“Tudo que existe na terra não pesa mais que um sonho.” — inspiração em Cecília Meireles
É importante buscarmos uma boa uma relação especial com o tempo — embora muitas das vezes só costumamos compreender isso mais tarde.
De 1999 a 2011, quando morei na cidade serrana de Nova Friburgo, incluindo o início do meu casamento com Núbia, o frio chegava semanas após a entrada do outono como uma experiência concreta: o clima mudando, a rotina se ajustando, a vida acontecendo em seu ritmo mais simples.
Com os anos que vão se passando nas nossas vidas, o tempo sempre ganha outros contornos. Aprendi que cada estação carrega não apenas um clima, mas um significado.
Há períodos de intensidade — como o verão, que muitas vezes exige mais do que oferece — e há momentos de transição, em que a vida parece pedir apenas equilíbrio. O outono sempre foi, para mim, esse ponto de encontro.
Abril nunca foi apenas um mês no calendário. Talvez pelos aniversários próximos — minha mãe no dia 4, eu no dia 12 —, pela Páscoa, pelos feriados que organizavam o tempo com certa generosidade, ele sempre trouxe consigo uma sensação de pausa e de sentido.
Com o tempo, novas datas se somaram — o dia de São Jorge, o aniversário da minha esposa em 26/4 — enquanto outras presenças ficaram na memória. Meus avós maternos e meu avô paterno, que também celebravam a vida nesta estação, já não estão mais aqui.
E, ainda assim, algo permanece.
Talvez porque o outono não seja apenas uma estação da natureza. Ele acontece dentro de nós.
É o tempo da despedida sem ruptura, da mudança sem excesso, da maturidade que não pesa.
Que este primeiro final de semana de outono chegue com a serenidade das folhas que sabem o momento de partir.
Há uma beleza silenciosa no que se transforma — no que amadurece, no que desacelera, no que aprende a deixar ir.
Talvez seja tempo de recolher excessos, aquecer o que importa e permitir que a luz encontre novos caminhos dentro de nós.
“Repare que o outono é mais a estação da alma do que da natureza.” — citação atribuída a Friedrich Nietzsche (sem obra exata confirmada)
Que o tempo seja leve, introspectivo e cheio de sentido — como um outono bem vivido. 🍁✨

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