Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
É preciso valorizar mais o turismo interno!
Mês passado, os telejornais da Globo mostraram a quantidade enorme de brasileiros que andam visitando países do estrangeiro. Pessoas têm embarcado para Nova Iorque afim de pegarem gripe no rigoroso inverno que faz na terra do Tio Sam.
E mais! Os brazucas andam torrando milhões de reais em roupas de marcas e nas novidades tecnológicas que daqui uns meses se tornarão mercadorias ultrapassadas lá e aqui...
Quanta falta de gosto não é mesmo?!
Por que não aproveitar o delicioso verão do Hemisfério Sul?
No Nordeste, praia é o que não falta. Aqui no Sudeste, temos as maravilhas do litoral paulista, fluminense e capixaba, sem esquecer das lindas cachoeiras de Minas Gerais, terra de muitas montanhas. Até no Sul faz bastante calor nesses dois primeiros meses do ano!
Que os hotéis brasileiros exploram com seus altos preços e os serviços aqui ainda deixam muito a desejar, não tenho dúvidas sendo que a EMBRATUR precisa tomar iniciativas melhores para atrair mais gente para o país. Entretanto, o turista brasileiro prefere jogar sua grana fora, desperdiçando o suor de seu rosto com coisas que não valem tanto a pena.
Felizmente, o Brasil está numa boa fase econômica e agora é o momento de valorizarmos aquilo que é nosso. Nos últimos anos, houve aumento de empregos no mercado de mão-de-obra e poderia surgir muito mais oportunidades de trabalho se todos esses recursos fossem investidos aqui.
Neste Carnaval, um dos melhores roteiros é ficar aqui no Brasil. Nosso país tanto tem opções para quem gosta da festa como para quem pretende fugir da folia. E, se as praias em via de regra terão barulho, existem hotéis fazenda a balde aguardando por turistas no interior. É só botar o pé na estrada e passear...
Bom feriado!
OBS: A imagem acima foi extraída da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rio_de_Janeiro_Helicoptero_49_Feb_2006_zoom.jpg , sendo sua autoria atribuída a Mário Roberto Durán Ortiz, com permissão para reproduzir em outros sites. Tem-se a vista do Cristo Redentor, Baía de Guanabara e Botafogo, no Rio de Janeiro.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Dias chuvosos...
Eis que o primeiro mês do ano vem chegando ao final, mas dou graças a Deus pelas bençãos que alcancei independente das circunstâncias enfrentadas.
Choveu a maioria dos dias dessa temporada de janeiro de 2013 aqui em Mangaratiba, no litoral sul do Rio de Janeiro. Na tarde de 02/01, caiu uma grande tempestade e que abalou muito o turismo na região. Não somente Xerém e a Baixada Fluminense foram afetadas. As cidades da Costa Verde também! Principalmente Angra dos Reis.
Meu trabalho com sorvetes na praia, de certo modo, sofreu com as consequências do mal tempo. Eu esperava conseguir o dobro do que obtive e acabei lucrando menos do que dezembro (sem contabilizar ainda o trabalho de amanhã). Porém, não posso me queixar. Pois paguei todas as minhas dívidas mais o IPTU em quota única, minha licença de ambulante na Prefeitura de Mangaratiba e a anuidade total da OAB. Só a conta da esposa ficou negativa porque o INSS não pagou o benefício dela dia 25 quando entraram dois débitos agendados.
Não posso negar que parte desse ganho veio dos dias chuvosos. O mal tempo inviabilizava o trabalho em muitas horas do dia. Então, quando a chuva dava uma trégua, eu saía de casa pra vender os picolés na praia de Muriqui aproveitando os breves momentos de mormaço. E vezes em que Deus fez sair água da rocha de modo que, nesta segunda-feira (28), vendi uns 71 sorvetes no palito com a praia quase vazia.
Toda essa experiência tem me ensinado bastante. Comecei a vender picolé na praia dia 20/11 do ano passado conforme relatei no artigo Vai um picolé da Moleka aí?, postado naquele mesmo mês. Sendo ainda baixa temporada, contentei-me em vender umas poucas dezenas por dia e sempre agradeci a Deus por retornar para casa com alguns trocadinhos a mais no bolso podendo pagar as passagens de ônibus do tratamento de saúde da esposa, deixar de pedir dinheiro emprestado pra sogra (quitei logo tudo o que devia a ela) e comprar umas coisinhas a mais no supermercado.
Por outro lado, isso tudo foi mais um teste de humildade para mim. Sendo formado em Direito, tive que deixar a aparência de lado e sair pela praia vendendo picolé. Não demorou muito, as coisas foram melhorando ainda em princípios de dezembro. Ganhei mais dinheiro quando exerci a advocacia na cidade de Nova Friburgo, época em que me matei de trabalhar acumulando aborrecimentos, frustrações, decepções com a Justiça, problemas de mal entendido, etc.
