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terça-feira, 11 de junho de 2013

A revelação divina dada aos humildes



Hoje acordei de madrugada e, tendo ido ao banheiro, perdi o sono. Levantei da cama e fui até à sala abrir minha Bíblia afim de dar prosseguimento à leitura que estou fazendo do Evangelho de Lucas. Comecei o capítulo dois que fala do glorioso nascimento do menino Jesus.

Desta vez, o que mais me chamou a atenção na leitura bíblica diária foi a escolha daqueles simples pastores da Judeia para serem testemunhas oculares da chegada do Filho de Deus ao mundo. Os anjos não anunciaram a notícia nos palácios, no Templo, nas sinagogas dos fariseus e nem na casa do sumo sacerdote, o qual era uma espécie de "papa" da religião judaica na época. Entretanto, a revelação se deu com aqueles impuros pastores, homens cuja profissão os tornava cerimonialmente impróprios para as atividades litúrgicas, segundo as regras contidas na lei mosaica.

Interessante como que Deus está bem acima das nossas concepções pessoais, morais e culturais, bem como da nossa religiosidade. Não é mesmo? 

Os pastores, além de serem considerados cerimonialmente "imundos", assim como também eram os apóstolos pescadores, ainda poderiam ser alvos da desconfiança das pessoas porque andavam para lá e para cá pelas terras da Palestina em busca de pasto para o gado. Que status eles tinham? Quem acreditaria em suas versões sobre o nascimento do Messias prometido que a nação de Israel há tanto tempo aguardava?

Ainda assim, foram eles que tiveram o privilégio de ver Jesus bebê e, ao terem a experiência do encontro com a criança deitada numa pobre manjedoura, não levantaram seus questionamentos científicos ou teológicos. Tão pouco ficaram indagando por que o Deus não proveria um lugar melhor para o seu Cristo vir ao mundo?

Contudo, os tais pastores foram correndo até Belém crendo na visão que tiveram. Para eles que tinham o coração puro e livre de conceitos fechados sobre a vida, poderiam compreender melhor a grandeza dos acontecimentos. Afinal, mil anos antes, o rei Davi também tinha sido um deles antes do profeta Samuel ungi-lo como líder de Israel no lugar de Saul porque "o SENHOR não vê como vê o homem. O  homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração" (1Sm 15:7)

Depois de acharem o menino, os pastores retornaram glorificando e louvando a Deus. Grande era a alegria daqueles homens apesar de toda a circunstância negativa na qual viviam juntamente com a maioria do povo judeu. E ninguém poderia tirar deles o júbilo pelo maravilhoso encontro que tiveram com o Rei dos reis. 

Meu querido leitor, saiba que esta mesma alegria também pode ser sua. Basta abrir o seu coração e se entregar a Deus sem reservas. Deixe Jesus amá-lo, cuidar de suas feridas, tratar de suas dores e conduzi-lo para as pastagens verdejantes. Não exija respostas às suas dúvidas como condição para essa feliz vida abundante que o Senhor promete aos que seguirem seus passos. Simplesmente permita ser tocado pelo doce Espírito. Tenha um ótimo final de tarde!


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro A adoração dos pastores (1622) do pintor holandês Gerard van Honthorst (1590-1656) e que se encontra atualmente no Wallraf-Richartz Museum, em Colônia, Alemanha. Foi extraído do acervo virtual da Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/File:Gerard_van_Honthorst_001.jpg

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pessoas que viram Deus agir em suas épocas



"graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,
pela qual nos visitará o sol nascente das alturas,
para alumiar os que jazem nas trevas
e na sombra da morte,
e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz."
(Lc 1:78-79; ARA)


Estou mais uma vez relendo o Evangelho de Lucas e, na manhã de hoje, meditei sobre os revolucionários cânticos de Maria (o Magnificat) e de Zacarias.

Pode-se dizer que o 3º Evangelho é o que mais expõe fatos sobre o nascimento de Jesus e de João Batista. O autor revela detalhes importantes da fé dos pais desses dois líderes.

Vivendo um dos mais difíceis momentos da História, os judeus que habitavam a Palestina do século I sofriam debaixo da opressão estrangeira em que impostos abusivos eram cobrados, revoltosos eram condenados brutalmente à crucificação e havia muitas injustiças cometidas contra os pobres. Há séculos que Israel não tinha mais reis soberanos pois havia perdido a condição de nação soberana desde o século VI a.C, passando então pelos domínios babilônico, persa, grego e romano.

