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sábado, 28 de dezembro de 2013

A privatização das rodovias e o esquecido cicloturismo




Recentemente, mais uma rodovia federal foi leiloada. Trata-se da maior parte BR-040 (cerca de quase 940 quilômetros), a qual liga o Rio de Janeiro a Brasília atravessando Minas Gerais. Desta vez, foi o grupo Invepar quem venceu a concorrência sendo certo que o trecho que vai do Rio até Juiz de Fora (MG) já é administrado pela iniciativa privada desde a década de 1990, através da concessionária Concer.

Atendendo às exigências estabelecidas pelo governo, estão previstos investimentos na ordem de R$ 1,64 bilhão pela duplicação de 714,5 quilômetros de estrada da cidade de Luziânia (GO) a Paraopeba (MG); do entroncamento com a BR-365 (trevo Ouro Preto) até Barbacena (MG); e de Oliveira Fortes (MG) a Juiz de Fora. O edital determina que a duplicação desses trechos deverá estar concluída nos primeiros cinco anos da concessão. Entretanto, há outras obrigações da empresa para os primeiros cinco anos como a de implantar 59 interseções, 41 passarelas, 56 melhorias em acesso e 148,2 quilômetros de vias marginais em travessias urbanas. Nos 30 anos de concessão, o investimento será de R$ 7,2 bilhões.

Sinceramente, não sou contra que as rodovias sejam entregues à iniciativa privada desde que possamos usufruir de serviços de qualidade que proporcionem mobilidade, conforto e segurança aos usuários. Tendo em vista que uma expressiva parcela da produção agrícola e industrial do país é transportada por meio de caminhões nas rodovias, toda a nossa economia tende a ganhar com as melhorias previstas. Lembremos, por exemplo, de quem faz comércio exterior e depende do transporte terrestre para exportar/importar.

No entanto, faço uma crítica quanto ao fato do governo não ter incluído neste e em outros editais de privatização das estradas a construção de uma faixa cicloviária, o que considero fundamental para alavancarmos o turismo neste nosso Brasil. Trata-se, pois, de considerarmos uma tendência cada vez mais crescente no continente europeu onde os governos dos países membros da UE têm desenvolvido vários trajetos ciclísticas por lá.

Assim, a ciclovia Paneuropa tomou isso como exemplo e ligou diversos caminhos ciclísticos a uma rota de Paris até Praga. Ao todo são 661 quilômetros! Quem já viajou pra Alemanha sabe como o país de Angela Merkel é bem desenvolvido no que diz respeito ao transporte alternativo, fontes renováveis de energia e preservação do meio ambiente. E, se pararmos para refletir, a América do Sul pode e deve seguir esta mesma tendência, sendo certo que o nosso potencial de exploração turística é enorme. Logo, nessa onda de de investimentos em rodovias, pode-se muito bem adotar uma nova visão de Brasil.


OBS: Imagem extraída do site da Agência Brasil de Notícias em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-15/dilma-nega-que-plano-de-concessao-de-rodovias-e-ferrovias-seja-privatizacao

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O que Jesus disse e ainda não conhecemos?




Na fase conclusiva sobre o estudo que fiz neste ano de 2013 sobre o Evangelho de Lucas, deparei-me com alguns questionamentos na internet acerca do período de 40 dias em que Jesus teria permanecido com seus discípulos transmitindo-lhes supostos ensinamentos não divulgados pelos textos canônicos. Embora o referenciado livro bíblico não dê nenhuma indicação de tempo, sabemos pela leitura de Atos dos Apóstolos, uma continuação do 3º Evangelho, que, até o momento de sua ascensão, nosso Senhor havia dado "mandamentos por intermédio do Espírito Santo". E isto realmente abre espaço para várias indagações. Principalmente quando, na literatura não oficial (tida por "apócrifa" pela ortodoxia cristã), encontramos referências a uma suposta "doutrina secreta" do Mestre.

De acordo com algumas histórias, Jesus teria estado com seus seguidores por dezoito meses (Adversus Haereses I 3:2) enquanto que, em outras, o tempo total das aparições do Cristo ressurreto duraram quinhentos e quarenta e cinco dias (Ascensão de Isaías 9:16). Já o Pistis Sophia, um livro "gnóstico" combatido pelo apologeta Irineu de Lyon no mencionado Adversus Haereges (literalmente Contra Heresias), informa que esse espaço de tempo foi de longos doze anos, cerca de quatro vezes o ministério terreno do Senhor na Palestina. E, neste contexto, há quem acredite ser as sentenças do Evangelho de Tomé a reunião dessas "últimas palavras" do Salvador.

