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domingo, 14 de agosto de 2011

Um Pai que estará SEMPRE presente!



"Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus" (1João 3.1a; ARA)


Após ter perdido meu pai biológico, em setembro de 1983, quando ainda tinha meus 7 anos, a data comemorativa do segundo domingo de agosto tornou-se para mim algo vazio e desgostoso nos anos seguinte. Assistia na escola meus coleguinhas fazendo seus trabalhinhos, sob a orientação da professora, para levarem um presente aos seus pais. Eu, porém, não contava aos outros alunos a minha condição de órfão de pai porque não suportava estar em desvantagem em relação aos demais. Então mentia que o meu pai morava numa outra cidade bem distante, lá no Nordeste, para justificar sua ausência.

De fato, eu cheguei até a duvidar sobre o falecimento de meu pai. Isto porque, na época, os adultos não me contaram sobre como ocorreu seu óbito repentino de ataque cardíaco, em seu apartamento no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro (nesta época ele já estava separado de minha mãe). Aí, só depois é que inventaram que ele estava internado num hospital e fizeram isto comigo por uns três dias, sem que eu tivesse tido a oportunidade de me despedir dele no velório.

Aos 11 anos, resolvi então assumir a minha realidade. Tendo sido transferido de escola no meio ano, em Juiz de Fora (MG), decidi não mais esconder a perda do pai perante os colegas da 4ª série primária (outra coisa que muito me incomodava era estar um ano atrasado por ter repetido a alfabetização). E posso dizer que me senti bem mais aliviado por não carregar comigo a bagagem de uma mentira.

Anos depois, sendo já um complicado adolescente, vim a ter consciência de que havia sido adotado por um outro pai - DEUS.

A experiência da conversão fez com que eu não mais me sentisse órfão de pai e começasse a ver o mundo de uma outra maneira.

Chamar Deus de Pai, ainda que possa ser considerado mais um tipo de antropoformização da divindade, não deixa de ser uma imagem que O torna acessível, amoroso e íntimo. Isto porque representa a redescoberta de um relacionamento. Algo que para os israelitas, nos tempos anteriores a Jesus, ainda era mais ligado à eternidade do Criador e às vitoriosas batalhas militares do passado, ainda que as Escrituras hebraicas vez ou outra utilizassem a figura paterna e até materna para Deus. Porém, foi debaixo da opressiva dominação romana que o Messias revelou o Pai ao seu povo.

Creio que é neste nível de intimidade que Deus sempre desejou estabelecer um relacionamento com o homem. Tendo Ele nos criado à sua imagem e semelhança, penso que Deus quer que sejamos mais do que seus servos, mas sim filhos e amigos, tal como foi chamado o patriarca Abraão.

A Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32) mostra-nos ali um pai bem diferente dentro do antigo Oriente Médio, os quais costumavam se colocar numa posição mais distante de seus descendentes tal como um patrão que dá ordens aos empregados. Porém, na metáfora do Evangelho, o pai, ao ver seu filho voltando para casa, correu em sua direção, abraçou-o e, mesmo estando sujo e maltrapilho, foi capaz de beijá-lo.

"E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não dou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se." (Lc 15.21-24; ARA)

Que Pai maravilhoso não é o nosso Deus, capaz de nos aceitar apesar de todas as faltas praticadas contra Ele e, mesmo assim, por em nossos dedos um "anel" que simboliza a nossa filiação eterna?

Apesar de ter perdido meu pai natural precocemente, sou grato por ter encontrado um Pai que é SEMPRE presente e que me ama incondicionalmente. Um Pai que é louco de amor pela sua criação, mais até do que os nossos genitores. Pois ainda que uma mãe possa esquecer-se do filho que amamenta, como diz lá em Isaías 49.15, o Criador jamais irá nos deixar. E assim diz o profeta a Israel falando sobre Deus:

"Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim." (Is 49.16; ARA)

Ainda que esta data seja muito usada pelo comércio para promover as vendas, desejo que possamos nos lembrar este dia do nosso Pai de Amor que é onipresente e também tudo conhece, inclusive os nossos anseios e sentimentos mais íntimos. E, sendo ele o detentor de todo poder, fará o melhor por nós, infinitamente mais do que podemos imaginar.

"Como um pai se compadece dos seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó." (Salmo 103.13-14; ARA)

Tenha uma boa semana e aproveite para curtir seus pais terrenal e celestial!


OBS: A foto cima foi tirada no meu aniversário de 5 anos, quando eu estava abraçado pelo meu pai que deveria estar com seus 34 anos. Nascido no Rio de Janeiro, em 13 de novembro de 1946, Francisco Carlos Ancora da Luz era engenheiro mecânico e trabalhava na Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro, na época de seu falecimento. Teve apenas um filho (eu). Dizia-se marxista e ateu, mas, ainda assim, dava "graças a Deus".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As borlas das vestes de Jesus




"E Jesus, levantando-se, o seguia, e também os seus discípulos. E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste; porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã." (Evangelho de Mateus 8.19-22; ARA) - destaquei

A maioria dos cristãos ainda não consegue pensar num Jesus que estivesse de fato integrado à cultura judaica. Eu, porém, imagino o Senhor andando pelas ruas e cidades da Palestina usando os trajes típicos de seu povo, tal como prescrito pela Torá, a Lei de Moisés:

"Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes que nos cantos das suas vestes façam borlas pelas suas gerações; e as borlas em cada canto, presas por um cordão azul. E as borlas estarão ali para que, vendo-as, vos lembreis de todos os mandamentos do SENHOR e os cumprais; não seguireis os desejos do vosso coração, nem os dos vossos olhos, após os quais andais adulterando, para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os cumprais, e santos sereis a vosso Deus." (Números 15.37-40; ARA)

Estas borlas ou franjas, como consequência de um mandamento bíblico, ganhou uma enorme importância dentro da cultura judaica (antes de usarem o talit, os judeus ortodoxos ainda se vestiram assim até o século XVIII). Tratava-se do tsitsit e, como o texto nos mostra, tinha por objetivo fazer com que o cidadão israelita viesse a se lembrar da Lei de Moisés e guardar os seus mandamentos. Inclusive, para reforçar mais ainda a simbologia, tendo em vista o valor numérico das letras em hebraico da palavra tsitsit ser de número 600, foram acrescentados às vestes oito fios e cinco nós de uma franja, cuja soma dá 613 e corresponde o número total dos preceitos da Torá, segundo o Talmude.

"Nossas roupas com quatro cantos exigem tsitsit, e poucas roupas atualmente (exceto ponchos) têm quatro cantos, portanto usamos um talit especial com quatro cantos para podermos cumprir essa mitsvá. Durante as preces matinais, os homens usam um talit gadol – uma versão maior do talit catan. Tradicionalmente, os meninos começam a usar um talit catan aos três anos de idade." (http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1124380/jewish/Tsitsit.htm)

Contudo, no verso 5 de Mateus 23, Jesus aparece criticando os fariseus por alargarem os seus filactérios e alongarem suas franjas afim de serem notados pelos homens como praticantes de boas obras.

Certamente que as franjas foram dadas ao povo judeu para uma observância pessoal dos mandamentos. Algo que servia para alertar o israelita sobre os impulsos maus de seus corações (os pensamentos) e não seguisse tudo aquilo que atraísse suas vistas. Logo, não era uma coisa para ser exibida publicamente como se este ou aquele sujeito fosse um destaque moral, mas sim para cada um guardar para si mesmo.

Deve-se observar que Jesus conformou-se com o uso do tsitsit ainda que tenha reprovado a sua prática como fingimento, fato que me leva a fazer algumas reflexões sobre como deve ser o nosso comportamento em relação à guarda dos mandamentos de Deus, dos quais o crente nao deve ter vergonha de praticar.

