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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

E assim terminamos novembro...



Começamos o primeiro dia útil da semana coincidindo com o último do mês, em que os principais comentários no país ainda foram as eleições municipais de segundo turno em 57 cidades brasileiras ocorridas no domingo. Destas, houve "virada" de urna em 17 delas.


Confesso que não acompanhei os resultados no país todo e foquei mais na capital estadual do Rio de Janeiro em que torci pela vitória de Eduardo Paes (DEM) contra Crivella (Republicanos), a qual foi esmagadora como já era esperado. E o primeiro colocado terminou a eleição com 1.629.319 votos, enquanto o adversário teve 913.700. Brancos (5,03%) e nulos (13,77%) somaram 588.714 votos, sendo que houve ainda o recorde de 1.720.154 abstenções (35,45%).


Todavia, prestei um pouco de atenção em duas cidades onde a esquerda estava disputando espaço, a saber em São Paulo e em Porto Alegre, onde Boulos (PSOL) e Manuela (PCdoB) foram derrotados em suas respectivas disputas por candidatos de centro.


Por sua vez, os candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro saíram derrotados no 2º turno. Nesta eleição, apenas dois dos treze nomes ligados ao presidente saíram vitoriosos, a exemplo do próprio Crivella e do Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza. Aliás, nove já tinham perdido no 1º turno como o Celso Russomano (Republicanos) na capital paulista.


Assim sendo, fico feliz em ver que o Brasil, nestas eleições municipais, mostrou estar convergindo para o centro da política, o que é muito bom porque, sem as mentes ficarem engaioladas pelo pensamento do extremismo ideológico, essas consciências passam a ter melhores condições de debater agora como se fará uma melhor gestão em suas respectivas cidades. 


Passadas as comemorações (digo que estou muito animado com a volta do Dudu no Rio), o caminho agora é direcionar o foco coletivo para a superação dos problemas e bola pra frente, sendo o enfrentamento da pandemia por COVID-19 o grande desafio dos que foram eleitos ou reeleitos este mês. Inclusive porque os casos de infecção e de mortes por coronavírus têm aumentado muito ultimamente e estamos perto do Natal, período quando o comércio consegue obter um lucro mais significativo.


Caminhemos agora com os pés no chão e cuidemos das cidades do nosso país!

sábado, 28 de novembro de 2020

Minha torcida pela vitória de Eduardo Paes no Rio de Janeiro



Torço para que os cariocas confirmem amanhã, dia 29/11, o resultado das frequentes pesquisas de opinião que indicam a ampla vitória de Eduardo Paes no segundo turno das eleições municipais. 


Paes é, sem dúvida, a melhor opção para a população de uma cidade que um dia já foi chamada de "maravilhosa". Trata-se de um gestor que conhece os problemas urbanos do Município!


Chega desse caos administrativo que a capital estadual vive hoje!


Chega de usarem a máquina pública para benefício dos interesses de uma instituição religiosa. O Estado brasileiro é laico!


Apesar de Eduardo Paes não ter feito um governo perfeito nos oito anos em que esteve a frente da Prefeitura carioca, é preciso considerar os serviços prestados nas áreas da saúde, da Educação, nos transportes e na geração de emprego e renda, a exemplo das Clínicas da Família, novas UPAs, o fim da aprovação automática, mais ensino em tempo integral, a construção do BRT e o Bilhete Único


Por isso, mesmo votando aqui em Mangaratiba e não no Rio, estou com o 25. 


Volta logo, Dudu!

A relação entre os cidadãos e os seus representantes após as eleições



As eleições passam, mas os debates políticos ficam, os quais sempre virão à tona de algum jeito. Inclusive tais expressões têm se mostrado cada vez mais presentes em épocas de comemorações festivas como o Natal, o Ano Novo e o Carnaval, embora quase sempre espontâneas. 


Geralmente é a partir de 08/03, no Dia Internacional da Mulher, que alguns grupos sociais organizados começam a articular as suas ações, buscando influenciar decisões a serem deliberadas na pauta política de um país, região ou cidade. A partir daí, temos cerca de nove meses de vários acontecimentos relacionados à política, apesar dos fatos que ocorrem no chamado "apagar das luzes", ou logo no começo de um mandato, sem o suficiente conhecimento do público por meio dos canais de divulgação.


Como se sabe, a chamada democracia deliberativa constitui-se como um processo de deliberação política caracterizado por um conjunto de pressupostos teórico-normativos que incorporam a participação da sociedade civil na regulação da vida coletiva. É algo que avançou muito na Europa mas que ainda é uma raridade no Brasil, estando hoje em declínio (ou em crise) devido ao obscurantismo cultural que atravessamos, mas que sempre irá ocorrer dentro de um limite cuja extensão não conseguimos precisar.


Certo é que nem sempre os resultados das eleições trarão uma total legitimidade às decisões e às ações políticas sob o prisma sociológico. Pois os governantes e parlamentares, uma vez escolhidos, nunca conseguirão se fechar totalmente ao diálogo com o público supondo que caberá exclusivamente a eles o poder de deliberar sobre os assuntos de interesse da coletividade.


Ora, até que ponto cidadãos e representantes políticos não devem justificativas mútuas ao longo de quatro anos?! 


Pode um governante eleito este mês ser amanhã diplomado, tomar posse do cargo e passar todo o seu mandato alheio ao que chamamos de "voz das ruas", sem que sejam realizados eventos para discussões com o público?!


Inegavelmente, a interatividade é parte integrante da base do debate público, sendo algo de grande importância para que haja uma real legitimidade democrática dentro de uma sociedade. E, quanto a isto, o sociólogo alemão Jurgen Habermas, atualmente com 91 anos, ensinou muito a humanidade com as suas teorias do agir comunicativo (ou "Teoria da Ação Comunicativa"), da política deliberativa e da esfera pública. Aliás, pode-se afirmar que ele seria o "pai" do modelo two-track da teoria da democracia deliberativa onde o poder comunicativo derivado da influência pública sobre processos institucionais decorre não somente das eleições como nos debates sobre leis, através da produção de fluxos comunicativos em esferas públicas articuladas.


Assim sendo, nesse diálogo de duas vias, teríamos uma linguagem comum circulante no meio social mas que precisa ser traduzida para uma linguagem técnica, a fim de que tais opiniões sejam compreendidas e ajudem a programar as ações estatais. E, no sentido oposto da conversa, a informação especializada deve se tornar acessível para o público comum para que o leigo consiga compreender os mais importantes acontecimentos da política.


Por outro lado, nem todos os discursos feitos pelos cidadãos, ou isoladamente por um representante no Legislativo, significa um total poder de deliberação. Os organismos e meios de participação política certamente são limitados por mais que as opiniões ventiladas tenham insumos para produzir modificações ou, pelo menos, discussões. Ainda mais num sistema inflexível como o nosso presidencialismo de coalizão onde o debate sobre o "conjunto da obra" de um governante torna-se enfraquecido quando ocorre o alinhamento entre o Executivo e o Legislativo.


Passadas as eleições, é certo que o debate não se encerra e, quanto a isso, não podemos achar que as redes sociais de internet, a exemplo do sítios de relacionamentos Facebook, sejam as melhores ferramentas de comunicação já que elas não têm proporcionado um debate produtivo e civilizado entre os seus usuários. Porém, cada qual com a sua própria lista de contatos pessoais, quer se tratem de lideranças ou não, é capaz de contribuir para aquecer o debate politico que continuará a existir enquanto houver palavra, seja dentro ou fora dos eventos oficiais.


Que haja mais qualidade nas nossas discussões políticas!


OBS: Imagem acima extraída da Wikipédia com atribuição de autoria a Ryan Somma, Occoquan, USA, conforme consta em https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_deliberativa#/media/Ficheiro:Rally_to_Restore_Sanity-_Deliberative_Democracy_Now!_(5130166257).jpg

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Será que todas as denúncias de cidadãos no Tribunal de Contas deveriam ter mesmo o tratamento sigiloso?!