Seja como for, o certo é que há inúmeras especulações acerca desses ensinamentos "misteriosos" em que hoje pesquisadores científicos e amadores esforçam-se por restaurar a partir de fontes encontradas/recuperadas pela Arqueologia. O fato do catolicismo que se oficializou em Roma no século IV ter destruído inúmeras obras reputadas como "heréticas" tem levado muitos nessas últimas décadas a alimentarem a crença de que, procedendo assim, aproximarão do que teria sido o cristianismo primitivo ainda mitologizado como um modelo perfeito de Igreja.

Considerando a decepção que há hoje em dia com o meio religioso, tanto entre evangélicos como no catolicismo, com sacerdotes acusados de corrupção e de pedofilia, consigo compreender melhor o porquê dessa busca por um outro cristianismo. Contudo, fico a indagar se o aprendizado de um novo conteúdo informativo fará uma diferença substancial para a humanidade. Questiono se muitos não estariam querendo fazer dos livros redescobertos pela Arqueologia uma espécie de "pílula" para resolverem essa necessidade de orientação/conhecimento espiritual quando, na verdade, podemos encontrar Deus dentro de nós mesmos e sermos guiados pelo seu Espírito Santo.

Não pretendo de modo algum desestimular as pesquisas arqueológicas, históricas e teológicas sobre o outro cristianismo que de fato existiu nos primeiros séculos da nossa era e foi tão perseguido pelos católicos antigos. Muito pelo contrário! A ampliação da nossa enciclopédia sempre haverá de ser algo proveitoso para os mais diversos fins e a e a humanidade tem o seu direito de saber. Paulo mesmo orientou os tessalonicenses que examinassem tudo retendo o que fosse bom (1Ts 5:21). Somente não concordo que a mera leitura de qualquer escrito, por si só, promoverá uma experiência transformadora. E digo isto até mesmo em relação à Bíblia que considero a minha bússola da qual não me desfaço por mais que a ciência avance e várias concepções filosóficas modernas tenham surgido. As Escrituras Sagradas continuam sendo minha companheira de todas as horas e que não deixo aberta num dos Salmos pegando poeira na estante, mas consulto frequentemente.

Voltando a Lucas, consta no verso 45 do capítulo 24 que Jesus abriu o entendimento dos discípulos para que eles compreendessem as Escrituras. E, deste modo, falando numa linguagem popular, penso que a experiência da ressurreição fez "cair a ficha" no coração deles. Os ensinamentos transmitidos durante a vida terrena do Mestre, nem sempre bem compreendidos, começaram então a fazer sentido juntamente com uma nova maneira progressista de interpretação da Bíblia. Lembremos também da palavras dos anjos ditas às mulheres quando foram ao sepulcro levar aromas (Lc 24:5-9) e dos dois discípulos de Emaús (24:30-31). Foi o que tratei nas penúltimas postagens e que se referem ao capítulo final do 3º Evangelho.

Respondendo à pergunta formulada no título deste artigo, eu diria que há ainda muita coisa que hoje precisamos conhecer para darmos um salto de qualidade na nossa caminhada espiritual. Falo em conhecer não apenas com a mente, mas num sentido espiritualmente mais íntimo. Pois não basta alguém simplesmente decorar um conteúdo ou entendê-lo pelas razões da lógica. Deve-se buscar uma experiência com a Palavra da mesma maneira que um homem só conhece a sua esposa quando se relaciona com ela na privacidade matrimonial dentro de um contexto verdadeiramente amoroso.

Sendo assim, precisamos aprender mais sobre o amor fraternal através da prática de atos condizentes com este princípio basilar que rege toda a Lei de Deus e sua aplicação.

Precisamos desenvolver um profundo sentimento de respeito pela Vida que há em nós, no nosso semelhante e também nos seres das outras espécies, pois só assim estaremos verdadeiramente reverenciando o grande Arquiteto do Universo.

Precisamos entender que somos todos iguais em direitos e, portanto, devemos saber partilhar o nosso excedente com quem tenha falta de alguma coisa.

Precismos tomar a consciência de que todos cometemos erros de modo que não podemos ser tão intolerantes, arrogantes e julgadores quanto às falhas dos outros.

Precisamos enfrentar com fé os desafios que se apresentam no nosso cotidiano ao invés de alimentarmos dentro de nós o medo, a inútil ansiedade e a paralisia espiritual que é a falta de esperança.

Precisamos sentir fome e se de justiça, esforçando-nos coletivamente para construir um mundo melhor para a nossa geração e dos nossos descendentes mesmo que não venhamos a ter filhos biológicos.

Precisamos ter a simplicidade de uma criança arrancando de dentro todo o orgulho que nos mata interiormente e impede que contemplemos as coisas do Reino de Deus.