Ainda assim, os cânticos de Maria e de Zacarias traduzem esperança em meio a dor. O nascimento de cada um daqueles dois frágeis bebês representava Deus voltando a agir no curso da História. Daí ser lembrada repetidamente a aliança de Deus com Abraão (Lc 1:55,73), simbolizando que a misericórdia do Eterno não cessa no decorrer das gerações.

Vivendo  tempo que se chama hoje e não nos esquecendo que, por intermédio de Jesus, todos os que creem são feitos filhos de Abraão, devemos ter em nós a mesma chama de fé que um dia incendiou os corações de Maria e de Zacarias. Enquanto os telejornais vomitam notícias trágicas de filhos assassinado os pais, ladrões incendiando as vítimas porque não tinham dinheiro suficiente, a matança de civis na Síria, homens bomba se suicidando em Israel nos seus ataques terroristas, estadistas que não estão nem aí para o meio ambiente, pacientes sofrendo nas filas dos hospitais públicos brasileiros e um monte de jovens alienando-se com o uso de drogas, como nos posicionamos diante da dura realidade?

Penso que não devemos focar nos acontecimentos negativos do mundo, mas sim nos nutrirmos de ânimo porque há um processo de libertação em curso. A longa noite de trevas espirituais pela qual passou a humanidade nesses últimos milênios já se vai e eis que estamos diante do amanhecer de um novo tempo. Tronos de opressão devem ser derrubados para que reinem a justiça e a santidade através da direção que recebemos do Senhor.

Portanto, creia mesmo contra os fatos, sabendo que Deus permanece conosco todos os dias até à consumação dos séculos, e nos juntemos ao coro celestial que celebrou o nascimento do Messias Jesus:

"Glória a Deus nas maiores alturas,
e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem."
(Lc 2:14)

Sim. Proclamemos a paz!


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro do artista florentino Agnolo Bronzino (1503-1572), o qual retrata o nascimento de Jesus numa tela de 1535-40. Foi extraída do acervo da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Worship_of_the_shepherds_by_bronzino.jpg

A aceitação total ao invés do afeto condicional

Tem-se constatado que muitos dos transtornos emocionais das pessoas têm originem num "amor condicional" praticado no meio familiar. Se é que podemos chamar de amor uma atitude de aceitação que se baseie na constatação de resultados como podemos observar na concepção legalista da divindade muito bem expressa pelo autor sagrado quando escreveu sobre Caim:

"Se procederes bem, não é certo que serás aceito?" (Gênesis 4:7a; ARA)

Essa história bíblica sobre o primeiro homicida da humanidade tem muito a nos ensinar acerca da carência emocional que temos. O filho mais velho do casal expulso do Paraíso, tido como o arquétipo dos homens maus, representa o adulto imaturo refém do próprio sentimento de rejeição. Alguém que tentou agradar, não conseguiu basando-se unicamente no seu auto-esforço e, enfim, se decepcionou com a Vida.

A psicóloga Elisa Goulart, em seu livro Viver sem drogas: um projeto reeducativo para o homem, 1ª edição, publicado por uma editora espírita, vem nos falar sobre a pobreza afetiva existente na sociedade que subjaz ao nosso nascimento e aborda aspectos importantes dessa tragédia fazendo menção das exigências de comportamento perfeccionista que os pais e tutores impõem à criança, perpetuando um longo ciclo geracional. Trata-se, segundo ela, de uma "ditadura do acerto" capaz de produzir vergonha e culpa, caso as expectativas paternas não sejam correspondidas:

"Nas famílias em que o amor está sujeito a todas essas condições, existe um vazio emocional que tenderá a ser preenchido com metáforas de afeto para que o indivíduo se reintegre como pessoa. Neste particular, evidenciamos o uso de objetos de compulsão. O amor condicional é a base do empobrecimento emocional familiar, impedindo que a família cumpra seu papel de espaço de crescimento (...) Nossa ansiedade, o medo da rejeição ou da opinião alheia, a baixa auto-estima, são os pontos que precisam ser administrados para alcançarmos êxito na tarefa de educar. Precisamos investir em nosso crescimento pessoal para desfazer as distorções sobre nossa realidade íntima, buscar o auto-perdão. O grande empreendimento é desacreditar das verdades sobre nós na infância (...) Para a libertação é necessário usar paciência e tolerância com ferramentas que auxiliarão a sentir e expressar amor. Em verdade, diante da indigência afetiva, o amor se perde na dor de muitas gerações. Como defesa, criamos estratégias de luta e sobrevivência, que distorcem o afeto e mais machucam do que curam" (págs. 51-53)

Sem nenhuma pretensão religiosa ou proselitista, eu creio que o Evangelho de Jesus Cristo é resposta para tudo isso  como bem tem decifrado o festejado Augusto Cury e inúmeros outros terapeutas cristãos das mais diversas tendências nem sempre tão divulgados.

