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segunda-feira, 17 de março de 2014

É preciso reconhecer o plebiscito na Crimeia!




Os Estados Unidos e as potências ocidentais têm sido hipócritas quando agora dizem não reconhecer o resultado do plebiscito ocorrido este domingo na Província Autônoma da Crimeia em que a população livre e soberanamente resolveu separar-se da Ucrânia para integrar a Federação Russa.

A meu ver, os líderes mundiais não têm agido em prol da paz, mas sim buscando a satisfação dos interesses econômicos de seus respectivos países. Tanto os do Oeste quanto os do Leste da esfera terrestre! Pois, como bem sabemos, todos esses recentes conflitos ocorridos na Ucrânia resultaram de uma questão de geopolítica envolvendo a União Européia e a Rússia, de modo que a população daquele país bravamente resistiu a um autoritário governo que era aliado dos russos. No entanto, a maioria dos moradores de outras regiões, principalmente na Crimeia, considerou o quanto seria prejudicial para a eles passarem a fazer parte da periferia da UE.

Para nós brasileiros, distantes há milhares de quilômetros dessa confusão, talvez tenhamos melhores possibilidades de compreender o problema com uma dose a mais de neutralidade, livres dos ideologismos políticos que cercam ucranianos, russos, europeus e norte-americanos. Afinal, se racionalizarmos bem a coisa, não é difícil chegar à conclusão lógica de que cabe a cada qual seguir o seu próprio rumo.

Primeiramente, deve-se saber que, desde o final do século XVIII, a Crimeia passou a fazer parte do então Império Russo. Assim foi até que, nos tempos da ex-URSS, o presidente Nikita Khrushchov (1894 - 1971) transferiu a região para a República Socialista Soviética Ucraniana, num momento histórico em que tanto a Ucrânia e a Rússia compunham um único Estado. Ou seja, comparado a grosso modo, seria como se o município de Paraty, no extremo sul do Rio de Janeiro, viesse a fazer parte de São Paulo, sendo ambos estados brasileiros.

Vale ressaltar também que a maioria da população da Crimeia é de origem russa sendo desejo deles fazer parte do país de origem novamente. E, se o legislativo local, referendado pela população, assim escolheu, cabe às demais nações, inclusive às potências ocidentais, respeitarem a decisão, sob pena de estarem violando o basilar princípio da auto-determinação dos povos. Inclusive, caso o crimeianos optassem por constituir uma nação independente, libertando-se da Ucrânia e não aderindo à Rússia, todos também teriam que acatar.

Portanto, não há motivos para os USA se opor ou querer penalizar a Rússia economicamente. Aceitar o que a população da Crimeia escolheu é fundamental para que a Ucrânia e toda aquela região seja pacificada, evitando-se que ocorra uma sangrenta e interminável guerra civil. Este deve ser o caminho do bom senso.


OBS: A ilustração acima refere-se à bandeira da República Autônima da Crimeia.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Disciplina profética amorosa



"Ouvi e atentai: não vos ensoberbeçais; porque o SENHOR falou. Dai glória ao SENHOR, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando a luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão. Mas, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em segredo por causa da vossa soberba; chorarão os meus olhos amargamente e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do SENHOR foi levado cativo." (Jeremias 13:15-17; versão e tradução ARA)

Quem lê o livro bíblico de Jeremias sem procurar conhecimento pode pensar erroneamente que o profeta apresenta Deus de uma maneira um tanto infantil e, por isso, acabar desprezando o estudo desse maravilhoso texto sagrado. Devido à incompreensão, muitos costumam dizer temerariamente que o Deus do Antigo Testamento seria "iracundo", "ciumento" bem como "vingativo" e que a sua retratação nas Escrituras corresponderia a uma consciência menos evoluída do que a nossa.

Não nego que a Bíblia foi escrita por homens mas que, estando espiritualmente inspirados, esforçaram-se por entender Deus. Tentaram eles transmitir uma mensagem de edificação a um povo dentro de seus limites humanos (tanto do emissor como do receptor), porém agiram motivados por um forte sentimento de compaixão. E vale dizer que, portando-se assim, tornaram o Altíssimo de um certo modo mais acessível aos destinatários de suas cartas já que as pessoas envolvidas por suas compulsões pecaminosas não são capazes de alcançar as coisas elevadas.

Nos tempos de Jeremias, a nação de Judá foi quase que inteiramente destruída. A História pode nos contar que a explicação da queda de Jerusalém no século VI a.C. teria sido devido às invasões militares de Nabucodonosor. Entretanto, a Bíblia vem nos mostrar uma outra leitura do ponto de vista espiritual em que os israelitas antigos teriam sido a própria causa da tragédia. Pois uma vez que o povo e seus líderes entregaram-se à maldade cometendo as piores injustiças contra o seu próximo juntamente com a prática abominável da idolatria, eis que a corrupção lhes cegou os olhos. Assim sendo, eles passaram a tomar decisões erradas e não souberam mais se conduzir politicamente diante de um momento tão delicado quando duas super potências da época lutavam pela hegemonia do Oriente Próximo. Ou seja, a Palestina encontrava-se no meio da disputa entre o Império Babilônico e o decadente Egito dos faraós.

"Quando disseres contigo mesmo: Por que me sobrevieram estas coisas? Então, sabe que pela multidão das tuas maldades se levantaram as tuas fraldas, e os teus calcanhares sofrem violência. Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal?" (versos 22 e 23 do cap. 13)

Pensando nos dias de hoje, vejo não só o Brasil como muitas outras nações andando na corda bamba. Talvez o mundo inteiro esteja vivendo nessa situação, o que pode atrair consequências terríveis relacionadas ao meio ambiente e ao caos social cada vez mais incontrolável. Pois, na verdade, temos destruído a nós mesmos pela ganância desmedida dos políticos, dos empresários e até dos líderes religiosos que nem sempre estão pregando corretamente a Palavra de Deus. E, igualmente, o próprio povo vai também caminhando rumo ao abismo com a prática cada vez mais banalizada da violência, faltando com o amor pelas crianças, abandonando os idosos e fraudando cada um o seu próximo nos negócios. Isso sem falarmos nos assassinatos hediondos, nas meninas defloradas dentro de casa por seus pais ou padrastos, no tráfico de seres humanos, na morte de pessoas durante os rituais macabros de magia negra em que até autoridades se deixam envolver, dentre outras coisas abomináveis.

Portanto, meus leitores, há que se levantar novamente a voz profética! Como Jeremias e tantos homens de Deus no velho Israel, precisamos hoje denunciar os erros cometidos em nossa nação, pregarmos o arrependimento e uma volta sincera do homem para o Deus Eterno, como muito bem ensinam as Escrituras Sagradas nesta passagem que é frequentemente citada mas nem sempre acolhida nos corações:

"se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra." (2Cr 7:14)

Desperta, ó gigante adormecido! Voltemos para Deus enquanto há tempo e vamos começar a praticar obras dignas de arrependimento dando ouvidos à voz profética, a qual nunca cessou de clamar em nossas ruas por justiça.


OBS: A ilustração acima refere-se ao profeta Jeremias segurando o rolo da Lei, ao lado da Arca da Aliança, conforme um afresco oriundo da antiga sinagoga de Dura Europos, sudeste da Síria. Acredita-se que a obra seja de meados do século III de nossa era. Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia segundo consta em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:DuraSyn-III-Jeremiah.jpg

terça-feira, 11 de março de 2014

Padrões que sufocam



"Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si." (Gênesis 3:7; ARA)

O que seria da indústria de vestuário se a maioria da população aderisse ao movimento naturista e decidisse dispensar as roupas? Penso que, neste caso hipotético, ainda assim a quebradeira das empresas não seria total pois persistiria a necessidade de proteção do frio durante o inverno além de algumas questões relacionadas à higiene íntima. Porém, é inegável que haveria a perda de determinados mercados. Por exemplo, praticamente ninguém precisaria mais comprar sungas, maiôs e biquínis para banhar-se numa praia.

É certo que ainda não temos ambiente social para que isso ocorra porque uma grande parte dos homens não saberia lidar com o impulso sexual se as genitálias das mulheres e as deles ficarem expostas. Contudo, parece-me que a questão da nudez não se limita apenas às circunstâncias libidinosas e à moral pois existem outros aspectos aí envolvidos. Um deles seria o fato das pessoas ainda não saberem respeitar umas às outras e terem dificuldades para conviver com as diferenças existentes entre cada um. Inclusive no tocante à estética e aos padrões estabelecidos.

Ora, se pensarmos bem, há muitos carnavais que as mulheres desfilam com os peitos desnudos na Sapucaí do Rio de Janeiro. Também já fazem décadas em que os biquínis híper curtos passaram a integrar as modas de verão. Porém, o topless continua sendo ainda muito reprimido e o máximo que a sociedade tolera seria uma discreta amamentação do bebê pois, afinal de contas, trata-se de um direito da criança defendido até pelo Ministério da Saúde.

Em se tratando da nudez torácica feminina, não acho que a sua repressão nos dias de hoje se explique por causa da desenfreada libido dos homens. Pode ser até que haja um lobby da indústria de sutiã por trás dando apoio à moral e aos "bons costumes", mas suponho que o topless em lugares públicos talvez incomode mais as próprias mulheres. Refiro-me àquelas que já não estão com tudo em cima e sentem embaraços em lidar com os efeitos da força gravitacional no decorrer dos anos quando vêem a geração de suas filhas todas bem durinhas desfilando pelas ruas. Então, depois de serem vitimadas por suas respectivas mães na juventude, tornam-se agora as principais algozes de outras mulheres formando um eterno ciclo das despeitadas.

Embora eu possa estar fazendo um pouco de gozação neste texto quase fútil (essa não é a temática que costumo escrever), penso existir algo de profundo em todas as reflexões, mesmo nas chamadas "filosofias de boteco". Seria quando passamos a analisar o complicado comportamento humano junto com nossas reais motivações. E aí o assunto em tela vai nos levar a debater o velho tema da tão comentada "ditadura da beleza", a qual eu prefiro denominar como sendo a ditadura dos padrões. Isto porque podemos encontrar o belo não só no gato como também no sapo, passando a aceitar de mente aberta o natural envelhecimento dos corpos, o que é incapaz de atingir a alma. E também podemos construir uma cultura de respeito inegociável à individualidade humana, passando a apreciar a maneira do outro vestir-se, cortar/arrumar o seu cabelo, fazer as escolhas profissionais, ter seu próprio gosto musical, crença religiosa, ideologia política, os relacionamentos afetivos, etc.

Termino esse texto alertando que não somente as mulheres devem ficar atentas com a terrível padronização dos costumes pessoais. Nós, os homens, também estamos com os dias contados quanto à nudez torácica in natura. Principalmente os caras como eu que lembram um pouco do ator da TV Globo Tony Ramos. Pois agora com essa moda dos caras do século XXI depilarem o peito para fins estéticos, começo a sentir um pouco de vergonha de tirar a camisa na rua. Até numa praia de frequência não naturista a coisa está começando a ficar complicada sendo certo que, se ainda fosse solteiro, correria o fundado risco de ser preterido por muitas mulheres. Só que, felizmente, a minha esposa não se importa com essas bobagens. Ainda bem!


OBS: A ilustração acima acima refere-se ao quadro Adão e Eva pintado pelo artista flamenco Mabuse (1478 - 1532), cujo nome verdadeiro era Jan Gossaert. Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Adao_eva.PNG

segunda-feira, 10 de março de 2014

A falência do Campeonato Carioca




Apesar de ter sido o jogo da antecipada conquista rubro-negra da Taça Guanabara, o público foi pequeno no clássico de ontem à noite entre Flamengo e Botafogo. O número de apenas 9.348 pagantes demonstrou que as mudanças ocorridas este ano na competição ainda não foram suficientes para trazer os torcedores de volta aos estádios bem como aumentar a audiência do estadual.