Assim como Jesus não teve vergonha de suas franjas e nem se preocupou em alongá-las para ser visto pelos homens, nós não devemos nos retrair diante da sociedade a ponto de escondermos das pessoas a nossa opção pela obediência a Deus. Um homem fiel, por exemplo, deve assumir que se relaciona sexualmente só com a sua companheira e desta maneira agir com clareza diante de seus colegas de trabalho e demais pessoas de seu convívio, abstendo-se de comportamentos contrários à Palavra de Deus e se recusando a frequentar certos ambientes de prostituição e promiscuidade. Igualmente, lembrando aqui da célebre frase do Rui Barbosa, o homem não deve ter "vergonha de ser honesto" em seus negócios e atividades políticas, como se estivesse fazendo papel de trouxa ao devolver o troco que recebeu a mais.

Como um verdadeiro israelita, Jesus honrava a Deus e a Sua Palavra onde quer que estivesse, anunciando a Verdade em cada aldeia de Israel e pagando o preço pela escolha de seu ministério, tanto no meio do seu povo como diante do samaritano ou do estrangeiro que encontrasse. Desde a manhã até à noite, em todas as condições e a todas as horas da sua existência, sempre, e em todo lugar, ele se mostrava pronto a se entregar como um sacrifício vivo pela causa do Pai.

Vivendo com profunda naturalidade, sem precisar de recursos financeiros ou do marketing religioso, eis que até as vestes de Jesus exalavam o Poder de Deus que estava sobre ele. E este Poder estava baseado em sua autenticidade e relacionamento sincero com o Pai, sendo manifestado espontaneamente pela prática de um amor não fingido e que seria notado pela sociedade sem que ele precisasse preocupar-se em divulgar a sua imagem para ficar conhecido como o Messias prometido a Israel. E, assim, a sua fama se divulgou de maneira bem surpreendente, ainda que ele pedisse as pessoas que guardassem segredo a respeito dos milagres feitos por seu intermédio.

Que nós também possamos imitar os exemplos de vida ensinados por Jesus Cristo, andando em seus passos e almejando por uma obediência sem falsidade.

OBS: A imagem acima foi retratada nas catacumbas de Roma, antigos cemitérios subterrâneos onde as comunidades cristãs e judaicas se reuniam secretamente nos primeiros séculos da era comum. Extraído de http://campus.belmont.edu/honors/CatPix/womanblood.jpg através da Wikipédia, sendo material de domínio público, livre de direitos autorais.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não se esqueça do "filtro solar" e nem de seu Criador!

Bem interessante este vídeo "Wear Sunscreen" ("Use Filtro Solar")! Ele me fez lembrar um pouco o livro de Eclesiastes da Bíblia onde o escritor orienta-nos a discernir as espações da vida e celebrá-la com felicidade e sabedoria.

Contudo, algo falta à mensagem do vídeo: DEUS.

No último capítulo de Eclesiastes, o pregador recomenda que lembremos do nosso Criador (12.1), o que considero fundamental porque o cultivo da espiritualidade é ingrediente capaz de proporcionar ao homem uma qualidade de vida incomparável. Até pra quem levou a vida de forma errada.

Assistam o vídeo! Concordo com boa parte desta mensagem, a qual fica muito melhor se passarmos a incluir Deus nas nossas vidas:



Aguardo comentários!

OBS: Quando falo em "incluir Deus" não me refiro a nenhuma instituição religiosa, rituais ou doutrinas de igrejas. Falo da nossa experimentação pessoal, do relacionamento que precisamos descobrir diariamente com o nosso Criador e que está intimamente ligado ao respeito pela Vida.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um pouquinho sobre o direito dos povos do antigo Oriente Próximo

Estou a pesquisar sobre a Mesopotâmia, comparando-a com a Torá judaica que é a legislação que eu conheço um pouco melhor porque se encontra na Bíblia (trata-se dos cinco primeiros livros da lei de Moisés chamados também de pentateuco).

