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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dias variados no Rio de Janeiro


Estou há mais de 5 meses morando no Rio de Janeiro e confesso que já comecei a gostar de viver na Cidade Maravilhosa. Principalmente nesses dias mais amenos do outono carioca.

A grande vantagem do Rio é que sempre existem opções para uma pessoa divertir-se abrangendo quase todos os gostos. Mesmo com chuva e temperaturas mais baixas, a cidade oferece exposições em museus, cinemas, teatros, shows musicais, eventos, palestras, torneios esportivos, shoppings, supermercados que funcionam 24 horas, igrejas antigas, além da aconchegante casinha da gente. E se o tempo está bom (o Rio tem mais de 200 dias de sol), a bela geografia do município ainda proporciona outras oportunidades de lazer como banhos de mar nas mais variadas praias, caminhadas, passeios na floresta, ida ao zoológico ou ao Jardim Botânico, visita aos tradicionais mirantes turísticos tipo o Pão de Açúcar, Corcovado ou Vista Chinesa, observação astronômica no Planetário da Gávea, uma partida de futebol com os amigos, piquenique na Quinta da Boa Vista, voos de asa-delta, atividades náuticas, etc. E, se com tudo isso, você ainda desejar passar um final de semana num local diferente, não é difícil viajar por causa da grande disponibilidade de ônibus para outras cidades do litoral fluminense, Região Serrana, Zona da Mata mineira, lugares de São Paulo, além das linhas aéreas nos dois aeroportos.

É certo que as condições econômicas limitam a vida de um carioca pobre como eu, mas nem tanto. Para dizer a verdade, tenho me dado por satisfeito em permanecer aqui pelo Rio e suas adjacências, ampliando o meu conhecimento sobre a cidade. Não apenas fazendo turismo interno como também participando da vida comunitária, realizando coisas na região do bairro e relacionadas às minhas atividades profissionais.

Dia 17/05, após ler o texto “O Magnetismo das Catedrais e dos Cinemas de Outrora”, no blogue Ensaios & Prosas, tive um ataque de nostalgia. Depois de compartilhar os meus comentários acerca do artigo no site, resolvi ir com Núbia ao Shopping Iguatemi, no bairro vizinho de Vila Isabel, afim de assistirmos Paraíso Artificiais. Fazia um tempão que eu não entrava num cinema!

Minha esposa gostou bastante do filme. O tema da obra é sobre o uso de entorpecentes e mostra a alienação da juventude que envereda por esse triste caminho em busca de experiências nada construtivas. E o que mais me chamou a atenção, além da beleza das atrizes Nathalia Dill e Lívia de Bueno, foi a percepção do ponto de vista do drogado, de modo que pude refletir sobre o ambiente relacionado ao consumo dessas substâncias destrutivas nas agitadas discotecas com aquelas luzes piscando o tempo todo.

No decorrer da semana passada, dividi o tempo trabalhando, indo a uma reunião com os integrantes do movimento Amigos do Rio Joana no morro do Andaraí (outro bairro vizinho ao meu), preparando uma palestra na Semana Acadêmica do campus da Universidade Cândido Mendes (UCAM) em Nova Friburgo, acompanhando minha esposa em sua sessão de acupuntura na Tijuca e, finalmente, viajei para a região serrana afim de apresentar-me aos alunos na sexta-feira (25/05).

Tendo sido convidado pela atuante professora Janaína Botelho, falei sobre As leis do Antigo Oriente Próximo e Alguns Aspectos Comparativos entre o Direito Hebraico e o Direito Mesopotâmico, dentro da temática da disciplina História do Direito que ela leciona na UCAM. Fui muito bem recebido pelo professor Francisco Assis Corrêa Barbosa, coordenador geral do curso, com quem conversei por quase uma hora assim que cheguei. Após a exposição da palestra no auditório da instituição, prevista para começar às 19 horas, ainda permaneci ali debatendo e respondendo às perguntas dos participantes, pelo que devo ter saído de lá após às 22 horas. Acabei dormindo em Nova Friburgo de sexta pra sábado e retornei pra em casa apenas no meio da tarde.

