Este blogue tem por objetivo divulgar aquilo que eu penso. Escrevo não somente assuntos jurídicos como também comento sobre política, religião, sexualidade, filosofia, questões locais da cidade onde moro e tudo o que me vem na cabeça. Quem desejar fazer seus comentários, fique a vontade. Aqui não tem censura!
terça-feira, 31 de maio de 2011
A Parábola do Inventor
Acho muito interessante esta história e acho que ela retrata bem a trajetória do cristianismo.
O autor, o padre jesuíta Anthony de Mello (Bombaim, 4 de Setembro de 1931 — Nova York, 2 de Junho de 1987) foi um hábil contador de parábolas. Sua pregação não se baseava no dogmatismo e muito menos na falida doutrinação católica, pois buscava despertar o ser humano para a espiritualidade através de uma visão integral da vida.
Sutilmente, Anthony de Mello fazia críticas à religião e os seus escritos, cerca de 11 anos após sua morte, foram condenados pelo então cardeal Joseph Ratzinger, o atual papa Bento XVI, com a justificativa de que as obras afastavam-se "progressivamente da fé cristã" e do catolicismo.
De fato, o Pe. Anthony de Mello tinha contatos com as outras religiões, sobretudo com o budismo tailandês e com o pensamento de Ajahn Chah. Porém, os seus estudos também se baseavam em conhecimento científico visto que ele, além de sacerdote católico, foi um psicoterapeuta.
A seguir compartilho a interessante Parábola do Inventor contada por Anthony de Mello e que pode ser encontrada também na internet com as devidas referências à sua obra publicada no Brasil pela editora Loyola:
O INVENTOR
"Depois de muitos anos de trabalho, um inventor descobriu a arte de fazer fogo. Levou as ferramentas às regiões do norte cobertas de neve e ensinou a uma tribo a arte – e as vantagens – de se fazer fogo. As pessoas ficaram tão absortas nessa novidade que não se lembraram de agradecer ao inventor, que foi embora de mansinho. Sendo um daqueles raros seres humanos dotados de nobreza, não tinha nenhum desejo de ser lembrado ou reverenciado; tudo o que queria era a satisfação de saber que alguém se beneficiaria com sua descoberta.
A tribo seguinte que ele procurou estava tão ansiosa para aprender quanto a primeira. Mas os sacerdotes locais, com inveja da influência do estranho sobre o povo, mandaram assassiná-lo. Para refrear qualquer suspeita de crime, entronizaram um retrato do Grande Inventor no altar-mor do templo; e organizaram uma liturgia destinada a reverenciar e a manter viva sua memória. Tomaram o máximo cuidado para que nem um só preceito litúrgico fosse alterado ou omitido. As ferramentas para fazer fogo foram guardadas em um relicário e dizia-se que curavam todos aqueles que as tocavam com fé.
O próprio Sumo Sacerdote realizou a tarefa de compilar uma Vida do Inventor, que se tornou o livro sagrado onde sua extremosa bondade era oferecida como exemplo a ser seguido por todos e seus feitos eram elogiados, sua natureza sobre humana transformada em artigo de fé. Os sacerdotes cuidaram para que o livro fosse transmitido às futuras gerações, enquanto, com autoridade, interpretaram o sentido das palavras dele e o significado de sua vida e morte virtuosa. E implacavelmente puniam com morte ou excomunhão qualquer um que se afastasse da doutrina deles. Ocupado com essas tarefas religiosas, o povo esqueceu completamente a arte de fazer fogo."
(Anthony de Mello, O enigma do iluminado, v.I, São Paulo: Loyola, 1996, p.19)
Querem apagar o impeachment da memória histórica!
"Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil"
(José Sarney)
Uma das estratégias de quem se encontra no poder é recontar a história conforme o ponto de vista dos vencedores.
Hoje o Collor junto com Sarney fazem parte da máfia de políticos indecentes que se beneficiam com a politicagem reinante neste país.
Ora, então porque não apagar aquele pedacinho da história que tanto lhes incomoda?
Ocorre que Sarney, Collor e os demais corruptos em Brasília sabem o quanto a força do povo é capaz de transformar os rumos de uma nação. É por isto que eles querem apagar da memória o episódio do impeachment, algo que motiva as lutas populares juntamente com as "Diretas Já", a qual muitas das vezes é deturpada apenas como uma expressão de luta pela democratização medíocre que temos experimentado até hoje.
Curiosamente, na história brasileira, a Corôa Portuguesa e o Governo Imperial tentaram apagar por 100 anos a memória de Tiradentes, o qual só voltou a ser oficialmente valorizado após a Proclamação da República.
Mais do que nunca precisamos manter viva a lembrança de que o povo brasileiro é capaz de transformar os rumos do país pela via da mobilização. Os protestos, as passeatas e as reivindicações podem muito se forem realizados de maneira persistente, com ideais nobres e, acima de tudo, pacificamente.
domingo, 29 de maio de 2011
Deus não quer apostas pascalianas!
Certa vez o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), ao debater sobre a impossibilidade de provar a existência de Deus, argumentou dizendo que o homem deveria optar pela crença. Segundo o seu pensamento, se Deus não existir, o crente não sofrerá prejuízo algum quando morrer. Porém, considerando a possibilidade de Deus existir, o crente ganharia a vida eterna enquanto que o descrente perderia tudo depois da morte em tal hipótese.
Utilizando-se desta mesma lógica de Pascal, inúmeros pregadores desenvolveram argumentos bem ameaçadores nos seus discursos com a finalidade de proselitar pessoas. Ao invés de mostrarem a face bondosa de um Deus que nos ama desde a eternidade, tais "evangelistas" resolveram atrair seguidores apelando ao medo (o falacioso Argumentum ad baculum).
Neste aspecto, o pastor norte-americano William Franklin Graham Jr (mais conhecido como Billy Graham), admirado por muitos como sendo o maior pregador do século XX, também fez uso da mesma armadilha discursiva em seu aplaudido sermão "Heaven or Hell" ("Céu ou Inferno") que pode ser facilmente encontrado na internet:
"Certo dia, um agnóstico falava com um cristão. E ele disse: 'Suponha que um minuto após morrer você descubra não existir o céu'. O cristão respondeu: 'Se o céu não existisse, ainda assim teria valido a pena, em razão da alegria e da paz que tive em meu coração nessa vida cristã. Mas gostaria de lhe perguntar uma coisa. Sr. Agnóstico, suponha - apenas suponha - que você acordou e percebeu que, depois de tudo, existe realmente o inferno. Suponha que exista apenas uma chance em cem de existir o inferno. Você concederia, nesta noite, haver possivelmente uma chance em cem, de que realmente exista o inferno? Então, valeria a pena dar tudo o que você tem para escapar desse lugar chamado por Jesus de inferno'". (extraído do livro "Onde a religião termina?" do ex-frei Marcelo da Luz, pág. 111)
Penso que ao manejar estas palavras, Billy Graham não foi feliz pois demonstrou uma enorme fragilidade no seu sermão. Isto porque o argumento baseia-se nas supostas consequências negativas que os descrentes poderão sofrer caso não levantarem as mãos durante o apelo do pregador para "aceitar a Cristo", conforme costuma ocorrer no final das reuniões do evangelista. Os que não derem o assentimento às suas palavras poderão sofrer irreversíveis castigos como a perda da vida eterna, ardendo pelos séculos dos séculos nas chamas de um inferno.
Ora, alguém poderia então perguntar que deus é este que precisa intimidar as pessoas para ser crido ou obedecido? Pois, se a fé de alguém está baseada numa espécie de aposta pascaliana, não seria melhor que um deus assim nem existisse? Não seríamos muito mais felizes sabendo que podemos fazer escolhas existenciais conforme a própria consciência e nos baseando não em pregações de A, B ou C mas sim numa convicção pessoal a respeito de praticar o bem livres de qualquer ameaça?
Acontece que o Deus vivo e verdadeiro ama a todos incondicionalmente e deseja ser amado pelo que Ele é, independentemente de promessas ou bênçãos futuras oferecidas aos devotos. Seu amor sincero existe desde a eternidade dos tempos, antes da Terra e de todo o universo serem criados. Antes mesmo de sermos gerados no ventre materno, o nome de cada um de seus filhos já estava escrito no Livro de Deus e uma festa nos céus foi celebrada na ocasião do nosso nascimento sem que nada tivéssemos feito para merecer.
"Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." (Salmo 139.13-16; ARA)
Sem dúvida que este poema bíblico conduz-nos à abundante graça divina, fonte da vida para todos os homens, salvando-nos de qualquer pecado. Mesmo da própria descrença visto que nem as trevas escurecem os olhos do Eterno.
"Se digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa." (Sl 139.11-12)
Não importa em qual abismo a pessoa se encontre, pois ela pode reconciliar-se com o seu Criador a qualquer hora. E isto não precisa ser durante o culto evangelístico de uma igreja visto que pode ocorrer dentro da nossa casa, num presídio, num prostíbulo, numa boca de fumo ou nos últimos instantes da nossa vida errante a exemplo do "bom ladrão" crucificado ao lado de Jesus (ver Lucas 23.39-43). Pois somos sempre salvos pela graça divina sem que nada possamos oferecer em troca. Nem mesmo a fé que é gerada no coração do homem também pelo favor de Deus como resultado da ação do seu Espírito em nós.
Tal como no Salmo 139, cuja autoria é atribuída ao rei David, ninguém pode esconder-se do Deus onisciente. O Eterno conhece todas as nossas motivações íntimas e sabe muito bem que uma pessoa levantou as mãos durante um "apelo" feito pelo Billy Graham devido a um falho raciocínio pascaliano e não porque o novo devoto deseja de fato conhecê-lo.
"SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto.; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não me chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir. Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?" (Sl 139.1-7)
Sim! Para onde fugiremos deste amor tão grande que nos cerca? Para qual lugar?
Então pra que resistir à maravilhosa graça de Deus? Por que continuar fugindo e se trancando em si mesmo?
Mas conhecer a Deus não requer nenhum raciocínio lógico formulado por filósofos. Deus é puro amor e quer ser compreendido nesta dimensão. Não pelo medo ou pela ameaça feita pelos pregadores.
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1João 4.18-19)
Assim, festejando este amor, quero encerrar minha mensagem com este maravilhoso vídeo do Asaph Borba cantando o Salmo 139.
OBS: A ilustração deste artigo refere-se a uma pintura anônima feita no século XVII sobre o grande físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês Blaise Pascal.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Viva a Mata Atlântica!
Recebi este e-mail de um amigo do IBAMA e acho que suas palavras em poesia expressam bem meus sentimentos em relação à destruição do meio ambiente aqui no Sudeste brasileiro. Assim, aproveito então para compartilhar aqui na internet:
Hoje é o Dia da Mata Atlântica - Uma Poesia
Por Mauro Zurita Fernandes
Hoje é o dia da Mata Atlântica
E não se pode comemorar
Restam dela só dez por cento?
Mas a gente desvia o olhar
Animais em migração
Da vida livre pro alçapão
Vivem doidos a gritar
Mas a gente desvia o olhar
As cidades estão crescendo
Muitas casas pra morar
E a mata indo embora
Mas a gente desvia o olhar
Abrem estradas na encosta
Pois nas casas querem chegar
Quando chove, tudo escorrega
Mas a gente desvia o olhar
Nossos rios poluídos
muita química no ar...
As indústrias avançando
Mas a gente desvia o olhar
Criam áreas protegidas
Que enfim já são por lei
E o resto ao Deus dará
Mas a gente desvia o olhar
Todo foco é pra Amazônia
Gritam que vai acabar!
Mas restam oitenta por cento dela?
Mas a gente desvia o olhar
OBS: As fotos acima foram pertence a três CDs cedidos pelo meu amigo Jorge Elpídio Medina, apelidado como Passarinho.
Ele é autor de um projeto de inventário geográfico e hidrográfico do município de Cachoeiras de Macacu, feito em colaboração com os fotógrafos Denílson Siqueira, André Confort, Yuri Blacheire e Damião Arthur.
As imagens do CD foram feitas em sua maioria no município fluminense de Cachoeiras de Macacu, cidade vizinha a Nova Friburgo onde está situado o Parque Estadual dos Três Picos dentre outras unidades de conservação da natureza.
Para quem deseja um contato mais íntimo com a Mata Atlântica e se deslumbrar com belas paisagens naturais, a Região Serrana do Rio de Janeiro é uma excelente opção de passeio. Principalmente nesta época do ano que chove menos do que no verão e ainda tem aquele frio bem delicioso.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Iremos permitir que os oportunistas de sempre sejam novamente eleitos em 2012?
Não consigo entender a estranha mania que o friburguense tem de continuar elegendo as mesmas pessoas que, após chegarem ao poder, simplesmente dão as costas para nossa população. Parece até coisa de esquizofrênico!
Nas eleições de 2008, a população elegeu o engenheiro Dr. Heródoto Bento de Mello (PSC), com 47% dos votos, o qual, por mais uma vez, ocupou a cadeira número um da cidade, coisa que tem feito desde quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura em 1964 (ano do golpe militar). E, durante um longo tempo da história local, o cargo foi revezado entre HBM e o seu rival Paulo Azevedo.
Entretanto, as eleições de 2008 foram mais uma vez vergonhosas. Heródoto propôs coisas mirabolantes como um trem de alta velocidade passando sobre o rio Bengalas, um aeroporto, a construção de um novo hospital, o projeto Cidade Nova, etc. Só que o mais ridículo de tudo foi a população ter dado o seu precioso voto a uma candidatura que não tinha um pingo de seriedade, propondo coisas absurdas sem nenhuma condição de serem concretizadas.
Antes de morrer soterrado sob as lamas da enchente de 12 de janeiro, Paulo Azevedo prometia voltar como prefeito nas próximas eleições. Com a justificativa de estar tratando de sua saúde, Heródoto já se encontrava licenciado do cargo de modo que o seu vice, Demerval Barboza Moreira Neto (PMDB), já respondia pela Prefeitura. E era comentado nas ruas que o comandante da cidade era de fato o finado Paulinho Azevedo.
Inegavelmente, a popularidade de Heródoto já estava péssima poucos meses após o começo de seu mandato em 2009, o que leva qualquer analista político a desconfiar de seu licenciamento. E a maior prova dessa baixa popularidade foi o fraco desempenho de seu candidato Helinho para disputar as eleições de 2010 tentando uma vaga na ALERJ ao passo que Glauber Braga, filho da ex-prefeita Dra. Saudade Braga (PSB), conseguiu subir para a Câmara Federal. Logo, os que se encontravam no poder perceberam a necessidade de que HBM permanecesse afastado afim de que, através do vice-prefeito, o grupo governista de peemedebistas tivesse uma alternativa na provável disputa que haverá com Saudade Braga em 2012.
Alguns observadores da política local supõem que, além de Saudade e Demerval, um outro nome possa surgir nas eleições majoritárias do ano que vem. Seria o deputado estadual Rogério Cabral vindo não mais pelo PSB e sim concorrendo pelo partido novo fundado por Gilberto Kassab - o PSD.
Olhando este quadro, fico entristecido com a nossa falta de opção dentro de Nova Friburgo já que a política gira sempre em torno dos mesmos velhos nomes. Pessoas novas nunca têm chances e aqueles que fazem uma oposição sincera, lutando pelos direitos da maioria, como fazem os vereadores Cláudio Damião (PT) e Professor Pierre (PDT), nem sempre são reconhecidos. E até seus próprios partidos não os acompanham.
Mas o curioso é que o eleitor se acomoda e faz suas escolhas pelas opções com maiores chances de elegibilidade adotando o raciocínio dos mesmos parasitas da política que dependem da nomeação de cargos públicos. Apático, o nosso cidadão permite que a cidade seja governada por pessoas que, ao chegarem no poder, chutam o traseiro do pobre, sendo que o mesmo acontece na Câmara Municipal onde a maioria dos vereadores não passa de um bando de oportunistas, traidores e mentirosos.
Tudo isso me faz lembrar uma velha parábola judaica que se encontra nas nossas bíblias, mais precisamente no livro de Shofetim (Juízes):
"Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: 'Seja o nosso rei!' A oliveira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Venha ser o nosso rei!' A figueira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?' Depois as árvores disseram à videira: 'Venha ser o nosso rei!' A videira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?' Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Venha ser o nosso rei!' O espinheiro disse às árvores: 'Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá os cedros do Líbano!'"
(Jz 9.8-15; NVI)
Até quando nós cidadãos friburguenses elegeremos o "espinheiro" ao invés da "oliveira", da "figueira" ou da "videira"?
Será que os homens de bem não querem nada com a política?
Desejo que esta situação um dia mude e este seria o momento para que um dos dois vereadores mais combativos (o Professor Pierre ou o Cláudio Damião) pensasse em se inserir ativamente na disputa pelas eleições majoritárias colocando o nome à disposição.
Por outro lado, não acredito em falsos messias ou salvadores da pátria, mito que Jesus desconstruiu quando se recusou a ser coroado rei pelo seu povo. E, neste sentido, entendo ser necessário mudar também a Câmara Municipal e também a passividade da população diante de qualquer governo.
Então fica a pergunta sobre como que um candidato honesto conseguirá fazer uma política correta contando com um diretório partidário cheio de gente traidora e que, na verdade, só está apenas se importando em conseguir cargos no governo?
Se Cláudio e Pierre andam com problemas em seus respectivos partidos, não seria melhor que unissem forças numa nova legenda?
Talvez só eles mesmos possam me dar esta resposta. Porém, se nenhum deles vier colocando seus nomes para disputar a Prefeitura, iremos nos conformar com os velhos espinheiros de sempre?
Espero que, após a catástrofe de janeiro e o relaxamento dos governantes quanto à situação da população desabrigada, o eleitor consiga cair na real e se curar desta esquizofrenia histórica que é votar repetidamente nas mesmas pessoas erradas esperando um resultado diferente.
Nas eleições de 2008, a população elegeu o engenheiro Dr. Heródoto Bento de Mello (PSC), com 47% dos votos, o qual, por mais uma vez, ocupou a cadeira número um da cidade, coisa que tem feito desde quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura em 1964 (ano do golpe militar). E, durante um longo tempo da história local, o cargo foi revezado entre HBM e o seu rival Paulo Azevedo.
Entretanto, as eleições de 2008 foram mais uma vez vergonhosas. Heródoto propôs coisas mirabolantes como um trem de alta velocidade passando sobre o rio Bengalas, um aeroporto, a construção de um novo hospital, o projeto Cidade Nova, etc. Só que o mais ridículo de tudo foi a população ter dado o seu precioso voto a uma candidatura que não tinha um pingo de seriedade, propondo coisas absurdas sem nenhuma condição de serem concretizadas.
Antes de morrer soterrado sob as lamas da enchente de 12 de janeiro, Paulo Azevedo prometia voltar como prefeito nas próximas eleições. Com a justificativa de estar tratando de sua saúde, Heródoto já se encontrava licenciado do cargo de modo que o seu vice, Demerval Barboza Moreira Neto (PMDB), já respondia pela Prefeitura. E era comentado nas ruas que o comandante da cidade era de fato o finado Paulinho Azevedo.
Inegavelmente, a popularidade de Heródoto já estava péssima poucos meses após o começo de seu mandato em 2009, o que leva qualquer analista político a desconfiar de seu licenciamento. E a maior prova dessa baixa popularidade foi o fraco desempenho de seu candidato Helinho para disputar as eleições de 2010 tentando uma vaga na ALERJ ao passo que Glauber Braga, filho da ex-prefeita Dra. Saudade Braga (PSB), conseguiu subir para a Câmara Federal. Logo, os que se encontravam no poder perceberam a necessidade de que HBM permanecesse afastado afim de que, através do vice-prefeito, o grupo governista de peemedebistas tivesse uma alternativa na provável disputa que haverá com Saudade Braga em 2012.
Alguns observadores da política local supõem que, além de Saudade e Demerval, um outro nome possa surgir nas eleições majoritárias do ano que vem. Seria o deputado estadual Rogério Cabral vindo não mais pelo PSB e sim concorrendo pelo partido novo fundado por Gilberto Kassab - o PSD.
Olhando este quadro, fico entristecido com a nossa falta de opção dentro de Nova Friburgo já que a política gira sempre em torno dos mesmos velhos nomes. Pessoas novas nunca têm chances e aqueles que fazem uma oposição sincera, lutando pelos direitos da maioria, como fazem os vereadores Cláudio Damião (PT) e Professor Pierre (PDT), nem sempre são reconhecidos. E até seus próprios partidos não os acompanham.
Mas o curioso é que o eleitor se acomoda e faz suas escolhas pelas opções com maiores chances de elegibilidade adotando o raciocínio dos mesmos parasitas da política que dependem da nomeação de cargos públicos. Apático, o nosso cidadão permite que a cidade seja governada por pessoas que, ao chegarem no poder, chutam o traseiro do pobre, sendo que o mesmo acontece na Câmara Municipal onde a maioria dos vereadores não passa de um bando de oportunistas, traidores e mentirosos.
Tudo isso me faz lembrar uma velha parábola judaica que se encontra nas nossas bíblias, mais precisamente no livro de Shofetim (Juízes):
"Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: 'Seja o nosso rei!' A oliveira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Venha ser o nosso rei!' A figueira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?' Depois as árvores disseram à videira: 'Venha ser o nosso rei!' A videira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?' Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Venha ser o nosso rei!' O espinheiro disse às árvores: 'Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá os cedros do Líbano!'"
(Jz 9.8-15; NVI)
Até quando nós cidadãos friburguenses elegeremos o "espinheiro" ao invés da "oliveira", da "figueira" ou da "videira"?
Será que os homens de bem não querem nada com a política?
Desejo que esta situação um dia mude e este seria o momento para que um dos dois vereadores mais combativos (o Professor Pierre ou o Cláudio Damião) pensasse em se inserir ativamente na disputa pelas eleições majoritárias colocando o nome à disposição.
Por outro lado, não acredito em falsos messias ou salvadores da pátria, mito que Jesus desconstruiu quando se recusou a ser coroado rei pelo seu povo. E, neste sentido, entendo ser necessário mudar também a Câmara Municipal e também a passividade da população diante de qualquer governo.
Então fica a pergunta sobre como que um candidato honesto conseguirá fazer uma política correta contando com um diretório partidário cheio de gente traidora e que, na verdade, só está apenas se importando em conseguir cargos no governo?
Se Cláudio e Pierre andam com problemas em seus respectivos partidos, não seria melhor que unissem forças numa nova legenda?
Talvez só eles mesmos possam me dar esta resposta. Porém, se nenhum deles vier colocando seus nomes para disputar a Prefeitura, iremos nos conformar com os velhos espinheiros de sempre?
Espero que, após a catástrofe de janeiro e o relaxamento dos governantes quanto à situação da população desabrigada, o eleitor consiga cair na real e se curar desta esquizofrenia histórica que é votar repetidamente nas mesmas pessoas erradas esperando um resultado diferente.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
A importância da oração
"Orar é derramar o coração diante de Deus".
(Friedrich Heiler)
É muito interessante notar que, em todas as religiões e culturas, a oração é milenarmente praticada ainda que sob diferentes maneiras, expressando os variados sentimentos humanos como a gratidão, a culpa, a alegria, a tristeza, o amor, a raiva e a solidão. Pela oração louvamos, adoramos, desabafamos os nossos problemas, reconhecemos as coisas boas proporcionadas pela vida e também apresentamos as nossas necessidades através de pedidos. Aliás, diga-se de passagem que pedir coisas a Deus é uma das coisas que as pessoas mais costumam fazer nos dias de hoje.
Segundo a Torah, teria sido Enós (ou Enosh), o terceiro patriarca pré-diluviano, quem teria começado a invocar o nome de Deus (Gênesis 4.26), muito embora o nome Iahweh, geralmente grafado como SENHOR na maioria das traduções bíblicas, parece ter sido conhecido somente a partir da época do êxodo dos israelitas (Ex 3.13-14).
Todavia, não importa como o Eterno foi originalmente chamado pela errante humanidade (enoshut) ou se o "neto" de Adão, que viveu apenas 905 anos (Gn 5.11), teria sido um personagem histórico. O que se mostra mesmo relevante em tal passagem bíblica é o fato de que, num determinado momento do passado remoto, o homem mortal (consciente de sua vulnerabilidade e necessidade) começou a procurar Deus. E isto se deu, provavelmente, numa época quando não havia ainda igrejas, templos, escrituras sagradas, terços, rosários, seminários teológicos, cantores de música evangélica, nem padres, pastores, rabinos, mulás ou qualquer tipo de cargo sacerdotal. Inclusive, nem havia reis ou classes sociais, mas apenas clãs espalhados pela face da Terra, vivendo ainda como nômades ou tentando se sedentarizar às margens de algum rio e tentando sobreviver no meio de uma natureza ainda selvagem.
Enquanto em algum momento da pré-história surgiu a tendência de orar, muitos dizem que, hoje em dia, tem-se configurado um comportamento contrário e apático. É uma constatação de que, nas atuais sociedades do Ocidente, as pessoas oram muito pouco e até mesmo os que frequentam alguma igreja têm relaxado quanto a esta prática que, de acordo com os evangelhos, jamais foi negligenciada por Jesus.
Mas será que a tendência de invocar a Deus não teria sempre convivido com as dificuldades do homem em orar?
Penso que sim. Pois é daí é que deve ter vindo a figura do sacerdote. Alguém ostentando poderes xamânicos e que se coloca como um intercessor do povo, fazendo contatos com o além. Logo, desde os primórdios, ao tentar invocar a Divindade, o homem cometeu o equívoco de delegar para uma outra pessoa a tarefa de ser o seu mediador, deixando ele mesmo de orar diretamente a Deus, uma profanação do relacionamento de maior intimidade que Adão e seus filhos chegaram a estabelecer numa comunicação que parecia ser um diálogo bem natural e espontâneo, mesmo depois da queda.
Segundo o terceiro Evangelho, os próprios seguidores de Jesus pediram ao Mestre que lhes ensinasse a orar da mesma maneira que João Batista havia feito com os seus discípulos (Lucas 11.1). Assim, o Messias nos deu um modelo de oração que ficou popularmente conhecido como o "Pai-Nosso" (Lc 11.2-4) que costuma ser repetido dominicalmente nas missas católicas conforme a versão mais completa contida no Sermão da Montanha (Mateus 6.9-13).
Recitar o Pai-Nosso, os salmos de Davi ou as orações redigidas por alguém, nunca seria demais e até ajuda nos momentos quando nos faltam palavras. Só que não podemos esquecer que Jesus apenas ensinou um modelo, na certa exemplificando e enfatizando os temas nos quais devemos nos basear. E aí, sem tentar fazer um detalhamento prolongado do Pai-Nosso, parece-me que o Senhor desejava que entendêssemos melhor estes pontos: a santidade do caráter divino; o propósito de construção do reino celestial nos corações humanos que é confirmado pela vontade de Deus através de um paralelismo no texto de Mateus; que as petições devem se voltar para o suprimento de necessidades relacionadas a um cotidiano real; o momento em que busco retornar ao caminho certo relembrando os erros praticados (coisa que os judeus fazem com a prática do Teshuvá) precisa incluir a minha compreensão acerca do comportamento do próximo aceitando as pessoas como elas são; e contar com Deus para perseverarmos no propósito benigno de submissão à sua vontade e construção do reino celestial.
Eu poderia me aprofundar mais no Pai-Nosso e sei que existem vários livros já escritos a respeito da oração ensinada por Jesus. Prefiro, porém, deixar isto para uma outra ocasião porque considero no momento mais relevante relacionar a oração com a fé. Isto porque se trata de um ato em que o homem desafia e vence aquele tipo de dúvida que, no fundo, quase todos têm e só poucos são corajosos para admitir:
Será que a minha oração foi ouvida por Deus ou estou esquizofrenicamente apenas falando comigo mesmo?
Tenho pra mim que esta angustiosa dúvida será sempre um grande mistério na oração e pode fazer a nossa fé evoluir quando optamos por um comportamento determinado em continuar esperando em Deus e buscando compreender a pedagogia dos acontecimentos da vida. Pois, mesmo que uma tragédia ocorra após eu ter feito as minhas orações, mostro que estou crendo ao continuar nutrindo minhas esperanças através da perseverança e de ações condizentes, coisa que uns fazem com entusiasmo enquanto outros quase desfalecendo em seus ânimos mas que também expressa fé.
Por outro lado, a oração não atendida pode ser motivo para que venhamos a refletir melhor se as petições que fazemos não estão indo contra a orientação do Pai-Nosso, sendo que, neste sentido, tornam-se bem pertinentes as palavras escritas na sua epístola de Tiago: "pedis e não recebeis, porque pedis mal para esbanjardes em prazeres" (Tg 4.3; ARA) ou "(...) gastar para vossos prazeres" (TEB).
Com exceção dos casos em que as pessoas fazem da prática devocional uma desculpa para não enfrentarem os problemas do cotidiano, deixando de assumir as consequências do próprio ato, orar torna-se uma maneira muito saudável de viver um dia de cada vez. Principalmente se a oração estiver em consonância com as ações praticadas em prol de um resultado positivo, como pode ser lido nesta parábola contada pelo padre jesuíta Anthony de Melo (1931-1987) cuja obra foi postumamente condenada pelo então cardeal reacionário Joseph Ratzinger (o atual para Bento XVI):
"Certo homem, ao passear pela floresta, viu, admirado, uma raposa sem as patas traseiras. Perguntava-se, em sua mente, como o pobre animal faria para sobreviver, quando um fortíssimo tigre apareceu repentinamente, trazendo entre os dentes, caça nova. A fera comeu o quanto quis, deixando o restante do lado da raposa. Assim o homem compreendeu como a raposinha lograva sobreviver na selva hostil: 'Maravilha! A providência divina nutre a raposa por meio do tigre. Permanecerei também eu, deitado em um caminho da floresta, confiando na bondade do Senhor, o qual há de me enviar o necessário!' Passaram-se vários dias, quando uma equipe de socorro finalmente encontrou o homem desacordado no meio da floresta. Após reanimá-lo, o chefe da equipe quis ouvir dele porque não conseguira voltar para casa, e o homem lhe contou o ocorrido. O outro então lhe respondeu: 'Você é idiota? Não percebe que deveria imitar o tigre, animal autônomo, e não a raposa aleijada?'" (extraído do livro "Onde a religião termina?" do ex-frei Marcelo da Luz, pág. 91)
Que Deus nos dê forças para que possamos ao mesmo tempo orar e agirmos com a valentia de um tigre lutador! Afinal, tanto a raposa aleijada quanto uma fera do campo dependem igualmente da Divina Providência. Contudo, algo me diz no íntimo que o Criador alegra-se em contemplar o despertamento do tigre em cada um de seus filhos. É quando o Espírito de Deus age com o nosso espírito.