Precisamos não abandonar a vigilância e nem a rotina oracional afim de estarmos sempre prontos para uma boa obra e olhando para os acontecimentos em nossa volta na perspectiva do Cristo, sendo certo que o nosso Jesus sempre buscou cumprir fielmente a vontade do Pai.

Tudo isso e muito mais encontra-se suficientemente documentado nas palavras atribuídas ao Mestre Jesus, o qual, por sua vez, soube dar um adequado significado à Lei de Moisés e aos Profetas numa sensível conexão com o tempo. E, se formos competentes em assimilar a essência dos ensinamentos que ele nos deixou (não basta apenas alguém memorizar), promoveremos uma diferença transformadora neste planeta gestificando a Mensagem pelas ações realizadas.

Que o Espírito de Deus nos ilumine!


OBS: A ilustração acima trata-se de um manuscrito do Evangelho de Lucas datado do século III. Encontra-se na Chester Beatty Library, Dublin, Irlanda. Extraí a foto do acervo virtual da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:P._Chester_Beatty_I,_folio_13-14,_recto.jpg

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pessoas que ficam deprimidas no Natal




Não pretendia escrever mais nada no blogue até passar o Natal, mas senti no coração o desejo de postar um novo texto aqui. Isto porque tenho encontrado pessoas deprimidas na atual época do ano, o que muito chamou a minha atenção por estes últimos dias.

Por que num período festivo desses alguém se sente tão mal a ponto de, por exemplo, trancar-se num quarto ou afogar a cara num copo de bebida alcoólica? Qual a razão do Natal ser uma data tão difícil para alguns e, ao mesmo tempo, uma celebração maravilhosa para outros?

Pessoas que são muito alegres, ou mais ligadas à religião, como é o meu caso, costumam se chocar quando se deparam com casos assim e, por isso, têm dificuldades para compreender a dor do outro. Recordo que, quando ainda morava na cidade serrana de Nova Friburgo, no centro-norte do estado do Rio de Janeiro, estranhava o fato de muitos jovens passarem o resto da madrugada do dia 25 num evento secular chamado Rock Noel. Tão logo terminavam a ceia natalina, eles se dirigiam para a tal balada que, durante anos seguidos, foi realizada no tradicional Nova Friburgo Country Clube.

Contudo, os encontros do Natal, quase sempre estabelecidos pela moral social, expõem a falência dos relacionamentos em muitas famílias da nossa sociedade. O momento faz com que, ao rever o parente, alguns acabem se recordando de traumas passados em relação a pai, mãe, irmãos, avós, tios, padrasto e madrasta, bem como os sogros e cunhados. Então, inconscientemente, há quem busque na droga da bebida um tipo de anestesia para suportar o momento sendo que, não raramente, a convivência indesejada acaba resultando em brigas violentas e boletins de ocorrência policial. E, neste sentido, os que trocam o lar por uma noitada na boate estariam encontrando um meio de escaparem do assédio provocado pelo familiar que nem sempre sabe conviver respeitando as escolhas e o modo de ser do outro.

Quem sou eu para julgar e condenar meu próximo?! Prefiro procurar entender do que jogar pedra. Mas da mesma maneira como existe gente que se sente mal por estar em família, outros se deprimem porque já não possuem mais a companhia dos seus parentes que partiram. É o que costumo verificar entre os mais idosos de modo que o Natal faz com que velhinhos solitários se lembrem do antigo mundo que tinham num período passado. Mostram assim certa dificuldade em lidar com o perecimento formal das coisas e em se fixarem no que é eterno.

Finalmente, resta considerar os que gastam quantias bem elevadas para o padrão econômico que têm e acabam ficando frustrados bem como endividados. Deixam-se levar pelo comportamento consumista perdulário e a aquisição de bens acaba não proporcionando a felicidade que tanto desejam achar. Esquecem, porém, de procurar dentro de si, em suas consciências, pois é muito mais cômodo qualquer um se iludir achando que a fonte de águas vivas esteja no carro novo ou na TV de plasma com alta resolução.

Creio, meus amigos, que as pessoas estão se esquecendo facilmente do verdadeiro sentido do Natal que está em Jesus Cristo. Lendo a Bíblia, verificamos que a vinda do Salvador ao mundo foi motivo de grande alegria e de louvor a Deus. Quando os pastores receberam o anúncio do anjo do Senhor, este assim proclamou:

"Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2:10-11; ARA)

Também o coro celestial entoou esta bênção no verso 14 do mesmo capítulo 2º de Lucas:

"Glória a Deus nas maiores alturas,
e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem."

