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sábado, 14 de setembro de 2024

Que venha a Primavera e chegue logo outubro!



Por ser calorento e morar numa região quente do litoral há 12 anos, raríssimas vezes desejei ver o fim do inverno. Porém, toda regra tem a sua exceção...

Em nosso país, em que são poucos os lugares onde possa esporadicamente nevar, pode-se dizer que a maior adversidade da natureza não seria a água em seu estado sólido e sim o fogo. E, em muitos locais, os incêndios vão consumindo a natureza perto de si e tornam o ar até pesado de se respirar.

Cá no litoral fluminense, entretanto, as chuvas tropicais sempre amenizaram tanto o frio quanto a secura. Pois, se no Centro-Oeste (e mesmo em muitas regiões do Sudeste) as pessoas ficam até meses seguidos sem a chuva, aqui ela cai com maior frequência, mesmo numa proporção menor, conforme a época.

Pois bem. O inverno de 2024 está sendo extremo até para nós, no sentido brasileiro de ser. Além da escassez de água que enfrentamos em Mangaratiba, agora o Município está sendo devorado pelo fogo como nunca antes eu vi (ou não me recordo de ter visto).

Segundo vem sendo noticiado e tenho observado, os incêndios não apenas atingiram a parte serrana do nosso território, onde ficam as matas e as nascentes d'água, como também as ilhas, mais precisamente a de Jaguanum.

A Serra do Piloto é de onde vem o Rio do Saco, principal fonte de abastecimento da cidade, embora não abasteça o meu distrito de Muriqui que possui suas próprias fontes. Na região, temos também o Parque Estadual do Cunhambebe e o histórico quilombo das fazendas de Santa Justina e de Santa Izabel, em que ambos foram impactados.

Em relação a Jaguanum, não temos lá nenhuma nascente expressiva de água. Para apagar o fogo, só usando a água do mar e as casas das famílias de pescadores estão espremidas entre a praia e uma floresta em chamas.



Além desses lugares, há outros focos de queimadas no Município e um deles foi justamente perto da cidade, no Parque Municipal da Pedra do Urubu, o que abrange as localidades de Ibicuí, Bela Vista e Junqueira, todas no 1° Distrito.

Segundo a meteorologia, essa condição de tempo seco e quente, com temperaturas atípicas capazes de alcançar os 40°C durante a tarde, poderá continuar até o fim de setembro. Ou seja, ainda vamos entrar na Primavera com essa adversidade, enquanto, em outros anos, as chuvas já estariam vindo com alguma regularidade.

Obviamente que as mudanças climáticas explicam o que anda acontecendo aqui e no mundo. Só um negacionista estúpido, um possível eleitor de políticos como Trump e Bolsonaro, é que pode querer normalizar uma realidade tão devastadora. 

Em breve essa onda deve passar e não sabemos qual será a próxima instabilidade que enfrentaremos. Talvez serão as chuvas fortes de verão que causam perigosas enchentes com deslizamentos de terra, porém temo que as pessoas tornarão a se alienar preferindo se ocupar com as fofocas do WhatsApp, os jogos do campeonato de futebol e as pregações pseudo-religiosas dos "evangelistas da prosperidade", ou que conformam seus fiéis com a ideia de estarmos vivendo perto do fim do mundo sem que nada possa ser feito.

Com todo respeito às crenças de cada um, jamais o ser humano pode buscar motivos religiosos para justificar a sua omissão quanto às urgentes questões ambientais. Mesmo quando se acredita numa literal volta de Jesus que vá arrebatar os crentes para viverem depois numa nova Terra depois do fogo destruir esta obra prima do Universo, o que não é unanimidade na teologia cristã, ainda assim o restaria ao homem o seu dever de mordomia quanto ao planeta concedido pelo Criador para cuidarmos da natureza com racionalidade.

Que venha logo a Primavera trazendo não só as chuvas como também lucidez e consciência para as nossas mentes. Afinal, chegou a hora de despertarmos de tanta ignorância, imediatismo e acomodação em que os interesses de uma minoria privilegiada jamais pode se sobrepor aos demais ou à natureza.



Ótimo sábado, pessoal, apesar da crise climática!


OBS: Primeira e terceira imagens referem-se a fotos que circulam nas redes sociais enquanto a segunda foi divulgadas pela TV Jaguanum.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Estão destruindo a natureza no litoral sul fluminense!

Durante as férias que passei em Mangaratiba (mais precisamente em Muriqui), entre o final de dezembro e o começo de janeiro, pude constatar a supressão da vegetação nativa por causa da insaciável expansão imobiliária.

Desde criança, eu já frequentava Muriqui passando temporadas de verão na casa de minha avó paterna na Rua Primeiro de Maio. Nosso meio de transporte eram os ônibus paradores da viação Eval hoje conhecida como Costa Verde. A viagem durava mais de duas horas e o motorista, depois de deixar Santa Cruz, entrava em Itaguaí, em seguida na vila de Itacuruçá e, finalmente, em Muriqui, quando então desembarcávamos e o coletivo continuava o itinerário até a sede do município.

Lembro que, naqueles anos de minha infância, os morros da Rio-Santos (BR-101) eram todos plantados por extensos bananais. E, na Baixada Fluminense, havia uma maior produção agrícola que dava aos sertões do Rio de Janeiro um cenário ainda rural. E, por sua vez, Muriqui era bem menor em termos de edificações, sendo que a maioria de suas ruas nem estavam pavimentadas (cheguei a pegar a Primeiro de Maio ainda de terra). Isto sem falar nos constantes apagões elétricos que ocorriam na localidade.

Desta vez, pude observar Muriqui por vários ângulos durante as minhas caminhadas feitas pelo município de Mangaratiba. Além da vista panorâmica que se tem ainda na rodovia e logo na entrada da vila do distrito, pude subir até um ponto bem alto situado numa serra, próximo a uma trilha que segue para um lugarejo rural chamado Rubião. Dali, numa altitude superior aos 500 metros, observei o quanto Muriqui expandiu-se. Tanto para os lados, avançando sobre a Serra do Mar e sobre a Mata Atlântica, quanto para cima, através de edifícios com três andares ou mais, provocando a poluição visual. Isto sem contar que até no outro lado da Rio-Santos e na estrada velha que vai pra Itacuruçá já existem construções.

Numa quinta-feira (05/01), caminhei de Muriqui até Coroa Grande, tendo antes entrado em Itacuruçá e passado pela estrada velha. Ali, ainda no início dos anos 90, eu costumava descer de bicicleta, beneficiando-me do baixíssimo tráfego de veículos automotores e da belíssima paisagem do litoral. Porém, desta vez, boa parte do trajeto já estava tomado por casas, ocupando terrenos até íngremes e limitando a vista da baía de Sepetiba.

Chegando a Itacuruçá naquele dia, tive outra surpresa desagradável. Depois de um clube de iatistas, deparei-me com um enorme empreendimento imobiliário restringindo o acesso de pessoas à praia. Uma linda área que deveria ser de manguezais está sendo ocupada por casas e apartamentos de veraneio, unidades habitacionais que passam a maior parte do ano vazias impermeabilizando o solo. E o nome de uma das empresas que está investindo ali é a tradicional construtora João Fortes Engenharia em que um de seus proprietários já foi deputado e ministro...

Terminei aquela caminhada andando pela linha do trem indo de Itacuruçá até Coroa Grande, lugar pertencente ao município de Itaguaí. Percorri um pequeno trecho de manguezal que separam as duas localidades, concluindo que se trata de mais uma área ameaçada pela ganância humana. Inclusive porque novos loteamentos estão surgindo em Coroa Grande, o que parece ter total apoio da Prefeitura de Itaguaí.

Descansando em Coroa Grande, pude ver o estrago que está sendo feito na Ilha da Madeira por causa dos empreendimentos do Sr. Eike Batista para a construção de um grande projeto portuário. Propriedades que antes valiam cerca de R$ 50.000,00 foram compradas por milhões pelo poderoso bilionário. E, com isto, tanto a vegetação quanto a topografia da ilha vêm sendo irreversivelmente destruídas.

Lamentavelmente, nem as autoridades municipais de Mangaratiba e nem as de Itaguaí estão cuidando adequadamente do meio ambiente. Na prática, os prefeitos agem como aliados da especulação imobiliária. Não só porque muitas vezes eles pretendem aumentar a arrecadação do IPTU mas também porque, como bem sabemos, sempre existem pessoas próximas da Administração Pública com grandes interesses econômicos em vista. Isto quando elas mesmas não estão lá dentro da máquina governamental beneficiando-se duplamente com os cargos de confiança.

Durante a caminhada que fiz na região serrana de Mangaratiba, em 04/01, encontrei uns homens a serviço da PETROBRÁS construindo ou fazendo a manutenção do trajeto dos dutos que vão de Angra dos Reis até Duque de Caxias. Ora, tal investimento certamente deve ter mobilizado prefeituras, ONGs e maus políticos que adotam falsamente o discurso ambientalista afim de arrancarem compensações financeiras dos empreendedores.

Nestas horas, é evidente que qualquer prefeito finge estar preocupado com a natureza como se fosse um ecologista. Não que ele queira realmente proteger o meio ambiente, mas sim tirar o máximo de vantagens financeiras afim de investir o dinheiro do empreendedor em coisas que nada têm a ver com a reparação ambiental. E, nestas ocasiões, a grana vai mesmo é pra pagar obras com super faturamento ou que tragam um retorno eleitoral nos anos pares.

Confesso que assistir a tudo isso é muito entristecedor. Pois eu gostaria que uma região tão bonita fosse melhor preservada para as gerações do presente e do futuro.

Todas as matas do litoral sul fluminense e do norte paulista não foram recuperadas à toa pelos governos militares de Ernesto Geisel e de João Batista Figueiredo. Acompanhando o projeto megalomaníaco de construir uma usina atômica em Angra dos Reis, os milicos pensaram na reconstituição das florestas afim de amortecerem os impactos na hipótese de um acidente nuclear, protegendo desta maneira as duas maiores metrópoles brasileiras.

Pois bem. Há quem duvide dessa tese da época dos militares de que hoje com três usinas atômicas as florestas não impediriam um desastre de grandes proporções como este que houve em março ano passado no Japão devido ao terremoto. Mas eu tenho pra mim de que, se houver uma situação dessas, no mínimo o abastecimento de água do Rio de Janeiro e de São Paulo seriam prejudicados pela poluição radioativa. Aí, se as matas estiverem preservadas, penso que ficamos menos vulneráveis, o que deve continuar sendo um forte argumento para que haja uma radical conservação da natureza nesta região de Mangaratiba, Angra dos Reis, Paraty, Ubatuba, Caraguatatuba e outros municípios próximos.


OBS: A primeira imagem ilustrativa foi extraída da página da Prefeitura de Mangaratiba. Já a segunda encontra-se na Wikipédia e sua autoria é atribuída a Rcandre com permissão para divulgar. Em relação à terceira foto, eu a pesquisei na página da Eletronuclear http://www.eletronuclear.gov.br/AEmpresa/CentralNuclear/Angra3.aspx

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Petição contra a hidrelétrica de Belo Monte

A sociedade brasileira deveria participar mais desta luta e se opor à construção da usina de Belo Monte e outras que devem surgir na Amazônia nos próximos anos. Chega de jogar fora o dinheiro público! Vamos investir em energias alternativas que é o que o país tanto precisa. Por isto, estou divulgando este vídeo do Movimento Gota D'água muito bem elaborado pelos artistas das telenovelas e incentivando as pessoas a participarem assinando esta petição eletrônica: http://www.movimentogotadagua.com.br/assinatura