Tenho descoberto que os códigos mesopotâmicos anteriores ao do rei Hamurábi (cerca de 1726-1686 a.e.c.), tais como o de Urukagina (c. 2350 a.e.c.) e de Ur-Nammu (c. 2100-2050 a.e.c.), foram leis mais humanas do que as posteriores por incrível que pareça. Em Ur-Nammu, tem-se a possibilidade de aplicação de penas pecuniárias (indenizações) ao invés da retribuição taliana do "olho por olho, dente por dente". Já o texto de Urakagina, conforme o historiador Samuel Noah Kramer, especialista em Mesopotâmia, tal legislação seria "um dos mais precisos documentos de combate à tirania e à opressão do poder da história humana, em todos os possíveis sentidos, e também como o primeiro registro da concepção da história de liberdade, pela palavra amargi, epistemologicamente definida como o 'retorno para a mãe'" - o destaque em itálico é meu.

"Tem-se no Código de Urukagina (ou Uruinimgina) mecanismos de limitação dos poderes dos sacerdotes, bem como dos altos funcionários públicos, o que é visto como uma forma de limitação do poer público, assim como um combate à corrupção. Também encontra-se uma busca de justiça social, através de garantias de direitos aos cegos, pobres, viúvas e outros desafortunados. Pode-se dizer também que pela primeira vez na história escrita do homem fez-se valer a ideia de liberdade individual. A terra era considerada uma propriedade dos deuses, competindo aos homens somente a sua fiel remuneração. Assim, todo homem tinha o direito de usar uma parcela do solo, mas não a recebia como título de propriedade. O Código de Urukagina negava a pena de morte, tendo em vista que considerava a vida um dom divino e esta era, portanto, uma disposição celestial. Dessa forma, qualquer dano deveria ser reparado por uma multa em dinheiro ou em cereal. Percebe-se facilmente que não contemplava a Lei de talião." (ALBERGARIA, Bruno. História do direito: evolução das leis, fatos e pensamentos. São Paulo: Atlas, 2011, pág. 18)

Em termos patrimoniais, sobre a disposição de ninguém ser dono da terra a não ser a divindade, vejo ali até uma certa equivalência com a Torá (ver Levítico 25.23). Porém, a não aplicação da pena de morte demonstra que, num passado remoto da humanidade, parece ter havido um momento de maior respeito pela vida onde a punição máxima talvez pudesse ser a expulsão do indivíduo do grupo.

No entanto, como o Código de Urukagina jamais foi encontrado (sabe-se de sua existência por outras fontes), seria precipitado alguém afirmar que aquela lei teria sido a primeira Torá escrita quase que como a de "fogo negro", como dizem os místicos judeus. Mas ainda assim, pode-se verificar na crença em Deus (ou nos deuses mesopotâmicos) algo que foi benéfico afim de restringir a exploração do homem pelo homem.

Como se sabe, a evolução da história da Mesopotâmia e do Oriente Próximo produziu a divisão social em classes a partir dos códigos de Eshnunna (c. 1930 a.e.c.) e de Hamurábi. Fez-se distinção entre o awilum, o muskênum e o escravo nos textos legais e tais normas acabaram sendo muito bem suplantadas pela Torá que foi talvez a legislação mais humana dentre os códigos até então encontrados pelos arqueólogos.

Com isto, deve-se considerar que, na origem da civilização, a ideia da divindade pode ter sido libertadora no começo (principalmente lá pelos séculos XXIV - XXIII a.e.c.), mas que, no segundo milênio, a religião das cidades-reino da Mesopotâmia achou-se corrompida em virtude do desenvolvimento econômico e social (aumento das riquezas e da exploração que induzia à escravidão por dívidas) e das questões políticas que envolviam guerras (escravidão por motivo de conquista). Logo, pode-se imaginar que os deuses teriam passado de concedentes da terra para senhores escravocratas dentro da concepção do homem da época, o que, segundo o meu raciocínio, explicaria as epopeias acadianas de que os seres humanos tivesses sido criados pelos deuses para trabalharem de escravos.