Dizer que estou livre dos problemas não seria verdade. Muitas vezes ainda tenho que interromper o trabalho para levar a esposa no tratamento de sua saúde em Itaguaí ou em Mangaratiba, bem como resolver umas situações que aparecem. Cuidar dos processos que deixei em Nova Friburgo também pertubam perturbam muito. Pois a maioria dessas ações são casos antigos que se arrastam há anos. Em meados do mês passado, por exemplo, tive que ir pra serra fazer uma audiência de instrução e julgamento num processo de 2009 que ainda aguarda sentença.
Assim vou levando a vida. Pretendo continuar com os picolés até estabilizar-me financeiramente e definir um trabalho mais rentável. Não penso em concurso e nada que me prenda. Quero algo que equilibre minha necessidade de deslocamento no tempo e no espaço. Pois, quando ando pela praia, refresco a cabeça, converso com pessoas, olho para o mar, os montes e as ilhas contemplando a bela natureza com a qual o Criador abençoou o nosso querido Brasil.
OBS: Imagem da praia de Muriqui extraída do site oficial da Prefeitura de Mangaratiba em http://www.mangaratiba.rj.gov.br/portal/distritos/muriqui.html
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Mercados cheios de transgênicos
Quem diria?! O saboroso mingau de Cremogema que a vovó fazia antigamente agora é vendido nas prateleiras dos supermercados com amido de milho transgênico. E não é só a Maizena! Produtos de outras marcas conhecidas como a Yoki também estão contaminadas com organismos geneticamente modificados - OGMs.
Até uns tempos atrás, algumas empresas grandes faziam questão de informar nas embalagens que o produto comercializado era "livre de transgênico". Agora, porém, parece que tal informação perdeu importância para o resultado das vendas e para o esquecido público formador de opinião. Lamentável!
É certo que a grande maioria dos compradores no Brasil nem lê sobre as informações nutricionais básicas dos alimentos que vão parar nas mesas de suas casas. O cidadão comum nem esquenta a cabeça com aquilo que ele ingere por dia! Com isso, a nossa população está se tornando obesa. O brasileiro deixou um passado de subnutrição para se tornar hoje um povo gordo e mal nutrido. Inclusive o que mais se vê nas ruas são crianças com péssimos hábitos dietéticos negligenciados pelos pais. Um inegável reflexo do que significa o desenvolvimento econômico petista...
Todavia, busco defender um padrão diferente nos hábitos de consumo. Sei que é inevitável seguir uma alimentação 100% livre de transgênicos. Principalmente se agente não possui uma renda satisfatória que permita adquirir as coisas de qualidade expostas em lojas de produtos naturais em geral mais caras do que as convencionais. Ou pior, quando comemos em restaurantes e mal podemos saber de onde vem a comida oferecida nos cardápios. Só que em todos os casos é possível selecionar as mercadorias encontradas nas prateleiras e, desta maneira, levar um estilo de vida mais saudável.
Mas afinal de contas, qual é o problema dos transgênicos?
Não nego que, na década anterior e no final dos anos 90, houve uma dose elevada de alarmismo entre a opinião pública no que diz respeito à saúde humana. Neste caso, os malefícios diretos seriam quase os mesmos dos alimentos cultivados com defensivos e adubos químicos na agricultura convencional de larga escala. Apenas os produtos orgânicos proporcionariam benefícios superiores aos da biotecnologia empregada hoje no mercado para atender interesses puramente comerciais de grandes empresas.
Então um alimento transgênico poderia ser melhor do que outro cultivado com agrotóximos mas sem OGMs?
Bem, se pensarmos de maneira holística, o transgênico causa um terrível mal sócio-ambiental. Pois, na prática, o que ocorre é o aumento da dependência econômico-tecnológica do homem do campo (e de países pobres) em relação às companhias que vendem as sementes transgências de cultivo e mais seus respectivos venenos a exemplo do herbicida da Monsanto. A nociva monocultura continua sendo utilizada causando o esgotamento do solo e o surgimento de novas pragas. Tudo isso contribui para o desaparecimento das variedades de espécies alimentícias tradicionalmente produzidas.
Para a humanidade libertar-se do poderio dos laboratórios de sementes e, finalmente, usufruir os benefícios de uma agricultura orgânica e limpa será uma luta árdua que pode demorar anos. Isso exigirá o rompimento com os valores da economia de mercado e requer a conscientização do consumidor. Por isso, nunca é tarde demais lembrar o público sobre os malefícios dos transgênicos afim de que as pessoas não se esqueçam facilmente como costumam fazer quando vão às urnas nas eleições.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Os limites do amor de Cristo em nós
"Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte" (1Jo 3:14; ARA)
Neste começo de ano, mergulhei em mais uma de minhas crises de reflexão teológico-filosófica. Não é algo meramente conceitual ou do tipo se somos seres predestinados ou se nos resta alguma liberdade de escolha. Menos ainda se a humanidade descende historicamente de Adão e Eva ou se evoluiu de um primata ancestral.
