ampliado os reservatórios existentes no Município.

Todavia, se a Cedae fosse administrada por um grupo de capital privado, creio que poderia haver uma responsabilidade maior da empresa conforme as exigências contratuais e a legislação que protege os direitos do consumidor. Para tanto, será preciso a pactuação de um rigoroso plano de metas a fim de que os problemas relativos ao saneamento básico tenham solução num prazo aceitável, o que deve ser discutido democraticamente entre o governo e a sociedade.

Assim, fica aí o meu posicionamento para que o irresponsável RJ consiga tirar o pé da lama e sejam prestados serviços de melhor qualidade ao cidadão.


OBS: Ilustração acima extraída de https://www.cedae.com.br/Upload/Images/Slider/b6faeb46-f4b4-4cbb-b0db-4e78710eb408.jpg

terça-feira, 21 de junho de 2016

A importância do e-mail para fins jurídicos (e processuais)



Durante os aulas que no tive final de semana retrasado na OAB de Mangaratiba sobre as novidades na nossa legislação processual (ler postagem O novo Código de Processo Civil e a reaprendizagem da advogacia, publicada em 12/06), o professor Vítor Rodrigues chamou a atenção para a necessidade do advogado informar o e-mail de seu cliente na peça inaugural da ação a ser ajuizada a fim de atender às exigências do artigo 319, inciso II do atual CPC. Senão vejamos o que diz a lei, sendo meu o destaque em negrito:

"Art. 319.  A petição inicial indicará:
(...) 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;"

É certo que tal norma contribui para tornar o endereço eletrônico algo praticamente obrigatório para o cidadão de hoje, apesar de muitos já estarem dispensando o seu uso cotidiano por preferirem as redes sociais enquanto outras milhões de pessoas no Brasil, principalmente as mais idosas, nem ao menos se conectam à internet. Só que, se bem refletirmos, o mundo passa por uma evolução social tecnológica, a qual exige de todos nós uma adaptação às mudanças que vão sendo introduzidas no cotidiano, de maneira que não podemos deixar de acompanhar as inovações mais importantes. 

Embora eu entenda que ninguém  deva ter o seu acesso à Justiça negado por não dispor ainda de um e-mail, principalmente quando se tratar de um jurisdicionado analfabeto, penso que o ideal seria encararmos a exigência tal como a indispensabilidade dos registros civis e da inscrição no CPF do Ministério da Fazenda. Por mais que o internauta hoje prefira comunicar-se pelo Facebook ou WhatsApp, é o endereço eletrônico que possui maior tempo de existência, devendo ser acessado regularmente por nós para tomarmos ciência das mensagens relevantes recebidas nos últimos dias úteis. Inclusive, as citações e intimações já podem ser feitas virtualmente, como  dispõe de modo expresso os artigos 246, inciso V, e 270 caput do diploma jurídico em comento:

"Art. 246.  A citação será feita:
(...)
V - por meio eletrônico, conforme regulado em lei.
(...)
Art. 270.  As intimações realizam-se, sempre que possível, por meio eletrônico, na forma da lei."

Assim, ao tratar com um cliente, é recomendável que tanto os advogados quanto os demais profissionais liberais e empresas solicitem o e-mail da pessoa para preencher na ficha de atendimento a ser assinada pela mesma, fazendo constar a informação também nos contratos e nas procurações. Inclusive, se você for alugar um imóvel, ou solicitar qualquer serviço de alguém, acrescente no documento o e-mail do indivíduo (ou da companhia) até porque, se der alguma zebra na execução do negócio e for preciso acionar a Justiça, tal dado poderá ser útil visto que o novo código requer o endereço eletrônico do réu.

Obviamente que não será obrigatório o advogado informar qual o e-mail do reclamado no processo civil. O próprio parágrafo primeiro do citado artigo 319 diz que, na falta das informações do item II, "poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção". E, por certo, se a citação pode ser realizada pelo meio físico (via oficial de justiça ou aviso de recebimento dos Correios), não causará nenhum prejuízo processual imediato o desconhecimento do endereço eletrônico do demandado. Só que nunca podemos esquecer que se trata de uma informação capaz de ajudar no andamento da ação.

Na atualidade, exceto as microempresas e as de pequeno porte, todas as companhias privadas são obrigadas a manter atualizado o seu cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos dos tribunais do país, para efeito de recebimento de citações e intimações, o que se aplica também à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da administração indireta. Logo, se você for processar a quase falida Oi, a Vivo, a Ampla, o Itaú, a Unimed ou a Prefeitura corrupta de sua cidade, provavelmente o juiz já sabe como encontrá-los sem dar trabalho para o oficial. Ai deles se receberem o comunicado da Justiça e não se manifestarem tempestivamente! Porém, se o  advogado for protocolizar sua ação de perdas e danos contra uma lojinha que não entregou aquele produto comprado via internet e o réu não for achado no endereço indicado, nada impede que seja solicitada depois a tentativa de citação virtual para pressionar uma resposta no processo.

