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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Que possamos discernir o corpo partido e o sangue derramado!


 

"E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai." (Mateus 26:26-29)


Não dá para passar da noite de quinta para sexta-feira da Semana Santa sem nos lembrarmos desse conhecido trecho dos evangelhos onde Jesus celebra uma simbólica ceia com os seus discípulos, relacionando a partição dos alimentos (pão) com o seu corpo e agindo de modo semelhante com a bebida (vinho) quanto ao seu sangue. Em seguida, complementa estar realizando uma nova aliança (na citação "testamento"), por meio da sua morte, perdoando os pecados dos homens.


Certamente que essa passagem não deve fazer sentido para a humanidade inteira e nem todos os cristãos entendem do mesmo modo. Porém, quem estuda a célebre citação da Bíblia sempre busca compreender qual o significado profundo da representação desse momento tão reverenciado.


Tem-se evidenciado no texto em tela não só o fato de Jesus haver transformado a sua morte em um sacrifício de substituição em favor dos homens como também tornado os seus discípulos co-participantes do que estava prestes a ocorrer com ele. Mesmo que o entendimento daquele episódio só viesse mais tarde e, na hora da prisão do Mestre todos fugissem e um o negasse expressamente.


Sob certo aspecto, quando Jesus estava inspirando seus discípulos a pactuar com ele, tal decisão abrangeria o seguimento dos seus passos num projeto de amor e de vida para a humanidade que é o alcance do Reino de Deus. Romperiam com os valores do mundo na conformação com a morte do Senhor a fim de que, numa reunião futura e eterna com Cristo, haja então uma nova celebração com o consumo outra vez do "fruto da vide", significando um momento de grande júbilo coletivo.


Evidente que esse ato de Jesus estava impregnado de fé, em que o Mestre apostava tudo contra as circunstâncias, não sendo a morte que aguardava experimentar em questão de horas um impedimento para a futura e eterna reunião com os discípulos no Reino do Pai. Aliás, ele encarava aquele momento como a passagem (Páscoa) que a humanidade precisaria trilhar para uma transformação coletiva, de modo que o seu corpo e o seu sangue estavam também representando os corpos e os sangues dos seguidores de Cristo.


Ora, enfrentamos hoje uma pandemia que já matou mais de 322 mil brasileiros, conforme os números divulgados recentemente. Porém, as atitudes de grande parte dos cristãos são de envergonhar. 


Triste saber que muitos crentes nestes dias estejam se aglomerando em templos e ignorando as orientações sanitárias. Estarão participando de uma ceia simbólica, sem o verdadeiro discernimento, comendo e bebendo para a própria destruição, como o apóstolo Paulo já havia advertido há quase 2.000 anos aos coríntios em sua primeira epístola a eles:


"Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior. Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem." (1 Coríntios 11:17-30)


Pior ainda é quando vejo pastores demonizando a vacina! Pois usam a poderosa influência que têm a fim de conduzir pessoas para a morte, contrariando o ensino extraído do sacrifício de Jesus, o qual é representado como fonte de vida eterna.


Nessa Páscoa que celebramos num dos piores dias da pandemia no Brasil, não só podemos como devemos permanecer em nossas casas. Até porque não há necessidade de irmãos na fé estarem sempre todos juntos já que o próprio Jesus falou que onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome, estaria no meio deles (Mt 18:20). E essa presença também não depende de um mesmo ambiente físico! Ainda mais quando se tem hoje em dia as tecnologias da comunicação, a exemplo das videoconferências, de modo que estar atento às interações é o que realmente deve importar.


Para finalizar, concluo que, nessa Páscoa, as pessoas pelas quais mais devemos orar e interceder seriam os fanáticos religiosos, pois não sabem o que fazem, visto que se tornaram grandes propagadores do coronavírus, precisando conhecer urgentemente qual a essência do Evangelho Cristo.


OBS: Foto  dos azulejos na igreja de São Mamede de Este, em Braga, Portugal, conforme extraído de https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%9Altima_Ceia#/media/Ficheiro:Azulejos_Sao_Mamede.JPG

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A Comunhão com Deus deve ser construída debaixo da Graça


Estes dias tenho meditando sobre a maneira legalista como que muitos crentes ainda lidam com a ideia de comunhão com Deus, sendo este assunto algo que posso compartilhar a partir de minha própria experiência no Evangelho.

