Os acontecimentos deste domingo, 25 de outubro, durante o segundo turno das eleições presidenciais, são preocupantes e exigem esclarecimentos.
As denúncias de dificuldades no transporte coletivo em Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, São Paulo e municípios fluminenses, como Petrópolis e São Gonçalo, precisam ser investigadas com rigor, respeitando as particularidades de cada localidade.
Em Salvador, a fiscalização encontrou centenas de ônibus parados nas garagens, enquanto eleitores relatavam dificuldades para chegar aos locais de votação. Em São Paulo, também surgiram denúncias sobre a circulação de uma frota inferior àquela determinada pela Justiça Eleitoral.
É fundamental esclarecer quem era responsável pela disponibilização dos veículos, quais determinações foram expedidas, por que determinados ônibus permaneceram nas garagens e se houve falhas administrativas, dificuldades operacionais ou alguma conduta deliberada para restringir o acesso dos eleitores às urnas.
Não se pode antecipar acusações ou atribuir motivações políticas sem provas. Entretanto, também não podemos aceitar que acontecimentos dessa gravidade sejam tratados como simples contratempos de um domingo eleitoral.
Os fatos exigem investigação pelas autoridades competentes, com transparência, respeito ao contraditório e à ampla defesa, assegurando-se a responsabilização daqueles cuja participação em eventuais irregularidades venha a ser comprovada.
A controvérsia sobre a prorrogação da votação até as 19 horas e as dificuldades de sua execução também merece esclarecimentos. Mas não podemos concentrar toda a atenção nas consequências e deixar de investigar as causas que deram origem à situação.
A democracia não se resume à contagem correta dos votos. Ela pressupõe que todos os cidadãos tenham condições efetivas e iguais de exercer seu direito de votar.
Neste momento, considero indispensável preservar a serenidade, respeitar as instituições e evitar conclusões precipitadas sobre a validade do pleito.
A defesa da legitimidade das eleições exige tanto o respeito aos votos regularmente depositados quanto a apuração rigorosa de eventuais obstáculos ao exercício do sufrágio.
O compromisso com a democracia deve estar acima das conveniências partidárias e independer de quem vença a eleição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário