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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Uma representação da nossa impetuosidade



A imagem acima que ilustra esse texto refere-se ao quadro do artista russo Viktor Mikhailovich Vasnetsóv (1848 – 1926) denominado Os quatro Cavaleiros do Apocalipse (1887), os quais são os personagens descritos na terceira visão profética do livro bíblico de Revelação ou Apocalipse.


Arrebatado aos céus, após contemplar toda a estrutura da organização celestial de Deus, João vê em sua mão direita um rolo (manuscrito enrolado em formato cilíndrico) com sete selos (Apocalipse 5:1-2.). Em seguida Jesus Cristo (descrito como o "Leão da tribo de Judá", a "Raiz de Davi", e "um cordeiro em pé, como se tivesse sido morto") tira o rolo da mão direita daquele que está assentado sobre o trono (Apocalipse 5:5-9). Então, esses cavaleiros começam sua cavalgada por ocasião da abertura do primeiro desses "sete selos" e, a cada selo aberto, um cavaleiro aparece no total de quatro (Apocalipse 6:1-Apocalipse 7:17). 


"E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê.

E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.

E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.

E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.

E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.

E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê.

E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra."

(Apocalipse 6:1-8)


Como se sabe, o número quatro na simbologia numérica bíblica representa quadrangulação em simetria, universalidade ou totalidade simétrica, como em quatro cantos da Terra, quatro ventos. Vemos isso também em outros textos (Apocalipse 4:6; Apocalipse 7:1-2; Apocalipse 9:14; Apocalipse 20:8; Apocalipse 21:16), provavelmente tornando esses quatro Cavaleiros parte de um único evento relacionado.


Além disso, em muitas culturas, o cavalo é símbolo da impetuosidade e da impulsividade relacionadas com os desejos humanos, além de ser associado com água e fogo por serem muitas vezes incontroláveis. Também é tido como a relação com o divino servindo de guia de almas, sendo muitas vezes enterrados juntamente com seus donos. Exprime ainda vigor e virilidade, por vezes simbolizando a juventude. E, no contexto histórico, principalmente nos campos de batalha, o cavalo era treinado muitas vezes para matar soldados com suas patas ou sua boca de maneira que, nessa narrativa, esses cavalos e seus cavaleiros podem representar (e muitas interpretações os descrevem assim) uma cavalgada (campanha) com toques de guerra trazendo suas consequências por onde passam.


Quanto às cores dos cavalos, elas dizem muito dos respectivos cavaleiros como:


- Branco: Pureza, santidade, régio;

- Vermelho: Sangue, assassinato, guerra;

- Preto: Obscuridade, peste, maldição;

- Amarelo: Corpo em decomposição, morte.


Já os seus apetrechos mostram característica a respeito do papel que desempenham ou a consequência de sua cavalgada:


- Arco e coroa: Símbolo da guerra e do poder;

- Espada: Principal arma dos exércitos antigos, usada como símbolo de assassinato;

- Balança: No contexto denota desigualdade ou injustiça (no caso de alimento);

- Jarra: Traz a peste dentro.


Outro detalhe é a ordem em que são chamados, significando para muitos uma sucessão progressiva. Isto porque eles não são chamados ao mesmo tempo.


Pois bem. Muitos que alimentam uma escatologia do medo já andam dizendo por aí que, com a guerra na Ucrânia, o segundo selo teria sido aberto, com o argumento de que o primeiro teria sido a pandemia da Covid-19...


Sinceramente, não concordo em nada com essa visão baseada em fatos do momento e revelando um oportunismo de ocasião. Pois, além de não seguir a tal ordem (critério fundamental para os que se apegam a uma tosca literalidade), tais "intérpretes" se esquecem de que a visão do autor do Apocalipse representa uma constante na história da nossa espécie.


Indiscutível que a humanidade sempre conviveu com seus impetuosos conflitos que, por sua vez, causam guerras, trazem fome e morte. Porém, isso é algo que pode e deve ser entendido como transitório diante de um prometido futuro glorioso que o Apocalipse identifica como a vida dos justos ressurretos na "Nova Jerusalém".


Como para mim é o simbolismo da visão que deve nortear o intérprete do Texto Sagrado, vejo justamente que a proposta do livro recai sobre o nosso esforço de superação desses nossos trágicos momentos até que alcancemos os "novo céu" e "nova terra".


Não acredito num deus que vai destruir a sua própria criação. Porém, a vocação da humanidade é progredir para alcançar um estágio superior de relacionamentos, quando saberemos lidar melhor com os nossos desejos, evitando que, ao tentar satisfazê-los, sejamos conduzidos por essa impetuosidade destrutiva que tanto nos assola.


Ótimo domingo a todos e todas!

terça-feira, 15 de junho de 2021

Os males da pandemia mudarão a humanidade?!



Lembrando do livro bíblico do Apocalipse, o último do Novo Testamento, observei algo de curioso quanto ao comportamento da humanidade diante dos flagelos que, segundo a profecia, atormentarão (ou já atormentam?) as pessoas em seus últimos dias. 


Diz o autor que, após o toque da sexta "trombeta", cujo resultado é a morte de um terço da população global, os sobreviventes "não se arrependeram das obras das suas mãos" (Ap 9:20), mantendo o mesmo comportamento delituoso que tinham antes. E tal conduta vem a se repetir na narrativa da referida obra quando ocorrem os julgamentos finais alegorizados pelas "taças da cólera" divina, mais precisamente pelos quarto, quinto e sétimo flagelos que se desenrolam no capítulo 16. Porém, a ausência do arrependimento é acompanhada da reação das palavras de blasfêmia contra Deus.


Apesar de recusar as interpretações literais da Bíblia e nem sair por aí identificando fatos do presente como se os mesmos fossem o exato cumprimento de uma determinada profecia, tento extrair lições para a vida de tudo o quanto leio atentamente nesse grande universo de informações, quer seja um texto considerado sagrado ou não. E aí busco uma maneira de significar o momento vivido visto que precisamos estar abertos para aprender e crescer com as experiências ao invés de nos endurecermos num entendimento equivocado, tal como fizera um perverso faraó na época de Moisés, tendo sempre "aquela velha opinião formada sobre tudo", conforme cantava o saudoso Raul.


Pois bem. Já são quase 490 mil mortos no Brasil por causa dessa pandemia, porém ainda há uma turminha que prefere negar os fatos, ignorando os riscos de uma doença e se aglomeram por aí em torno de um falso messias que anda de moto nas estradas espalhando esse vírus.


Todavia, muitos dos seguidores do "mito", como costumam chamar um certo ocupante do Palácio do Planalto, são pessoas que se acham "cidadãos de bem", frequentam alguma igreja e dizem ser "evangélicos". Acredito até que vários deles possam se intitular "pastores" e já teriam até lido as passagens bíblicas referidas na presente postagem, embora seja possível indagar se, por acaso, tiveram ouvidos para ouvir...