Enfim, o que posso dizer aos meus colegas de profissão é que, daqui para frente, não esqueçam de pedir o e-mail ao cliente e orientar a pessoa a fim de que mantenha o endereço eletrônico atualizado, devendo o causídico comunicar ao Juízo em caso de eventual mudança da mesma maneira que se faz quanto ao domicílio ou ao estado civil. E, no tocante aos leigos, alerto para que prestem mais atenção sobre o uso dessa ferramenta de internet que, embora esteja sendo absorvida pelas redes sociais, tem ganhado cada vez mais importância na nossa legislação. Afinal, são os novos tempos que, com atraso, estão chegando agora no universo jurídico...


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Não podemos virar as costas para os refugiados!



"Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. "Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’ "O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. "Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. "Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos? ’ "Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. "E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna". (Mateus 25:31-46; NVI)

Nesta segunda-feira (20/06/16) é celebrado o Dia Mundial do Refugiado. Cuida-se de uma data que foi instituída pela ONU desde o ano 2000, tendo por objetivo consciencializar os governos e as populações sobre o grave problema dos que foram obrigados a fugir de suas casas por motivos de perseguição, calamidade ou guerra.

Como sabemos, enfrentamos umas das maiores crises humanitárias da História desde a 2ª Guerra por causa dos conflitos militares na Síria, em que milhões de pessoas no Oriente Médio já morreram e outras tantas não possuem mais uma moradia. Muitas delas estão sobrevivendo agora em campos de refugiados nas regiões de fronteira ou tentando chegar até à Europa arriscando-se nas águas do Mediterrâneo. Cerca de 5 milhões de sírios teriam deixado o país desde o início da guerra civil e, segundo a Organização Internacional para a Migração, pelo menos 3.370 refugiados morreram afogados no mar no ano de 2015.

Entretanto, neste mesmo mês de junho, fui surpreendido quando li na BBC Brasil a notícia Governo Temer suspende negociação com Europa para receber refugiados sírios, publicada dia 17/06. Na matéria, assinada por João Fellet, o repórter informa que:

"O governo brasileiro suspendeu negociações que mantinha com a União Europeia para receber famílias desalojados pela guerra civil na Síria. Pelas tratativas, iniciadas na gestão do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, o Brasil buscava obter recursos internacionais para alojar cerca de 100 mil pessoas que fugiram do conflito. Duas pessoas que acompanhavam o diálogo disseram à BBC Brasil que a suspensão foi ordenada pelo novo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e comunicada a assessores e diplomatas numa reunião nesta semana. Segundo eles, a decisão segue uma nova - e mais restritiva - postura do governo quanto à recepção de estrangeiros e à segurança das fronteiras."

Sinceramente, este foi um tremendo erro cometido pelas autoridades do nosso país. Pois, embora estejamos atravessando uma crise econômica, esta nem de perto se compara com a situação de outros povos na África, no Oriente Médio e em outras partes da Ásia, além do Haiti. É certo que deve haver sempre uma razoabilidade nessas questões humanitárias internacionais, em que cada Estado, encontrando-se numa situação mais ou menos cômoda, pode colaborar na medida de suas condições de riquezas e de espaço. E, como bem colocou a coordenadora de relações internacionais da ONG Conectas, Camila Asano, citada pela BBC, o "Brasil não pode se furtar a ser parte da solução da crise síria". Ainda mais recebendo recursos da União Europeia!

Embora não siga o catolicismo romano, lembro muito bem de algo muito sábio e amoroso que certa o papa Francisco disse em sua visita ao Brasil (2013) sobre "colocar mais água no feijão", referindo-se o pontífice à ação solidária. E, se refletirmos a partir daí, a mensagem bíblica citada nunca se restringiu aos ricos que habitavam em palácios, pois não creio que Jesus estivesse discursando profeticamente no Monte das Oliveiras tão somente para uma gente opulenta cujo dinheiro sobrasse, visto que estes dificilmente o ouviriam. Antes, tratava-se de um ensino que serve para todos os seres humanos em que precisamos aprender a dividir o pouco que nos resta até na dificuldade.

Por acaso o Mestre não iniciou o milagre da multiplicação tendo recebido cinco pães e dois peixes?! Vamos pensar...

Enfim, acredito que dá para o Brasil acolher algumas dezenas de milhares de famílias sírias, sendo que aqui é um inegável paraíso para quem encontra-se fugindo de uma sangrenta guerra civil em sua terra. E nunca é demais dizer que estamos tratando de uma gente igual a nós em direitos, porém sem possuir mais um teto seguro para abrigar-se junto com os seus familiares, devendo, portanto, se tornar objeto da nossa caridade humanitária.