Neste ano, fiz uma denúncia ao TCE-RJ reclamando que a audiência pública para demonstração e avaliação do cumprimento das metas fiscais do 2º quadrimestre de 2020, realizada no último dia 25 de setembro, no Plenário da Câmara Municipal de Mangaratiba, teria ocorrido sem que fosse assegurada a interação popular por meio de plataforma digital (Zoom ou Google Meet), medida esta que se fazia necessária por força da restrição de acesso imposta ao público. Na época cheguei a escrever a postagem Uma audiência pública sem público em Mangaratiba..., publicada dia 26/09/2020 aqui neste blogue.


O processo, ao ser protocolizado na Corte de Contas, foi registrado sob o número 227.118-8/2020, porém, como ocorre com todas as denúncias de cidadãos comuns, que não possuem mandato eletivo, recebeu tratamento sigiloso "com vistas a resguardar os direitos e garantias individuais".


Como se sabe, de acordo com os artigos 58 e 59 da Lei Complementar Estadual nº 63/90, todo cidadão pode apresentar denúncias ao TCE. Senão vejamos o teor do texto normativo:


Art. 58. Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar irregularidades perante o Tribunal de Contas.

Art. 59. A denúncia sobre matéria de competência do Tribunal de Contas deverá referir-se a administrador ou responsável sujeito à sua jurisdição, ser redigida em linguagem clara e objetiva, conter o nome legível do denunciante, sua qualificação e endereço, e estar acompanhada de prova ou indício concernente ao fato denunciado ou à inexistência de irregularidade.


Por sua vez, os artigos 3º e 4º da Deliberação TCE-RJ nº 266/2016, vai de encontro ao que diz a legislação do Rio de Janeiro:


Art. 3º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar irregularidades perante o Tribunal de Contas.

Art. 4º São requisitos de admissibilidade de denúncia: I – referir-se a matéria de competência do Tribunal;

(...)

II – referir-se a administrador ou responsável sujeito à sua jurisdição; III – ser redigida em linguagem clara e objetiva;

(...)

IV – no caso de cidadão: conter nome completo, a qualificação, cópia da carteira de identidade, cópia do Cadastro de Pessoa Física, cópia do título de eleitor ou documento equivalente e o endereço do denunciante;

V – no caso de partido político, associação ou sindicato: cópia do estatuto, cópia da ata da última eleição ou da ata de nomeação da diretoria, cópia do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, cópia da carteira de identidade do presidente ou responsável pela entidade, conforme estabelece o estatuto;

VI – contar informações sobre o fato, a autoria, as circunstâncias e os elementos de convicção;

VII – estar acompanhada de prova ou indício concernente ao fato denunciado ou à existência de irregularidade.


Contudo, essa mesma Deliberação do TCE impõe um sigilo às denúncias dos cidadãos. É o que consta expresso em seu artigo 6º:


Art. 6º No resguardo dos direitos e garantias individuais, o Tribunal dará tratamento sigiloso às denúncias formuladas, até decisão definitiva sobre a matéria, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório aos acusados. 

Parágrafo único. Ficam excluídos do tratamento sigiloso constante do caput deste artigo, denúncias formuladas por detentores de mandato eletivo e pelos partidos políticos, sindicatos ou associações, quando as matérias denunciadas não estiverem sob sigilo legal.


A meu ver, o sigilo, para fins de resguardar direitos e garantias individuais, é algo que deveria ser concedido em caráter excepcional e a pedido do interessado quando, de fato, possa haver uma situação que importe em risco de vida ou de ameaça à integridade física do indivíduo. Logo, é necessário que estejam sempre presentes os motivos que justifique uma mitigação da publicidade e que não inviabilize o trâmite da demanda, nem que tão pouco impeça a sociedade civil de tomar conhecimento das decisões e dos posicionamentos da Corte de Contas.


Deste modo, entendo ser preciso ponderar que o direito fundamental de acesso à informação deva ser assegurado por procedimentos executados em conformidade com os princípios básicos da administração pública, além de que a publicidade é um dos princípios fundamentais regentes da administração pública, compreendendo a transparência, a acessibilidade, a integralidade e a integridade das informações referentes à gestão administrativa e financeira da coisa pública. Logo, ainda que se dê tratamento sigiloso a uma denúncia para resguardar direitos e garantias individuais do próprio denunciante, eis que o teor das decisões, mesmo com a ocultação da totalidade dos dados pessoais do cidadão, precisa ser disponibilizada ao público, inclusive na consulta ao andamento processual via internet.