E se vocês pensam que passei o meu domingo em casa descansando, estão enganados!

Ontem, logo que acordei e fiz minha leitura da Bíblia (estou estudando o livro de Esdras), decidi sair com Núbia. Primeiro andamos pela feirinha da Prefeitura que rola todo final de semana aqui na pracinha Edmundo Rego, no bairro Grajaú, e fomos comer os saborosos bolos feitos por uma senhora que fica numa barraca quase em frente à avenida Júlio Furtado e cujos doces lembram aquelas delícias com as quais nos fartávamos quando moramos em Nova Friburgo. Então, abastecidos de glicose e de carboidrato, tomamos um ônibus rumo ao Centro do Rio e descemos na Praça XV de onde fomos caminhando à parte histórica para o lado da igreja da Candelária.

Diferentemente das outras ocasiões já relatadas neste blogue, em que eu mesmo tinha levado Núbia aos locais, desta vez foi ela quem me sugeriu o roteiro. Fui conhecer o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), situado no número 66 da Rua Primeiro de Março, o qual minha esposa já frequentava muito antes de começarmos a namorar em fevereiro de 1999. Visitamos a Galeria de Valores com sua imensa coleção de moedas de diversas épocas e países (2000 peças do acervo numismático do BB), as exposições sobre a Amazônia e também mostrando um pouquinho da cultura dos maias da América Central.

Prosseguimos o passeio pelo resto da tarde indo ao Centro Cultural dos Correios e, finalmente, na Fundação Casa França-Brasil. Antes, porém, alimentamo-nos ali mesmo pela área do Corredor Cultural do Rio de Janeiro e fomos a um restaurante especializado em frutos do mar na Rua Visconde de Itaboraí. Núbia pediu uma porção de sardinhas fritas com limonada suíça. Já eu preferi degustar um queijo de cabra temperado com uma tacinha de vinho tinto. E ficamos só nos aperitivos mesmo porque os preços dos pratos estavam relativamente caros para os nossos bolsos.

Apesar dos valores cobrados pelos bistrôs e restaurantes que existem na área Corredor Cultural, até que o passeio é bem acessível à população carioca já que, nos locais onde visitamos, a entrada é gratuita. São todos prédios antigos e que alcançaram importância na história da cidade, lembrando a opulência da época imperial e da primeira república quando o café impulsionava a economia brasileira. Só os elevadores do CCBB e do antigo edifício dos Correios são chiquérrimos!

Além das exposições, pode-se usufruir de bibliotecas, música teatro e cinemas, com as devidas adaptações para as pessoas portadoras de necessidades especiais. O ingresso para assistir filmes no CCBB custa R$ 6,00 (seis reais) e R$ 3,00 (três reais) a meia-entrada. Enfim, dá para todos (ou quase todos) os moradores do Rio conhecer, caso queiram.


OBS: A primeira imagem deste artigo refere-se a uma foto do prédio da Fundação Casa França-Brasil extraída da Wikipédia, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:CasaFrancaBrasil-CCBY.jpg cuja autoria é atribuída a um usuário do Flickr com o pseudônimo de "canoafurada". Já a segunda ilustração diz respeito à Semana Acadêmica que está ocorrendo em maio deste ano no campus da Universidade Cândido Mendes, da qual participei com muito gosto. E, finalmente, a terceira imagem mostra o edifício do Centro Cultural dos Correios que obtive junto ao site da instituição em http://www.correios.com.br/sobreCorreios/educacaoCultura/centrosEspacosCulturais/CCC_RJ/default.cfm  . Finalmente, compartilho um trailer do filme Paraísos Artificiais que assisti com Núbia dia 17.