Há 2000 anos atrás, o homem de Nazaré veio ensinar ao mundo a sua arte de amar. Num contexto histórico-social repleto de atrocidades, Jesus inaugurou um processo de transformação da humanidade para ser alcançado no decorrer de muitas gerações. Em suas andanças pelas aldeias poeirentas da Galileia, acolhendo pessoas e transmitido seu ensino na forma de parábolas, o Mestre estava estabelecendo os princípios basilares desse novo tempo que chamou de "Reino de Deus".

Aderir ao projeto amoroso de Jesus significa reconhecer a gratuidade da vida. É aceitar o perdão dado imerecidamente por Deus, aplicando-o também a todos os que nos ofenderam, inclusive aos nossos pais quando estes abusaram da fragilidade que tínhamos lá nos primeiros anos da infância. E, ao invés de descarregarmos essas frustrações sobre a geração seguinte, buscaríamos educar os sentimentos e condutas.

"aquele que diz permanecer nele, esse deve também andar assim como ele andou" (1 João 2:6)

Nesta caminhada deve-se ter cautela para não toparmos na mesma pedra da incompreensão legalista na qual tropeçou Caim, o qual jamais soube se abrir para as oportunidades que lhe foram oferecidas. A convocação de Jesus para mudarmos o mundo a partir de nós mesmos faz parte de uma pedagogia graciosa na qual o aperfeiçoamento ético é exercitado pela reconstrução diária de nossas vidas entre erros e acertos. Algo que, insisto dizer, tende a se refletir no trato estabelecido com o outro.

Atualmente, através da Psicologia e das demais ciências, o homem dispõe de ferramentas para levar adiante a revolucionária proposta apresentada por Jesus. Devemos tratar de nós mesmos, dos nossos familiares (principalmente por uma educação sem traumas dos filhos menores), revermos os valores das escolas, bem com o das demais instituições, e dessa forma, pregarmos o Evangelho a toda criatura. E, obviamente que, quando falo de evangelização, não me refiro às velhas práticas proselitistas ineficazes adotadas por aí em várias congregações cristãs, as quais estão baseadas numa hedionda coação psicológica e não no amor.

Acredito que, como bem nos ensina Jesus, somos aceitos por Deus com todas as nossas compulsões e falhas de caráter. Esse acolhimento que ocorre na pessoa do Mestre é amplo e irrestrito. Ele jamais nos abandonará! Nosso poder aquisitivo, grau de instrução, posição social e até mesmo a reputação moral não importam. Se cometermos erros, ele estará do nosso lado para estender suas mãos e nos levantar. Não seremos rejeitados.

"e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (João 6:37b)

É dentro dessa visão que precisamos levar adiante essa pedagogia do amor como bem expôs a psicóloga Elisa no seu livro:

"O pensamento pedagógico tem se encaminhado à pedagogia do amor. Existem mais educadores falando de afeto, de sensibilidade e autonomia (...) Através do amor, seremos estimulados a olhar para dentro de nós, sem medo... Através do amor, nos perceberemos pessoas especiais... Imersos no amor estaremos aptos a fazermos boas escolhas (...) A educação tem sido utilitária; estuda-se para ser médico, professor, advogado ou psicólogo. E o homem? Onde está a pedagogia voltada para o crescimento do ser humano, tornando-o apto para tomar posse do reino de consciência? (...) Precisamos nos esforçar para nos libertar da herança do autoritarismo e da punição como condição de educação, e, para tal,, teremos de fazer uma grande revolução. A pedagogia do amor é revolucionária (...) Como sugestão de um projeto para o homem viver sem drogas, deixamos o exercício que estamos fazendo: conhecer o mecanismo da paixão e compulsão; aceitar as fraquezas e limites pessoais; reconhecer os talentos; autoperdoar-se; conhecer o porquê da vida... E dar continuidade" (GOULART, Elisa. Op cit. Págs. 228-230 e 237)

Que possamos mesmo dar continuidade ao que nosso Senhor Jesus Cristo começou quando deixou as águas batismais do Jordão e se pôs a anunciar com simplicidade a chegada do Reino. Pois, mesmo que eu não veja com estes olhos a tão aguardada transformação ética planetária, espero que, em algum lugar do futuro glorioso, uma geração olhe para trás e se lembre daquela pequena semente do tamanho de um grão de mostarda um dia plantada na aridez do coração humano.