Complementando o meu pensamento, bem disse um ministro do STF acerca da existência de um "cristianismo do mal" no país. Durante um debate na Câmara dos Deputados, ocorrido em 09/06 do corrente, quando discursou contrariamente à ideia retrógrada do voto impresso, Barroso lamentou a atuação de milícias digitais que "disseminam ódio, mentiras e teorias conspiratórias":


"Escrevem coisas horríveis. Tem uma espécie de cristianismo do mal no Brasil, uma inovação horrorosa, em que o sujeito fala: ‘Em nome de Deus, eu quero que você morra, em nome de Jesus, eu quero que sua família seja destruída’. Quer dizer, é tão absurdo isso, pessoas totalmente do mal que invocam a religiosidade das pessoas"


Com toda a sinceridade, meus amados leitores, não acredito que os acontecimentos vividos por ocasião dessa pandemia serão capazes de mudar o ser humano e menos ainda o brasileiro. Pois não é nenhum fato externo que promove alterações no nosso modo de pensar ou agir, mas sim a nossa disposição interna em admitir erros e, a partir daí, esforçar-se para corrigir rotas.


Assim, espero que a pandemia um dia passe a fim de dar mais liberdade aos educadores de ministrar ensinamentos de vida capazes de despertar a consciência das pessoas e, inclusive, de uma minoria barulhenta que insiste nos erros apesar de todos os flagelos do nosso tempo.


Só a educação muda quando nos deixamos educar!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Apocalipse de Rodrigo

Um dia, depois dos crentes ditos evangélicos terem orado tanto pela “volta de Jesus” e o “arrebatamento da Igreja”, Deus resolveu atender este pedido conforme a Sua vontade soberana. Mandou que seus anjos Miguel e Gabriel fossem até à Terra pilotando um enorme disco voador e transportassem metade da população para outros planetas. E isto aconteceu numa ocasião inesperada, sem que fosse feriado ou dia “santo” de alguma religião.

Contudo, os evangélicos em sua maioria ficaram bem surpresos com o acontecimento. Quando foram instantaneamente arrebatados para a grande nave, não encontraram apenas pessoas do seu segmento confessional. Além dos católicos, estavam lá cristãos espíritas, gnósticos, homens desviados de igrejas e gente que nunca levantou a mão durante um apelo de conversão a Jesus nos cultos eclesiásticos. Também estavam reunidos muitos judeus, muçulmanos, budistas, hindus, taoístas, xintoístas e seguidores das mais diversas tradições religiosas do planeta. Até ateus poderiam ser encontrados dentre os que tinham sido “salvos”.

- “Não acredito que encontraria a senhora por aqui”, exclamou uma evangélica da Assembleia de Deus quando viu do seu lado uma vizinha umbandista.

Esta prontamente lhe retribuiu:

- “Mas por que, minha filha? Será que o teu Jesus seria tão injusto de me mandar queimar no inferno por toda a eternidade apenas porque não sigo o seu pastor? Sempre amei Jesus a quem chamo de Oxalá.”

Uma comissão de evangélicos e outra de espíritas foram até os anjos pedir explicações sobre o que estava ocorrendo:

- “Gabriel, eu sempre considerei que só os crentes fieis a Jesus seriam arrebatados. Será que vocês não andaram se confundindo ao cumprirem as ordens de Deus? Lembre-se do que Paulo escreveu nas epístolas ao tessalonicenses”, reclamou o representante dos evangélicos.

Porém, os espíritas argumentaram de uma maneira inversa:

- “Anjo, segundo o livro Os Exilados de Capela, vão ser as pessoas ruins que serão expulsas da Terra, não os bons. Como você me explica isto?”

Gabriel respondeu-lhes:

- “Meus amigos, aprouve a Deus fazer a coisa da maneira como está ocorrendo. Ele é o Rei do Universo e faz coisas que nem os anjos sabem o motivo. Agora tratem-se de se comportar. A nave é grande, mas o espaço ficou apertado para caber três bilhões e meio de pessoas e mais um bando de animais no andar de baixo. Aguardem que, em breve, chegaremos a um novo planeta.”

Nisto vieram os hindus afim de se informarem com Gabriel para qual planeta estariam indo:

- “Será que vamos até o planeta de Krishna ou iremos para a terra de algum outro Deus?”, indagaram eles, sendo que ficaram discutindo continuamente entre si a respeito de quando seria o fim da era de “Kali Yuga”.

Enquanto isto, na Terra, houve muita confusão entre os que ficaram. Pessoas queriam uma explicação e não achavam respostas satisfatórias. Houve uma série de atritos, acidentes com veículos, quedas de energia nas cidades, saques em supermercados, brigas e assaltos. Dentre os religiosos que restaram, a grande maioria foi se lamentar como fez um fanático neo-pentecostal:

- “Senhor, por que você me deixou para trás! Todos os dias eu estava na igreja te servindo, jamais atrasava o dízimo, procurava converter novos membros e ainda jejuava duas vezes na semana. Agora não estou mais afim de te servir! Vou aproveitar cada instante fazendo de tudo até você acabar com a Terra. Seu injusto!”

Gente em toda parte chorava. Uns expressavam culpa, saudades pelos familiares que partiram e outros até contentamento:

- “Que bom! Agora temos menos gente no mundo e eu ainda receberei a pensão deixada pela minha mulher. Terei bastante sossego porque meus dois vizinhos do lado também se foram. Vou ver se ganho algum dinheiro nesta crise e ocupo os terrenos deles que, tempos depois, poderei adquirir por usucapião”, pensou consigo mesmo um rapaz ambicioso.

Com o passar dos meses, a situação acomodou-se na Terra e a economia começou a crescer devido a um plano de recuperação proposto em conjunto pelos governos dos países. Só que este desenvolvimento veio acompanhado de mais miséria, desigualdade social, restrições na liberdade do indivíduo, falta de respeito para com o ser humano, degradação do meio ambiente, além de guerras para a indústria de armas ganhar mais dinheiro e novas doenças criadas em laboratório para as multinacionais farmacêuticas lucrarem bastante.

Afim de sufocar revoltas populares em diversos locais, até bombas atômicas foram usadas em cima de algumas cidades e povoados, com transmissão ao vivo pelos noticiários da TV afim de amedrontarem as massas. Se um protesto qualquer fosse organizado, a polícia tinha autorização para meter bala nos manifestantes, bem como prender, torturar e sequestrar. Foi criado um clima de terror psicológico intenso.

Proporcionalmente aos governantes, a crueldade do povo também aumentou. Para divertir a população, lutas mortais foram liberadas e começaram a ser transmitidas pela televisão e internet, lembrando os antigos tempos dos gladiadores do circo romano. Prisioneiros passaram a ser usados em trabalhos forçados e nas experiências científicas, com a possibilidade de serem mortos quando ficassem velhos ou imprestáveis. E qualquer cidadão pobre e considerado inútil estava sujeito a ser eliminado pela polícia, se fosse pego nas vias públicas.