Outrossim, como uma denúncia pode ter o sigilo justificado por outras razões que não sejam para resguardar direitos e garantias individuais, é considerável que, até haver uma análise pela relatoria do caso, por meio de decisão monocrática, haja um breve tratamento sigiloso a partir do ingresso da comunicação no Tribunal. Até mesmo porque a petição apresentada poderá abordar assuntos que sejam de interesse de uma eventual investigação em face de algum jurisdicionado, mas não por conta da proteção dos direitos individuais do denunciante.


Registre-se que o sigilo da totalidade dos dados pessoais do denunciante, incluindo o seu endereço físico, documento de identidade, e-mail, data de nascimento, nomes dos pais, inscrição no CPF e o título eleitoral, não se confunde com a própria denúncia em si, sendo que o TCE pode dispor de meios para manter em oculto ao público os documentos anexados à inicial e até mesmo a própria petição.


Independente disso, inexistindo qualquer interesse público que justifique o sigilo, inquestionável que o próprio denunciante possa dar publicidade às decisões e aos demais atos, assim como deve ser permitido que o mesmo queira requerer o levantamento do tratamento sigiloso dado ao processo. Aliás, o próprio formulário de envio da denúncia via internet deveria também dar alternativa ao usuário do sistema.


No caso da denúncia que havia feito, a publicidade diante de uma questão levantada por cidadão quanto ao direito das pessoas de participar virtualmente das audiências públicas sobre as metas fiscais, de modo algum poderá importar em lesão aos direitos e garantias individuais do denunciante. Aliás, cuida-se de algo que, caso venha a ser amplamente divulgado pelo TCE, poderá orientar várias casas prefeituras e legislativas do país para que cumpram a legislação durante a pandemia por COVID-19, além das demais entidades privadas que praticam o controle social, a exemplo de ONGs, sindicatos e partidos políticos.


Sobre a denúncia que fiz, a mesma ainda carece de uma decisão meritória, porém houve o seu devido recebimento e conhecimento, porém com a manutenção do tratamento sigiloso, tendo sido determinada a comunicação ao Prefeito Municipal de Mangaratiba, de acordo com o artigo 26, § 1º, do Regimento Interno do TCE, para que, no prazo de 15 (quinze) dias, sejam prestados esclarecimentos quanto à não disponibilização de ferramenta digital com vistas a possibilitar o acesso virtual do público interessado à audiência realizada em 25/09. E também foi requisitado o encaminhamento ao processo da ata dessa reunião.


Apesar de já estar entrando em contato com o TCE para afastar o sigilo dessa denúncia, pois acredito que o assunto, talvez, possa interessar a uma seleta minoria de cidadãos (e de parlamentares) que fiscalizam os órgãos públicos, nada me impede de acompanhar o processo e de trazer informações acerca do seu andamento. Aliás, é em respeito aos que têm me seguido como cidadão sem mandato eletivo, que estou compartilhando as notícias sobre umas das últimas atividades políticas promovidas em meu nome, no corrente ano, aqui em Mangaratiba.


Ótimo final de semana a todos!

domingo, 22 de novembro de 2020

Que tal enfeitarmos a cidade e as nossas casas para o Natal?!

 




Que 2020 está sendo um ano horrível por causa da pandemia e outros acontecimentos mais, não restam dúvidas. Porém, jamais podemos perder as esperanças por dias melhores. 


Pois bem. Já estamos na última dezena de novembro e, daqui a pouco, chegará o Natal, feriado este que, em tempos normais, costuma ser uma época de festas, de reuniões familiares, viagens, celebrações religiosas e culturais, churrascos de confraternização entre colegas de trabalho, cantatas em igrejas, etc.


Sei o quanto muitos estão se sentindo tristes e pude perceber isso nas visitas aos lares que fiz durante a campanha eleitoral. Seja porque as pessoas perderam seus entes queridos, estão sem dinheiro, ficaram desempregadas ou precisaram fechar algum comércio do qual tiravam o sustento para a família. Porém, como disse no primeiro parágrafo do texto, não podemos perder as esperanças.


