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domingo, 10 de agosto de 2025

Despedida do pai



Acima a imagem do quadro do pintor holandês Bernardus Johannes (Bernard) Blommers (1845–1914), denominado Goodbye father (1885), retratando a expressão da despedida dos filhos de um suposto marinheiro ou pescador quando parte em sua jornada de trabalho.  

Observem como o menino acena levantado pela mãe enquanto a irmãzinha mostra-se mais retraída, talvez com certa preocupação diante das águas agitadas sobre as quais navega a embarcação. 

Quando o pai retornará para a casa? Tal inquietação deve passar pelo coração da esposa que, temporariamente, vai estar sozinha no comando do lar até que a família possa se reunir outra vez de modo que as ausências do trabalhador realçam a sua presença junto aos seus. 

E no barco? Como o homem deverá estar se sentindo?!

Neste dia dedicado aos pais, não podemos nos esquecer dos trabalhadores que estão distantes da família por motivo de compromisso. Graças às tecnologias de comunicação, hoje eles podem receber e transmitir mensagens até estando fora da Terra, mas a saudade sempre estará no íntimo de todos.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Uma inspiradora obra de arte para nós brasileiros



Há exatos 136 anos, mais precisamente em 8 de abril de 1888, a tela "Independência ou Morte", do pintor paraibano Pedro Américo (1843 - 1905), era exposta pela primeira vez na Academia Real de Belas Artes de Florença, antes de ser entregue ao governo paulista três meses depois, para integrar a coleção do Museu Paulista. 


Na apresentação da obra, Pedro Américo discursou, na presença do imperador Pedro II e sua esposa, imperatriz Teresa Cristina, os quais estavam de viagem pela Europa, bem como da rainha Vitória do Reino Unido e outros mandatários e autoridades ali presentes:


"Bem sei, Senhor, que não é digna do alto assumpto historico, nem da contemplação de Vossa Magestade, a téla que ouso expor aos descendentes ou compatriotas de Raphael, Leonardo da Vinci e Miguel-Angelo; se, porém, é certo que o trabalho nobilita o cidadão, eu me sinto altamente honrado de ter concluído uma pagina destinada a commemorar um dos mais gloriosos feitos do Augusto Progenitor de Vossa Magestade, e ao mesmo tempo o primeiro sopro de vida da nossa saudosa Patria como nação livre e independente."


Seu trabalho agradou aos críticos de arte, sendo considerado, à época, como "uma obra colossal" que trazia "o cunho de uma imaginação criadora e de um robusto engenho", tendo se tornada reconhecida por se tratar de uma construção de identidade nacional. 


O quadro coloca em evidência a figura de D. Pedro I, no alto da colina verde, quase centralizado, um pouco para a esquerda, tendo à sua retaguarda dez homens – sete em primeiro plano e três em segundo plano – que vestem trajes civis e levantam seus chapéus. Montado em um cavalo marrom, o imperador veste um traje de gala característico da nobreza, empunha sua espada e proclama a independência com o grito que, figurativamente, "reverbera por todo o império". Seu olhar está direcionado para os soldados da Guarda Real, à direita. Eles acompanham D. Pedro, e usam fardas, capacetes de dragões e botas, estão sobre cavalos e empunham suas espadas.


Todavia, essa construção visual do passado brasileiro idealizando a Independência do país, em que a figura de D. Pedro é mostrada ao público como um herói, sofre vários questionamentos. 


Um deles é que, além de não ter acontecido nada daquilo que foi retratado, pois, no dia 07/09/1822, o imperador estava era passando mal com uma tremenda diarreia, Pedro Américo teria sido um copiador de outras obras, a exemplo das pinturas de Meissonier "Napoleão III na Batalha de Solferino" e "Batalha de Friedland".




Em todo caso, o talento do artista brasileiro é indiscutível e a obra, rica em detalhes, até hoje nos serve de inspiração.

sexta-feira, 11 de março de 2022

Quadros censurados... Que retrocesso é esse que estamos vivendo no Brasil?!

 


Na tarde desta sexta-feira, deparei-me com uma notícia na internet que considerei um verdadeiro absurdo. Um amigo meu havia compartilhado a seguinte postagem, feita originalmente na data de 09/03/2022, no sítio de relacionamentos Facebook, com o seguinte teor:


"Quadros da artista Elis Pinto censurados ontem na exposição promovida pela prefeitura de Nova Friburgo em homenagem ao dia das mulheres. Inaceitável!" - https://www.facebook.com/liaccaldas/posts/5380674121942610  


Morei na formosa cidade de Nova Friburgo de 1999 até 2011, saindo de lá justamente no ano em que houve aquela tragédia climática com centenas de mortos e desaparecidos, pior do que a enchente deste ano em Petrópolis. Depois, fiquei uns meses no Rio e então fixei minha residência em Mangaratiba, mais precisamente em Muriqui, uma localidade praiana. Durante esse tempo, vários prefeitos se sucederam pela belíssima localidade serrana e, à distância, apenas fui acompanhando a política de lá, às vezes interagindo com alguns amigos atuantes em relação às eleições municipais, e, geralmente, trocando ideias com alguns deles que pretendiam vir como candidatos ou apoiar alguém. 


Pois bem. No mandato passado, fiquei sabendo que o prefeito que estava no cargo ia mal nos seus trabalhos, com poucas chances de reeleição. E, no pleito de 2020, a disputa pela cadeira número um da cidade pulverizou com mais de 15 chapas tal como foi também por aqui num dos municípios da Costa Verde, mais precisamente em Itaguaí. 


Esperava que, dessa vez, ganharia alguém de esquerda em Nova Friburgo, porém quem venceu um jovem conservador do partido do Crivella, o qual mal me recordo de haver conhecido quando ainda morava lá (devemos ter uma diferença de uns 10 anos de idade). Ao assumir o cargo, desejei que ele tivesse sucesso e me admirei positivamente quando soube pela internet que o mesmo estava dando um choque de gestão, limpando ruas e atendendo com celeridade às reivindicações dos moradores logo nos primeiros dias em seu cargo. 


No entanto, agora me deparo com essa triste notícia de haver a Prefeitura de Nova Friburgo censurado uma exposição artística e, sinceramente, fiquei perplexo. Pois mesmo sem conhecer suficientemente o atual prefeito de lá, considerei um absurdo o mesmo ter esse tipo de posicionamento moralista. Isto porque é algo que não cabe mais nos dias de hoje e acho que, nem na minha época de criança, já no fim do regime militar, a censura da época da abertura democrática não proibia mais a manifestação artística como tinha sido nos tenebrosos tempos do AI-5. 


Lamento que gestores da atualidade, eleitos pela população que um dia depositou neles sua confiança, estejam perdendo tempo em reprimir a cultura quando, na verdade, deveriam estar mais focados nos cuidados com a saúde, a educação, o meio ambiente, o trânsito, os transportes, o desenvolvimento econômico local, a assistência aos mais pobres e o urbanismo. 


Assim sendo, sem querer tomar parte na política de uma cidade onde não tenho mais o vínculo de residência, desejo que o seu jovem alcaide não se afaste do bom senso e repense sua conduta. Do contrário, como tem acontecido com a maioria dos políticos de hoje, corre-se o risco de vir a ser esquecido pelo desempenho de um mandato sem realizações que de fato interessam à coletividade. 


Ótimo final de semana a todos!


OBS: Foto e citação de Lia Caldas em https://www.facebook.com/liaccaldas/posts/5380674121942610