Nada disso! Não quero perder meu tempo com questões loucas que nada podem acrescentar à edificação pessoal. Tenho mais o que fazer! Entretanto, mesmo com um envolvimento mais intenso com o trabalho nesses últimos dias, não dispenso uma significativa parcela das horas dadas por Deus para meditar acerca dos limites do amor cristão. Afinal de contas, até que ponto esse sublime amor é real ou utópico? As narrativas e os comentários bíblicos acerca do Messias Jesus, registradas no Novo Testamento, devem ser lidos como algo para ponderação na tentativa de definirmos a conduta humana ou se caracterizam como um modelo de vida a ser plenamente alcançado por nós pecadores?
Como conciliar o amor de Cristo em tempo integral com a objetividade imposta pela vida que, no seu devido tempo, exige de todos uma espécie de prestação de contas quanto ao resultado do labor, os cuidados com a família, com a saúde mental e física, com os investimentos na casa própria e num fundo de previdência, com o casamento e geração de filhos, a participação no meio social (política e festividades) e outras necessidades que parecem ter sido colocadas no mundo pelo divino Criador quando nos fez a sua imagem e semelhança?
Seria a mensagem de Cristo algo incompleto ou somos nós quem não entendemos completamente até hoje aquilo que o santo e justo Senhor veio fazer na terra durante os dias de sua encarnação?
Por uns anos acreditei que, se um número considerável de pessoas no mundo abraçasse inteiramente o amor cristão, colocando-o em prática a ponto de romper os limites do auto-sacrifício, haveria uma transformação planetária capaz de inaugurar uma sonhada era de paz e de justiça. Todavia, tenho considerado hoje a hipótese de que, se houver uma certa medida de amor nas coisas banais do cotidiano que fazemos, sem fugirmos da normalidade, alguma diferença positiva já acontecerá numa área desse imenso Universo. Mesmo que as coisas ainda prossigam caóticas como até hoje têm sido.
Afim de que eu não fique gastando palavras falando de maneira muito genérica e abstrata, a ponto de correr o risco de não ser bem compreendido, prefiro ir direto para alguns exemplos práticos de vida. Vou propositalmente expor situações a seguir em que o amor estaria sendo colocado em dúvida:
Primeiro exemplo. Imagine um patrão honesto e temente a Deus. Ele admitiu um funcionário que não produz aquilo que a empresa necessita da mão-de-obra contratada e que ainda comete muitos erros no desempenho das tarefas. A situação chega a um ponto insustentável até que o chefe se vê numa encruzilhada e precisa se posicionar. Ou ele dispensa o empregado ou continua tomando prejuízos financeiros atrasando cada vez mais o andamento dos negócios.
Segundo exemplo. Uma filha solteira em idade produtiva e tendo muitos pretendentes para o casamento mora com sua mãe que é idosa e doente. Ela precisa de atenção especial e que, por sua vez, demandam uma presença maior da filha no lar. Esta para prosseguir precisa sair de casa afim de trabalhar e não tem condições de pagar por uma cuidadora. Então, num certo momento, a moça pondera se deve colocar a mãe num asilo ou se deixará de desenvolver a sua vida profissional progredindo na carreira. Se vai investir num relacionamento afetivo com alguém ou se ficará assistindo TV em casa todas as noites presa a uma pessoa enferma e acamada?
Terceiro exemplo. Um diretor tem numa das salas de aula um estudante problemático com sérios defeitos de comportamento. O garoto atrapalha a turma, arruma brigas com os colegas no pátio, desrespeita a professora, não trás o dever de casa com as respostas, costuma faltar até provas e prejudica o ensino e a disciplina da escola. Aí os pais das outras crianças começam a reclamar com a direção daquele estabelecimento nas reuniões ameaçando não renovar as matrículas de seus filhos para o próximo período letivo caso a situação persista de modo que o nobre diretor precisa tomar uma posição. Ou ele desiste da "ovelha perdida" ou paga um elevado preço perdendo clientela.
Eu poderia citar incontáveis exemplo e até compartilhar abertamente uns dramas pessoais, o que talvez seja desaconselhável fazer publicamente. De todo modo, penso ter alcançado êxito em tentar transmitir minhas reflexões e daí indago qual a síntese do nosso encontro com o amor de Deus manifestado em Cristo. Como se configurará a cruz no viver diário de cada cristão conforme as decisões escolhidas? Ou no amor agape não existe espaços para meio termo devendo ser experimentado na radicalidade a ponto de se tornar auto-destrutivo sem sobrar uma dose para si mesmo?
"Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus." (1Jo 3:17)
Conforme escreveu Phillip Yancey no artigo Unwrapping Jesus (Desvendando Jesus), publicado na revista Christianity Today, em 17/06/1996, aconteceu certa vez em que, no curso de um evento, um conhecido judeu procurou o festejado escritor após este ter feito sua apresentação pública discursiva. O homem teria lhe dito assim:
Bem, eu estudo os evangelhos há quase trinta anos (leio a Bíblia com assiduidade desde os 10 e faço 37 em abril). Não sigo mais a ortodoxia cristã e já nem me preocupo em me afirmar como mais um herege (agora dizer-se "herege" virou moda), pois me importa muito mais a ortopraxia. Assim, tenho pesquisado Deus nas Escrituras da vida (inclusive na Bíblia), preservando reverência e temor pelo Eterno. Contudo, ao deparar-me com a realidade, não vejo outra saída senão ir ao confronto com ela. Busco encará-la de frente, nu, sem esconder-me atrás das árvores do Paraíso ou negar a responsabilidade que tenho pelas escolhas existenciais. Assumo meus pensamentos íntimos e a natural tendência do gene humano em desejar aquilo que nos falta do saber divino quanto ao bem e o mal. Logo, mesmo identificando-me como cristão de velha data, ainda me sinto tão aprendiz quanto o referido judeu que conversou com Yancey após a palestra deste. E, semelhantemente, vou procurando os rastros deixados pelas pegadas de Jesus ou de seus discípulos. E nisto descanso. Sei que Deus é maior do que meu coração!