Quando colocamos Cristo nas nossas vidas, podemos encarar as festividades do Natal e todos os demais momentos numa outra perspectiva. Com Cristo, passamos a perdoar e também reeditar as memórias ruins lidando melhor com o passado. O outro já não é mais visto como o nosso adversário e, sim, como um ser humano carente de Deus. Uma ovelha que, como nós, está buscando chegar ao aprisco do qual se perdera. Então, se vamos a uma celebração natalina na casa de alguém, fazemos isso como uma tarefa missionária. O foco passa a ser alcançar vidas e não a nossa própria curtição.

Igualmente a ausência física das pessoas queridas já não é mais fonte de tristezas porque passamos a enxergar a existência pelo ângulo multidimensional da eternidade. Podemos amadurecer, enterrar nossos pais, envelhecer e sofrer uma perda tipo a partida prematura de um filho ou do cônjuge amado. Só que nada disso deve ser motivo de infelicidade pois a realização plena de cada um de nós encontra-se em nosso Criador. É o que aprendemos com Cristo que soube fazer de Deus o seu Pai.

Embora já tenha desejado a todos os leitores meus votos de feliz Natal, quando concluí na data de ontem o meu estudo bíblico sobre o Evangelho de Lucas escrevendo sobre a ascensão de Jesus, reitero agora o desejo já expresso no final da postagem anterior. Acrescento um forte abraço a todos vocês e que tenham momentos de muita paz, muita luz e experimentem o amor de Deus.


OBS: Foto extraída de uma página do jornal Tribuna do Norte com atribuição de autoria a Alex Régis conforme consta em http://tribunadonorte.com.br/noticia/christmas-blues-a-depressao-natalina/206998

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Com Jesus Cristo para sempre!



"Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu. Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando [e bendizendo] a Deus. [Amém]" (Evangelho de Lucas, capítulo 24, versículos de 50 a 53; versão e tradução ARA)

Por coincidência ou não, estou concluindo esse estudo bíblico sobre o Evangelho de Lucas justamente na época do Natal. Num momento em que se convencionou comemorar a chegada do Salvador ao mundo, venho falar justamente de suas ascensão entendida por muitos como a partida de Cristo para o Pai.

Logo que me tornei um leitor da Bíblia, aos dez anos de idade (1986), sentia uma certa tristeza quando, num estudo sequencial, alcançava esta parte dos evangelhos em que Jesus, aparentemente, separa-se de seus seguidores. Nem toda a brutalidade da crucificação era capaz de causar uma emoção tão nostálgica pois tinha a consciência de que o Senhor ressuscitou e ainda passou um tempinho de quarenta dias instruindo os seus discípulos (At 1:3). Porém, como a companheira leitura do livro terminava com a ascensão, batia logo uma tremenda saudade do seu principal personagem. Pra mim, era como seu eu houvesse caminhado junto com ele, viajado de barco pelo Mar da Galileia, ouvido as suas belas pregações, presenciado os milagres e participado de todas as "aventuras" narradas ali nos textos sagrados.

Hoje em dia, no entanto, guardo uma outra visão a respeito da ascensão. Principalmente quando fico a meditar no estado emocional daqueles discípulos que retornaram para Jerusalém jubilosos e não entristecidos. Aliás, tão pouco encontravam-se solitários, sem rumo, com dúvidas ou perturbados como lido nos versos 37 a 38 deste último capítulo. Podemos dizer que o psicológico deles todos estava então restaurado quanto às lembranças das trágicas experiências relativas à prisão, ao julgamento e à angustiante morte de Jesus.

Chego a concluir, meus amados, que a ascensão não foi encarada pelos discípulos como uma despedida. A ressurreição do Senhor proporcionou-lhes uma visão multidimensional da existência confirmando que nem tudo termina com o falecimento do corpo. Mais do que isso, Jesus mostrou ser possível vencermos a morte abolindo de vez a separação que o próprio homem acabou criando em relação à Vida por causa da alienação produzida pelo pecado. Só que, em Cristo, compreendemos o perdão gracioso e a amplitude da eternidade de modo que nos tornamos livres do obscurantismo no qual a humanidade meteu-se num dia de sua história.

Tal como se iniciou, o 3º Evangelho termina com um culto no Templo de Jerusalém. Em paralelo à figura do sacerdote Zacarias, pai de João Batista, encontramos ao final da narrativa Jesus Cristo impetrando sua bênção. Bênção esta que vem de um sumo sacerdote ordenado para sempre afim de nos assistir diante do Pai.

Assim, a recém-nascida Igreja já não tinha mais motivos para cultivar a solidão. Com Cristo agora presente nas consciências de cada irmão, os discípulos poderiam caminhar progressivamente livres de qualquer confusão mental (conferir o artigo "apalpai-me e verificai"). Embora houvesse terminado a obra como o Jesus de Nazaré, o Cristo continuaria as suas realizações por intermédio do corpo eclesiástico estando conosco em todas as eras. Sempre presente no transformador trabalho missionário para o qual somos comissionados.

Um feliz Natal para todos com as bênçãos de Deus em Cristo Jesus!


OBS: A ilustração acima refere-se aos azulejos da Freguesia portuguesa de Lama, pertencente ao Concelho de Barcelos, Distrito de Braga, na sub-região do Cávado, norte do país. A autoria da foto é atribuída a José Olgon (2011) e foi extraída do acervo virtual da Wikipédia, conforme consta em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Lama_Barcelos-Ascensao.jpg

domingo, 22 de dezembro de 2013

Compreendendo as Escrituras



"A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade [de Jerusalém], até que do alto sejais revestidos de poder." (Evangelho de Lucas, capítulo 24, versículos de 44 a 49; versão e tradução ARA) 

Nos estudos a respeito do capítulo 9º do 3º Evangelho, vimos que, quando Jesus pré-anunciou aos discípulos os eventos principais de sua Paixão, o entendimento deles encontrava-se ainda fechado para o recebimento daquela mensagem (9:45). E tal situação permaneceu até o momento em que o Senhor ressuscitou dentre os mortos e se apresentou aos seus seguidores, sendo o episódio dos dois discípulos no caminho de Emaús (24:13-35) um forte exemplo em forma de narrativa.

A questão posta pelo autor sagrado no texto citado acima diz respeito à obra missionária do Cristo. Jesus não correspondeu ao que as pessoas em geral esperavam acerca do Messias. Nas palavras dos dois discípulos que se afastavam de Jerusalém em direção à aldeia onde residiam, as expectativas de suas mentes estavam voltadas para a vinda de um líder que fosse redimir a Israel (24:21). Ou seja, eles se encontravam ainda presos à figura de um libertador político. Ansiavam por alguém talvez semelhante ao rei Davi que derrotaria os invasores romanos e devolvesse a soberania à nação judaica inaugurando, de imediato, uma nova era planetária.

De fato, dependendo da maneira como alguém lê e interpreta as Escrituras Hebraicas (o Antigo Testamento) que, no cânon do judaísmo, divide-se em Torá, Profetas e Escritos, realmente nos deparamos com várias passagens capazes de levar o leitor a identificar a obra do Mashiach dentro da perspectiva do parágrafo anterior. Assim sendo, como os discípulos aceitariam a ideia de que a salvação pudesse vir através da morte do Cristo? Isso seria demasiadamente frustrante para um povo que já não suportava mais ser massacrado em seu próprio território por estrangeiros que exploravam e humilhavam os israelitas tratando-os como escravos. Certos trechos da Bíblia existente naquela época, como a profecia do servo sofredor de Isaías 53 e alguns versos do livro dos Salmos, não satisfaziam as necessidades materiais dos contemporâneos de Jesus.

Todavia, a ressurreição do Senhor fez com que o entendimento dos discípulos finalmente se abrisse e estes pudessem compreender qual o significado de cumprir as Escrituras dentro do tempo no qual viviam. Pois tendo em vista que as gerações se sucedem, nem sempre a atitude certa a ser tomada numa determinada época deve corresponder literalmente à mesma conduta dos nossos antepassados em sua exteriorização, muito embora a essência dos atos praticados nunca se altere. Deste modo, o Mestre veio ensinar os seus seguidores a interpretarem a Lei progressivamente de acordo com os tempos. Algo que, num determinado momento, a cúpula oficial da Igreja não suportou dar continuidade quando os antigos padres resolveram então estabelecer a ortodoxia cristã e o fundamentalismo religioso.

Certamente que a mensagem bíblica de todas as eras (e que foi continuada por Jesus) jamais pode ser entendida como uma coisa estanque visto que ela evolui com o tempo e vem de encontro às necessidades de cada época. Por isso, o Salvador foi a resposta não só para a sua geração como também para os antepassados de seu povo e ainda para a posteridade na qual nos incluímos. Aliás, a própria profecia que referenciei acima, escrita séculos antes do Natal, faz menção expressa disso (conf. Is 53:10).

Outrossim, Jesus mostrou que ninguém, nem os sacerdotes saduceus e tão pouco os escribas dos fariseus, detinham o monopólio da revelação. Esta pode ser apreendida pelo homem comum do povo como eram os seus discípulos formados por pescadores analfabetos e também em grande parte pelas tão desprezadas mulheres do século I. Consequentemente, já não precisariam obter reconhecimento dos conselheiros do Sinédrio, ou de qualquer outro colégio teológico, pois a recém-nascida Igreja, a partir daí, poderia buscar a interpretação das questões por ela enfrentada com a mesma força dos textos bíblicos básicos através da consciência do Messias existente em todos nós.

