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domingo, 8 de julho de 2012

A nação brasileira precisa de uma nova disciplina!

“Escuta, filho meu, a disciplina de teu pai,
não desprezes a instrução de tua mãe”
(Provérbios 1.8; BJ)


Em abril do corrente ano, publiquei o texto Refletindo sobre o futuro da 7ª geração após a independência, abordando a questão educacional em nosso país em que propus, dentre outras coisas, o ensino em horário integral.

Algumas semanas atrás, porém, ao refletir sobre a nossa dificuldade em mudar hábitos, cheguei à conclusão de que a maior necessidade da nação brasileira seria a adoção de uma disciplina capaz de levar a sociedade a um verdadeiro sucesso.

Etimologicamente, disciplina vem da palavra discípulo (aquele que segue). Significa instruir, educar, treinar, transmitir a ideia de modelagem de caráter e imprimir regras de comportamento. Trata-se de algo que é aplicado, por exemplo, nos meios militar (princípios basilares da hierarquia e disciplina), escolar, empresarial, penitenciário, esportivo e até eclesiástico.

Historicamente, as civilizações que mais se destacaram desenvolveram suas respectivas disciplinas sociais. Graças a isto, os monarcas antigos conseguiram imprimir hábitos saudáveis nos seus súditos, facilitando o indivíduo a cumprir sua obrigação, levando a pessoa a um autodomínio e capacitando-a no uso de sua liberdade na superação dos condicionantes que se apresentam na vida cotidiana.

É certo que nem todas as disciplinas foram benéficas para o desenvolvimento de uma nação. Durante o colonialismo, os povos dominados receberam uma educação servil afim de sujeitar os indivíduos ao interesse da metrópole. E, nas sociedades desiguais, o mesmo se verifica na submissão das classes ou grupos sociais mais pobres formando um trabalhador manso para ser explorado pelos patrões.

Todavia, a disciplina social não se presta somente para o domínio político e cultural sobre as massas. Ela pode ser também libertária e capaz de conduzir uma nação a um nível de desenvolvimento desejado. E a experiência tem mostrado que pessoas bem sucedidas, além de serem criativas, também cultivam a disciplina. Ou melhor, dominam a si próprias.

A autodisciplina define-se como a capacidade de motivar a si próprio através da força de vontade, do trabalho duro e persistência. Cuida-se de uma atitude em que o indivíduo direciona a sua energia apesar de um estado emocional negativo e lidando com a exaustiva rotina. Dia após dia, a pessoa busca manter-se firme em seu propósito evitando os desvios e corrigindo rotas equivocadas sem se abater pelo desânimo.

Na nossa sociedade de consumo e de comportamento imediatista, as pessoas logo rejeitam a disciplina. Junto com a acomodação, as últimas gerações experimentaram o descrédito dos valores tradicionais de seus pais e avós. Houve uma destrutiva quebra de princípios, o questionamento vazio de praticamente todos os conceitos e a dissolução de costumes fundamentais. Devido a isso, a droga passou a destruir as famílias do Ocidente começando pelos ricos até chegar nos grupos sociais mais humildes.

É certo que o processo de desconstrução dessas últimas cinco décadas trouxe alguns benefícios. Porém, a sociedade tornou-se um barco à deriva e precisa traçar um rumo para não naufragar sob o céu sem estrelas na qual se meteu. Sendo assim, temos aí o dever de definir qual a nova disciplina a ser adotada elegendo os melhores valores de referência.

A meu sentir, precisamos disciplinar vários aspectos das nossas vidas. E, se na atualidade, os pais tornaram-se incapazes de educar seus filhos, diferente da época dos provérbios bíblicos do rei Salomão, deve-se então instruir as crianças através das instituições públicas de ensino. Neste sentido, entendo ser indispensável a escola trabalhar o uso do tempo, da disciplina do corpo, do trabalho, dos estudos, da alimentação saudável, das ações, do pensamento, da administração do dinheiro, do sono, do lazer, das festas, da internet, da espera em filas, das posturas, do apetite, do trânsito, das conversações, da higiene, dos cuidados ambientais, etc.