OBS: A ilustração acima refere-se à obra Mãos em oração do pintor e desenhista alemão Albrecht Dürer (1471–1528) e que se encontra na Galeria Albertina, em Viena (Áustria).
(Friedrich Heiler)
É muito interessante notar que, em todas as religiões e culturas, a oração é milenarmente praticada ainda que sob diferentes maneiras, expressando os variados sentimentos humanos como a gratidão, a culpa, a alegria, a tristeza, o amor, a raiva e a solidão. Pela oração louvamos, adoramos, desabafamos os nossos problemas, reconhecemos as coisas boas proporcionadas pela vida e também apresentamos as nossas necessidades através de pedidos. Aliás, diga-se de passagem que pedir coisas a Deus é uma das coisas que as pessoas mais costumam fazer nos dias de hoje.
Segundo a Torah, teria sido Enós (ou Enosh), o terceiro patriarca pré-diluviano, quem teria começado a invocar o nome de Deus (Gênesis 4.26), muito embora o nome Iahweh, geralmente grafado como SENHOR na maioria das traduções bíblicas, parece ter sido conhecido somente a partir da época do êxodo dos israelitas (Ex 3.13-14).
Todavia, não importa como o Eterno foi originalmente chamado pela errante humanidade (enoshut) ou se o "neto" de Adão, que viveu apenas 905 anos (Gn 5.11), teria sido um personagem histórico. O que se mostra mesmo relevante em tal passagem bíblica é o fato de que, num determinado momento do passado remoto, o homem mortal (consciente de sua vulnerabilidade e necessidade) começou a procurar Deus. E isto se deu, provavelmente, numa época quando não havia ainda igrejas, templos, escrituras sagradas, terços, rosários, seminários teológicos, cantores de música evangélica, nem padres, pastores, rabinos, mulás ou qualquer tipo de cargo sacerdotal. Inclusive, nem havia reis ou classes sociais, mas apenas clãs espalhados pela face da Terra, vivendo ainda como nômades ou tentando se sedentarizar às margens de algum rio e tentando sobreviver no meio de uma natureza ainda selvagem.
Enquanto em algum momento da pré-história surgiu a tendência de orar, muitos dizem que, hoje em dia, tem-se configurado um comportamento contrário e apático. É uma constatação de que, nas atuais sociedades do Ocidente, as pessoas oram muito pouco e até mesmo os que frequentam alguma igreja têm relaxado quanto a esta prática que, de acordo com os evangelhos, jamais foi negligenciada por Jesus.
Mas será que a tendência de invocar a Deus não teria sempre convivido com as dificuldades do homem em orar?
Penso que sim. Pois é daí é que deve ter vindo a figura do sacerdote. Alguém ostentando poderes xamânicos e que se coloca como um intercessor do povo, fazendo contatos com o além. Logo, desde os primórdios, ao tentar invocar a Divindade, o homem cometeu o equívoco de delegar para uma outra pessoa a tarefa de ser o seu mediador, deixando ele mesmo de orar diretamente a Deus, uma profanação do relacionamento de maior intimidade que Adão e seus filhos chegaram a estabelecer numa comunicação que parecia ser um diálogo bem natural e espontâneo, mesmo depois da queda.
Segundo o terceiro Evangelho, os próprios seguidores de Jesus pediram ao Mestre que lhes ensinasse a orar da mesma maneira que João Batista havia feito com os seus discípulos (Lucas 11.1). Assim, o Messias nos deu um modelo de oração que ficou popularmente conhecido como o "Pai-Nosso" (Lc 11.2-4) que costuma ser repetido dominicalmente nas missas católicas conforme a versão mais completa contida no Sermão da Montanha (Mateus 6.9-13).
Recitar o Pai-Nosso, os salmos de Davi ou as orações redigidas por alguém, nunca seria demais e até ajuda nos momentos quando nos faltam palavras. Só que não podemos esquecer que Jesus apenas ensinou um modelo, na certa exemplificando e enfatizando os temas nos quais devemos nos basear. E aí, sem tentar fazer um detalhamento prolongado do Pai-Nosso, parece-me que o Senhor desejava que entendêssemos melhor estes pontos: a santidade do caráter divino; o propósito de construção do reino celestial nos corações humanos que é confirmado pela vontade de Deus através de um paralelismo no texto de Mateus; que as petições devem se voltar para o suprimento de necessidades relacionadas a um cotidiano real; o momento em que busco retornar ao caminho certo relembrando os erros praticados (coisa que os judeus fazem com a prática do Teshuvá) precisa incluir a minha compreensão acerca do comportamento do próximo aceitando as pessoas como elas são; e contar com Deus para perseverarmos no propósito benigno de submissão à sua vontade e construção do reino celestial.
Eu poderia me aprofundar mais no Pai-Nosso e sei que existem vários livros já escritos a respeito da oração ensinada por Jesus. Prefiro, porém, deixar isto para uma outra ocasião porque considero no momento mais relevante relacionar a oração com a fé. Isto porque se trata de um ato em que o homem desafia e vence aquele tipo de dúvida que, no fundo, quase todos têm e só poucos são corajosos para admitir:
Será que a minha oração foi ouvida por Deus ou estou esquizofrenicamente apenas falando comigo mesmo?