Como consequência dessa revolucionária maneira de pensar, os discípulos passaram a ter uma nova tarefa que marcaria o ministério eclesiástico em sua bimilenar existência. Eles receberam a missão de pregar o arrependimento para remissão de pecados "a todas as nações" (v. 47). Em outras palavras, não deveriam permanecer mais restritos ao mundo cultural-religioso de origem. Ainda que começassem a anunciar o Evangelho em Jerusalém, no Templo e nas sinagogas, o novo comissionamento teria como foco a humanidade inteira, incluindo os não judeus.

Tendo se tornado testemunhas do Senhor, aqueles primeiros discípulos deveriam então agir iguais ao Mestre no manejo das Escrituras, o que significa também testemunhar as coisas que Deus tem feito. Isto ocorreria através do dom do Espírito Santo, a promessa feita pelo Pai (conf. com Jl 2:28-32; At 2:1-4) e, desta maneira, os seguidores de Jesus experimentariam em breve um revestimento de poder que os capacitaria para transmitir as boas novas do Reino em todas as nações. Quando interpretassem as Escrituras diante dos desafios do presente, as posições da Igreja gozariam de autoridade espiritual, desde que realizadas em Cristo obviamente.

É certo que tanto a institucionalização eclesiástica quanto o fundamentalismo bíblico causaram enormes desvios nessa caminhada progressiva. Muitos dentro do próprio cristianismo tentaram apagar a tocha da reforma de Cristo Jesus que foi a mesma carregada pelos profetas, por Moisés e pelos patriarcas hebreus. Entre os que tiveram essa chama acesa em seus corações, inúmeros deles acabaram se queimando como hereges nas fogueiras dos inquisidores até hoje entre nós tentando patrulhar o pensamento. Contudo, a revelação jamais morreu fazendo-se viva na consciência de todo indivíduo que busca a vontade de Deus.

Portanto, meus irmãos, oremos para que o Espírito abra o entendimento da Igreja neste século XXI afim de que possamos compreender realmente as Escrituras (e a Jesus) e venhamos a encarar vitoriosamente os desafios apresentados em cada novo momento.

"(...) apalpai-me e verificai (...)"



"Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa para comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles." (Evangelho de Lucas, capítulo 24, versículos de 36 a 43; versão e tradução ARA)

Abordamos nos dois últimos estudos bíblicos sequenciais do 3º Evangelho o quanto os seguidores do Mestre andavam incrédulos a respeito de sua ressurreição ocorrida no primeiro Domingo de Páscoa. O contato que Maria Madalena e as outras mulheres tiveram com os anjos no sepulcro foi considerado um "delírio" ou "tolice" pelos apóstolos (24:11), conforme visto no artigo "Ele não está aqui, mas ressuscitou". Somente Pedro teve a iniciativa de correr até lá (v. 12) e, embora não saibamos todos os detalhes de sua experiência, a narrativa de Lucas informa ter ele ficado "maravilhado". Depois, com o retorno dos discípulos de Emaús, o relato acrescenta que o Senhor já teria aparecido a Simão (v. 34).

Entretanto, Jesus mostrou-se surpreendentemente compreensivo quanto à incredulidade dos discípulos ainda que não aprovasse tal comportamento incrédulo. As primeiras palavras por ele dirigida aos seguidores reunidos (a futura Igreja) foi uma tranquilizadora mensagem de paz (v. 36). Algo que corresponderia ao termo shalom utilizado comumente nas saudações judaicas. Trata-se de um vocábulo que, traduzido do hebraico para o português, significa um desejo de saúde, harmonia, paz, bem-estar e de bênçãos a quem o cumprimento é dirigido.

Se bem refletirmos, não teremos dificuldades para configurar qual o estado emocional das pessoas naquele final de domingo de acordo com o texto. Deste modo, acredito que, devido aos fortes acontecimentos relativos à morte de Jesus, a maioria ali realmente se achava com medo, dúvidas, precisando de orientação e também de receber algum conforto. Como prosseguir a partir de então sem a presença física do Mestre?!

A crença em ressurreição e espírito era algo aceito entre muitos judeus do século I ainda que os corruptos saduceus rejeitassem a ideia (Lc 20:27). Assim, admitir a eternidade da alma de Jesus, ou que seu espírito pudesse ter sido visto por alguém, não seria novidade para aquela comunidade de seguidores. Afinal, alguns dos grandes líderes da história de Israel, como Moisés e Elias, também partiram de um modo sobrenatural e já não estavam mais entre o povo, exceto os ensinamentos que deixaram.

