Há 22 anos, mais precisamente em 21 de junho de 2004, partia o engenheiro e líder trabalhista Leonel Brizola.
Recordo que o primeiro a me transmitir a notícia não foram os jornais nem alguém que ocupasse cargo político, mas sim um humilde trabalhador da limpeza urbana que passou em frente ao portão da casa onde eu morava, em Nova Friburgo.
Naquela época, eu estava no último ano da faculdade, prestes a apresentar minha monografia de conclusão do curso de Direito.
Nascido no Rio de Janeiro em 1976, ouvi falar de Brizola pela primeira vez quando tinha apenas seis anos de idade, durante a campanha das eleições de 1982. E seria pela primeira vez, desde a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, que os fluminenses voltariam a escolher diretamente o governador. Era também a primeira eleição direta para o cargo no estado unificado desde o endurecimento do regime militar.
Para uma criança, era uma animação a mais acompanhar o engajamento dos adultos. Eu colecionava santinhos e acabava assistindo ao horário eleitoral mesmo contrariado pela interrupção da programação infantil. Gostava especialmente dos desenhos exibidos no programa do Balão Mágico.
Naquele momento, porém, eu não tinha a menor ideia do que realmente estava acontecendo no país. Não compreendia o significado da transição democrática nem a importância histórica daquele processo. Para mim, tudo parecia normal.
Curiosamente, meu falecido pai, que já era separado de minha mãe, era um brizolista convicto. Embora nascido em uma família de tradição militar, tinha o velho Partidão como referência política, mantinha uma edição em espanhol de "O Capital", de Karl Marx, como livro de cabeceira e acompanhou a fundação do PDT em uma época em que a esquerda ainda carregava as marcas da perseguição política. Como muitos trabalhadores da Companhia Estadual de Gás (CEG), na época uma empresa estatal, ele via no trabalhismo um instrumento de defesa da soberania nacional, dos direitos sociais e da valorização do trabalhador.
Passadas mais de duas décadas de sua partida, as causas que Leonel Brizola defendeu ao longo de sua vida continuam atuais: a democracia, a soberania nacional, a valorização do trabalho, a justiça social e a educação em tempo integral como instrumento de emancipação e desenvolvimento.
O trabalhismo segue vivo, inspirado por esses compromissos e pela construção de um Brasil mais desenvolvido, mais justo e mais inclusivo para todos os brasileiros. 🇧🇷👊🏻🌹

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