Certamente que impor limites passa a ser fundamental para que a pessoa reconheça o seu papel no meio social. Para tanto, não basta que se proíba determinadas condutas. É necessário que o educando receba instruções para fazer coisas boas desenvolvendo virtudes. Aì, entusiasmar a prática de atos positivos (amorosos) torna-se uma contribuição decisiva para a construção do caráter do menor.

Acredito que, através de uma educação em horário integral e que seja essencialmente disciplinadora, temos alguma chance de gerar uma sociedade melhor futuramente e evitarmos um futuro de barbárie. Paralelo a essa iniciativa, seria oportuna a ministração de cursos de orientação para adultos e também a criação de um serviço civil obrigatório em instituições idôneas já que as nossas forças armadas não têm condições de absorver todos os jovens em idade de alistamento. Então, tal como no serviço militar, os bombeiros e as guardas municipais tornariam rapazes e moças cidadãos realmente aptos para seguir uma conduta desejável para a promoção do bem comum coletivo. Do contrário, os adultos de amanhã poderão ser pessoas intolerantes, cheias de dengo, incapazes de conviver com obrigações rotineiras e se sentindo frustrados quando não são mais o centro das atenções.

Para concluir, compartilho que foi justamente na minha indisciplina que passei a sentir falta da ação disciplinadora. Quando criança, fui educado pelo meu saudoso avô paterno cel. Sylvio Ancora da Luz (1917-2005) que, na época, já era militar da reserva. Vovô impunha-me uma conduta que muito me contrariava tipo acordar cedo e fazer a cama. Com ele, passei a ter horário para dormir à noite, o que, normalmente, era após à novela das oito (hoje das nove). Só que, quando fui morar sozinho, sendo ainda aluno de faculdade, senti-me enganosamente feliz pela possibilidade de abandono dessas regras e passei a deitar e levantar na hora que bem queria, largando a cama de qualquer jeito.

Passado o tempo e tomando consciência da falta de disciplina, comecei a reconhecer a importância dos bons ensinamentos de meu velho. Hoje sei que, se imponho um horário para o sono, estou educando o meu organismo e tornando-o apto para outras atividades diárias, sejam estas laborais ou estudantis. Também o próprio exercício matinal de arrumar a roupa de cama, dobrando lençóis e cobertores, bem como colocando uma colcha em cima, ajuda o corpo a despertar e não cultivar o mau hábito de voltar a dormir de manhã. Com isto, quem segue este simples ensino de vida entra logo em movimento nas primeiras horas do dia evitando que a preguiça tome conta de si.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Refletindo sobre o futuro da 7ª geração após a Independência

Segundo Heráclito, o período de uma geração, "o espaço de tempo no qual o pai vê o seu filho tornando-se pessoa capaz de engendrar", seria de 30 (trinta) anos. Já a Bíblia prevê 40 (quarenta) anos como correspondendo à duração de uma geração. E, atualmente, no entender de alguns, a cronologia que separa cada o grau de filiação já teria caído para 25 (vinte e cinco) anos.

Todavia, considero mais adequada a versão do citado filósofo pré-socrático, tido também como o "pai da dialética", já que um século acaba contendo mesmo três gerações, pelo que se consolidou o seu pensamento muito bem lembrado pelo gramático romano Censorinus:

“Um século é a maior duração da vida humana, que é limitada pelo nascimento e pela morte. Aqueles, por consequência, que reduziram o século a um espaço de trinta anos, cometeram manifestamente um grande erro. É Heráclito que chama este lapso de tempo de ‘geração’, já que ele envolve uma revolução da idade do homem; e ele chama de revolução da idade do homem todo o período durante o qual a natureza humana faz o retorno do semeado à semeadura”

Aplicando estes conceitos à idade do jovem país Brasil, nascido não em 1500, mas sim com sua emancipação política (07/09/1822), fico a indagar a respeito da nossa evolução coletiva no decorrer das seis gerações de lá para cá.

Não é fácil abandonarmos de uma vez por todas a mentalidade de um povo colonizado para enxergarmos a nós mesmos como nação livre com grande potencial de se desenvolver. O melhor testemunho disso foi que, segundo a Bíblia, Moisés precisou que praticamente toda aquela geração que saiu do Egito, no êxodo, fosse substituída por uma nova criada ali no deserto do Sinai e sem mais a mentalidade de escravos.

