Páginas

Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de julho de 2026

O Castelinho de Itacuruçá: um patrimônio histórico que pode impulsionar o turismo cultural de Mangaratiba

 


Na tarde deste 18 de julho de 2026, voltei a visitar um dos imóveis mais curiosos e emblemáticos de Mangaratiba: o antigo Castelinho de Itacuruçá, localizado às margens da linha férrea, entre os distritos de Itacuruçá e Muriqui.

Mesmo após décadas, a construção continua chamando a atenção de quem passa pela antiga ferrovia por onde trafegava o saudoso trem "Macaquinho". Sua arquitetura singular, marcada por elementos inspirados na arquitetura mourisca (ou neoárabe), faz do imóvel uma das edificações mais peculiares de toda a Costa Verde. Além de seu valor arquitetônico, o Castelinho também integra a memória afetiva de gerações de moradores e é lembrado por ter servido de cenário para um filme dos Trapalhões gravado na década de 1970.

Infelizmente, o passar do tempo não foi acompanhado por iniciativas de valorização compatíveis com a importância histórica do imóvel. Enquanto diversas cidades brasileiras transformaram construções antigas em museus, centros culturais, espaços de exposições, cafés históricos e atrativos turísticos, Mangaratiba ainda possui um patrimônio de enorme potencial aguardando um projeto capaz de devolvê-lo ao protagonismo.

Mais do que restaurar um edifício, trata-se de preservar parte da identidade do município.

Mangaratiba possui uma história extraordinária. O antigo porto do café, a Estrada de Ferro, as igrejas, as antigas fazendas, as ruínas históricas e o patrimônio natural formam um conjunto que poderia compor roteiros permanentes de turismo histórico e cultural, ampliando a experiência dos visitantes para além das praias e ilhas.

Nesse sentido, penso que o.Castelinho poderia integrar esse circuito ao lado da antiga estação ferroviária de Itacuruçá, da memória da Praia do Atanázio e de outros bens históricos existentes no município, fortalecendo um segmento turístico ainda pouco explorado na Costa Verde.

Naturalmente, qualquer iniciativa depende da situação jurídica do imóvel, da participação de seus proprietários e da realização de estudos técnicos. Entretanto, essas questões não impedem que o Poder Público, os órgãos de preservação e a sociedade civil iniciem um debate sobre o futuro desse patrimônio.

Foi justamente com esse objetivo que, ainda hoje, apresentei uma série de iniciativas institucionais.

Registrei a manifestação nº 000355/2026 na Ouvidoria da Prefeitura de Mangaratiba, sugerindo a realização de estudos sobre o potencial turístico e cultural do Castelinho. Também encaminhei comunicações por e-mail à Fundação Mário Peixoto, à Secretaria Municipal de Cultura, à Secretaria Municipal de Turismo e ao Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). Além disso, protocolei junto ao Governo do Estado pedido de informações dirigido ao INEPAC, buscando verificar se o imóvel possui proteção patrimonial, integra inventários ou já foi objeto de estudos técnicos.

Essas iniciativas não representam um pedido de restauração imediata, mas um convite para que o tema passe a integrar a agenda pública de Mangaratiba. Grandes projetos costumam começar justamente com um primeiro debate.

Preservar o patrimônio histórico não significa apenas conservar edifícios antigos. Significa preservar a memória coletiva, fortalecer a identidade cultural, estimular a pesquisa histórica, incentivar a educação patrimonial e criar novas oportunidades para o desenvolvimento econômico por meio do turismo.

Espero que o Castelinho deixe de ser apenas uma bela construção escondida entre os trilhos da antiga ferrovia e passe a ser reconhecido como um dos símbolos da história e da cultura de Mangaratiba.

Quem preserva sua história investe no futuro.

sábado, 4 de julho de 2026

Beco da Poesia: um museu literário a céu aberto no coração de Mangaratiba



Toda cidade preserva marcas de sua história. Algumas permanecem nas igrejas, nos antigos casarões, nas praças ou nas estações ferroviárias. Outras sobrevivem de maneira menos evidente, gravadas em versos, pinturas e memórias compartilhadas por gerações.

No Centro Histórico de Mangaratiba existe um espaço onde essas diferentes formas de patrimônio se encontram. Trata-se do Beco da Poesia, um pequeno corredor que transforma paredes em páginas e convida moradores e visitantes a percorrer, passo a passo, diferentes aspectos da identidade cultural do município.

Percorrer esse pequeno corredor é muito mais do que observar pinturas ou ler poemas. É caminhar por diferentes dimensões da identidade mangaratibense.

Cada texto fala de um aspecto da cidade. Cada desenho amplia o sentido dos versos. Cada mural guarda uma pequena parte da memória local.

Foi justamente essa impressão que tive neste sábado, ao revisitar o local durante uma tarde de inverno marcada pela chuva, quando o silêncio do Centro Histórico parecia tornar cada palavra ainda mais audível.


A arquitetura como moldura da poesia



Antes mesmo da leitura dos poemas, chama atenção o próprio cenário. 

O Beco da Poesia está inserido no Centro Histórico de Mangaratiba, cercado por edificações de diferentes períodos da formação urbana do município. Casarões remanescentes do século XIX convivem com construções do início do século XX e intervenções mais recentes, formando um conjunto arquitetônico que traduz a própria evolução da cidade. 

As fachadas caiadas, as esquadrias azuis, o piso molhado pela chuva e a proximidade dos antigos imóveis históricos criam uma atmosfera que convida à contemplação.

No Beco da Poesia, a literatura não ocupa apenas as paredes; ela dialoga com a arquitetura, com a paisagem e com a própria história urbana de Mangaratiba.


"Do Barco": quando homem e mar se "confindam"



O poema de Emil de Castro parte de uma imagem profundamente ligada à história de Mangaratiba.

O barco não aparece apenas como instrumento de trabalho. Ele representa a própria existência humana.

Versos como "barco-homem se confindam" talvez resumam uma das características mais marcantes das comunidades caiçaras: a dificuldade de separar a vida das pessoas da vida do mar.

Podemos dizer que o poema aproxima homem e embarcação de maneira quase inseparável. Independentemente do significado preciso que o autor tenha pretendido atribuir ao termo "confindam" — que parece fugir do uso comum da língua — o efeito poético é claro: sugerir que ambos compartilham um mesmo destino, uma mesma existência e uma mesma identidade construída sobre o mar.

Em Mangaratiba, durante séculos, navegar significou sobreviver. O barco tornou-se extensão da casa, da família e do trabalho.

O poema parece transformar essa realidade histórica em linguagem poética.


"Pescador Sonhador": a dignidade da vida caiçara



O texto de Vicente Rocha presta uma homenagem ao pescador.

Não ao pescador idealizado, mas ao homem que enfrenta diariamente as incertezas do mar.

Há um verso particularmente bonito: "Seu coração, como seu braço, é forte, porém sentimental."

Poucas frases conseguem sintetizar tão bem o cotidiano das populações tradicionais.

A força física necessária ao trabalho nunca elimina a sensibilidade humana.

O mar ensina coragem, mas também ensina humildade.

Mangaratiba nasceu como porto, viveu da pesca, da navegação e do comércio marítimo. Esse poema praticamente presta homenagem aos trabalhadores que construíram essa história.