Nas ruas a degradação ética tornou-se patente. Numa fila de banco, dois conhecidos de meia idade encontraram-se e foram conversar enquanto aguardavam a agência abrir:

- “E aí, cara. Como vão as coisas? Teu pai já morreu?”

- “Infelizmente, não. Aquela coisa não morre tão cedo e só me dá trabalho. Não vejo a hora de encontrar o velho durinho no sofá! Desejo isto todas as noites pensando que, quando finalmente a morte dele acontecer, volto aqui e saco tudo o que ele tem na poupança para pagar as dívidas e vou receber os alugueres de cada imóvel.”

- “Cara, sabia que você já pode pedir ao governo para recolhê-lo e aplicar aquela injeçãozinha do adeus Totó lá do centro de zoonoses? Consegui fazer isto no mês passado com a vaca da mamãe e foi super fácil quanto à documentação. Só tive que pagar uma funerária para livrar-me do corpo fedorento dela e também desembolsei uma taxa simbólica recolhida pelo governo já que eles cobram da família pela visita do médico e do psicólogo que fazem a aplicação no veneno na veia do velhinho. Tente agendar uma hora com a assistente social. Vou te passar um email sobre isto ainda hoje.”

- “Amigo, eu já andei pesquisando na internet acerca do assunto. No caso do trapo do meu pai, o governo não autoriza e até pode me punir tomando todos os bens da herança, se eu fizer por minha conta clandestinamente. É que papai tem a propriedade de alguns imóveis e, neste caso, ele é considerado um cidadão útil porque mesmo não saindo de casa consome medicamentos das empresas.”

- “Pô! Que chato! Eu se fosse você procurava ver um daqueles discretos anúncios nas páginas dos classificados sobre matadores profissionais. Fica bem na seção de serviços sem especificar do que se trata. Você liga para o telefone e apenas pergunta o preço e onde encontra o sujeito sem dizer do que se trata para a ligação não ser interceptada. Aí eles vão forjar um assalto na sua residência e se livram do seu pai. Tem muito policial que trabalha com isto nas horas vagas e eles sabem muito bem como fazer a coisa e conseguem por panos quentes na investigação sem que você seja descoberto”.

- “Muito obrigado, amigo. Isto vai me ajudar bastante. Já não suporto mais sentir o cheiro de urina daquele velho dentro de casa e ainda ouvi-lo a todo hora me pedindo água. Pior é que ele faz isto justo quando estou no computador fazendo sexo virtual.”

Nesta hora, passou uma menina por ali e colou no poste o cartaz de publicidade de uma clínica de aborto informando preços promocionais e que assim dizia sugestionando: “Não desperdice sua vida com um bebê te enchendo o saco e tome a decisão certa. Venha nos procurar”. Em seguida, veio um carro de som pela rua fazendo propaganda de uma boate:

- “Esta noite a Strip City vai bombar! Leilão de virgens a partir de quinze mil reais. Teremos a estreia de Samanta. Loira, 12 aninhos, bem no início da puberdade. Venha conferir! Entrada a partir das 23 horas. Clientes vip ganham dez gramas de cocaína grátis! Não percam e tragam seus amigos!”

Enquanto isto, na imensidão do Universo, o disco voador chegou a um planeta selvagem.

- “Será aqui a nossa nova casa, anjo?”, perguntou um rabito ortodoxo a Miguel.

- “Não senhor. Neste planeta ficarão só os índios mais alguns ecologistas e hippies que gostam de viver nus. O restante dos terráqueos povoarão uma planetinha desértico que fica no sistema solar daquela estrela lá. Judeus e árabes não terão muita dificuldade para se adaptar.”

- “E não tem nada para comer e beber nesse outro planeta?”, indagou um mestre budista.

O anjo esclareceu:

- “O outro planeta para o qual a maioria de vocês está destinado a ir nada mais é do que um lugar como ficará a Terra num futuro breve depois que seus moradores se autodestruírem por causa da ganância desenfreada e da quebra de valores éticos. Infelizmente, não deverá sobrar ninguém para contar história pra outra geração”.

Ao prestar a atenção nas conversas entre os anjos e as comissões de religiosos, um jovem naturista, coincidentemente chamado Jesus e que estava na fila do desembarque com os índios, resolveu intervir. Ele não era o Cristo e nem o ex-namorado da Madonna, mas foi corajoso em se manifestar no meio daquelas lideranças todas:

- “Miguel e Gabriel, quero que vocês me mandem de volta pra Terra antes que seja tarde. O céu pra mim não está em lugar nenhum. Ele encontra-se dentro de mim. Por isto, quero fazer a diferença no Universo e tentar amar meu próximo. Se formos para um novo planeta, quem garantirá que nós e nossos descendentes viverão lá em perfeição. Não demorará muito para que transformemos este paraíso num outro inferno. Então é melhor lutar para que o inferno vire céu. E, mesmo que não alcance o êxito desejado, pelo menos terei contribuído para que a consciência do outro seja despertada”.

Ouvindo as sábias palavras daquele jovem, que amava a Deus independente de doutrinas ou de instituições religiosas, todos ficaram admirados, inclusive os anjos. Foi aí que uma mulher propôs:

- “Gente, ainda dá tempo de salvarmos a Terra? O Miguel não poderia dar meia volta a fim de retornarmos o quanto antes?”

Todos apoiaram e os anjos foram falar com Deus. Minutos após, Gabriel convocou uma assembleia e anunciou a resposta divina:

- “Acabei de consultar o Onipotente e o Rei dos reis agradou-se da ideia de vocês retornarmos, ficando a critério de cada um decidir se voltam pra Terra ou se continuam na nave. Aviso, porém, que será preciso ter muita paciência, meus amados. Com a ausência dos justos, a impiedade tomou conta da sociedade mundial e eles constituíram uma nova ordem de governos perversos. É como se a humanidade tivesse retrocedido uns dois milênios na sua história evolutiva fazendo coisas da época de Nero.”

Um padre brasileiro exclamou:

- “Agora entendo o que Deus fez conosco! Ele permitiu que fôssemos arrebatados como Paulo dizia para despertarmos das nossas alienações religiosas. Afinal, foram quase dois mil anos em que a Igreja ficou alimentando expectativas erradas sobre céus, inferno e fim do mundo, deixando de fazer o seu papel na Terra. Mas de agora em diante vou ser um leitor do Leonardo Boff. Viva a Teologia da Libertação!”

Por unanimidade, os arrebatados decidiram retornar para a Terra, inclusive os índios que também compreendiam a importância de participarem da transformação espiritual do planeta. Miguel deu meia volta e foram em direção para a periferia da Via Lactea, rumo ao Sol.