É bem provável que, na atualidade, os campeonatos regionais de futebol em muitos estados brasileiros estejam sendo ofuscados pelas competições de maior vulto como a Libertadores e a Copa do Brasil. Ainda mais atualmente em que os clubes brasileiros dominam a competição sulamericana, cuja conquista confere um enorme status interno à equipe vencedora passando a fazer parte da história da agremiação. Principalmente se o time consagrar-se como campeão mundial, o que é o sonho de toda torcida.

No Rio de Janeiro, enquanto tricolores e vascaínos amargam a péssima campanha de seus clubes no Brasileirão de 2013, flamenguistas e botafoguenses esperam pelo bom desempenho de seus jogadores nas Libertadores. Para o time alvinegro já nem interessou mais o carioca de 2014 tendo em vista que o seu técnico preferiu escalar os reservas para enfrentarem o rival rubro-negro neste domingo passado e deixando o caminho livre para a Cabofriense conseguir a façanha de se tornar uma semifinalista.

Penso que a única maneira de se recuperar o interesse do público pelo Campeonato Carioca seria através de uma temporada mais breve em que os clubes seriam distribuídos por grupos de quatro em que disputariam apenas três partidas na fase classificatória. Aí as duas equipes que mais ponturarem subiriam para as oitavas ou para as quartas de final, conforme a quantidade de times envolvidos (havendo só quatro grupos passariam somente oito clubes). E cada fase eliminatória seria disputada em apenas uma única partida. Ou seja, nada de haver um jogo de volta.

Desse modo, a duração do Carioca seria muito menor e não passaria de um mês, o que daria aos jogadores um tempo a mais de férias (não entendo por que as temporadas de futebol precisam iniciar em janeiro) e o público teria mais gosto de acompanhar a competição. No caso, também poderia haver um aumento no número de clubes na primeira divisão, hipótese em que passaríamos a ter trinta e duas equipes, oito grupos de quatro e, necessariamente, todos disputariam as oitavas de final com a presença dos primeiros e segundos colocados de cada chave.

E aí, torcedor? O que você achou da ideia?!


OBS: Alexandre Vidal e João Vitor / Fla Imagem, conforme extraído da Agência Brasil em http://radios.ebc.com.br/show-de-bola-nacional/novidade/2014-03/botafogo-e-flamengo-entram-em-campo-pelo-campeonato-carioca

quarta-feira, 5 de março de 2014

Oito anos e quinze carnavais...



"Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula" (Hebreus 13:4a; ARA)

Na data de ontem (04/03/2014), eu e Núbia completamos nossos oito anos de casamento.

Dessa vez, estando eu super envolvido com o meu trabalho e aproveitando o importante movimento da alta temporada turística nesta época de Carnaval, cá em Muriqui, não tivemos tanto tempo e nem condições para celebrarmos as comemorações no mesmo dia. Resolvemos, num comum acordo, agendar para a semana que vem (ou pra esta sexta, caso chova) a prometida ida a um restaurante. Aliás, não seria algo inteligente fazermos isso com os estabelecimentos comerciais daqui lotados de frequentadores em que, dificilmente, seríamos bem atendidos. Também tendo eu trabalhado parte da manhã e a tarde quase toda na praia, bem como precisando poupar energia para o labor no resto da semana, a última coisa que desejava era sair de casa à noite.

Se não fosse pelo meu trabalho, o dia de ontem até que valeria uma dupla comemoração. Isto porque eu e Núbia nos conhecemos no sábado de Carnaval de 1999, num lindo lugar situado nas serras de Macaé identificado como Arraial do Sana (ou simplesmente Sana). Na época, ainda estudante de Direito no campus da Estácio de Sá de Nova Friburgo, fui caminhando pela poeirenta rodovia Serramar, a RJ-142, deixando para trás o distrito de Lumiar e seguindo rumo a Casimiro de Abreu. Andando a pé uns trechos e pegando carona em outros, finalmente cheguei lá. Por indicação, resolvi conhecer a decoração do Bar do Jamaica onde acabei conhecendo Núbia e apenas conversamos brevemente naquela ocasião. Pretendia retornar no mesmo dia para casa, mas, como foi ficando tarde, acabei me hospedando numa simples pousada custando-me a diária uns acessíveis R$ 15,00 naqueles bons tempos de inflação baixa. Quando foi de noite, saí para dar um rolé e a reencontrei na praça do povoado. Naquele local começou então o nosso namoro confirmado pelos intensos momentos que passamos juntos durante todo o feriado. A partir daí, a maioria dos nossos finais de semana seguintes seriam marcados por novos encontros, os quais ocorreram em Nova Friburgo ou na cidade de Niterói onde Núbia morava com os pais.