Muitos, ao lerem a primeira epístola de João, pensam ser até necessário deixar de pecar para poderem usufruir da comunhão com Deus. Acham que, por terem cometido esta ou aquela falta, ficaram excluídos do relacionamento com o Pai. Principalmente por causa de uma leitura errada do texto dos versos seis e sete do primeiro capítulo da carta:

“Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1Jo 1.6-7; ARA)

Contudo, o certo é que, mesmo dentre aqueles que confessam e acreditam na salvação pela graça, muitos não aplicam este remédio salvífico nas outras áreas de suas vidas e, infelizmente, acabam se auto-excluindo de experimentar um relacionamento espiritual mais profundo com o Criador.

Acontece que o homem nada consegue de Deus através de seus próprios méritos. Aquilo que fazemos (ou deixamos de fazer) não tem nenhum valor para a salvação. Nem mesmo para termos comunhão com Deus e os irmãos, sendo que o “andar na luz”, como diz a epístola, somente pode ocorrer como consequência de uma vida restaurada pela graça.

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (1Jo 1.8-10; ARA)

Posso dizer que a caminhada na luz inclui justamente o fato de admitirmos os nossos erros, dispondo-nos a tratá-los ao invés de ocultá-los como se fosse possível esconder alguma coisa de Deus. Aceitarmos a existência de uma dificuldade pessoal, sem ficarmos presos aos sentimento de culpa ou de inferioridade, bem como considerarmos as oportunidades proporcionadas pela divina graça de seguir em frente após uma queda, são posturas importantíssimas que precisamos adotar em nossas jornadas espirituais.

Neste sentido, pode-se compreender que o “andar em trevas” seria justamente alguém negar a sua condição de pecador e dispensar o tratamento oferecido pela graça. Pois, enquanto uma pessoa alimenta dentro de si que precisa chegar num determinado nível de “santidade” para ter comunhão com Deus, praticar o auto-sacrifício nesta condição, ou que primeiro deva reparar todos os seus erros do passado (como se tivesse carregando um carma), ela continua vivendo debaixo de uma infernizante meritocracia.

O grande problema da dependência dos méritos é que o homem acaba escondendo-se atrás de um comportamento moral exterior ou então desiste mesmo do seu aperfeiçoamento ético porque se vê a cada dia mais distante de um ideal de comportamento sem o qual ele não se sente aceito. E isto vale para todo e qualquer sistema religioso ou não-religioso. Seja no cristianismo, em outras religiões monoteístas e nos grupos que acreditam em sucessivas encarnações da alma.

“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” (1Jo 2.1-2; ARA)

Lembrando da cruz, em que o Justo morreu no lugar dos pecadores, encontramos nesta incomparável simbologia vivida por Jesus a plena manifestação da graça e que implica na renúncia do falido sistema meritocrático. Cessam quaisquer outros sacrifícios para fins de renovação da comunhão do homem com Deus porque nada poderemos fazer em troca neste sentido. E, mesmo que seja válido alguém abrir mão de si mesmo em favor do outro, tal atitude, ainda que cause impactantes efeitos sobre a sociedade, não gera efeitos para fins de restabelecer a conexão com o Autor da Vida. Pois, geralmente quem faz do auto-sacrifício o alvo maior dentro de sua compulsiva ambição por santidade, ainda não compreendeu que a entrega da própria vida só faria sentido debaixo da graça, havendo necessidade.

“E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.” (1Co 13.3; ARA)

Certamente que o amor do qual Paulo fala no célebre capítulo 13 da sua primeira carta aos coríntios, só pode tornar-se manifesto quando há graça. Pois tanto as obras de caridade quanto o martírio experimentado pelos apóstolos e profetas da Bíblia apenas se tornam atos de amor quando não são mais moedas de troca. E, como fruto de um tratamento no gracioso divã de Deus, o homem que se propõe a seguir o bem. Não mais por coação (tipo medo do inferno ou de ser amaldiçoado) ou pelo constrangimento moral consubstanciado no sentimento de inadequação, mas sim por causa de uma escolha madura, quando se descobre que a observância dos mandamentos de Deus caminhando sempre com Ele é de fato a melhor opção.