Quando reapareceram na superfície terrestre, já tinham se passado sete anos e o mundo estava vivendo um caos incontrolável com gente se matando pelas ruas e os governantes sem nenhuma sabedoria para conduzir a política. Desde os chefes dos órgãos oficiais até os funcionários mais simples estavam totalmente corrompidos.

Assim, o retorno dos arrebatados acabou sendo uma grande bênção para o mundo. Não demorou muito para que os regimes dos governos caíssem e novas eleições fossem convocadas em todos os países. Os religiosos passaram então a adotar uma nova postura, buscando conscientizar o povo para que buscasse soluções pacíficas no presente e cada qual aprendesse a servir a Deus na sociedade espalhando o amor do Messias por toda a Terra. Ou, em outras palavras, buscando alcançar a consciência messiânica que se realiza na vida amorosa.


CONCLUSÃO

Esta é a mensagem que eu, Rodrigo Luz, dou hoje às religiões do mundo e, principalmente, às inúmeras igrejas do meu país. Estava em minha casa quando então veio-me esta inspiração bem natural. Não me encontrava em Patmos e muito menos fui levado aos céus. Apenas deixei os pensamentos correrem livremente a ponto de escrever este Apocalipse durante os dias de Carnaval, em pleno século 21, usando a imaginação para quem sabe despertar meus conservos sobre as coisas que precisamos fazer pelo planeta.

Digo a todos os leitores deste texto que: se alguém reproduzi-lo e o divulgar, mesmo fazendo modificações (não importa se acrescentando ou suprimindo), vou desejar que Deus abençoe esta pessoa. Afinal, no meu Apocalipse, não existem pragas, nem cálices de ira, anjos tocando trombetas e muito menos um lago de enxofre para queimar as pessoas. Pois quero é que tiremos de dentro dos nossos corações o inferno e vivamos o céu.

Que a graça divina manifestada no Cristo Universal acompanhe a vida de todos vocês!


OBS: A ilustração acima trata-se do quadro O Jardim do Éden do pintor norte-americano Thomas Cole (1801–1848) e foi extraída da Wikipédia. Preferi esta figura do Paraíso do que oclocar imagens sobre o Juízo Final ou coisas semelhantes que só servem para meter medo e coagir. Afinal, o meu Apocalipse é antes de mais nada um retorno às origens edênicas existentes no nosso interior.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A revelação da revelação


A palavra "cânon" significa vara ou régua, o que, na verdade, seria um padrão ou uma regra.

Para os cristãos, o vocábulo passou a ter sentido para se referir a uma lista de livros inspirados por Deus que a Igreja reconheceu como Escrituras com autoridade divina.

Pode-se dizer que, na época de Jesus e dos apóstolos, os judeus já tinham categorizado a Bíblia hebraica em três partes: (i) a Torah, que seriam os cinco primeiros livros do AT da Bíblia cristã; (ii) os Profetas que se dividem em Profetas Anteriores (a sequência narrativa de Josué a 2Reis) e Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 "profetas menores" que formavam o "Livro dos Doze" agrupados num único rolo); e (iii) os Escritos que consistiam em grande parte em documentos cuja aceitação pelos rabinos possa ter ocorrido justamente no século I da era cristã, compreendendo os demais livros que fazem parte do Antigo Testamento da Bíblia protestante e divergiam da Septuaginta que incluía os deuterocanônicos.

O cânon definido pelos judeus do século I foi logo aceito pelos cristãos já que Jesus e os escritores do Novo testamento referiam-se a uma grande variedade de livros do AT como tendo autoridade divina, tendo em vista as citações do NT do tipo "Está escrito" ou "Diz o Senhor".

Entretanto, a formação do cânon do NT foi muito mais complexa do que a do AT, pois as discussões dentro da Igreja sobre quais livros seriam de inspiração divina foram bem maiores, embora hoje católicos (romanos e ortodoxos) e protestantes concordem quanto às 27 obras que constam nas suas respectivas Bíblias. E a única exceção é a igreja etíope, cujo cânon do NT tem 39 livros.

Devido à semelhança que guardavam, os Evangelhos sinópticos, isto é, os de Mateus, Marcos e Lucas, foram aceitos com mais facilidade do que o de João, uma vez que este foi usado pelos gnósticos para justificarem a versão que tinham sobre o cristianismo. Porém, as maiores polêmicas dos livros atuais do NT recaíram sobre o Apocalipse, que demorou cerca de dois séculos para ser aceito com unanimidade como Escritura, além das epístolas universais de Tiago, 2Pedro, 2 e 3João e Judas.

No artigo Uma lista aprovada - o "cânon" das Escrituras, publicano no Brasil pela Sociedade Bíblica, Stephen Travis e Mark Elliott explicam que:

"O livro do Apocalipse foi aceito mais rapidamente no Ocidente que no Oriente, mas até no Ocidente esteve sob suspeita por causa do seu uso pelos montanistas com seu entusiasmo excessivo por especulações quanto ao fim do mundo. No quarto século, o seu status foi reconhecido no Oriente - com a compreensão de que o milênio do Ap 20 não devia ser interpretado literalmente" (Manual Bíblico da SBB, pág 72)

De acordo com o referido artigo, eis que, nos tempos de Eusébio de Cesareia (séculos III e IV), pelo menos os 4 Evangelhos, Atos dos Apóstolos, as cartas paulinas, a Epístola aos Hebreus, 1João e 1Pedro já não sofriam mais restrição na Igreja de um modo geral, bem como o Apocalipse no Ocidente. Eram contestados não só Tiago, Judas, 2Pedro, 2 e 3João, como também Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, a Carta de Barnabé e o Didaquê. Já quanto aos Evangelhos de Pedro, de Tomé e de Matias, bem como os Atos de André e Atos de João, todos estes já se encontravam firmemente rejeitados nesta época.

Assim, na Páscoa de 367, Atanásio teria apresentado sua lista contendo os 27 livros inspirados no NT e coincidindo com o cânon atualmente utilizado nas Bíblias católica e protestante. Tal lista foi primeiramente aprovada no Oriente e, anos depois, no Ocidente, em 405, por uma declaração do papa.

É certo que, apesar da decisão papal, as divergências devem ter permanecido por muitos séculos dentro da Igreja. Tanto é que, no século XVI, Lutero e outros reformadores suspeitaram da canonicidade do Apocalipse e não aceitavam a Epístola de Tiago, porque viam conflitos desta com a doutrina paulina de salvação pela fé, exposta com maior abrangência em Romanos. E, embora tenha traduzido-os para o idioma alemão, Lutero considerou as epístolas de Hebreus, Tiago, Judas e o Apocalipse como obras inferiores, colocando-as no final da sua Bíblia e tendo somente os demais livros “os verdadeiros, seguros e mais importantes livros do Novo Testamento”.