Ora, o Natal é a comemoração do nascimento do menino Jesus e que possui grande significação em nossa cultura cristã, independente do grau de religiosidade ou de crença de cada um. Inclusive sabemos pelas Escrituras Sagradas (e pela tradição eclesiástica) o quanto esse episódio é inspirador, como se lê no anúncio feito pelos anjos aos pastores da Judeia:


"E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados. as o anjo lhes disse: "Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura". De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor"." (Lucas 2:9-14; NVI)


Curioso que as boas novas do nascimento de Jesus fez com que o cenário rotineiro daqueles homens mudasse repentinamente, os quais deixaram os seus afazeres e foram até Belém conhecer o prometido Messias, filho de Davi. Tratava-se, no contexto dos evangelhos, da esperança por tempos melhores para as famílias judaicas do século I, tão massacradas por Roma. A chegada do "Reino de Deus"...


Sem querer fazer desta postagem uma pregação religiosa, sigo direto ao que tenho a propor para o nosso Município. Pois a minha sugestão é que, diante dos acontecimentos ruins do ano, sejamos de romper as amarras da tristeza e começarmos a enfeitar a cidade onde vivemos para o Natal, a partir das nossas residências, deixando prontas as nossas casas, lojas, ruas, praças e prédios públicos até o 06/01/2021, data que lembra a visita dos magos do Oriente a Jesus (Mt 2:11).


Sendo assim, que tal fazermos do evento natalício de 2020 um instrumento para a superação dos sofrimentos, das irreparáveis perdas, das diferenças religiosas e políticas ainda existentes, dos dissabores vividos na campanha eleitoral e dos prejuízos econômicos? Ou vamos preferir passar as festas de final de ano amargurados?!


Portanto, proponho que possamos praticar atividades lúdicas, as quais, como se sabe, direcionam-se para o entretenimento enquanto é praticado algo. Em outras palavras, cuida-se de retornarmos por uns instantes à infância cultivando o saudoso ato de brincar, e fazendo da decoração uma importante ferramenta psicológica e social, através da qual podemos também trabalhar os próprios sentimentos diante da dura realidade a nossa volta.


Desse modo, um dos objetivos dessa proposta, que pode servir de inspiração para uma série de atividades numa comunidade, mesmo com o distanciamento social, será incentivar às famílias a disponibilização de um espaço em suas rotinas, dentro do ambiente doméstico, através da decoração de suas casas para o Natal, podendo também promover a participação online e o engajamento em lives, encontros, atividades e rodas de conversa virtuais. 


Seja como for, mesmo em meio a uma pandemia global, podemos continuar encontrando diferentes formas, lugares, entretenimentos e jeitos de trabalhar o nosso sentimento perante o mundo. Logo, por que não aproveitarmos a oportunidade propiciada pelo Natal nesses últimos dias que nos restam ainda em 2020?!


Ótima semana a todos!


OBS: Texto originalmente postado no blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor, conforme consta em https://melhorarmangaratiba.blogspot.com/2020/11/que-tal-enfeitarmos-cidade-para-o-natal.html

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Se for para questionar o pleito de 2020, não culpem a urna eletrônica!




Após as eleições de domingo (15/11), surgiu no país um movimento conservador questionando as eleições de 2020 e que tem contado com o apoio de muitos ex-candidatos derrotados, os quais estão duvidando dos resultados das urnas, após o apagão no sistema de apuração de votos do TSE. Tais políticos estão encontrando apoio do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o mesmo que havia rasgado a placa da ex-vereadora assassinada Marielle Franco, tendo ele entrado com pedido um de "suspensão" das eleições, alegando suspeita de um suposto "cybercrime".


Todavia, considero isso manifestamente improcedente!


Os que andam inconformados com os resultados das urnas eletrônicas precisam tomar conhecimento de que o TSE contratou uma empresa de profissionais independentes para fazer uma auditoria do voto eletrônico, sem ter sido constatada nenhuma irregularidade a respeito. 


Ora, eu recebi apenas 22 votos para vereador neste pleito aqui em Mangaratiba, tenho consciência daquilo que de fato me faltou, mesmo sendo conhecido na cidade, e não ficarei de "mimimi" nas redes sociais apenas porque perdi. 