Tenho pra mim que esta angustiosa dúvida será sempre um grande mistério na oração e pode fazer a nossa fé evoluir quando optamos por um comportamento determinado em continuar esperando em Deus e buscando compreender a pedagogia dos acontecimentos da vida. Pois, mesmo que uma tragédia ocorra após eu ter feito as minhas orações, mostro que estou crendo ao continuar nutrindo minhas esperanças através da perseverança e de ações condizentes, coisa que uns fazem com entusiasmo enquanto outros quase desfalecendo em seus ânimos mas que também expressa fé.
Por outro lado, a oração não atendida pode ser motivo para que venhamos a refletir melhor se as petições que fazemos não estão indo contra a orientação do Pai-Nosso, sendo que, neste sentido, tornam-se bem pertinentes as palavras escritas na sua epístola de Tiago: "pedis e não recebeis, porque pedis mal para esbanjardes em prazeres" (Tg 4.3; ARA) ou "(...) gastar para vossos prazeres" (TEB).
Com exceção dos casos em que as pessoas fazem da prática devocional uma desculpa para não enfrentarem os problemas do cotidiano, deixando de assumir as consequências do próprio ato, orar torna-se uma maneira muito saudável de viver um dia de cada vez. Principalmente se a oração estiver em consonância com as ações praticadas em prol de um resultado positivo, como pode ser lido nesta parábola contada pelo padre jesuíta Anthony de Melo (1931-1987) cuja obra foi postumamente condenada pelo então cardeal reacionário Joseph Ratzinger (o atual para Bento XVI):
"Certo homem, ao passear pela floresta, viu, admirado, uma raposa sem as patas traseiras. Perguntava-se, em sua mente, como o pobre animal faria para sobreviver, quando um fortíssimo tigre apareceu repentinamente, trazendo entre os dentes, caça nova. A fera comeu o quanto quis, deixando o restante do lado da raposa. Assim o homem compreendeu como a raposinha lograva sobreviver na selva hostil: 'Maravilha! A providência divina nutre a raposa por meio do tigre. Permanecerei também eu, deitado em um caminho da floresta, confiando na bondade do Senhor, o qual há de me enviar o necessário!' Passaram-se vários dias, quando uma equipe de socorro finalmente encontrou o homem desacordado no meio da floresta. Após reanimá-lo, o chefe da equipe quis ouvir dele porque não conseguira voltar para casa, e o homem lhe contou o ocorrido. O outro então lhe respondeu: 'Você é idiota? Não percebe que deveria imitar o tigre, animal autônomo, e não a raposa aleijada?'" (extraído do livro "Onde a religião termina?" do ex-frei Marcelo da Luz, pág. 91)
Que Deus nos dê forças para que possamos ao mesmo tempo orar e agirmos com a valentia de um tigre lutador! Afinal, tanto a raposa aleijada quanto uma fera do campo dependem igualmente da Divina Providência. Contudo, algo me diz no íntimo que o Criador alegra-se em contemplar o despertamento do tigre em cada um de seus filhos. É quando o Espírito de Deus age com o nosso espírito.
OBS: A ilustração acima refere-se à obra Mãos em oração do pintor e desenhista alemão Albrecht Dürer (1471–1528) e que se encontra na Galeria Albertina, em Viena (Áustria).
terça-feira, 24 de maio de 2011
A Igreja precisa influenciar e transformar a sociedade onde se encontra!
"A igreja precisa de homens sem a fantasia do diploma de teologia e com a certeza diplomada pelo conhecimento do Deus da teologia."
(trecho dos comentários do Pr. Newton Carpinteiro na postagem "Minha agenda na Paraíba para o período de carnaval" no Blog do Ciro)
A última vez que preguei na igreja, aqui em Nova Friburgo (RJ), dia 06/03/2011, eu me propus não ficar gastando o meu tempo e o das pessoas com a transmissão de conhecimentos teológicos na reunião daquele domingo. Surpreendi-me com a boa presença de jovens na igreja durante um culto ocorrido durante o feriado de Carnaval e com a ausência do nosso amado pastor-presidente Robson Rodrigues, o qual precisou viajar com a família por motivo de saúde de seu sogro.
Neste ano, minha cidade havia resolvido deixar de lado a fantasia carnavalesca e se pôs de luto pelas centenas de mortes ocorridas na tragédia climática de 12/01 na Região Serrana fluminense, a qual abalou o país com notícias que permaneceram como destaque diário na mídia por duas semanas. E a decisão de não realizar o Carnaval em 2011 pela Prefeitura (não demonizo a festa), tornou-se bem adequada ao momento triste que estamos vivendo coletivamente, visto que é tempo de chorar, não de rir.
Antes de pregar naquela noite de domingo, havia refletido junto com minha esposa sobre o que dizer num momento difícil desses, visto que fazia menos de 02 (dois) meses das chuvas que arrasaram a região serrana do Rio de Janeiro. Então ela me ajudou com uma frase que traduz reconstrução e união. E, sem muitos "logismos", procurei assim transmitir uma mensagem que se mostrasse prática para aquele público ali presente sendo que, no final, resolvemos orar por necessidades específicas de cada pessoa ali presente.
O ânimo que precisamos para reconstruir Nova Friburgo é algo que me fez lembrar das palavras ditas por Deus a Josué antes da conquista de Canaã pelos israelitas, quando o Deus Eterno lhe exortou:
"Seja forte e corajoso, porque você conduzirá este povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados" (Js 1.6; tradução da NVI)
Lembrei-me também da situação das tribos de Ruben e de Gade que, antes de Israel tomar posse da Terra Prometida, já tinham se estabelecido na Transjordânia (terras situadas na margem oriental do rio Jordão), mas com o compromisso assumido com o restante da nação israelita de parmanecerem lutando pela conquista de Canaã:
"Não retornaremos aos nossos lares enquanto todos os israelitas não receberem a sua herança". (Nm 32.18; NVI)
Felizmente, o bairro Cascatinha, onde fica a minha congregação, assim como várias outras localidades de Nova Friburgo, não foi atingido pela catástrofe. Porém, penso que todas as comunidades devem participar ativamente do processo de reconstrução da cidade e não se omitirem. Logo, vi alguma pertinência quanto à atitude solidária dos rubenitas e dos gaditas no texto que se encontra em Bamidbar (Números) que é o quarto livro de Moisés, da Torah.