Que o governo brasileiro não retroceda em seu posicionamento original e jamais nos esqueçamos dos refugiados de qualquer nação, pois acolhê-los é como fazer um benefício ao próprio Senhor Jesus.



OBS:  Créditos autorais das imagens acima atribuídos a Syria Freedom/Creative Commons, conforme extraído de uma página de notícias do portal EBC em http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/01/onu-numero-de-refugiados-sirios-chega-a-600-mil

sábado, 18 de junho de 2016

Curtindo meus dias de frio...




Com tanta mudança climática, já não seria mais correto dizer que as cidades brasileiras, na sua maioria, enfrentem um inverno frio. Temos, sim, dias como os que ocorreram recentemente neste mês de junho em que a temperatura abaixou consideravelmente por aqui. Inclusive, localidades do litoral sul-fluminense, a exemplo de Mangaratiba, andou registrando mínimas abaixo de 10ºC esta semana mesmo. E olha que nem entramos no inverno!

Confesso que esse friozinho não me surpreendeu uma vez que já vivi em lugares de altitude como Nova Friburgo, na região serrana fluminense (Serra do Mar), e Juiz de Fora, que é a principal cidade da Zona da Mata mineira, situada no Vale do Paraibuna, na Serra da Mantiqueira. E, quando vim para cá, no ano de 2012, trouxe comigo vários agasalhos, entre os quais esse poncho boliviano na foto acima feito com os pelos da lhama, um animal típico dos Andes.

Quando vivia em Nova Friburgo, com tantas tentações gastronômicas na cidade e um custo de vida menor do que na atualidade, eu me deliciava fazendo minhas refeições com Núbia nos restaurantes de lá a um preço bem mais acessível que no Rio de Janeiro. Apesar da dieta dela, nossos pratos preferidos eram as massas e as tortas. Curtíamos os cafés que lotavam nessa época do ano. num saudoso tempo em que não doía tanto em meu bolso gastar R$ 30,00 numa loja de doces. Em casa, macarronadas ao sugo e a minha pizza recheada com cebola faziam a festa quando não queríamos descer os cinco andares de escada do nosso apartamento na rua Farinha Filho (ler a postagem Churrascos e pizzas, publicada em 12/09/2010, onde consta a receita da pizza).

Cá em Muriqui, além de não ter estabelecimentos com a mesma variedade e refinamento que encontrava com facilidade por Nova Friburgo, a grana tem andado curta ultimamente. Até assar uma pizza em casa tornou-se proibitivo para as nossas finanças. Então, resolvi por em teste um delicioso prato de arroz bem simples de fazer, o qual aprendi me inspirando no que ensinou um amigo meu do Uruguai chamado Miguel.




Não tem nenhum segredo! Boto o arroz pra cozinhar normalmente e, antes do alimento ficar totalmente seco na panela, despejo o molho de tomate com azeitonas e mais alguns ingredientes de tempero misturados. Deixo borbulhar um pouquinho e aí sirvo no prato ralando em cima um queijo tipo parmesão (prefiro do que usar esses produtos industrializados que vem no saquinho). E, já que sou um comilão, coloco no recipiente da comida uma lasca de manteiga com o queijo por baixo para derreter. Fica show de bola! Dá pra fazer tanto com arroz branco como com o integral. Só não sei de cabeça como os uruguaios e argentinos chamam esse cardápio muito popular na foz do Prata, sendo o alimento cotidiano de várias famílias pobres de lá.

Neste sábado (18/06), além de ter jantado o tal arroz, tomei antes com Núbia um chocolate quentinho feito por ela. Geralmente gostamos de consumir sem nenhum ingrediente extra, mas, às vezes, acrescento canela e até mesmo gengibre em nossa bebidinha que tanto ajuda a esquentar os dias frios do outono e do inverno.

Mas como já dizia Moisés, "nem só de pão vive o homem", de modo que, durante as manhãs e tardes do sábado, arrumo um tempinho para abrir um livro, o que cai muito bem nessa época, lembrando aqui daquela música do Djavan, Um Dia Frio (clique AQUI para assistir o vídeo no Youtube). Assim, hoje dei continuidade à leitura sequencial da extensa obra de Lira Neto sobre o ex-presidente Vargas que recebi de presente em abril quando visitei minha mãe no Distrito Federal. Ao todo, são mais de 500 páginas apenas no primeiro volume, Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930), mas que vou avançando aos pouquinhos.




Finalmente, só lamento não termos as Olimpíadas agora em julho. Assistir aos jogos no auge do inverno sempre teve um sabor especial para mim assim como acompanhar o Mundial (de futebol). Pois nada mais gostoso do que ver as partidas pela TV enrolado nas cobertas. Ou sentado no sofá vestindo o meu poncho boliviano que de modo algum ouso sair pelas ruas com ele, deixando só para usar em casa.

Um ótimo finzinho de outono e começo de inverno para todos!