Ao se apresentar ao grupo, Jesus pediu para ser tocado e apalpado. Mostrou-lhes seus braços e pernas, bem como ainda pediu algum alimento sólido para ingerir no meio de todos. Sua resposta foi que um espírito não possui corpo (v. 39).

Não pretendo aqui perder tempo empreendendo teses sobre como seria o corpo do Cristo ressurreto. Buscar satisfazer a nossa curiosidade carnal querendo entender como ressuscitam os mortos seria uma insensatez na esclarecida visão de Paulo (1ªCo 15:35-36). Daí alimentar indagações desse nível faz com que permaneçamos na superfície da narrativa bíblica de modo que prefiro meditar nos elevados ensinamentos que a mensagem contida no texto acima citado pode nos proporcionar para fins de edificação.

Uma ideia que o autor sagrado me transmite seria sobre o Cristo que se faz presente nas nossas vidas. Nas inúmeras situações que enfrentamos, quer nos encontremos tristes, ansiosos, abalados emocionalmente, com a fé enfraquecida, desesperançados, perseguidos, sentindo medo e até em pecado, jamais estamos sozinhos. Semelhantemente o mesmo se dá nos momentos de alegria e vitória. O Cristo que se deixa tocar e faz uma ceia em nosso meio também é o Cristo que participa da experiência cotidiana de todos nós e deseja que a sua Igreja também aja assim através do companheirismo fraterno tão esquecido nesses últimos dias.

Por mais que sejamos homens limitados, Deus pode fazer com que, em nossos encontros pessoais, a consciência do Messias se presentifique viabilizando a continuidade da caminhada por nós empreendida. Pois tendo em vista que somos seres ambíguos, com ânimo e humor oscilantes, ainda dependentes de resultados positivos nas obras feitas, eis que andar com Cristo em comunidade torna-se a orientação acertada afim de vencermos a hostilidade do mundo com sua bênção de paz.

Nos anos recentes em que as reuniões eclesiásticas foram recebendo uma alta dose de mistificação, muitas vezes até fraudulentamente, creio ser importante a valorização do relacionamento amoroso entre os irmãos. Os encontros da Igreja não podem virar espetáculos e nem se restringir a uma fria formalidade litúrgica. Devemos desenvolver o companheirismo que aprendemos em Cristo Jesus passando a nos importar mais e a cuidar melhor das pessoas próximas, as quais Deus coloca em nosso caminho para convivermos. Portanto, sejamos verdadeiros amigos de oração, de evangelismo, de aconselhamento e de luta por justiça social, construindo o Reino de Deus através das relações que vamos estabelecendo.

Uma ótima semana a todos em Cristo!


OBS: A ilustração acima refere-se à obra do artista italiano Duccio di Buoninsegna (1255 — 1319), pintada entre os anos de 1308 a 1311, e que retrata a aparição de Jesus aos apóstolos. Foi extraída do acervo virtual da Wikipédia conforme consta em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Duccio_di_Buoninsegna_017.jpg?uselang=ru

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Caminhando e conversando com Jesus




Uma das passagens que muio me toca no Evangelho de Lucas é a narrativa sobre os dois discípulos no caminho de Emaús, a qual se encontra nos versos de 13 a 35 do capítulo 24. Como vimos no último estudo bíblico, Jesus havia ressuscitado de modo que as mulheres que o seguiam desde a Galileia, quando foram ao túmulo, encontraram o local vazio. Só que os apóstolos não acreditaram nos relatos delas, considerando tal experiência um "delírio" ou "tolice" (Lc 24:11).

Assim, dois discípulos de Jesus resolveram retornar para a casa no primeiro Domingo de Páscoa, caminhando de Jerusalém até uma antiga aldeia de localização até hoje inexata em que a narrativa bíblica diz ficar numa distância de "sessenta estádios" da Cidade Santa (v. 13). Ou seja, cerca de dez quilômetros no atual sistema de medidas. E, ao que me parece, ambos estariam também se afastando do colégio de discípulos e da fé em Cristo. Tanto no sentido físico como no espiritual.

O texto sagrado nos relata que, enquanto andavam pela estrada, conversavam sobre as coisas que tinham acontecido com Jesus. Estavam, evidentemente, entristecidos e sem esperança. Demonstravam uma incompreensão acerca da obra redentora realizada pelo Mestre e, assim como os onze apóstolos (Judas já não fazia mais parte), também não deram crédito ao testemunho das mulheres já que alguns discípulos foram até o sepulcro e nada encontraram de excepcional (v. 24).

Um outro viajante aproximou-se da dupla durante a caminhada, colocando-se ao lado deles. Era o Senhor Jesus já ressuscitado, mas ambos não conseguiram reconhecê-lo de imediato. Agindo terapeuticamente e com uma pedagogia magistral, o Mestre então lhes perguntou acerca da conversa que levavam entre si e qual o motivo daquele estado emocional negativo que expressavam. Criou deste modo uma oportunidade para que se abrissem e, com paciência, soube ouvi-los.

