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domingo, 4 de junho de 2017

Caminhando pela Ilha de Itacuruçá



Neste último sábado (03/06), resolvi fazer mais uma caminhada pela Ilha de Itacuruçá, no 3º Distrito de Mangaratiba - RJ, um recanto que conheci pela primeira vez em 2003 e que retornei por algumas vezes depois. Principalmente quando passei a residir aqui no Município há cinco anos atrás.

Gosto de praias, porém prefiro usufruir delas nessa época do ano como num ensolarado de final de outono. É quando essas dádivas da natureza tornam-se realmente agradáveis para mim. Ou seja, ficam vazias, porém com mais tranquilidade, menos tumulto e sem o calor forte. Por isso, o litoral no inverno brasileiro é muito melhor para uns caras como eu do que aquele verão agitado... 

Assim, animado com a manhã de sol, saí a pé de Muriqui e fui caminhando pela linha férrea até chegar em Itacuruçá de onde tomei um barco (táxi-boat) até à comunidade da Gamboa, na ilha que leva o nome do Distrito. Foi uma viagem rápida e que custou módicos R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos).


A Ilha de Itacuruçá é uma porção de terra, com 10 milhões de metros quadrados, muito próxima ao continente, acessível somente por meio de embarcações e que é dividida por dois municípios: Itaguaí e Mangaratiba (a maior parte é nossa). Possui significativas áreas verdes, animais silvestres, algumas praias bem frequentadas no calor, casas de veranistas, uma população fixa de residentes, pequenas plantações e trilhas convidativas para inesquecíveis passeios ecológicos. Com uma boa dose de disposição, dá para circundar seus 20 quilômetros de perímetro a pé e ainda fazer a travessia da Gamboa à Praia Grande por dentro da floresta, subindo um morro.

A Gamboa é a maior e mais povoada localidade da Ilha de Itacuruçá. É um lugar que hoje precisa ao mesmo tempo de conservação ambiental e de melhorias em termos de urbanismo para proporcionar mais qualidade de vida á sua população, além de serviços como educação, saúde, segurança e saneamento básico. Falta também um trabalho de capacitação para o turismo pois a localidade poderia se desenvolver através dessa promissora atividade que o Brasil não sabe até hoje como explorar. Ainda assim existem ali pelo menos umas duas áreas de lazer, um pequeno comércio e uma escola para o primeiro segmento do ensino fundamental.







Geralmente é na Gamboa que gosto de iniciar os meus passeios na ilha. Caminho por uma rua que se inicia na praia e vou prosseguindo até um campo de futebol donde partem algumas trilhas. Uma para segue a Praia Grande e a outra para Águas Lindas e Quatiquara, sendo esta pertencente a Itaguaí e não a Mangaratiba. Todos os caminhos são cheios do verde da Mata Atlântica.

Preferi partir direto da Gamboa para Águas Lindas sem precisar descer em Quatiquara ao contrário do que havia feito num passeio anterior, realizado durante o verão deste ano. Nesse trajeto, observa-se um cenário muito bonito nos dois lados do alto da trilha.




Águas Lindas, umas das comunidades mais distantes da ilha, considero-a um paraíso para quem deseja descansar do estresse da cidade grande e ter uns momentos de lazer junto à natureza. Pouco depois, fica a Praia Maria Russa (ver duas últimas das cinco fotos adiante), um outro recanto maravilhoso e que se encontrava praticamente deserto nesse sábado, num ambiente bem diferente dos agitados meses do verão.






Após a Praia Maria Russa, peguei talvez a mais longa trilha da ilha que termina na Prainha da qual se tem acesso à Praia Grande. Nesse trajeto, encontrei um ótimo lugar para quem gosta de pescar e quer relaxar a cabeça sem se preocupar com nada. Porém, prosseguindo, mais belezas se vê na paisagem. Dá para avisar a tal da Prainha, a Ilha de Jaguanum, uma pequena ilhota e muitos outros locais aqui na Baía de Sepetiba.






Finalmente, depois de muito caminhar, alcancei a badalada Praia Grande que, felizmente, encontrava-se quase vazia. Se tivesse trazido roupa de banho, daria um mergulho no mar e depois tiraria o sal num pequeno córrego que deságua ali. Porém, preferi continuar caminhando e peguei uma trilha que retorna direto para a Gamboa.





Verdade que o litoral sul fluminense esconde paraísos fantásticos e que se tornam ainda mais convidativos para os amantes da natureza durante a baixa temporada. Porém, faltam nas ilhas daqui de Mangaratiba um pouco mais de investimentos voltados para área do turismo ecológico. Pois, diferentemente da Ilha Grande, situada no Município vizinho de Angra dos Reis, eis que a Ilha de Itacuruçá não dispõe de placas que possibilitem uma melhor orientação dos que visitam o lugar pretendendo percorrer a pé as suas praias.

