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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Três anos do gesto que o Brasil não deveria normalizar



Há exatos três anos, o Brasil assistia a um episódio inédito e profundamente simbólico de sua história republicana. Em 30 de dezembro de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos e deixou o país às vésperas da posse de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, legítimo vencedor das eleições daquele ano. O objetivo era evidente: não participar da cerimônia de transmissão da faixa presidencial.


O gesto não foi trivial, nem meramente pessoal. A entrega da faixa é um ritual republicano que representa a continuidade do Estado, o respeito ao voto popular e a aceitação das regras do jogo democrático. Ao se ausentar deliberadamente, o então presidente rompeu com uma tradição que atravessou governos de diferentes matizes ideológicos desde a redemocratização.


Mais grave do que a quebra do protocolo foi o significado político da atitude. Ao se recusar a reconhecer simbolicamente o resultado das urnas, Bolsonaro reforçou a narrativa de deslegitimação do processo eleitoral que já vinha sendo alimentada ao longo de seu mandato. Não se tratou de um ato neutro: foi um sinal dirigido a seus apoiadores, muitos dos quais ainda resistiam — e alguns resistiriam violentamente dias depois — à alternância democrática de poder.


É importante lembrar que a democracia não se sustenta apenas em eleições, mas também em comportamentos, gestos e compromissos públicos. Chefes de Estado têm responsabilidades que ultrapassam preferências pessoais ou ressentimentos políticos. A liturgia do cargo existe justamente para proteger a institucionalidade contra paixões individuais.


Três anos depois, o episódio merece ser lembrado não como curiosidade histórica, mas como alerta. Normalizar a fuga, o silêncio ou o desprezo pelos ritos democráticos é abrir espaço para sua corrosão gradual. Democracias morrem menos por golpes abruptos e mais por pequenas rupturas simbólicas que, repetidas, passam a parecer aceitáveis.


Recordar a viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos naquele fim de 2022 é reafirmar um princípio básico: a soberania popular se respeita não apenas no discurso, mas também nos atos — especialmente quando eles custam orgulho, vaidade ou conveniência pessoal.


A memória democrática não é vingança. É responsabilidade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Presente numa posse presidencial histórica


 

Passei o meu final de ano em Brasília aproveitando não só a companhia de familiares como também a oportunidade de assistir, pela primeira vez presencialmente, a posse de um Presidente da República.


Já havia prestigiado pessoalmente a posse de alguns prefeitos, porém nada como a cerimônia de uma posse presidencial que reuniu um grande público na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios. Pois foi um evento que reuniu pessoas do Brasil inteiro vindas de suas respectivas cidades em caravanas populares, autoridades de outros países e dos Três Poderes da República, sempre com o tradicional cortejo que parte da Catedral rumo ao Congresso.


Certamente que, na prática, "sumi" no meio daquela multidão, não conseguindo entrar na Praça dos Três Poderes, de modo que apenas consegui alcançar as proximidades de umas das grades próximas à via por onde passou o cortejo. E registrei a alegria de pessoas que comemoravam a libertação do Brasil de um governo que promoveu retrocessos nas áreas ambientais, sociais e de direitos humanos, destruindo terras e mais terras na Amazônia, sem consideração pelos povos originários e nem pelas comunidades quilombolas.


Por esses e outros motivos, não seria equivocado falar que o evento do último domingo (01/01/2023) foi muito mais do que uma mera solenidade de troca de comando entre Chefes de Estado, como temos assistido desde 1985, mas, sim, o símbolo de um acontecimento histórico. Talvez o momento mais importante dessa República após o movimento popular das "Diretas Já" (1983/1984) pois consagrou o resgate da democracia brasileira.


De todos os atos documentados durante a posse de Luís Inácio Lula da Silva e do seu vice Geraldo Alckmin, o que mais chamou a atenção foi a subida da rampa com a entrega da faixa presidencial já que o ex-presidente se ausentou do país dois dias antes. Diante da disso, a faixa foi recebida de representantes da sociedade civil brasileira que simbolizam sua diversidade. São eles: 

- Francisco, 10 anos, morador de Itaquera;

- Aline Sousa, 33 anos, catadora;

- Cacique Raoni (90 anos?);

- Wesley Rocha, 36 anos, metalúrgico;

- Murilo Jesus, 28 anos, professor;

- Jucimara Santos, cozinheira

- Ivan Baron, influencer PcD;

- Flávio Pereira, 50 anos, artesão.



Tudo isso foi muito bom e significou que Brasília agora já respira novos ares. Porém, importante dizer que muito mais do que um simbolismo numa formalidade cerimonial, essa presença da sociedade civil em sua diversidade precisa se tornar realmente a representação do nosso país com um amplo espaço para todas e todos dentro das instituições democráticas, o que significa diálogo com o povo e o atendimento às demandas coletivas por meio de políticas públicas. 


Apesar dos shows e atrações culturais da programação, as quais durariam até a madrugada, saí cedo do local pois, no dia 02/01 já voltaria para casa embarcando num voo da Azul logo pela manhã no aeroporto de Brasília. 


Agora já em minha casa, no litoral fluminense, passo a acompanhar os principais fatos do novo governo e pensando em propostas que possam melhorar o nosso país na expectativa de que conseguiremos aproveitar as oportunidades para reconstruir o Brasil nesses quatro anos de mandato.


Um feliz 2023 a todas e todos!


OBS: Créditos da segunda imagem atribuídos ao fotógrafo Ricardo Stuckert.