Quem puder contribuir com seus comentários, sinta-se a vontade.
Paz e graça. Tenham um feliz 2013!
OBS: A ilustração acima trata-se da obra do artista Diego Velázquez (1599-1660), pintada a óleo sobre tela por volta do ano de 1632 tendo sido extraída da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cristo_crucificado.jpg e acrescentada à postagem dia 16/01/2013.
Neste começo de ano, mergulhei em mais uma de minhas crises de reflexão teológico-filosófica. Não é algo meramente conceitual ou do tipo se somos seres predestinados ou se nos resta alguma liberdade de escolha. Menos ainda se a humanidade descende historicamente de Adão e Eva ou se evoluiu de um primata ancestral.
Nada disso! Não quero perder meu tempo com questões loucas que nada podem acrescentar à edificação pessoal. Tenho mais o que fazer! Entretanto, mesmo com um envolvimento mais intenso com o trabalho nesses últimos dias, não dispenso uma significativa parcela das horas dadas por Deus para meditar acerca dos limites do amor cristão. Afinal de contas, até que ponto esse sublime amor é real ou utópico? As narrativas e os comentários bíblicos acerca do Messias Jesus, registradas no Novo Testamento, devem ser lidos como algo para ponderação na tentativa de definirmos a conduta humana ou se caracterizam como um modelo de vida a ser plenamente alcançado por nós pecadores?
Como conciliar o amor de Cristo em tempo integral com a objetividade imposta pela vida que, no seu devido tempo, exige de todos uma espécie de prestação de contas quanto ao resultado do labor, os cuidados com a família, com a saúde mental e física, com os investimentos na casa própria e num fundo de previdência, com o casamento e geração de filhos, a participação no meio social (política e festividades) e outras necessidades que parecem ter sido colocadas no mundo pelo divino Criador quando nos fez a sua imagem e semelhança?
Seria a mensagem de Cristo algo incompleto ou somos nós quem não entendemos completamente até hoje aquilo que o santo e justo Senhor veio fazer na terra durante os dias de sua encarnação?
Por uns anos acreditei que, se um número considerável de pessoas no mundo abraçasse inteiramente o amor cristão, colocando-o em prática a ponto de romper os limites do auto-sacrifício, haveria uma transformação planetária capaz de inaugurar uma sonhada era de paz e de justiça. Todavia, tenho considerado hoje a hipótese de que, se houver uma certa medida de amor nas coisas banais do cotidiano que fazemos, sem fugirmos da normalidade, alguma diferença positiva já acontecerá numa área desse imenso Universo. Mesmo que as coisas ainda prossigam caóticas como até hoje têm sido.
Afim de que eu não fique gastando palavras falando de maneira muito genérica e abstrata, a ponto de correr o risco de não ser bem compreendido, prefiro ir direto para alguns exemplos práticos de vida. Vou propositalmente expor situações a seguir em que o amor estaria sendo colocado em dúvida:
Primeiro exemplo. Imagine um patrão honesto e temente a Deus. Ele admitiu um funcionário que não produz aquilo que a empresa necessita da mão-de-obra contratada e que ainda comete muitos erros no desempenho das tarefas. A situação chega a um ponto insustentável até que o chefe se vê numa encruzilhada e precisa se posicionar. Ou ele dispensa o empregado ou continua tomando prejuízos financeiros atrasando cada vez mais o andamento dos negócios.
Segundo exemplo. Uma filha solteira em idade produtiva e tendo muitos pretendentes para o casamento mora com sua mãe que é idosa e doente. Ela precisa de atenção especial e que, por sua vez, demandam uma presença maior da filha no lar. Esta para prosseguir precisa sair de casa afim de trabalhar e não tem condições de pagar por uma cuidadora. Então, num certo momento, a moça pondera se deve colocar a mãe num asilo ou se deixará de desenvolver a sua vida profissional progredindo na carreira. Se vai investir num relacionamento afetivo com alguém ou se ficará assistindo TV em casa todas as noites presa a uma pessoa enferma e acamada?