Com os hebreus, povo que se identificou como uma nação formada por ex-escravos dos faraós egípcios, tem-se um certo restabelecimento das primeiras leis mesopotâmicas como se vê na Torá com a instituição do ano sabático, o perdão das dívidas, a limitação do tempo de escravidão, a obrigação de conceder empréstimos sem a cobrança de juros ao necessitado, a previsão do acolhimento ao órfão, à viúva e até ao estrangeiro peregrino que estivesse em estado necessidade.

Sendo assim, concluo dizendo que a concepção sobre a divindade parece ter variado entre os povos conforme as mudanças econômicas, sociais e políticas, o que explica o retrocesso humanitário do Código de Hamurábi em relação às normas anteriores e uma possível retomada dos princípios das leis do Código de Urukagina pela Torá.


OBS: A ilustração acima refere-se a um fragmento de um cone de barro inscrito por Urukagina, príncipe da cidade mesopotâmica de Lagash. Foi encontrado em Telloh e fala sobre construções feitas pelo tal governante. Atualmente o achado encontra-se no Museu do Louvre, em Paris. Quanto à imagem, que é de domínio público, foi extraída de http://en.wikipedia.org/wiki/File:Clay_cone_Urukagina_Louvre_AO4598ab.jpg

sábado, 6 de agosto de 2011

A História das Coisas

Vale a pena assistir este vídeo para entendermos melhor como funciona o sistema perverso das nossas sociedades de consumo e assim refletirmos sobre como o nosso hábito consumista é capaz de gerar problemas sociais e ambientais em todo o planeta.

A mensagem, além de apresentar os problemas deste sistema, mostra como podemos revertê-lo, valendo ressaltar que as coisas nem sempre foram assim:



Abraços.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu e os animais

Já tive alguns animais de estimação, geralmente cães e gatos, sendo que, atualmente, sou dono de uma terrível gata de nome “Sofia” que encontrei perdida na rua no Natal de 2007 e dei de presente pra minha esposa Núbia.

Contudo, ainda não me acostumei a conviver com bichos dentro de casa. Eu preferiria tê-los soltos num quintal ou num jardim. De preferência na zona rural, num sítio bem espaçoso. Só que eu vivo dentro de um apartamento de dois quartos situado no Centro de Nova Friburgo (RJ).

Ter a Sofia em casa não é nada fácil porque ela é um animal agitado, sobe nas coisas, destrói o sofá ao afiar as unhas e quer entrar dentro dos armários. Quando chega uma visita, preciso logo alertar a pessoa de que a minha gata de estimação pode morder e, às vezes, tenho até que colocá-la na varanda enquanto estou atendendo alguém que não esteja habituado com gatos. Ainda assim, não posso deixar de reconhecer que Sofia proporciona momentos de muita alegria neste lar e que ela é uma excelente companheira para Núbia. Principalmente quando estou ausente.

Entre os gatos e os cães, eu me identifico mais com estes do que com aqueles. Gosto muito dos cachorros grandes, como o labrador, que acompanham seus donos numa caminhada pelo campo. Na época em que morei no distrito friburguense de Amparo e também quando fui proprietário de um comércio na localidade de Conceição de Ibitipoca (MG), tive experiências bem significativas com os cães. Era como se eu tivesse um imã capaz de atrair esses bichos.

Lembro-me da “Cristal”, uma cadela de rua que andava atrás de mim pelo arraial de Ibitipoca e estradas de barro daquela belíssima região ecológica. Certa vez, ela me seguiu por mais de vinte quilômetros até uma cidade vizinha chamada Santa Rita e de lá retornou sozinha. Porém, depois que passei o negócio, no final de 1998, e voltei a morar no Estado do Rio de Janeiro, fiquei sabendo que alguém da comunidade matou a cachorra envenenada.

