Por mais que eu tenha enormes pontos teológicos de divergências em relação ao catolicismo, exemplos como os que foram deixados por Madre Teresa de Calcutá, ou pela brasileira Irmã Dulce na Bahia, são capazes de refrear o meu sectarismo e abrir os olhos para contemplar o agir de Deus através das pessoas que resolvem seguir a Jesus com a sinceridade de seus corações.
Desde que recebi uma sólida formação doutrinária entre os batistas, no começo dos anos 90, até hoje eu me identifico teologicamente com esta denominação do protestantismo, apesar de ter me congregado cinco anos na Igreja Evangélica Maranata. Porém, tenho aprendido que Deus age bem acima das nossas concepções de vida, ora nos confrontando e às vezes interagindo conosco independentemente de ainda nos mantermos arraigados aos valores de uma cultura.
Iremos compreender toda a Verdade durante nossa breve existência sobre a face da terra?
Partiremos daqui perfeitos e andando na estatura espiritual de Cristo?
Conheceremos todos os mistérios divinos e toda a teologia?
Conseguiremos fazer o bem a todos os pobres?
Será que vamos ter oportunidades para reparar todos os males praticados no passado contra as pessoas que algum dia magoamos?
Embora Deus não rebaixe o seu elevado padrão moral, Ele sabe que jamais chegaremos ao seu nível nesta vida. Creio também que Ele sabe que uns poderão ir mais longe do que os outros em suas caminhadas. Porém, Ele nos pede que guardemos os seus mandamentos através da prática do amor.
A base do ensino de Jesus em seu breve ministério entre os israelitas foi o amor. Em sua última semana na cidade de Jerusalém (suponho que na terça-feira), um escriba lhe questionou qual seria o maior dos mandamentos da Torá e recebeu a seguinte resposta do Senhor sobre o amor, ligando o Shema de Deuteronômio 6.4-5 a Levítico 19.18:
Respondeu Jesus: “O mais importante é este: 'Ouça, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças'. O segundo é este: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'. Não existe mandamento maior do que estes. (Evangelho segundo Marcos 12.29-31; Nova Versão Internacional - NVI)
O escriba então aprovou a resposta dada por Jesus, acrescentando com sua sabedoria teológica que amar a Deus e ao próximo como a si mesmo “é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas”, provavelmente baseando-se no profeta Oseias. Porém, em seguida, Jesus disse que aquele homem não se encontrava “longe do Reino de Deus”.
Analisando este último detalhe da conversa que encontramos apenas no Evangelho de Marcos, podemos perceber que o escriba, embora não estivesse “longe”, ainda precisava experimentar e viver no Reino de Deus, mesmo conhecendo amplamente com o intelecto a Torá e os profetas. Isto é, a Bíblia que tanto Jesus quanto os fariseus liam.
Então o que realmente estava faltando ao escriba?
Lendo um comentário na minha Bíblia de estudos, verifiquei que a resposta dada por Jesus ao escriba também faz lembrar os diálogos que teve com o jovem rico e com Nicodemos, quando o Mestre deixou-os perplexos com estas afirmações:
Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.” (Marcos 10.21; NVI)
“Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo.” (João 3.7; NVI)
Ora, nas três situações Jesus estava lidando com israelitas que conheciam os mandamentos da Lei de Deus desde criança. Foram educados conforme os preceitos da Torá, eram capazes de recitar trechos da Bíblia (até então só tinha sido escrito o Antigo Testamento), cultuavam um único Deus e talvez até praticassem atos de caridade. Observem que o jovem rico chegou a declarar que observava o 5º, o 6º, o 7º, o 8º e o 9º mandamentos do decálogo, bem como o “não enganarás a ninguém”, mas ainda assim estava preocupado em “herdar a vida eterna”. Contudo, apesar do conhecimento e da formação religiosa que tinham, faltava-lhes vivenciar o governo do Pai Celestial em seus respectivos cotidianos.
E nos dias de hoje? Será que as pessoas nascidas e educadas dentro de uma cultura cristã vivem no Reino de Deus?
Tanto os evangélicos quanto os católicos são ensinados desde cedo sobre as palavras da oração do Pai Nosso pronunciado repetidas vezes que “venha a nós o vosso reino”, porém sem compreender no coração qual o significado disto. E enquanto muitos católicos acham que têm a vida eterna só porque passaram por um batismo infantil deixando de ser "pagão", evangélicos escondem-se atrás da confissão de fé que algum dia fizeram numa igreja ao levantarem as mãos e repetirem com a boca a oração do pastor.
Penso que não somos chamados para alimentarmos vãs preocupações se iremos de fato herdar a vida eterna quando morrermos pois carregar um fardo como este demonstra até falta de fé no amor de Deus e desconhecimento da obra de Cristo. Jesus em seus ensinamentos simplesmente nos convida para seguir um caminho de amor afim de que vivamos para Deus e para o próximo, o que significa estar no Reino de Deus e experimentar a diariamente Vida.
Agnes Gonxha Bojaxhiu, mais conhecida como a Madre Teresa de Calcutá, mesmo rezando o Credo e a Ave Maria, entendeu o que significa o amor. Aquela mulher viajou para um país dividido em castas que até hoje é cheio de desigualdades, fomes, misérias e tragédias, mas ainda assim decidiu amar o seu semelhante.
Certamente que ela poderia ter trilhado uma carreira mais cômoda e tranquila dentro do catolicismo, talvez passando seus dias dentro de um convento como fazem muitas das freiras. Porém, Madre Tereza preferiu amar os moribundos e os leprosos da Índia, dando sentido à sua vida e sendo também sal e luz de um século cheio de ódio que foi manchado por duas guerras mundiais.
De igual modo, também no Nordeste do Brasil, terra de secas, famílias miseráveis e coronéis poderosos, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, foi chamada de “anjo bom da Bahia” por dedicar sua vida à caridade dando abrigo a mendigos e trabalhando com doentes, idosos, pobres e menores carentes. Com persistência e mobilização social, ela fundou um hospital e um orfanato na região metropolitana de Salvador, fazendo o bem a milhares de pessoas.
Nos tempos atuais, muita gente não tem falta de bens materiais de primeira necessidade, mas carece de atenção, reconhecimento, paz, felicidade e, principalmente, de uma vida com significado de maneira que vivem sempre frustradas, sendo isto uma das explicações para tantos casos de depressão e desejos de suicídio. Tornamo-nos uma sociedade que coloca o “eu” acima de tudo, valorizando mais o dinheiro e o status do que as pessoas ao nosso redor. E o pior é que tal comportamento também pode incluir pessoas religiosas e que foram formadas dentro de uma cultura cristã evangélica ou católica como a grande maioria dos brasileiros.
O que posso dizer de muitos dos meus compatriotas no presente? Somos uma nação em que desde pequenos aprendemos ser Jesus o Cristo e o Filho de Deus, mas ainda não estamos vivendo de fato o Reino de Deus. Perguntar para um brasileiro se ele “aceita Jesus” parece piada porque, certamente, as pessoas dirão que sim, o que apenas as coloca perto do Reino mas não dentro.
Ao ser confrontado por Jesus, o jovem rico foi convidado a amar seu próximo e isto implicava em morrer para si mesmo, abrindo mão de tudo o quanto possuía. Ali o Senhor colocou uma condição de mudança de conduta para que o rapaz pudesse segui-Lo – dar tudo aos pobres. Com isto, Jesus deixou claro que não queria discípulos que conhecesse seus ensinos apenas com a mente, mas que fossem capazes de experimentar a prática do amor, exercitando a fé.
Quantas vezes lemos a Bíblia e compreendemos apenas o texto, mas não a Mensagem?
Sempre que oramos estamos expressando a Deus aquilo que sentimos e nos abrindo para Ele, ou a nossa oração é apenas uma repetição mecânica de palavras sem nenhum sentido?
Que religiosidade capenga é essa em que precisamos nos isolar, evitar a conflituosa convivência humana e fugirmos de qualquer tipo de interferência capaz de nos desconcentrar?
Será que não podemos nos conectar a Deus mesmo em meio aos conflitos, ao desespero e às tempestades da vida?
Quando olho para Jesus e leio os relatos dos Evangelhos mostrando que o Mestre acolheu as crianças, vejo o quanto ainda me falta para aprender os ensinos de Jesus. Numa passagem que encontramos em todos os sinóticos (Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15-17), os discípulos não queriam que trouxessem as crianças para Jesus, mas o Senhor indignou-se e lhes disse que deixassem vir a Ele os pequeninos porque “dos tais é o reino dos céus”.