E pra quem acha que paixão de Carnaval não dura, eis que estamos juntos há mais de quinze anos e passamos a maior parte desse tempo casados. Nossas núpcias foi celebrada no sítio do Hugo, um lugar nas proximidades da rodovia RJ-130 que liga Nova Friburgo a Teresópolis, mas que veio a ser devastado pela terrível enchente de janeiro de 2011. Contudo, com a graça de Deus, o nosso amor tem sobrevivido a essa e muitas outras águas. Lembro que, na ocasião, Núbia entrou no auditório ao som da música do filme Titanic, isto é, aquela trilha sonora composta por James Horne e que fez bastante sucesso. Atento a este detalhe, o celebrante pastor Renato Gonçalves da Igreja Evangélica Maranata de Nova Friburgo soube muito bem emendar:

"Que o casamento de vocês não seja um naufrágio como foi o Titanic!"

Glória a Deus pois o Eterno tem salvado agente das diversas tempestades às quais até aqui sobrevivemos. Aliás, posso testemunhar dizendo que as dificuldades vieram fortalecer a nossa relação hoje bem mais madura do que quando nos casamos. Ter cuidado de Núbia nas ocasiões em que ela ficou doente ensinou-me a amá-la melhor. Todo o esforço feito para permanecer fiel, não arranjando nenhuma amante ou praticando sexo descompromissado com outras pessoas, contribuiu para a elevação do meu caráter. E não falo disso como um troféu moral hipócrita pois é pela graça divina que eu, um pecador mortal, vou caminhando. Todavia, creio que o Espírito Santo trabalha simultaneamente em todas as áreas das nossas vidas e que, quando nos esforçamos para seguir a Palavra do Senhor, o coração vai sendo sobrenaturalmente lapidado. Falo isso sabendo o quanto ainda preciso ser mudado para tornar-me uma pessoa melhor.

A essa altura, quem conhece um pouco de Botânica deve estar se perguntando por que ilustrei esse artigo com uma flor de papoula. Mas é que os oito anos de casamento são chamados de bodas de papoula ou de barro. Então, como a argila me lembra a fragilidade, preferi focar naquilo que considero belo. E, no caso da tal planta, embora usada indevidamente como um alucinógeno, ela serve também para fins medicinal, alimentício e de ornamentação. Daí, se pensarmos bem, todas essas características podem vir a integrar o matrimônio em que um cônjuge passa a contribuir para a cura e o bem estar do outro. Pode ainda o marido nutrir espiritualmente a sua esposa por meio de palavras de doçura, de elogios e de motivação enquanto Deus vai colorindo com indescritível beleza a vida do casal manhã após manhã.


OBS: A autoria da foto acima é atribuída a ACS Costa, conforme consta no acervo virtual da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Papoila.jpg

segunda-feira, 3 de março de 2014

Tenha cautela no Carnaval!




Geralmente as propagandas de conscientização que assistimos nos comerciais da TV durante os dias do Carnaval falam mais sobre os riscos da embriaguez ao volante e da necessidade de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Costumamos ouvir repetidas vezes frases como "use camisinha" ou "se beber, não dirija", mas, dificilmente, a mídia vai dizer algo assim: "você não precisa do álcool para estar alegre" ou "ame a família e preserve o seu casamento".

Nada contra essas campanhas levando-se em conta o fato social já existente. Porém, lamento não assistir a anúncios que, como disse, encorajem as pessoas a manter a integridade e a pureza do matrimônio, bem como se abstenham do consumo excessivo do álcool, droga esta que pode ser considerada como uma das piores por ser lícita e socialmente aceita. E, como sabemos, o Ministério da Saúde ataca o tabagismo mas, infelizmente, continua bem tolerante quanto ao consumo imoderado de bebidas.