Terceiro exemplo. Um diretor tem numa das salas de aula um estudante problemático com sérios defeitos de comportamento. O garoto atrapalha a turma, arruma brigas com os colegas no pátio, desrespeita a professora, não trás o dever de casa com as respostas, costuma faltar até provas e prejudica o ensino e a disciplina da escola. Aí os pais das outras crianças começam a reclamar com a direção daquele estabelecimento nas reuniões ameaçando não renovar as matrículas de seus filhos para o próximo período letivo caso a situação persista de modo que o nobre diretor precisa tomar uma posição. Ou ele desiste da "ovelha perdida" ou paga um elevado preço perdendo clientela.
Eu poderia citar incontáveis exemplo e até compartilhar abertamente uns dramas pessoais, o que talvez seja desaconselhável fazer publicamente. De todo modo, penso ter alcançado êxito em tentar transmitir minhas reflexões e daí indago qual a síntese do nosso encontro com o amor de Deus manifestado em Cristo. Como se configurará a cruz no viver diário de cada cristão conforme as decisões escolhidas? Ou no amor agape não existe espaços para meio termo devendo ser experimentado na radicalidade a ponto de se tornar auto-destrutivo sem sobrar uma dose para si mesmo?
"Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus." (1Jo 3:17)
Conforme escreveu Phillip Yancey no artigo Unwrapping Jesus (Desvendando Jesus), publicado na revista Christianity Today, em 17/06/1996, aconteceu certa vez em que, no curso de um evento, um conhecido judeu procurou o festejado escritor após este ter feito sua apresentação pública discursiva. O homem teria lhe dito assim:
"O que você falou me atingiu fundo no coração (...) Não sigo Jesus - sou judeu. Mas, quando você falou sobre Jesus perdoando seus inimigos, percebi como estou longe desse espírito. Tenho muito a aprender com o espírito de Jesus" (extraído do devocional Sinais da Graça, edição de 2011, Mundo Cristão, pág. 34)
Bem, eu estudo os evangelhos há quase trinta anos (leio a Bíblia com assiduidade desde os 10 e faço 37 em abril). Não sigo mais a ortodoxia cristã e já nem me preocupo em me afirmar como mais um herege (agora dizer-se "herege" virou moda), pois me importa muito mais a ortopraxia. Assim, tenho pesquisado Deus nas Escrituras da vida (inclusive na Bíblia), preservando reverência e temor pelo Eterno. Contudo, ao deparar-me com a realidade, não vejo outra saída senão ir ao confronto com ela. Busco encará-la de frente, nu, sem esconder-me atrás das árvores do Paraíso ou negar a responsabilidade que tenho pelas escolhas existenciais. Assumo meus pensamentos íntimos e a natural tendência do gene humano em desejar aquilo que nos falta do saber divino quanto ao bem e o mal. Logo, mesmo identificando-me como cristão de velha data, ainda me sinto tão aprendiz quanto o referido judeu que conversou com Yancey após a palestra deste. E, semelhantemente, vou procurando os rastros deixados pelas pegadas de Jesus ou de seus discípulos. E nisto descanso. Sei que Deus é maior do que meu coração!
Quem puder contribuir com seus comentários, sinta-se a vontade.
Paz e graça. Tenham um feliz 2013!
OBS: A ilustração acima trata-se da obra do artista Diego Velázquez (1599-1660), pintada a óleo sobre tela por volta do ano de 1632 tendo sido extraída da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cristo_crucificado.jpg e acrescentada à postagem dia 16/01/2013.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Boas festas a todos!
Prezados amigos da blogosfera,
Quero antecipadamente lhes agradecer por terem lido ou acompanhado minhas postagens durante esse ano de 2012 que já está findando.
Mais um período de nossas vidas é concluído. É hora de não somente fazermos um balanço das ações praticadas, mas também projetarmos o futuro, planejarmos aquilo que queremos. E por que não sonharmos com um planeta melhor? E que haja muita alegria!
Como me disse esta semana uma pessoa com quem conversei na praia de Muriqui, "a alegria é o alimento da alma". E, realmente, o ser humano é movido por um desejo eterno rumo à felicidade. Pois, por mais que venhamos a recuar durante breves momentos, postergando a nossa satisfação, é porque pretendemos usufruir dela amanhã de uma maneira mais plena. E, se hoje as coisas não estão parecendo boas, a esperança faz com que possamos crer num outro dia melhor. É como disse o profeta em seu cântico:
Vejam que fé manifestou Habacuque mesmo vivendo um momento difícil em que a sua nação estava sendo destruída e o seu povo levado como escravo pelos invasores estrangeiros!
Por isso, sem olharmos para as circunstâncias desfavoráveis do momento, devemos ter fé e celebrar as festas com alegria. Devemos prosseguir na caminhada da vida dando a ela um novo tom, recomeçando com mais entusiasmo e não nos abatendo com a rotina. Enfermidades, problemas financeiros, guerra e violência não podem nos abater. Precisamos ser firmes e acreditar. Nunca desistir.
Assim, pretendo estar terminando hoje minhas postagens de 2012. Só Deus sabe se ainda retornarei este ano com novos textos, apesar de ter muitos anotados em meu caderno de rascunho escritos da maneira tradicional com papel e tinta. E espero que, nas oportunidades, eu possa ir compartilhando aqui com vocês.