Imagino que, nesta situação, talvez Jesus estivesse exausto de suas andanças pela Palestina assim como todos nós caminhamos fatigados pelos mais variados problemas. Só que o Mestre, mesmo gastando suas energias para ajudar pessoas, junto com as perseguições que sofria, ainda tinha disposição para receber as agitadas crianças e quem sabe até brincar com elas. E, por incrível que pareça, Ele estava nos apontando o caminho para termos uma mente e um espírito saudável, isto é, como entrarmos no Reino de Deus.
Precisamos receber o Reino de Deus como uma criança (Mc 10.14), o que, inegavelmente, exige a experiência de um novo nascimento, um esvaziamento de nós mesmos, despindo-nos do orgulho, das mágoas, dos ressentimentos e das preocupações com as coisas desta vida. Então, quando praticamos isto, entramos verdadeiramente debaixo do governo de Deus, passando a ter prazer em estar aos pés de Jesus para ouvir sua Palavra.
Bem, de acordo com o meu editor de texto, acho que já escrevi o bastante até aqui e acho que me faltarão palavras para descrever o que significa o caminho do amor. Mesmo que eu venha a publicar um livro sobre o assunto, de nada adiantará porque estarei expressando nada mais do que uma doutrina, coisa que os teólogos poderão fazer com muito mais conhecimento bíblico. Porém, com toda a minha limitação, só posso pedir a Jesus que me ensine a amar como Ele amou, ajudando-me a sair da virtualidade dos sermões para a realidade dos gestos de amor, coisa que só a experiência do dia à dia pode ensinar. Logo, termino com uma oração como uma resposta positiva ao mandamento dado pelo Senhor:
Jesus, eu quero amar!
Não sei ainda expressar com a minha mente o que é o amor. Vivo a maior parte do tempo no meu mundo intelectual, tentando elaborar conceitos e regras através de seus ensinamentos. Porém, quando me deparo com a dura realidade, vejo o quanto ainda preciso aprender.
Jesus, eu quero amar!
O Senhor não nos escreveu livros diretamente de suas penas, mas deixou gravada nos corações dos homens a sua Mensagem de modo que muitos não cessaram de falar de seu amor. Então, que possamos expressar este amor pelas nossas ações, as quais valem mais do que mil palavras.
Jesus, eu quero amar!
O mundo oferece tantos atrativos de poder, prazeres e bens materiais que podem nos levar a perder o foco. Só que, quando soo embriagado pelo engano do pecado, percebo que viver sem o teu amor não faz sentido e aí retorno correndo para ti.
Jesus, eu quero amar!
Que eu seja capaz de abrir mão de mim mesmo e suportar o meu próximo com suas necessidades, defeitos ou diferenças, tendo como alvo servir ao invés de ser servido, dar sem nada esperar receber em troca.
Jesus, eu quero amar!
Como uma criança, que eu possa receber o Reino de Deus no meu coração, confiando sem pedir provas, agindo com espontaneidade, pedir com simplicidade e aceitar ser amado, acolhendo a Divina Presença em qualquer circunstância da vida.
Jesus, eu quero amar!
Maravilhosos são os Teus ensinamentos, Senhor, e quero que a tua Palavra, que perto está de mim, seja realidade em minha vida. Que o meu coração não Te esqueça e que a cada dia eu possa banhar-me no teu perfume, renovando a minha esperança, dispondo-me a fazer a Tua vontade, perdoando e pedindo perdão, sabendo que minha vida está em Tuas mãos.
Jesus, eu quero amar!
Amém!
Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Macaquices
Anos atrás, tivemos um bom momento de entretenimento aqui em casa entre amigos. Quem filmou foi minha esposa e quem brincava com o macaco eram eu e Maurício. Achei interessante compartilhar.
Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz
Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz
Como vão nossa a saúde pública e a educação?
Muito interessante este vídeo do Gabeira. Não importa aqui qual a intenção dele (sabe-se muito bem que Gabeira é candidato da oposição ao governo do Rio de Janeiro), mas o que realmente importa é tomarmos conhecimento dessa realidade dos nossos hospitais públicos, uma situação que não muda porque os políticos e a máfia de branco verdadeiramente não permitem.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Serra propõe aumentar o mínimo para R$ 600,00!
Até que enfim a oposição soube adequar seu discurso às reais necessidades do eleitor brasileiro! Pena que um pouco tarde.
Tenho observado que, até a semana passada, tanto as propostas de Serra quanto as de Marina não motivavam o eleitor para votar na oposição.
Por que votar no Serra? Ou por que apoiar Marina?
Eu tenho motivos para ter como minha candidata a Marina Silva, mas o eleitor comum, que pouco participa da vida política da nação, só irá escolher alguém da oposição se ele tiver fortes razões para tanto já que a economia brasileira vai relativamente bem para as expectativas de quem deseja muito pouco da vida.