Quanto à infidelidade conjugal, pode-se dizer que o pecado do adultério seria uma destrutiva conduta capaz de afetar qualquer família e se tornar um péssimo exemplo para as gerações posteriores. Num período em que a sensualidade é instigada para além das quatro paredes e toma conta dos ambientes públicos, torna-se necessário vigiar, Tanto mulheres quanto homens não devem colocar a perder o puro relacionamento de companheirismo que têm com a pessoa amada por causa de uma "aventura" momentânea. Mesmo se for usando preservativos para se proteger da AIDS e de outras DSTs.

Não radicalizo tanto as coisas a ponto de demonizar o Carnaval. Reconheço até que há uma considerável dose de cultura nas letras de determinadas músicas das escolas de samba assim como percebo algum valor nas expressões de alegria em cada comemoração festiva do povo brasileiro. Aliás, ressalto que o Deus a quem sirvo é um Deus de festas, mas o homem acabou pervertendo o maravilhoso plano de convivência comunitária projeta pelo Criador bendito. Senão vejamos o que diz esta citação bíblica referente ao decadente episódio da adoração do bezerro de ouro pelos israelitas no deserto, o que se encontra no livro de Êxodo, capítulo 32, verso 6:

"(...) e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se"

Conforme coloquei acima, Deus não é contra a diversão, mas o nosso Pai Celestial deseja que façamos tudo de forma harmoniosa e sadia, incluindo-O nos nossos eventos sociais. Tanto é que, na própria Bíblia, há registros sobre celebrações que foram acompanhadas por músicas e danças como houve na travessia do Mar Vermelho bem como séculos depois, quando o rei Davi trouxer a Arca da Aliança para Jerusalém, Aliás, na passagem pelo mar, consta no mesmo livro de Êxodo que Miriã, irmã de Moisés e do sacerdote Arão, reuniu as mulheres do povo e todas comemoraram de um jeito quase brasileiro - dançaram ao som do tamborim (ler Ex 15:20-21).

Finalizo esta postagem ressaltando ser necessário a Igreja influenciar a cultura brasileira fazendo menção dos bons e dos retos valores que achamos na Palavra de Deus já que os governos têm sido omissos a esse respeito. Nem o samba ou o feriado precisam acabar! Todos esses eventos do povo podem se tornar expressões de louvor e de adoração ao Deus Único que vive e reina para sempre. Nas ruas das cidades, ao invés de drogas, bebedeiras, promiscuidade ou violência, que haja a paz do nosso Senhor e Salvador.


OBS: A ilustração acima refere-se à peça da campanha lançada no mês passado pelo Ministério da Saúde voltada para a conscientização quanto ao uso de preservativos no Carnaval de 2014.

Racismo de Carnaval perdoado?!




Embora o Congresso Nacional esteja às vésperas de aprovar uma nova lei sobre crimes raciais, prevendo penas mais duras (Projeto n.º 6418/2005 do senador Paulo Paim do PT gaúcho), ainda se ouve durante esses dias de Carnaval, tanto nas ruas como nas casas, algumas marchinhas como O teu cabelo não nega cuja letra é altamente preconceituosa:

"O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor"

É certo que estamos a falar de algo surgido há cerca de oito décadas atrás. Tal canção foi criada em 1929 pelos Irmãos Valença, no Recife, com o título Mulata. Tornou-se nacionalmente conhecida quando Lamartine Babo (1904 - 1963), após fazer algumas adaptações, lançou-a com o nome atual no Carnaval de 1932. Algo que chegou a causar uma peleja judicial. Não por causa do racismo, mas sim pelos direitos autorais.

Tendo vencido a ação em todas as instâncias, os Irmãos Valença tiveram reconhecida a autoria da composição, inclusive recebendo uma indenização da então gravadora Victor, a qual havia solicitado a Lamartine as modificações na música. Contudo permitiu-se que este fosse mantido como um dos coautores, em virtude das adaptações que fizera, a pedido da gravadora.

