Páginas

Mostrando postagens com marcador Itamaraty. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Itamaraty. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Governo brasileiro sobre protestos no Irã: prudência diplomática e foco na soberania



O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) divulgou recentemente nota oficial sobre os protestos no Irã, em curso desde 28 de dezembro de 2025. O comunicado lamenta as mortes, manifesta preocupação com a evolução das manifestações e reforça que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”.

A nota enfatiza ainda a necessidade de diálogo pacífico e construtivo e assegura que a Embaixada brasileira em Teerã acompanha a situação e as necessidades da comunidade nacional no país, não havendo, até o momento, registros de brasileiros mortos ou feridos.


Comparação internacional

A postura brasileira se distingue por seu caráter cauteloso e não intervencionista, alinhando-se à política tradicional do Itamaraty, que privilegia a soberania nacional e evita se envolver em conflitos internos de outros países.

Em contraste, outras nações e blocos internacionais adotaram posições mais firmes:


  • Estados Unidos incentivaram os protestos e advertiram para possíveis ações se mais violência fosse cometida pelo governo iraniano.
  • União Europeia e países europeus condenaram a repressão, pediram a libertação de detidos e propuseram sanções concretas contra responsáveis por violações de direitos humanos.
  • ONU e seus órgãos especializados destacaram a necessidade de respeito aos direitos humanos, condenando o uso excessivo de força contra manifestantes, mas mantendo neutralidade política e evitando alinhamento com qualquer potência.


Países vizinhos e regionais, como Turquia, Iraque, Egito e Índia, também optaram por declarações diplomáticas equilibradas, enfatizando diálogo e estabilidade, mas evitando condenações diretas ao governo iraniano, comportamento semelhante ao do Brasil.


Defesa da soberania e direitos humanos

O Brasil acerta ao reforçar a soberania iraniana e a não intervenção, especialmente em meio a retóricas de escalada internacional, como as vindas dos Estados Unidos, que podem ser percebidas como tentativas de interferência externa.

No entanto, a análise do cenário indica que a nota poderia enfatizar de forma mais assertiva a proteção de direitos humanos, à semelhança da abordagem da ONU, que coloca a vida, a liberdade de expressão e a segurança da população como prioridade sem comprometer a neutralidade diplomática.


Conclusão

A posição brasileira demonstra prudência e equilíbrio: mantém relações diplomáticas estáveis, evita confronto internacional e protege cidadãos.
Ao mesmo tempo, uma ênfase mais clara nos direitos humanos fortaleceria a voz do Brasil no cenário global, mostrando que é possível conjugar soberania, não intervencionismo e defesa de vidas e liberdades civis em contextos de crise.


📝 Nota: De acordo com o Human Rights Activists News Agency, organização internacional de direitos humanos que monitora os protestos no Irã, o número de mortos em decorrência dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança ultrapassou 2.500 pessoas até meados de janeiro de 2026 — incluindo civis de diversas idades e integrantes das forças de segurança — em meio a uma onda de prisões que já soma mais de 18 000 detidos. Estes números representam uma das fases mais mortais de repressão em décadas no país e são amplamente citados por veículos internacionais como Reuters e Associated Press.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Egito: será que uma onda de democracia está invadindo o Oriente Médio?


Recordo-me que, no final da década de 80 e início dos anos 90, quando eu ainda estava entrando na adolescência, vários Estados do Pacto de Varsóvia, na Europa do Leste, começaram a se libertar das cortinas de ferro do comunismo. Além da União Soviética, uma onda democrática atingiu Polônia, Hungria, Bulgária, Romênia, a antiga Tchecoslováquia e a Alemanha Oriental, de modo que a própria população desses países foi às ruas para depor seus ditadores.

Cerca de duas décadas depois, fico me perguntando se estamos a assistir algo semelhante no Oriente Médio?

Tomara que sim! E confesso que estou muito satisfeito com a queda de Hosni Mubarak ocorrida em 11 de fevereiro deste ano, mas não há como negar que os movimentos políticos que vêm ocorrendo nos países árabes ainda se mostram um tanto indefinidos por causa da falta de tradição democrática de suas populações.

Contudo, minha intuição diz que a juventude nessa vasta região do planeta, que constitui a maior parte da população (a taxa de fecundidade lá é bem maior do que no Ocidente), parece que está ansiando por mudanças bem profundas. E daí a democracia vem se mostrando capaz de satisfazer as novas aspirações sociais.

Apesar de Mahmoud Ahmadinejad ter comemorado a queda de Mubarak, visto que o ditador egípcio era um forte aliado dos Estados Unidos em favor de Israel, tenho o palpite de que o regime dos aiatolás também esteja com os dias contados. Pois, se lembrarmos dos protestos ocorridos por ocasião das eleições iranianas de 2009, provavelmente fraudadas, pode não demorar muito para que uma outra onda de protestos tornem a ocorrer na antiga Pérsia.

Durante as manifestações no Egito, indaguei qual deveria ser a posição do governo brasileiro diante daqueles fatos. Então cheguei à conclusão que nossa diplomacia precisava ser cautelosa, mas sempre apoiando a democracia e os direitos humanos. E, neste sentido, até que o Itamaraty posicionou-se bem:


"(...) O Brasil acompanha com grande interesse a evolução da situação política no país amigo, que, além de parceiro relevante, desempenha papel importante para a estabilidade do Oriente Médio. Ao solidarizar-se com a população egípcia na busca da realização de suas aspirações, o Brasil reafirma sua confiança de que as lideranças políticas da sociedade egípcia saberão fazer face a este momento de novas oportunidades e desafios, em ambiente de entendimento e de diálogo democrático (...)"


Depois dessa incrível e valente vitória popular, desejo que todo o processo de transição democrática no país dos faraós se faça com respeito aos direitos civis e políticos, com "paz e tranquilidade", conforme espera a diplomacia brasileira. Torço para que, como a Turquia, o Egito torne-se um bom exemplo de democracia no Oriente Médio, onde passe a existir ali liberdade de religião e de credo, bem como no que se refere aos direitos femininos.


OBS 1: Um exemplo para nós brasileiros


"Essa é a mistura do Brasil com o Egito.
Tem que ter charme pra dançar bonito."


Mistura?

Verdade é que, ao contrário daquela música tocada pelo Tchan nos anos 90, ainda não temos muito a ver com os jovens egípcios que, dia após dia, foram às ruas até o ditador renunciar.

Espero que possamos deixar de lado a nossa passividade ridícula diante dos políticos corruptos que governam nossa nação e protestarmos contra a pouca vergonha administrativa que se vê nas três esferas de poder: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Será que, enquanto os povos muçulmanos e europeus vão às ruas brigar por seus direitos, nós continuaremos sendo coniventes com a nossa doentia plutocracia brasileira?


OBS 2: A imagem e a citação acima foram tiradas do site do Itamaraty na internet - http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/situacao-politica-no-egito


OBS 3: Já a primeira foto encontra-se no site da embaixada egípcia - http://www.opengate.com.br/embegito/


OBS 4: Até que eu tenho alguma ligação com o Egito. Meu avô materno, Georges Phanardzis, nasceu lá. Porém, foi registrado como grego, conforme a origem de sua família.