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domingo, 6 de março de 2011

Chimarrão e tereré: dois hábitos muito saudáveis


A primeira ocasião de que recordo ter visto alguém bebendo chá de erva mate verde foi por volta de 1982, quando viajei ao Paraná na companhia de minha mãe. Fomos a Curitiba e depois a uma pequena cidade interiorana chamada São João do Triunfo, onde era bastante comum o uso da erva Ilex paraguaiensis. Porém, não cheguei a experimentá-la daquela vez.

Em 1985, quando passei a morar com meu avô paterno em Juiz de Fora (MG), aprendi um pouco mais sobre o chimarrão. Quando jovem, vovô tinha servido ao exército brasileiro por duas oportunidades no Rio Grande do Sul, em cidades que ficavam nos pampas, bem na fronteira com a Argentina. Lá ele aprendeu sobre a cultura sulina e o uso do bendito amargo, pelo que me transmitiu muitos dos seus conhecimentos. Segundo ele, o homem que bebesse chimarrão com açúcar iria "apanhar da mulher".

Nas fitas do Gaúcho da Fronteira, um dos cantores preferidos do meu avô, havia algumas músicas que falavam sobre o chimarrão. Uma delas assim dizia:


"Churrasco e bom chimarrão
Fandango, trago e mulher
É disso que o velho gosta
É isso que o velho quer"



Mesmo tendo conhecido o chimarrão junto com as deliciosas carnes macias dos pampas, meu avô já não mantinha o hábito de tomar um amargo nas últimas décadas de sua vida em Minas Gerais. Nem quando eu lhe trouxe uma cuia de presente ao retornar da viagem que havia empreendido até Porto Alegre em meados dos anos 90.

Um dia resolvi sair do armário e beber o chimarrão, o que só consegui fazer depois que o meu paladar já tinha gostado do sabor da cerveja aos 17/18 anos. Uma das vezes foi quando almocei numa churrascaria que, por cortesia e marketing, oferecia o amargo aos clientes que tivessem a ousadia de fazer um pedido desses.

Já o tereré (ou tererê), que é a versão gelada do chimarrão degustada pelos mato-grossenses e paraguaios, suponho tê-lo experimentado junto com um grupo de vestibulandos vindos de Campo Grande, os quais estavam em Juiz de Fora afim de tentarem uma vaga na UFJF. Fizemos então uma roda na pensão onde eles estavam hospedados, compartilhando a guampa de mão em mão, mas sem observar o sentido horário das tradições gaúchas.


Na ocasião em que visitei o Pantanal junto com Núbia (julho/99), bebi bastante tereré. Foi quando também encontrei um grupo de norte-americanos que estavam conosco no acampamento (metade dos turistas era formada por gringos) e eles já tinham assimilado o hábito daqui da América do Sul desde que vieram do Paraguai. Ainda assim, Núbia preferiu cerveja gelada e a brasileiríssima pinga.

Morando aqui em Nova Friburgo, incorporei de vez o hábito do chimarrão à minha vida. Durante um tempo, cheguei a consumi-lo quase que diariamente até ficar viciado. Bebia em jejum assim que acordava. E fiz do amargo um grande companheiro nas manhãs frias em que preparava o projeto de monografia durante os últimos períodos letivos da faculdade de Direito.

Fazendo hoje um uso mais moderado, costumo beber o chimarrão mais quando como carne em demasia, mesmo se for apenas um galeto que costumo comprar num restaurante quase em frente ao meu edifício. E recorro à erva não só afim de facilitar a digestão, mas também para combater o acúmulo da gordura no organismo, alimentando a crença de que a ação diurética possa evitar qualquer aumento indesejado no colesterol.

Será tudo isto verdade? Não sei. Mas, no ano passado, entrei num site bem interessante que fala sobre o chimarrão, onde são listados os seguintes benefícios que me pareceram razoavelmente esclarecedores:


•Estimulante da atividade física e mental
•Estimula a circulação
•Aumenta o ritmo cardíaco
•Facilita a digestão
•Favorece a evacuação (fezes) e a micção (urina)
•Promove a regeneração celular
•Elimina estados depressivos
•Aumenta a resistência de músculos à fadiga
•Aumenta a força muscular
•Desenvolve as faculdades mentais
•Tonifica o sistema nervoso
•Regulariza a respiração
•Facilita a digestão
•Promove sensação de bem-estar e vigor
•Regula as funções sexuais
•Efeitos cosméticos na pele
•Previne a arteriosclerose
•Melhora a memória
•Previne gripes e alergias
•Diurético
•Diminui o colesterol e triglicerídeos
•Aumenta o gasto energético
•Favorece o emagrecimento
•Previne a doença de Parkinson



De qualquer modo, nós brasileiros e povos do sul do continente devemos muito aos índios quíchuas, aimarás e guaranis, os quais nos deixaram um legado tão precioso, saudável e socializador que é o costume milenar da erva mate.


OBS: As informações sobre os benefícios do chimarrão foram extraídas de http://renatapinheiro.com/beneficios-e-maleficios-do-chimarrao/

13 comentários:

  1. rodrigo, nunca bebi chimarrão à moda gaúcha mas tenho uma dúvida. o chá mate gelado com limão (que eu gosto muito) é equivalente? bem, sei que o chimarrão se bebe quente, não é. creio que os benefícios da bebida devem também estar presentes no chá mate.

    legal a postagem. abraços

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  2. Olá, Eduardo.

    O chá de mate gelado seria o tereré.

    No entanto, o que nós aqui no Sudeste e restante do país costumamos beber seria o chá feito com a erva torrada.

    Já o chimarrão e o tereré seriam feitos com a erva verde, não torrada, de modo que o chá ingerido pelos gaúchos e matogrossenses deve ter mais propriedades do que o nosso mate.

    Abraços.

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  3. ok, rodrigo, valeu pelo esclarecimento.

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  4. Onde compro uma cuia e bomba em juiz de fora

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  5. Sinceramente nem sei, Cristiano. Faz anos que não vou mais à cidade e deixei de morar aí em 1999. Caso tenha alguma loja ou franquia do "Rei do Mate" é capaz que você encotnre tanto a cuia, quanto a bomba e a erva.

    Abraços.

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  6. Obrigado pela atenção, tudo de bom feliz natal!!!!

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  7. Pra você também, Cristiano!

    Boas festas!

    Abração!

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  8. Será que esses beneficios são os mesmos do tereré? Meu marido chegou esta semana do Ms e trouxe muita erva. Vou abusar, então.

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  9. Prezada Ceiça,

    Não tenho como lhe responder com exatidão, mas penso que os benefícios sejam quase os mesmos pois se trata da mesma erva mate verde. No entanto, quando tomamos um chá quente, algumas propriedades podem ser digo potencializadas enquanto outras perdidas. É o que penso mesmo sendo tecnicamente leigo.

    Recomendo não abusar. O mate é uma anfetamina semelhante ao café de modo que a demasia pode fazer mal.

    Abraços.

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  10. Olá Rodrigo, onde eu moro é meio dificil encontrar a erva de tererê (que eu prefiro). Geralmente só encontro a de chimarrão. Será que dá pra fazer tereré com a erva de chimarrão? Será que fica bom?

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    1. Olá! Por várias vezes já usei o pacote do chimarrão para preparar e beber tereré. A erva-mate (Ilex paraguariensis) é a mesma planta usada para o chimarrão e o tereré! O tereré é feito com a infusão da erva em água fria, podendo ser consumido pura, com limão, hortelã, entre outros.

      Pelo fato das folhas da erva-mate serem cortadas grossas, ao contrário do chimarrão, o tereré não tem tantos problemas com o entupimento. Quando isso ocorre, geralmente é devido a uma grande quantidade de mate em pó, indicando má qualidade da erva usada. Por esse motivo é que em alguns mercados você vai encontrar pacotes específicos para o chimarrão e outros para o tereré. Mas, se adquirir os produtos mais populares e simples, talvez venha a servir melhor do que ervas mais refinadas de chimarrão.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Bom dia, John. Acredito que vc consegue, sim. Quando morei na cidade (atualmente encontro-me vivendo em Mangaratiba desde agosto/2012), recordo ter visto tanto a cuia quanto a bomba e a erva na loja do Rei do Mate na avenida Alberto Braune. Boa sorte!

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