Além dos animais domésticos, admiro as espécies silvestres. Desde a infância, na Cidade Maravilhosa, um dos passeios que mais apreciava era ir ao jardim zoológico (tenho boas recordações de ter estado na Quinta da Boavista com meu falecido pai). Aí, quando mudei para Juiz de Fora (MG) e fui viver sob a guarda de meu avô, matava a saudade dos bichos na área verde do Museu Mariano Procópio, onde podia assistir os macacos brincando nas ilhas do lado dos pedalinhos.

Sou grato por viver num país rico em biodiversidade como é o Brasil e também ter conhecido um pouco dos seus ecossistemas terrestres mais significativos. Foi no Pantanal de Mato Grosso do Sul, mais precisamente na região da Nhecolândia, município de Corumbá, que me senti num verdadeiro zoológico a céu aberto com bichos vivendo soltos por todos os lados. Levei Núbia para esta viagem na época seca, mês de julho/1999, e acampamos num lugar bem selvagem, na reserva de uma fazenda de gado. E não só nas caminhadas com o guia como na própria estrada pudemos ver bastantes animais da fauna nativa. Além da grande diversidade de pássaros, encontramos jacarés e capivara em abundância. Apenas não consegui ver a onça-pintada e a anaconda, mas observamos os simbólicos tuiuiús, as araras-azuis, tucanos, ariranhas, cobras e um tamanduá bandeira. Isto sem me esquecer de um macaco de estimação da foto que o pessoal chamava de “Chico”.

Se eu fosse um animal, acho que gostaria de ser uma águia ou um falcão, visto que tenho muita vontade de voar. Pra mim a águia é um animal que transmite o sentimento de liberdade, de conquista e transcendência. É a majestade dos ares. Um símbolo de superação dos limites. Já a minha esposa, ela prefere ser um gatinho. Núbia admira muito a independência, o charme, a beleza, o temperamento e a sensualidade dos felinos.

E você? Tem algum bicho de estimação na sua casa?

Com qual animal (selvagem ou doméstico) se identifica mais?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Manifesto do Movimento Nova Friburgo em Transição

Muito interessante esta ideia! Resolvi divulgá-la!




“Os problemas do mundo não podem ser resolvidos por céticos ou cínicos, cujos horizontes sejam limitados por realidades óbvias. Nós precisamos de pessoas que sonhem com algo que nunca existiu”. John F. Kennedy







Um dos maiores desafios na tarefa de reconstrução da cidade de Nova Friburgo, duramente atingida pelo maior desastre ambiental da história do Brasil, é o da provisão de moradias em larga escala e em locais seguros, a partir da adoção de soluções técnicas que não repitam os erros do passado. O desastre ambiental provocado pelas chuvas torrenciais que devastaram a região serrana fluminense, em janeiro deste ano, colocou em foco na mídia mundial a situação de vulnerabilidade em que se encontram nossas cidades, em razão de um desenvolvimento urbano pautado na sobreposição dos interesses privados sobre os da coletividade, trazendo à tona a urgência de reformularmos radicalmente a maneira como nos relacionamos com o nosso habitat. Apesar das tragédias como essa repetirem-se, ano após ano, com frequência e intensidade crescentes, pode-se constatar que as ações do poder público têm se limitado a seus aspectos emergenciais, não resolvendo a questão em termos estruturais.







O Nova Friburgo em Transição tem como propósito inserir o município no Movimento Mundial das Cidades em Transição (Transition Towns), a partir da articulação da sociedade civil organizada e o poder público, para a realização das mudanças necessárias para que a cidade atinja uma situação de sustentabilidade urbana, tornando-se menos vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, crise econômica e/ou energética. Entendemos que todo momento de crise é, também, um momento de novas oportunidades e de possibilidade de correção de rumos. Não se trata, portanto, de apenas construir casas para os desabrigados, mas de repensar essas cidades sob novos enfoques, construindo, ao invés dos imensos conjuntos habitacionais situados em áreas distantes dos locais de trabalhos, bairros planejados sob a perspectiva de criação de ecossistemas sustentáveis.