"O Vento": o invisível que move a paisagem



O poema de Alexandre Franklin praticamente não descreve o vento em si.

Ele prefere mostrar seus efeitos.

Nas folhas.

Nas nuvens.

Nas embarcações.

Nas aves.

É uma escolha interessante.

O vento nunca é visto diretamente.

Ele apenas se revela por aquilo que transforma.

Assim também acontece com muitas forças que moldam a história e a própria existência humana: elas raramente são percebidas diretamente, mas deixam marcas profundas por onde passam.


"Taperinha": memória ferroviária transformada em poesia



Entre todos os textos, talvez este seja um dos mais carregados de nostalgia.

A referência ao trem remete imediatamente à antiga Estrada de Ferro de Mangaratiba, que durante décadas chegou ao Centro da cidade e integrava o projeto ferroviário concebido para ligar o Rio de Janeiro a Angra dos Reis. Mais do que um meio de transporte, a ferrovia marcou profundamente a formação econômica e social da região, aproximando comunidades, facilitando o escoamento da produção e transformando o cotidiano de gerações de moradores.

O poema, entretanto, vai além da memória ferroviária. Ao evocar a "luzinha" vista na curva da Taperinha, antigo trecho da ferrovia localizado na entrada da cidade, e a figura de "uma mulher na janela", transforma uma lembrança cotidiana em símbolo de afeto, expectativa e pertencimento. O trem deixa de ser apenas um elemento histórico para tornar-se veículo da memória, capaz de ligar não apenas lugares, mas também sentimentos.


A janela para o mar



Junto aos versos do poema "Taperinha", uma pintura representa uma janela aberta para o mar. A composição dialoga com a obra sem necessariamente ilustrá-la de forma literal. A janela torna-se um símbolo da contemplação, da esperança e da abertura para as lembranças que atravessam o tempo.

Na mesma parede, porém, a pintura também estabelece uma ponte com o poema de João Magno Barbosa, cujos versos evocam a devoção à Nossa Senhora da Guia e o desejo de permanecer junto à pessoa amada. Essa solução artística faz da janela um elemento de ligação entre duas narrativas distintas: de um lado, a memória do trem e da espera; de outro, a espiritualidade, o amor e a paisagem marítima.

Mais do que um recurso estético, essa composição revela uma das características mais interessantes do Beco da Poesia: os poemas dialogam entre si, compartilhando o mesmo espaço e construindo uma narrativa coletiva sobre Mangaratiba.


"Consciência": poesia como afirmação de identidade



O poema de Maria Júlia dos Santos Vieira (Magu Guerra) talvez seja o mais político do percurso.

Ele fala da tradição jongueira, da ancestralidade negra, da resistência cultural e do respeito às próprias raízes.

Ao evocar o jongo, o poema também dialoga com uma manifestação cultural reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro, reafirmando a importância da memória afro-brasileira para a formação da identidade de Mangaratiba.

Mais do que um poema, trata-se de uma declaração de pertencimento.

Ao afirmar "Minha essência é manter minha tradição viva", a autora lembra que patrimônio cultural não se preserva apenas restaurando prédios.

Preserva-se também valorizando as pessoas que carregam essas tradições.


O cavalo-marinho e o mar



As imagens presentes no Beco da Poesia não funcionam apenas como ilustrações. Elas ampliam o significado dos versos. 

O cavalo-marinho remete à riqueza da vida marinha; o pescador recorda o trabalho que ajudou a formar o município; as aves e as ondas evocam a liberdade e o movimento permanente da natureza; a janela convida à contemplação. 

As pinturas não são simples ilustrações. Funcionam como uma segunda linguagem. Palavra e imagem deixam de ocupar espaços distintos para construir uma narrativa única sobre Mangaratiba. Enquanto a poesia fala pelas palavras, a pintura continua o mesmo discurso por meio das imagens.


Muito além de um beco



Talvez o maior mérito desse espaço seja justamente seu nome.

Ele poderia ser apenas uma passagem entre duas ruas, mas tornou-se um lugar.

Os poemas transformaram um corredor urbano em espaço de encontro.

Quem passa por ali não é apenas pedestre. Torna-se leitor.

Em muitas cidades brasileiras, becos costumam ser vistos apenas como espaços de passagem. Em Mangaratiba, um deles foi ressignificado. Tornou-se um lugar de permanência, leitura, contemplação e encontro. Essa talvez seja sua maior conquista.


Conclusão



Em tempos de comunicação instantânea e mensagens cada vez mais breves, o Beco da Poesia nos lembra que ainda existem lugares onde vale a pena diminuir o passo, observar as paredes e dedicar alguns minutos à leitura.

Mangaratiba é conhecida por suas praias, ilhas e montanhas. Mas seu patrimônio cultural também merece ser descoberto.

O Beco da Poesia demonstra que a identidade de uma cidade não se constrói apenas com monumentos ou belas paisagens. Ela também nasce das palavras de seus escritores, da sensibilidade de seus artistas e da capacidade de transformar espaços cotidianos em lugares de memória.

Percorrendo o Beco da Poesia, percebe-se que um elemento une praticamente todos os poemas: o mar. Em cada texto ele assume uma feição diferente — trabalho, memória, vento, espera, devoção, ancestralidade ou simples paisagem. É ele que costura as diferentes vozes dos autores e ajuda a construir uma narrativa comum sobre Mangaratiba.

Ao deixar aquele pequeno corredor, tive a impressão de que não havia apenas visitado um ponto do Centro Histórico. Havia percorrido um capítulo da história de Mangaratiba escrito não em livros, mas nas próprias paredes da cidade.

Num tempo em que tantas memórias se perdem na velocidade da vida cotidiana, o Beco da Poesia demonstra que a cultura também pode habitar os espaços mais simples. Basta que alguém tenha a sensibilidade de transformar um muro em verso, uma passagem em destino e uma caminhada em experiência.


📝 NOTA: O Beco da Poesia integra o conjunto de iniciativas voltadas à valorização do Centro Histórico de Mangaratiba, reunindo poemas de autores ligados ao município e painéis artísticos inspirados na cultura local. Mais do que um espaço de circulação, tornou-se um ambiente dedicado à leitura, à memória e ao encontro entre literatura e patrimônio.

Esta não é a primeira vez que escrevo sobre o Beco da Poesia e sobre a valorização do patrimônio cultural de Mangaratiba. Ao longo dos últimos anos, o tema voltou a aparecer em diferentes momentos deste blog, seja defendendo sua revitalização, seja registrando impressões sobre a cidade e sua identidade cultural:

Um pouco de saudosismo poético (2015)

É preciso revitalizar o Beco da Poesia (2023)

E a revitalização do Beco da Poesia? (2024)

Terra dos Pescadores (2025)

De certo modo, este novo texto dialoga com essas reflexões anteriores e procura mostrar que preservar espaços como o Beco da Poesia é também preservar a memória, a arte e a própria história do município.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Defesa do Samba-Enredo: Cultura, Arte e Democracia na Sapucaí


Lula recebeu em Brasília a diretoria da Niterói


O samba-enredo é uma das mais expressivas manifestações da cultura popular brasileira, refletindo nossa história, diversidade e criatividade. Em 2026, a escola de samba Acadêmicos de Niterói escolheu como tema de seu desfile a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um enredo intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

O autor da letra, reconhecido no meio cultural, construiu uma narrativa que percorre a infância, a vida sindical e a trajetória política do homenageado, ressaltando desafios, conquistas e o papel histórico na sociedade brasileira. A música é repleta de emoção e elementos poéticos que buscam cativar o público, mantendo a tradição das escolas de samba de contar histórias através da arte.

Para viabilizar o desfile, a escola recebeu a modesta quantia de R$ 1 milhão em verbas públicas federais, por meio de um termo de cooperação entre a Embratur, o Ministério da Cultura e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Este repasse é igualitário para todas as agremiações do Grupo Especial, refletindo uma política cultural de promoção do turismo e incentivo à produção artística, sem favorecimento ou discriminação.

Nos últimos dias, o samba-enredo e a escola de samba foram alvo de questionamentos de diferentes frentes. A senadora Damares Alves entrou com representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE), alegando que o enredo configuraria propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente Lula, que poderá ser candidato à reeleição, e que a exposição na mídia durante o desfile implicaria violação da isonomia entre candidatos. Parlamentares do partido NOVO reforçaram essas críticas, apontando suposta inadequação no uso de verbas públicas federais, mesmo destacando que todos os valores foram repassados de maneira igualitária a todas as escolas do Grupo Especial.

Além disso, há um processo em tramitação no Tribunal de Contas da União (TCU), registrado sob o número 001.725/2026-2, referente ao ano de atuação de 2026. Trata-se de uma representação sobre possível desvio de finalidade e uso indevido de recursos públicos federais destinados à escola de samba, com alegada promoção pessoal de autoridade pública em enredo carnavalesco. O processo segue sob a relatoria do Ministro Aroldo Cedraz, tendo como representante do MPTCU, o Dr. Marinus Marsico, sendo a unidade jurisdicionada o Ministério da Cultura (MinC).

É fundamental, porém, analisar essas acusações à luz dos princípios constitucionais e legais que regem a liberdade de expressão, a cultura e a administração pública, assim como considerar elementos que esvaziam a possibilidade de liminar para suspender o desfile.


1. Liberdade de expressão e artística

A Constituição Federal (art. 5º, IX e XXIII) garante a liberdade de criação artística e cultural. O enredo da Acadêmicos de Niterói é uma obra artística que narra a trajetória histórica de uma figura pública, sem conter pedido explícito de voto ou número eleitoral. Ademais, devemos sempre distinguir uma homenagem cultural da propaganda eleitoral, especialmente fora do período eleitoral legalmente definido.


2. Igualdade e impessoalidade na administração pública

O repasse da Embratur é igualitário para todas as escolas do Grupo Especial, sem discriminação. O uso do recurso segue critérios objetivos previstos em termo de cooperação, com prestação de contas obrigatória, garantindo o cumprimento do princípio da impessoalidade (art. 37 da Constituição Federal). Não há favorecimento de candidato ou partido específico, contrariando qualquer alegação de abuso de poder político ou econômico.


3. Natureza cultural e fomento ao turismo

O patrocínio tem como objetivo principal o fomento cultural e turístico, gerando emprego, renda e valorização da tradição carnavalesca. Questionamentos que confundem conteúdo artístico com promoção eleitoral desconsideram o princípio da finalidade pública, pois a verba cumpre função cultural e econômica legítima.


4. Período eleitoral vs. ano eleitoral

As regras de propaganda eleitoral se aplicam ao período eleitoral, definido pela Justiça Eleitoral, não ao ano em que ocorrerão eleições. Dessa forma, qualquer interpretação de propaganda antecipada baseada apenas na menção a figuras públicas vivas ou ao contexto do Carnaval carece de fundamentação legal sólida.


5. Elementos que esvaziam o pedido de liminar requerido

Até o momento, o processo no TCU está em fase inicial (oitivas), sem decisão cautelar até fev/2026, esvaziando qualquer risco iminente de alguma medida impedir a execução do samba da escola na Sapucaí. E, neste sentido, vale a pena considerar esses argumentos:

  • O samba-enredo já era conhecido há meses antes do desfile, o que permitiria controle preventivo por qualquer parlamentar interessado, incluindo os do NOVO, caso houvesse irregularidade identificável; não houve ação nesse sentido previamente.
  • Repasses de verbas públicas federais para o Carnaval de 2025 seguiram a mesma política de apoio, sem controvérsias, demonstrando continuidade e previsibilidade na execução da política cultural.
  • A atuação do TCU e de outros órgãos ocorre apenas no momento de controle, mas não há fato novo ou ilegalidade evidente que justifique a suspensão cautelar do desfile.
  • A escola já assumiu compromissos financeiros e logísticos com antecedência, e uma liminar geraria impacto desproporcional sobre trabalhadores, fornecedores e a própria realização cultural do evento.
  • O caráter biográfico do enredo e a natureza artística não configuram propaganda eleitoral, reforçando a fragilidade jurídica de qualquer pedido de liminar.


Portanto, a Acadêmicos de Niterói, seu autor, a Embratur e o governo federal dispõem de fundamentos jurídicos e constitucionais robustos para defender a legitimidade do samba-enredo. 

Ressalte-se que homenagear pessoas públicas vivas e narrar suas histórias no contexto cultural é uma prática histórica do Carnaval brasileiro, protegida pelo princípio da liberdade de expressão artística e pelo direito à cultura, além de respeitar critérios de igualdade e transparência no uso de recursos públicos.

A defesa do samba-enredo é, assim, uma defesa da cultura, da arte, da tradição e da própria democracia brasileira.



Que o desfile de 2026 seja muito bem sucedido!


📷: Ricardo Stuckert

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

2 de dezembro: Dia Nacional do Samba 🎶

 


O Brasil celebra, em 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba — uma data que ultrapassa o som — e celebra memória, origem e identidade. Para além das cordas, pandeiros e vozes, comemorar o samba é honrar sua história, suas raízes e seu papel como símbolo da cultura afro-brasileira.


🎯 Por que essa data?

A escolha pelo dia 2 de dezembro tem duas origens simbólicas e complementares:


  • Uma versão bastante difundida aponta que a data homenageia a primeira visita do compositor Ary Barroso à cidade de Salvador (BA), considerada emblemática: ele já havia consagrado a Bahia em letras como as de Na Baixa do Sapateiro sem nunca ter pisado lá — e essa chegada simbolizou, de modo poético, a ponte entre samba, memória e lugar.
  • Outra origem remete ao encerramento do I Congresso Nacional do Samba, realizado no então Estado da Guanabara entre 28 de novembro e 2 de dezembro de 1962 — ocasião em que foi lida a “Carta do Samba”, documento que defendia o gênero como expressão cultural legítima e propunha o dia 2 de dezembro como marco para sua celebração.


Com o tempo, a data foi adotada por várias cidades e regiões — não apenas Bahia ou Rio — e consolidou-se como o Dia do Samba em todo o país.


🪘 Samba: raízes, resistência e identidade

O samba tem origem nas tradições afro-brasileiras trazidas pelas populações africanas escravizadas — especialmente visíveis no samba de roda do Recôncavo Baiano e nas expressões de musicalidade e dança que surgiram a partir desses saberes.