OBS: Texto postado originalmente no blogue da Confraria dos Pensadores Fora da Gaiola em 09/06/2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Que tal termos uma grande rota turística percorrendo toda a Serra do Mar?




A Serra do Mar é uma extensa cadeia de montanhas do relevo do país que tem cerca de 1.500 quilômetros e vai de Santa Catarina até o estado do Rio de Janeiro, acompanhando um considerável trecho do nosso litoral (daí a explicação do seu nome). Possui cenários belíssimos e picos que ultrapassam a marca dos dois mil metros de altitude estando o seu ponto culminante entre os municípios fluminenses de Teresópolis e Nova Friburgo - o maior dos Três Picos de Salinas com 2.316 metros.

Boa parte da Mata Atlântica preservada encontra-se na Serra do Mar, juntamente com inúmeras nascentes de águas cristalinas, além dos últimos representantes da fauna e da flora desse tão agredido ecossistema hoje reduzido a menos de 10% da sua cobertura original. Isto porque as terras mais altas e de difícil acesso não foram tão degradadas pela ocupação humana no decorrer da História como ocorreu com as planícies. Aliás, não é por menos que nela existam várias unidades de conservação da natureza federais, estaduais e municipais, dentre as quais temos os parques, as reservas, as áreas de proteção ambiental e as propriedades privadas comprometidas com a preservação do meio natural que são as RPPNs. E, segundo a Constituição brasileira, essas montanhas cheias de verde são reconhecidas como "patrimônio nacional" (art. 225, § 4º).

Ao mesmo tempo em que a Serra do Mar desperta o interesse ecológico, ela atrai também um público desejoso de melhor conhecê-la. E aí entra o ecoturismo como um poderoso instrumento de desenvolvimento sustentável preconizado pela Agenda 21, o que inclui a prática de atividades de lazer, de esporte e de educação ambiental em áreas naturais, além do simples ato de contemplar as belezas criadas por Deus - o turismo de observação. Esta é a modalidade turística que produz o mínimo de impacto possível e contribui para a conscientização das pessoas, sendo, no caso das caminhadas, acessível para todas as idades independentemente da condição econômica do participante.

Neste sentido, quero apresentar aqui a minha sugestão para que seja criada uma rota oficial atravessando a Serra do Mar de norte a sul, dando acesso às principais unidades de conservação nela situadas. Sem precisar fazer escaladas ou levar consigo qualquer instrumento de orientação, o caminhante teria a oportunidade de transitar seguramente por uma via bem monitorada, sinalizada e que receberia periódica manutenção. Encontraria frequentemente pelo roteiro locais próprios para hospedar-se, acampar, fazer suas refeições, comprar mantimentos, tomar banho e se abastecer com água corrente potável.

Embora uma rota assim importe em alguns riscos porque, na hipótese de abandono, viraria uma via de acesso para caçadores, palmiteiros e bandidos, em minha proposta ela seria constantemente monitorada e fiscalizada através de agentes públicos. Para arrecadar recursos financeiros que ajudem na sua manutenção, eis que seriam criados postos de pedágio com preços bem módicos a cada trinta quilômetros, tipo um real por pessoa, juntamente a cobrança anual pela permissão de atividade dos estabelecimentos empresariais. E, devido à importância que teria, o recebimento de verbas públicas se tornaria plenamente justificável.

Sabe-se que, atualmente, o turismo movimenta no mundo trilhões de dólares. Calcula-se que mais de 180 milhões de pessoas vivam direta ou indiretamente dessa admirável indústria sem chaminés, valendo ressaltar que o segmento do ecoturismo tem crescido muito nos últimos anos. Contudo, o Brasil, com todo o seu potencial natural, mantém-se adormecido em berço esplêndido por não saber ainda explorar adequadamente os valiosos recursos que tem. Enquanto a Espanha fatura uma grana bem alta dos peregrinos que para lá viajam afim de percorrerem a pé os Caminhos de Santiago de Compostela, patrimônio mundial tombado pela UNESCO, não temos nenhuma grande rota que proporcione ao visitante ter contato com o que há de melhor nesta terra: a exuberante natureza.