A proposta básica do movimento é a realização de um projeto-piloto de um ecobairro, de forma que essa experiência possa ser replicada em outros lugares, estimulando uma mudança radical no modelo de urbanização vigente, e promovendo uma repercussão positiva mais imediata em direção à transição desejada, do que apenas a aplicação de uma legislação urbanística que, embora indispensável, apresenta resultados num horizonte mais a longo prazo.







O projeto desse ecobairro poderia ser realizado a partir de um concurso nacional de idéias, onde os primeiros colocados participariam, de forma cooperativa, no desenvolvimento do projeto, a partir de um termo de referência elaborado por uma equipe técnica transdisciplinar (arquitetos, sociólogos, geólogos, engenheiros, geógrafos, antropólogos, economistas, etc.) e representantes dos futuros moradores. Paralelamente, seriam realizadas amplas campanhas ecopedagógicas, especialmente com a população-alvo do projeto (desabrigados e moradores de áreas de risco). Na região existem institutos e oficinas-escolas como o TIBÁ (Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura), o Instituto Pindorama, o Bambu-Rio, o CECNA, a Mãos de Luz, a Escola da Mata Atlântica etc., que poderiam promover a capacitação de jovens voluntários para trabalhar, sob a orientação de arquitetos e engenheiros, na construção das novas edificações e infraestruturas urbanas, mediante a aplicação de tecnologias sustentáveis e princípios ecológicos como a permacultura.



Numa perspectiva de inversão da atual tendência de urbanização extensiva e predatória, esse novo assentamento urbano deveria ser um ecobairro vertical, dentro da concepção de “cidade compacta”, com uma qualidade urbanística similar à das superquadras de Brasília, mas com várias diferenças:





1.o sistema de circulação deverá privilegiar os pedestres (com calçadas largas e espaços públicos atrativos), os ciclistas (com uma ampla rede de ciclovias e bicicletários públicos), e o transporte coletivo de massa (movido à eletricidade ou biocombustível);



2. a implantação urbanística deverá se adequar as características geomorfológicas locais, tirando partido das declividades topográficas, no intuito de se evitar o uso de elevadores (vide exemplo do Conjunto Pedregulho, de autoria do arquiteto Reidy) e movimentos de terra, através do uso de pilotis;



3. emprego de materiais locais e ecotécnicas construtivas, respeitando-se as características geográficas e culturais do lugar e dos futuros moradores;



4. utilização de energias limpas e renováveis, tratamento biológico do esgoto, separação e reciclagem do lixo, paisagismo produtivo, hortas orgânicas, agroflorestas etc.



5. capacitação de jovens voluntários para trabalhar na construção das edificações e infraestruturas urbanas (a exemplo do Movimento Oasis, em Santa Catarina).



A ideia fundamental é a criação coletiva de uma experiência modelo, radicalmente nova em relação ao status vigente, e que sirva de referência na transição do atual padrão de urbanização predatório e caótico para um modelo de desenvolvimento sustentável, numa espécie de metástase benigna. O momento é altamente oportuno para a concretização dessa proposta, que vem de encontro à realização da Conferência Rio+20 no próximo ano, quando o Rio de Janeiro estará recebendo ambientalistas do mundo inteiro para avaliar os avanços da ECO-92.





Para concluir, podemos acrescentar que a perspectiva de uma transição para um modelo urbano sustentável envolve também, e necessariamente, a transição dos atores sociais, mediante a integração de valores como a cooperação, a convivialidade, a solidariedade, a criatividade e a consciência de pertencimento ao planeta, sob pena de inviabilizarmos a continuidade da vida na Terra.



Contatos através do grupo “Nova Friburgo em Transição”, no Facebook.





Movimento Nova Friburgo em Transição

Nova Friburgo, julho de 2011

Sandra Mara Ortegosa