A meu ver, tanto no começo e no final das trilhas, bem como nas bifurcações, poderiam ser colocadas placas indicativas informando qual a direção a tomar, o que evitará vias paralelas ou que o visitante acabe ingressando indevidamente nas propriedades. Além disso, considero recomendável que a Prefeitura informe a extensão de cada percurso, assim como indique os nomes das praias, dos povoados, dos córregos e também dos pontos de interesse turístico, documentando resumidamente a História da ilha.

Atentando para esses detalhes, certamente que Mangaratiba estará dando um importante passo para que a Ilha de Itacuruçá possa contar com um outro tipo de turismo mais organizado e de melhor qualidade que a visitação feita no período de verão. E, por sua vez, o Município irá atrair para lá um novo segmento de turistas interessados não só nas praias durante o período de verão, mas também nos roteiros para caminhadas, apreciando a natureza com suas diversificadas paisagens.




No caso da proteção do espaço marítimo-territorial da ilha, talvez seja sugestivo termos ali uma Área de Proteção Ambiental (APA) estadual, sob os cuidados do INEA, devido aos conflitos de gestão dos municípios de Itaguaí e de Mangaratiba. E, como existem pessoas morando lá, além de pequenas atividades econômicas desenvolvidas pelos próprios habitantes locais, há que se escolher um tipo de unidade de conservação de uso sustentável que, no artigo 15 caput da Lei Federal n.º 9.985/2000, corresponde à APA:

"A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais."

Todavia, nada impede que, sobrepondo-se à área de proteção ambiental estadual, o órgão ambiental da nossa Prefeitura estude a criação de um pequeno parque ecológico nos trechos não habitados ou de fraco povoamento já que as terras precisarão passar por um processo de desapropriação. Isto reservaria importantes parcelas da ilha para que se mantenham preservadas, tenham a vegetação original restaurada, recebam uma regrada visitação de turistas (inclusive nas praias) e venham a ser contempladas com recursos de projetos de pesquisas vindos de ONGs, instituições de ensino e dos governos.

4 comentários:

  1. Com deve ser agradável caminhar por recantos praieros aprazíveis em que a natureza foi preservada. Parece até com o Brasil de 200 anos atrás. Não existe nada melhor para um relaxamento psíquico e corporal, que um passeio dessa natureza, Rodrigão. Você é um felizardo, por morar perto de lugares como os que acaba de nos mostrar.

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  2. Boa noite, Levi.

    Embora boa parte dessa mata seja regenerada, não deixa de ser um ambiente bem agradável para passeio com bastante ar puro e paisagens maravilhosas.

    Realmente aqui tenho uma variedade de lugares aprazíveis para caminhar. Além dessa ilha perto do continente, costumo às vezes fazer uma trilha que sobe pelas matas da Serra do Mar até um outro distrito interiorano do Município com uma cultura um pouco diferente daqui do litoral, ainda com algumas criações e plantações.

    Há ainda outras ilhas e vales por aqui e até pouco tempo a Ilha Grande era mais acessível aos moradores de Mangaratiba. Depois a tarifa da barca subiu. Como já percorri várias partes de lá, acabo não me animando tanto a voltar nessas condições. Se bem que mantenho o desejo de ver como anda o museu onde era o antigo presídio que o Brizola havia destruído quando governava o Rio.

    Acredito que aí na Paraíba tenha também alguns locais interessantes nas áreas rurais, inclusive com florestas, pois uma parte de seu estado também foi coberto pela floresta Atlântica. E creio que haja alguns resquícios do que foi esse bioma no passado (se bem que aí vai mais do que 200 anos porque i vilão do desmatamento no Nordeste foi a cana-de-acucar bem anterior ao café).

    Atualmente ainda há locais de mata quase original por aqui em trechos de parques nacionais como o da Bocaina, Itatiaia e Serra dos Órgãos. Geralmente nas terras mais altas e de difícil acesso onde o cultivo do café não chegou.

    Forte abraço e ótima semana!

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  3. Caminhar por locais frescos e bonitos é sempre muito agradável. As fotos são de uma doçura paisagística ímpar.
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    Hoje fiz a minha 1.ª publicação no Delírios. Espero que a vá/vão ver e conhecer. Sincero obrigado

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    1. Obrigado, Gil, por sua leitura e comentários.

      Abraços e volte sempre que desejar.

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