Considerando a aproximação dos grandes eventos, este seria o momento mais oportuno para o Brasil abraçar um projeto assim. E a criação do roteiro, o qual sugiro chamarmos de Caminhos do Curupira, não seria algo tão moroso ou de alto custo (Dilma não gastaria nem um centésimo da reforma do Maracanã) porque buscaríamos aproveitar as estradas, as trilhas e as servidões já existentes dentro e fora dos parques ecológicos. Caberia assim ao Poder Público fazer o mapeamento, dar definição ao trajeto, construir uma estrutura mínima, disponibilizar funcionários, mobilizar os municípios envolvidos e divulgar na mídia. Rapidamente receberíamos visitantes vindos dos quatro cantos do planeta afim de descobrirem as maravilhas dessa encantadora terra. A hora é essa!


OBS: Imagem extraída de uma página oficial do governo do Estado de São Paulo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Superando a impotência espiritual diante de situações



O grande fantasma masculino chama-se impotência (sexual). Se você quer convencer um homem a parar de fumar, não ingerir tantos alimentos gordurosos, fazer exercícios regulares ou ir a um médico, basta fazê-lo compreender sobre os riscos de seu membro viril perder a capacidade de ficar ereto. Funciona melhor do que um alerta de morte prematura. Pois para muitos machões da América Latina manter esse tipo de "reputação" parece ser mais importante do que qualquer outra coisa.

Certamente que existem vários tipos de impotência. A sexual seria apenas uma delas. Quando se chega na velhice, o ser humano depara-se também com a impossibilidade de continuar trabalhando com o mesmo desempenho de quando era mais jovem, resolver todos os problemas do cotidiano como fazia antes e, conforme o caso, até de andar sozinho pela rua. Uns buscam não se entregar tão facilmente e outros agem de maneira excessivamente teimosa a ponto de criarem problemas para si e os familiares.

Entretanto, uma das maiores espécies de impotência ocorre em relação à vontade do outro indivíduo, quando resolver a situação de alguém já não depende de nós e somente da própria pessoa. É quando tentamos melhorar a condição de quem amamos e não conseguimos trazer cura, alegria, paz interior e satisfação na vida de quem pode estar bem ao nosso lado.

Nestas horas só nos resta orar e entregar a causa aos cuidados de Deus agindo pela fé. Quando aquele ente querido está nas últimas, ou a "Inês é morta" (recordando de Camões), não podemos perder as esperanças, mas crer. Aliás, foi isto que o Senhor Jesus certa vez disse a Marta quando o seu amigo Lázaro de Betânia já se encontrava no túmulo:

"Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu, se creres, verás a glória de Deus?" (João 11:40; ARA)

A ideia de ressurreição é uma tremenda mensagem de fé para todos nós. Quando Jesus curou Lázaro e também venceu sua própria morte, ensinou para nós que nada neste mundo tem poder sobre a Vida que é eterna. Absolutamente nada! Sendo assim, a morte física torna-se apenas um breve sono e todos os acontecimentos ruins enfrentados no nosso caminhar também não passam de mera aparência representando o transitório. O trono da impiedade torna-se comparável com a erva que à noite cresce e, no fim do dia, é lançada ao fogo.

Por sua vez, o reino de justiça subsiste como um cedro ou uma enorme palmeira. E, com isto, o crente esclarecido não desiste de lutar porque, no tempo de Deus, no Kairós, toda a história da humanidade será mudada pelo Soberano do Universo.

Igualmente, creio que Deus opera na vida do outro e também na nossa. O que semeamos no coração e na mente da pessoa querida terá o seu crescimento dado na ocasião oportuna sem depender do nosso esforço para que brote. Logo, devemos trabalhar realizando com confiança a parte que nos cabe para depois descansarmos em paz alegrando-se no Senhor.

Termino este texto pedindo ao Eterno que elimine de nossas mentes qualquer fantasma de impotência, sobretudo a espiritual. Pois, como diz uma conhecida frase bíblia atribuída ao apóstolo Paulo, "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4:13).

Que Deus abençoe a você e toda a sua família!

Tenha uma excelente semana!