Diferente da história bíblica do povo de Israel, nós brasileiros passamos por um processo tranquilo de independência formal e fomos conduzidos pela família real portuguesa durante quase setenta anos até à proclamação da República, quando ainda estávamos no começo da terceira geração "livre".

No entanto, o golpe militar que impôs a forma republicana de governo não foi capaz de formar uma geração com um alma verdadeiramente emancipada. Continuamos submissos aos interesses estrangeiros por décadas, deixando que os "coronéis" mandassem nos rumos da política nacional. E, se conseguimos nos industrializar no século XX, foi pura sorte por causa da primeira guerra mundial e da revolução de 1930 (período da quarta geração). Isto porque as fábricas europeias não puderam mais atender ao nosso mercado e, por necessidade, o Brasil teve que ter sua própria produção. Além disto, a quebra da Bolsa de Nova Iorque foi ótima para diminuir o poder das medíocres oligarquias rurais.

Depois de terem suicidado Getúlio Vargas, a nossa autonomia econômica não durou muito. Tão logo os interesses das multinacionais articularam-se com os das elites brasileiras e, deste modo, tivemos o desenvolvimento do país freado na segunda metade do século passado. Por mais que a quinta geração (1942-1972) tivesse lutado pelas liberdades políticas, predominou o "cale-se" ditado pelos generais da terceira e quarta gerações, conforme bem compôs o Chico Buarque nas suas inteligentíssima letras.

Pode-se afirmar que o pior momento da história recente do nosso país teria sido a época dos militares. Foi nesta época que o nosso povo sofreu um danoso impacto em sua formação cultural por causa do sistema repressivo que foi montado. Se a escola já não poderia mais ensinar o aluno a pensar, criou-se uma geração bem propícia para a manipulação feita pela mídia, com um gosto alienígena de coca-cola.

Apesar da brilhante música cantada pelo grupo Legião Urbana, os "filhos da revolução" e "burgueses sem religião" não derrubaram reis. A grande maioria foi intoxicada pelo lixo enlatado que lhes fora empurrado. E, passada a ditadura, o povo brasileiro elegeu Collor de Mello, sendo que os heróis da resistência também se corromperam e falharam quando chegaram ao poder.

Pois bem. Daqui a uma década, o Brasil estará completando seus 200 anos de independência. Será governado pela sexta geração (a minha) e estará criando uma sétima nascida a partir de 2002. Estas moças e rapazes, filhos século XXI, já não trarão mais as marcas da ditadura militar em suas mentes. Só que há algo bem preocupante nisso tudo. É que está faltando a verdadeira educação.

O que é educar? Seria somente oferecer escolas para adolescentes e crianças afim de lhes transmitir um conteúdo programático desenvolvido pelo MEC?

Tenho pra mim que educar é algo muito maior do que isto, pois requer o investimento dos pais, da sociedade e do governo na formação de uma pessoa. Algo que não está ocorrendo nem nas instituições de ensino e muito menos nas famílias. E aí lamento muito em ver esta garotada solta, alimentando-se das informações expostas na mídia e na internet, sendo aprovada nos períodos letivos sem ao menos terem realmente aprendido. Uma maquiagem só para que o Brasil melhore a sua imagem no exterior.

Creio que o nosso país precisa muito mais do que aumentar os investimentos estatais na educação. Precisamos de um trabalho sério nesta área já que, atualmente, as mulheres trabalham fora e não podem mais colaborar tanto na educação das crianças como foi nos tempos de nossas avós. Devido a isso, a ensino em horário integral (manhã e tarde) faz-se necessário assim como a ministração de aulas sobre Cidadania, Ecologia, Sexualidade, Controle de Emoções, e Ética, as quais não podem continuar dependendo da transversalidade nas disciplinas de História e de Geografia.

Só ensino em horário integral, com professores entusiasmados e bem remunerados, é que poderá contribuir para a educação dessas nossas crianças. Por isso, uma pessoa precisaria também de uma formação mais sólida para então dar aulas, o que envolveria um comprometimento maior com a profissão.

E aí? O que nós, homens e mulheres adultos, faremos?

A pena da História está hoje em nossas mãos!