Ao longo do século XX, o gênero atravessou territórios — da Bahia ao Rio de Janeiro, passando por muitas outras regiões —, e se transformou em força cultural diversificada: samba-de-roda, samba-urbano, samba-enredo, pagode, samba-canção, partido-alto, entre tantos outros estilos.

Mais do que música, o samba se tornou “arquivo de dores e alegrias, cartografia de migrações, gramática de resistência e instrumento de política cultural” — como bem colocou um artigo que consultei sobre a data. 

Celebrar o Dia do Samba é reconhecer o valor do samba como patrimônio coletivo, herança afro-brasileira, corpo de histórias e afetos que permeiam todo o Brasil.


🎉 Celebrações e o papel social da data

No dia 2 de dezembro, é comum haver rodas de samba, shows, encontros de ex-velhas guardas, debates sobre preservação do patrimônio imaterial, exposições e manifestações culturais em museus e centros culturais.

Para quem celebra samba — compositores, músicos, sambistas, comunidades periféricas, amantes da música —, o Dia Nacional do Samba é também um lembrete da importância de lutar pela preservação dessas tradições: suas raízes, suas rodas de rua, suas histórias e seus espaços.

domingo, 23 de novembro de 2025

Parabéns, Carlinhos Brown!

 


Hoje celebramos não apenas o aniversário de 63 anos de um dos maiores artistas da música brasileira, mas a trajetória luminosa de um criador que reinventa ritmos, derruba fronteiras e transforma percussão em poesia viva.

Da Bahia para o mundo, sua obra pulsa ancestralidade, inovação e alegria — e o Brasil inteiro reconhece a força de quem elevou a sonoridade afro-brasileira ao patamar universal.

O Rio de Janeiro, em especial, tem um capítulo importante nessa história. Seja na energia do Carnaval, desfilando em escolas como a Mocidade e a Portela, seja na parceria cultural que você mesmo descreveu ao afirmar que Rio e Salvador são cidades-gêmeas, a sua música encontrou aqui um espelho, um diálogo profundo, uma irmandade artística.

Hoje, o Rio se junta à Bahia para celebrar você: o mestre que toca, canta, cria, provoca e inspira.

Que venham muitos outros anos de arte, coragem, beleza e percussão que fala direto ao coração.

Feliz aniversário, Carlinhos Brown! 🎶🥁✨

segunda-feira, 3 de março de 2025

O primeiro Oscar brasileiro!



A última noite de ontem (02/03), além dos desfiles carnavalescos, foi marcada também por uma conquista histórica para o cinema do nosso país em que o filme Ainda Estou Aqui conquistou uma das estatuetas do Oscar® 2025. 


Conforme já havia compartilhado na minha postagem Uma vitória para o cinema brasileiro e para a memória histórica, de 06/01, quando Fernanda Torres conquistou o inédito Globo de Ouro, ao ser premiada como a melhor atriz de drama, a obra "representa um prestígio à nossa memória história e o anseio por Justiça". Pois o filme lembra às novas gerações sobre a ocorrência de um passado de perversidades, "o qual nunca mais queremos que se repita no nosso país e em nenhum outro".


Embora a premiação da noite de ontem tenha agraciado o diretor Walter Salles, na categoria do melhor filme estrangeiro nos Estados Unidos, a Fernanda obviamente continua sendo parte desse notável empreendimento cultural juntamente com todo o elenco. E, neste sentido, foram bem oportunas as suas palavras:


"Em nome do cinema brasileiro, é uma honra tão grande receber isso de um grupo tão extraordinário. Isso vai para uma mulher que, depois de uma perda tão grande no regime tão autoritário, decidiu não se dobrar e resistir... Esse prêmio vai para ela: o nome dela é Eunice Paiva. E também vai para as mulheres extraordinárias que deram vida a ela. Fernanda Torres e Fernanda Montenegro"


Fato é que a ideia do filme é o ingrediente imaterial de maior valor. Além de dignificar a corajosa luta de uma mulher contra um regime brutal que manchou 21 anos da nossa História, podemos compreender uma ligação com o presente depois de quatro anos de sofrimento tendo na Presidência da República Jair Bolsonaro, um homem que louvava os torturadores da ditadura e desprezava os direitos humanos.


Portanto, nós que rejeitamos o retrocesso e o autoritarismo, temos motivos de sobra para celebrar o sucesso desse filme que ensina os brasileiros a valorizar a democracia. Pois, tão importante quanto ao voto, estão a liberdade de pensamento, de expressão, de imprensa, a defesa da vida, dos direitos políticos, de reunião com fins pacíficos, de se filiar a um partido, não ser condenado e preso sem um devido processo legal que respeite o contraditório e a ampla defesa, jamais sofrer penas de morte ou cruéis, atividade artística livre, etc.


Ditadura nunca mais!


Viva Eunice Paiva, Walter Salles, Fernanda Torres, Selton Mello e todos os que defendem a democracia!


Ainda estou aqui comemorando o nosso primeiro Oscar!

segunda-feira, 4 de março de 2024

E a revitalização do "Beco da Poesia", senhor prefeito?!



Em setembro do ano passado, eu havia postado no blogue "Propostas para uma Mangaratiba melhor" uma publicação sobre a necessidade da Prefeitura revitalizar o "Beco da Poesia", ocasião em que cheguei a gravar um vídeo cobrando uma providência do Chefe do Executivo Municipal (clique AQUI para acessar).


Pois bem, durante a sessão ordinária desta segunda-feira (04/03), na Câmara Municipal de Mangaratiba, os vereadores aprovaram a Indicação de n.º 61/2024 do edil popularmente conhecido como Dori Costa cuja reivindicação junta-se com várias outras que vem sendo feita há anos.


Sabe-se que, no ano de 2019, isto é, há cerca de cinco anos atrás, a Prefeitura fez uma obra de revitalização e reinaugurou o espaço em uma solenidade no dia 31/10 daquele ano. Porém, já em 2022, o Presidente da Câmara Municipal, vereador Renato Fifiu, apresentou a sua Indicação de n.º 312, solicitando urgência e fazendo menção de outro pedido anterior, de n.º 444/2021, também de sua autoria, para que fossem colocados guarda-chuvas coloridos no local.


Obviamente que, nenhuma dessas reivindicações chegou a ser atendida pelo prefeito Alan Bombeiro, inclusive a minha que, como cidadão, fiz utilizando o antigo sistema da Ouvidoria, protocolizada sob o n.º 202309000046. Do contrário, um vereador não teria hoje mais uma vez reclamado.


Todavia, devemos também indagar como que, três anos após a reinauguração do lugar feita em 2019, o mesmo já estava precisando ser revitalizado em 2022. Quais os materiais que foram utilizados nessa obra?! E o que se fez em termos de manutenção?!



No momento, o prédio ao lado do Museu Municipal de Mangaratiba, que é o antigo Solar do Barão do Sahy, encontra-se em obras graças aos recursos do BNDES. Porém, é preciso que a Prefeitura também invista no entorno e cuide da área central da cidade como um local de interesse histórico, promovendo e fomentando as devidas adequações nesse belo espaço.


Vamos continuar cobrando e denunciando! Afinal, estamos falando é do turismo, da cultura e da história de uma cidade que hoje está abandonada pela pior gestão de todos os tempos.