OBS: A ilustração acima refere-se à propaganda contra o tabagismo do Ministério da Saúde encontrada nos maços de cigarro.

domingo, 2 de junho de 2013

A disciplina para alcançarmos aquilo que desejamos

Na noite de sexta-feira para sábado, o Globo Repórter exibiu uma instrutiva matéria sobre o Camboja e o Laos, dois países bem exóticos do Sudeste Asiático. Achei interessantíssima! Algo que muita gente deveria assistir depois da emburrecedora novela das nove, a qual acrescenta muito pouco em termos de qualidade cultural.

A Glória Maria, uma das repórteres que muito admiro pelo seu gosto por viagens, mostrou-nos ali os ursos do Parque de Kuang Si, alguns dos incontáveis templos budista encontrados naqueles países, entre os quais as torres sagradas de Angkor Wat, as gigantes estátuas do Buda e os rituais religiosos deles. Segundo informou a matéria, "as cerimônias religiosas fazem parte do dia a dia de quem vive no Laos. Eles têm rituais para quase tudo"

No entanto, houve algo que me chamou muito mais a atenção do que aquelas enormes esculturas do Buda Parque que reúne ecumenicamente estátuas hinduístas e budistas. Parei para refletir sobre um doloroso exercício feito por umas crianças, caminhando sobre uma roda de pontas agudas, afim de conseguirem boas notas na escolas:

"(...) No meio do parque, a equipe do Globo Repórter encontrou meninas que parecem brincar. Quando chegamos mais perto, percebemos que não era uma brincadeira. Era uma espécie de penitência para conquistar um desejo. Elas têm que dar três voltas pensando firme no que elas querem. Não podem cair, não podem reclamar. Se elas conseguirem, o desejo delas vai ser realizado. É duro, é pontudo, dói. Tem que ter um desejo muito forte. Tem que estar muito a fim de conseguir alguma coisa para suportar essa dor. Para que tanto sacrifício? Bem, o pedido delas é simples: querem apenas tirar boas notas na escola (...)" (Extraído do site do Globo Repórter na internet) 

Pensando sobre aquilo, concluí que, na prática, as meninas não estavam fazendo nenhum um ato de superstição ou de pura crendice religiosa. Notei foi uma auto-disciplina capaz de tornar fortes as crianças para perseguirem o que elas realmente querem na vida.

Em nossa frágil cultura, é muito frequente desejarmos mil coisas, elaborarmos planos e, durante os primeiros passos da caminhada, abandonarmos tudo. É comum jovens ingressarem numa faculdade e desistirem rapidamente do curso que escolheram. Pessoas entram na dieta afim de perderem alguns quilos e, em menos de poucas semanas, já estão se enchendo de doces, frituras, churrasco, cerveja, etc.

Não acho que precisamos ficar diariamente dando três sofridas voltas em torno de uma roda de pontas agudas ou menos nos submetermos a um aculturador processo de orientalização. Nada disso! Porém, penso ser necessário buscar a definição do desejo que temos e lutarmos por ele.

Na visão de mundo dos orientais, os atos externos interagem com o nosso interior e se tornam ferramentas para que a pessoa dê um direcionamento a si própria. As práticas de ioga e de meditação também estão de acordo com essa linha de pensamento deles que, a meu ver, são muito saudáveis e adaptáveis a qualquer cultura independente da religião seguida. De acordo com o saudoso rabino Aryeh Kaplan, os judeus antigos também meditavam, aplicando, obviamente, princípios bíblicos ao que faziam.

Pode-se dizer que o desejo seria um tipo de sentimento caracterizado por uma atitude mental do sujeito em relação ao mundo. Sendo algo subjetivo e não objetivo, podemos facilmente cair nas armadilhas do auto-engano. Por isso, é importante cada um conhecer melhor a si próprio. Coisa hoje em dia muito difícil de realizar numa sociedade cheia de distrações e de fortes apelos consumeristas.

Sem dúvida que para muita gente será necessário algum exercício externo capaz de nos ajudar. Lembrar sobre o que faziam aquelas crianças asiáticas do Laos, desejosas de melhorarem o rendimento escolar, certamente serve de excelente inspiração para que encontremos ao nosso modo maneiras de educar a mente e o corpo. Quando estivermos malhando numa academia de musculação ou fazendo uma rotineira caminhada, podemos dispensar alguns minutos refletindo sobre os nossos desejos e as metas para alcançá-los. Talvez a ginástica fique até menos cansativa.

O que você realmente quer? E o que tem feito para conseguir chegar lá? Sã perguntas que devemos tentar responder para nós mesmos.