Mas será que o cânon, por ter sido uma criação da Igreja, não poderia ser novamente revisto em pleno século XXI?

Particularmente eu entendo que sim e, sem dúvida, a inspiração do Apocalipse pode e deve ser investigada.

Pelos respeitáveis estudos de Israel Knohl, o Apocalipse teria se baseado numa literatura anterior - o Oráculo de Histapes. Este é mencionado pela primeira vez por Justino Mártir, no século II, segundo o qual Roma punia até com a morte quem lesse esta profecia. E, segundo uma informação atribuída a Clemente de Alexandria, Paulo de Tarso teria feito uso dessa obra e até recomendado a sua leitura.

"O mítico Histapes, a quem o oráculo foi atribuído, era um rei da Média que supostamente viveu antes da Guerra de Tróia. Mas a identidade persa encobre o fato de essa obra apocalíptica ter sido escrita por um judeu, a respeito do povo judeu e de Jerusalém. Passagens do Oráculo de Histapes estão preservadas em um livro do Padre da Igreja Lactâncio (ca. 300 E.C.), que era conhecido como Cícero cristão. Em sua profecia, Histapes fala de dois reis. Sobre o primeiro que reina sobre a Ásia, disse: 'Ele atormentará o mundo com seu poder intolerável... e planejará novos desígnios em seu íntimo, para poder estabelecer o governo para si mesmo... E finalmente, mudará o nome do império e transferirá sua sede'. Depois desse rei, viria outro rei, mais terrível que o primeiro, e o destruiria. Histapes assim fala deste segundo rei: 'Ele se constituirá e se intitulará Deus e ordenará que o adorem como filho de Deus'. Quem eram esses dois reis? Segundo Histapes, o primeiro rei que governava a Ásia, mudaria o nome do império e transferiria sua capital. Essas afirmações correspondem exatamente às acusações que os partidários de Otaviano-Augusto fizeram contra Marco Antônio, por causa do relacionamento com Cleópatra (...) De acordo com o relato do historiador romano Cássio Dio, em Roma acreditava-se que 'se Antônio vencesse, doaria a cidade a Cleópatra e transferiria a sede do poder para o Egito'. Na visão de Histapes consta que o primeiro rei 'planejará novos desígnios em seu íntimo, para poder estabelecer o governo para si mesmo. ... E, finalmente, mudará o nome do império e transferirá sua sede'. Esse rei poderia, portanto, ser identificado como Marco Antônio. Ainda de acordo com Histapes, o primeiro rei seria destruído pelo segundo - este seria Augusto, que derrotou Antônio. Sobre o segundo rei, disse Histapes: 'Ele ... se intitulará Deus e ordenará que o adorem como o filho de Deus'; com efeito, Otaviano-Augusto se intitulou divi filius - 'filho de Deus'. De acordo com Histapes, o segundo rei, o 'filho de Deus', seria um falso profeta que faria descer fogo do céu: 'Ele também será um profeta de mentiras, e se constituirá e se intitulará Deus e ordenará que o adorem como o filho de Deus, e lhe será dado o poder de realizar milagres e prodígios, com a visão dos quais ele poderá induzir os homens a adorá-lo. Ele ordenará que o fogo desça do céu'. Por que Augusto, o 'filho de Deus', foi descrito como um falso profeta?"

As descobertas sobre o Oráculo de Histapes são interessantes pois demonstram a existência de uma obra anterior ao próprio cristianismo e que pode ter servido de inspiração para o escritor do Apocalipse, assim como já identifica o anseio dos gregos pela transferência da capital do império romano. Segundo Israel Knohl, a seita de Qumran já teria conhecimento dessa obra, que, a seu ver, poderia ter sido escrita pelos próprios essênios que, assim como os cristãos, acreditavam num messianismo catastrófico e usaram o termo "filho de Deus" atribuído ao Messias, como uma antítese ao título de Otávio-Augusto.

Sobre as semelhanças do Oráculo de Histapes com o Apocalipse, Knohl, nos diz que:

"A figura do falso profeta que faz descer fogo do céu também é familiar pela famosa visão, no capítulo 13 do Apocalipse do Novo Testamento, onde as duas bestas são descritas. A primeira delas, com sete cabeças e dez chifres, surgiu do mar. Uma de suas cabeças estava seriamente ferida, mas a ferida foi curada. Todos os habitantes da terra adoravam essa besta. Posteriormente, apareceu uma segunda: 'Vi depois outra besta sair da terra; tinha dois chifres como um cordeiro, mas falava como um dragão' (Apocalipse 13.11). Mediante prodígios e milagres, entre os quais fazer descer o fogo do céu, essa besta persuadiu os habitantes da terra a fazerem uma imagem da primeira besta e adorá-la. 'Ela opera grandes maravilhas? até mesmo a de fazer descer fogo do céu sobre a terra, à vista dos homens' (Ap 13,13). A segunda besta lembra muito a figura do falso profeta, o 'filho de Deus', de Histapes. Ao longo da história do cristianismo, todos os tipos de interpretações foram sugeridos para a visão das duas bestas, mas ao que consta até agora nenhuma explicação realmente convincente foi dada. Em minha opinião, a chave para o entendimento da visão é nos conscientizarmos de que João, que parece ter escrito o livro da Revelação (ou Apocalipse) por volta de 80 E.C., se valeu de uma composição mais antiga, redigida no início do século I E.C., durante o reinado de Augusto".

Os trechos que citei acima estão nas páginas 43 a 46 do livro O Messias antes de Jesus: o servo sofredor dos Manuscritos do Mar Morto (editora Imago, 2001), e o seu autor faz uma respeitável comparação com a História em relação a detalhes sobre Augusto, as lendas sobre seu nascimento, sua astrologia, sua ligação com o deus Apolo, entre outros mitos que talvez acreditassem na época a respeito do monarca. mas, quanto ao golpe sofrido pela besta, ele associa à morte de Júlio César, tio de Augusto, sendo que tal figura refre-se à Roma não a uma pessoa específica, e a "imagem da besta" corresponderia à imagem da deusa Roma. Então ele conclui:

"Na visão das duas bestas no capítulo 13 do Apocalipse e no Oráculo de Histapes, encontramos uma polêmica contra a propaganda que apresentava Augusto como governante com atributos divinos e contra o culto imperial que existia em seu tempo. Histapes criticava Augusto e o acusava de criar um culto no qual era adorado como Deus e como o 'filho de Deus', e o Apocalipse atacava o segundo elemento do culto imperial - a adoração à deusa Roma, símbolo do império." (págs. 49 e 50)

Sobre a a autoria de ambas as literaturas apocalípticas, ao que parece, Knohl supõe que tenha sido mesmo um judeu e, de fato, há fortes valores judaicos impressos no Apocalipse (é o único livro do NT onde aparece a palavra "aleluia") e constantes menções à Torah como o templo celestial, a arca e outros elementos da culta judaica em que se acreditava na existência de de um paralelo de coisas existentes nos céu e na terra (a visão de Moisés no Sinai foi de objetos existentes no céu).