Fora, Alan!

domingo, 31 de dezembro de 2023

OS TEMPOS MUDAM E OS HÁBITOS TAMBÉM...



Frequentemente, quando acesso a internet nessa época, encontro  circulando uma foto relativamente antiga, de autoria desconhecida, que mostra o Centro do Rio de Janeiro no último dia de um ano, possivelmente no início da década de 70. Na imagem, vemos pessoas e automóveis (não mais fabricados) se locomovendo por uma agitada rua da Cidade Maravilhosa enquanto cai uma chuva de papel picado inundando a via.


Dizer que acho feia a chuva de papel picado seria faltar com a verdade. Afinal, ainda peguei o finalzinho desse tempo e recordo o quanto curtia, num dia de jogo da seleção, atirar pedacinhos de jornal pela janela do 14° andar onde o meu saudoso avô paterno morava na Avenida Rio Branco, em Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, no prédio do antigo cinema Excelsior. Lembro bem o quanto a parte superior da marquise do prédio ficava suja no dia seguinte, dando trabalho extra pro zelador ter que subir lá para limpar, porém poucas pessoas tinham a consciência do mal que estavam causando para a coletividade. Isto porque aquela comemoração contribuía para o entupimento dos bueiros e das galerias de águas pluviais.


Felizmente o que era bonito antigamente foi se tornando feio dos anos 90 para cá. E, apesar de encontrar muita gente hoje em dia ainda descartando resíduos sólidos em locais errados, já não vejo mais as chuvas de papel picado. Porém, algo que muito me aborrece na atualidade são os artefatos pirotécnicos ruidosos.


Recentemente, graças a uma ação civil pública, a tradicional queima de fogos de Cabo Frio foi suspensa por ordem judicial. A prefeita de lá até tentou revogar a lei municipal que havia proibido o show pirotécnico com barulho, mas acabou não conseguindo convencer a Câmara de Vereadores que, acertadamente, optou por seguir a recomendação do Ministério Público em não aprovar a proposição.


Por mais que a queima de fogos seja apreciável para um grupo considerável de brasileiros, trata-se de algo que também precisa ser abolido e pertencer somente ao passado das nossas cidades. Pois, como se sabe, o barulho causado pelo estouro desses artefatos prejudica o bem estar dos animais, dos autistas, dos bebês recém nascidos, dos idosos, pacientes acamados e das pessoas que, como eu, preferem o sossego.


Neste sentido, entendo que também precisamos rever esse hábito tradicional de final do ano e de outros eventos comemorativos a exemplo da Alvorada de São Jorge, dos jogos de futebol, das festas juninas, e dos comícios eleitorais. Inclusive, não costumo votar em candidato que faz ou estimula esse tipo de coisa na sua campanha porque demonstra uma total falta de consciência do político.


Ainda sobre os malefícios da soltura de fogos, devemos pensar nos acidentes que frequentemente ocorrem numa época em que o atendimento de saúde se torna precário na maioria dos lugares. Sem nos esquecermos também do aspecto educativo em relação às crianças, as quais acabam se espelhando no que seus pais, familiares e demais adultos fazem...


Portanto, deixo aqui o meu apelo à sociedade e às autoridades para mudarmos essa realidade e pensarmos num Réveillon sem fogos barulhentos.


Ótimo final de ano a tod@s!

sexta-feira, 11 de março de 2022

Quadros censurados... Que retrocesso é esse que estamos vivendo no Brasil?!

 


Na tarde desta sexta-feira, deparei-me com uma notícia na internet que considerei um verdadeiro absurdo. Um amigo meu havia compartilhado a seguinte postagem, feita originalmente na data de 09/03/2022, no sítio de relacionamentos Facebook, com o seguinte teor:


"Quadros da artista Elis Pinto censurados ontem na exposição promovida pela prefeitura de Nova Friburgo em homenagem ao dia das mulheres. Inaceitável!" - https://www.facebook.com/liaccaldas/posts/5380674121942610  


Morei na formosa cidade de Nova Friburgo de 1999 até 2011, saindo de lá justamente no ano em que houve aquela tragédia climática com centenas de mortos e desaparecidos, pior do que a enchente deste ano em Petrópolis. Depois, fiquei uns meses no Rio e então fixei minha residência em Mangaratiba, mais precisamente em Muriqui, uma localidade praiana. Durante esse tempo, vários prefeitos se sucederam pela belíssima localidade serrana e, à distância, apenas fui acompanhando a política de lá, às vezes interagindo com alguns amigos atuantes em relação às eleições municipais, e, geralmente, trocando ideias com alguns deles que pretendiam vir como candidatos ou apoiar alguém. 


Pois bem. No mandato passado, fiquei sabendo que o prefeito que estava no cargo ia mal nos seus trabalhos, com poucas chances de reeleição. E, no pleito de 2020, a disputa pela cadeira número um da cidade pulverizou com mais de 15 chapas tal como foi também por aqui num dos municípios da Costa Verde, mais precisamente em Itaguaí. 


Esperava que, dessa vez, ganharia alguém de esquerda em Nova Friburgo, porém quem venceu um jovem conservador do partido do Crivella, o qual mal me recordo de haver conhecido quando ainda morava lá (devemos ter uma diferença de uns 10 anos de idade). Ao assumir o cargo, desejei que ele tivesse sucesso e me admirei positivamente quando soube pela internet que o mesmo estava dando um choque de gestão, limpando ruas e atendendo com celeridade às reivindicações dos moradores logo nos primeiros dias em seu cargo. 


No entanto, agora me deparo com essa triste notícia de haver a Prefeitura de Nova Friburgo censurado uma exposição artística e, sinceramente, fiquei perplexo. Pois mesmo sem conhecer suficientemente o atual prefeito de lá, considerei um absurdo o mesmo ter esse tipo de posicionamento moralista. Isto porque é algo que não cabe mais nos dias de hoje e acho que, nem na minha época de criança, já no fim do regime militar, a censura da época da abertura democrática não proibia mais a manifestação artística como tinha sido nos tenebrosos tempos do AI-5. 


Lamento que gestores da atualidade, eleitos pela população que um dia depositou neles sua confiança, estejam perdendo tempo em reprimir a cultura quando, na verdade, deveriam estar mais focados nos cuidados com a saúde, a educação, o meio ambiente, o trânsito, os transportes, o desenvolvimento econômico local, a assistência aos mais pobres e o urbanismo. 


Assim sendo, sem querer tomar parte na política de uma cidade onde não tenho mais o vínculo de residência, desejo que o seu jovem alcaide não se afaste do bom senso e repense sua conduta. Do contrário, como tem acontecido com a maioria dos políticos de hoje, corre-se o risco de vir a ser esquecido pelo desempenho de um mandato sem realizações que de fato interessam à coletividade. 


Ótimo final de semana a todos!


OBS: Foto e citação de Lia Caldas em https://www.facebook.com/liaccaldas/posts/5380674121942610

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Carnaval em julho pra quê?!



Foi publicada nesta semana a Lei Estadual n.º 9.174/2021, cujo projeto legislativo é do deputado Dionísio Lins (PP), a qual inclui no calendário do Estado do Rio de Janeiro o "CarnaRio – Carnaval fora de época", a ser comemorado anualmente no mês de julho.