Atualmente já fazem algumas semanas e temos tido o prazer de receber aqui uma equipe de voluntários da JOCUM, sigla que corresponde à uma denominação evangelística que é "Jovens Com Uma Missão". Na semana passada, este grupo esteve num dos bairros mais atingidos pela catástrofe de 12/01 que foi a comunidade de Córrego Dantas. Ali aqueles rapazes e moças oriundos de diversos lugares do país (havia também uma americana no meio deles) puderam participar do processo de reconstrução da localidade e compartilhar da alegria estampada nos rostos de seus moradores em ver suas casas sendo limpas da lama da enchente mas que agora estão sendo reparadas e pintadas.
Aqui em Nova Friburgo, a Igreja de Cristo está tendo uma oportunidade bem distinta de amadurecer, crescer, atuar e influenciar a apática sociedade onde se encontra através do amor que vem de Deus. Temos hoje a possibilidade de trabalharmos solidariamente pelas vítimas dessa tragédia e nos interessarmos mais pela participação política, fiscalizando os recursos públicos, questionando as autoridades, denunciando a corrupção e nos interessando mais pelas coisas espirituais.
Ampliando este entendimento para uma realidade mais global, acho que é isto que a Igreja no mundo inteiro precisa fazer! Temos que ser agentes de transformação e de fato fazermos diferença no meio onde nos encontramos, coisa que os teólogos da prosperidade e do entretenimento geralmente não pregam.
Abraços fraternos e que Deus nos guie nesta jornada, renovando o amor em cada coração para que não venhamos a nos esquecer do nosso próximo cuidando só dos interesses próprios.
(trecho dos comentários do Pr. Newton Carpinteiro na postagem "Minha agenda na Paraíba para o período de carnaval" no Blog do Ciro)
A última vez que preguei na igreja, aqui em Nova Friburgo (RJ), dia 06/03/2011, eu me propus não ficar gastando o meu tempo e o das pessoas com a transmissão de conhecimentos teológicos na reunião daquele domingo. Surpreendi-me com a boa presença de jovens na igreja durante um culto ocorrido durante o feriado de Carnaval e com a ausência do nosso amado pastor-presidente Robson Rodrigues, o qual precisou viajar com a família por motivo de saúde de seu sogro.
Neste ano, minha cidade havia resolvido deixar de lado a fantasia carnavalesca e se pôs de luto pelas centenas de mortes ocorridas na tragédia climática de 12/01 na Região Serrana fluminense, a qual abalou o país com notícias que permaneceram como destaque diário na mídia por duas semanas. E a decisão de não realizar o Carnaval em 2011 pela Prefeitura (não demonizo a festa), tornou-se bem adequada ao momento triste que estamos vivendo coletivamente, visto que é tempo de chorar, não de rir.
Antes de pregar naquela noite de domingo, havia refletido junto com minha esposa sobre o que dizer num momento difícil desses, visto que fazia menos de 02 (dois) meses das chuvas que arrasaram a região serrana do Rio de Janeiro. Então ela me ajudou com uma frase que traduz reconstrução e união. E, sem muitos "logismos", procurei assim transmitir uma mensagem que se mostrasse prática para aquele público ali presente sendo que, no final, resolvemos orar por necessidades específicas de cada pessoa ali presente.
O ânimo que precisamos para reconstruir Nova Friburgo é algo que me fez lembrar das palavras ditas por Deus a Josué antes da conquista de Canaã pelos israelitas, quando o Deus Eterno lhe exortou:
"Seja forte e corajoso, porque você conduzirá este povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados" (Js 1.6; tradução da NVI)
Lembrei-me também da situação das tribos de Ruben e de Gade que, antes de Israel tomar posse da Terra Prometida, já tinham se estabelecido na Transjordânia (terras situadas na margem oriental do rio Jordão), mas com o compromisso assumido com o restante da nação israelita de parmanecerem lutando pela conquista de Canaã:
"Não retornaremos aos nossos lares enquanto todos os israelitas não receberem a sua herança". (Nm 32.18; NVI)
Felizmente, o bairro Cascatinha, onde fica a minha congregação, assim como várias outras localidades de Nova Friburgo, não foi atingido pela catástrofe. Porém, penso que todas as comunidades devem participar ativamente do processo de reconstrução da cidade e não se omitirem. Logo, vi alguma pertinência quanto à atitude solidária dos rubenitas e dos gaditas no texto que se encontra em Bamidbar (Números) que é o quarto livro de Moisés, da Torah.
Atualmente já fazem algumas semanas e temos tido o prazer de receber aqui uma equipe de voluntários da JOCUM, sigla que corresponde à uma denominação evangelística que é "Jovens Com Uma Missão". Na semana passada, este grupo esteve num dos bairros mais atingidos pela catástrofe de 12/01 que foi a comunidade de Córrego Dantas. Ali aqueles rapazes e moças oriundos de diversos lugares do país (havia também uma americana no meio deles) puderam participar do processo de reconstrução da localidade e compartilhar da alegria estampada nos rostos de seus moradores em ver suas casas sendo limpas da lama da enchente mas que agora estão sendo reparadas e pintadas.
Aqui em Nova Friburgo, a Igreja de Cristo está tendo uma oportunidade bem distinta de amadurecer, crescer, atuar e influenciar a apática sociedade onde se encontra através do amor que vem de Deus. Temos hoje a possibilidade de trabalharmos solidariamente pelas vítimas dessa tragédia e nos interessarmos mais pela participação política, fiscalizando os recursos públicos, questionando as autoridades, denunciando a corrupção e nos interessando mais pelas coisas espirituais.
Ampliando este entendimento para uma realidade mais global, acho que é isto que a Igreja no mundo inteiro precisa fazer! Temos que ser agentes de transformação e de fato fazermos diferença no meio onde nos encontramos, coisa que os teólogos da prosperidade e do entretenimento geralmente não pregam.
Abraços fraternos e que Deus nos guie nesta jornada, renovando o amor em cada coração para que não venhamos a nos esquecer do nosso próximo cuidando só dos interesses próprios.
Assinar:
Postagens (Atom)