OBS: A foto acima refere-se à cachoeira "Furna da Onça", situada na região serrana fluminense. A imagem foi cedida a este blogueiro por Jorge Elpídio Medina. Ele é autor de um projeto de inventário geográfico e hidrográfico do município de Cachoeiras de Macacu (RJ), feito em colaboração com os fotógrafos Denílson Siqueira, André Confort, Yuri Blacheire e Damião Arthur.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sobre as pedras derrubadas de um velho templo


Li ontem no blogue Púlpito Cristão que uma poderosa denominação evangélica pretende construir um mega-templo na cidade de São Paulo e que será uma espécie de réplica do prédio edificado por Salomão no século X a.C., conforme consta no texto bíblico.

Ainda que a estranha obra venha trazer alguns benefícios ao turismo e à paisagem da capital paulista (não tenho dúvidas de que também possa haver malefícios), não consigo encontrar um propósito divino neste projeto, parecendo-me mais uma expressão da vaidade humana aliada ao pernicioso marketing religioso.

Na contramão do que fazem as grandes denominações dos dias atuais, os cristãos do século I não tinham o hábito de construírem templos. Eles se encontravam nas casas dos irmãos, ainda que, no começo, a Igreja primitiva de Jerusalém, em seus primeiros momentos, tenha se reunido também no templo judaico que fora reformado por Herodes, o Grande e que fora destruído em 70 d.C. pelo general romano Tito.

Poucos dias antes de seu martírio, Jesus havia predito o fim do segundo templo judaico pouco antes do sermão profético do Monte das Oliveiras, dizendo que não ficaria “pedra sobre pedra” daquele incrível monumento religioso:

Quando ele estava saindo do templo, um de seus discípulos lhe disse: “Olha, Mestre! Que pedras enormes! Que construções magníficas!” “Você está vendo todas estas grandes construções?”, perguntou Jesus. “Aqui não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas.” (Marcos 13.1-2; Nova Versão Internacional - NVI)

Antes deste episódio, Jesus havia passado por um acirrado debate ideológico em Jerusalém com herodianos, saduceus e fariseus, os quais, ao invés de se arrependerem dos seus pecados e se converterem a Deus, procuravam sem nenhum sucesso apanhar o Messias em alguma contradição, planejando matá-lo. Além disso, Jesus havia expulsado do átrio do templo os cambistas e comerciantes que vendiam animais para o sacrifício, condenando, pela maldição da figueira sem frutos, a falência daquele sistema religioso.

Quase dois mil anos depois, os cristãos do começo do século XXI ainda reproduzem a mesma religiosidade infrutífera dos saduceus e fariseus, ainda que confessando com suas bocas Jesus como o Messias, o Filho de Deus. Os líderes das maiores denominações evangélicas brasileiras até hoje deixam de viver o cristianismo em sua essência quando se mostram incapazes de romper com o sistema herdado do catolicismo romano, o qual, por sua vez, representou um lamentável retrocesso em relação aos cristãos primitivos do primeiro século.

Dando uma expiada no Antigo Testamento bíblico, veremos que o templo do rei Salomão, idealizado por seu pai Davi, foi um projeto aceito por Deus e tinha previsão na Torá. Foi uma construção cara, cheia de detalhes decorativos e de extraordinária riqueza. De acordo com a lei mosaica, as ofertas sacrificiais não poderiam ser trazidas a outro lugar senão a tenda do tabernáculo que, depois, passou a ser o templo de Salomão. Todo ano, o cidadão israelita era obrigado a comparecer nas três principais festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. Um dos objetivos parece ter sido a concentração do povo em torno do sacerdócio que somente poderia ser exercido pelos descendentes de Arão, irmão de Moisés.

Sem dúvida que havia um propósito divino para aquela Casa que, em vários momentos foi o palco de inesquecíveis avivamentos registrados nas Escrituras e, em outras situações, era um local onde terríveis pecados chegavam a ser cometidos às escondidas. No final, pouco antes da destruição promovida por Nabucodonosor, ocorrida cerca de 587 a.C., o profeta Jeremias protestou contra o ritualismo religioso de sua época que se contrapunha à verdadeira religião:

Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR: “Fique junto à porta do templo do SENHOR e proclame esta mensagem: “Ouçam a palavra do SENHOR, todos vocês de Judá que atravessam estas portas para adorar o SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, eu os farei habitar neste lugar. Não confiem nas palavras enganosas dos que dizem: 'Este é o templo do SENHOR, o templo do SENHOR, o templo do SENHOR!' Mas se vocês realmente corrigirem a suas conduta e as suas ações, e se, de fato tratarem uns aos outros com justiça, se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva e não derramarem sangue inocente neste lugar, e se vocês não seguirem outros deuses para a sua própria ruína, então eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos seus antepassados desde a antiguidade e para sempre. Mas vejam! Vocês confiam em palavras enganosas e inúteis. “Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal e seguir outros deuses que vocês não conheceram, e depois vir e permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: 'Estamos seguros!', seguros para continuar com todas essas práticas repugnantes? Este templo, que leva o meu nome, tornou-se para vocês um covil de ladrões? Cuidado! Eu mesmo estou vendo isso”, declara o SENHOR. (Jr. 7.1-11; NVI)

