O domingo de Páscoa chega ao fim. As celebrações se encerram, os ritos se dissipam, e o calendário segue seu curso habitual. Mas fica uma pergunta essencial: o que, de fato, permanece?
Aqui em casa, há um pequeno gesto que procura responder a essa questão. A plaquinha de Natal que pendurei no final de 2025 continua na porta — e assim permanecerá, ao menos até o Dia de Reis de 2027.
Não por apego à data. Mas por fidelidade ao significado.
Natal e Páscoa, quando compreendidos em profundidade, não são eventos isolados. São marcos simbólicos de uma mesma mensagem: vida, renovação, amor e esperança. São convites permanentes a uma forma de existir — não apenas a um momento de celebração.
Manter essa mensagem logo na entrada da casa é, ao mesmo tempo, um lembrete e um compromisso. Lembrete de que os ensinamentos de Jesus não se esgotam em um feriado. E compromisso de tentar compreendê-los — e aplicá-los — no cotidiano, onde realmente fazem diferença.
Talvez o maior equívoco do nosso tempo seja transformar aquilo que é permanente em episódico. Reduzir a mensagem a datas. E limitar a prática a ocasiões.
Se há algo que o Natal e a Páscoa nos oferecem, é justamente o contrário: a possibilidade de continuidade.
Não se trata apenas de celebrar. Trata-se de viver.
E talvez seja esse o verdadeiro desafio.

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