Os Estados Unidos e as potências ocidentais têm sido hipócritas quando agora dizem não reconhecer o resultado do plebiscito ocorrido este domingo na Província Autônoma da Crimeia em que a população livre e soberanamente resolveu separar-se da Ucrânia para integrar a Federação Russa.
A meu ver, os líderes mundiais não têm agido em prol da paz, mas sim buscando a satisfação dos interesses econômicos de seus respectivos países. Tanto os do Oeste quanto os do Leste da esfera terrestre! Pois, como bem sabemos, todos esses recentes conflitos ocorridos na Ucrânia resultaram de uma questão de geopolítica envolvendo a União Européia e a Rússia, de modo que a população daquele país bravamente resistiu a um autoritário governo que era aliado dos russos. No entanto, a maioria dos moradores de outras regiões, principalmente na Crimeia, considerou o quanto seria prejudicial para a eles passarem a fazer parte da periferia da UE.
Para nós brasileiros, distantes há milhares de quilômetros dessa confusão, talvez tenhamos melhores possibilidades de compreender o problema com uma dose a mais de neutralidade, livres dos ideologismos políticos que cercam ucranianos, russos, europeus e norte-americanos. Afinal, se racionalizarmos bem a coisa, não é difícil chegar à conclusão lógica de que cabe a cada qual seguir o seu próprio rumo.
Primeiramente, deve-se saber que, desde o final do século XVIII, a Crimeia passou a fazer parte do então Império Russo. Assim foi até que, nos tempos da ex-URSS, o presidente Nikita Khrushchov (1894 - 1971) transferiu a região para a República Socialista Soviética Ucraniana, num momento histórico em que tanto a Ucrânia e a Rússia compunham um único Estado. Ou seja, comparado a grosso modo, seria como se o município de Paraty, no extremo sul do Rio de Janeiro, viesse a fazer parte de São Paulo, sendo ambos estados brasileiros.
Vale ressaltar também que a maioria da população da Crimeia é de origem russa sendo desejo deles fazer parte do país de origem novamente. E, se o legislativo local, referendado pela população, assim escolheu, cabe às demais nações, inclusive às potências ocidentais, respeitarem a decisão, sob pena de estarem violando o basilar princípio da auto-determinação dos povos. Inclusive, caso o crimeianos optassem por constituir uma nação independente, libertando-se da Ucrânia e não aderindo à Rússia, todos também teriam que acatar.
Portanto, não há motivos para os USA se opor ou querer penalizar a Rússia economicamente. Aceitar o que a população da Crimeia escolheu é fundamental para que a Ucrânia e toda aquela região seja pacificada, evitando-se que ocorra uma sangrenta e interminável guerra civil. Este deve ser o caminho do bom senso.
OBS: A ilustração acima refere-se à bandeira da República Autônima da Crimeia.