Finalmente, resta compartilhar que, segundo os comentários introdutórios ao livro da Bíblia de Jerusalém, o Apocalipse poderia ter se formado com a reunião de dois textos e mais as cartas às igrejas e o primeiro capítulo:

"Em seu estado atual, o texto do Apocalipse apresenta certo número de duplicatas, de cortes na sequência das visões e de passagens aparentemente fora do contexto. Os comentadores tentam explicar essas anomalias de múltiplas maneiras: compilação de fontes diferentes, deslocamento acidental de certas passagens ou capítulos etc. Entre as explicações possíveis propomos a seguinte hipótese. A parte propriamente apocaliptica (Ap 4-22) parece ser composta de dois apocalipses distintos, escritos pelo mesmo autor em datas diferentes, e depois unidos num só texto por outra mão (...) Quanto às cartas às sete Igrejas (1-3), embora destinadas a serem lidas junto com os outros dois textos, devem ter existido primeiro na condição de texto separado".

Muito intrigante isto, não? Ainda mais quando lemos nos versos finais do livro uma clara advertência com severas maldições para quem tivesse a ousadia de modificar a obra, visto que se tratava de uma prática bem comum naqueles anos:

"Declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro." (Ap 22.18-19; Nova Versão Internacional - NVI)

Ora, se a versão atual do Apocalipse diverge da original, como é que alguém teve a ousadia de modificá-lo? Ou será que a tais versos, que não são encontrados em outros livros da Bíblia, teriam sido colocados ali justamente por quem introduziu as modificações e, por isto, desejava encobrir algum texto anterior?

Seja como for, entendo que sempre será válido retomar os corajosos debates de Lutero sobre a canonicidade do Apocalipse mesmo nos tempos atuais. Afinal, o cânon é uma pura invenção eclesiástica.


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro do Juízo Final (1432-1435), uma das mais famosas obras de Giovanni da Fiesole, melhor conhecido como Fra Angelico.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Por que falta autoridade às igrejas nos dias de hoje?


“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreva: 'Estas são as palavras daquele que é santo e verdadeiro, que tem a chave de Davi. O que ele abre ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir. Conheço as suas obras. Eis que coloquei diante de você uma porta aberta que ninguém pode fechar. Sei que você tem pouca força, mas guardou minha palavra e não negou meu nome'” (Apocalipse 3.7-8; Nova Versão Internacional – NVI) - destacou-se


Nas cartas às sete igrejas do livro do Apocalipse, Jesus manda João escrever ao anjo da igreja na cidade de Filadélfia (situada na antiga Ásia Romana) que tinha diante de si “uma porta aberta”, a qual ninguém poderia fechar. E em tal passagem, o Senhor identifica-se como “aquele que tem a chave de Davi”.

Neste texto, gostaria de meditar a respeito desses os vocábulos portas e chaves, os quais nos dão pistas para o que vem acontecendo com muitas igrejas nos dias atuais. E, antes de chegar às minhas considerações, pretendo fazer o estudo de algumas passagens bíblicas, de modo que peço atenção dos leitores acertos detalhes.

A expressão “chave de Davi” aparece pela primeira vez em Isaías 22.22, na profecia contra Sebna, mordomo do rei Ezequias, o qual iria ser deposto do cargo que, por sua vez, seria entregue a Eliaquim filho de Hilquias. É dirigindo-se ao futuro intendente do palácio que o profeta anuncia que Deus lhe dará as chaves da casa real da dinastia davídica:


“Naquele dia convocarei o meu servo Eliaquim, filho de Hilquias. Eu o vestirei com o manto que pertence a você [Sebna], com o meu cinto o revestirei de força e a ele entregarei a autoridade que você exercia Ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para os moradores de Judá. Porei sobre os ombros dele a chave do reino de Davi; o que ele abrir ninguém conseguirá fechar, e o que ele fechar ninguém conseguirá abrir. Eu o fincarei como uma estaca em terreno firme; ele será para o reino de seu pai um trono de glória [ou assento de honra]” (Is 22.20-23; NVI) - os destaques e as palavras dentro dos colchetes são inserções minhas


O cargo de intendente do palácio real no Israel antigo tinha sua importância para aquela remota época na qual viveu o profeta Isaías, pois se tratava da função de chefiar a casa do rei que, numa linguagem mais simbólica, é descrita pelas atividades de “abrir” e de “fechar” as portas. Em outras palavras, o texto nos diz que Eliaquim iria tornar-se uma espécie de ministro da Casa Civil de Ezequias, um cargo de extrema confiança, equivalente também ao vizir egípcio.

Entretanto, é preciso observar que as chaves da casa real não pertenciam ao administrador e sim ao rei. Pois é o monarca ungido de Israel quem podia nomear e exonerar os seus funcionários, ato que seria praticado a qualquer tempo, conforme os interesses do reino. Logo, é bom frisar que o portador das chaves (o mordomo) só exercia alguma autoridade em nome do rei, encontrando-se numa condição de total subordinação e não podendo deixar de cumprir as direções que lhe foram dadas para agir como bem entendesse.

É neste mesmo sentido que podemos compreender a passagem bíblica de Mateus quando Jesus entrega a Pedro “as chaves do Reino dos Céus”:


“E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus”. (Mt 16.18-19; NVI) - negritei


Como se pode observar, podemos pensar na figura de duas portas: a do inferno e a do Reino dos Céus. Uma é a porta do império da morte física e espiritual. Já a porta do Reino dos Céus é o acesso para a vida e se relaciona com o apostolado de Pedro e da Igreja para levar os homens à graciosa Palavra do Evangelho que é suficiente para conduzir os homens à salvação completa, estabelecendo nos corações das pessoas o governo de Deus.

Cumpre dizer que contra esta obra da Igreja, os poderes do mal não podem prevalecer, pois se trata do domínio do Rei Messias, a quem foi dada toda a autoridade na terra e nos céus.

Ora, basta lembrarmos das obras feitas por Jesus para confirmarmos como de fato foi exercida a sua autoridade durante o curto ministério desenvolvido pelo Senhor na Galileia. Os demônios não resistiam a Jesus e eram expulsos. Os enfermos ficavam curados. E os mortos ressuscitavam mostrando o poder do Messias sobre a morte, conforme ocorreu na ressurreição do terceiro dia. Também a tempestade acalmava-se ao ouvir a ordem dada por Jesus, o qual humildemente sempre agiu em submissão total ao Pai e dirigido pelo Espírito Santo.