Desejo a todos boas festas, um ótimo Natal e um 2013 cheio de felicidade com bastante PAZ.
OBS: Ilustração acima extraída da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Christmas_collage.PNG
Quero antecipadamente lhes agradecer por terem lido ou acompanhado minhas postagens durante esse ano de 2012 que já está findando.
Mais um período de nossas vidas é concluído. É hora de não somente fazermos um balanço das ações praticadas, mas também projetarmos o futuro, planejarmos aquilo que queremos. E por que não sonharmos com um planeta melhor? E que haja muita alegria!
Como me disse esta semana uma pessoa com quem conversei na praia de Muriqui, "a alegria é o alimento da alma". E, realmente, o ser humano é movido por um desejo eterno rumo à felicidade. Pois, por mais que venhamos a recuar durante breves momentos, postergando a nossa satisfação, é porque pretendemos usufruir dela amanhã de uma maneira mais plena. E, se hoje as coisas não estão parecendo boas, a esperança faz com que possamos crer num outro dia melhor. É como disse o profeta em seu cântico:
"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18; destaquei)
Vejam que fé manifestou Habacuque mesmo vivendo um momento difícil em que a sua nação estava sendo destruída e o seu povo levado como escravo pelos invasores estrangeiros!
Por isso, sem olharmos para as circunstâncias desfavoráveis do momento, devemos ter fé e celebrar as festas com alegria. Devemos prosseguir na caminhada da vida dando a ela um novo tom, recomeçando com mais entusiasmo e não nos abatendo com a rotina. Enfermidades, problemas financeiros, guerra e violência não podem nos abater. Precisamos ser firmes e acreditar. Nunca desistir.
Assim, pretendo estar terminando hoje minhas postagens de 2012. Só Deus sabe se ainda retornarei este ano com novos textos, apesar de ter muitos anotados em meu caderno de rascunho escritos da maneira tradicional com papel e tinta. E espero que, nas oportunidades, eu possa ir compartilhando aqui com vocês.
Desejo a todos boas festas, um ótimo Natal e um 2013 cheio de felicidade com bastante PAZ.
OBS: Ilustração acima extraída da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Christmas_collage.PNG
Habacuque 3:17
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Quero blogar mais vezes, mas tá difícil...
Caros leitores desse blogue,
Talvez alguns aqui já sabem o motivo pelo qual tenho postado menos vezes aqui e o porquê das minhas ausências nos blogues de alguns comentaristas que antes costumava visitar com frequência.
Participo ainda de outros dois blogues de postagens coletivas chamados também de confrarias. Um é sobre assuntos teológicos e o outro para textos digamos mais filosóficos. Contudo, quase não estou conseguindo acompanhar mais todas as discussões da blogosfera e menos ainda compartilhar regularmente os artigos de minha autoria nas duas confrarias.
As coisas mudaram muito para mim de uns tempos pra cá, como podem ler nos textos anteriores. Já são mais de quatro meses sem internet em casa e, com a mudança em definitivo para o município de Mangaratiba, em 21/08, minhas oportunidades de acesso à rede restringiram-se praticamente às salas da OAB nos fóruns das comarcas daqui e de Itaguaí, à lan house gratuita da Prefeitura no distrito de Muriqui, ao centro de inclusão digital também do governo local ou quando tenho a chance de usar o computador de algum conhecido. Neste caso, aproveito para atualizar meus contatos e informações na rede social do Facebook.
Quando bate aquela inspiração incontrolável, pego logo o meu caderninho com a capa do Flamengo e torno a rascunhar de trás para frente com a caneta esferográfica. Ou seja, faço uma paginação às avessas ainda que eu escreva normalmente da esquerda para a direita já que uso o idioma português e não algo exótico como o árabe ou o hebraico...
Confesso que a vida com menos internet tem lá suas vantagens. Agente fica mais disponível para outras coisas. Até para fins de trabalho a iniciativa aumenta assim como para dedicar-me mais à família, Igreja, ler bons livros, ter contatos com a natureza, caminhar e se divertir com maior sabor.
Dizer que o computador proporciona mais tempo livre para as pessoas não é uma verdade absoluta. Pois, ainda que certas atividades laborais possam ser resolvidas com um click do mouse, o certo é que ficamos bem mais absorvidos com o mundo virtual a ponto de não podermos aguentar nem um minuto sem ver o que está se passando aqui e ali, se a resposta do fulano já chegou, se alguém comentou algo, se tem novos emails chegando, etc. E aí o instrumento que deveria servir para nos proporcionar liberdade torna-se uma corrente de escravidão às nossas próprias compulsões.
Ainda assim, há momentos que sinto falta daquela facilidade que tinha antes para blogar quando morava em Nova Friburgo e nos poucos meses que passei no Rio. De poder digitar meus textos num ambiente mais tranquilo e passar horas debatendo assuntos com pessoas que interagem do outro lado, às vezes até em estados e países distantes. Algo que servia-me como um bom remédio para o tédio a que ao mesmo tempo diminuía a dependência do nosso mundo real.
