Coloquei este enfeite natalino na entrada de casa no ano passado. Já deve estar ali há uns dez meses.
Entrou o Ano-Novo, passou o Dia de Reis e desmontamos a árvore de Natal. As plaquinhas, porém, permaneceram.
Depois vieram o Carnaval, a Semana Santa, o feriado de Tiradentes, o Dia das Mães, Corpus Christi, a Copa do Mundo, o Dia dos Pais, a campanha eleitoral — que ainda nem terminou — e o Dia da Independência. E resolvi continuar deixando ali aqueles dizeres: “Um feliz Natal”, “Alegria” e “Amor”.
Afinal, o Aniversariante, Jesus, merece ser lembrado durante todo o ano, e não apenas na data em que convencionamos celebrar o seu nascimento.
Com o passar dos meses, aconteceu algo curioso. Os enfeites começaram a mostrar as marcas do tempo. Mesmo protegidos pela cobertura, enfrentaram umidade, chuva, sol e vento. As cores perderam um pouco do brilho e as palavras ficaram gastas.
Talvez exista aí uma metáfora.
Os ensinamentos de Jesus, a alegria e o amor também precisam resistir ao tempo e às intempéries da vida. Decidir conservar o espírito do Natal durante o ano inteiro é mais desafiador do que parece. Há dias em que as preocupações, o trabalho, os conflitos e os problemas acabam encobrindo aquilo que um dia nos entusiasmou. E nós mesmos, com o passar dos anos, também carregamos nossas marcas.
Foi então que me lembrei de Calebe.
Depois de atravessar décadas, ver uma geração inteira ficar para trás e chegar à Terra Prometida já com 85 anos, ele não pediu descanso. Pediu uma montanha. Recordou a promessa recebida muitos anos antes e afirmou que ainda tinha forças para enfrentar o desafio que permanecera diante dele.
Gosto muito dessa imagem.
Quando envelhecemos, existe o risco de olhar para os sonhos, ideais e missões abraçados na juventude como coisas pertencentes apenas ao passado. Mas há momentos em que o coração nos chama justamente para o contrário: reviver, recomeçar e tentar conquistar aquilo que, por alguma razão, não conseguimos realizar lá atrás.
Nestes dias, entre as tarefas do trabalho, a campanha eleitoral e tantos problemas cotidianos a resolver, quero recuperar um pouco daquele Natal que deixei pendurado na porta de casa. Recuperar sua alegria, sua esperança e, principalmente, a mensagem daquele Aniversariante que continua apontando para aquilo que o apóstolo Paulo chamou de “um caminho ainda mais excelente”: o amor.
As plaquinhas estão gastas. Talvez nós também estejamos um pouco.
Mas as palavras continuam ali.
Alegria. Amor.
Que também permaneçam em nós. Que não percamos a capacidade de nos alegrar, de cultivar aquilo que nos faz bem e de recomeçar, seja qual for a estação da vida.
Um ótimo final de semana a todas e todos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário