Meu pé de amora, que há mais de uma década me acompanha em minha atual morada em Muriqui, está cheio de folhas e começando a florir novamente, apesar de ainda faltarem cerca de quatro semanas para o início da primavera.
Plantei você pouco depois de ter me mudado para a Costa Verde, em 2012, ocupando a casa construída pelos meus saudosos avós paternos. Aqui, por quase seis anos, moramos eu, Núbia, minha recém falecida sogra Nelma e minha cunhada Sandra, além dos saudosos Tigrão, Sofia e Frajola. Há cerca de oito anos, porém, ficamos apenas eu e a esposa, acompanhados dos gatos que chegaram nesta década.
Você não nasceu de uma semente. Alguém trouxe para cá um galho da sua mãe, colocou-o na terra e ele pegou. Foi crescendo com a ajuda das generosas chuvas da Costa Verde e, há cerca de dez anos, você já nos presenteava com seus primeiros frutos.
Nem sei quantas vezes precisei te podar. Seus galhos não raramente ultrapassaram as telhas e já entupiram a calha. Normal. Você não tem culpa. E, se eu não cuidar de você direitinho, sei que pode acabar tombando, como aconteceu certa vez, quando estava quase “caindo” para a rua.
Ainda assim, sou muito grato. Não apenas pelos deliciosos frutos, mas também pela sombra agradável diante da sala, que ajuda a temperar os dias abrasadores do verão litorâneo. E talvez aproveitemos muito pouco tudo o que você nos oferece pois até o chá de suas folhas raramente é feito por aqui.
Hoje você divide o terreno com muitas outras plantas: uma embaúba, um noni, hibiscos, lírios e tantos outros vegetais que foram encontrando seu espaço ao longo dos anos. A espinhenta ora-pro-nóbis, então, adora se enrolar em seu caule, e preciso ficar atento para que não suba demais.
Se um dia eu não estiver mais morando aqui, sentirei muito a sua falta.
Nem sempre sabemos reconhecer plenamente as pessoas, os lugares e os seres que compartilham conosco o presente. Muitas vezes, isso só acontece depois que percebemos o tamanho do significado que tiveram em nossa história.
Mas existe algo bonito nisso tudo. Como você pega de galho, talvez eu possa levar um pedaço seu comigo e vê-lo renascer em outro lugar, desde que haja terra e espaço suficientes.
Só não sei se vou querer novamente uma casa com um terreno tão grande, porque dá trabalho. E, para onde eu me mudar no futuro, gostaria que fosse minha última residência: um lugar onde eu e Núbia possamos viver bem até ficarmos bem velhinhos, com acesso mais fácil aos serviços de saúde, ao comércio e às necessidades da vida cotidiana.
Por enquanto, sigo vivendo um dia de cada vez e pedindo a Deus Pai — ou à Mãe Natureza — que me ensine a compreender o meu tempo e a conduzir a vida com significado e propósito.
Obrigado por todos esses anos, minha doce amoreira. 🌿❤️
Um domingão abençoado a tod@s!












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