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domingo, 28 de dezembro de 2025

Tarde de Domingo



O sol da tarde penetrava pelas cortinas, espalhando uma luz morna sobre a sala repleta de plantas. Sobre a mesa de madeira, o gato laranja repousava ao lado de uma Bíblia aberta, olhos semicerrados, como se acompanhasse cada página com paciência infinita. Ele era o único espectador daquelas lembranças que, inevitavelmente, vinham à tona.

Sentado em sua poltrona, com o corpo já cansado de tantos anos vividos, José sentia o peso da memória. Lembrava-se dos pais, sempre ocupados, mas de alguma forma presentes; dos avós, cujo cheiro de bolo ainda parecia flutuar em suas recordações; e dos irmãos, com quem brincava nos quintais da infância. Pensava na primeira companheira, aquela que amou de forma incompleta, e que se perdeu entre erros de juventude e palavras que não soube dizer. Um nó apertava-lhe a garganta.

O nome do amigo de infância surgia com clareza: o garoto que correu com ele pelas ruas de sua cidade natal e que desapareceu quando sua família se mudou. Nunca mais soube dele. Havia saudade, sim, mas também um silêncio pesado, quase cúmplice, que se acomodara ao longo dos anos.

Vieram à mente também as viagens ao lado da segunda companheira, agora convivendo com outro, e o tempo distante, quando imigrante nos Estados Unidos, enfrentando dificuldades e conquistando oportunidades. Voltou ao Brasil já perto da terceira idade, comprou duas casas com os dólares economizados, mas viveu só. A solidão era companheira constante, mas ele tentava compreendê-la, acolhê-la, mesmo sentindo a culpa de escolhas mal feitas e de amores perdidos.

O aroma de café recém-passado, o som distante da cidade, o calor suave da lâmpada âmbar — todos esses detalhes tornavam a nostalgia quase palpável. O gato levantou-se, espreguiçou-se, e voltou a deitar-se, como se aprovasse a quietude da reflexão.

José olhou para o relógio que marcava 18h30. Uma ideia surgia sem que ele tivesse perguntado: a missa das 19h. Por que iria? Ele não era mais assíduo; abandonara a igreja na juventude, escapando das obrigações e das certezas impostas. Porém, ainda assim, sentia algo como um chamado tênue. Talvez não pela fé, mas pelo reencontro com o passado, pelo abraço silencioso que a tradição poderia oferecer à sua própria história.

Hesitou. Sentiu o peso da culpa, mas também o desejo de compreensão. Talvez não precisasse de orações para se reconciliar com a vida; talvez bastasse atravessar a rua e sentar-se, ouvir as vozes, sentir o espaço — como se cada banco, cada vitral, pudesse oferecer a ele uma ponte de volta a tudo que fora, a tudo que se perdeu e, ainda assim, permanecia dentro dele.

O sol começava a se recolher, tingindo de laranja o quarto, combinando com o pelo do gato, que o observava com olhos insondáveis. José suspirou, levantou-se devagar, sentindo cada músculo protestar, mas com a sensação de que aquele pequeno gesto — mesmo que simples, mesmo que simbólico — poderia ser o início de uma tarde em que o passado e o presente conversassem sem pressa, sem culpa, apenas com a inevitável suavidade da nostalgia.

domingo, 21 de setembro de 2025

Não tive filho e ainda não escrevi um livro, mas já plantei algumas árvores...



Ao convocar todas e todos para as manifestações políticas deste domingo, não pude deixar de lembrar da maior árvore que tenho aqui em casa, que é essa mangueira plantada por mim há mais de 20 anos, logo no começo deste século, quando minha avó paterna Darcilia ainda estava viva passando seus dias em Muriqui. 

Hoje, 21 de setembro, para quem não sabe, é comemorado o Dia da Árvore, a qual é fundamental para o clima e para o meio ambiente termos árvores tanto nas áreas rurais quanto nas cidades e povoados. 

Justamente lembrando disso, gravei um vídeo que já está compartilhado nas redes sociais. Segue o link: https://youtu.be/8pfe_5ZXhNo?si=1XLCapLbu9EpAV2B 



Um excelente domingão a tod@s!