O segundo templo, construído após o retorno dos judeus do exílio babilônico, não alcançou o mesmo esplendor arquitetônico da primeira Casa. Por suas portas passaram o Filho de Deus, mas o sumo sacerdote Caifás não foi capaz de reconhecer a visita do Messias. Assim como foi na época de Jeremias, faltou mesma sensibilidade por de uma geração que, dias depois da entrada triunfal do Senhor em Jerusalém, pediu a Pilatos a condenação de Jesus. Quando o Senhor ressuscitou, ele deu ordem para que seus discípulos se espalhassem pelo mundo pregando o Evangelho a toda criatura.

Nos dias de hoje, grandes templos parecem não estar de acordo com o propósito de Deus para o seu povo nos dias atuais e muitas das vezes tais igrejas acabam refletindo a cópia de um modelo religioso falido que até hoje se repete. Observem o quanto é comum encontrarmos mendigos pedindo esmolas nas portas de uma igreja e, em certos horários, por causa da área deserta formada em determinadas regiões das cidades, vende-se até drogas ao lado das paredes laterais de um templo. Também é comum encontrarmos pessoas que se solitárias nas igrejas, sentindo-se isoladas no meio de uma multidão que se reúne sem estar consciente de sua presença no local.

Nós, cristãos, não fomos chamados para investir recursos em obras faraônicas e nem para concentrarmos atividades numa igreja central na cidade onde vivemos. Temos que nos dispersar e fazermos discípulos em todas as nações, como mandou Jesus! Se temos a necessidade de nos reunir, qualquer lugar serve, podendo ser a céu aberto, na casa de algum irmão, ou mesmo num salão alugado. Se a comunidade cresce e pessoas de outros bairros passam a fazer parte do nosso grupo, fica muito mais estratégico e barato incentivar que aqueles novos irmãos se encontrem num ponto mais perto de onde moram.

Muito mais importante do que os edifícios construídos pelos homens e as instituições são as pessoas. Deus escolheu os nossos corações para fazer sua permanente habitação, pois, quando alguém aceita a Cristo como o Senhor e Salvador, o seu interior é completamente lavado e santificado, de modo que o crente torna-se um santuário do Espírito Santo, conforme escreveu Paulo em sua carta aos coríntios: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?” (1Co 7.19)

Tal noção explicada por Paulo (de que o homem convertido torna-se um santuário do Espírito Santo) foi uma impactante notícia, tanto para os gregos de Corinto quanto para os compatriotas judeus do apóstolo, de maneira que a Igreja de Cristo não é outra senão o seu povo, formando um único corpo independentemente das diferenças de nacionalidade, sexo ou posição social. Assim, já não há mais a figura do sacerdote porque todos são chamados para o sacerdócio e se subordinam ao único sumo-sacerdote – o Messias Jesus.

É a comunhão pessoal que Deus busca estabelecer conosco afim de que possamos viver Nele e Ele em nós, pois somos chamados para ter um relacionamento contínuo, santo e amoroso com o nosso Criador. E isto certamente explica aquilo que João descreveu sobre a visão por ele experimentada acerca da “Nova Jerusalém”, dando a entender que, na eternidade, não haverá mais templos:

Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro (Apocalipse 21.22; ARA)


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OBS: A imagem acima, extraída do Flickr do Yahoo, é de autoria do Sr. André Confort Rodrigues que cedeu a foto ao autor deste blogue, desde que citando a fonte. Trata-se das ruínas da antiga igreja da localidade de São José da Boa Morte, situada no 3º Distrito do Município de Cachoeira de Macacu. Sua construção é datada de 1834, embora, um século antes, já existisse uma capela edificada no mesmo local. Devido às epidemias de febre amarela que ocorreram no século XIX, na Freguesia de S. José da Boa Morte (eis aí o motivo do nome do local) e região, houve um abandono da antiga vila, o que, na certa, explica o estado em que ficou a paróquia.