Enquanto isso, vou tendo que lidar com aquele incontrolável desejo de querer publicar artigos novos e me curar do comportamento de compartilhar impulsivamente pensamentos, ideias e experiências. E aí a necessidade de ser ouvido, conhecido, reconhecido ou de fugir de outras responsabilidades precisará se algum modo ser encarada. E Deus tá aí para me ajudar. Ao Pai Eterno tenho sempre.
Boa semana para todos vocês!
Talvez alguns aqui já sabem o motivo pelo qual tenho postado menos vezes aqui e o porquê das minhas ausências nos blogues de alguns comentaristas que antes costumava visitar com frequência.
Participo ainda de outros dois blogues de postagens coletivas chamados também de confrarias. Um é sobre assuntos teológicos e o outro para textos digamos mais filosóficos. Contudo, quase não estou conseguindo acompanhar mais todas as discussões da blogosfera e menos ainda compartilhar regularmente os artigos de minha autoria nas duas confrarias.
As coisas mudaram muito para mim de uns tempos pra cá, como podem ler nos textos anteriores. Já são mais de quatro meses sem internet em casa e, com a mudança em definitivo para o município de Mangaratiba, em 21/08, minhas oportunidades de acesso à rede restringiram-se praticamente às salas da OAB nos fóruns das comarcas daqui e de Itaguaí, à lan house gratuita da Prefeitura no distrito de Muriqui, ao centro de inclusão digital também do governo local ou quando tenho a chance de usar o computador de algum conhecido. Neste caso, aproveito para atualizar meus contatos e informações na rede social do Facebook.
Quando bate aquela inspiração incontrolável, pego logo o meu caderninho com a capa do Flamengo e torno a rascunhar de trás para frente com a caneta esferográfica. Ou seja, faço uma paginação às avessas ainda que eu escreva normalmente da esquerda para a direita já que uso o idioma português e não algo exótico como o árabe ou o hebraico...
Confesso que a vida com menos internet tem lá suas vantagens. Agente fica mais disponível para outras coisas. Até para fins de trabalho a iniciativa aumenta assim como para dedicar-me mais à família, Igreja, ler bons livros, ter contatos com a natureza, caminhar e se divertir com maior sabor.
Dizer que o computador proporciona mais tempo livre para as pessoas não é uma verdade absoluta. Pois, ainda que certas atividades laborais possam ser resolvidas com um click do mouse, o certo é que ficamos bem mais absorvidos com o mundo virtual a ponto de não podermos aguentar nem um minuto sem ver o que está se passando aqui e ali, se a resposta do fulano já chegou, se alguém comentou algo, se tem novos emails chegando, etc. E aí o instrumento que deveria servir para nos proporcionar liberdade torna-se uma corrente de escravidão às nossas próprias compulsões.
Ainda assim, há momentos que sinto falta daquela facilidade que tinha antes para blogar quando morava em Nova Friburgo e nos poucos meses que passei no Rio. De poder digitar meus textos num ambiente mais tranquilo e passar horas debatendo assuntos com pessoas que interagem do outro lado, às vezes até em estados e países distantes. Algo que servia-me como um bom remédio para o tédio a que ao mesmo tempo diminuía a dependência do nosso mundo real.
Enquanto isso, vou tendo que lidar com aquele incontrolável desejo de querer publicar artigos novos e me curar do comportamento de compartilhar impulsivamente pensamentos, ideias e experiências. E aí a necessidade de ser ouvido, conhecido, reconhecido ou de fugir de outras responsabilidades precisará se algum modo ser encarada. E Deus tá aí para me ajudar. Ao Pai Eterno tenho sempre.
Boa semana para todos vocês!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Vai um picolé da Moleka aí?
Dia 20/11 (feriado regional de Zumbi no Rio de Janeiro dedicado à consciência negra), comecei a vender picolé na praia aqui no litoral sul fluminense.
Eu já estava pensando em fazer isso há algum tempo mas me faltava uma dose de coragem e de entusiasmo para acreditar num investimento em algo sem ter a certeza de ganho. Olhava para as dificuldades, via uma quantidade enorme de contas a pagar e temia arriscar perder qualquer quantia. Mesmo que fosse a compra de um isopor de R$ 15,00 mais a fita adesiva de R$ 4,00 para passar em volta da caixa mais as primeiras unidades de picolés. Algo inferior a R$ 100,00 mas que pode parecer muito para um sujeito desempregado com a auto-estima não muito firme.
Na tarde do dia 19, comprei os instrumentos de trabalho que precisava. Não tinha nada no bolso e a minha conta no ITAÚ já se achava com saldo negativo. Comprei o isopor assim mesmo pagando no cartão de débito e, desta meneira, fiz com que a quantia de R$ 10,00 dada pela sogra para a compra de um queijo ficasse comigo quando fui até à mercearia para ela. Ao invés de pagar no dinheiro, usei o cartão aumentando mais ainda a dívida do especial. Então sobraram R$ 6,00 do troco pela aquisição da fita adesiva na papelaria.