Tal medida não se confunde com a excepcional transferência do Carnaval para o meio do ano devido a COVID-19, tratando-se, pois, da criação de um novo evento na agenda cultural do nosso decadente RJ e que, segundo o artigo 2º da norma, terá por finalidade "a estimulação do turismo, lazer e principalmente, o aquecimento da economia com a criação de postos de empregos e venda de produtos e serviços".


Posso ser passível de críticas na minha opinião, mas não acho que tal festa irá realmente alavancar a economia no estado. Muito pelo contrário, temo que iremos acumular mais aborrecimentos, problemas de insegurança, aglomerações e falta de incentivo ao trabalho. Até mesmo porque não serão apenas os desfiles na Sapucaí, no Centro do Rio de Janeiro, e, por certo, teremos eventos nas cidades do litoral e do interior sem a mesma arte das escolas de samba.


Por outro lado, o novo evento irá competir com as tradicionais festas caipiras que ocorrem nos meses de junho, julho e agosto, as quais deveriam ser resgatadas e incentivadas pelos órgãos de cultura e evento, tanto do governo estadual quanto das prefeituras. Inclusive porque temos no Rio de Janeiro e em outras cidades a presença marcante do imigrante nordestino com o seu animado forró que ajuda a esquentar as noites de inverno.


A meu ver, tudo tem a sua época de acontecer e a beleza cultural muitas vezes se manifesta é na pluralidade. Porém, agora que a lei já se encontra em vigor, a mesma terá que ser cumprida e o caminho deve ser uma melhor adaptação a ela, com os governantes zelando pela ordem e pela segurança das pessoas. Só não espero que inventem feriados ou recessos por conta disso pois nenhuma economia se desenvolve sem trabalho produtivo.


Vamos acompanhar!


OBS: Foto para divulgação extraída de https://www.campos24horas.com.br/noticia/calendario-oficial-do-estado-inclui-carnaval-fora-de-epoca-em-julho 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Era bonito de se ver, mas nada educativo...



Estava vendo essa foto acima na página do Arquivo Nacional, no sítio de relacionamentos Facebook, referente ao fim de ano em 1969, num dos piores momentos da ditadura militar, e me recordei dos meus tempos de menino.


Nasci quase sete anos depois desse Reveillon, vindo ao mundo mais precisamente em abril de 1976. Porém, desde quando passei a me entender por gente, cheguei a pegar as chuvas de papel picado até a década de 80, quando ainda era criança e me tornei um adolescente já na redemocratização do país. 


Ora, lembro muito bem que, tanto na véspera do Ano Novo quanto em outras comemorações festivas, inclusive nos dias dos jogos da seleção brasileira no Mundial, o nosso povo ainda brincava desse jeito de modo que seria hipocrisia dizer que não gostava da farra. Aliás, confesso que, com meus nove anos de idade, morando no décimo quarto andar de um apartamento na Avenida Rio Branco de Juiz de Fora (MG), na casa de meu saudoso avô paterno, curtia muito jogar as tiras de jornal velho lá de cima e vê-las caindo lentamente conforme o mover do vento...


Contudo, por mais que isso fosse bonito de se ver e se tornasse uma distração para a criançada, não era algo educativo sendo que os varredores, certamente, sofriam no dia seguinte quando tinham que limpar todo esse lixo que ficava depositado nas vias públicas com o risco de entupir os bueiros das cidades. Aliás, o funcionário do edifício onde eu morava precisava depois subir na marquise, que ficava sobre a portaria do prédio (e de um antigo cinema de rua), para então catar toda aquela papelada acumulada que os residentes das várias unidades habitacionais lançavam de suas janelas nbos momentos de euforia.


Felizmente, evoluímos um pouco neste aspecto de maneira que determinados acontecimentos ficaram apenas no nosso álbum de fotografias, tornando-se hoje uma novidade para as gerações mais jovens nascidas da década de 90 para cá. Porém, mesmo tendo o povo abolido o costume de fazer a tradicional chuva de papel picado na passagem de ano, muitas pessoas no Brasil ainda não sabem (ou não querem) descartar o lixo corretamente, esteja o serviço de coleta domiciliar funcionando bem ou precariamente...


Em todo caso, espero que, amanhã, sejamos mais cuidadosos com o ambiente onde vivemos e que, num futuro próximo, algo semelhante ocorra com a desnecessária pirotecnia que nos causa poluição sonora durante essa época, a qual pouco aprecio. Pois, embora a queima de fogos ainda seja muito apreciada nos nossos dias, trata-se de outra estupidez humana que afeta prejudicialmente o sossego dos idosos, dos bebês, das pessoas autistas, dos enfermos e dos animais.


Mudemos nossos hábitos! 


Aproveito para desejar meus votos de boas festas a todos.


OBS: A imagem cima mostra a chuva de papel picado nas ruas do Rio de Janeiro (acredito que na Avenida Rio Branco da Cidade Maravilhosa), em comemoração ao Reveillon, em 31 de dezembro de 1969, sendo a imagem pertencente ao Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã, código BR_RJANRIO_PH_0_FOT_01812_0113, conforme foi extraído por mim na presente data de https://www.facebook.com/arquivonacionalbrasil/photos/a.646412452119303/3593432810750571 

sábado, 15 de agosto de 2020

A Fundação Mário Peixoto deveria promover visitas virtuais guiadas para mostrar ao mundo a história de Mangaratiba!



Nesses tempos de pandemia, surgiram pelo país (e pelo mundo) vários novos projetos que disponibilizam visitas pela internet com visualização dos museus e seus acervos. Trata-se de uma oportunidade segura e acessível para as pessoas conhecerem o rico patrimônio cultural que o Brasil tem.

No entanto, mesmo durante os dias mais rigorosos de afastamento social que passamos de meados de março até junho, confesso não ter visto a apresentação de nenhum projeto neste sentido pela Prefeitura ou pela Fundação Mário Peixoto (FMP). Ou seja, jogamos fora uma oportunidade e tanto para que fosse feita uma ampla divulgação do patrimônio histórico e cultural de Mangaratiba.

A meu ver, muito mais importante do que o prefeito gastar o dinheiro do contribuinte com a iluminação das ruínas do antigo povoado do Saco, numa época em que ainda não houve a retomada do turismo, falta dinheiro para pagar o servidor público e existe a necessidade de contingenciamento econômico, acredito que seria muito mais adequado conquistarmos futuros frequentadores do Município com um trabalho de qualidade. Ou seja, através de guias autônomos ou da própria FMP, poderiam ser ministrados passeios a preços acessíveis (com isenção de custos para os moradores de Mangaratiba), os quais seriam verdadeiras aulas pela internet sobre a nossa história e a cultura das populações tradicionais.

Acredito que, com o apoio da Vale e de empresários do turismo, tudo isso teria boas chances de ocorrer com elevado grau de sucesso, em que haveria não somente a divulgação dos nossos sítios históricos como também a criação de um vasto material para a educação patrimonial da população. Inclusive dos estudantes da rede municipal que poderiam se envolver com os trabalhos aproveitando o tempo livre para se instruírem enquanto as aulas presenciais não voltam.

Certamente que tudo isso exigiria um pouco de investimentos no site da FMP na internet, a qual não pode ficar mais na dependência do portal da Prefeitura já que se trata de entidade autônoma da Administração Direta. Logo, basta que haja vontade de empreender dos gestores da instituição, a qual precisa ampliar os seus horizontes e entrar em sintonia com a nova realidade global.