Interessante lermos nas nossas bíblias que, assim como os dois não estavam reconhecendo a Jesus, seus olhos espirituais também permaneciam fechados para a realidade por trás dos fatos que tinham presenciado em Jerusalém. Os rígidos conceitos sedimentados em suas mentes sobre a vinda do Messias, alimentando a expectativa de um livramento político da nação israelita em relação aos romanos, bloqueava-lhes o entendimento quanto à necessária morte do Senhor na cruz conforme era previsto há séculos em Isaías 53.

Amorosamente, Jesus passou a explicar qual seria a missão do Cristo conforme as Escrituras Hebraicas sem revelar aos dois viajantes a sua identidade. Como um bom professor, o Mestre parecia fazer uso de um instigante método indutivo de aprendizado afim de que os seus discípulos exercitassem a capacidade de reformulação da própria percepção da realidade. Permitiu que os destinatários de sua mensagem fizessem uso da reflexão e desenvolvessem a fé.

Todo o diálogo ocorrido naquela caminhada parecia não ter sido ainda suficiente para alargar a visão dos dois discípulos por mais que os seus corações ardessem como nos revela o texto (v. 32). Só que as palavras do Mestre não foram ditas em vão. Jesus sabia como conduzir a situação e, quando chegaram nas proximidades da aldeia, o Senhor disse que continuaria adiante (v. 28). Então, como se tratavam de dois sujeitos piedosos e acolhedores, convidaram o Mestre para albergar-se na casa deles. Certamente estavam também desfrutando de uma agradável companhia e devem ter encontrado em sua sabedoria o direcionamento de vida que tanto precisavam.

Curioso que não foram os hospedeiros mas, sim, o hóspede quem partiu o pão durante a refeição daquela noite (o sol já poderia estar se ponto no finalzinho daquele domingo). Isto porque, se não fosse o anfitrião quem repartia o alimento, as únicas pessoas que agiriam de tal forma apenas poderiam ser um pai de família ou um mestre. Porém, aquela iniciativa fez com que fosse lembrado o gesto ocorrido na Última Ceia (Lc 22:19) de maneira que, finalmente, conseguiram reconhecer a Jesus.

Ora, deve-se indagar por que, no momento em que foi identificado, o Senhor desapareceu no meio daquela dupla? Penso que este outro fato da narrativa também tem os seus motivos dentro do contexto literário e a minha suposição é que seria necessário Jesus deixá-los a sós na casa afim de que continuassem a buscá-lo. Por isso decidiram retornar imediatamente para Jerusalém e, novamente, juntarem-se à comunidade apostólica, a qual veio a formar a futura Igreja semanas depois.

Como podemos verificar no texto bíblico, é na congregação reunida que as experiências são partilhadas e somadas para a edificação de todos. Aprendemos que a vida cristã é um projeto coletivo e jamais individual. Ainda que, circunstancialmente, as pessoas  fiquem afastadas do convívio fraternal (Paulo permaneceu anos de sua vida trancado em cadeias), Jesus nos mostra que o caminho certo está no andarmos juntos, prosseguindo rumo ao propósito messiânico de construção do Reino de Deus na conflituosas relações humanas. Amando verdadeiramente aquelas duas ovelhas que se desviavam, as quais poderiam ser dois irmãos ou até um casal, o nosso Bom Pastor foi buscá-las dando-nos o exemplo de liderança e de cuidado para que façamos o mesmo.

Quantas vezes não temos algum irmão na fé que, devido a um desentendimento, um acontecimento ruim em suas vidas, ou até mesmo uma decepção dentro da Igreja, acabam então se afastando? Nessas horas, ao invés de fofocarmos nocivamente, devemos é nos colocar ao lado dessas almas como fez Jesus. E, na nossa abordagem, não cabe fazer julgamentos ou tratarmos a pessoa com superioridade moral. Precisamos ter a capacidade de dialogar de igual para igual, dando atenção à dor, à confusão mental e ao medo que o outro sente. Só assim é que auxiliaremos o nosso companheiro de caminhada a recuperar o seu propósito e voltar "para Jerusalém".


OBS: A ilustração acima refere-se ao quadro Caminho de Emaús pintado em 1877 pelo artista suíço Robert Zünd (1826-1909). A obra encontra-se atualmente no Kunstmuseum St. Gallen, Suíça. Extraí a imagem do acervo virtual da Wikipédia em http://en.wikipedia.org/wiki/File:Z%C3%BCnd_Gang_nach_Emmaus_1877.jpg