O feriado amanheceu chuvoso e parecia que não iria dar praia. Por ter acordado cedo, fui logo para a oração na igreja às 7:30 hs e dali retornei para a casa. Sem fome para o café porque tinha enchido a pança num aniversário durante a noite passada, preparei meu chimarrão e fui bebendo só o chá de Ilex paraguariensis enquanto escrevia um texto teológico para publicar futuramente no blogue. Dei graças a Deus mesmo por aquela momentânea falta de oportunidade.
No final da manhã, o céu limpou e o sol saiu. Eu ainda estava empolgadão escrevendo o meu rascunho no caderno de anotações e resolvi não deixar a cadeira enquanto não terminasse aquela redação. Mas quando a concluí, saí dali anfetaminado pela erva mate e compareci ao local de trabalho de um irmão da igreja pedindo-lhe uns jornais velhos. Acordei Núbia para ela m ajudar a preparar a caixa de isopor enquanto faria a barba e tomaria um banho afim de cuidar da aparência.
Com a barriga vazia, despedi-me de todos os de casa e fui à luta. A vontade de começar a trabalhar e de viver dignamente era tanta que saciou a fome física. Não dava para esperar o almoço ficar pronto. Tinha que começar a vender logo os picolés.
Tendo apenas R$ 6,00 na carteira, não seria possível comprar muitos picolés. Eu sabia que o mínimo no atacado são 40 unidades com pagamento á vista. Só que a fila dos terminais do Banco 24 Horas estava enorme e cheia de turistas sacando dinheiro afim de retornarem para suas cidades. Por precaução, levei o talão de cheque mais o cartão de débito. Só que uma dúvida restava:
Como convencer o fornecedor se ele não aceitasse algo além de dinheiro vivo?
Foi aí que resolvi criar uma situação favoravel. A princípio, eu não falei nada para a vendedora sobre a falta de dinheiro. Comecei informando-a que iria começar a trabalhar com os picolés e que precisava de dicas sobre como arrumar o produto na caixa e escolher os sabores mais procurados pelo consumidor. Indaguei sobre como manteria conservada a temperatura no isopor e ela logo emprestou uma placa de gelo guardada no refrigerador da loja. Também fiz-me de desentendido e perguntei a respeito da quantidade mínima para o atacado. Ela me respondeu:
"Isso aqui você me devolve no final quando terminar de trabalhar. Fechamos às seis. Se necessário, eu troco a placa de gelo para você. Também retorno o dinheiro dos picolés que não vender e estiverem começando a derreter. Só não deixe que amoleçam porque aí o produto perde a serventia e, neste caso, não poderemos ressarci-lo. Como você está começando hoje, eu deixo levar 20 picolés ao inves de 40 com o preço de atacado"
Decidi abrir o jogo com ela quando tinha deixado por último o pagamento que deve ser feito com antecipação sem esconder minha condição. Tentei primeiro fazer a compra no cartão de debito e depois no cheque usando-o como caução, mas não foi possível. Aí apresentei os R$ 6,00 guardados na carteira e propus comprar só o que desse com o preço de atacado. Então, a moça liberou por sua conta e risco como funcionaria as unidades restantes para completar os 20 picolés anotando o debito no papel sem eu precisar assinar. Fiquei duro e sem nenhuma nota ou moeda para o troco, mas tudo bem. Era melhor do que sair só com 5 unidades pagando o preço de varejo em que a margem de lucro ficaria bem menor.
Quando cheguei na praia, tomei primeiro a direção da direita rumo ao Iate Clube. Comecei a gritar "olha o picolé", mas ninguém se interessou. Voltei, fui para a esquerda e continuei anunciando o produto com os seus maravilhosos sabores. Então não demorou muito para que pessoas e, principalmente, familias com crianças fizessem sinal pra eu me aproximar.
Que coisa interessante! As vezes eu andava por alguns minutos ate aparecer um cliente. Porem, bastava achar uma família que conseguia vender varios picoles de uma só vez. Quando menso esperava, vinha um garoto ou uma menininha perguntando quanto que era. Então oferecia no mesmo preço que os demais vendedores para não prejudicar a ninguém.
As horas passaram depressa e eu me senti super satisfeito com a venda inesperada naquele feriado em que muitos ambulantes talvez já nem acreditassem por causa do mal tempo feito na manhã. É certo que boa parte dos turistas já estava deixando o municipio de Mangaratiba, mas ainda havia gente na praia aproveitando seus últimos instantes de folga. Pessoas que talvez só encarariam o trânmsito na estrada de noite ou no dia seguinte.
Agradeci a Deus pelo que consegui, pelos meus primeiros frutos com o novo trabalho. Amei estar servindo pessoas num ambiente agradável que é a praia daqui vendendo um produto saudável como são os saborosos picoles da Moleka (nenhum deles tem gordura trans). E o fato de eu ter caminhado para lá e para cá carregando uma caixa de isopor nas costas, fez-me bem ajudando na produção de serotonina apesar das dores nas costas. Alegre, retornei para casa. Fiquei feliz por ter encontrado uma fonte alternativa de renda bem oportuna neste preocupante momento de instabilidade financeira que atravesso.
Muito obrigado, Pai Celestial!
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