Olhando para a Igreja em Filadélfia, no Apocalipse, podemos ver nela uma diferença para outras igrejas que receberam mensagens de advertência e de juízo. Enquanto algumas igrejas andavam desobedientemente, vivendo uma verdadeira hipocrisia religiosa, Filadélfia perseverou em guardar a Palavra (Ap. 3.10). Assim, o Rei Messias colocou diante dela uma porta aberta qye ninguém jamais iria poder fechar.

Nos tempos de hoje, muitos questionam a ausência de milagres e de prodígios nas igrejas. Eu, em parte, considero esta crítica, mas sem compreender o milagre como um fim em si mesmo, ou muito menos como uma prova da existência do poder de Deus para as pessoas crerem na pregação feita pela Igreja (se alguém vê algo acontecendo não precisa mais de fé). Contudo, mesmo nas igrejas onde seus líderes afirmam haver milagres, o que se vê é muitas das vezes a mais pura farsa, meras encenações que têm por objetivo arrecadar dinheiro das pessoas ingênuas.

Penso que não é tempo de buscarmos as bençãos, mas sim o abençoador!

É tempo da Igreja submeter-se à autoridade absoluta de Jesus e se dispor a cumprir sua vontade!

É tempo para que os cristãos arrependam-se e se convertam com lágrimas e cinzas!

É tempo de retornarmos ao primeiros amor, torarmos o pecado do nosso meio, não tolerarmos as doutrinas perversas e vigiarmos aguardando o retorno do Senhor!

Precisamos reconhecer as nossas miserabilidade, pobreza, cegueira e nudez afim de nos aproximarmos novamente do Evangelho simples de Jesus, de quem podemos adquerir ouro puro, vestes brancas e colírio para os olhos.

Meus irmãos, este é o tempo que Deus tem dado à sua Igreja. E aqueles que ouvirem o seu recado e obedecerem à voz de seu Espírito certamente farão diferença no meio desta geração perversa, preparando o mundo para a volta do Rei Messias. Pois, só assim teremos diante de nós uma porta aberta como tiveram nossos antepassados de Filadélfia, os quais reconheciam o senhorio de Jesus sobre as obras da comunidade

Maranata! Vem Senhor Jesus!


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OBS: A imagem acima, extraída do Flickr do Yahoo, é das ruínas da antiga Igreja de São José da Boa Morte, localidade situada no 3º distrito do município de Cachoeiras de Macacu (RJ). Sua construção é da primeira metade do século XIX, embora, anteriormente, já existisse uma capela no local desde 1734. O autor da foto, André Confort Rodrigues, cedeu-a para ilustrar este site. Para ver a imagem originalmente postada, favor acessar este link: http://www.flickr.com/photos/aconfort/3713438243/

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Apocalipse arrebatado


“E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.” (Apocalipse 21.5-7; ARA)


Se alguém perguntar qual o meu entendimento acerca de determinados pontos de vista escatológicos polêmicos, tipo o reino milenial de Cristo, a grande tribulação e o arrebatamento da Igreja, confesso que não tenho hoje mais nenhuma posição fechada a respeito dessas coisas cujo cumprimento só a Deus pertence.

Há uns vinte anos atrás, quando tinha me tornado um adolescente fanático, fazia frequentes estudos escatológicos por conta própria e, influenciado pelas lideranças com as quais identificava, apoiava-me na corrente pré-milenista e pré-tribulacionista. Ou seja, eu acreditava que Jesus, em algum dia, iria arrebatar sua Igreja para o céu antes do começo de uma terrível tribulação de sete anos na terra, período em que haveria muita dor, perseguições brutais contra os cristãos que permanecessem para uma segunda chance de arrependimento e enormes catástrofes, as quais durariam até a Parusia (manifestação de Cristo ao mundo em sua segunda vinda). Aí então seria dado início ao tão esperado reino messiânico na terra até o Juízo Final em que os homens ímpios, que rejeitaram a Deus, seriam lançados num terrível lago de fogo e enxofre afim de sofrerem tormentos por toda a eternidade, enquanto que os crentes herdariam o paraíso da Nova Jerusalém.

Além disso, eu alimentava outras crenças escatológicas que não tinham base bíblica exclusiva e foram elaboradas conforme a imaginação de autores de livros. Entendia que a besta que emerge do mar de Apocalipse 13 seria o anticristo, o qual, por sua vez, corresponderia ao “homem da iniquidade” mencionado por Paulo na sua segunda epístola aos tessalonicenses (cap. 2). Então, juntando esta passagem com o Apocalipse e outras partes da Bíblia, eu montava na minha mente um verdadeiro cenário de horror, imaginando a formação de um futuro governo mundial com um perverso líder querendo a todo custo marcar as mãos e as testas das pessoas com o número 666. E aí, quem não resistisse, estaria para sempre condenado a arder no lago de fogo enquanto que os cristãos arrebatados ficariam livres daquela provação.

Ao lado de tudo isso, eu ainda segui a ensinos de que, antes do aparecimento do anticristo, o mundo ainda seria preparado para adorar a besta pelos místicos seguidores da Nova Era de Aquário, com o apoio de todas as religiões (menos dos cristãos verdadeiros), as quais seriam representadas pelo falso profeta que é a segunda besta de Apocalipse 13. Quando lia sobre a economia mundial em processo de globalização na década de 90, entendi ser aquilo um indício do temido governo mundial que seria dominado pelos europeus através da ONU (até os anos 80 eu achava que seria o comunismo soviético) e daí tinha minhas aversões aos movimentos pacifista, ecológico, ecumenista e de defesa dos homossexuais. Para a minha cabecinha atormentada, o código de barras estampado nos produtos do supermercado já era a tal marca da besta que, dentro de algum tempo, iria ser tatuada nas pessoas como uma espécie de identidade única, reconhecível pelo leitor ótico de um computador conectado à internet, e funcionando ao mesmo tempo como um cartão de crédito e débito na própria pele do consumidor, sem o qual ficaria impossível comprar ou vender qualquer bem porque, em tal circunstância, a moeda já não mais circularia pelas ruas.

Curiosamente, todo esse conhecimento de doutrinas e especulações sobre o fim do mundo era incapaz de me proporcionar uma compreensão da graça de Deus. Eu vivia com muito medo achando que Jesus iria arrebatar a Igreja a qualquer tempo e eu ficaria para trás por causa dos meus pecados afim de ser perseguido pelos soldados do anticristo. Tinha os mais terríveis pesadelos com isso, sonhando como se realmente estivesse vivendo no período da grande tribulação, sobrevivendo às escondidas dentro das cidades, vendo alguns parentes sendo marcados pelo capeta, tendo que me proteger das bombas nucleares e precisando resistir às mais dolorosas torturas. Quando dormia, sempre fechava a palma das mãos porque temia em meu imaginário que um demônio pudesse aparecer no quarto, marcar minha mão direita e eu perder qualquer possibilidade de ser salvo. Enfim, era um drama terrível e suponho que muitas pessoas também sofreram (ou ainda sofrem) por causa dessas teologias amedrontadoras de botequim.