Dilma praticamente tem ignorado as questões do meio ambiente em seus discursos. Contudo é importante notar que para a maioria do eleitorado ecologia não enche barriga e daí o fato de que minha opinião fica restrita a um grupo de pequena expressão dentro da nossa sociedade.
Nos emails que costumo trocar com um candidato ao Senado aqui do Rio de Janeiro, tenho o hábito de comentar acerca das opiniões que ele emite acerca da campanha eleitoral. Tanto eu quanto ele concordamos quanto a alguns erros e acertos cometidos pela oposição nos seus discursos políticos.
Em 10/09, César Maia escreveu o seguinte no artigo "LULA E AS PESQUISAS QUE VIRÃO!", transmitido pelo seu informativo eletrônico conhecido no mundo virtual como uma continuação de seu ex-blog:
"Os riscos sentidos por empresários e classe média com renda mais alta em relação a seus sigilos fiscal, bancário e grampos generalizados, já afetam sua decisão de voto, que começa a deixar de ser do tipo "tanto faz". A privacidade atingida já é percebida por esses segmentos. Se alcançar parte dos demais, ainda não se sabe. Mas no andar de cima, já alcançou."
Conforme foi muito bem observado pelo candidato a senador do DEM-RJ, as denúncias acerca de violação do sigilo fiscal pela Receita é capaz de atingir a classe média, mas sabemos que questionamentos deste tipo não alcançam a grande maioria de eleitores brasileiros até mesmo porque as pessoas de condição humilde estão isentas de declararem imposto de renda e não apenas do pagamento deste tributo.
Entretanto, ao propor um aumento de salário superior ao governo, Serra soube focar numa questão verdadeiramente motivadora para que o eleitor mude de opinião.
Como disse antes, Serra chegou com este discurso um pouco tarde e, caso o tucano queira mesmo lutar para que haja um segundo turno, deve massificar o seu discurso no horário eleitoral e nos comícios batendo apenas nas propostas que podem surtir algum efeito sobre uma fatia pequena do eleitorado capaz de fazer diferença até dia 3 de outubro.
Hoje em dia, mesmo havendo mais empregos, deve-se observar que o salário mal dá para pagar todas as contas do trabalhador ou do aposentado. Os idosos então gastam quase tudo o que recebem com medicamentos e comida, quando não têm que pagar aluguel para morar. A sociedade brasileira está cada vez mais endividada e as pessoas ficaram tão condicionadas a uma situação de aperto que bastou o aumento do crédito neste segundo semestre para que muita gente se iludisse pensando que a vida melhorou.
Serra poderá mudar isso?
É lógico que pra mim esse discurso não me convence, exceto quanto à possibilidade de controle maior sobre o crescimento da economia. Só que prefiro o candidato tucano do que a Dilma num eventual segundo turno pelo simples fato de que em nada me agrada essa onda nefasta do chavismo petista.
Tenho observado que, até a semana passada, tanto as propostas de Serra quanto as de Marina não motivavam o eleitor para votar na oposição.
Por que votar no Serra? Ou por que apoiar Marina?
Eu tenho motivos para ter como minha candidata a Marina Silva, mas o eleitor comum, que pouco participa da vida política da nação, só irá escolher alguém da oposição se ele tiver fortes razões para tanto já que a economia brasileira vai relativamente bem para as expectativas de quem deseja muito pouco da vida.
Dilma praticamente tem ignorado as questões do meio ambiente em seus discursos. Contudo é importante notar que para a maioria do eleitorado ecologia não enche barriga e daí o fato de que minha opinião fica restrita a um grupo de pequena expressão dentro da nossa sociedade.
Nos emails que costumo trocar com um candidato ao Senado aqui do Rio de Janeiro, tenho o hábito de comentar acerca das opiniões que ele emite acerca da campanha eleitoral. Tanto eu quanto ele concordamos quanto a alguns erros e acertos cometidos pela oposição nos seus discursos políticos.
Em 10/09, César Maia escreveu o seguinte no artigo "LULA E AS PESQUISAS QUE VIRÃO!", transmitido pelo seu informativo eletrônico conhecido no mundo virtual como uma continuação de seu ex-blog:
"Os riscos sentidos por empresários e classe média com renda mais alta em relação a seus sigilos fiscal, bancário e grampos generalizados, já afetam sua decisão de voto, que começa a deixar de ser do tipo "tanto faz". A privacidade atingida já é percebida por esses segmentos. Se alcançar parte dos demais, ainda não se sabe. Mas no andar de cima, já alcançou."
Conforme foi muito bem observado pelo candidato a senador do DEM-RJ, as denúncias acerca de violação do sigilo fiscal pela Receita é capaz de atingir a classe média, mas sabemos que questionamentos deste tipo não alcançam a grande maioria de eleitores brasileiros até mesmo porque as pessoas de condição humilde estão isentas de declararem imposto de renda e não apenas do pagamento deste tributo.
Entretanto, ao propor um aumento de salário superior ao governo, Serra soube focar numa questão verdadeiramente motivadora para que o eleitor mude de opinião.
Como disse antes, Serra chegou com este discurso um pouco tarde e, caso o tucano queira mesmo lutar para que haja um segundo turno, deve massificar o seu discurso no horário eleitoral e nos comícios batendo apenas nas propostas que podem surtir algum efeito sobre uma fatia pequena do eleitorado capaz de fazer diferença até dia 3 de outubro.
Hoje em dia, mesmo havendo mais empregos, deve-se observar que o salário mal dá para pagar todas as contas do trabalhador ou do aposentado. Os idosos então gastam quase tudo o que recebem com medicamentos e comida, quando não têm que pagar aluguel para morar. A sociedade brasileira está cada vez mais endividada e as pessoas ficaram tão condicionadas a uma situação de aperto que bastou o aumento do crédito neste segundo semestre para que muita gente se iludisse pensando que a vida melhorou.
Serra poderá mudar isso?
É lógico que pra mim esse discurso não me convence, exceto quanto à possibilidade de controle maior sobre o crescimento da economia. Só que prefiro o candidato tucano do que a Dilma num eventual segundo turno pelo simples fato de que em nada me agrada essa onda nefasta do chavismo petista.
domingo, 12 de setembro de 2010
Churrascos e pizzas
Posso dizer que, aqui em casa, temos uma alimentação relativamente saudável durante a semana. Tento acompanhar a dieta da minha esposa que, durante o almoço, come dois tipos de vegetais, carboidratos (geralmente arroz), leguminosas (feijão, lentilha ou grão de bico) e um pedaço de carne. Também incluímos frutas, queijos e biscoitos cream cracker em outros horários e tem ocasiões que nos esquecemos de fazer o bife da refeição.
Só que nem sempre foi assim. Quando criança, meu prato predileto era bife com batatas fritas. Não dava muita importância para o feijão e fiquei anos sem comer arroz. Eu era louco por um churrasco e grande fã dos doces, principalmente se fosse brigadeiro, Danette ou torta de chocolate.
Nos meus tempos de infância, e mesmo no início da adolescência, recordo que as pessoas não costumavam fazer tanto churrasco quanto atualmente no Sudeste do Brasil. Parece que, só depois que a moeda se estabilizou e houve uma oferta maior de carne bovina no mercado, é que o mal hábito tornou-se mais frequente. Até o começo dos anos 90, ainda era muito comum uma família grande no Rio de Janeiro reunir-se na casa dos pais para um grande almoço de domingo cujo cardápio costumava ser muitas das vezes a tradicional feijoada. Contudo meus parentes nunca tiveram uma relação de tanta proximidade e nem faziam tanta feijoada.
Quando surgiu o Plano Real, assar uma carne com os amigos no final de semana tornou-se motivo de status e acho que este costume está fazendo muito mal para o meio ambiente (quanto mais pastos menos florestas) e pra saúde do brasileiro. Principalmente porque nem todos têm o hábito de acompanhar este prato com saladas ou de imitar o gaúcho quanto ao uso do chimarrão após a ingestão das carnes.
Apesar de tudo, nos recentes anos, está surgindo a salutar tendência de medicalização dos alimentos. É algo que começou mais no meio dos ricos e pessoas da classe média alta mas que, graças aos nutricionistas que agora atendem também pelo SUS, pessoas humildes de meia idade ou idosas já estão com novos hábitos e alguns comem até farinha de linhaça.
Tive problemas com a balança durante anos. Minha mãe conta que, quando bebê, eu tinha me tornado obeso e o pediatra receitou um rigoroso regime. Contudo, a este respeito, apenas posso me recordar de quando mudei para do Rio de Janeiro para Petrópolis (1984) e depois para Juiz de Fora (1985), quando então meu peso aumentou bastante aos oito anos de idade. Daí por diante, fui crescendo com uns quilinhos acima do normal.
Quando tinha 22 anos (1998), decidi que iria emagrecer. Eu já tinha passado dos cem quilos nesta época, estava sem disposição para caminhadas, sentia meu corpo pesado quando algumas atividades, sofria bastante com calor e fiquei apavorado quando me disseram que, em poucas décadas, poderia padecer de impotência sexual e de problemas cardiovasculares. Aí iniciei uma dieta por conta própria e, em menos de um ano, perdi vinte e quatro quilos sem ter precisado cortar muita coisa (apenas segui rigorosamente os horários pra me alimentar). O hemocentro até me impediu de doar sangue quando contei pra médica que tinha emagrecido. Em 1999, quando vim para Nova Friburgo, cheguei a pesar 76 quilos numa época em que, frequentemente, fazia longas caminhadas no meio rural em busca de novas paisagens, lugares diferentes, cachoeiras e topos de montanhas.
Atualmente vivo no meu peso ideal entre 85 e 90 quilos que é compatível com minha altura e idade. Porém, foi quando eu ainda era um jovem gordo que descobri uma excelente receita de pizza. Em 1996, meu avô tinha me dado de presente uma quitinete pra morar na avenida Rio Branco de Juiz de Fora. Ele tinha medo que cozinhando no fogão eu viesse a causar um acidente, então resolveu me dar um forno elétrico. Diariamente eu comia num restaurante ou então na casa dele. Quando ia ao supermercado, fazia a festa colocando no carrinho tudo o que desejava já que naquela época ninguém mais podia impor limites ao meu voraz apetite por doces e biscoitos. Então, quando já estava cansado de comer pizza pronta, resolvi inventar meu própria recheio.
Jamais consegui fazer massa de pizza e acho que a pouca experiência com cozinha não me permitiria isso na época. Mas eu já era fã de comida árabe e de pratos picantes. Aí, quando vi uma reportagem sobre as pizzas italianas cheias de molho de tomate, resolvi botar em prática minhas maluquices culinárias. Com várias tentativas e alguns fracassos, cheguei a minha receita ideal:
- meia lata de molho de tomate despejada diretamente sobre a massa;
- rodelas de cebola a gosto sobre o molho;
- fatias de mussarela cobrindo as cebolas e o molho;
- orégano e azeitonas em cima da mussarela.
Comi outras pizzas de cebola em alguns restaurantes (não é muito comum encontrá-las no comércio). Porém, modéstia à parte, nenhuma receita de pizza de cebola ficou melhor do que a minha. Isto porque o meu segredo está no fato de usar uma boa quantidade de molho de tomate sobre a massa e deixar as rodelas de cebola sendo aquecidas no recheio debaixo da mussarela ao invés de secarem na cobertura.
Quando estive na casa de minha mãe, todos gostaram, exceto minha irmã que recusou comer a cebola. Também ofereci pra alguns irmãos que faziam comigo um curso de discipulado na Igreja Evangélica Maranata e teve gente que aprovou enquanto outros detestaram, obviamente por não gostarem de cebola. Depois do episódio, um dos pastores ficava puxando meu saco e querendo saber quando é que eu iria fazer uma nova pizza daquelas.
Por causa da dieta da esposa e do meu forno a gás que estragou não posso ficar assando pizzas aqui em casa. Porém, semana passada, caímos na tentação de comer uma pizza média marguerita feita na rua (aqui em Nova Friburgo, na Eugênio Müller, há um bom restaurante italiano com preços acessíveis) e acho que valeu a pena. Comemos nossas fatias apressadamente como dois lobos famintos.
Ontem pela manhã, fui num culto só de homens que rolou num sítio na localidade rural de Rosário, no distrito de Banquete, em Bom Jardim. A carne bovina estava uma delícia e desta vez mandei brasa, embora evitando a lingüiça e restringindo o carboidrato apenas à farofa sem colocar o arroz no prato. Pena que não tinha folha verde como alface, rúcula ou agrião. Porém, quando cheguei em casa, tratei de preparar logo um chimarrão que ajudou a limpar o organismo das toxinas.
Ter uma dieta saudável sem dúvida que é excelente pra nossa saúde, mas nem sempre temos que ser tão radicais quando não há orientação médica. E acho que o bom é seguir uma alimentação bastante variada, preferencialmente com frutas, verduras e legumes.
O apocalipse dos telefones públicos

“Mas tente compreender
Morando em São Gonçalo você sabe
como é
Hoje à tarde a ponte engarrafou
e eu fiquei a pé
Tentei ligar para você
O orelhão da minha rua
estava escangalhado
meu cartão tava zerado
mas você crê se quiser...”
(trecho da música “São Gonçalo” de Seu Jorge)
Mesmo que na letra acima citada o compositor estivesse dando uma desculpa para um possível desencontro com sua mulher amada, o péssimo estado no qual se encontra a rede de telefonia pública no Brasil é um fato inegável.
Nesta última quinta-feira (09/09/2010), eu estava aguardando o embarque de meu ônibus na Rodoviária Novo Rio, na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, quando me deparei com a insuficiência e a má distribuição de telefones públicos no local. No segundo andar do prédio, onde havia adquirido o meu bilhete de passagem, não havia sequer um aparelho telefônico, muito embora se tratasse de um lugar bem amplo por onde passam milhares de pessoas nas vésperas e finais de feriados. Observei então uma placa informando a existência de orelhões nas duas entradas do primeiro andar, os quais, com exceção do setor de embarque de acesso restrito, estavam todos concentrados em dois pontos específicos daquele terminal.
Muito triste esta situação, mas a verdade é que de agora em diante os telefones públicos correm o sério risco de sumir nas nossas cidades já que para a economia a telefonia fixa no Brasil deu o que tinha que dar.
Embora a ligação entre telefones fixos seja bem mais barata do que as chamadas feitas através de aparelhos celulares, o certo é que o mercado está se utilizando cada vez mais da telefonia móvel por vários motivos: praticidade, promoções de bônus em ligações locais entre números da mesma operadora, possibilidades do trocas de mensagens de texto (os “torpedos”), ofertas de modelos de aparelhos super modernos com câmeras, transmissão dos programas de TV, armazenagem de músicas, além do crédito facilitado para parcelar a compra dos telefones nas lojas, as diversas maneiras para se efetuar recargas à distância (no caso dos pré-pagos), os meios de verificar uma chamada perdida para retorná-la posteriormente, o acesso à internet cada vez mais em conta, etc.
Em termos de praticidade, devemos lembrar que o usuário da telefonia móvel não precisa sair mais correndo atrás de um orelhão em bom estado de conservação para telefonar e muito menos inserir um cartão no aparelho, o qual, por algum defeito, pode retê-lo ou não reconhecê-lo. Então, com um celular na mão, basta a pessoa ligar para o número de destino e falar. Ou, se estiver sem crédito, o consumidor dá o seu jeitinho de fazer uma chamada a cobrar, desligar em seguida e aguardar um possível retorno do destinatário.
Outra questão a ser observada é que o celular tornou-se mais adequado às pessoas de condição humilde do que o telefone fixo. Pois, escolhendo pelo plano pré-pago, o consumidor se livra de ter que adimplir uma conta mensal e carrega quando puder ou quiser enquanto o seu serviço se mantém ativo por alguns meses. São os celulares apelidados de “pai de santo” porque só recebem ligações...
Além do mais, tenho observado que algumas empresas já estão prestando atendimento via celular já que, na atualidade, muita gente se tornou consumidora da telefonia móvel e faz uso constante das promoções com direito a bônus em ligações entre aparelhos da mesma operadora que façam parte do mesmo código de área de onde é originada a chamada. Logo, não vai demorar muito e teremos funcionários sendo treinados para fazer o serviço de telemarketing através do sistema SMS de modo que o nome desta especialidade da profissão poderá se chamar atendente de “torpedo-marketing”.
Acompanhando as inovações tecnológicas, os portadores de deficiência auditiva e da fala dão preferência aos telefones móveis. Isto porque para este grupo de pessoas com necessidades especiais é muito mais fácil se comunicar utilizando os tais dos torpedos do que recorrer ao uso de um telefone adaptado e contar com o auxílio de uma telefonista para intermediar a conversa. Sem falar que é dificílimo achar um orelhão adaptado. Aqui na minha cidade, por exemplo, a Telemar só instalou o primeiro telefone público para surdos por volta de 2003 no centro de apoio ao turismo da Prefeitura. Porém, segundo me contou uma servidora municipal que lá trabalha, raramente o telefone é utilizado pelo público específico ao qual se destina.
Contudo, tudo isso me preocupa. Sem consciência, o povo brasileiro está trocando um meio de comunicação tradicional inventado pelo italiano Antonio Santi Giuseppe Meucc¹ para depender de algo que é muito mais caro pois, basta compararmos os valores cobrados a título de tarifa pelo minuto na ligação do telefone fixo com os altos preços praticados pela telefonia móvel, que verificaremos a diferença entre ambos os serviços. Além do mais, o consumidor pode se tornar vítima da instabilidade das promoções. Isto porque nenhuma operadora é obrigada a fornecer indefinidamente uma elevada bonificação pelas recargas de seus clientes já que se trata de uma liberalidade unilateralmente concedida pelas regras que a própria empresa estipula de maneira livre, o que limita obviamente o poder de fiscalização da ANATEL tornando eventuais controvérsias assunto de PROCON.
Por outro lado, tenho aprendido que, quando uma tecnologia chega, ela vem para ficar até que seja substituída por outra capaz de atender melhor às necessidades do mercado (depois da descoberta do fogo a humanidade nunca mais foi a mesma). Assim, se os celulares, mesmo sendo mais caros mostram-se mais práticos do que os telefones fixos e os insalubres orelhões que vivem dando defeito, por que os consumidores tornariam aos hábitos do passado?
Pois bem. Se é inevitável a migração dos consumidores para a telefonia móvel, o que o governo pode fazer? Recriar a Telebrás e estatizar novamente as empresas de telefonia fixa para livrar as costas dos grandes grupos econômicos de um elefante branco sob o manto de uma ideologia do chavismo-petista?
Sinceramente, não me parece que a interferência estatal na telefonia fixa seja o melhor caminho porque, assim como foi em décadas anteriores, quando houve a privatização de outros setores da economia brasileira, não poderá o Estado ficar sempre com a parte ruim, dividindo os prejuízos com toda a sociedade enquanto deixa o particular sempre com o filé mais macio. Lembro que, nos anos 90, o governo Fernando Henrique Cardoso chegava a arcar até com as dívidas das empresas estatais e as entregava saneadas num estado bem atraente para os compradores. E pouca gente sabe que o verdadeiro motivo para a expansão das linhas de telefonia fixa não foram as privatizações, mas sim o domínio de uma incrível tecnologia pelos engenheiros brasileiros da Telebrás – a fibra ótica.
Ora, desde a primeira década deste século XXI, o PT já estava sabendo que a telefonia fixa tende a uma inevitável obsolescência e que dependerá do apoio do Estado para ter uma sobrevida. Logo, a recriação da Telebrás parece ser uma maneira do governo readquirir das prestadoras de telefonia fixa um negócio que, provavelmente, não dará tantos lucros daqui pra frente. Ou seja, operando a Telebrás no mercado, basta que a estatal comece a oferecer vergonhosas propostas de compra das empresas concessionárias dos serviços de telefonia fixa, sem nenhuma de encampação conforme fez Leonel Brizola quando governou o Rio Grande do Sul, ou de rescisão contratual por iniciativa do empresário.
Bom, mas se futuramente a tendência será nos despedirmos dos orelhões e mais tarde da telefonia fixa, então o que deveria ser feito pelo governo para que o uso dos celulares se torne mais satisfatório para a população em geral?
Como um mero cidadão, visto que também sou consumidor desses serviços de telefonia, considero o alto preço da ligação celular um sério obstáculo para a acessibilidade do serviço móvel. Deste modo, em face do inegável interesse coletivo, o próximo governo que assumir o país deve buscar, através dos mecanismos de regulação, rever os conceitos dessa atividade, incluindo sempre as novidades tecnológicas indispensáveis à comunicação, bem como estabelecer nova política tarifária, rediscutir os encargos do concessionário e exigir mais transparência na execução do serviço, o qual deve ser prestado de um modo mais adequado e eficiente. Então, mesmo que haja uma alteração no equilíbrio do contrato celebrado entre o Estado e o empresário, é preciso que o próximo presidente (ou presidenta) busque todas as alternativas a seu dispor afim de contemplar o importantíssimo princípio da modicidade das tarifas.
Agindo desse modo, talvez possamos nos despedir dos velhos orelhões com a consciência em paz.
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1. Embora Alexander Graham Bell ainda seja considerado por muitos como o criador do telefone, eis que, em 2002, fez-se justiça histórica a Antonio Meucci.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Posicionamento de um pastor de Curitiba sobre as eleições
Posso não concordar com tudo o que esse pastor diz ou com o vídeo que ele exibiu em sua congregação, mas acho que vale a pena ouvir sua mensagem e refletirmos com nossas próprias consciências.
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