Ora, não tenho dúvidas de que se a música fosse composta a partir de 1989, quando o Congresso Nacional já havia aprovado a atual Lei n.º 7.716, João e Raul Valença, assim como Lamartine Babo e o dono da gravadora, teriam sido todos presos pela polícia sem direito a fiança (art. 20 da norma vigente citada). A pena ainda chegaria a ser majorada para até cinco anos de reclusão pela divulgação da marchinha nos meios de comunicação que, na época, seriam os rádios e jornais porque a TV ainda não existia no Brasil.

O fato é que, apesar do plágio musical e do racismo (há quem veja também um alto teor de machismo), O teu cabelo não nega acabou entrando para a história da MPB de modo que não vejo hoje qualquer possibilidade de algum órgão público impedir a sua divulgação em território nacional. Talvez o seu uso com conotação racista, conforme o contexto em que ocorre a reprodução, pode caracterizar conduta ilícita, o que não seria o caso de meramente relembrarmos o passado.

Nunca podemos nos esquecer de que a perversidade do racismo brasileiro encontra-se em sua sutileza. Por trás da hipócrita afirmação de que aqui seria uma "democracia racial", inúmeros atos de depreciação ao indivíduo são praticados como se fosse simples brincadeirinha entre amigos, o que não é verdade. Basta nos colocarmos no lugar de um negro, ou de uma mulher negra, para sentirmos o quanto é doloroso sofrer certos tipos de preconceito. No caso da música, assim ocorre como bem comentou o blogueiro Marcio Alexandre M. Gualberto, em seu artigo de 21/04/2005:

"Bonitinha essa marchinha, não? Quantas vezes já cantamos em época de carnaval, né? Mulata, negona gostosa, carnões bons de apertar, quem não gosta? Mas vejam que beleza: "o teu cabelo não nega". Uma afirmação da negritude. "Mas como a cor não pega, eu quero o teu amor". Putz, vê-se que é música de branco para branco: o cara quer comer a mulata mas não quer ser da cor dela. Tal como essa temos uma série de "sutilezas" do racismo brasileiro nas músicas, na literatura, nas artes, nos meios de comunicação. Eu ponho sutileza entre haspas porque, para nós negros, nada disso é sutil. Pelo contrário, está às escâncaras. Nós percebemos facilmente. Mas quando tocamos no assunto os brancos vêm dizer que estamos querendo pôr chifres em cabeça de cavalo."

Não tiro a razão de todas essas críticas, mas faço a ressalva de que, na primeira metade do século passado, a sociedade ainda não tinha a devida consciência da extensão do racismo e nem de outros preconceitos até aí cultivados como coisas normais. Até nas escolas e igrejas a segregação ainda era promovida! E para piorar mais ainda, havia gente da intelectualidade brasileira na época que expressava saudades dos tempos da escravidão em seus discursos e artigos publicados nos jornais. Eu mesmo, na década 80, sendo ainda um menino, lembro-me que algumas pessoas idosas que, em suas visitas na casa de meu avô, expunham esse tipo pensamento atrasado.

Mas os tempos mudam, não é mesmo?! Felizmente o negro tem ganhado dignidade em nossa sociedade ainda que falte muito para isso se tornar algo pleno e compensador. Mas nesse contexto, o que fazer com a marchinha senão relembrá-a como parte da história? Daí proponho que algum compositor elabore uma nova versão para música pois, considerando que as pessoas a ouvem hoje em dia mais pelo ritmo do que pela letra, bem como tendo em vista o lapso temporal superior a setenta anos desde sua criação, que tal as pessoas que gostam de Carnaval cantarem algo sem preconceito? E, quanto às versões antigas, sugiro que a própria sociedade as deixe como registros históricos de uma época em que atos de indignidade motivados pela raça, cor da pele, sexo e origem ainda eram banalizados. Neste sentido, a música pode contribuir para uma melhor investigação do nosso passado. Proibir qualquer reprodução agora seria uma tremenda burrice.

Um bom feriado a todos!