Além disso, jamais apoiarei movimentos que defendem teses conspiracionistas sobre improváveis supressões de sufrágios com intensões muitas das vezes obscuras, não muito diferente do que andam fazendo os seguidores de Donald Trump nos EUA. 


A meu ver, se há candidatos querendo questionar o resultado na sua cidade, que os interessados procurem motivos justificáveis e outros argumentos fora das teorias conspiratórias, pelo que deverão juntar as provas específicas sobre o caso e propor as ações cabíveis perante a Justiça Eleitoral local, no prazo previsto em lei. Do contrário, é chover no molhado e causar instabilidade ao país.


Afinal de contas, a quem interessa isso?


Ótimo final de semana a todos!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Quando a jabuticabeira disputou as eleições na floresta com o espinheiro



Certa vez as árvores da floresta resolveram procurar um rei para que as representasse e governasse por elas. Então disseram à oliveira: "Venha ser o nosso rei". E a oliveira respondeu: "Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu azeite, usado para honrar os deuses e os seres humanos. Tô fora!". 


Aí as árvores pediram à figueira: "Seja você o nosso rei". Porém, a figueira respondeu: "Para governar vocês, eu teria de parar de dar os meus figos tão doces. Nem pensar!". 


Então as árvores disseram à parreira: "Venha ser o nosso rei". Mas a parreira respondeu: "Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu vinho, que alegra os deuses e os seres humanos. E nesse momento estou me preparando para um concurso de degustação de bebidas".


Ainda desejando ter um rei, todas as árvores pediram ao espinheiro: "Seja o nosso rei". E o espinheiro respondeu: "Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra.".


Ouvindo essas palavras enganadoras do espinheiro, o qual jamais poderia oferecer sombra às demais árvores, e ciente das decisões omissas da oliveira, da figueira e da parreira, eis que a jabuticabeira resolveu colocar-se à disposição para também ser rei: "Chega de termos bandidos e enganadores na política desse país! As árvores de bem precisam ocupar posições importantes nesse reino ou vamos nos dar muito mal amanhã"


Como o espinheiro e a jabuticabeira pretendiam o mesmo cargo, foi marcada uma votação na floresta, dando tempo para cada candidata fazer a sua campanha eleitoral.


Sendo uma árvore honesta, a jabuticabeira foi visitar as casas e discursar na praça sobre o seu plano de governo a fim de que todas as eleitoras conhecessem cada proposta. Algumas as recebiam com sinceridade e interesse, mas a maioria delas não. Aliás, nem escutavam o que a candidata tinha a lhes dizer, apesar de muitas lhe declararem apoio.


Já o espinheiro usou outras práticas. Fez muito assistencialismo, prometeu coisas impossíveis de serem realizadas, doou material de construção, inventou um monte de fakenews contra a jabuticabeira com a intensão de difamá-la na internet através de usuários falsos e, por fim, no dia das eleições, montou um búnquer para comprar as árvores. Quase todo mundo fechou com ele, inclusive a figueira que havia recebido a ilusória proposta de fornecer os seus produtos para uma fábrica de doces, sendo que a oliveira preferiu nem votar. 


Pouco depois das 17 horas, foi iniciada a apuração da urna eletrônica e a jabuticabeira ficou surpresa com o fato de haver recebido somente dez votos que, apesar de secretos, ela veio descobrir mais tarde que um deles veio da parreira. Já o adversário ganhou com uma diferença de mais 100 sufrágios.


No dia seguinte à coroação do espinheiro, o mesmo começou a roubar o dinheiro público e a oprimir a floresta de várias maneiras com ameaças de multas, demissões do serviço público e o aumento abusivo de impostos. Inclusive fez com que alguns de seus ministros cometessem atos velados de coação, ameaçando incendiar as árvores com gasolina, caso ousassem organizar uma oposição ao seu governo.


Assim, a eleição do espinheiro acabou sendo o fim da floresta, a qual o espinheiro loteou vendendo a fim de que novos proprietários derrubassem a mata para pasto, plantassem soja ou construíssem condomínios de luxo. Isso sem esquecer das árvores de madeira nobre que vieram a ser cortadas e vendidas para a indústria de móveis, sendo que a figueira terminou virando lenha.