OBS: Texto de minha autoria  publicado inicialmente no blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor, dia 04/08/2020, sendo que a imagem acima foi extraída de https://www.youtube.com/watch?v=SPSy0i32PL0

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um manual de vida para o brasileiro do século XXI

O século XX foi um tempo marcado por grandes conquistas científicas e pela desconstrução de importantes valores que sustentaram a sociedade ocidental por mais de um milênio. Houve sangrentas guerras, revoluções, regimes autoritários e diversos conflitos violentos, mas não podemos deixar de considerar que todos estes acontecimentos vieram acompanhados dialeticamente da promoção dos direitos individuais, sociais e políticos, solidificando os ideais sonhados pelos filósofos iluministas do século XVIII.

Por outro lado, todo este processo de desconstrução levou o Ocidente a uma perda de raízes, fragilizando a sociedade para lidar com maturidade quanto aos assuntos do seu cotidiano. O afastamento da religião do poder secular e do sistema educacional moderno fez com que os ensinamentos de vida baseados na Bíblia ficassem restritos às esferas do lar e eclesiástica, quando uma família segue a orientação religiosa, de modo que a escola de hoje tem suas atividades absorvidas pelo despejo de um conteúdo informativo nas mentes dos alunos, incapaz de formar cidadãos. Principalmente no nosso tão desmantelado Brasil.

Enquanto isto, no Oriente, os livros sagrados e as práticas religiosas não se acham separados da vida em sociedade, mas influenciam toda a cultura desses povos onde jamais ocorre uma compartimentação da realidade (o sagrado e o secular formam uma unidade). Em muitos desses muitos desses países, as crianças aprendem desde cedo a lidarem com as suas emoções e desejos através da meditação, das artes marciais e da aplicação do ensino sapiençal. Mitos, metáforas, enigmas, narrativas, pensamento imagístico e provérbios integram o dia a dia do homem oriental, mantendo presente as suas tradições herdadas dos antepassados. E isto se vê mesmo nas sociedades modernas como Japão e Israel onde o povo busca integrar vida e conhecimento.

Contudo, livros sagrados estão se tornando cada vez mais estranhos para os ambientes cultos do homem ocidental que faz uma separação entre o espiritual e o secular. Mesmo a Bíblia cristã é até hoje mal compreendida. E aí o que as pessoas comuns acabam absorvendo dela muitas das vezes é a interpretação dada pelos seus líderes, visto que há passagens que requerem um senso poético e um grau de conhecimento mais elevado, envolvendo mais compreensão da história. Então, aquilo que padres e pastores falam na igreja vira lei. Sem falar que, por ser considerada uma obra de cunho religioso, a Bíblia não é aceita como fonte de autoridade pela sociedade inteira.

Foi refletindo sobre estas questões que tenho pensado em propor o projeto de um livro cujo texto seja escrito numa linguagem atual e se aplique aos problemas do nosso cotidiano, tornando-se um manual de consulta para toda a vida. Algo que seria apresentado à criança antes da alfabetização, ensinado em todas as séries escolares, reverenciado pelas instituições públicas como um símbolo da pátria e serviria para toda a vida adulta do indivíduo até sua morte.

Assim, nos momentos de sofrimento e de dificuldades, o leitor encontraria consolo nas páginas deste livro. Casais contariam com ensinamentos para manter a aperfeiçoar o relacionamento conjugal. Pais achariam ali um apoio para a educação dos filhos. E, afim de trabalhar as tensões emocionais das pessoas, estas seguiriam os exercícios de relaxamento, reflexão e auto-conhecimento.

Por sua vez, a cosmoética seria trabalhada constantemente no livro, instigando a racionalidade, o remodelamento do self sem incutir culpas, do incentivo à responsabilidade pessoal e coletiva, bem como da reverência pela vida como valor elevado que deve ser contemplado nas dimensões social e ambiental. Ao invés de basear-se em dogmas ou afirmações que tentam absolutizar a verdade, o livro estaria permanentemente aberto à mudanças através da refutação, do estímulo à pesquisa e ao debate entre os leitores.

Outras coisas que o livro também trabalharia seriam a consciência política e cidadã, o amadurecimento da democracia, o respeito pelo meio ambiente dentro da visão de reverência pela vida, a inclusão social, a construção de uma economia cooperativista e o combate à pobreza. A vida comunitária iria ser tratada como um precioso fato social e que requer a participação atuante e consciente das pessoas afim de que a coletividade humana possa desfrutar de uma melhor qualidade de vida. E aí a pluralidade seria sempre bem vinda e instigada.

Sem nenhuma pretensão de compor um livro sagrado que venha tomar o lugar das tradições já existentes, proponho algo que possa também ser manejado tanto pelas religiões como pelas escolas. Aliás, a minha ideia é buscar em passagens bíblicas capazes de enriquecer também o conteúdo junto com frases de filósofos, poemas da literatura de língua portuguesa, vários ditos proverbiais da cultura popular, letras de músicas, narrativas romanceadas sobre a história da humanidade e do Brasil capazes de transmitir ensinamentos de vida, além de trechos escritos por outros autores. Tudo numa linguagem bem didática e acessível.

Certamente que esta ideia ainda é um projeto aberto e que requer a contribuição e a participação de várias pessoas para ser executado. Colaboradores com diferentes aptidões iriam se unir para escrever uma carta de amor ao povo brasileiro, com o comando de que uma geração vá transmitir o conhecimento para outra. Assim, os tutores esboçariam o cânon desta “bíblia secular”, definindo os temas, a bibliografia que será consultada e a seleção de passagens das escrituras sagradas que não tornem o livro místico. Depois é só criar uma sociedade sem fins lucrativos para compor a obra, publicá-la, divulgá-la, atualizá-la e trabalhar para que, dentro de algumas décadas, ela venha a ser oficializada pelo Estado brasileiro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Bênção Irlandesa

Por ocasião do meu aniversário de 35 anos, recebi um e-mail ontem da esposa de meu primo Sérgio contendo a "Bênção Irlandesa", a qual pareceu que se trata de uma composição de autoria anônima e muito interessante.

Ainda estou meditando sobre o seu significado, inclusive do ponto de vista cultural dos irlandeses, e resolvi compartilhar a bênção aqui no blogue:


BÊNÇÃO IRLANDESA


Que a estrada se erga no encontro de seu caminho

Que o vento esteja sempre às suas costas

Que o sol brilhe quente sobre sua face

Que a chuva caia suave sobre seus campos

E até que nos encontremos de novo

Que Deus te guarde na palma de sua mão.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nossos jovens deveriam trabalhar e se casar mais cedo!

Faço constantemente uma pergunta: será que o namoro deveria ser tão prolongado na nossa sociedade?

Ultimamente andei acompanhando alguns comentários e postagens no site Verbo Eterno onde pessoas costumam compartilhar seus problemas íntimos pedindo um aconselhamento pastoral. Ali pude encontrar muitos dramas dos jovens evangélicos relacionados ao sexo e um dos tópicos mais debatidos trouxe a pergunta se "carícias entre namorados é pecado?", contando já com mais de 90 manifestações de internautas até o momento acerca do assunto (a maioria de gente pedindo conselhos).

Dentre os comentários encontrados ali, pude identificar um expressivo número de pessoas se sentindo culpadas por estarem tendo relações sexuais durante o namoro. Outros mostravam-se preocupados porque determinadas carícias e intimidades estavam esquentando demais a relação, conforme relatou este(a) participante anônimo(a) com seu moderno internetês:


"Pastor tow mto angustiada
namoro á um ano e tow percebendo que
as intimidades tão acontecendo e não tow conseguindo me controlar… no começo era mais facil mas agora tow mto complicada em relação a isso… antes eu e ele buscavamos mais a Deus hj nem tanto pq até vergonha de ir a igreja eu tenhu e de tomar ceia também… pq as caricias jah começaram e jah estamos nos alisando nas partes intimas…
preciso de uma ajudaa
jah fui na psicologaa e num adiantou de nadaa
por favor me ajudee…
eu tow sofrendoo mtoo e eu naum qro q o espirito santo esteja triste comigoo"



Ao ler esses dramas, pude recordar dos meus, sobretudo da época de jovem solteiro em que acabei me desviando da Igreja. Tentei responder alguns dos comentários postados mais recentes, tentando passar uma orientação com um pouco de conhecimento bíblico e experiências pessoais que pudessem trazer-lhes conforto. Procurei ao máximo evitar a hipocrisia de um religioso casado para transmitir uma sincera solidariedade.

Olhando para as loucuras cometidas no nosso evangelicalismo, em parte atribuo às lideranças a responsabilidade quanto aos dramas experimentados pelos jovens. As igrejas criaram uma redoma em torno do casamento feito no papel, tratando como pecado toda e qualquer relação fora do matrimônio formal. Criamos uma ideia de pecado individualizada e personalizada geralmente focada na traição conjugal e no sexo ilícito, esquecendo-nos de outros aspectos da integridade pessoal e coletiva.

Sem dúvida que os posicionamentos culturais adotados no meio eclesiástico acabam excluindo do convívio comunitário muitos homens e mulheres que vivem há anos numa harmoniosa relação de companheirismo, proibindo-os de participar de retiros para casados dentre outras atividades específicas. Pessoas que às vezes vivem há anos na união estável, às vezes até com filhos, chegam a ser orientadas a se privarem do contato sexual até a celebração do casamento e aí acabam abrindo uma brecha para a incontinência.

Dentro da visão bíblica, o casamento independe de qualquer formalidade para ocorrer diante de Deus e da comunidade. É claro que na comunidade israelita sempre houve a valorização de atos cerimoniais e as escolhas quase sempre ficavam a critério das famílias, não dos noivos. Logo, era o pai da noiva quem muitas das vezes determinava com quem a filha iria se casar. E as promessas de casamento (o noivado) tinha valor, bem como a celebração religiosa na comunidade.

Hoje os tempos mudaram. As mulheres podem escolher seus maridos e os namoros acontecem sem nenhuma necessidade de aprovação dos pais. Já na adolescência, a garotada já se sente livre para "ficar" com quem deseja, beijar na boca, trocar de parceiro, trocar carícias íntimas, fazer sexo, noivar, casar, divorciar, casar novamente, viver em união estável, ter amantes, praticar o homossexualismo, etc. Contudo, a Palavra de Deus continua sendo o que ela é, verdadeira como sempre, sendo que em sua essência ela continua dizendo qual a vontade do Criador para a humanidade independentemente dos costumes ou da cultura.

Entretanto, o casamento formal precisa continuar sendo valorizado, mesmo que se adote uma teologia ampla de inclusão das igrejas. O matrimônio para a mulher é uma garantia jurídica na maioria dos casos, além de evitar a banalização da quebra de compromissos já que nem todos são capazes de honrar suas juras de amor.

Com base na Palavra de Deus, temos o dever de rever os costumes e modificar a cultura. Precisamos estar atentos ao sentido da instrução espiritual afim de que, diante de cada caso concreto, de cada época ou lugar, os valores corretos prevaleçam. E aí cabe não só aos teólogos e líderes religiosos, mas aos discípulos de Jesus em geral, a formatação de novos hábitos sociais que estarão de acordo com esses princípios bíblicos.

Então, o que fazer?

De acordo com o meu pragmatismo, proponho que os nossos jovens passem a se casar numa idade mais nova, antes mesmo de cursarem uma faculdade.

Penso que a decadência da sociedade ocidental está associada ao improdutivo prolongamento da adolescência em que rapazes e moças permanecem tratados como crianças grandes até se firmarem no exercício profissional. Com isto, tem se tornado cada vez mais comum os homens saírem de casa depois dos 30 anos, comportamento este que se vê não apenas no Brasil, mas também em países europeus como Portugal e Itália. E, por incrível que parece, a Justiça italiana já andou condenando pais idosos a pensionarem seus marmanjos...

Contudo, vejo uma boa solução para isto tudo que é a inclusão cada vez mais cedo do jovem no mercado de trabalho junto com uma educação que forme adultos responsáveis, envolvendo tanto o ensino técnico nas escolas quanto a preparação do indivíduo para a vida (não apenas para consumir). Logo, o casamento numa idade mais nova torna-se um ingrediente fundamental para a criação dessa nova sociedade que fará dos países ocidentais culturas produtivas e com uma taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) satisfatória.

Por outro lado, digo que o mercado não perde, pois, neste caso, o consumo tenderia a aumentar. E, quanto aos sistemas previdenciários, seria a grande solução, melhor do que os governos aumentarem a idade mínima para a aposentadoria. Isto porque se tivermos um número maior de jovens trabalhando, haverá um crescimento proporcional da contribuição e, consequentemente, mais recursos disponíveis ao INSS.

Penso que a possibilidade de construir novos hábitos sociais está mais próxima das igrejas cristãs do que do próprio governo.

Se refletirmos bem, as comunidades protestantes e católicas no Brasil têm o poder de mobilizar uma significativa parcela da população do país. Isto porque padres e pastores conseguem se comunicar na linguagem que o povo fala e transmitir mensagens de encorajamento, conforme muito bem analisa o mestre em teologia da Igreja Anglicana em Uganda, Peter Okaalet:


"(...) A igreja se autossustenta; tem audiência leal, que se encontra toda semana; tem liderança previsível; atravessa barreiras geográficas, étnicas, nacionais, de gênero e outras; conta com o apoio popular e fala a linguagem do povo. Mais que isso, pode oferecer esperança além da sepultura e tem a Bíblia, um manual sagrado que já se mostrou eficaz para mudar o comportamento moral. Em tempos de desespero, o povo precisa ouvir que a mensagem da Bíblia é sobre esperança, amor e futuro (...)" - extraído do artigo HIV/aids, publicado no Comentário Bíblico Africano


Em termos morais e espirituais (a parte que mais interessa aos cristãos), percebo que será um grande benefício para os nossos jovens casarem-se numa idade mais nova, mesmo que precisem do apoio da família até se estabelecerem e arcarem com despesas básicas como alimentação, moradia, vestuário, cuidados com a saúde, etc. Uma juventude casada e trabalhadora fica mais resguardada dos perigos da droga, da aids e de inúmeros pecados que tanto prejudicam a convivência humana e a comunhão com Deus.