Graças a Deus eu fui modificando a minha maneira de compreender o Apocalipse e o sentido das profecias bíblicas que falam dos últimos dias.

Hoje em dia, o Apocalipse é para mim algo muito mais simbólico do que literal, o que torna a sua profecia riquíssima em termos de significado espiritual para conhecermos a misericórdia de Deus e o seu controle sobre a história da humanidade. Aliás, o Apocalipse não deve ser estudado sem lermos também os profetas do Antigo Testamento que falaram por diversas vezes à nação de Israel trazendo um recado de Deus ao seu povo de acordo com o momento, ainda que com aplicações analógicas aos nossos dias.

A diferença entre o Apocalipse e os profetas hebreus é que agora Deus, através de Jesus Cristo e o Anjo, revela à Igreja seu plano de salvação, trazendo conforto, esperança e também advertências para aqueles irmãos que viveram durante o domínio de Roma. Aliás, foi para os cristãos da Ásia Menor (atual Turquia) que aquela carta profética circular foi escrita, servindo como uma grande motivação para as pessoas manterem a fé, pois todo o sofrimento suportado por tais comunidades iria ser transitório e a morte não passava de mera aparência.

Neste sentido, pode-se dizer que, para os tempos do Apocalipse, a tal besta com suas sete cabeças e dez chifres representava nitidamente Roma, a capital de um império que combatia cristãos e judeus. A adoração à besta simbolizava o culto à pessoa do imperador que, nas cidades da Ásia Romana, chegou a ser praticado com muito mais aceitação do que na Grécia e na Península Itálica a ponto da participação do indivíduo tornar-se quase que indispensável para ele integrar as corporações comerciais da época, ou do contrário jamais conseguiria comprar ou vender mercadorias e prosperar. Logo, enquanto alguns adoradores de César e sua imagem viviam debaixo da expectativa de acúmulo de talentos (moeda de maior valor que equivale hoje a milhões), os servos de Jesus teriam que viver apenas com os seus denários (a diária de um trabalhador braçal) e, periodicamente, ainda eram massacrados pelas mais cruéis perseguições promovidas pelos reis com a ajuda das autoridades locais.

Se pensarmos por esta ótica, o Apocalipse pode muito bem ter sido um livro subversivo para os séculos II, III e começo do IV. Seria uma literatura a grosso modo comparável com o Manifesto Comunista na era industrial em que o julgamento da Babilônia (capítulos 17 e 18) simbolizaria a conquista do império romano que supunham ser através dos partos numa equivalência ao fim do Estado burguês nos dias de Karl Marx.

Evidentemente que a minha comparação do Apocalipse com a literatura marxista mais popular limita-se apenas ao campo da contestação pois, enquanto Marx propôs a luta armada, João encorajou seus irmãos a serem pacientes na tribulação, aguardando a vingança do Cordeiro contra os seus adversários. Além do mais, se o Apocalipse não tiver o seu real significado adulterado, ele se torna uma mensagem permanentemente subversiva até que todos estejam vivendo com Deus na eternidade, enquanto que os livros de Marx, após as revoluções socialistas do século XX, passaram a ser utilizados pelos novos regimes totalitários que surgiram nos respectivos países.

Meditando sobre o que foi o socialismo na prática, fico a indagar se a ex-URSS, as repúblicas da Europa do Leste e a China de Mao Tsé-Tung não teriam se tornado novas Babilônias assim como foi a Alemanha de Hitler? E do que adiantou uma revolução armada na Rússia se depois o povo amargou um regime mais cruel do que o czarismo na época de Josef Stálin?

Não importa em que época vivemos, sei que precisamos saber identificar qual o sistema babilônico que atua nos nossos dias, o qual, com os seus tentáculos espirituais, tenta tragar os corações dos homens para um abismo individual e coletivo. E, se na época de João, a besta poderia ser associada ao Império Romano, hoje a forma do mal tem sido a corrupção, os tráficos de armas e de drogas, a miséria, as guerras, a exploração de crianças, a perversão sexual, a destruição do meio ambiente, o institucionalismo religioso que sé colocado acima das pessoas e as rebeliões do homem contra Deus.

Qualquer que seja a ocasião, a mensagem do Apocalipse nos ensina que cabe ao crente abraçar a escolha de sujeitar-se à vontade de Deus e não fazer parte do sistema podre desse mundo. Somos chamados para sairmos da Babilônia para não nos tornarmos cúmplices de seus pecados e nem participarmos de seu julgamento.

Se Jesus mandasse João escrever uma carta para as igrejas do Brasil no século XXI, o que será que o Senhor iria nos dizer sobre a promiscuidade entre pastores evangélicos e candidatos políticos nas eleições? Será que Ele aprova o uso de seu Nome nas mercenárias campanhas pela prosperidade de líderes evangélicos que, ao invés de pregarem as Boas Novas, resolvem devorar o rebanho de Deus? Como seria a atitude de Jesus quanto aos padres católicos que deixam famílias nordestinas debaixo da ignorância da idolatria, incentivando procissões atrás de imagens de escultura e consentindo com inegáveis adorações à Virgem Maria e Padre Cícero como se fosse possível haver outros intercessores perante o Pai além do Filho? Ora, como elogiar os cantores gospel que baseiam seus trabalhos num marketing religioso cheio de falsidades e pseudo-espiritualidade, mais preocupados com um mercado musical do que anunciarem verdadeiramente a Palavra?

Acredito que o Senhor Jesus não deve estar nem um pouco satisfeito com o comportamento acomodado, hipócrita e ganancioso dos nossos dias que revelam uma falta de temor pela sua pessoa, de modo que, sob este aspecto, o que João escreveu para os cristãos da Ásia Menor nos tempos de Roma parece aplicar-se ao tempo de hoje.

Amados, não podemos deixar que a correta compreensão do Apocalipse seja arrebatada dos corações dos homens por causa de especulações fantasiosas de pessoas sensacionalistas que, no final das contas, acabam distorcendo o significado da profecia!

Para mim, parece inútil alguém debater sobre qual a concepção teológica correta a respeito do milênio messiânico (se é o pré-milenismo, o pós-milenismo ou o a-milenismo). Igualmente não tem a mínima importância as discussões estéreis se a Igreja experimentará ou não um arrebatamento antes, durante ou após a grande tribulação ou ainda se esta já se cumpriu na época de Roma. Pois, ao invés das pessoas tentarem fazer previsões do futuro, especulando pateticamente se o Bill Gates ou o Bono Vox, vocalista do U2, vai se revelar como o anticristo, elas deveriam se converter verdadeiramente à graça salvadora de Jesus, arrependendo-se de seus pecados, praticando o amor e pregando o Evangelho. Aliás, como iniciei e termino meu texto, a mensagem do Apocalipse é uma bela revelação da graça:


“O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.” (Ap 22.17; ARA)