Tenha um domingo abençoado!

sábado, 1 de junho de 2013

As aproximações entre católicos e evangélicos



Dando um melhor direcionamento a algumas reflexões surgidas nos comentários à postagem anterior, na qual escrevi sobre o feriado de Corpus Christi, decidi então publicar este outro texto falando sobre a necessidade do diálogo entre protestantes e católicos já que todos fazemos parte de um mesmo Corpo.

Apesar dos lamentáveis conflitos até hoje existentes na Irlanda do Norte entre seguidores de ambos segmentos religiosos, bem como em outras partes do mundo, vejo possibilidades de que a cristandade possa dialogar melhor neste novo século. Ainda mais agora com o atual papa.

O terceiro milênio começou mal com um presidente belicista nos EUA incitando suas guerras contra ao mundo islâmico e um papa sectário que acabou renunciando. Politicamente conservador, Ratzinger fora um desconstrutor das comunidades de base inspiradas pela Teologia da Libertação em décadas anteriores e esteve por trás das guinadas direitistas de João Paulo II. Ao assumir a liderança do patriarcado romano, ele muito contribuiu para causar retrocessos quanto ao ecumenismo cristão buscado por João XXIII e também por João Paulo, o qual, em 1982, chegou a receber a visita do pastor batista norte-americano Billy Graham.

Por outro lado, não se pode culpar apenas os católicos pelo diálogo com  os protestantes ter esfriado. O proselitismo religioso agressivo e a intolerância de muitas igrejas evangélicas foram e continuam sendo empecilhos ainda maiores. Principalmente quando se cultua uma aversão demonizante ao universalismo religioso a ponto de um pastor que se aproxima de um padre ser acusado de apostasia. E  não foi o que enfrentou o quase centenário Graham?

Embora a união global entre católicos e evangélicos seja algo bem distante de acontecer e nem me parece benéfico restabelecer a falsa unidade anterior à reforma protestante sob o comendo e representação de um papa, penso pelo menos em ações locais. Considero proveitoso que, numa mesma cidade, pastores e padres conversem entre si para solucionarem os problemas comunitários.

Por acaso a saúde da população, a nossa juventude viciada em crack, o alcoolismo, a prostituição, a pobreza, a fraca assistência aos portadores de necessidades especiais, a exclusão social dos presidiários, as tragédias ambientais e os conflitos familiares já não seriam razões de sobra para as lideranças do cristianismo começarem a se entender?

Até quando os que dizem pastorear o rebanho do Senhor continuarão lucrando com o massacre das ovelhas e se esquecendo de suas necessidades?

Vamos continuar deixando de dar tratamento as problemas coletivos para aumentarmos mais ainda a divisão da sociedade brasileira através do sectarismo de agremiações religiosas?

Sei que essa é uma questão conflituosa mas que precisa ser superada. Inclusive entre os próprios protestantes também. Recordo que, enquanto eu ainda morava em Nova Friburgo e sofremos aquela enchente de janeiro de 2011, com um rastro de centenas de mortos e de milhares de desabrigados, o conselho de pastores (COPENF) voltou a se reunir. Por alguns meses, as igrejas evangélicas de lá tiveram que cuidar de um problema bem grave prestando apoio aos desamparados. E, durante algumas oportunidades, um pastor chegou a sugerir nas reuniões que fizéssemos trabalhos também com os católicos e até com os espíritas. Porém, no decorrer daquele mesmo ano, houve uma acomodação e a desmobilização das lideranças pastorais. Não demorou muito para o conselho voltar a ser um organismo ausente.

Todavia, não fico desanimado pelos frustrantes resultados que até hoje assisti e acredito que a união do Corpo de Cristo se passa pelas comunidades nas quais as congregações encontram-se estabelecidas. E hoje em dia, com questões bem sérias em pauta e a internet quebrando muros, surge um novo cenário propiciador do diálogo entre religiões a começar pela cristandade. E assim, revolucionando a Igreja de baixo para cima, ou por todos os lados, pode ser que diversos grupos do cristianismo venham a se unir através do regime de uma colegialidade de representantes. Não pela religiosidade, mas sim pelas pessoas atuantes sem que haja primeiros e últimos ou tão pouco grandes e pequenos.

OBS: A foto acima mostra Billy Graham e João Paulo II num encontro ocorrido entre os dois no Vaticano. Graham esteve lá em 1982 e em 1990.